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segunda-feira, 10 de junho de 2019

É tão bom ter amigos

Cádiz foi oferecido ao Sp. Braga, há alguns meses, por 1,5 milhões. António Salvador, contudo, não se mostrou interessado. in Expresso, Paulo Gonçalves, o agente-arguido negoceia Cádiz

O presidente do Vitória de Setúbal, Vítor Hugo Valente, (...) afirmou que o clube dispõe de um orçamento de 2,9 milhões de euros(...) in O Jogo

Vieira confirma Cádiz e diz que «há uma estratégia», in zerozero.pt

Sendo que o orçamento do Vitória de Setúbal pouco variará ao longo dos últimos anos, os seus adeptos podem estar tranquilos porque o orçamento da próxima época, já está garantido com a fantástica transferência de um craque por 3 milhões, que o SC Braga não quis por metade desse valor. Por essa internet fora, não faltam adeptos do novo clube de Cádiz que não lhe reconhecem suficiente valor, mas convenhamos que é pequeno o preço a pagar para ter amigos por perto.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Sem perdão

Isto só agora começou.

Durante semanas Francisco J. Marques - a quem tanto tentaram silenciar e cada vez mais se entende o porquê - fez o aviso. "O melhor ainda está para vir". Naturalmente ele sabia do que estava a falar. E o melhor continua a estar por vir mas é impossível não afirmar que já melhorou e muito.

Durante mais de um ano o FC Porto - através do Porto Canal e dos programas Universo Porto da Bancada - plataformas online, como esta, e alguns jornais e revistas de um modo independente, foram divulgando emails, dados, informações relacionadas às investigações que envolviam, entre outros, o SL Benfica. O que a principio eram emails tornaram-se investigações policiais, o que a principio eram mails falsos tornaram-se uma das bases para um processo do ministério público. O que a principio era uma cabala sem pés nem cabeça agora é o primeiro processo de imputação judicial de um clube de futebol em Portugal. Nunca uma instituição tinha sofrido a vergonha de ser levado pelo Ministerio Público a tribunal. Houve já casos de justiça desportiva - como esse Apito Dourado que acabou em Leiria na época em que o lodaçal de Ricardo Costa impartia "justiça"  - mas nunca daquilo a que um ignorante pateta chamou de "corrupção normal".
É preciso dar o desconto, esse individuo deve estar habituado a saber que é "normal" a palavra corrupção fazer parte da vida do seu clube e portanto qualquer acusação seria de "corrupção normal", mas convém explicar: o caso E-Toupeira, o primeiro de vários, trata a corrupção desportiva (com a sucessiva penalização desportiva que pode passar de perda de pontos, despromoção, perda de titulos ou suspensão das actividades) mas também da justiça civil porque o que foi feito, durante pelo menos dois anos, coloca em causa o próprio Estado de direito em Portugal.
Sim, porque o clube do Regime foi acusado exactamente porque exerceu como uma polícia política, um Estado dentro do Estado, utilizando alegadamente peões pagos para o efeito, para obter informação confidencial dentro do universo da justiça portuguesa, de árbitros, dirigentes, cidadãos, processos próprios e alheios...tudo o que lhe desse vantagem, não só competitiva como também nas catacumbas do futebol em Portugal.



Essa é a narrativa do E-Toupeira mas preparam-se porque poucas vezes vão ouvir isto.

O spinning começou ainda antes da noticia ter sido feita pública. Levamos dois anos a ver como a mesma imprensa que escalpelizou o Sporting e o seu anterior presidente nos últimos meses - com direito a intervenção do Presidente dos "Afectos Selectivos" (o Polvo não precisa de mimo ao contrário do leão, claramente) e do presidente da Assembleia da República, um cargo profundamente ligado ao futebol, não haja dúvidas, a calar.
A mesma imprensa que transformou falsamente o FC Porto num clube "corrupto", num clube culpado quando facilmente e em todas as instâncias a sua inocência foi privada, num clube quase do submundo, apoiada em escutas selectivamente divulgadas, livros e filmes encomendados e programas desenhados para criar uma narrativa falsa e com um propósito evidente. Essa mesma imprensa calou até não poder mais.
Durante dois anos os emails não existiam, a cartilha benfiquista era omnipresente, o discurso oficial e oficioso do clube era o seguido por jornais desportivos, generalistas, tvs, radios...queriam fazer de todos nós loucos assobiando para o lado e agora, lamentavelmente para alguns, tiveram de engolir o assobio. Mas não vão engolir facilmente.
Desde o minuto um que as armas estão na mesa. O Benfica conseguiu inundar facilmente, não fossem os tentáculos omnipresentes, de "especialistas", de comentadores "neutrais" (alguns, temos ouvidos, já nem disfarçam e apresentam-se como "benfiquistas mas isentos" como se as pessoas fossem idiotas) a divulgar um discurso que oscila entre o terror (que será do futebol português sem o "maior"), a despreocupação (isto não tem pernas para a andar, é só barulho) ou a tentativa de virar a cidadania contra a acusação, um discurso "socratiano", não andasse Luis Bernardo por ali. Pelo meio está ainda o caso Paulo Gonçalves (deixar ou não cair o mentor), aqueles que começam a cheirar o poder e a cadeira vazia na Luz (Rui Gomes da Silva, Malheiro e companhia) e os que se querem agarrar ao barco de forma tão desesperada que até se prestam aos maiores ridiculos e humilhações (David Borges, João Querido Manhã and friends). Tudo isso ocupa o espaço mediático de um modo omnipresente em lugar de se colocar o ênfase onde ele devia, precisamente estar.
Na imensa gravidade das acusações, as consequências política e sociais de um caso desta natureza que, tivesse acontecido no espectro político ou empresarial seria hoje um escândalo impossivel de tapar, e a necessidade de expugar essa ideia de quem ainda se acha "o dono de isto tudo", ainda que não saiba ler e precise de folhas a4 com palavras em tamanho 42 e caps lock para atirar areia aos olhos.



É por isso fundamental que os portistas, o FC Porto, e os adeptos do futebol português em geral que não queiram vivir com a venda nos olhos que só o triste fanatismo justifica, não se enganem, não se calem e não perdoem.

Estes senhores que povoam as tvs e a imprensa, este discurso cuidadosamente preparado nas cartilhas dos Gonçalves, Guerras e Janelas, esta maneira de actuar, pidesca, tem de ser punido à altura. Tem de ser perseguida, denunciada e isso só vai acontecer se, paralelamente à justiça que terá de percorrer o seu largo caminho (faltam processos, sim, mas também falta muito no E-Toupeira, entre recursos, julgamente, prova ou não de culpa, recursos à sentença, etc) não exista perdão. Não exista perdão de todos os que sofreram na pele os insultos, o desprezo, a atitude de superioridade moral durante o Apito Dourado (caso do FC Porto e Boavista e do futebol e das gentes "corruptas, parolas, bacocas" do Norte em geral) ou do Cashball (no caso do Sporting) das gentes do Benfica.

Não se pode confundir clube com dirigentes e adeptos, sim, mas todos sabemos que a atitude de superioridade moral, injustificada desde sempre, esta lá. É preciso não ter perdão, sobretudo a quem teve de engolir - por ser uma omnipresença impossivel de ignorar - com a imprensa desenhada para satisfazer os interesses da cupula encarnada, com os tentáculos do Polvo. É preciso não ter qualquer tipo de perdão com um clube que está habituado a viver à margem da lei desde tempos imemoriais e crer que o futebol em Portugal vive e sobrevive para e graças a eles. É preciso não calar. Até porque mesmo que haja consequências judiciais (que se vão arrastar no tempo) o Polvo continua a controlar as instituições desportivas que vão fazer de tudo, com o apoio de todos, para evitar um castigo à altura do crime. E esse castigo tem de acontecer porque é para isso que lutamos!

 A cada spinning, a cada mentira, levantem a voz. Utilizem as vossas redes, divulguem, partilhem, façam-se ouvir. A cada mentira, a cada comentador pago para vos enganar, façam com que se ouça a verdade. Este Polvo terá de ser morto e enterrado em campo pela nossa equipa, nos tribunais pelo Ministério Público, nas urnas por todos aqueles que não querem pactar com governantes que actuam em prol dos interesses da cupula benfiquista (alguém ouviu o Presidente da Republica? alguém viu o Primeiro Ministro ou a Ministra da Justiça a pronunciar-se? Já se demitiu o secretário de Estado do Desporto?) e no dia a dia, na praça pública, nas redes, nas casas, nos trabalhos e nos cafés por todos nós.

Todos os que vivem e sofremos com a mentira que tem sido o futebol português. Temos mais poder daquele que pensamos ter. É altura de o colocar em prática. É altura de actuar contra o Polvo, entre todos. Sem perdão!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ainda se roubam Igrejas

Enquanto há um clube saudita disposto a comprar um jogador que tem problemas crónicos - seja de costas, seja de injeções - e todos assobiam para o ar, mais interessados num jogador do Porto que não foi convocado - e que não fez falta, bem pelo contrário - em mais um título conqusitado, lá apareceram pela calada os do costume. Como é habitual em quem caminha nas sombras do poder, silenciosamente e de forma matreira, chegam noticias sobre um tal de Varandas Fernandes a exigir, através do clube que representa, que todos deviam caminhar nus e expor a sua cor clubistica, seja o órgão ou o cargo que representem, a bem da paz no futebol e da serenidade. A paz e a serenidade. Conceitos que ditos por alguém que trabalha numa instituição com uma claque ilegal que tem o único histório de assassinatos em Portugal, de quem está envolvida em distintos processos judiciais por uma série de possiveis actos de corrupção activa e que, aproveitando um momento de caos do seu rival local (quem sabe se não sendo igualmente instigador do mesmo) simulou um estatuto de grandeza de que carece para tentar dar uma bicada que nem arranha, não deixa de ter a sua piada.

Está claro que a esta altura, depois de tantos emails, há uma série bastante grande de nomes, sejam dirigentes, jornalistas, comentadores, árbitros, auxiliares, delegados e membros de orgãos sociais que não necessitam de enviar a sua resposta a Varandas Fernandes porque todos já sabemos da sua inclinação. Por muito que, apesar de tudo, se tente processar o FC Porto por divulgar os possiveis crimes cometidos, porque numa semana é tudo falso e na outra é tudo invasão da correspondência privada. Como se Al Capone tivesse processado a polícia de Chicago por ter tido acesso ás conversas em que mandava matar mafiosos rivais, no que eram afinal, conversas entre cidadãos privados. Capone, que até acabou por ser preso e condenado por tudo menos por assassinato, estaria orgulhoso, sem dúvida, de que alguém continua a tradição de disparar e culpar todos aqueles á sua volta. O disparo, esse, nunca existiu da mesma forma que exigir a outros aquilo de que se carece - ou ainda pior, daquilo exactamente que se pratica, negando a realidade - vive a meio caminho da Chicago dos anos 20 e das ideias literárias de George Orwell e Aldous Huxley na década seguinte, uma nova lingua que quer apagar o passado para controlar o futuro. O que não aconteceu não aconteceu por muito que tivesse realmente acontecido e daqui a uns anos ainda teremos personagens a dizer que nem sequer sabem o que é um email ou um padre, palavras banidas do vocabulário por incomodar as orelhas, que não os ouvidos, do grande lider. Aliás, tendo em conta o que aprendemos do dominio do idioma português desse personagem, talvez o melhor é mesmo banir todas as palavras e passar-mos a comunicar-nos directamente por grunhidos. 

O curioso no meio disto tudo é que Portugal continua a ser um oásis de loucura num mundo aparentemente são onde vemos diariamente milhares de pessoas a denunciarem loucos como Donaldo Trump ou instigadores de fake news como Boris Johnson ou Nigel Farage. Em Portugal não. Em Portugal reina o silêncio e apesar de estar na rua, disponivel para todos em diferentes formatos, o acesso á informação, desde adeptos com voz a jornalistas com carteira, não há quem pegue em declarações como esta - e tantas outras da cartilha propagada - e não a contraponga com factos e evidências para denunciar que o rei vai nu e há muito tempo que não toma sequer banho pelo cheiro fétido que emana dos esgotos do poder. Esse silêncio, parte de uma politica transversal, tem encontrado uma pequena resistência no FC Porto, resistência que tentam minar seja com suspensões de agentes activos na denúncia, no silenciar institucional do clube ou, pura e simplesmente, no lançamento de noticias cá para fora que entretêm o povo com o seu pão e circo e desviam o olhar do que realmente importa. Afinal, que importa que exista um clube investigado activamente por corrupção que exige limpeza a todos aqueles que gravitam no futebol português, quando o Marega não é convocado porque o treinador considera que tem a cabeça noutro lugar (pasmem-se, em plena época de transferências). Imaginem era se não treinasse porque lhe doía as costas e podia haver alguém á espera dele no fim do jogo para levá-lo a uma sala onde convinha que não entrasse.



Mas afinal, quem diabos é ou pensa que é o Sport Lisboa e Benfica?
Dentro de uma estrutura em que compete, como centenas de outras, nos quadros futebolisticos nacionais (e noutros desportos), o Benfica é ou melhor, vale, o mesmo que o Ronfe, o Infesta, o Campomaiorense ou o Passarinhos da Ribeira, para a Federação Portuguesa de Futebol e que o Moreirense, Famalicão ou Olhanense para a Liga. É um entre muitos. Par entre pares. Não é, não foi e por muito que lhe custe, nunca será, um primus inter pares. E esse é o grande problema estrutural do futebol português, a existência de uma instituição que quer ser - através do controlo, a distintos niveis - o primeiro, o supra-sumo e o líder de uma relação horizontal de instituições onde todos deviam partir do mesmo ponto para chegar á reta final de cada ano pelos seus méritos.

A campanha hooliganesca da cartilha encarnada, a mesma que há quase uma década tenta adoutrinar o pensamento geral utilizando como eco os meios de comunicação que se vergam á sua influência - seja através da aceitação de comentadores ditos independentes mas com ligações directas e controladas á casa mãe, seja através da sua vergonhosa linha editorial - tem um objectivo claro. Calar os dissidentes, impor uma nova-lingua de tipo fascista e manipular os eventos que se passam dentro e fora de campo para dar uma sensação de pureza virginal. Em Itália, um país corrupto como poucos em todos os sentidos da sociedade - recomendo a leitura de livros como Forza Italia do irlandês Paddy Agnew para entender até que ponto essa realidade é transversal - mesmo assim nunca houve medo ou uma ditadura de uma instituição sobre as outras e gigantes como a Juventus ou o AC Milan, entre vários, já conheceram o sabor da despromoção por corrupção sem que isso tivesse barrado a justiça de cumprir com o seu cometido. Essa coragem que sobra aos italianos falta aos portugueses e à medida que se vão publicando mais e mais revelações do que, a principio, parecia apenas uma fuga de informação e que teve o primeiro eco no Universo Porto de Bancada - e todos ficarão a dever um pouco a Francisco J. Marques e a sua equipa pelo trabalho desenvolvido no intuito de varrer o lixo que meandra no futebol nacional - vai-se entendendo o porquê.
Uma vez mais a noticia de um cartilheiro, gente sem espinha, disposta a tudo por orbitar à volta de um rei sol com um passado judicial nas mãos, sobre a perseguição quase stasiesca a membros de distintos orgãos desportivos vem apenas recordar que há um Estado dentro do Estado e um Estado com tintes policiais e fascistas que não olha a meios para obter fins.

Se acham que cada vitória em campo dos homens de Conceição é um golpe nas ambições deste Polvo, acham bem. Se acham que é suficiente e que o importante é discutir temas internos (que também devem ser discutidos em todos os sentidos) e relegar para um segundo plano tudo aquilo que mexe, e muito, neste jogo de trontos, acham mal. Ganhar desportivamente ajuda mas não resolve nada se a batalha, que é real, não for travada em todas as frentes e se a atitute dos adeptos portugueses - e aos portistas deveriam somar-se o de todos os outros clubes porque todos saem directamente prejudicados por este Polvo - não for de união.
De bloco e de fazer frente a um monstro e aos seus distintos tentáculos, comunicação social incluida. Os resultados em campo só servirão para tapar o sol com a bananeira porque continuará a haver quem se ache com direito a policiar a vida de outros, a condicionar resultados, análises, criterios disciplinares, promoções e traços que só podemos encontrar em estados ditatoriais. O FC Porto não se fez grande por acaso depois do 25 de Abril. Agora que fica claro que o regime de Abril se converteu numa nova versão hiper-centralizadora entregue aos interesses da capital e de quem gravita à sua volta, com o Benfica como um dos eixos principais, urge lutar por outro 25 de Abril. Nunca, como hoje, as palavras do mestre Pedroto fizeram tanto sentido.

"É hora de acabar com os roubos de igreja"

domingo, 5 de agosto de 2018

A tinta vermelha do polvo

Sérgio Conceição protestou e foi expulso (foto: O JOGO)

«Sérgio Conceição foi expulso e, por isso, não falou no final da partida. O treinador do FC Porto foi a segunda vítima de um critério estranho de Luís Godinho no que toca a expulsões: em janeiro de 2017, o árbitro foi contra Danilo e mostrou o cartão vermelho ao médio português; ontem, Herrera sofreu uma falta, ficou com a cara neste estado (…) e na sequência do lance Sérgio Conceição recebeu ordem de saída. Vá-se lá perceber…»
in ‘Dragões Diário, 05-08-2018


Estranho?
O critério disciplinar do senhor Luís Godinho não teve nada de estranho.
Pelo contrário, foi aquilo que se esperava de um “padre”… perdão, de um árbitro desta estirpe.
E a agressão (impune) a Herrera foi, apenas, mais um lance, no meio de um festival de cacetada, a lembrar os tempos da “canela até ao pescoço”.

Herrera atingido no rosto (fonte: Tribunal de O JOGO)

Aliás, logo aos 28 minutos, um dos melhores jogadores do campeonato português foi cirurgicamente “arrumado”, mais uma vez com a complacência do senhor Godinho.

Amilton "arruma" Brahimi de forma impune (fonte: Tribunal de O JOGO)

Brahimi não perdoa lesão provocada por Amilton (fonte: O JOGO)

Perante a autêntica escandaleira que se viu ontem em Aveiro, aquilo que me surpreendeu foi a contenção do Sérgio Conceição, que aguentou, estoicamente, 57 minutos até explodir.
Mas, perante uma agressão de um defesa do Aves, em que o árbitro nem sequer falta marca, só um manhoso, sem intestino delgado é que não reagiria.

Sangue no rosto de Herrera

O “polvo” continua vivo, dentro e fora das quatro linhas.
Luis Godinho e os seus assistentes demonstraram-no dentro do campo.
O ‘Correio da Manhã’ demonstrou-o, mais uma vez, na sua capa de hoje.

A "tinta vermelha" do Correio da Manhã

quinta-feira, 8 de março de 2018

A rede subterrânea do slb

É impossível representar, num só esquema, a totalidade da rede subterrânea que os dirigentes do slb montaram, paulatinamente, ao longo da última década (de 2007 a 2017).
Contudo, o esquema seguinte, publicado no jornal O JOGO de ontem (07-03-2018), dá uma ideia dos “tentáculos” e das áreas, dentro e fora do futebol, abrangidas por essa rede de informações, influências, troca de favores e corrupção.

Paulo Gonçalves e a "rede" (clicar para ampliar)

Esta rede tinha (tem?) de tudo: árbitros, ex-árbitros, vice-presidentes do Conselho de Arbitragem, observadores de árbitros, delegados da Liga, elementos das comissões de Disciplina e de Justiça da FPF, elementos do TAD, elementos do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça, empresários de futebolistas, etc.

Perante tudo aquilo que veio a público ao longo dos últimos meses;
Perante tantos factos envolvendo a cúpula dirigente do slb;
Perante os gravíssimos indícios (para dizer o mínimo), de que os últimos campeonatos terão sido adulterados por ação de elementos desta rede, não há consequências?

Até quando, o presidente da Liga, o presidente da FPF e o Secretário de Estado do Desporto irão continuar a assistir a este espetáculo indecoroso, de braços cruzados e a assobiar para o lado?

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Polvo, uma pata da cadeira do poder

Foi quase há um ano já que Francisco J. Marques surgiu, pela primeira vez, no Porto Canal com algo que, a principio, muitos incautos trataram com sorna e anedocta mas que, desde então, se tem revelado com algo tão podre e maligno que só mesmo num país como Portugal é que o mensageiro pode ser colocado em dúvida. Os "emails" ou o "emailgate" que a inicio para alguns era só uma forma disparatada de distrair a atenção para mais um erro de casting com consequências nefastas como foi a eleição de NES como treinador acabou por ser o cimento que reacendeu a chama azul-e-branca e, também, o ponto de partida para uma série de escabrosas revelações que colocaram em cheque-mate tudo o que sabemos sobre o futebol português da última década (e não só). No entanto, quase 365 dias depois, o que aconteceu?
Nada. Absolutamente nada. 

Os "presumiveis criminosos" - porque a lista de possiveis crimes divulgada é tão extensa que "presumiveis criminosos" é o mais ligeiro que se pode dizer em casos assim - continuam soltos, tranquilos e a repetir as mesmas práticas de sempre. No terreno de jogo a impunidade segue, este ano com um inesperado aliado em forma de VAR - ou como alguns memes virais têm tentado descrever, a "conexão com Skype directa com o "Primeiro-Ministro " e não há sinal de que a situação se altere. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - de que o Benfica presumivelmente tem informação comprometida e confidencial sobre árbitros. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - que o Benfica tem relação privilegiada com os inspectores anti-doping, com dirigentes de outros clubes, com dirigentes políticos, judiciais e pode mesmo até ter a ver com o facto de que nem o Presidente da Federação escapa a ter a sua vida controlada minuciosamente. Quem sabe.
O certo é que nos últimos meses - depois da divulgação de toda essa informação - algo mais sério e grave veio à tona que demonstra, na prática, porque é que ainda nada aconteceu e porque é que, provavelmente, nada acontecerá. As ligações do Benfica, através do seu presidente e esbirros, não se limitam apenas ao mundo do futebol e ao seu controlo na sombra do mesmo através da compra de árbitros, dirigentes rivais (directamente ou ajudando financeiramente os seus clubes pagando salários, emprestando dinheiro em operações de jogadores adquiridos e emprestados num circuito inumano), jogadores rivais ou figuras dos corredores do poder na Liga ou Federação. Quando saiu para a rua o processo Apito Dourado, o tal processo que era o exemplo máximo da asquerosidade do futebol português - tão limpo e impoluto nas décadas anteriores, seguramente - o máximo que os seus criticos conseguiram foram gravações telefónicas que envolviam a escolha de árbitros ("o João, pode ser o João) e cafés tomados entre dirigentes, árbitros e empresários para solucionar resultados que em campo já o estavam num ano em que, azar dos azares, o alvo a abater também decidiu comprar as altas instâncias do futebol europeu e venceu a Champions League, essa competição que só um clube de um país periférico levantou nos últimos 20 anos. Tudo isso parecia saído de uma novela cómica mas para as virgens ofendidas era apenas e só o principio do fim do Mundo. Que calados que estão agora.

A questão evidente é que este Polvo de proporções épicas tem sido silenciado, não levanta estupor público nem gera o mesmo sentimento de desprezo e asco porque, na base de tudo, o problema não é o Benfica, nem sequer é o futebol português como tal. O problema é Portugal.
O que Luis Filipe Vieira fez vai muito, muito mais além do que tentaram acusar Pinto da Costa e o FC Porto há quinze anos atrás. Se na altura o Apito Dourado parecia ser um caso exclusivamente desportivo, o Polvo encarnado é apenas um tentáculo de um monstro marinho maior, uma pata de uma cadeira de interesses que é a base da actual sociedade portuguesa. Vieira utilizou o seu clube para montar uma teia de interesses que rapidamente se aliou a outros dentro do poder financeiro e económico - não é por caso que é também o maior devedor do país e peça chave no escândalo BES -, do poder político (o caso Centeno, a presença habitual de governantes no palco presidencial da Luz) e, como se tem sabido agora, do poder judicial (toupeiras dentro da PJ, juizes-desembargadores a pedir favores e a pagar os mesmos, advogados em altas instâncias comprados) e também do poder mediático (que tem mantido sobre tudo isto um silêncio ensudecedor face à gravidade dos casos divulgados. 
O Benfica é altamente beneficiado a todos os niveis mas mais beneficiado ainda é o seu Presidente e não é por casualidade que muitos suspeitam já que a fonte original de todos os emails que precipitaram a caída das peças de dominó tenham vindo de dentro do próprio clube por figuras desejosas de ocupar o seu lugar e, com ele, as suas benesses. O que no entanto, a inicio, parecia um esquema criado para beneficiar o clube resulta na práctica ser um esquema para beneficiar uma série de elementos de distintos meios - entidades bancárias, carreiras políticas, judiciais, mediáticas - em que o Benfica é uma parte do esquema e não o seu fim. Uma realidade que vai muito para lá da corrupção desportiva e que, em comparação, faz parecer as acusações do Apito Dourado uma brincadeira inocente de meninos. A quem chamou ao Porto um dia Palermo seguramente olharia agora para Lisboa com vontade de mudar o nome da cidade a Purgatório mas a coragem para atacar uns é quase sempre proporcional à cobardia para atacar outros. 



Neste cenário verdadeiramente dantesco onde o trabalho de divulgação de Francisco J. Marques, a investigação paralela pouco ruidosa - é certo - de outros meios e o trabalho da Policia Judiciária (que já sabe que conta internamente com filtrações, quem sabe se as mesmas que subiram ao YouTube as escutas do AD, um método que na altura escandlizou menos que publicar emails) tem sido mais do que meritório, é dificil acreditar que algo vá suceder na prática. Nem despromoção, nem retirada de títulos - modelo aplicado em Itália regularmente em casos muito menos graves - nem retirada de pontos (o que foi feito, em primeira instância com o FC Porto mas que agora não pode ser aplicado porque, ao contrário desse FC Porto, solvente campeão nacional, isso significaria perder títulos) nem sequer uma reprimenda. Fazer cair o Benfica e o seu presidente era fazer cair o sistema. Era fazer cair o clientelismo dos grandes partidos políticos, os interesses à volta dos grandes bancos e das famílias que os controlam. Era destapar a podridão que grassa no sistema judiciário entre advogados, procuradores e juzies. Era ressaltar, de novo, que a imprensa portuguesa de independente e corajosa tem pouco. Era tocar em demasiadas peças ao mesmo tempo. O mérito de Vieira não foi criar um império de interesses "presumivelmente" criminais à volta do Benfica para beneficiar-se desportivamente e pessoalmente do mesmo. O seu grande mérito é ter feito do seu clube e da sua pessoa peça indispensável nessa engrenagem colectiva a ponto de que a sua queda seria sempre amparada por aqueles à sua volta sob pena de, como uma gangrena, extender-se a outros pontos onde vivem personalidades mais intocáveis do que ele próprio e que nunca o poderiam permitir. 

O silêncio das autoridades políticas, dos arautos da verdade e da moral e sobretudo da indignação fabricada de um país - todo o oposto que vivemos há mais de dez anos - tem uma base muito concreta. O FC Porto nesta guerra não luta só contra o Benfica de Vieira, esbirros e corruptores, dentro e fora de campo. Mais do que no regime do Estado Novo, é nesta podre e caduca república parlamentária, que o FC Porto mais isolado e frágil se encontro e é contra rivais mais poderosos e irredutiveis que se mede nesta batalha. Podemos muitos não ter sequer a menor ideia do tamanho do Polvo, que mais do que um polvo é um monstro marinho, e que a cada novo email, cada nova revelação nos vai surpreendendo. O que sabemos todos é que enfrentar este monstro com vida própria e interesses determinados é e será, sem dúvida, a maior batalha da história do FC Porto. Uma batalha onde a união e o arrojo tem de ser superior a tudo e a todos. Um passo em falso e podemos estar a falar de um final trágico e irreversível. O sistema não vai cair pelo seu próprio peso, não vai cair desde dentro - como em Itália passou, tanto a nível político como desportivo - nem vai cair sem dar luta. Resta saber se o Dragão encontra todas as forças para plantar batalha e não arredar pé. 
 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Da série “Largos dias têm 100 anos”

PJ investiga jogo do Benfica, CMTV

Capa do 'Correio da Manhã' de 30-12-2017

«A Polícia Judiciária está a investigar suspeitas de pagamentos a jogadores do Rio Ave para perderem um jogo com o Benfica para a época 2015/2016, a 23 de Abril de 2016. Esta investigação insere-se no âmbito dos alegados esquemas de viciação de resultados que a PJ tem investigado, e que já fez quatro jogados do Rio Ave arguidos.
Segundo o Correio da Manhã, que avança a notícia, a Judiciária terá encontrado indícios de que um encontro envolvendo o Benfica poderá ter sido falseado. Testemunhas inquiridas pela PJ do Porto indicaram que, em Abril de 2016, empresários ligados ao Benfica terão abordado os jogadores agora constituídos arguidos no processo do Feirense - Rio Ave.
Além disso, a decisão da investigação ser transitada para Lisboa, apura o CM e a CMTV, foi tomada pelo magistrado do Ministério Público, que entendeu que este crime tem relação com outras investigações - como o caso dos e-mails que a SÁBADO tem abordado - que têm o Benfica como alvo e que estão entregues à Unidade de Combate ao Crime Económico e Financeiro da PJ


Capa de O JOGO de 30-12-2017

«O jornal "Correio da Manhã" avançou, na noite de sexta-feira, a notícia de que os jogadores do Rio Ave arguidos por viciação de uma partida com o Feirense são também suspeitos de terem recebido dinheiro para perder com o Benfica. Ao que O JOGO apurou, a investigação tem, no entanto, um âmbito maior e inclui, pelo menos, dois jogos com outras duas equipas da I Liga e pagamentos e tentativas de aliciamento a vários outros jogadores.
De acordo com o "Correio da Manhã", os intermediários seriam empresários ligados ao Benfica. No caso do jogo com o Rio Ave, a abordagem foi feita em abril do ano passado, antes de uma partida que os lisboetas viriam a ganhar por 1-0. Ao contrário do que adianta o CM, os futebolistas vila-condenses envolvidos não são os mesmos quatro que o Ministério Público constituiu arguidos no processo do jogo com o Feirense. Só Cássio e Marcelo constam de ambos; Roderick não jogou essa partida e Nadjack estava emprestado. Foi, aliás, nos telemóveis confiscados aos dois primeiros jogadores que a Polícia Judiciária descobriu os sinais de uma outra partida viciada. O JOGO sabe que foi a partir dessa investigação que a PJ chegou aos indícios de, pelo menos, mais dois jogos desvirtuados em favor do Benfica


´Título do Benfica investigado', RTP 1, 30-12-2017

«Os polvos são moluscos marinhos da classe Cephalopoda, da ordem Octopoda (…). Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole, sem esqueleto interno (…). Como meios de defesa, o polvo possui a capacidade de largar tinta, de mudar a sua cor (camuflagem, através dos cromatóforos) e autotomia dos seus braços
in Wikipédia


2017 termina em grande e 2018 é um ano que promete. Até porque, com tantos e-mails, com tanta gente (ligada ao SLB) envolvida, com tantos indícios, com tantas evidências, parece-me que o melhor ainda estará para vir…

Votos de um bom ano 2018 e não se esqueçam: largos dias têm 100 anos!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Que mais?

Não sei se a gravidade de tudo isto que tem acontecido ao FCP terá sido já avaliado na sua verdadeira dimensão.
Se após duas mudanças radicais, da época passada para a actual, como foram a introdução do VAR e também depois do FCP ter exposto, com provas factuais, parte do esquema de favorecimento ao slb, a situação, em termos de arbitragem, permanece praticamente inalterada, a pergunta lógica a fazer é quão mais teremos que jogar para, um dia, nos colocarmos a salvo destes factores externos e vencermos o campeonato?

Se, como nesta presente época, somos claramente superiores a slb e scp e, mesmo assim, deles não conseguimos descolar, o que mais teremos que fazer para o conseguir?

Se, como até ao momento, ganhámos todos os jogos contra as equipas fora dos "três grandes" (com excepção de um único, em que realmente não fomos superiores ao nosso adversário, naquele jogo na Vila das Aves) e merecemos claramente vencer em Alvalade o scp e também agora no Dragão o slb, começa a ser cada vez mais difícil melhorarmos para uma dimensão - tamanha - em que os erros arbitrais não nos façam mossa.

Se nesta nova "Era" que agora vivemos, com VAR e o "Polvo" vermelho exposto, continuamos a ser prejudicados como há um ano, a questão passa a ser como, ou se, iremos alguma vez re-conquistar o título de campeões nacionais. E não nos referimos sequer apenas a esta presente época.
Há um limite a partir do qual não poderemos fazer muito mais contra slb e scp. É de temer que esse limite esteja próximo. Basta ver o quanto jogámos nos dois últimos encontros, em casa, contra o nosso grande rival. Tanto futebol para apenas dois empates.

Os jogos do slb continuam a ser arbitrados sem que se cumpram sempre as regras do futebol.
Assim sendo, poderá perfeitamente acontecer que nem um futebol com a qualidade daquele que apresentámos aquando das nossas conquistas europeias, seja suficiente para quebrarmos de vez o estado actual das coisas no desporto em Portugal.

sábado, 2 de dezembro de 2017

"Roubo de Igreja" e "Roubo de Carteira"

O FC Porto vai ser campeão.
Depois de um dos mais inacreditáveis "roubos de Igreja" que a Invicta já viu a convição não podia ser mais forte. Pedroto estaria pouco surpreendido ao descobrir que mais de quatro décadas depois da sua mítica expressão ter dado à luz, tudo continua igual e a impunidade grassa sobre o futebol português. As pistas estavam lá, nos jogos do Benfica e, sobretudo, nos jogos do Porto. Um ano mais uma equipa sem ideias, sem futebol, sem talento e sem treinador, em condições normais, chegaria a Dezembro fora da corrida do título como lhe aconteceu dezenas de vezes (e aos vizinhos do lado) durante os anos noventa e dois mil. Mas estamos na era do Vieirismo, da amizade com os poderes do governo, da justiça e da polícia, dos relatórios secretos sobre os árbitros, dos sms com mensagens comprometedoras, da espionagem sobre o presidente da Federação e afins, a era dos Guerra, dos Marinho e da impunidade absoluta. E por isso mesmo, um ano mais, uma equipa vulgar, colocada no seu devido sítio na Europa, onde tudo isso vale zero, está a três três pontos da liderança e bem dentro da corrida. E vai continuar a estar, por muito mal que joguem. Porque é imperioso que estejam. Porque este Portugal, "pos-democrático", é mais salazarista e centralista que o Portugal contra o qual Pedroto lutou e denunciou. E essa realidade, por muito que se denuncie em prime-time, não se apaga com um sopro de vento. Será preciso outro terramoto para varrer a escumalha que nos meandros do futebol português adultera, ano atrás ano, a competição. Até lá estes "roubos de Igreja" vão continuar a ser frequentes e a sobranceria dos Vitória, jactando-se da sua própria incompetência, agradecendo aos VAR que ficam calados quando devem falar. Dos golos limpos anulados. Das mãos que são peito ou dos peito que são mãos. Dos empurrões, cuspidelas e socos aleivosos. A isso pode agradecer Vitória, que de futebol entende tanto como de matraquilhos, ter saído vivo de uma caldeira que estava preparada para cozer o Polvo mas que se encontrou com tentáculos que ainda são mais fortes do que podemos imaginar. Tentáculos que, ainda assim, serão insuficientes em Maio.



Porque o FC Porto vai ser campeão.
Contra os "roubos de Igreja" e também contra os "roubos de carteira". Ler entrevistas ou declarações inoportunas e oportunistas de Pinto da Costa tornou-se num dos melhores exercícios de stand-up comedy de Portugal. Há uns tempos queixou-se de que Lopetegui, o treinador que tanto elogiou na imprensa internacional e que lhe convenceu até a comprar Ferraris que hoje, vê-se, são Corsas noutras paragens, não era treinador para ganhar, ao contrário de Conceição. Também disse, algures no tempo, porque ao ouvir Pinto da Costa o tempo perde dimensão e lógica, como se fosse uma Matrix, que qualquer treinador seria campeão com os "Falcão, Hulks, James" e companhia, numa bicada seguramente aos Villas-Boas e Vitor Pereiras - os últimos treinadores campeões nacionais, é preciso lembrar - e que ser campeão com um plantel actual é que era. Pois era. Vitor Pereira saiu em 2013 do FC Porto. Há quase cinco épocas. Nesse espaço de tempo essa sumidade elegeu como treinadores nomes distintos, perfis distintos e com mentalidades distintas. Deu-lhes jogadores pedidos, deu-lhes jogadores que não queriam mas que tinham de ter e foi vendendo os anéis. Dos dedos, dos colares, da alma. Foi estripando o FC Porto, abrindo-o por dentro e sacando, gota atrás de gota, o sangue. O FC Porto, o mesmo clube que durante uma década foi considerado um exemplo de gestão, sobretudo como comprava muito barato, vendia muito caro e mantinha uma boa prestação desportiva, hoje está sob a alzada da UEFA. Não pode gastar nem um cêntimo sem avisar, não pode cometer nenhuma loucura, não pode investir sem somar, subtrair e contar com muitos dedos os números. Durante estes quatro anos e meio sem títulos o Porto vendeu tudo e não ficou com nada, salvo Brahimi, que ninguém parece querer, felizmente, e Herrera, que ninguém parece querer, infelizmente. Já vendeu jogadores com um ano de casa, da formação, sem sequer garantir o 100% da sua mais valia e já vendeu apostas falhadas e logradas. O que não conseguiu foi investir bem porque o supra-sumo das declarações inoportunas, seguramente com a cabeça e o corpo metido noutro lado, perdeu tudo aquilo que o ligava á sanidade da gestão futebolistica. E a carteira do FC Porto foi sendo "roubada", desde dentro, e o dinheiro ganho, as transferências milionárias, foram desaparecendo num buraco onde já cabe o Dragão e, daqui a nada, o azul e branco se for preciso. Ontem, num jogo decisivo, Sérgio Conceição, um homem que faz milagres mas a quem não se pode pedir sempre o impossível, realmente não podia deixar de olhar com inveja para os que o precederam. Os que tinham na área a jogadores como Derlei, McCarthy, Lisandro, Falcão, Hulk, Jackson ou André Silva e não Moussa Marega. Há uns tempos atrás escrevi que Marega era o exemplo desta equipa e nada pode ser mais certo. Todo o querer do mundo e toda a dificuldade do mundo incluídas num jogador que dá 200% mas que há coisas que não pode dar. A culpa nunca será sua. A culpa é de quem foi sangrando o clube a ponto de que tenha de lutar contra o maior rival de sempre, o Polvo, com Marega, com Otávio, com Aboubakar e com Herrera quando durante uma década teve jogadores de um nível muito superior, cujo dinheiro das vendas foi mal gasto, negócio atrás negócio, para não falar naquele que, misteriosamente, desapareceu e foi parar a outras mãos. Ontem o FC Porto mediu-se nu contra o Polvo. Despido por quem devia ter procurado dar-lhe o melhor traje de batalha e o despojou das armas. Conceição, os seus e os adeptos no Dragão foram à luta na mesma, porque esse é o nosso ADN, e lutou com os punhos e com a alma. E ganharão, ganharemos, esta batalha. Contra tudo e contra todos, inclusive contra aqueles que nos despiram e nos deixaram nus para, mais á frente, virem reclamar os despojos e o traje do imperador.



O FC Porto vai ser campeão.
Contra tudo e contra todos. Dentro e fora. Salvo o plantel - um exemplo de atitude mesmo quando o talento e a capacidade individual não dá para mais - e o treinador, o motor desta recuperação espiritual de uma ideia de Porto perdida desde a época das vacas gordas, contra tudo e contra todos. Contra os interesses da capital, os negócios ocultos da trama e os tentáculos nas esferas do poder. Contra as manobras rasteiras de Alexandre, contra a ressaca do "Anterismo", contra os interesses dos Teixeiras. Contra o vitimismo dos Vieira e dos Carvalho, contra a violência dos Fejsa e os braços de Luisão. Contra os fundos que andam a apropriar-se, pouco a pouco, do futuro do clube, os que hipotecaram o estádio e o negócio com a Altice e os que fizeram com que a UEFA tivesse direito para apresentar-se à porta a pedir contas. Contra o VAR calado do Polvo. Contra o silêncio oportunista de Pinto da Costa. Contra tudo e contra todos. Campeões.

domingo, 12 de novembro de 2017

Dos e-mails à REDE ENCARNADA

Investigação ao caso dos e-mails no principal telejornal da TVI

Em 10 de junho passado, uns dias após o Diretor de Informação e Comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ter iniciado a bombástica revelação pública de e-mails, que nos últimos anos foram trocados entre diferentes personagens com ligações ao SLB, eu publiquei um artigo (Oremos pelos “padres” pecadores), onde escrevi o seguinte:

«Chegados a este ponto, pode dizer-se que todos os objetivos imediatos (de curto prazo), resultantes da denúncia feita no último ‘Universo Porto da Bancada’, foram alcançados. Eu diria mesmo que foram ultrapassados, tal foi o impacto mediático e a desorientação evidente que provocou nos “milhafres” de carnide, que mais parecem galinhas tontas.»

De facto, os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer e, em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

Cinco meses depois, a partir da revelação de outros e-mails (feitas no Porto Canal, no jornal EXPRESSO e na revista SÁBADO), tudo é muito mais claro. Os adeptos do futebol e o público em geral, ficaram a saber que a rede de poder e de influências montada pelo SLB é enorme e abrange, ou abrangeu, todas as áreas do futebol português, nomeadamente:

- um ex-Presidente da Liga de Clubes (Mário Figueiredo);

- um ex-Presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes (Carlos Deus Pereira);

- um ex-VicePresidente do Conselho de Arbitragem da FPF, responsável pela classificação dos árbitros (Ferreira Nunes);

- vários ex-delegados da Liga (com destaque para Nuno Cabral, o “menino querido”);

- um ex-responsável pela nomeação dos delegados (o engenheiro Fidalgo);

- um ex-árbitro da AF Braga (Adão Mendes);

- um membro do Tribunal Arbitral do Desporto (Miguel Lucas Pires);

- um ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga e atual membro do TAD (Ricardo Costa);

E, claro, o presidente e vários elementos da estrutura do SLB (Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves, Pedro Guerra).

Chegados a este ponto, a grande novidade dos e-mails não foi revelar que havia (há) uma vasta rede subterrânea a “trabalhar” em prol do SLB. Mesmo sem termos acesso às provas digitais/documentais que foram divulgadas, isso há muito tempo que era óbvio (em março de 2014, eu publiquei um artigo que intitulei Os aliados e “criadas de servir” de Vieira).

O grande mérito dos e-mails foi o de identificar, de forma inequívoca, vários rostos desta rede, revelar uma extensa teia de ligações, que envolveram os mais altos responsáveis do SLB e mostrar o refinamento a que se chegou nos métodos adoptados para ganhar jogos e campeonatos.

O esquema seguinte, publicado no JN, mostra apenas uma parte da REDE ENCARNADA.

Ligações entre diferentes rostos da Rede Encarnada (JN)

Cinco meses depois, este caso deixou de ser, unicamente, um caso de e-mails divulgados no Porto Canal.
Este caso “saltou” dos programas do Porto Canal para a generalidade da comunicação social, fez capa em jornais insuspeitos de terem uma agenda portista e chegou às televisões generalistas, mesmo aquelas cuja orientação é mais pró-SLB e anti-FCP.

Duas capas do Correio da Manhã de Junho de 2017

Investigação ao caso dos e-mails (Jornal 8 da TVI)

O mailingate, a rede de influências (Tempo Extra, SIC Notícias)

E o impacto deste caso é cada vez maior, como o próprio SLB reconhece. Por exemplo, no recurso que apresentou no Tribunal da Relação à sentença do Tribunal Cível do Porto, o qual recusou a providência cautelar que visava proibir o diretor de comunicação do FC Porto de continuar a divulgar e-mails, o SLB refere que a contínua divulgação de mensagens de correio eletrónico dos seus dirigentes, tem provocado um enfraquecimento da ligação emocional dos adeptos ao clube.
Pudera, ao verem revelado publicamente o “segredo” de como foi ganho o treta campeonato, quem é que não ficaria emocionalmente afetado?

Cinco meses depois, penso que devíamos deixar de chamar a este caso o “caso dos e-mails”. Os e-mails são, apenas, um elemento de prova (como seriam escutas, se algum juiz tivesse a coragem de pôr os telemóveis do presidente do SLB ou de Paulo Gonçalves sob escuta).

Este caso deve ser designado de acordo com o cerne da questão, isto é, como o caso da REDE ENCARNADA (ou algo parecido), porque é disso que se trata. Continuarmos a chamar a este caso o “caso dos e-mails” é desviar o foco para o assessório e um favor que fazemos ao SLB.

sábado, 9 de setembro de 2017

Penáltis à benfica

pe·nál·ti (inglês penalty) – No futebol, castigo aplicado contra uma equipa por uma falta cometida por um dos seus atletas dentro da grande área e que corresponde ao direito a um remate, a 11 metros da baliza, onde a bola é colocada para a execução do penálti.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

Penálti à benfica – Penálti assinalado num lance duvidoso (manhoso), após um ligeiro contacto que, frequentemente, proporciona uma pirueta ou “mergulho” artístico. O lance em questão divide a opinião dos especialistas em arbitragem e/ou em situações semelhantes, a favor de equipas que não o SLB, raramente é assinalado.


4ª jornada: Na 2ª parte do Rio Ave x SLB, a equipa de Vila do Conde marcou o 1º golo e ficou em vantagem no marcador (1-0). Apenas 5 minutos depois, o “padre” nomeado para a “missa dos encarnados”, sem necessitar de apoio do “vídeo-padre”, assinalou um penálti à benfica, possibilitando a rápida recuperação no marcador ao clube do regime.

5ª jornada: Na 2ª parte do SLB x Portimonense, a equipa algarvia marcou o 1º golo e ficou em vantagem no marcador (0-1). Apenas 3 minutos depois, o “padre” nomeado para a “missa dos encarnados”, sem necessitar de apoio do “vídeo-padre”, assinalou um penálti à benfica, possibilitando a rápida recuperação no marcador ao clube do regime.

Capa de O JOGO de 09-09-2017

Tribunal de O JOGO (SLB x Portimonense)

Apesar da denúncia do “polvo encarnado”, suportada numa ampla divulgação pública de e-mails, os quais são reveladores da teia de ligações e esquemas subterrâneos existentes, tudo continua na mesma, ou até pior (com a introdução destes "vídeo-padres").

Na realidade, o que estas primeiras cinco jornadas demonstraram de forma inequívoca, é o facto do SLB ser, cada vez mais, o clube do regime – futebolístico, mediático e político. A propósito disto, e relembrando o que se passava na Roménia do ditador Nicolae Ceausescu, sugiro mesmo que a sigla SLB passe a significar Steaua Lisboa e Benfica…

quinta-feira, 6 de julho de 2017

“Se não fosse o caso do túnel, teríamos sido campeões”

O caso do túnel na capa do jornal A BOLA de 06-07-2017

Numa entrevista ao jornal A BOLA, Jesualdo Ferreira falou sobre o tristemente célebre caso do Túnel da Luz, em que dois jogadores do FC Porto – Hulk e Sapunaru – foram alvo de suspensões nunca antes vistas no futebol português.

Em quatro anos [como treinador do FC Porto] só uma vez é que não cumpri um objetivo. Cumpri sete. (...) E estou convencido ainda hoje que se não fosse esse caso teríamos sido campeões [na época 2009/2010]. O FC Porto teria feito o penta e eu teria feito o tetra. Esse episódio do túnel foi decisivo. (…)
Não, não foi justa [a decisão]. A forma como os meus jogadores foram tratados, como o FC Porto foi tratado, a forma como as coisas aconteceram... Não foi verdade. E digo isto cara a cara, quer as pessoas gostem ou não gostem. Quem sentiu na pele fui eu, estive lá e vi. E também senti durante um ano como as coisas aconteceram.

A revolta do plantel e o Somos Porto (20-02-2010)

Não foi a primeira vez que Jesualdo Ferreira (um homem que foi treinador dos três “Grandes” do futebol português) falou da injustiça deste caso.
Em 12 de Fevereiro de 2010, Jesualdo Ferreira disse o seguinte:

O Hulk é um jogador revoltado. O estado de espírito dele é de revolta, porque não pode trabalhar e fazer aquilo que gosta. Nós, internamente, também estamos revoltados porque temos um profissional bem pago e que não está a ajudar a equipa como devia em função do contrato que tem. Acho que quando erramos temos de ser penalizados, mas temos de ser penalizados na justa medida do erro que cometemos, e temos de ser penalizados de forma a não voltar a errar. Agora, isto tudo não deixa de ser uma coisa incompreensível para as pessoas.


Em 24 de Março de 2010, o Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), instância de recurso, reduziu drasticamente o castigo que tinha sido aplicado a Hulk e a Sapunaru pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga, à época presidida pelo célebre benfiquista de Canelas, o dr. Ricardo Costa.
Em vez de quatro e seis meses de suspensão, o CJ da FPF reduziu os castigos de Hulk e Sapunaru para três e quatro jogos respetivamente, indo de encontro ao enquadramento disciplinar, para estes dois casos, que foi defendido pelo FC Porto.

4 meses de suspensão
(O JOGO de 20-02-2010)
Se a suspensão decretada pelo dr. Ricardo Costa tivesse sido cumprida na totalidade, o FC Porto teria sido obrigado a disputar 23 jogos sem Hulk. Em função desta decisão do Conselho de Justiça da FPF, foram “só” 17 jogos oficiais sem o melhor jogador do campeonato português...

Recordar o caso ‘Túnel da Luz – Hulk’ é recordar o tempo em que Ricardo Alberto Santos Costa foi presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes (entre Outubro de 2006 e Julho de 2010).

É recordar a atuação do dr. Ricardo Costa neste caso, mas também nos casos ‘Apito Final’ ou ‘Diabo de Gaia’, entre outros menos mediáticos.

É recordar o impacto desportivo e financeiro que estes casos tiveram.

É recordar um tempo que não foi positivo, nas palavras de Fernando Gomes à Agência Lusa, após ter sido eleito para a presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

É, tal como referi em “Ando a falar da benfiquização do futebol português há anos”, sublinhar que o “polvo encarnado” não nasceu em 2013. O “polvo” começou a ser criado muito antes (Os tentáculos do SLB), tendo sido decisivo em vários momentos dos últimos 14 anos (*)

(*) Luís Filipe Vieira foi eleito presidente do SLB a 3 de Novembro de 2003.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

“Ando a falar da benfiquização do futebol português há anos”

Rui Santos num dos programas 'Tempo Extra'

«O polémico “caso dos emails” foi o principal tema do último programa “Tempo Extra” da SIC Notícias. Rui Santos defende que a influência do Benfica sobre as várias instituições do futebol é algo que vem de trás


Eu diria que depende dos dias mas, sim, há muitos anos que o Rui Santos fala na influência do SLB sobre as várias instituições do futebol.

Recuemos nove anos. Em 16-05-2008, numa crónica publicada no jornal Record, Rui Santos escreveu o seguinte:

«Acredito que o achamento de Cunha Leal foi o atalho encontrado para condicionar os excessos de Valentim Loureiro. Mas, nesta pretensa “nova era”, não faz sentido um jurista (seja ele qual for) pôr o seu “fundamentalismo clubístico” como instrumento manipulador de massas acríticas.
As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto»

Valentim Loureiro, Cunha Leal e o poder na Liga de Clubes (entre 2002 e 2006)

E uns dias depois, perante a reação indignada da “virgem ofendida”, Rui Santos voltou à carga e foi ainda mais claro:

«Cunhal Leal está indignado. Tem toda a razão para estar. Ele foi mandado para a Liga pelo presidente do Benfica para contrariar o poder do major. Convenhamos que é um grande azar, sobretudo quando quem o mandou para a Liga confessou, perante a estupefacção geral, que seria porventura mais importante ter alguém naquele organismo do que contratar bons jogadores.
O estigma não fui eu quem lho pus. Aceitou-o, porque sabe muito bem ao que foi e não se pode confessar enganado. Se não soubesse ao que ia e se cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada.
A sua credibilidade morreu nesse momento. Quem consente um escândalo dessa natureza (embrulhado noutros escândalos da época), quem se cala perante uma situação potencialmente subversiva, inquinando a verdade desportiva, não tem um pingo de moral para vir falar agora, como especialista de coisa nenhuma, a não ser o de defender interesses de um só clube e de uma só cor, de qualquer tipo de regulamentos, numa clara manobra de visar o FC Porto.
As “criadas de servir” dos clubes são, também, na Liga ou na FPF, grandes responsáveis para o estado lamentável a que o futebol chegou


Para quem não sabe, ou já não se lembra, Cunha Leal é um ex-dirigente do SLB, tendo ocupado, entre 2002 e 2006, um dos lugares-chave da estrutura do futebol português – o de Diretor Executivo da Liga.

Durante esses anos foi, juntamente com João Rodrigues (antigo presidente da FPF, cargo que ocupou entre 1989 e 1992), uma das peças mais importantes no xadrez benfiquista, tendo sido decisivo no caso Ricardo Rocha e na aceitação da transferência do jogo Estoril x SLB para o estádio do Algarve.

Árbitros escolhidos por João Rodrigues

Hoje pode parecer estranho mas, na altura, vivia-se na Liga o período de ouro da aliança entre o Boavista dos Loureiros (pai e filho) e o SLB de Luís Filipe Vieira, uma santa aliança forjada contra Pinto da Costa e contra o FC Porto, em que uma das primeiras vitimas foi José Guilherme Aguiar, o anterior diretor executivo da LPFP.

Fui convidado por Valentim Loureiro, mas provavelmente por indicação do Benfica
Cunha Leal, 2 junho de 2002

Em consequência da operação ‘Apito Dourado’, Cunha Leal substituiu o Major Valentim Loureiro na presidência da LPFP, com o beneplácito do presidente da Assembleia Geral da Liga, o também benfiquista Adriano Afonso.


Os e-mails divulgados abrangem as últimas quatro épocas (2013/14 a 2016/17), mas o “polvo encarnado” não nasceu em 2013. Na realidade, começou a ser criado muito antes, por alturas do início deste século. Daí para cá foi crescendo, com cada vez mais “tentáculos” e expandindo-se para todas as áreas do futebol português - Liga, órgãos de Disciplina e Justiça da FPF, delegados dos jogos, estruturas da arbitragem responsáveis pela nomeação e avaliação dos árbitros, observadores, APAF, etc.

A coisa atingiu tal dimensão e visibilidade, que o próprio Rui Santos, na parte final da época 2014/2015 (a célebre época do colinho), desabafou na SIC: “Não gosto de ver campeões forjados desta maneira”.

Época 2014/2015, Liga Real, Jornada 32 (fonte: SIC/Tempo Extra)

A grande novidade dos e-mails não foi revelar que havia (há) uma vasta rede subterrânea a “trabalhar” em prol do SLB. Mesmo sem termos acesso às provas digitais/documentais que foram divulgadas nas últimas semanas (quer pelo FC Porto, quer pelo jornal Expresso), isso há muito tempo que era óbvio.

O grande mérito dos e-mails é, sim, identificar vários dos rostos da rede, identificar uma parte relevante das “criadas de servir”, revelar as ligações existentes (que envolvem os mais altos responsáveis do SLB) e mostrar o refinamento a que se chegou nos métodos adoptados. Tudo para se conseguir forjar um treta campeão.

Agora, compete à Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária dar continuidade e, a partir de indícios sérios de tráfico de influências, aprofundar a investigação a todos os “tentáculos” deste “polvo”. Haja vontade de o fazer.

sábado, 10 de junho de 2017

Oremos pelos “padres” pecadores

Francisco J. Marques a ler os e-mails no 'Universo Porto da Bancada'

Na última terça-feira à noite, no programa ‘Universo Porto da Bancada’, o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, denunciou um esquema de poder, um esquema de tráfico de influências, um esquema de corrupção moral na arbitragem portuguesa (dificilmente se consegue provar a corrupção material). E, para suportar as suas afirmações, apresentou (leu) um conjunto de e-mails trocados entre um ex-árbitro da AF Braga (Adão Mendes) e um funcionário de peso do SLB, o mediático diretor de conteúdos da Benfica TV (Pedro Guerra).

As reações a esta denúncia não se fizeram esperar.

Os jornais, quer os desportivos, quer os generalistas, mais ou menos contrariados, com maior ou menor destaque, fizeram eco desta “bomba”. Primeiro nas suas edições online

[Record], [O JOGO], [JN], [DN], [PUBLICO], [A BOLA], [AS, Espanha], com as palavras "corrupção", "árbitros" e/ou "Benfica" nos títulos…

… e depois nas versões em papel.

Os e-mails comprometedores nas capas de vários jornais


As três televisões do regime – RTP, SIC e TVI – também não puderam ignorar esta denúncia bombástica, com o assunto a ser notícia em telejornais e a ser objeto de comentário/debate noutros programas.

Na sequência do impacto mediático, vieram as reações das instituições:
da associação de classe dos árbitros (APAF);
e da Federação Portuguesa de Futebol (Conselho de Disciplina da FPF).

Perante a avalanche mediática e as reações em cadeia que se verificaram, qual foi a resposta do SLB?
A nação benfiquista ficou em choque, sem saber muito bem o que dizer (a cartilha da semana não previa este assunto…), ao ponto do “primeiro-ministro” (Luís Filipe Vieira) ter adiado uma entrevista à RTP 1, a qual estava agendada (e chegou a ser anunciada) para a passada quarta-feira (dia 7 de junho).

E que disseram os dois interlocutores dos e-mails?
Adão Mendes, o “árbitro vermelho”, remeteu-se ao silêncio.
Quanto a Pedro Guerra, cuja cabeça começa a ser pedida por alguns benfiquistas desesperados, a comunicação social anunciou que irá reagir domingo à noite, na TVI24, numa edição especial do programa ‘Prolongamento’.
Cinco dias para reagir?
É normal. Depois do choque, é preciso tempo para o grupo de crise do SLB reler todos os e-mails que foram trocados (é bem provável que o FC Porto tenha em seu poder mais e-mails do que aqueles que já mostrou) e preparar a cartilha oficial a debitar…

Chegados a este ponto, pode dizer-se que todos os objetivos imediatos (de curto prazo), resultantes da denúncia feita no último ‘Universo Porto da Bancada’, foram alcançados. Eu diria mesmo que foram ultrapassados, tal foi o impacto mediático e a desorientação evidente que provocou nos “milhafres” de carnide, que mais parecem galinhas tontas.

Agora, para além de manter o assunto na ordem do dia, os responsáveis do FC Porto precisam de preparar as próximas etapas, de modo a pressionar e obrigar as diversas instituições a (re)agir.

Evidentemente, o inquérito aberto pelo Ministério Público terá como destino o arquivamento (ninguém está à espera de outra coisa, quando o alvo é o clube do regime).

E o processo aberto pelo Conselho de Disciplina da FPF também resultará em nada (no dia em que o SLB for punido, a sério, na justiça desportiva, o futebol português acaba).

Por isso, as “munições” de que o FC Porto dispõe têm de ser bem gastas tendo, como alvo principal, o “polvo” da arbitragem – árbitros no ativo, responsáveis pela nomeação dos árbitros, observadores, responsáveis pela classificação dos árbitros.
Este “polvo”, que foi criado pelo SLB com “muito trabalho”, tem de ser desmantelado.

Para começo de conversa, sugiro que, ao longo dos próximos ‘Universo Porto da Bancada’, vá sendo apresentada uma seleção de jogos das últimas quatro épocas (2013/14, 2014/15, 2015/16 e 2016/17), que tenham sido adulterados por decisões dos oito “padres” – Jorge Ferreira, Nuno Almeida, Manuel Mota, Vasco Santos, Rui Silva, Hugo Pacheco, Bruno Esteves e Paulo Baptista.

Em cima: Manuel Mota, Bruno Esteves, Nuno Almeida, Hugo Pacheco
Em baixo: Vasco Santos, Jorge Ferreira, Rui Silva, Paulo Baptista
(foto: maisfcporto.com)

Não havendo provas concretas de corrupção material (que são sempre muito difíceis de obter, a não ser que os próprios confessem), de modo a suportar o seu afastamento da arbitragem, parece-me que a melhor estratégia é cozinhar estes “padrecos” em lume brando.

Ora, como todos estamos recordados, não faltam decisões arbitrais, que permitem estabelecer um nexo de causalidade entre o que é referido nos e-mails e a atuação dos oito “padres” em inúmeros jogos.

Alguns exemplos que, ao longo das últimas quatro épocas, foram referidos neste blogue:











Meus senhores, ajoelharam?
Pois agora vão ter de rezar…