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terça-feira, 17 de maio de 2011

Factos, mentiras e vídeo

Facto 1: Em 24 de Janeiro de 2004, numa altura em que o FC Porto de Mourinho já liderava confortavelmente o campeonato, os dragões receberam no estádio das Antas o Estrela Amadora (último classificado), num jogo arbitrado por Jacinto Paixão, tendo vencido por 2-0.
Foi um desafio sem casos de arbitragem, conforme pode ser comprovado em qualquer altura através do visionamento da gravação integral do jogo e como, mais tarde, atestaram nos seus pareceres os peritos de arbitragem que colaboraram com a PJ – os ex-árbitros de Lisboa Adelino Antunes, Vítor Pereira e Jorge Coroado.

Facto 2: Numa primeira fase, o Ministério Público arquivou o processo, considerando o óbvio, isto é, ser diminuto e inverosímil o interesse do FC Porto em comprar um jogo em casa contra o Estrela Amadora, isto face ao posicionamento classificativo das equipas e ao respectivo valor (vale a pena recordar que nessa época o Estrela Amadora desceu de divisão e o FC Porto foi “apenas” Campeão Europeu…).

Facto 3: Em 24 de Abril de 2006, em declarações efectuadas à Agência Lusa, António Pragal Colaço, advogado de Jacinto Paixão, afirmou: “O Ministério Público do Porto proferiu um despacho no qual entende que não há nexo de causalidade dos factos que indiciem qualquer crime de corrupção desportiva. Por inerência, os outros arguidos no processo viram também o seu processo arquivado”.

Facto 4: Pinto da Costa separa-se de Carolina Salgado e, em Dezembro de 2006, a sua ex-namorada lança o livro “Eu, Carolina” (para cuja escrita contou com a preciosa ajuda da conhecida jornalista benfiquista Leonor Pinhão, nomeadamente nos capítulos sobre o futebol).

Facto 5: Para além dos vários processos judiciais por difamação de que Carolina foi alvo, Pinto da Costa moveu-lhe um processo por furto e extorsão.

Facto 6: Em Janeiro de 2007, Maria José Morgado mandou reabrir o processo com base no testemunho de Carolina Salgado, o qual considerou credível, apesar da situação de conflito extremo que esta mantinha com Pinto da Costa.

Facto 7: Tendo sido requerida a fase de instrução, quer a defesa de Pinto da Costa, quer o próprio Jacinto Paixão, negaram em Tribunal as acusações de Carolina Salgado e ambos puseram em causa a credibilidade da testemunha-chave protegida pela equipa especial de Maria José Morgado.
O juiz de instrução também questionou a credibilidade de Carolina, bem como, a motivação para as suas declarações contra Pinto da Costa e, inclusivamente, acusou-a de falso testemunho. Adicionalmente, sublinhou que nas escutas (que considerou válidas!) não havia qualquer declaração como contrapartida de acto ou omissão destinado a falsear ou alterar o resultado do jogo.
O processo judicial foi novamente arquivado, desta vez pelo Tribunal de Instrução Criminal, em Julho de 2008.

Facto 8: No final da época passada (Maio de 2010), em programas da Benfica TV, o mediático advogado António Pragal Colaço incitou à violência (“vamos ter de puxar das armas”), pré-anunciou a retaliação (“ela já está programada”) e previamente legitimou-a, com argumentos do tipo “se queres continuar a ser cabeçudo o problema é teu” (dirigindo-se a outro participante num desses programas).

Facto 9: Em 13 de Dezembro de 2010, Jacinto Paixão foi convidado do programa “Máximas do Máximo” da Benfica TV, tendo mantido um animado diálogo com o conhecido taxista benfiquista Jorge Máximo.

Facto 10: Em 12 de Maio de 2011, o Correio da Manhã (versão em papel) e o site de A BOLA dão conta de um vídeo colocado no Youtube, com ataques de Jacinto Paixão ao FC Porto, em que o ex-árbitro alentejano parece estar a ler um texto.


Esta sequência de factos é, por si só, elucidativa, mas comparemos o que Jacinto Paixão (JP) disse no programa da Benfica TV há cinco meses atrás, com as declarações que surgem no vídeo agora divulgado no Youtube:

JP na Benfica TV: “Não tenho medo de ninguém, nunca tive”


JP na Benfica TV: “Ouvi falar em viagens pagas. Se é verdade ou não, não sei”

JP na Benfica TV: “As únicas coisas que os clubes me ofereciam eram umas camisolas, uma salvas, nada mais”



Mas há mais. Tal como o FC Porto referiu no comunicado intitulado ‘O Desespero’, na gravação colocada no Youtube, supostamente efectuada em 2004, Jacinto Paixão apresenta-se como ex-árbitro. Contudo, só deixou a arbitragem em Março de 2006…


Para além de tudo isto, que já de si deixa poucas dúvidas acerca de quem está por trás desta curta-metragem manhosa, há ainda a situação para a qual chamou a atenção o blogue ‘100% Dragão’, acerca do misterioso cabelo de Jacinto Paixão.

Este era o corte de cabelo que Jacinto Paixão usava enquanto árbitro:


E este o corte de cabelo que Jacinto Paixão ostentou na Benfica TV, em Dezembro de 2010:


Acham que o cabelo de Jacinto Paixão no “confessionário”, durante a gravação supostamente efectuada em 2004, é semelhante ao corte que ele usava enquanto árbitro (2003, 2004, …), ou em Dezembro de 2010?

Sendo o slb um clube com tantos especialistas em guiões (Leonor Pinhão) e filmes (João Botelho, António Pedro Vasconcelos, etc.) é incrível como quem congeminou esta trama fez uma coisa tão mal amanhada, com tantas contradições e buracos óbvios. Mas enfim, nós temos o Hulk e o Falcao e eles contentam-se com os filmes da Carolina e do Paixão.

P.S. Em entrevista ao jornal i, do passado dia 14 de Maio, Jacinto Paixão garante ser o autor da gravação e promete novos episódios para breve, porque “há muitos mais vídeos para serem publicados”. Quem bom, mal posso esperar pelas sequelas deste “filme”…

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Águia escondida com bico de fora


O Correio da Manhã de hoje dá destaque de primeira página a uma alegada declaração do ex-árbitro Jacinto Paixão: “É verdade que o FC Porto nos ofereceu raparigas”. Para mais pormenores, o jornal dirigido por Octávio Ribeiro remete para a sua edição em papel.

O Destak foi ver o vídeo publicado no Youtube (com um formato muito semelhante aos vídeos do “tripulha do Uganda”) e diz algo mais:

«“O meu nome é Jacinto Paixão, conhecido ex-árbitro. O que eu vou dizer a seguir destina-se a ficar gravado para posteridade, caso me aconteça alguma coisa a mim ou à minha família.
É desta forma que começa o vídeo gravado por Jacinto Paixão, ilibado do processo ‘Apito Dourado’, publicado no YouTube. O vídeo em causa refere-se a três jogos em particular. O Benfica-Moreirense (2003/04), o FC Porto-Estrela Amadora (2003/04) e o FC Porto-Académica (2002/03).
No vídeo, o antigo árbitro diz que o FC Porto tentou corrompê-lo com mulheres (“é verdade que o FC Porto nos ofereceu raparigas como era habitual fazer”) e com uma viagem. “Através da agência Cosmos, em 1998, para eu ir a Marrocos com os meus dois assistentes e o árbitro João Rosa Penicho”, revela.»
in www.destak.pt


Engraçado, os jogos referidos no vídeo são das épocas 2002/03 e 2003/04, mas a viagem a Marrocos foi em 1998…

Duvidando da consistência e veracidade das informações, A BOLA contactou Jacinto Paixão para o confrontar com o vídeo em causa. O antigo árbitro ouviu a gravação durante a chamada telefónica, não desmentiu ser sua a voz que se ouve e, no final, limitou-se a dizer, três vezes: “Sobre isso não faço comentários”.
Quando até A BOLA duvida…

Não tive pachorra, nem interesse, para ouvir as escutas que elementos ligados ao slb (vamos admitir que são apenas adeptos fundamentalistas) colocaram no Youtube mas, a propósito desses vídeos sonoros, lembrei-me do que o Filipe Sousa escreveu no artigo Allo, Allo, publicado em 23 de Janeiro de 2010:

«Poupei-me ao trabalho de fazer qualquer pesquisa no Google ou no próprio Youtube – bastou-me ir ao minaret... perdão, blog "antitripa", e sem surpresa já lá estava o link para os ditos vídeos; aposto que o tal "tripulha do uganda", é um dos membros desse blog, que aqui há uns anos mantinham outro, o "golden whistle", em que procuravam difamar o Porto além fronteiras.
Ouvidas as escutas em que intervém o PC, reti alguns factos: no caso da "fruta", é o próprio Jacinto Paixão – se é que o "JP" é mesmo o Jacinto Paixão, e não o Joaquim Pinheiro, irmão do Reinaldo Teles; mas vamos aceitar que é o primeiro – que pede a dita "fruta", o que convenhamos, é um pouco estranho quando quem foi acusado de corrupção activa foi o Pinto da Costa – que raio de corruptor é que não oferece nada, ou está à espera que os corrompidos venham ter com ele?»

De facto, se alguma coisa as escutas demonstram (obrigado a quem as colocou no Youtube), é que a iniciativa do contacto parte do próprio Jacinto Paixão e não de qualquer dirigente do FC Porto. Como é óbvio, pelo menos para quem tem mais do que dois neurónios, não parece que o jogo mais indicado para aliciar árbitros fosse um desafio disputado no estádio das Antas e, ainda por cima, entre o líder destacado (o FC Porto de Mourinho) e o último classificado (o Estrela da Amadora)…

Vale também a pena recordar, que Jacinto Paixão teve como advogado o mediático benfiquista e comentador da Benfica TV António Pragal Colaço. E que, em 13 de Dezembro de 2010, o ex-árbitro alentejano foi mesmo convidado para uma entrevista na Benfica TV onde, entre outras coisas, afirmou o seguinte:

“O Jacinto Paixão nunca alinhou nisso (corrupção)”

“Tenho muito respeito pelo Benfica e as pessoas ainda me acusam de ser portista. É mentira, como se diz no Alentejo.”

“Ouvi falar em viagens pagas”

“As únicas coisas que me ofereciam eram umas camisolas, uma salvas, nada mais...”

“Não beneficiei o FC Porto no jogo com o Estrela”

Agora o discurso é outro? Pois, mas estas “evoluções” no comportamento e declarações de Jacinto Paixão só surpreendem quem tem andado muito distraído. Aliás, são algo déjà vu com outra personagem do Apito Dourado – Carolina Salgado –, a qual passou de odiada a uma espécie de Santa Joana d'Arc da causa encarnada (enquanto foi útil aos interesses do slb).

Como toda a gente percebe, as discrepâncias e a memória selectiva, quer de Jacinto Paixão, quer de Carolina Salgado, nada têm a ver com a proximidade a Pragal Colaço e a Leonor Pinhão, respectivamente. Isso é mera coincidência…

P.S. Espectacular, é o mínimo que posso dizer, acerca do comunicado do FC Porto em resposta a mais esta manobra dos mesmos ressabiados de sempre.