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segunda-feira, 11 de abril de 2016

A sério?


Mais um jogo miserável do FC Porto. Nova derrota, desta vez em casa do Paços de Ferreira. 

Não há fio de jogo, não há agressividade, não há a procura do golo, não há organização, não há nada. Nada de nada. A equipa está destruída e, apesar de isento de culpas, Peseiro foi (mais) um erro de casting. A tal “estrutura” que era tão elogiada e “vítima do reconhecimento exterior” afinal não foi capaz de encontrar um treinador decente para substituir Lopetegui. O final de época está a ser penoso. E pode sempre piorar.

Não é difícil adivinhar os motivos pelos quais os jogadores do FC Porto se mostram apáticos, lentos, sem ideias e extremamente inseguros. A médica que outrora Mourinho expulsou do Chelsea, Eva Carneiro, esteve este fim-de-semana numa conferência médica em Londres e, entre outras ideias do seu discurso, deixou uma frase interessante: “The relationship with management absolutely affects how ready [players] feel to take on a risk”. Numa tradução livre, disse a doutora que a relação dos jogadores com a “gestão” (edit: leia-se equipa técnica) afecta a forma como eles se predispõem a assumir riscos.

Depois da entrevista dada esta semana por Pinto da Costa ao PortoCanal, em que não só não assumiu por inteiro a responsabilidade pela actual situação do clube, como ainda culpou o ex-treinador de inadaptação e de contratações falhadas e acusou os actuais jogadores de falta de portismo e de carácter, estaria agora à espera que eles “metessem o pé” e dessem tudo em campo? A sério?!
   

domingo, 10 de abril de 2016

SMS do dia

Aguardo com expectativa o candidato Pinto da Costa a posicionar-se contra o presidente Pinto da Costa depois de mais um naufrágio no ocaso de um mandato que mete água por todos os lados. No meio de tanta dualidade, não surpreenderia que o psiquiatra de serviço leve a habitual comissão de 10% e uma percentagem na futura venda milionária do Rafa.
   

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A Vergonha

A uns dias das eleições fica evidente que o problema não é a ausência de uma lista alternativa. É a presença da lista que se apresenta, sem vergonha, com os últimos três anos de serviço como cartão de visita, com um treinador do mais reles que a história do Futebol Clube do Porto já teve - no antes e no pós Pinto da Costa - e com um plantel sufragado e desenhado pela ausente direcção desportiva que quer ir a votos de forma descarada porque há ainda muito azul que arrancar da camisola até que fique pálida, sem cor.

O FC Porto perder em casa com o último classificado - e um último classificado morto e enterrado na classificação, no seu primeiro ano de 1º Divisão e que há cinco anos era equipa de III Divisão - podia ter sido um acidente de percurso anedótico - triste, mas anedótico - se não fosse o reflexo constante do que tem sido este clube nos últimos três longos anos. Todos eles com treinadores diferentes mas com um mesmo presidente - com letra pequena - e um mesmo responsável da área do futebol - com letra pequena igualmente - a respaldarem esta sequência inesquecível de fracassos. Quando os treinadores passam - são já 4, mais Rui Barros, em três anos, um logro absoluto - mas os problemas subsistem, é óbvio que o problema está noutro lado. Durante largos minutos de jogo, no estádio que já foi um dos maiores fortes do futebol mundial, mandou o Tondela. Quem parecia ter jogadores de terceira divisão - no controlo desastre, na falta de coordenação, na total e absoluta ausência de compenetração - eram os de azul e branco. Três meses depois acabaram as desculpas do tempo, especialmente depois da larga paragem de jogos com as selecções. Quando alguém é incompetente para desempenhar uma função, não há tempo que valha. Felizmente foi a primeira opção, naturalmente, como todos sabemos!

O problema é que, infelizmente, a alguns, a palavra vergonha não diz absolutamente nada.
Por isso vão a votos. Porque não lhes interessa o mais mínimo este clube. Os que sufragarem essa lista devem tê-lo assumido porque não vale, daqui a uns anos, quando jogos como o de hoje se transformarem na regra em lugar da excepção, virem com choramingas e lamentos. Tiveram uma oportunidade para dizer claramente não. Não a aproveitaram. Não se queixem depois. Levantem-se e aplaudam por favor. O Tondela já foi, que passe o seguinte, que aqueles que enterraram os "andrades" para lançar os dragões parecem ter-se arrependido e foram buscar o "andradismo" à cave escondida para fazerem dele a nova bandeira eleitoral.



Do jogo com o Tondela não há absolutamente nada a dizer a não ser que o resultado foi mais do que merecido. Quem ataca tão mal, defende pior e é incapaz de superar uma equipa que já se sabe há semanas de II Divisão, jogando em casa, não merece outra coisa a não ser o mais absoluto desprezo.
Do presente e futuro do FC Porto já muito foi dito. Aqui e noutros espaços atentos da bluegosfera ou por portistas que são apontados como o alvo a abater por indivíduos, newsletters e familiares oportunistas. Tanto faz...Os alertas lançados, os podres destapados, os debates lançados. No campo vive-se o reflexo do que existe fora. Foi assim nos tempos de glória. É assim nos tempos de podridão. E mais podre que este Porto há pouco até que descobrimos que sempre se pode ir um pouco mais longe. E haverá sempre uma nova descoberta por fazer. A derrota com o Tondela - uma frase que nunca passou pela cabeça de qualquer portista de direito e coração azul e branco pronunciar - é o fim da ilusão de um título que ou Jesus - pelo terceiro ano consecutivo - ou o Benfica - pelo terceiro ano consecutivo - vão tratar de disputar. É a derrota definitiva do FC Porto como primeira potência do futebol português, algo que podia ter sido debatido até ao ano passado mas que, face ao que se viveu este ano na Europa e na liga já não é real. É também a derrota epistolar de um modelo de gestão que não se sustenta a não ser nas cabeças delirantes de uns poucos.

Quanto mais dure esse delírio, mais tempo se tardará em voltar á elite. O FC Porto é grande demais para voltar a estar vinte anos no poço como outras gerações de grandes portistas tiveram de suportar. Mas o relógio não pára e três anos já passaram. Faltam apenas dezasseis e há quatro de um próximo mandato que, a ser semelhante - porque havia de ser diferente - do presente elevaria a contagem a sete. Esse é o cenário, tristemente, mais óbvio para o futuro imediato olhando para o plantel que existe, o treinador que existe, a politica de contratações que existe e os directores que subsistem...Sete anos já é um deserto?

Tique, taque, tique, taque...

domingo, 13 de março de 2016

Outra vez um ai Jesus (Corona)!


E pronto, é isto. Este FC Porto é bem capaz do melhor e do pior em poucos minutos. Depois de uma primeira parte bem conseguida no Dragão, em que marcou um golo (Aboubakar aos 25' após assistência de Maxi) e podia ter marcado mais, tendo dominado o jogo por completo, o FC Porto regressou dos balneários para poucos minutos depois marcar o segundo, um belo golo de Herrera e, depois disso, entrou em colapso. A equipa apagou e em dois ou três contra-ataques o União fez dois golos e empatou o jogo em menos de 5 minutos...

A equipa reagiu e foi para cima do adversário (que, segundo o seu treinador, já tinha o anti-jogo planeado) tendo conseguido o golo da vitória a 4 minutos dos 90' num remate forte de Jesus Corona após tabela com Suk. O mexicano esteve muito ausente durante todo o jogo mas redimiu-se nos minutos finais ao apontar o golo da vitória. O treinador do União, lamentando não ter feito a terceira substituição para "queimar" tempo, não conseguiu disfarçar a azia, o mau perder e o mau carácter.


Esta equipa do FC Porto sofre de bipolaridade severa e o terapeuta Peseiro não está a conseguir estabilizar a componente emocional do grupo. Há muito para trabalhar no sector defensivo. Parece ser por aí que Peseiro se deverá ocupar com a máxima urgência. Não basta pedir aos sócios que sejam compreensivos, é preciso trabalhar mais horas nas transições defensivas. A defesa do FC Porto é um autêntico passador.

Jogar com homens da casa é outra história. Apesar de ter feito uma exibição com altos e baixos, Sérgio Oliveira mostrou aos colegas (e aos sócios e adeptos) o que é vestir esta camisola. Fez as faltas que e quando era preciso serem feitas, bloqueou a reposição de bola pelo adversário e foi para cima deles quando a equipa precisou. E com autoridade. É mesmo isto, Sérgio!
   

terça-feira, 8 de março de 2016

Em Braga, o título por um canudo

A verdade é que uma equipa não consegue ser campeã nacional se não tiver defesas centrais. E o FC Porto não tem. Pela enésima vez, Marcano comprometeu todo o esforço da equipa em 70 minutos e deu um brinde ao adversário para este marcar o primeiro golo.


Há que dizer que o árbitro, Carlos Xistra, condicionou o trabalho dos jogadores do FC Porto desde o apito inicial. Aos 17 segundos já o bracarense Djavan entrava a matar sobre Danilo e esse calhorda desse Xistra nem sequer um cartão amarelo mostrou. Se dúvidas houvesse sobre ao que vinha o árbitro, logo ficaram dissipadas no primeiro lance da partida. A partir daí o que se viu foi um árbitro arrogante para com os jogadores do FC Porto e permissivo para com os do SC Braga. Duas faltas sobre Suk dentro da área bracarense ficaram por marcar e mais cartões amarelos aos do Braga ficaram por mostrar. Notou-se que os jogadores portistas se estavam a aperceber que estava ali uma pessoa para os prejudicar. Depois, claro, à primeira oportunidade expulsou Peseiro.

Muitos portistas se deverão questionar sobre a razão e os motivos por que Xistra se comportou desta forma. A resposta é muito simples: porque pode! A verdade é esta, os árbitros fazem gato-sapato do FC Porto porque sabem que nada lhes acontece e que caem nas boas graças do patrão: o Benfica. Ironicamente está a acontecer a Pinto da Costa aquilo que ele tão ferozmente criticou em Américo de Sá: ficar impávido e sereno com os roubos das equipas de arbitragem controladas por Lisboa. O FC Porto está sem liderança, infelizmente. E quanto mais tempo esta situação se prolongar maior será o reinado de domínio do Benfica sobre as instituições que organizam o futebol.

Em termos de jogo jogado foi um jogo repartido, o FC Porto entrou melhor, a partir da meia hora o Braga equilibrou e houve situações de golo para ambas as equipas. Depois da fífia de Marcano a equipa recuperou e ainda conseguiu empatar o jogo aos 86 minutos. Mas pouco depois nova falha no posicionamento defensivo e uma transição rápida permitiu ao Braga adiantar-se no marcador. Já em cima da hora Casillas saiu da baliza e deu um brinde a Alan para este marcar ao FC Porto.

É lamentável ver mais um treinador a arder em lume brando, dando o corpo às balas na conferência de imprensa a chamar a atenção para os roubos de igreja. Porque é que ninguém da SAD dá a cara? Porque é que o Presidente só fala depois das vitórias? O clube vai continuar a ser prejudicado pela arbitragem impunemente? Muita coisa terá de mudar no FC Porto para voltarmos a triunfar.
   

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sofrimento


O jogo nunca mais acabava. Que aflição. Os jogadores não se juntam e não conseguem jogar fechadinhos, lá atrás. Nas saídas em transições, há sempre uma escorregadela, uma perna que se ressente ou um acidente invulgar. Foram tantas as avenidas em que a rapaziada de Belém se movimentou à vontade para criar situações de golo, e nós, sem semáforos, perdidos nelas, sem força, nem jeito. Tal incapacidade custa a engolir. Não sou capaz de aduzir se é defeito do treinador, dos processos, dos jogadores ou se é a bola que estorva. O trio de meio campo conheceu uma inovação com Danilo mais alto, provavelmente para pressionar mais à frente. E o André mais de contenção? Que grande confusão. A exibição foi muito pobre. Fica a vitória. Foi tudo tão triste: imagem do ambiente dominante de uma época perdida.
   

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Atacar bem? Comecem por defender bem!

Nos últimos 30 anos do futebol houve dois treinadores que mudaram radicalmente os conceitos de jogo, duas referências máximas do futebol ofensivo de alto quilate. Ambos vão passar à história porque as suas equipas jogam de forma atractiva, ofensiva, sem piedade do rival quando aumentam o ritmo para uma velocidade que mais ninguém aguenta. E no entanto, para ambos, o êxito do ataque parte sempre de um excelente trabalho na defesa. Querem atacar bem? Então preocupem-se sempre por garantir que a equipa sabe, antes que tudo, defender melhor. Sacchi e Guardiola sabem perfeitamente do que falam. As suas equipas partiram sempre de um principio básico. São equipas de treinador até ao último terço, equipas de jogadores no último. Este FC Porto dista muito desses princípios.

José Peseiro não é nem Arrigo Sacchi nem Pep Guardiola, está claro. Mas é, e sempre foi, um treinador que pensa de outra forma. As suas equipas são de tracção dianteira. As suas linhas defensivas sofrem muito e com regularidade pelo posicionamento em campo do seu 4-2-3-1. Peseiro começa a pensar o jogo com a bola no circulo central. Trabalha bem - tem-se apreciado evidentemente a diferença - o jogo ofensivo, sobretudo as sobreposições entre os interiores e os extremos no complemento ao ataque. Mas o jogo dos médios defensivos, laterais e centrais peca de ingénuo. A sua filosofia de "se o rival marca dois, eu marco três", lembra muito o futebol sul-americano ou a realidade europeia pre-anos 70 mas está bastante desfasada da realidade. Até uma equipa de estrelas absolutas e inquestionáveis como o Real Madrid da primeira geração dos "Galácticos" percebeu isso quando o génio da sua linha avançado pagou ano após ano os erros tácticos a que a sua linha defensiva estava exposta. Não, o modelo Peseiro - e de alguns treinadores da sua escola - hoje em dia pode ser atractivo em momentos concretos do jogo mas é pouco fiável. Tudo porque o seu enfoque de jogo parte da premissa que a defesa é um elemento secundário na coordenação colectiva. O jogo começa mais rápido, desde atrás, menos pensado e a cada perda de bola os jogadores da linha mais recuada encontram-se, quase sempre, mal posicionados. Tal é a vocação ofensiva que muitas vezes não existe um fio de conexão entre os centrais e os laterais, por um lado, e os laterais e os médios interiores, por outro. Nesse cenário não é difícil, sobretudo a equipas que jogam no espaço e aproveitam a velocidade para contra-atacar - como são quase todos os clubes da liga portuguesa - encontrar oportunidades para marcar. Depois é um jogo de roleta russa. A eficácia do rival, a eficácia própria, a capacidade emocional de resposta, o fluxo ofensivo criado, tudo entra numa equação perigosa. O triunfo sobre o Moreirense - por 3-2 com uma reviravolta de dois golos desfavoráveis - é o perfeito exemplo desse puzzle. Peseiro pode sentir-se triunfal porque a sua ideia prevaleceu (o rival marca dois, eu marco três), mas o seu esquema parte de um principio perigoso. É altamente provável que te marquem sempre mas não podes garantir que tu vais marcar sempre mais um. A derrota antes da à visita à Luz com o Arouca - que pode ter sido decisiva em contas para o título - é o perfeito exemplo disso mesmo.



O maior defeito que os adeptos apontavam - e muitos com razão - a Vitor Pereira e a Julen Lopetegui (mais no seu caso que tinha melhor matéria-prima) era a tremenda dificuldade de passar de uma boa organização defensiva a um jogo ofensivo eficaz e vertical. Eram o modelo oposto de Peseiro. Para ambos os treinadores - claramente da escola Sacchi/Guardiola - as suas equipas começavam a pensar-se desde o momento em que o guarda-redes colocava a bola em jogo. Era importante, não, fundamental, uma boa coesão defensiva e articulação entre sectores, um avanço progressivo das tropas antes de explodir o rastilho final no último terço.
Quando bem executado o modelo propiciou grandes jogos colectivos mas se Vitor Pereira quase nunca teve arsenal ofensivo com essa inteligência de jogo e talento (no seu primeiro ano teve de abdicar do poder de explosão de Hulk para colocá-lo como referência ofensiva e no segundo faltou-lhe o brasileiro para conectar com Jackson), já Lopetegui pecou de erros próprios na concepção de jogo colectivo. No entanto, ambos perfilavam a ideia de que a equipa tinha de funcionar como um todo nos primeiros três quartos de campo para depois permitir a explosão do talento individual no último terço. A defesa, nos dias de Vitor Pereira, era absolutamente tremenda na ocupação do espaço e no controlo da zona e com Lopetegui - apesar de Fabiano, Marcano, Maicon ou Indi, jogadores de perfil muito inferior - foi uma das melhores de todas as ligas europeias enquanto que na Champions, não fosse pelo massacre de Munique - um erro de gestão técnica tremendo - teria igualmente terminado o torneio nas menos batidas. Não esperem ver o mesmo com Peseiro.

Tem culpa o treinador do Porto dos golos sofridos recentemente? Sim e não.
A Peseiro não lhe podemos apontar o dedo na concepção do plantel - responsabilidade da SAD e de Lopetegui - nem nos reajustes de Janeiro - responsabilidade da SAD. Ao técnico foram-lhe dados ovos para trabalhar - poucos e podres - e a situação de Maicon (ainda por explicar) apenas piorou o cenário forçando-o a recrutar para as convocatórias dois jogadores com idade de júnior, Chidozie e Verdasca. Nesse cenário - múltiplas lesões, suspensões e reajustes - era absolutamente lógico e natural que houvesse maior permeabilidade defensiva. No entanto o grave nesse cenário é que Peseiro - que quer ser fiel aos seus princípios - uniu às baixas e ao plantel de pobre qualidade uma radical mudança táctica que rasga os princípios assimilados durante ano e meio. Peseiro quer tirar o Lopetegui de dentro da cabeça dos jogadores (olhando para Herrera, como melhor exemplo, está a conseguir) e a sacar o máximo potencial de jogadores que em 4-3-3 posicional renderiam muito pouco (a prova está em Suk, tem tudo para ser um novo Pena, esforçado mas excessivamente dependente do espaço e dos lances divididos para se evidenciar) no sector ofensivo. A consequência é abdicar da segurança defensiva, da estabilidade do jogo desde a retaguarda e dos naturais desajustes no miolo que provocam perdas de bola e contra-ataques do rival. A pré-época não serve apenas para preparar os jogadores fisicamente. É o único momento do ano em que o treinador tem três ou quatro semanas para aplicar as bases da sua ideia que são melhoradas com treinos pontuais. A partir do inicio da temporada o ciclo não permite a implementação de uma nova ideia táctica com êxito assegurado. As sessões de treino medem-se entre recuperação esforço, preparação tendo em conta o rival, garantir estabilidade dos níveis físicos e algum que outro dia dedicado a lances estudados. Não há tempo (nem força, física e mental) para uma pre-epoca em Fevereiro. O clube sabe isso, o treinador sabe isso e os jogadores sabem isso de modo que tudo o que estamos a viver no presente vai contra toda a lógica da gestão de um grupo. E só é possível devido ao desnorte da direcção - que forçou a mudança sem ter um plano B coerente - e o desespero total da falta de rumo que permite acreditar que mudando tudo o que estava feito os resultados, forçosamente, serão diferentes.



O 4-2-3-1 e as ideias de Peseiro, com uma boa pre-epoca, podem triunfar ainda que o mais provável é que sofram nos momentos chave a consequência do poder do controlo de jogo do futebol moderno. De certo modo Peseiro quer parecer-se mais a Paulo Fonseca do que a Vitor Pereira ou AVB. Agora tem todo o crédito do mundo porque nenhum adepto vai reclamar nada a um treinador-bombeiro sem perfil e que chegou num momento de desespero. Mas é preciso ter-se cuidado quando se brinca com o fogo. Velha é a história contada por Sacchi do dia em que van Basten, irritado por tanto trabalho táctico, lhe atirou à cara que ele era a estrela da companhia e que o êxito do Milan dependia dos seus golos. Sacchi sorriu e pactou um desafio. Se van Basten, Gullit, Ancelloti e Donadoni fossem capazes de superar o seu quarteto defensivo numa sequência de ataque a partir do meio campo, dar-lhe-ia razão. Mas se a defesa recuperasse a bola, teriam de voltar a começar o ataque do zero. Durante duas horas a defesa de Sacchi levou a melhor linha de ataque ao desespero. Não marcaram nenhum golo. Van Basten aprendeu a lição. Algo similar fez Guardiola em Barcelona, reforçando sempre às suas estrelas ofensivas que tudo começava a partir da conexão Valdés-Pique-Puyol-Busquets. Ninguém espera um golpe de génio táctico de um treinador com dez anos de fracassos acumulados às costas mas jogos como o do último fim-de-semana também não podem surpreender ninguém. Com um plantel de remendos querer jogar no fio da navalha pode provocar doses de adrenalina que o jogo dormido e pausado do 4-3-3 de Vitor Pereira (sem jogadores de ataque válidos) ou de Lopetegui (sem ideias) eram incapazes de transmitir. Mas a navalha acabará sempre por deixar as suas marcas.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Um FCP pequenino

A esperança é a última a morrer (vidé jogo do galinheiro), mas já era expectável que o FCP saísse vergado de Westvallen com uma derrota clara, logo não se pode falar em «desilusão». 

O Borússia Dortmund é uma excelente equipa, que é temível para qualquer adversário - principalmente jogando em casa (onde o apoio de 80mil indefectíveis dá motivação extra). E do nosso lado, tínhamos já à partida uma equipa bastante destroçada que ainda mais ficou fruto das baixas do plantel.

Dito isto, não deixa de custar a engolir que o jogo tenha feito lembrar um jogo típico no Dragão entre o FCP (normal...) e um clube pequeno do campeonato português, com o Borússia a fazer de FCP e o FCP a fazer de Setúbal ou algo do género. O Borussia dominou o jogo a seu bel prazer, tendo tido o dobro da posse de bola, o dobro dos ataques, 15 remates contra apenas 3 do nosso lado, e várias boas oportunidades de golo contra apenas uma do FCP (já perto do fim). 

Em defesa de Peseiro, ele seria sempre obrigado a usar uma equipa de recurso com adaptações, fruto de 1) as ausências de Danilo, Maxi e Marcano e 2) um plantel muito curto em opções e qualidade para a defesa e ataque (e já volto a este ponto).

Há portanto opções de Peseiro que me pareceram fazer sentido, especialmente quando vistas de um ponto de vista individual. Varela a def direito? Em si não me surpreende, eu achava que ele podia fazer bem a posição (e de facto não esteve nada mal). Layun a central? Não me choca, tendo em conta as alternativas (Verdasca, a solução de recurso em 2o grau para colmatar a ausência da primeira solução de recurso - falo de Chidozie - sem qualquer experiência em senior? Poupem-me....). Ruben Neves para colmatar Danilo? Evidente. 

No entanto, no conjunto geral foram mudanças a mais: tivémos 11 jogadores em campo, e não uma equipa. E onde eu acho que Peseiro contribuiu para isso de forma escusada foi ao dar a titularidade a S. Oliveira. Não me parece de todo que fizesse sentido lançar um jogador verdinho às feras num jogo destes, principalmente quando já tinha que fazer outras alterações profundas na equipa, e ainda por cima no miolo do terreno (ainda se fosse um extremo...). É para mim um mistério que tenha jogado ele de início em vez de André André. 

Também acho discutível (ainda que em menor grau) que tenha jogado Marega de início em vez de Corona, ou até mesmo de Evandro (nesse caso seria para jogar num 4-5-1).

Com essas escolhas (em grande parte involuntárias e em menor medida voluntárias), não admira que a equipa tenha jogado muito recuada, nem sequer necessariamente fruto de instruções do treinador mas acima de tudo porque a equipa era simplesmente incapaz de sair a jogar quando tinha a bola. Se a ideia de Peseiro era minimizar os estragos neste jogo, se calhar mais valia jogar em 4-5-1 povoando o meio-campo.

O aspecto mais relevante deste jogo para mim é o seguinte: como é possível que tenhamos chegado a este ponto de estarmos extremamente limitados em quantidade e qualidade para os sectores defensivos e ofensivos (e até já dou um desconto no caso da posição de trinco)? 

Como é possível que vou ao website do FCP e vejo apenas 5 jogadores defensivos no plantel (dois deles defesa central)? 

Como é possível que, não havendo lesões no sector ofensivo, tenhamos um Marega a titular contra um Dortmund (fez-me pensar no Vinha...) e não haja um único extremo de raíz em campo ou no banco; ou, estando o FCP a perder, um adepto olhasse para o banco sem grande esperança de dar um golpe de asa?

Acima de tudo: como é possível isto tudo quando temos um plantel caríssimo, salvo erro o mais caro de sempre (custo de passes mais salarios)?

Enfim.... Quero crer que esta época ainda é possível chegar ao 2o lugar (e conquistar o acesso directo à LC) e conquistar a Taça, que são as prioridades para o que resta da época, mas mais do que isso...quase que só por milagre, fruto de um chorrilho de asneiras de PdC & Cia a todos os níveis. 

Termino onde comecei: por aceitável que seja o resultado, é triste assistir a um FCP pequenino no Westvallen, por muita valia que tenha o Borussia. Este FCP europeu faz lembrar o FCP europeu da era pré-PdC, não o FCP que tem andado constantemente no top 20 do ranking da UEFA nos últimos 15 anos. Com a grande diferença de que hoje em dia gastamos como novos-ricos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Temos de cumprir a nossa parte!


Porque não se escreve sobre uma boa (e justa) vitória e um mau jogo do FCP? Não sei. Fruto dos tempos que apelam às rupturas, que ninguém parece disposto a protagonizar. E, então, o pessoal vinga-se através da oferta fácil das redes sociais. Ou nem isso.

Fizemos um jogo medíocre, entrámos muito mal e foi o jogo da época com menos remates realizados pela nossa equipa. Notei que o Herrera posicionou-se menos à frente (funcionou mais como duplo pivot) e, como jogou devagar e falhou muitos passes, não foi o único, o jogo não fluiu; por isso e porque o Marítimo soube encurtar, linhas e espaços, a equipa teve muitas dificuldades em ultrapassar a barreira construída pelo adversário. E de se defender dos contragolpes do Marítimo. A equipa não é rápida, nem ágil. Perdemos muitas segundas bolas e não conseguimos formar um bloco coeso. Estranho é constatar que o Maxi é dos que joga mais à Porto.

O FCP está doente. Conheço os sintomas, mas não faço diagnósticos. Os jogadores estão mal fisicamente, o modelo de jogo é uma trapalhada e tenho dúvidas se uma eventual mudança reverterá os seus efeitos maléficos que muitos remetem para erros primários de geometria táctica. Não me chega. Considero que o plantel do FCP é caro, mas não é bom, nem equilibrado. E há uma tarefa enorme para cumprir: a recuperação de muitos jogadores que chegaram a um nível inexplicavelmente baixo, pelo menos para quem habita o lugar da bancada. Cito apenas dois, porque são valiosos: Aboubakar e Rúben Neves.

Esta época vai continuar a ser dolorosa. A equipa está a ser remendada. Já não temos um qualquer Lucho para retornar e lhe dar mais experiência. Pode ser que o pesadelo seja apenas consequência da ideia que temo: de que o que já aconteceu, ainda pode ser pior. Temos de cumprir a nossa parte para que não o seja.

Nota: mais uma arbitragem miserável.
   

domingo, 24 de janeiro de 2016

Os erros que Peseiro não pode cometer


- Entar em "mind-games", polémicas, etc, com Jorge Jesus, Bruno de Carvalho ou outro;
- Pensar que Casillas deva ser automaticamente titular na liga portuguesa e na Europa;
- Acreditar que estes actuais "centrais" chegam para as encomendas;
- Julgar que esta equipa pode viver sem um médio criativo de ataque;
- Deixar que um jogador de remate fácil e faro de golo como Bueno fique tanto tempo de fora das opções;
- Autorizar que Brahimi comece a driblar tão longe da área adversária;
- Tardar nas substituições quando as coisas não estão a correr bem;
- Renunciar ao senso comum ou fechar-se completamente nas suas próprias ideias;
- Não colocar um certo saudável distanciamento em relação à SAD;

Boa sorte, Mister.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A rapariga mais feia da turma

Imaginem um filme de Hollywood. 
Um filme desses, bem rascas, que passam nas matinés de sábado num canal privado, com palmeiras, muito sol e diálogos de um vazio atroz. O FC Porto é o protagonista deste filme. Um filme de jovens estudantes que sonham com triunfar na vida e que vivem no secundário mais aventuras que o cidadão comúm vive em toda a sua existência. Tudo muito americano. Agora imagem esse protagonista, o FC Porto, um jovem atractivo, competente, celebre entre os seus mas que anda a passar por um periodo dificil, seguramente problemas com os pais - que por sua vez vivem um estilo de vida cada vez mais descontrolado - e que começa a sentir-se perdido na vida. Como um bom filme americano de estudantes, tudo acaba com o baile de finalistas. O FC Porto, esse protagonista flamante, a principio era candidato a rei do baile mas parece que já ninguém quer ser visto na sua companhia. Tentou convidar as raparigas mais giras para ir com ele e levou negas de todas. Convidou até algumas ex-namoradas ou raparigas com quem sempre sonhou sair. Todas lhe disseram o mesmo: não estamos interessadas, temos algo melhor. 
No final, o FC Porto vai ao baile, sim, mas vai com a rapariga mais feia da turma. A que está sempre pelos cantos, aparelho, oculos quadrados e roupa ao melhor estilo da sua avó. Foi o que se arranjou. Claro que no fim de contas a rapariga até pode ser deslumbrante e tudo isto ser uma importante licção sobre o sentido da vida. Mas no momento em que entra no pavilhão, naquela noite, o FC Porto, esse protagonista, e todos os secundários à sua volta sabem perfeitamente que a sua companheira de baile era a última escolha possível. Filmes, não é?

Os golpes de asas de Pinto da Costa acabaram há muitos anos. Se ele se deu conta ou não, a conversa é outra. O certo é que longe parecem ir os dias onde qualquer treinador dava meio braço para ser visto no banco do "Dragão". Era um lugar de grande pressão, sim, mas que podia alimentar o mais audaz dos sonhadores. Nos mandatos de Pinto da Costa vimos a Artur Jorge limpar a imagem de um periodo cinzento em Paris. Vimos a Robson reabilitar a sua carreira nas Antas. A Mourinho lançar-se rumo ao estrelato. A Vilas-Boas a tentar imitar o seu mentor. A Jesualdo, um homem sempre desprezado pelo establishment, a transformar-se num dos mais exitosos treinadores do futebol português. A Vitor Pereira, um portista ferrenho perdido nos Açores a liderar um ciclo interno quase impoluto. Tudo isso significou, noutro tempo, ser treinador do FC Porto. 
Imaginem portanto como estão as coisas para que essa aura de êxito garantido tenha desaparecido da noite para o dia. Talvez os treinadores se comecem a dar conta dos podres que antes não se viam. De como a estrutura - essa famigerada e cada vez mais problemática "estrutura" - protegia os treinadores e agora os deixa expostos aos abutres. De como os jogadores tinham uma forte cultura de clube que agora se transformou por uma forte cultura de comissões (vejam as mais recentes renovações do Porto B como melhor exemplo de que o circo nunca saiu desta cidade). De como havia uma comunhão clube/adeptos que eram alimentada de forma reciproca. De como o presidente - o mais astuto e inteligente do futebol europeu - deixou de sair para defender os seus nos momentos dificeis para aparecer só nos momentos de triunfo como um qualquer personagem secundário. De como o plantel era forçado pela "estrutura" a respeitar o treinador a uma cultura de "laissez faire" onde ninguém, no fundo, respeita ninguém. E claro, hoje há mais ofertas do que nunca, especialmente para treinadores como um bom agente, para sujeitar-se a esse cenário deprimente. Portanto não surpreende ninguém que treinadores que ainda não são, essencialmente, ninguém (como Jardim, Nuno ou Marco Silva) tenham dito directamente que não a Pinto da Costa. Ou que treinadores que sabem da poda (como Villas-Boas) não tenham o menor interesse em meter-se num barco a afundar-se. Como os treinadores estrangeiros sabem que no Porto o poder é (ainda) da estrutura e a sua margem de trabalho reduzida e os riscos elevados (Lopetegui aprendeu da pior forma), esqueçam lá os Sampaoli, Bielsa, Laudrup e companhia. No fundo o cenário que se presenta hoje é o mais natural do mundo. Este FC Porto, tal como tem sido gerido e tal como se apresenta o futuro imediato, é incapaz de aspirar a mais que um treinador de terceiro nivel. A mais do que José Peseiro.



O novo treinador do Porto tem um curriculum ridiculo. Foi capaz de perder no espaço de poucos dias dois titulos - um campeonato que estava no bolso (acabou atrás de um Porto que teve três treinadores) e uma final europeia disputada em casa. O seu CV está ao nivel de um treinador do Braga (precisamente a sua última passagem pela Europa) e em quinze anos ganhou apenas um título (menor) e deixou mais a sensação de ser um "pé frio", sem poder no balneário (ainda que capaz de colocar as equipas a jogar relativamente bem), do que por ser um treinador de êxito. Não trabalha especialmente bem os jovens, não acumulou experiência em ligas exigentes (e por onde passou não ganhou nada, e isso que andou por África e Ásia onde Jesualdo e Manuel José sim foram campeões) e não soou nunca para o FC Porto entre outras coisas porque houve uma altura em que só soavam treinadores de primeiro nivel ou jovens promessas do futebol português. Peseiro nunca foi nem um nem outro. É um "yes men" e isso seguramente contou muito para a eleição e vivia nas catacumbas do futebol mundial o que equivalía a ser o único que não podia negar-se a dizer que sim a um lugar que mais ninguém queria. Porque esse - mais do que a sua competência como técnico - será o seu problema. Peseiro pode assinar por ano e meio mas todos, mas realmente todos, sabem que ele foi escolhido sendo a rapariga mais feia da turma porque não havia alternativa.
E pior que o saibam os dirigentes, pior até que o saibam os adeptos (e todos sabemos), é que o saibam igualmente os jogadores, homens que raramente se deixam levar por "sobras" e que precisavam, hoje mais do que nunca, de alguém que os motivasse. Porque se a Vitor Pereira - que os conhecia - lhe custou alguns meses a tirar da cabeça dos jogadores a imagem do simpático segundo treinador, qual é a imagem agora que entra no balneário de um tipo que todos sabem que foi a última e desesperada opção de uma direcção sem alternativas e a quem o tempo se lhe escapava pelos dedos?
Em lugar de apontar baterias ao titulo (o que são, realmente, 5 pontos?) e a disputar a Europa League de pé (a Taça de Portugal é uma obrigação absoluta este ano, digam o que disserem, treine quem treine a equipa), a SAD decidiu apostar num Couceiro II, alguém que está agradecido porque se lembraram dele e que sabe que se for despachado em Junho, esta continuará a ser a maior experiência da sua vida. O que significa, essencialmente, que a quem dirige o navio lhe dá exactamente igual o que vai suceder este ano e que a procura continua para outro perfil mas deixando que alguém pague o preço dos meses que aí vêm.

José Peseiro não tem culpa. É o novo treinador do FC Porto e deve ser respeitado e apoiado como tal ainda que não tenha nem méritos nem nível para ocupar o lugar. Tal como Rui Barros nestes dias, é carne para canhão. O problema continua atrás, na eterna indecisão de tomar um rumo desportivo evidente para o clube. Sempre a jogar no risco. Se correr bem e Peseiro logre o título, poderão recuperar o chavão de que "qualquer treinador" é campeão no Porto. Se correr mal a ninguém lhe vai incomodar que Peseiro leve com o peso da culpa e que se prometam alvisseras para o próximo ano debaixo do apanágio de um novo rumo ficticio.



Peseiro é o homem que Pinto da Costa quer levar como o "seu" homem às próximas eleições. No final, o Presidente mais grande da história do futebol português, o galã que saiu com as raparigas mais bonitas e lançou ao estrelato as mais sexys, vai acabar por ir para o seu último baile de finalistas com a rapariga mais feia da turma. Quem o diria!