
Não direi que parece que foi ontem, de facto não parece, pois tenho bem a noção do tempo que passou - e que não volta mais, diriam os nostálgicos! Mas ainda tenho uma ideia razoável dos dois mais memoráveis jogos da selecção portuguesa no seu Mundial de estreia, o de 1966, que os mais velhos ainda recordam com entusiasmo. Foram precisamente os jogos contra a Coreia do Norte, nos quartos-de-final, pela sensacional reviravolta (de 0-3 aos 23 minutos para 5-3), e contra o Brasil, o bi-campeão na altura (3-1), na fase inicial. Ambos os desafios se disputaram em Goodison Park e dos 9 golos que Eusébio marcou na competição (da qual foi o melhor marcador), 6 foram obtidos no conjunto daqueles dois jogos (os feitos do Eusébio em Goodison Park foram celebrados este ano pelo Everton, que homenageou a
Pantera Negra antes do jogo contra o Benfica para a Liga Europa).
É pena que a Coreia do Norte só apareça no Mundial de 44 em 44 anos: é que pode ser que a coincidência de Portugal de novo ter conseguido um resultado histórico e de ir também novamente defrontar o Brasil, dê origem a outra coincidência: nova vitória lusa sobre o "escrete". Eu sei que os brasileiros acham que para todos os outros a bola é quadrada, e por isso Portugal tem aqui nova oportunidade de demonstrar o contrário. Mesmo que os Eusébios de agora se chamem Liedson ou Hugo Almeida. Como diria o antigo seleccionador nacional Fernando Cabrita, numa frase que ele declarou ser apócrifa: "Vamos a eles como Tarzões!"

P.S. Não é só para os portugueses (e para os norte-coreanos, apesar de tudo) que o Mundial de 1966 é uma bela recordação, claro. Os anfitriões dessa prova também a recordam com saudade, aumentada pelas exibições pouco brilhantes da sua equipa na África do Sul, até agora. Deixo aqui também a primeira página de um jornal inglês da época festejando o título mundial, feito que não me parece que possa também beneficiar da coincidência da presença da selecção do país mais secreto do mundo nas duas provas.