Acho que ninguém tem dúvidas. Yacine Brahimi é o melhor jogador da liga portuguesa.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.
O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?
Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?
- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.
- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.
- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.
- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu). Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.
- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.
- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.
- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.
Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.
Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.
Mostrar mensagens com a etiqueta Jardel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jardel. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 17 de abril de 2017
segunda-feira, 6 de março de 2017
7 golos e recordações de Mário Jardel
«O FC Porto não vencia por 7-0 na Liga desde janeiro de 1999, na época que terminou com a conquista do Penta campeonato. Nesse dia, no final de janeiro de 1999, os dragões golearam o Beira Mar no Estádio das Antas. Curiosamente, a figura desse encontro foi Mário Jardel, ele que assistiu à receção ao Nacional nas bancadas do Dragão.»
Uma goleada das antigas e a presença de Mário Jardel no Estádio do Dragão fez-me recordar um outro jogo, um célebre FC Porto x Juventude de Évora, disputado no Estádio das Antas, em dezembro de 1997, para a 5ª eliminatória da Taça de Portugal de 1997/98 (nessa época o FC Porto haveria de fazer a dobradinha).
O FC Porto derrotou a equipa alentejana por 9-1, mas ao intervalo estava a ganhar pela margem mínima (1-0). Assim sendo, para evitar surpresas, o treinador do FC Porto (António Oliveira) foi ao banco de suplentes buscar o Super Mário e este não foi de modas: em apenas 45 minutos marcou 7 golos!
Vale a pena recordar, principalmente um memorável golo de letra.
São muitas as recordações que tenho de Mário Jardel, de golos (muitos golos) e também de alguns episódios que se terão passado fora das quatro linhas.
Um desses episódios foi relatado pelo próprio Mário Jardel, numa entrevista que concedeu à CMTV em janeiro de 2016, na qual o antigo ponta-de-lança de FC Porto e Sporting recordou uma proposta desonesta:
“Fizeram-me uma proposta… Não vou dizer nomes, mas posso dizer que foi para um Benfica-FC Porto. Deram-me dinheiro para não jogar, mas os nomes revelo depois, quando publicar o livro. Mas já deixo uma pista... ”
Já passou mais de um ano desde que Mário Jardel fez estas declarações “bombásticas”, as quais relatam uma situação grave que, a ser verdade, ocorreu entre 1996 e 2000 (período em que Mário Jardel esteve ao serviço do FC Porto).
Naturalmente, nenhum jornal ou TV “generalista” (RTP, SIC, TVI, CMTV, SportTV, BolaTV) teve qualquer interesse em explorar a pista deixada por Mário Jardel. Ainda se fosse para investigar acusações ao FC Porto, como as que foram feitas pelo confesso dependente de drogas Walter Casagrande…
![]() |
| Mário Jardel no último FC Porto x Nacional |
Resta-nos o Porto Canal, o qual poderia (deveria) aproveitar este regresso de Mário Jardel ao Porto, para o entrevistar, “puxar o fio à meada” e fazer-lhe as perguntas que, há um ano atrás, a CMTV entendeu não fazer...
domingo, 9 de novembro de 2014
Ele (Bruno Paixão) continua por aí…
Quem viu, nunca irá esquecer este jogo.
Resumo do Campomaiorense x FC Porto, 22ª jornada da época 1999/2000, disponibilizado pelo Paulo Bizarro (Os Filhos do Dragão).
![]() |
| Entrada em campo e dois penalties por assinalar... |
![]() |
| Mais dois penalties por assinalar (e respectivos cartões por mostrar)... |
![]() |
| Estalada de José Soares (faltou a expulsão e o respectivo penalty) e golo anulado a Jardel |
![]() |
| José Soares em acção |
Foi, ainda, anulado um golo limpíssimo a Mário Jardel e, entre faltas grosseiras e agressões, José Soares (um defesa-central brutal, formado no SL Benfica e que estava emprestado ao Campomaiorense) deveria ter visto 2 cartões vermelhos e uns 10 cartões amarelos.
Aliás, uma das coisas mais irónicas deste Campomaiorense x FC Porto, foi o facto do primeiro cartão amarelo do jogo ter sido mostrado a Mário Jardel, logo ao minuto 13, enquanto que o "carniceiro" José Soares apenas viu um cartão amarelo ao minuto... 90!
Para quem não sabe, ou já se esqueceu, foi muito à custa desta arbitragem e de outras protagonizadas por Bruno Paixão na mesma época, que os calimeros foram campeões nacionais na época 1999/2000, pondo fim a um longo jejum de 18 anos.
Desde o dia 19 de Fevereiro de 2000 até hoje, já passaram mais de 14 anos, mas ele (Bruno Paixão) e outros parecidos com ele (Duarte Gomes, Bruno Esteves, João Capela, Manuel Mota, etc.) continuam por aí...
Após o SLB ter sido derrotado em Braga (apesar dos dois penalties que ficaram por assinalar a favor da equipa treinada por Sérgio Conceição e de, mais uma vez, a equipa adversária dos encarnados ter terminado o jogo com menos um jogador), acendeu-se uma luz vermelha e o Conselho de Arbitragem "entrou em campo".
Assim, para o SL Benfica x Rio Ave nomeou o senhor Manuel Mota e, para o Nacional x SL Benfica de hoje à tarde, nomeou o… senhor Bruno Paixão!
Se for preciso "inclinar o campo", a coisa está garantida...
No pós-Apito Dourado, é assim que o Sistema, o verdadeiro Sistema, o Sistema de sempre, actua.
P.S. (actualização) As incidências do Nacional x SL Benfica, particularmente o 2º golo dos encarnados e o golo limpo anulado ao Nacional, provam que a nomeação deste trio de arbitragem, liderado por Bruno Paixão, foi uma decisão "acertadíssima"...
Etiquetas:
Bruno Paixão,
Campo Maior,
Conselho Arbitragem,
Jardel,
José Soares,
Sistema,
Vítor Pereira (arbitragem)
sábado, 28 de julho de 2012
O campeão dos 17 penalties
«Um treinador (Laszlo Bölöni), uma figura (João Vieira Pinto) e um goleador (Mário Jardel) transformam o Sporting e proporcionam o 18.º e último título de campeão nacional para o grémio de Alvalade. (...)
O arranque é animador. A 12 de Agosto de 2001, o FC Porto perde 1-0 em Alvalade, num clássico cheio de incidentes. Sá Pinto lesiona-se aos 22 minutos e Costinha é expulso aos 37’ com duplo amarelo antes do golo de Niculae (69’). (...)
No Restelo, Marco Aurélio defende um penálti de Niculae aos três minutos, num lance bastante contestado pelo técnico dos azuis Marinho Peres, que é expulso por Martins dos Santos. (...)
A pausa de 15 dias para a dupla jornada da selecção portuguesa na qualificação para o Mundial-2002 (Andorra 7-1 e Chipre 3-1) é benéfica para o Sporting, que contrata Jardel ao Galatasaray. Na estreia do brasileiro, um golo de penálti em Leiria, à União de Mourinho (1-1). (...)
No final da primeira volta, 2-2 na Luz, quando Jardel mergulha para o penálti e engana Duarte Gomes (...)»
Rui Miguel Tovar
in jornal i, 28/04/2012
No campeonato da época 2001/02, foram assinalados 17 penalties a favor do SCP. Um recorde no futebol português.
Nessa época, os árbitros não eram todos incompetentes, nem estavam comprados (a "geração corrupta do Apito Dourado" apenas haveria de surgir, presume-se que de forma espontânea, nas duas épocas seguintes...) e até o Martins dos Santos ajudou à festa, assinalando dois penalties a favor do SCP em pleno Estádio das Antas!
Belenenses x SCP (3-0)
3': (0-0)*, Marco Aurélio defendeu o remate de Niculae
U. Leiria x SCP (1-1)
46': (0-0), Jardel
SCP x Gil Vicente (3-1)
50': (1-0), Jardel
Farense x SCP (1-3)
5': (0-0), Jardel
Salgueiros x SCP (1-5)
79': (1-3), Jardel
SCP x Boavista (2-0)
64': (1-0), Jardel
Marítimo x SCP (2-0)
60': (0-0), Jardel
slb x SCP (2-2)
85': (0-2), Jardel
FC Porto x SCP (2-2)
10': (1-0), Baía defendeu penalty de Jardel
35': (1-1), Jardel
Alverca x SCP (1-3)
80': (1-2), Jardel
SCP x U. Leiria (4-1)
44': (2-0), Jardel
SCP x SC Braga (2-2)
5': (0-0), Jardel
Santa Clara x SCP (0-3)
72': (0-0), Jardel
SCP x Marítimo (4-0)
89': (3-0), Jardel
Varzim x SCP (1-3)
65': (0-2), Jardel
SCP x slb (1-1)
89': (0-1), Jardel
(*) resultado na altura da marcação do penalty
Apesar do papel determinante que teve na caminhada leonina para o título, bem como, na conquista da 2ª bota de ouro por parte de Mário Jardel, esta “enxurrada” de penalties não entrou para a história do futebol português e muito menos faz parte da “apurada memória” de sportinguistas como o Zé Diogo Quintela. É normal, afinal tudo está bem quando acaba bem...
segunda-feira, 18 de junho de 2012
12 anos após Campo Maior
«O lisboeta Pedro Proença repete pelo segundo ano consecutivo o 1.º lugar entre os árbitros da 1.ª categoria, na classificação referente à época 2011/12 que o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol irá revelar esta segunda-feira. (...)
Record também sabe que na classificação da época 2011/12, que será tornada publica pelo CA presidido por Vítor Pereira, o setubalense Bruno Paixão surge num dos lugares de despromoção à 2.ª categoria, facto que o fará perder as insígnias de árbitro internacional para a próxima temporada.»
in record.pt, 18 junho de 2012 | 08:57
Bruno Paixão (também conhecido como o Calabote dos tempos modernos) entrou para a história do futebol português na época 1999/2000 e daí para cá tem sido um festival, com o FC Porto a ser o seu “cliente” mais frequente.
Embora o campeonato da época 1999/2000 já não nos possa ser devolvido, será que 12 anos após o escândalo de Campo Maior, vai finalmente ser feita justiça? Ainda me custa a crer.
Act. Afinal, não se confirma a notícia que o Record online deu hoje de manhã (e que reproduzi em cima). Bruno Paixão não foi um dos três árbitros despromovidos à segunda categoria. Ficou em 14º, sensivelmente a meio da tabela. Bem me parecia ser inverosímil, que um árbitro com tão relevantes serviços ao clube do regime..., perdão, à causa da arbitragem, fosse despromovido.
Act. Afinal, não se confirma a notícia que o Record online deu hoje de manhã (e que reproduzi em cima). Bruno Paixão não foi um dos três árbitros despromovidos à segunda categoria. Ficou em 14º, sensivelmente a meio da tabela. Bem me parecia ser inverosímil, que um árbitro com tão relevantes serviços ao clube do regime..., perdão, à causa da arbitragem, fosse despromovido.
domingo, 29 de abril de 2012
Golos sem goleadores
Com os dois golos marcados no Funchal, Hulk passou a liderar a lista dos melhores marcadores do FC Porto nesta temporada com 14. Leva nesta contagem pessoal mais dois do que James Rodriguez (muito menos utilizado que o brasileiro) e seis dos tentos foram apontados da marca de grande penalidade. É fácil adivinhar que o brasileiro não vai reeditar o triunfo da época passada no troféu de Bota de Prata face à distância de cinco golos que leva de Lima do Sporting de Braga.
Historicamente o FC Porto tem um bom lote de jogadores que se sagraram melhores marcadores do campeonato nacional. Ou que pelo menos andaram lá perto. Este ano, no entanto, a equipa de Vítor Pereira nunca encontrou um homem golo. A falta do ponta-de-lança que todos pedimos faz-se notar neste registo particular e leva-nos a outros anos onde o ataque azul e branco estava entregue a jogadores competentes mas que estavam longe de ser verdadeiros matadores.
Desde 1991 quando Domingos bateu Rui Águas na corrida ao prémio do melhor marcador o FC Porto teve ao seu serviço 10 Botas de Prata. E venceu 14 títulos de Liga. Só por duas vezes vencemos o troféu sem sagrar-nos campeões nacionais. Com Mário Jardel em 1999/2000, o ano de Campomaior, do atraso de Secretário e do "Bitri" que nunca o foi. E com Pena no ano seguinte, no último ano de Fernando Santos ao leme da equipa. No entanto este será o sétimo ano em que - a confirmar-se o titulo nacional que está tão perto - poderemos celebrar o titulo de liga sem ter o melhor marcado do nosso lado. Habitualmente diz-se que para ser-se grande campeão é preciso ter uma grande defesa e um ataque tremendamente eficaz. No caso dos dragões não exige ter um individuo capaz de marcar mais golos que ninguém senão um leque de jogadores com poder de finalização.
Naturalmente, ter um ponta-de-lança de garantias permite ambicionar sempre a algo mais. Domingos Paciência, Mário Jardel, Benny McCarthy, Lisandro Lopez e Radamel Falcao foram Botas de Prata e fizeram parte das mais espectaculares e eficazes equipas que tivemos nestes últimos 20 anos de liga. Ao arrancar para esta temporada com Kleber e Walter (que juntos somam nesta liga oito tentos) e depois com o remendo que foi Marc Janko (autor de quatro golos) está claro que os dirigentes do FC Porto pensavam que o titulo de liga que os homens de Vitor Pereira estão perto de ganhar só poderia ser conseguido com uma óptima defesa e um grupo coral de goleadores.
A linha ofensiva da equipa de Vitor Pereira - que muitas vezes preferiu lançar James Rodriguez nas segundas partes, apesar do seu óptimo ratio goleador - assentou em Hulk, Kleber e Varela durante grande parte do ano, com Moutinho e Belluschi/Guarin na primeira parte da época no apoio (a partir de Janeiro passou a ser Moutinho/Lucho e Janko no lugar de Kleber). Entre todos estes jogadores podemos somar 45 golos. Dos 62 já logrados pela equipa (o melhor ataque da prova) há que acrescentar os golos dos pouco utilizados Walter (2), Cristian Rodriguez, Defour, Alex Sandro (1 cada) e dos defesas Rolando (1), Maicon (3), Sapunaru (2), Otamendi (2) e Álvaro Pereira (1). Um cenário que se assemelha bastante a 2002/03, o ano do primeiro titulo de José Mourinho em que o melhor marcador do FC Porto foi Hélder Postiga (com 13 golos, menos cinco que o melhor marcador da prova) mas em que a equipa, no seu colectivo, chegou aos 73 (menos um que o Benfica, equipa mais concretizadora do ano).
No final, tendo em conta o panorama geral (melhor ataque da prova, titulo nacional quase no bolso, dois jogadores no top 5 dos melhores da liga) é licito repensar o debate do ponta-de-lança como elemento critico fundamental à época do FC Porto. É normal que um clube habituado a contar com jogadores de primeiríssimo nível sinta a falta de uma referência de área. Por cada Jardel houve um Farias, por Falcao haverá sempre um Adriano. E no entanto não foi por ter Adriano e Farias sido os melhores marcadores do Porto em dois anos seguidos que a equipa não venceu o titulo nacional.
Claro que os palcos europeus exigem muito mais e as defesas da Champions (seja o APOEL ou o Manchester) não são as do Rio Ave, Feirense ou Académica, e aí sim nota-se em excesso nas prestações do clube quando não há um homem golo como foi Jardel, Derlei, McCarthy, Lisandro ou Falcao. Mas essa foi a ambição da SAD este ano porque melhor que nós, eles conhecem bem as estatísticas e os registos do clube nas provas europeias quando aposta num ataque de low profile. A nível interno, este ataque tão criticado durante o ano tem chegado para as encomendas e pode terminar o ano, uma vez mais, como o mais concretizador. Hulk não levará outra bota prateada para casa mas provavelmente poderá vestir a sua terceira faixa de campeão nacional. Como adepto e portista prefiro muito mais ver um jogador do nível de Falcao a rematar o jogo da equipa mas também é verdade que entre os pecados de Vítor Pereira não pode estar uma decisão da SAD, decisão que este soube contornar com um ataque concretizador e, eventualmente, campeão!
segunda-feira, 19 de março de 2012
O (real) valor de Hulk
O que estabelece a verdadeira grandeza num terreno de futebol? Habitualmente o adepto costuma olhar para as grandes noites como medidores de qualidade. Os momentos que ficam na retina. Os observadores gostam de ir mais longe e definem cada momento, mas sempre tendo em conta elementos circunstanciais chave. Os rivais, o entorno e o nível de exigência.
Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.
Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.
Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.
Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.
Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.
Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.
Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.
Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.
Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.
Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.
Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.
Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.
Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.
Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.
Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.
Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.
Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.
Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.
sábado, 30 de abril de 2011
Goleadores azuis-e-brancos na UEFA
Com o “poker” alcançado frente ao Villarreal (o primeiro da sua carreira), Radamel Falcao atingiu os 20 golos nas competições europeias – 4 na Liga dos Campeões da época passada e 16 na Liga Europa desta época (contabilizando o golo marcado ao Genk no play-off) –, e ultrapassou uma dupla de goleadores míticos, Fernando Gomes e Mário Jardel (ambos com 19 golos), tornando-se o melhor marcador de sempre do FC Porto nas provas da UEFA.
Quem diria, em Julho de 2009, que um colombiano vindo da Argentina para substituir Lisandro Lopez iria, em tão pouco tempo, revelar-se um ponta-de-lança deste calibre?
Talvez o Hugo Mocc que, em Maio de 2010, classificou Falcao como o segundo melhor avançado centro da era Pinto da Costa (1982 - 201...).
Se para o ano continuar a vestir a camisola azul-e-branca (algo quase impossível, mas vamos ter esperança), é bem provável que El Tigre coloque a fasquia em números impensáveis.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Vinha mais um?
Agora que o Otamendi é uma realidade, acho que a questão é se vem ou não um terceiro ponta de lança, seja o Kléber ou outro.
Nunca vi este tal de Kléber jogar, não sei se é brinca na areia, se é um finalizador, se é um trabalhador, ... mas olhando para o plantel acho que essencialmente falta um jogador que domine o jogo aéreo, nomeadamente nas horas de aperto.
Na defesa, os laterais com excepção do Sapunaru não se metem muito nisso, e nos centrais com a vinda do Otamendi, previsivelmente só jogará um central alto, mas até agora nem Rolando nem Maicon se mostraram propriamente dominadores na área contrária.
No meio campo, com excepção do Souza, é tudo meia-lecas.
No ataque, o Falcao embora não seja propriamente uma estaca é um bom cabeceador, o C. Rodriguez também ganha umas bolas de cabeça nomeadamente em cantos, mas o Hulk nesse aspecto é uma lástima e o Varela também não é muito melhor. E o Walter com uma alcunha de bigorna não deve ter na impulsão a sua melhor qualidade.

Uma das poucas coisas que concordava com JF era a sua visão de querer jogadores altos - as características que diferenciariam um Bollati, Kazmierczak, ... daí acreditar que as características físicas do Souza mais cedo ou mais tarde vão ajudá-lo a impor-se como titular. E nessa altura, se calhar, poderá fazer o papel que Costinha fazia nas equipas de Mourinho - aquele 2º poste tinha sempre dono.
Ou seja, temos 3/4 cabeceadores que podem estar acima da média, mas não temos um Jardel, um Costinha ou um Bruno Alves, jogadores que em momentos diferentes e de forma diferente dominavam a área.
Se o homem que falta tiver essas características, problema resolvido, senão AVB terá de socorre-se da máxima quem não tem cão caça com gato, e nessa altura a questão é: quem vai ser a solução de recurso? Quem vai ser o Vinha do Ivic ou o João Manuel Pinto do Robson?
Nunca vi este tal de Kléber jogar, não sei se é brinca na areia, se é um finalizador, se é um trabalhador, ... mas olhando para o plantel acho que essencialmente falta um jogador que domine o jogo aéreo, nomeadamente nas horas de aperto.
Na defesa, os laterais com excepção do Sapunaru não se metem muito nisso, e nos centrais com a vinda do Otamendi, previsivelmente só jogará um central alto, mas até agora nem Rolando nem Maicon se mostraram propriamente dominadores na área contrária.
No meio campo, com excepção do Souza, é tudo meia-lecas.
No ataque, o Falcao embora não seja propriamente uma estaca é um bom cabeceador, o C. Rodriguez também ganha umas bolas de cabeça nomeadamente em cantos, mas o Hulk nesse aspecto é uma lástima e o Varela também não é muito melhor. E o Walter com uma alcunha de bigorna não deve ter na impulsão a sua melhor qualidade.
Uma das poucas coisas que concordava com JF era a sua visão de querer jogadores altos - as características que diferenciariam um Bollati, Kazmierczak, ... daí acreditar que as características físicas do Souza mais cedo ou mais tarde vão ajudá-lo a impor-se como titular. E nessa altura, se calhar, poderá fazer o papel que Costinha fazia nas equipas de Mourinho - aquele 2º poste tinha sempre dono.
Se o homem que falta tiver essas características, problema resolvido, senão AVB terá de socorre-se da máxima quem não tem cão caça com gato, e nessa altura a questão é: quem vai ser a solução de recurso? Quem vai ser o Vinha do Ivic ou o João Manuel Pinto do Robson?
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Voar como o Jardel sobre os centrais
«Mário Jardel não chegou a tocar na bola na sua estreia oficial pelo Flamengo do Piauí, na madrugada de quarta para quinta-feira, em jogo da Copa Brasil, frente ao Palmeiras, que a sua equipa perdeu por 1-0. O ex-goleador de FC Porto e Sporting foi pedido em coro por parte dos 40 mil adeptos que lotaram o estádio, mas só entrou em campo quando se jogava o segundo de três minutos de compensação e não teve tempo para mais do que duas corridas: uma até à sua área e outra em direcção à linha de meio-campo. Mesmo assim estava satisfeito: "Estou feliz com a minha estreia. Foi pena não ter tocado na bola. Mas se o tivesse tinha feito o golo", disse logo após o final da partida, em directo na Sport TV brasileira, um ofegante Jardel, igual ao craque de outrora apenas na confiança. (...)Jardel, claramente acima do peso (não há dados oficiais, mas parecia perto dos 100 quilos), começou por dizer, antes do jogo, que não estava na sua melhor forma, mas que devia dar para jogar um pouco na segunda parte. (...) E, aos 90', quando o quarto árbitro mostrou a placa a anunciar três minutos de desconto, o treinador anunciou aos suplentes que não ia fazer mais substituições. Jardel não concordou e lá conseguiu convencer Maranhão a deixá-lo entrar, o que sucedeu aos 90+2'. Não teve tempo para mais do que uma corrida até à sua área, para ajudar a defender um canto, e outra, mais lenta, em direcção à linha de meio-campo. Quando lá chegou, acabou o jogo. E quem apenas o viu no final, suado e ofegante, não teria dúvidas em achar que tinha acabado de jogar 90 minutos de alta intensidade.»
in O Jogo, 12/02/2010
Eu não me esqueço das quatro épocas em que o Jardel vestiu a camisola do FC Porto, com a qual marcou 130 golos (!) em 125 jogos. Por isso, é com alguma tristeza que vejo aquele que voava sobre os centrais a arrastar-se pelos relvados, aos 36 anos, num modesto clube brasileiro, o 17º emblema da sua carreira.
domingo, 15 de março de 2009
Tenho saudades de uma goleada
Daquelas à moda antiga, assim a coisa de 7, e ainda falhar mais uns 5.
Daquelas em que se humilha mesmo o adversário.
Daquelas em que a gente chega ao fim e até tem pena dos homens e ainda os aplaude.
Daquelas para as quais a palavra massacre foi criada.
Tenho mesmo saudades.
Daquelas em que, durante a semana, a discussão passa a ser a falta de competitividade do futebol português.
Daquelas que materializam o killer-instinct de Sir Bobby Robson, mesmo daquelas de 5-0 contra o Tirsense em que o homem ficava fulo da vida por só terem sido 5.
Como aquela com que o Porto de Ivic abriu a época de 1987/88, 7-1 ao Belenenses, jogo do qual guardo na memória uma frase ao 5º golo: "Eh pá! vou lá fora comprar outro bilhete que um jogo destes merece".
Ou os 0-5 ao Werder Bremen.
Ou os 0-5 no galinheiro.
Ou como o "bater em ceguinhos" com Juv. Évora em que o Jardel marcou 7 em 45 minutos.
Se não me quiserem fazer a vontade, já me contento com uma goleada moderna, que aqui que ninguém nos lê, nos dias de hoje - no Dragão - quer dizer: ganhar o jogo.
É que já demos baldas suficientes.
Daquelas em que se humilha mesmo o adversário.
Daquelas em que a gente chega ao fim e até tem pena dos homens e ainda os aplaude.
Daquelas para as quais a palavra massacre foi criada.
Tenho mesmo saudades.
Daquelas em que, durante a semana, a discussão passa a ser a falta de competitividade do futebol português.
Daquelas que materializam o killer-instinct de Sir Bobby Robson, mesmo daquelas de 5-0 contra o Tirsense em que o homem ficava fulo da vida por só terem sido 5.
Como aquela com que o Porto de Ivic abriu a época de 1987/88, 7-1 ao Belenenses, jogo do qual guardo na memória uma frase ao 5º golo: "Eh pá! vou lá fora comprar outro bilhete que um jogo destes merece".
Ou os 0-5 ao Werder Bremen.
Ou os 0-5 no galinheiro.
Ou como o "bater em ceguinhos" com Juv. Évora em que o Jardel marcou 7 em 45 minutos.
Se não me quiserem fazer a vontade, já me contento com uma goleada moderna, que aqui que ninguém nos lê, nos dias de hoje - no Dragão - quer dizer: ganhar o jogo.
É que já demos baldas suficientes.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Para reflectir
O vídeo fala por si.
Subscrever:
Mensagens (Atom)












