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domingo, 17 de maio de 2009

Dragão 4X4, um verdadeiro "Todo Terreno"


Na véspera do encontro na Trofa, Pinto da Costa na visita à casa do FC Porto na Afurada havia dado o mote; “Acabámos de vencer o tetra, um título que nos enche de alegria, mas que já pertence ao passado. Já foi no domingo. Queremos mais." E foi mesmo assim, compenetrados nesse espírito, com que os homens do Professor Jesualdo encararam a partida seguinte à grande consagração.

Com empenho, ambição, rigor e responsabilidade, os Dragões garantiram um triunfo folgado frente ao aflito Trofense, mesmo alinhando com um 11 algo descaracterizado, principalmente no seu meio campo. Em razão disso, não terá sido estranho um ligeiro ascendente dos comandados de Tulipa na fase inicial da contenda, que só assustou a partir de lances de bola parada. Mas, paulatinamente, os Dragões fizeram vir ao de cima o seu maior virtuosismo e eficácia, chegando à vantagem à passagem da meia hora por intermédio de Farias.


As coisas complicavam-se para os homens da casa, mas ao invés tudo ficava mais claro, mais azul, no fim de tarde cinzento da Trofa para o FC Porto. Especialmente quando Lisandro amplia a vantagem para 0-2, num lance com registo idêntico ao do 1º golo. A partida estava perto do intervalo, mas o seu vencedor já estava pré-anunciado.

Com a extrema necessidade de pontuar, o Trofense tinha de assumir o jogo nos segundos 45 minutos. Mas, o arraial continuou a dançar ao som do tango dos tetracampeões, que não só continuou a controlar as operações, como ainda teve engenho para repetir a dose da 1ª parte, com Farias e Lisandro a bisarem.



Por essa altura (do 4º golo portista), já Hulk havia assinalado o regresso à competição, após afastamento imposto pela “brigada do trauliteiro”, que tanta escola faz cá no burgo. Ventura teve também direito à sua faixa de campeão, e foi buscar uma lá dentro, após um grande pontapé de Hugo Leal.

A margem encurtou, mas resultado ainda patenteava as diferenças entre as 2 equipas. Fica também o belo registo de 11 vitórias consecutivas fora de casa, confirmando um dos melhores campeonatos dos Dragões na condição de visitante. Esta vitória já é passado, venham os próximos!

Fotos: Getty Images (Miguel Riopa)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Azar e anti-jogo não chegam para explicar desaire


Foi um jogo azarado para o FC Porto. Desde cortes do adversário em cima da linha de golo a um quase golo de Rodriguez evitado por Guarín, ontem houve de tudo um pouco no Dragão. Um verdadeiro compêndio de azar ao jogo.

Por outro lado, que me lembre este foi o adversário que mais anti-jogo praticou em jogos no Dragão desde a sua inauguração. Os jogadores morreram, ressuscitaram, voltaram a morrer, voltaram a ressuscitar e acabaram por sobreviver ao jogo, não sei como. Os bombeiros entravam com a maca, saíam, voltavam a entrar, saíam novamente, enfim, foi a imagem de uma batalha campal com o transporte dos adversários constantemente feridos em combate mas uma vez fora das quatro linhas levantavam-se miraculosamente prontos para voltar à batalha, frescos como alfaces. A atitude do adversário foi lamentável e vergonhosa. Foi um adversário indigno. Pergunto-me se valerá a pena ter equipas destas a jogarem na primeira divisão. Há uns anos diminuíram-se os clubes de 18 para 16 para, em parte, resolver problemas deste tipo, equipas que para fazerem pela vida ficavam 90 minutos a fazer anti-jogo e a perder tempo. Parece que não foi suficiente e que é preciso diminuir para 12 ou 14 equipas e disputar o campeonato a 3 ou 4 voltas.

O árbitro, Luís Reforço, mais um “reforço” lisboeta que pertence à A.F. de Setúbal não está isento de responsabilidades no resultado final do jogo. Roubou um penalty claríssimo ao FC Porto por derrube de Valdomiro a Lisandro. Mais um que vem ao Dragão roubar-nos mas que contará certamente com o silêncio da SAD. O costume…
Além deste erro grosseiro o árbitro foi cúmplice com o anti-jogo e perdas de tempo da equipa adversária. Valdomiro, o 4 dos trofenses mandava no jogo. Foi ele que mandou o Hélder Barbosa sair a passo para demorar mais tempo ao ser substituído, era ele que mandava os seus companheiros caírem no chão e lá ficarem até chegarem os bombeiros com a maca, era ele que fazia sinal para entrar a maca, era ele ameaçava os jogadores do FC Porto quando estes começaram a ficar irritados com o teatro trofense, e tudo isto “escapou” ao árbitro que assim deu cobertura ao jogo com mais anti-jogo de todo o campeonato.

Mas tudo isto não chega para explicar o desaire de empatar com esta equipa medíocre em casa, o segundo consecutivo sem marcar um único golo.
Jesualdo tem responsabilidades na forma como montou a equipa e executou as substituições:

1) Benitez não é jogador para o FC Porto, nem sequer para o medíocre adversário que defrontamos hoje. Quantas mais oportunidades terá Jesualdo de lhe dar para entender que ele não é jogador com qualidade para jogar no FC Porto? A respeito deste assunto a SAD e o próprio Jesualdo (porque garantiu que o conhecia e que tinha avalizado a contratação) ainda vão ter de explicar muito bem aos sócios o negócio Benitez.

2) Tirar Benitez está muito bem mas deslocar o Fucile para a esquerda e meter na equipa o Mariano a defesa direito? Não acrescentou nada, as trocas de bola entre Lucho e Mariano na direita nunca funcionaram e descompensou a equipa nos contra-ataques adversários.

3) Em vez de sair o Lucho, tirou o Fernando fazendo entrar o Guarín (que esteve desastrado) e pôs o Meireles a pivot defensivo. Uma confusão total.

4) Depois e próximo do fim do jogo lá fez entrar o mortífero goleador das competições de segunda, Ernesto Farías. Este foi mais um negócio que nunca foi explicado convenientemente, mas adiante. O argentino pouco faz nestas ocasiões e ontem não foi excepção. Uma nulidade.

5) O Lucho, por mais desinspirado e em baixo de forma que esteja nunca é substituído? Afinal há jogadores com tratamento diferenciado? Ontem foi mais um jogo para esquecer do Lucho, mas lá tivemos de o gramar em campo os 90 minutos. Quem saiu prejudicada foi a equipa. JF ainda nos explicará melhor essas “novas funções” que diz ter-lhe atribuído mas que pelos vistos o apagam por completo em todos os jogos.


Ainda ouvi JF na conferência de imprensa a dizer que isto servirá como lição. Será? Quantas mais lições precisará de levar o Professor? A do jogo com o Marítimo não foi suficiente? Nos três últimos jogos o FC Porto não consegue marcar primeiro por iniciativa própria, concretizando as oportunidades que cria. Há imenso desperdício e pouca objectividade na abordagem aos lances de ataque e depois o golo não surge naturalmente. Quando é que isto será corrigido?

Os campeonatos perdem-se em casa. O de 2004/2005 já foi revisitado vezes demais para o meu gosto esta época. Sem regularidade no campeonato não vamos lá.

Fotos: Record