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sábado, 25 de abril de 2015

Um jogo de Champions

Bilhetes para os adeptos da equipa visitante
Na passada terça-feira, o FC Porto anunciou que os bilhetes para o SL Benfica x FC Porto (Liga NOS, 30ª Jornada), seriam colocados à venda no dia seguinte (dia 22 de Abril), na bilheteira nascente do Estádio do Dragão, em exclusivo para detentores de Lugar anual, mediante a apresentação do respectivo cartão de sócio.
Os ingressos, ao "módico" valor de 25 euros cada, esgotaram em poucas horas.


Lotação esgotada
Na passada quarta-feira, foram colocados à venda, na bilheteira do Estádio da Luz, os últimos 500 ingressos disponíveis.
Pouco tempo depois, o SL Benfica anunciou que já não havia bilhetes para o clássico do próximo domingo.


Receitas directas e indirectas
De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), o SL Benfica x FC Porto vai gerar um volume de receitas de 23 milhões de euros.
Dos valores apurados, “três milhões resultam de receitas diretas, como bilheteira, transmissão televisiva, negócios de segurança, vigilância, hospitalidade, ações promocionais e restauração no estádio”, explicou Daniel Sá, diretor do IPAM Porto.
No que se refere às receitas indiretas, nas quais são contabilizados aspectos como deslocações ao estádio, consumos em casa e na restauração, apostas e publicidade, o estudo prevê que sejam geradas receitas de “20 milhões de euros, que representam 87% do impacto global”.
O estudo de impacto económico feito pelo IPAM, refere que as receitas indiretas “ultrapassam em muito o que é habitual no futebol português”.


Transmissão televisiva e subscritores
De acordo com uma notícia do Record, «o encontro entre o Benfica e o FC Porto, no domingo, às 17 horas, vai poder ser visto em 135 países, através da transmissão do clássico».
Mais. Ao que Record apurou junto do SL Benfica, «o número de assinaturas tem subido nos últimos dias, uma situação considerada normal pelos encarnados e que já havia acontecido na temporada passada, antes de encontros importantes».


O jogo é para o “pobre” campeonato português que, como todos sabemos, tem imensos jogos “interessantíssimos”... com menos de 1000 espectadores!

Mas estes clássicos, entre os “grandes” de Portugal e, particularmente, entre os maiores clubes do Porto e de Lisboa, são jogos com uma atractividade especial e que despertam um interesse muitíssimo acima do normal.


E isso reflecte-se em tudo.
- Na lotação dos estádios esgotada (sem ser necessário fazer campanhas de promoção ou mesmo oferecer bilhetes);
- Num maior incentivo à compra de lugares anuais por parte dos associados;
- Em valores recorde da receita de bilheteira;
- Em publicidade e patrocínios específicos que os clubes angariam para estes jogos;
- No aumento do número de subscritores do canal que transmite o jogo (as subscrições são válidas por um mês);
- No número de países para onde o jogo é transmitido (em directo ou diferido);
- No aumento significativo da audiência televisiva (em Portugal e no estrangeiro);
- No número de jornalistas (incluindo alguns estrangeiros) creditados para cobrir o jogo;
- Etc.

Não sendo um jogo dos quartos-de-final da UEFA Champions League é o jogo entre dois clubes portugueses que, em termos de visibilidade (cobertura mediática) e receitas, mais se aproxima de um jogo da Champions.

No interesse dos adeptos e dos clubes, precisávamos de mais jogos destes, ou parecidos com estes, entre equipas portuguesas.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A grandeza e globalização da Champions

Há uns dias atrás, num artigo sobre o prestígio, fama e os muitos milhões proporcionados pela Liga dos Campeões, escrevi o seguinte:
A Liga dos Campeões não se resume, “apenas”, aos milhões que distribui pelos clubes participantes. A UEFA Champions League é muito mais do que isso.

O JOGO, 15-04-2015
E, de facto, basta olhar para alguns dos números do último FC Porto x Bayern, para perceber o impacto e a notoriedade mundial que daí decorre.


300 jornalistas – No Estádio do Dragão, estiveram presentes mais de 300 jornalistas de quase 20 países, entre os quais Itália, Japão, Suécia, França, Espanha, Inglaterra, Irlanda, EUA, Suíça, Áustria, México, Holanda, África do Sul e Alemanha.

Audiência e share – O FC Porto x Bayern foi transmitido para dezenas de países (List of UEFA Champions League broadcasters). A transmissão da TVI, para Portugal, registou 49,3% de share e 2,35 milhões de pessoas de audiência média, sendo o jogo da Liga dos Campeões 2014/2015 mais visto, entre todos os que já foram transmitidos pela TVI neste ano.

“Tubarões” europeus – Para além de portugueses e alemães, estiveram creditados, para assistir ao FC Porto x Bayern, “olheiros” de clubes de todos os principais países/mercados futebolísticos, nomeadamente: Chelsea, Everton, Manchester City, Manchester United, Tottenham, Atlético Madrid, Real Madrid, PSG, Juventus e Nápoles.

50.092 espectadores – Lotação esgotada e melhor assistência da época no Estádio do Dragão. Os mais de 50 mil bilhetes vendidos para este jogo (tal como nos oitavos-de-final, os detentores de lugares anuais tiveram de comprar um bilhete especifico para este jogo), representaram uma receita bruta superior a 1 milhão de euros, fazendo deste desafio o jogo com maior receita de bilheteira entre todos os jogos disputados em Portugal nesta época.

3000 alemães – Mais de três milhares de alemães deslocaram-se ao Porto para assistir à 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Quanto é que isso representou para a economia da cidade do Porto e da região envolvente?




Há um mês atrás, no âmbito de uma reportagem que fez para a beIN SPORTS Mena, Youssef Chippo afirmou que o FC Porto era le club portugais plus connu en Afrique. Eu não tenho qualquer dúvida sobre este facto.
E não é só em África e no Médio Oriente. É em todo o Mundo. Basta pensar em qual é o clube português que, desde o seu início, teve (de longe) mais exposição na UEFA Champions League, a maior “montra” do futebol mundial.


P.S. Ontem à noite, ao fazer um zapping, passei por um programa de debate na BOLA TV onde, entre outros, estavam Diamantino (ex-jogador do SLB) e Henrique Calisto (ex-treinador). Enquanto Henrique Calisto deu conta do enorme interesse que a Liga dos Campeões tem no extremo Oriente (foi treinador vários anos no Vietname), Diamantino afirmou e repetiu que, em termos de notoriedade internacional, a vitória do FC Porto sobre o Bayern tinha muito mais impacto do que uma eventual vitória do seu Benfica no campeonato nacional (haviam de ver a cara do José Manuel Delgado quando o Diamantino disse isto…).

terça-feira, 29 de março de 2011

Hóquei de regresso à TV


Já por várias vezes falei no desinteresse que, de há uns anos para cá, as televisões lisboetas demonstram pela modalidade colectiva que mais títulos internacionais conquistou para Portugal, com particular destaque para a Sport Tv.

Hoje, a Direcção da Federação de Patinagem de Portugal (FPP) anunciou que estabeleceu um protocolo, o qual permitirá a transmissão televisiva de 34 jogos do Campeonato Nacional da I Divisão de Hóquei em Patins de 2011/12.

A FPP não indicou qual vai ser o canal que irá transmitir os jogos mas, segundo o site MundoOk, que revela uma informação prestada pelo Vice-Presidente da FPP, o contrato foi feito com o Porto Canal, que transmitiu recentemente o FC Porto x slb.

Contra a vontade de alguns, parece que o campeonato de Hóquei em Patins vai deixar de ser uma competição quase clandestina.

sábado, 5 de março de 2011

(FC) Porto Canal?


…um canal generalista inspirado pelo dragão foi a decisão tomada pelo FC Porto para o alargamento da sua plataforma comunicacional, num gesto que Pinto da Costa considera ainda um contributo para "reanimar este Norte, que está moribundo por vontade dos sulistas" (ler declarações à parte). O contrato foi assinado na última quarta-feira, entre os dragões e a proprietária espanhola MEDIApro, prevendo a possibilidade de envolvimento na gestão do Porto Canal ou mesmo, numa etapa futura, a participação no capital da estação televisiva. Pelo menos até essa altura, o negócio não implicará um grande esforço financeiro para os portistas.



Não se trata ainda de um contrato, como o Ojogo refere, mas de um "memorando de entendimento" entre a FC Porto SAD e o Porto Canal. Há a vontade expressa das partes de verter a parceria numa relação contratual. Sabendo-se de antemão que os direitos televisivos dos jogos do FC Porto foram adquiridos pela Olivedesportos para mais uns anos, questiono-me sobre que tipo de informação e de conteúdos poderá o FC Porto promover num canal televisivo. De qualquer forma será um passo em frente no sentido de alavancar receitas e visibilidade. Estamos a torcer pelo sucesso deste projecto.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A antecâmara da Dragões TV?


«O Futebol Clube do Porto comunica que celebrou um memorando de entendimento com os proprietários do Porto Canal que tem como objectivo reforçar a expressão pública e o relacionamento da nossa Instituição, assim como promover a Marca e os produtos e serviços associados.
O acordo é o primeiro passo de um plano que permitirá o reforço dos canais de Comunicação e Marketing do FC Porto, nomeadamente a nível da Televisão, Novos Media, e ferramentas sociais.
Oportunamente, aquando da fase de concretização das intenções acordadas, serão dadas mais informações acerca deste assunto.»
in comunicado do FC Porto, 4 de Março de 2011


«(…) o Porto Canal assegurará o incremento dos meios de Comunicação ao dispôr de uma das Instituições mais importantes do nosso País.»
in comunicado do Porto Canal, 4 de Março de 2011


Vejo com bons olhos esta parceria entre o FC Porto e uma empresa que, indirectamente, é participada do grupo espanhol Mediapro. Logo à partida, isso abre outras perspectivas na negociação dos direitos televisivos.

Será este o primeiro passo para uma Dragões TV?
Espero bem que sim, e que a mesma obedeça a um profissionalismo e postura completamente diferente da TV dos encarnados.
De resto, penso que o anúncio de hoje não é indissociável desta contratação.

Os efeitos práticos desta parceria já se fazem notar. No imediato, vamos romper com o desinteresse da SportTv e voltar a ter jogos do campeonato nacional de hóquei em patins na televisão, com a transmissão, em directo, do FC Porto x slb da 21ª jornada (Sábado, 17:45). É um bom começo.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Sport TV não gosta de hóquei?

Extractos de uma entrevista de Bessa Tavares, administrador da Sport TV, publicada no JN de 15 de Setembro de 2008.

[JN]: Como será o futuro na programação [da Sport TV]?

[Bessa Tavares]: Garantir os maiores eventos da maior parte dos desportos, sobretudo os que têm mais adeptos, mas também abranger nichos de mercado e satisfazer os gostos de minorias, como é notório na Sport TV 3.

[JN]: É a TV mais bem colocada para saber que modalidades os portugueses preferem. Quais são?

[BT]: Temos a preocupação de saber as preferências dos nossos subscritores e, como já temos 600 mil - entre lares, cafés, bares, restaurantes, etc., o que significa que chegamos a milhões de pessoas -, é claro que o futebol está em primeiro lugar, com 92% das preferências, sem grande concorrência.

[JN]: E depois do futebol?

[BT]: Segue-se o basquetebol, os desportos motorizados também estão muito bem qualificados e, depois, com uma repartição equitativa, o futsal, o andebol, o voleibol, o ténis e o atletismo. O ciclismo, como é sazonal, perde por isso.

[JN]: E o hóquei em patins?

[BT]: Tem perdido expressão e é um jogo que, em termos televisivos, teria muito a evoluir, mas estagnou e é difícil ao espectador acompanhar uma pequena bola escura, sobre um pavimento escuro, pelo que mesmo no recinto só se percebe que foi golo quando é levantada a bandeirinha.

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Lendo esta entrevista do braço-direito de Joaquim Oliveira na Sport TV, somos levados a pensar que os portugueses, amantes de desporto, não gostam de hóquei em patins e que as audiências das respectivas transmissões são muito piores que em modalidades como o basquetebol, andebol ou voleibol. Ora, isto são duas rotundas mentiras.

Desde os anos 40, pelo menos, que o hóquei em patins tem uma enorme tradição em Portugal e, fruto dos muitos sucessos da Selecção, sempre foi uma das modalidades mais acarinhadas pelos adeptos, inclusive os emigrantes. Das outras tradicionais modalidades de pavilhão, há mais alguma que encha pavilhões como no hóquei?


Quanto às audiências, nada melhor do que recorrer aos números das transmissões televisivas. Para evitar manipulações ou distorções e de modo a que os números sejam comparáveis, seleccionei um conjunto de jogos de três modalidades – Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins – correspondentes a finais, todos transmitidos à tarde, pelo mesmo canal (RTP2) e envolvendo um clube comum – o FC Porto.

18/05/2008, Andebol, ABC - FC Porto (final da Taça de Portugal)
Início da transmissão: 15h00
Fim da transmissão: 16h30
Audiência média: 1,1%
Audiência média (indivíduos): 100.900
Share de audiência média: 4,9%

24/05/2008, Basquetebol, Ovarense - FC Porto (final do Play-off, último jogo)
Início da transmissão: 17h00
Fim da transmissão: 18h45
Audiência média: 1,4%
Audiência média (indivíduos): 130.100
Share de audiência média: 7,5%

01/06/2008, Hóquei em Patins, FC Porto - Benfica (final do Play-off, 1º jogo)
Início da transmissão: 17h00
Fim da transmissão: 18h40
Audiência média: 1,5%
Audiência média (indivíduos): 145.600
Share de audiência média: 7,8%

29/06/2008, Hóquei em Patins, HC Braga-FC Porto (final da Taça de Portugal)
Início da transmissão: 17h00
Fim da transmissão: 18h45
Audiência média: 1,8%
Audiência média (indivíduos): 166.800
Share de audiência média: 10,9%

Conforme se pode constatar, todos estes jogos foram disputados entre Maio e Junho de 2008, uns meses antes da entrevista de Bessa Tavares ao JN, e os números são claros: não é verdade que os jogos de hóquei em patins tenham menos audiência que, por exemplo, os de andebol ou basquetebol (já nem falo no voleibol).

Sendo estes os factos, porquê então o desinteresse do único canal de desporto português relativamente ao hóquei em patins?


aqui escrevi sobre este assunto e, tendo entretanto obtido os dados de diversas transmissões televisivas, reforço a convicção que manifestei na altura: o problema não são as audiências, mas sim o facto do FC Porto dominar a modalidade há quase uma década. Isso sim, é determinante para não haver interesse das televisões e, particularmente da Sport Tv (um canal cada vez mais dominado pelos interesses dos benfiquistas).

Querem que os jogos do campeonato de hóquei regressem à televisão?
É fácil, arranjem maneira do slb ser campeão. Vão ver que, milagrosamente, resolve-se num instante o problema da “pequena bola escura, sobre um pavimento escuro”…

Fotos (clique para as ampliar): Século Ilustrado, Nº 484, 12/04/1947; SuperPorto (www.superporto.com)

Fonte das audiências televisivas: MMW (Markdata Media Workstation) - Telereport - Audipanel

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Futebol na TV é um bom negócio


«Apesar de depender sempre do jogo em si, a razão está no resultado do horário e o futebol melhora a audiência da TVI, em média, cerca de sete pontos percentuais de share se o jogo começar às 21h15. Já se começar às 19h15 ou às 19h45 a melhoria nas audiências chega aos 12 pontos em média, ou seja, quase o dobro. Isto significa, contrariamente ao que eu próprio afirmei aqui, que foi um bom negócio comprar o futebol mas também quer dizer que as audiências da TVI têm sofrido uma quebra de Abril para a frente.»
Francisco Penim (ex-director de programas da SIC)
in Correio da Manhã


Os direitos televisivos são um bom negócio para as televisões (RTP, SIC, TVI, SportTv), são um excelente negócio para a Olivedesportos, mas para os clubes...

Os direitos televisivos cavam a diferença

Num artigo de opinião publicado no DN de 02/11/2010, Santiago Segurola, um dos principais jornalistas desportivos espanhóis, analisou a forma como os direitos televisivos cavam a diferença entre os clubes mais ricos/poderosos e os outros e, desse modo, distorcem as competições.

Vale a pena (re)ler, até porque, embora a escalas diferentes, a realidade portuguesa não é muito diferente da espanhola.

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A Liga espanhola está condenada a repetir-se. Cada temporada será a mesma que a anterior, com uma única diferença; o vencedor. Será o Barça - como nas últimas edições - ou o Real Madrid. É impossível pensarmos numa alternativa.

Os optimistas consideravam que este ano oferecia boas possibilidades ao Valência, Villarreal, Sevilha e Atlético de Madrid. Se não conseguissem ser campeões, pelo menos podiam ameaçar os dois colossos do futebol espanhol. A última jornada funcionou como um banho de realidade: os gigantes voltam a estar sós. Villarreal, Atlético de Madrid, e Valência empataram e o Sevilha até perdeu, humilhado em Camp Nou. Encaixou cinco golos.

O campeonato está submetido a um processo de destruição. O Real Madrid e o Barcelona recebem mais dinheiro de direitos televisivos que qualquer outro clube no mundo. Cada um cobra 120 milhões de euros pelo seu contrato com a empresa Mediapro. O terceiro clube no ranking é o Valência, com 44 milhões de euros. Segue-se o At. Madrid, com 42 milhões. Equipas como o Sevilha ou o Atlético de Bilbau - dois clubes de tradição em Espanha - recebem sensivelmente 20 milhões. E assim será até 2015. Cada temporada que passa agudiza mais as diferenças, que já são abissais. A competição está destruída, a maioria dos clubes encontra-se na bancarrota e os adeptos cada vez encontram menos motivos para sonharem com as suas equipas. O seu destino está traçado: a mediocridade.

A diferença também é escandalosa no que diz respeito às grandes potências do futebol europeu. A Juventus, o Inter de Milão e o AC Milan recebem, aproximadamente, 88 milhões de euros pelo contrato televisivo em Itália, que factura quase 50% mais que o mercado televisivo espanhol. Na Premier League, o sistema de distribuição concede 66 milhões de euros ao Manchester United. Na época passada, o clube que menos dinheiro recebeu foi o Middlesbrough; 40 milhões de euros, quase o mesmo valor que o Valência e o Atlético de Madrid tiveram direito.

Se, por outro lado, a Premier League e a Bundesliga se preocupam em manter uma fórmula equitativa que protege todos os clubes, a Liga espanhola distingue-se pelos enormes privilégios de dois clubes e a brutal diferença que os separa dos restantes. Resultado? Uma competição ferida de morte. Com o actual sistema, que seguramente se repetirá a partir de 2015 - último ano do actual contrato -, o futebol espanhol está condenado à destruição. A Liga espanhola não é uma competição real. É um lamentável simulacro.

Na época passada, o Barcelona obteve 99 dos 114 pontos que disputou. O Real Madrid conseguiu 96 e fez 102 golos. Perdeu a Liga porque foi derrotado nos dois jogos com o Barcelona. No fim de contas, a Liga resume-se ao duelo - primeiro em Camp Nou e depois no Bernabéu - entre as duas equipas. O restante tem, apenas, um valor ornamental. É comovente o esforço de equipas como o Hércules, recém-promovido à primeira divisão. Frente ao Real Madrid adiantou-se com um golo madrugador de Trezeguet. O sacrifício para manter a vantagem foi algo de dramático. O Real Madrid reagiu e marcou três golos na segunda parte. Ninguém pensou, por um momento que fosse, numa possível surpresa. É uma Liga sem nuances, empobrecida por um capitalismo selvagem que não atende os interesses do futebol em geral, apenas aos interesses muito particulares de dois clubes que não têm a mínima solidariedade.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quanto custa ter um canal de TV?

«A Benfica TV fechou a época 2009/2010 (de 1 de Julho de 2009 a 30 de Junho de 2010) com uma facturação de 4,3 milhões de euros, valor que significa um crescimento de 38%, aproximadamente mais 1,2 milhões do que na temporada anterior.
Nas demonstrações financeiras que a SAD do Benfica enviou à CMVM, o crescimento é explicado, "essencialmente", pelo facto de o exercício de 2009/2010 incluir "12 meses de actividade", situação diferente da época anterior, já que as emissões apenas arrancaram em Dezembro de 2008. O documento revela ainda que neste período o canal de televisão dos encarnados registou um prejuízo de 18411 euros, uma evolução em relação ao resultado negativo de 59832 euros da época anterior. (...)
A melhoria de actividade do canal é também explicada pela internacionalização da Benfica TV, que actualmente já emite nos EUA, em Cabo Verde e no Luxemburgo. E, em breve, garante fonte do Benfica, vai chegar a "Timor e ao continente africano".
A Benfica TV, que a 10 de Dezembro cumpre dois anos de emissões, conta actualmente com uma estrutura de quase 80 pessoas, que garantem mais de 90% dos conteúdos que o canal emite semanalmente e que chegam, actualmente, a cerca de um milhão de lares.»
in Correio da Manhã

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 29 de agosto de 2010

Em directo no site oficial


Na véspera do FC Porto x Genk...
«Os adeptos do FC Porto que não puderem marcar presença no Estádio do Dragão para assistir ao jogo de amanhã com o Genk, poderão acompanhar as incidências da segunda mão dos «play offs» da UEFA Europa League em directo no site oficial. Não perca as emoções online!»
in site oficial, 25/08/2010


No dia seguinte ao jogo...
«Sem transmissão televisiva, os adeptos do FC Porto que não foram ao Dragão tentaram seguir tudo no site oficial do clube, que disponibilizava as imagens. Mas, segundo informações fornecidas pelos portistas, houve uma sobrecarga do sistema por causa dos quase cem mil acessos, facto que dificultou o acompanhamento com a qualidade e velocidade desejadas. Esta época, depois de já o terem experimentado na apresentação oficial da equipa, é a segunda vez que o FC Porto ensaia a transmissão de um jogo na internet, através da página oficial do clube, compensando o facto de não haver o directo televisivo.»
in ojogo.pt, 27/08/2010


Em finais de Julho, aquando da apresentação oficial da equipa, a tentativa de transmissão através do site já não tinha corrido lá muito bem, com a explicação, pouco aceitável, de que "devido a tanto tráfego registaram-se alguns problemas, sobretudo para quem se registou mais tarde".
Um mês depois os problemas técnicos repetiram-se e a desculpa voltou a ser a mesma: o número elevado de acessos. Ora, este tipo de "explicação" deixa-me perplexo. Mas então incentiva-se os sócios e adeptos, que não puderem/quiserem ir ao estádio, a assistir à transmissão no site oficial - Não perca as emoções online! - e depois não se criam as condições para que essa transmissão tenha a fiabilidade e qualidade mínima indispensáveis?

Tudo indica que a culpa desta situação é da Sportinveste Multimédia, entidade que desde 2002 gere o site oficial do FC Porto, mas se assim for compete aos dirigentes do FC Porto exigir-lhes responsabilidades. Aliás, à Sportinveste não deve interessar que estas transmissões online tenham grande sucesso porque, de certa maneira, são (seriam) um canal alternativo à SportTv.
Como há males que vêm por bem, espero que estes problemas, aparentemente "insolúveis", contribuam para acelerar o projecto de um canal FC Porto (a Dragões TV).

Quanto aos jogos da fase de grupos da Liga Europa, a SIC já tinha comprado os direitos televisivos (à UEFA), o que significa que desta vez não se irá repetir o que aconteceu em 2002/03, em que só uma escassa minoria dos adeptos portistas puderam assistir aos jogos da caminhada triunfal do FC Porto até Sevilha.

Nota: Os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 25 de julho de 2010

A Internet, esse estádio "bonito, moderno e arejado"

Por Filipe Sousa

Talvez para retirar fundamento a algumas vozes descontentes com o trabalho desenvolvido até agora pelo André Villas-Boas, a equipa do Porto vai disputar um segundo encontro de apresentação aos adeptos, desta vez já com (muitos) golos e futebol de ataque – uma espécie de “estávamos a reinar, agora é que é”. Pela minha parte, não me sinto em condições ou com vontade de fazer já avaliações ao trabalho desenvolvido, porque os troféus, excluindo porventura a Supertaça, contam-se apenas no final do ano e, para todos os efeitos, a época ainda não começou. De tal forma que a esmagadora maioria dos adeptos, ainda não viu a equipa jogar, seja in loco, ou (surpresa!), nem mesmo ainda via transmissão televisiva. Como os relógios avariados, que pelo menos duas vezes por dia marcam a hora certa, os grandes grupos audiovisuais, que “apostam” sempre na mesma equipa, vão desta vez dar mais atenção à pré-época do campeão nacional – finalmente!

Isto é de facto muito bonito, mas os portistas querem é ver jogar o Porto, seja contra os amadores do Munster, ou contra o Man Utd, estejam em Portugal, no México, ou na Austrália. Os Portistas de cá, têm duas alternativas: ou vão ao estádio – condicionados pelo custo e pela distância – ou subscrevem a SportTv – isto se a SportTv se der ao trabalho de transmitir os jogos do Porto; o que fazem os Portistas lá fora, sinceramente, desconheço. Presumo que alguns terão acesso a canais portugueses com emissão internacional e alguns canais locais que amiúde transmitem jogos da Liga portuguesa, ou das competições europeias. A oferta é manifestamente escassa e, na maioria dos casos, de fraquíssima qualidade, dado que em Portugal só é notícia o Clube do Regime e pouco mais.

Assim, mais e mais, a Internet tem vindo a assumir-se como uma alternativa. Nesse mundo à parte, onde todos os gostos são satisfeitos, também se consegue assistir a jogos do Porto. A questão é que a qualidade de imagem é quase sempre fraca e o streamming (grosso modo, “transmissão”) é sujeita a frequentes falhas.

Se as opções de um treinador, por mais indecifráveis que sejam, têm sempre uma justificação, o não-aproveitamento deste meio de comunicação – seja para transmissão de jogos ou para outros contactos – por parte do Porto (e de outros clubes), é algo que me parece completamente inaceitável. Decerto alguém terá feito uma pergunta semelhante quando surgiu a televisão, e a maioria dos adeptos seguia os jogos através das TSFs. Porque não aproveitar esta nova forma de comunicação? Qual é a dificuldade de transmitir um jogo via Internet? Porque não disponibiliza o próprio Clube a transmissão dos jogos (neste caso amigáveis) da equipa, de forma a que um Portista, esteja na China ou no Alaska, possa assistir? É assim tão difícil encontrar um parceiro/patrocinador que suporte os custos, em troca de publicidade? E cobrar €0,5 ou €1 (ou mais) a cada utilizador pelo acesso pontual ao stream, num regime de verdadeiro pay-per-view? Numa altura em que qualquer “Zé”, disponibiliza na Internet, a partir de casa, a transmissão da SportTv, é aceitável que o Clube não procure “levar o Porto” a todos os Portistas (salvando-nos dos néscios - excepto o Gabriel Alves... - que continuamente relatam os jogos da equipa na televisão) ao mesmo tempo que arrecada algum lucro? Julgo que uma iniciativa destas, só teria benefícios.

Numa futura negociação dos direitos de transmissão, poder-se-ia até assegurar o direito a transmitir também jogos oficiais, aumentando o número de “clientes” interessados. Além disso, os tão criticados “adeptos da pipoca”, podiam juntar o útil ao agradável, e juntar ao “snack” as pantufas e/ou cerveja a sério; os adeptos que vão ao estádio, esses não trocam a experiência por nada, pelo que continuariam a estar presentes. E numa fase inicial, partindo do princípio que os custos são consideráveis, ou que a tecnologia não permite concretizar em absoluto a ideia, poder-se-ia limitar o número de “lugares” disponíveis, tal como acontece num estádio – em todo o caso julgo que o número de interessados, superaria em muito a oferta. Acima de tudo, o clube teria ao seu dispor, sem intermediários, um meio de comunicação “limpo” e próximo, como nenhum outro, dos sócios e adeptos, onde quer que estejam, para além de lançar as bases para um futuro “Canal FCP” – que eu, em boa verdade, muito temo por aquilo que já vi da “Clube do Regime TV”, e pela forma como este meio pode ser usado como ferramenta de lavagem cerebral, desinformação e incitamento ao ódio e à violência.

Haja alguém que faça ver à SAD do Porto, que os adeptos não querem mais que tudo que o jogador A ou B esteja presente na inauguração da Casa do FCP de Florianópolis ou Yerevan, duas ou três apresentações da equipa aos sócios em cada pré-época, ou que o Labaredas achincalhe X ou Y: queremos é (bom) futebol!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.

sábado, 17 de julho de 2010

As televisões dos clubes de Lisboa

Não me surpreendeu minimamente o anúncio feito pelo site oficial do FC Porto, informando que os jogos particulares frente ao Ajax (18 de Julho) e à Sampdoria (25 de Julho) não teriam transmissão televisiva. É mais uma das consequências de vivermos no país mais centralista da Europa e quem manda, neste caso nas televisões, segue a mesma cartilha do poder político e económico.

De facto, visto do Terreiro do Paço, qual o interesse de jogos como um FC Porto x Ajax ou um FC Porto x Sampdoria? Então não é óbvio que o cartaz dos torneios de Guimarães ou do Guadiana é muito mais interessante?

O centralismo televisivo consegue ser ainda pior que o asfixiante centralismo politico e, por isso, é natural que as televisões de Lisboa só estejam dispostas a pagar pelos desafios dos clubes da capital e, particularmente, pelos que envolvem o clube do regime - o SLB. Aos outros, quanto muito, oferecem migalhas pelas transmissões televisivas, mesmo que, neste caso, estejamos a falar do clube português de maior sucesso nos últimos 30 anos.

Mas verdadeiramente escandaloso foi o que se passou na época 2002/03, quando o FC Porto x Lazio, das meias-finais da Taça UEFA, não foi transmitido (em directo) para Portugal.
Recordo esse jogo, disputado em 10/04/2003, como um dos melhores a que assisti até hoje. Debaixo de uma chuva diluviana, a equipa do FC Porto brindou os 50 mil privilegiados que encheram o já demolido Estádio das Antas com uma exibição memorável, em que até o Postiga marcou um golaço. Os outros dois milhões de portistas também puderam vibrar, ouvindo o relato na rádio...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

E ninguém cala?

Nos dias que correm andam por aí muitos fabricantes de TVs, operadores de comunicações e estações de TV a anunciar tudo o que podem sobre 3D e as possibilidades que se abrem com emissões interactivas. Basicamente é bom para o pessoal gastar mais uns cobres numa TV nova e nos pacotes das Zon's, Meo's e companhias.

Ignorando o facto de nos andarem a vender o mesmo há não sei quantos anos, para este mundial o que eu realmente gostava era que se preocupassem com os telespectadores.

E preocuparem-se com os telespectadores neste mundial é:

Arranjarem forma de abafar a puta do som das vuvuzelas.

Aquilo pode ser uma tradição ou o que quiserem, mas preservem-na bem longe daqui e dos meus ouvidos, já que é a coisa mais irritante que se pode ouvir num estádio de futebol.

À beira das vuvuzelas a claque no Nacional é música para os meus ouvidos, a claque do Rio Ave uma banda filarmónica e a voz esganiçada da Naval ópera.

Isto que se segue não é muito melhor?





E já agora para os senhores da:
Galp: Não! Não quero comprar nenhuma vuvuzela.
Meo: Não! Não quero a merda TV.
Zon: Não! Não quero a SportTV Golfe, quero é uma box decente.

domingo, 4 de outubro de 2009

E ao sétimo dia...

... um jogo do FC Porto vai ser transmitido em sinal aberto.
É verdade, não está a ler mal! Aconteceu, e esperemos que não seja um pronúncio do Apocalipse.

Muitos poderão considerar um jogo do FC Porto transmitido em sinal aberto à sétima jornada como um milagre, se tiverem em conta a quantidade de jogos já transmitidos dos nossos adversários directos.

Para juntar a isto, posso anunciar desde já que os jogos da oitava e da nona jornada serão também transmitidos na RTP, em sinal aberto.

Para os mais distraídos, são 3 jornadas consecutivas com o FC Porto na RTP. Parece que não há fome que não dê em fartura...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O valor do futebol na TV


Em Julho do ano passado, o João Saraiva e o José Rodrigues já abordaram este assunto em dois artigos:
A evolução do direitos de TV (07/07/2008)
Joaquim Oliveira, o "amigo" dos clubes (08/07/2008)

Contudo, a discussão à volta do valor das transmissões televisivas dos jogos de futebol continua ser um tema actual (actualíssimo!) e, por isso, transcrevo de seguida partes de dois artigos do DN de 28 de Agosto.


«Actualmente, a Olivedesportos, detentora dos direitos televisivos das duas Ligas profissionais, investe por época cerca de 45 milhões de euros no escalão principal, canalizando as maiores fatias para os três grandes, com Benfica, FC Porto e Sporting a garantirem praticamente a mesma verba, cerca de 8,5 milhões de euros.

As equipas apontadas como candidatas a lugares europeus garantem receitas na ordem dos três milhões de euros, como sucede com o Vitória de Guimarães, enquanto o Sporting de Braga encaixa um pouco menos, cerca de 2,5 milhões.

Os emblemas que partem para a Liga com o principal objectivo da manutenção recebem cerca de 1,5 milhões, como Académica ou Leixões.

O presidente da SAD do clube de Matosinhos, Carlos Oliveira, é precisamente dos que defende um outro modelo de negociação dos direitos televisivos, de forma a reforçar o poder negocial dos clubes mais pequenos.
"Há uma disparidade enorme entre aquilo que é pago aos três grandes e aos outros clubes. Um modelo como se pratica em Inglaterra [acordo colectivo] seria muito mais interessante", defende, apontando para uma solução que, nas suas palavras, até poderia melhorar a qualidade da primeira Liga portuguesa.
Carlos Oliveira acredita que se os clubes acumularem "boa parte do orçamento através das receitas televisivas" o fosso entre as equipas "diminuirá", tornando a liga portuguesa "mais espectacular e competitiva".

Um artigo recente publicado pelo Futebol Finance, site especializado na área económica da modalidade, estimava que um acordo colectivo poderia render anualmente à liga principal até 150 milhões de euros, o triplo dos números actuais.
Mesmo assim, há clubes que parecem mais inclinados em estudar individualmente propostas, como o Benfica, que acredita poder passar a arrecadar uma verba na ordem dos 40 milhões de euros por época assim que expirar o acordo com a Olivedesportos, como estimava ao diário Público, em finais de 2008, o administrador Domingos Soares Oliveira.

Comparando os valores a Ligas com semelhanças à portuguesa e que também firmaram acordos colectivos, os números equivalem-se aos praticados em Portugal, como sucede na Bélgica (46 milhões de euros por época) ou Dinamarca (47).

Na Grécia, a Liga recebia um pouco mais, cerca de 55 milhões de euros, mas um novo acordo assinado entre com a Skai TV e NOVA renderá anualmente perto de 70 milhões de euros de receitas televisivas (mais 25 milhões que o contrato anterior) a partir desta temporada.
De fora ficaram Olympiacos e Xanthi, que preferiram manter os vínculos à estação pública NET.

Na Escócia, o contrato com a Setanta, empresa que entretanto faliu, foi substituído por um acordo muito menos rentável com a ESPN e Sky.
O contrato anterior previa 145 milhões de euros por cinco temporadas, montante que a Setanta não conseguiu cumprir. Face às dificuldades financeiras desta empresa, a Liga escocesa virou-se para os dois canais televisivos, que pagarão metade (75 milhões) pelo mesmo número de temporadas.
Face à desvalorização abrupta desta parte das receitas, os dois maiores clubes escoceses, Celtic e Rangers, ponderam criar um canal de futebol, um projecto que já terá propostas de financiamento na ordem dos 145 milhões de euros por temporada.
A ideia seria distribuir cerca de 30 milhões pelos outros 10 clubes da Liga escocesa e reter a restante quantia para os dois maiores.

Nas contas entre as potências europeias, os números sobem radicalmente. Os valores totais pagos em Portugal, Bélgica ou Dinamarca não chegam, por exemplo, para cobrir as receitas anuais do Bayern de Munique.

O clube bávaro é, segundo um estudo recente da Deloitte, um dos "gigantes" europeus que menos recebe pelas transmissões televisivas. Mesmo assim, garante quase 50 milhões de euros por ano, mais do que a Olivedesportos investe por época na Liga portuguesa.
No actual acordo com a Sirius, detentora dos direitos da Bundesliga, o Bayer de Munique tem direito a 10 por cento do total investido, na ordem dos 500 milhões de euros, montante muito aquém do dinheiro que circula na Liga inglesa, quase 1400 milhões de euros por temporada.

Até a Liga francesa, talvez o menos atractivo campeonato dos cinco maiores da Europa, conseguiu um acordo de valores superiores à prova da maior economia europeia. A Ligue 1 arrecada por temporada quase 700 milhões de euros, com as maiores fatias a serem canalizadas para Lyon (75) e Marselha (70).

O mesmo estudo da Deloitte mostra que há nove clubes da Europa cujas receitas exclusivas de televisão rondam a faixa "mítica" dos 100 milhões de euros, todos das três principais potências futebolísticas do "velho continente".
Dois clubes espanhóis, Real Madrid (136 milhões) e FC Barcelona (117), quatro italianos, AC Milan (123), Inter de Milão (108), Juventus (107) e As Roma (106), e três ingleses, Manchester United (116), Chelsea (98) e Liverpool (95), lideram a tabela, com receitas que "esmagam" as obtidas pelos três grandes portugueses.»
in Diário de Notícias, 28/08/2009


Referências:
Contratos de Direitos Televisivos
Audiência e Share dos jogos da Liga Sagres 2008/09
Direitos televisivos impõem horários na Bundesliga

sábado, 16 de maio de 2009

Reflexão sobre o negócio do futebol


Na sequência do artigo 'O horário do FC Porto x Nacional', que publiquei no sábado passado, uma interessante análise feita por Luís Sobral, centrada no modo como os clubes "vendem" o seu produto e captam (ou não) novos adeptos.

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Reflexão sobre o negócio do futebol
Autor: Luís Sobral
2009/05/13
in 'Agência Financeira'

O futebol profissional português é provavelmente o produto mais fácil e mais difícil de vender.
Mais fácil porque toda a gente sabe o que é, toda a gente sabe que existe, toda a gente sabe onde está à venda.
Mais difícil porque toda a gente desconfia do seu valor, porque quem o fabrica insiste em gritar que o produto está estragado e porque a ocupação do espaço público é quase sempre feita de forma deficiente.

Os pontos fáceis dispensam, julgo, explicação. São evidentes. Ao contrário de outras actividades desportivas/culturais/lazer, o futebol profissional dispõe de abundante espaço de divulgação. Nos meios mais poderosos (televisões em sinal aberto, televisões por cabo, Internet, jornais e rádios) e, por consequência, também nas conversas informais (escolas, cafés, empregos, etc.).
Milhões de pessoas sabem que o F.C. Porto é tetracampeão. Apenas dezenas conhecem o nome da peça que está em cena no Teatro Aberto.

A vantagem de ter um produto exposto é aumentar a possibilidade de alguém o adquirir. Desde que o produto seja bom.
Aqui começa o problema.
O produto futebol português é, de uma forma geral, visto como pouco qualificado. Por razões pouco discutíveis: erros graves, desconfiança sobre a verdade desportiva, jogadores de qualidade duvidosa, estádios que oscilam entre o muito bom e o mau, horários incertos, nível de linguagem poucas vezes atractivo.
Na prática, o número de pessoas interessadas em pagar para ir aos estádios ver jogos de profissionais não excede, em média, as 100 mil. Um por cento da população, portanto.
Depois há mais alguns que aceitam pagar qualquer coisa para saber o que se passa no futebol português. São os que subscrevem a SportTV e adquirem jornais desportivos. Não existem estudos, mas acredito que muitos são os que também vão aos estádios.
Existe ainda uma categoria, bem maior do que a anterior: são os que aceitam ver futebol na televisão, sem pagar. Um pouco mais de um milhão (audiência média), todos os fins-de-semana.

Audiências dos jogos da época 2008/09 transmitidos em canal aberto (fonte: Marktest)


Façamos contas, então.
Apesar de divulgada como nenhuma outra actividade, o futebol só convence um por cento da população a pagar aos clubes. E se for de borla só atrai a atenção de dez por cento dos potenciais interessados.
No entanto, este número é multiplicado por quatro em grandes eventos que envolvem a selecção nacional, como Mundiais ou Europeus.

Isto significa, do meu ponto de vista, que pelo menos metade dos que habitam em Portugal nunca terão grande vontade de se envolver com o futebol. Passa-lhes ao lado. E estão no seu direito.
Mas existem dois, três, talvez quatro milhões de pessoas que até admitem ver futebol (e comprar cachecóis, camisolas, etc.) se os convencerem de que vale a pena. Os anos Scolari são prova suficiente.


Os dirigentes do futebol deveriam estar preocupados em estudar estas pessoas e encontrar formas de comunicar com elas.
Isto não se faz nos estádios. Esses já estão convertidos.
Fazê-lo nas ruas custa muito dinheiro.
Os jornais desportivos têm audiências cada vez mais reduzidas e são adquiridos, em princípio, pelos mesmos que vão aos estádios (somados os três jornais, hoje em dia falamos apenas em 150 mil compradores/dia).
A Internet é um meio poderoso, mas onde cada um é dono do seu destino (sites, blogues, Messenger, twitter, etc., etc.).
A televisão por cabo é ainda uma realidade distante para a maioria dos portugueses.

Conclusão: o meio mais eficaz para comunicar com massas continua a ser a televisão em sinal aberto.

Pois bem, que sucedeu no último domingo? A RTP1 deu meia dúzia de minutos à festa do F.C. Porto e depois remeteu-a para o programa de desporto (onde, claro, só estiveram os que habitualmente já têm contacto com o produto). A SIC manteve a sua programação. A TVI manteve a sua programação.

É este o estado do futebol em Portugal, incapaz de produzir conteúdo suficientemente interessante para atrair as pessoas que não estão já fidelizadas.

Num caso destes, que deveria ter feito o F.C. Porto? Interessar os grandes canais, como caminho para chegar aos que não são clientes regulares deste desporto e, por arrasto, da marca F.C. Porto.
Quando terminou o jogo com o Nacional, pelas 22 horas, cerca de três milhões de pessoas estariam a ver televisão em sinal aberto. Logo no momento de maior grandeza do clube.
Acontece que apenas uma ínfima percentagem de espectadores «participou» na festa. Chama-se a isto uma oportunidade perdida.

O desafio, numa situação como esta, é criar conteúdo próprio para resultar em televisão e adequado ao tempo que os canais poderiam dedicar à festa do título, se esta fosse, de facto, transformada num evento televisivo.

A ambição de alguém que gere um produto em que acredita deve ser comunicá-lo ao maior número de pessoas, pelo menor custo. Ao melhor estilo vejam como isto é bonito!
Num caso como este, o desafio era interessar quem gera audiência, conseguir chegar às pessoas que viam televisão àquela hora. Permitir conteúdo exclusivo para cada canal, garantir total disponibilidade para colocar câmaras próprias e permitir a personalização a partir do Dragão. Emissões curtas mas de grande eficácia, que depois poderiam continuar no cabo. Mas a mensagem principal teria passado.

No dia seguinte, os principais protagonistas deveriam ter ocupado o espaço de comunicação disponível. Nada disto aconteceu. Aliás, em Portugal os políticos aparecem. Os empresários aparecem. Os artistas adorariam aparecer. Os jogadores são escondidos, como se fossem incapazes de se responsabilizar pelo que dizem.
(um exemplo: há assessores de imprensa que impedem treinadores e jogadores de responder a perguntas que não digam respeito a futebol. E, mais estranho ainda, há treinadores e jogadores que aceitam esta limitação)


Os clubes portugueses ainda não perceberam que precisam de captar novos clientes. E isso só se consegue com um produto credível, bem arranjado e comunicando com quem ainda não o conhece/adquire.
Este é o desafio que as estruturas do futebol português e sobretudo os clubes têm pela frente. Nos últimos anos, a Liga fez um esforço na Carlsberg Cup e garantiu dois patrocinadores de grande fôlego (Unicer e Central de Cervejas). Mas a verdade é que o número de espectadores nos estádios decresceu e as audiências televisivas em canal aberto são hoje mais baixas do que há um ano.

Outra realidade: o futebol de primeira qualidade é um bom produto televisivo, que gera audiências. Mas o campeonato não se adequa à categoria «primeira qualidade», por isso na tabela anual de programas mais vistos em 2009 não aparecerá, estou certo disso, nenhum jogo da Liga Sagres nas primeiras 25 posições. (a partida mais vista esta época, um Benfica-Naval, teve audiência média de 1.8 milhões de espectadores; a estreia da novela «Deixa que te leve», da TVI, fez na segunda-feira 2.3 milhões).

As televisões precisam de futebol de «primeira qualidade»? Sim, basta olhar para as tabelas de programas mais vistos. Mas se continuar como está o futebol profissional português será um produto cada vez menos interessante. Por isso menos visto, logo menos «comprado». Logo, pobre.

Provavelmente nada disto interessa aos adeptos dos clubes, nos dias em que ganham. Mas devia preocupar quem está obrigado a fazer contas, sobretudo se tiver como ambição que algum dia saiam do vermelho.

Nota: As fotos e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 11 de abril de 2009

Novas Tecnologias I

Estando as "Novas Tecnologias" tanto em voga, devido ao constante bombardeamento da comunicação social deste termo para qualquer aparelho electrónico mais evoluído do que uma torradeira, creio que era tempo (e já a passar de validade) de o FC Porto abraçar as ditas e começar a fornecer serviços sérios e úteis aos seus associados, com benefícios para ambos.


Calendário de jogos e eventos na Internet

O FC Porto disponibiliza no seu site, através de uma página apelidada de tudo sobre os próximos jogos do FC Porto, onde disponibiliza informação sobre os próximos 3/4 jogos e informação dos seguintes 10/15 dias sobre o clube (outras modalidades e eventos institucionais).

Para um clube com o tamanho do FC Porto e o número de adeptos que tem, parece-me manifestamente pouco. O FC Porto deveria fornecer informação relativa ao calendário completo da época corrente (e possivelmente manter um histórico) de todas as modalidades, de todos os eventos institucionais e todos os eventos relacionados com o FC Porto (reuniões da liga de clubes, fóruns da UEFA, eventos organizados no Estádio do Dragão).

As pessoas interessadas em assistir aos jogos (ou participar em outras actividades) deveriam ter a informação o mais antecipadamente possível de forma acessível, mesmo que a data do evento venha a ser depois actualizada (por exemplo, devido à antecipação de um jogo de domingo para sábado).

Um método simples para o conseguir, é recorrendo à criação de um calendário virtual que os adeptos possam consultar no seu telemóvel ou computador de forma fácil e eficiente.
Para tal, existe um formato de calendário (iCalendar) que os adeptos podem configurar (no iCal da Apple, Outlook 2007 e Windows Calendar da Microsoft, no Google Calendar, entre outros), que lhes permitem estar sempre perto da informação. É possível também disponibilizar essa informação num formato simples através de uma página, para quem não quer ou não tem a possibilidade de ter um calendário no seu computador.
Esta informação é também actualizável, visto que se o FC Porto alterar, eliminar ou adicionar novos eventos, os calendários que se encontram nos equipamentos dos adeptos vão ser automaticamente actualizados.


O planeamento de viagens ou ausências de forma a poder-se assistir a jogos por parte dos adeptos, sejam eles em casa ou fora, são também do interesse do FC Porto. É possível deste modo conseguir ter mais gente a assistir aos seus jogos, e com isso garantir maiores receitas de bilheteira e/ou televisão.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Porto Canal comemora 2 anos


Ontem, no mesmo dia em que o FC Porto comemorou 115 anos de existência, o Porto Canal comemorou o seu 2º aniversário, numa festa realizada na Casa da Música.

Espero que este primeiro projecto de um canal regional sobreviva e, aos poucos, continue a consolidar-se. No país mais centralista da Europa, é uma lufada de ar fresco haver um canal que não está sujeito aos ditames de perspectiva e opinião impostos pela "ditadura da capital".

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os dias da rádio desligada

Nos tempos em que a gente via o espaço 1999 e sonhava no ano 2000 andar por esse espaço fora, a TV era a preto e branco e futebol na TV via-se nos dias em que o rei fazia anos - sempre precedido pelo "Com peúgas CD quem ganha é você".



A Bola era a bíblia mas só se lia 3 vezes por semana.

Por isso o meio que mais aproximava o futebol das pessoas, era sem dúvida a rádio. Se hoje a moda são os iPod's, mp3's, ... na altura eram os rádios, e era ver aos domingos, por esses jardins e praças, as patroas a fazerem croché e os machos de telefonia encostada ao ouvido.

Assim quando não se ia às Antas ou os jogos eram fora de casa, seguiam-se os jogos pela rádio. Desde esses anos cultivei cultos e ódios de estimação. Cultos para o Quadrante Norte, Gomes Amaro, João Veríssimo, Manuel Dias, Trindade Guedes, ... ódio de estimação para a Rádio Renascença, Ribeiro Cristovão, ...

Gomes Amaro

Gomes Amaro - imagem: Museu Virtual do Futebol

Quando as transmissões televisivas passaram a ser mais frequentes, e como havia cultos a manter, baixava-se o volume da TV e ligava-se a rádio. Matavam-se dois coelhos com uma cajadada só e não se aturavam os Alves dos Santos, Neves de Sousa e os Rui Tovar's.

Era a harmonia entre as ondas hertzianas (e sem falar no transmissor do Marquês que dava para ver a TVE)

Até que chegou a modernice: A TV por cabo.

Prometiam canais que ninguém vê, a maravilha da fibra óptica e todo um mundo de inovações, mas "esquereceram-se" de dizer que a transmissão ia passar agora por 500 locais e chegaria às nossas TV's com atrasos. Depois inventaram umas box's para que a gente tenha de pagar para ver a bola, e as ditas têm por lá uns algoritmos que fazem perder mais uns segundinhos para nos mostrarem as imagens que estamos a pagar.

Resultado: a imagem chega-nos à TV com uns 5 segundos de atraso (quando a coisa corre bem)

Daqui não resultaria nenhum mal de especial ao mundo, não fosse a rádio continuar a funcionar como funcionava, e se estamos num espaço público é certo e garantido que está lá alguém que está à nossa frente 5 segundos e que nos diz:

- foi falta! é canto! foi para fora! penálti! é golo! é amarelo para o Sapunaru!

e nós acreditamos porque passados esses 5 segundos vemos isso na TV. E apetece perguntar:
- Ó amigo! essa telefonia sem fios não lhe diz os n.ºs do euromilhões para sexta?
- não?
- então desligue essa merda, ou vá dar uma volta ao bilhar grande!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Joaquim Oliveira, o "amigo" dos clubes

O FCP acaba de celebrar uma extensão de contrato por 5 anos com a Olivedesportos, passando a receber 10,4 milhões €/ano contra 8 milhões €/ano anteriormente. Isto traduz-se num aumento de 28%, o que à primeira vista é muito bom.


Ao mesmo tempo estes valores são ligeiramente superiores ao que os rivais da 2a circular usufruem neste momento, o que só confirma o bom negócio.

No entanto, isto traduz-se também num aumento de 5%/ano, pouco acima da inflação. Mas mais do que isso, verifico que, comparativamente falando, as receitas são baixas no panorama europeu.

Os 10 clubes mais ricos da Europa (que em média têm menos adeptos que o FCP) receberam em 06/07 em média 70 milhões €/ano, ou seja 7 vezes mais do que o FCP vai passar a receber até 2015. E a tendência é para um forte aumento nos próximos anos.

Se é verdade que esses clubes são na maioria oriundos de mercados bastante mais vastos que o português, isto é só a ponta do icebergue; olhemos para as receitas totais dos clubes da I Liga dos maiores países da Europa.

Em Inglaterra os clubes recebem no total cerca de 1100 milhões €/ano pelos direitos de transmissão de jogos do campeonato, vendidos em 3 pacotes: 290 milhões pelos direitos para o estrangeiro, 190 pelos direitos para a Internet e telemóveis, e o restante (cerca de 600 milhões) pelos direitos para as Ilhas Britânicas. E em 2010 estes valores serão mais uma vez renegociados (quase certamente para cima).

Em Portugal, os clubes recebem no total cerca de 40 milhões €/ano. Ou seja, 27 vezes menos.

As receitas no resto da Europa são mais baixas mas não deixam de se traduzir em diferenças que o tamanho do mercado não justifica. Na própria Grécia (mercado semelhante ao português) as receitas são bastante mais altas, apesar do custo para o consumidor (i.e. a subscrição dos canais televisivos) até ser mais baixo do que o custo de subscrição da Sport TV.

E ao contrário da Grécia, nós até temos um mercado razoavelmente apetecível no estrangeiro, começando pelos países de expressão portuguesa mas não só (ainda recentemente me surpreendi ao ver a transmissão integral de um Guimarães - Leixões no lobby do aeroporto de Abu Dhabi).

Olhando ainda para isto noutra perspectiva, é fácil de concluir que a margem de lucro de Joaquim Oliveira neste negócio é obscenamente de várias dezenas de pontos percentuais, além de que têm crescido bastante mais rapidamente do que o que pagam aos clubes (número de subscritores, vendas ao estrangeiro, internet).

Enquanto a Olivedesportos paga uns 40 milhões /ano aos clubes pela transmissão dos jogos do campeonato - de longe a principal razão para a adesão de subscritores - só em subscrições a Sport TV deverá encaixar mais de 80 milhões / ano.

Que pasa?

Parece-me que há uma certa tendência do mercado para um monopólio natural, mas isso também se passa em muitos outros mercados no estrangeiro onde os clubes recebem uma fatia bem maior do "bolo" (Escócia, Grécia, Bélgica, Holanda), logo não explica tudo.

Além de que existem alternativas: se um FCP se quisesse dar ao trabalho podia entrar em acordo com um canal existente (por ex Porto Canal) para a transmissão dos jogos em pay-per-view por cabo e por Internet, o que poderia facilmente ultrapassar os 10 milhões €/ano em lucro (a um preço/jogo de 3 € e com uns 300mil subscritores teríamos quase 15 milhões €/ano de receitas, excluindo os custos de operação - relativamente baixos para um canal existente - mas excluindo também a revenda para o estrangeiro).


Penso que um factor determinante (para o FCP mas também para os restantes clubes da I Liga) é as relações demasiado próximas e históricas com Joaquim Oliveira, que entre outras coisas é accionista de referência de diversas SADs, começando pela SAD do FCP. Este factor é muito específico a Portugal e penso que explica em boa parte porque razão Joaquim Oliveira consegue fazer lucros tão obscenos com os direitos televisivos.

Concluindo, penso que o tamanho do mercado limita o potencial de receitas (nunca chegaremos perto de um grande clube inglês ou espanhol, longe disso), mas penso que querendo a SAD do FCP (e dos outros grandes) facilmente conseguiria chegar a receitas de 15 milhões €/ano. E isto sem precisar de se sujeitar a todos os caprichos da Sport TV, começando pelos jogos a horas e dias impróprios.

Só que para tal possivelmente teriam que se chatear com Joaquim de Oliveira, e muitos não querem e/ou não podem sujeitar-se a isso... entretanto vamo-nos contentando com um aumento razoável pouco superior à inflação, o que afinal de contas até já nem é mau de todo.