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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Manha nada querido para Jesus

«Como nos negócios, o sucesso em alta competição mede-se por resultados (...)
Dentro de poucos dias, a temporada benfiquista completa-se com a final da Taça da Liga, repetindo a desconsolada despedida de Coimbra, a tornar-se um clássico para quem tanto promete (...)
Pode parecer extemporâneo, mas a menos de dois meses do final da época, os responsáveis do clube têm de ser rápidos e precisos a definir a opção de futuro. Precisam considerar se Jorge Jesus tem capacidade e margem de confiança para uma quarta temporada (...)
Depois do que se assistiu nas últimas semanas, o ciclo terá chegado ao fim. Jesus deixou cair a equipa e não mostra capacidade para a reerguer (...). A máquina implacável e profícua da estação outono-inverno tornou-se na mais previsível e improdutiva, repetindo jogos sobre jogos sem capacidade de fazer golos: nas últimas cinco saídas da Liga ficou quatro vezes em branco (Guimarães, Coimbra, Olhão, Alvalade). As sucessivas derrotas são indisfarçáveis e o assomo dos últimos minutos em Londres, numa partida em que podia ter sido goleado, apenas ajudou a ganhar algum tempo, embora já sem a ilusão das “notas artísticas”.
Em fundo deste desmoronamento brutal vai subindo o tom da queixa das arbitragens e a denúncia de conspirações tenebrosas, completamente fora de tom quando se trata do principal apoiante do atual poder federativo e de um clube recentemente galardoado pela UEFA com a benesse máxima de emprestar o palco ao jogo europeu do ano. Não se pode estar simultaneamente dentro e fora do sistema, não se pode ter um orçamento de 50 milhões e só perceber que o futebol é um negócio quando chega a fatura.»
João Querido Manha, Record, 11/04/2012


No futebol passa-se de bestial a besta (e vice-versa) num instantinho e, por isso, não me surpreende que o Querido Manha, jornalista benfiquista (e anti-portista!), escreva uma crónica neste tom e tendo o atual treinador do slb como alvo a abater.

Pois eu, acerca do treinador Jorge Jesus, continuo a pensar o mesmo: é (sempre foi) muito mais garganta que resultados.
E assusta-me ouvir alguns adeptos portistas dizer que, no caso de o "mestre da tática" ser despedido do slb, poderia ser uma opção a considerar, para substituir Vítor Pereira no comando técnico da equipa do FC Porto. Suspeito que a única coisa em que íamos melhorar era na animação das conferências de imprensa…

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Manhosices


«As eleições da Federação Portuguesa de Futebol terão ficado resolvidas ontem com a confirmação da candidatura do sistema, embrulhada no apoio dos pequeninos e servida no tabuleiro das soluções providenciais. Em menos de três anos, um ex-administrador de uma SAD condenada por corrupção desportiva ascende ao cargo mais alto, passando por uma reciclagem pela estrutura intermédia da Liga, enquanto radicava nesta o exercício dos poderes reais, agora remetidos de novo para a casa-mãe. É obra!»
João Querido Manha, Record, 20/09/2011


Quando me chamaram à atenção para este texto manhoso, a minha primeira reacção foi mandá-lo para o sítio do costume: o caixote do lixo. Contudo, há aspectos que de tão “queridos”, merecem um pequeno comentário.

Comecemos pela “candidatura do sistema”. Convém lembrar que Fernando Gomes se candidatou à presidência da Liga de Clubes com o apoio expresso de diversas personalidades, entre as quais Hermínio Loureiro (ex-presidente da Liga) e Filipe Soares Franco (ex-presidente do SCP). Mais. Para além do apoio público que teve da parte dos presidentes do slb e SCP, Fernando Gomes foi eleito, em 7 de Junho de 2010, com 38 votos a favor e três abstenções, num acto eleitoral no qual não participaram SC Braga, Nacional da Madeira, Carregado e… FC Porto!

Quanto ao “SAD condenada por corrupção desportiva” alguém devia explicar ao autor deste dislate a diferença entre corrupção desportiva e TENTATIVA de corrupção desportiva. E, claro, faltou o pequeno pormenor de dizer que a condenação foi determinada pelo ponta-de-lança que o slb tinha na Liga de Clubes – Dr. Ricardo Costa – e que, posteriormente, a mesma foi contrariada, quer pelo TAS, quer em TODOS os tribunais a sério onde os factos foram analisados.

Finalmente, para a manhosice ser completa, faltou também referir que na guerra de poder a propósito dos novos estatutos da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes esteve ao lado de slb e SCP, em oposição a Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto.

Candidatura do Sistema? Só se for do Sistema da 2ª circular...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lampiões league


No dia em que o slb ia disputar a terceira final daquela que os sportinguistas (e não só) passaram a denominar por Taça Lucilio Baptista, João Querido Manha assinou um artigo no Correio Manhã intitulado A taça do Benfica, de que reproduzo a seguir alguns extractos:

«Pelo terceiro ano consecutivo, o Benfica atinge a final da Taça da Liga, dando à competição o interesse mínimo que a mantém viva, ao mesmo tempo que ela devolve ao clube a recompensa de um título que, embora irrelevante, serve de consolo às frequentes desilusões nas provas principais. (...)

Enquanto o FC Porto desdenha, a hegemonia benfiquista acaba por despertar um efeito perverso. A maioria dos treinadores não a incluem nos objectivos de época, convencidos de que uma aposta numa competição menor prejudicaria o que realmente importa, acabando por se servir do calendário para rodar jogadores e testes sem obrigações. (...)

O interesse dos treinadores num título menor, em contraponto com a reserva física dos principais jogadores para encontros mais importantes, é o grande dilema desta competição, a par de uma deficiente estruturação da 3.ª fase.
A tabela dos jogadores com mais presenças comprova o respeito do Benfica pela Taça da Liga, surgindo nos primeiros lugares apenas jogadores de primeiro plano, a começar pelo capitão Luisão que só este ano tirou as primeiras folgas na fase inicial. (...)

Desde a primeira edição, o FC Porto desprezou a competição, começando por ser eliminado pelo Desportivo de Fátima. Nenhum dos habituais titulares figura entre os mais utilizados, com relevo para Helton, que só actuou uma vez em 13 partidas.»


Conforme já escrevi várias vezes (Para que serve a Taça da Liga?, Poupar titulares, dar minutos aos outros, etc.), para mim a Taça da Liga é uma competição com um reduzidíssimo interesse competitivo e, sendo o FC Porto obrigado a participar e a ter de cumprir com as quotas mínimas em termos de jogadores, estou inteiramente de acordo com as opções que foram seguidas, quer por Jesualdo Ferreira, quer por André Villas-Boas.

A questão que se coloca é a seguinte: Havendo uma competição de regularidade – o Campeonato -, em que jogam todos contra todos a duas voltas; uma competição a eliminar – a Taça Portugal – envolvendo os clubes de todas as divisões; e uma competição entre os vencedores destas duas competições tradicionais – a Supertaça; porquê e para quê a Taça da Liga?

O que é que a Taça da Liga traz de novo, ou de diferente, relativamente às outras três competições nacionais?

Se nem sequer o seu vencedor é apurado para a Liga Europa, para quer serve a Taça da Liga?

A única explicação deu-a o Querido Manha, ao escrever que “serve de consolo às frequentes desilusões [do slb] nas provas principais”. Se assim é, proponho que lhe mudem o nome para Lampiões league...


P.S. Desta vez parece que o consolo foi pequeno.
«A festa acabou ontem mal para o Benfica, com vários incidentes entre jogadores e adeptos. Os festejos da equipa no relvado foram já de si mornos e depois houve uma série de manifestações de desagrado à equipa... que ergueu o troféu. Estes começaram ainda no campo, quando Luisão e os colegas foram agradecer o apoio à claque No Name Boys. "Eu fui o primeiro a dirigir-me aos adeptos e eles mandaram-me voltar. Não sei se era uma claque organizada ou não. Mas não gostei, achei uma falta de respeito". O capitão tirou a camisola para oferecer aos adeptos, mas esta foi devolvida. Luisão voltou a vesti-la e recolheu aos balneários, visivelmente chateado. (...)
Os incidentes não se ficaram por aqui. Muitos adeptos ficaram à espera da equipa junto ao autocarro e insultaram vários jogadores, nomeadamente Cardozo, que os mandou calar ao entrar para o Vermelhão. Ele que fora já permanentemente assobiado durante o jogo.
Rúben Amorim, que até tinha sido dos mais aplaudidos quando entrou para o autocarro, irritou-se e voltou a sair para reclamar com os adeptos. Alguns elementos do staff do Benfica é que sanaram situação. E até a polícia teve de intervir para separar Moreira, tão aplaudido antes, de um adepto que já estava a dois centímetros da sua cara.
"Joguem à bola!", "Esta é a taça dos pobres!", "Chulos" e "A vergonha do Benfica são vocês" foram algumas das frases ouvidas junto ao autocarro.
Jara também não escapou daos insultos, tal como o presidente Luís Filipe Vieira, que deixou o estádio em carro particular.»
in O Jogo, 24/04/2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um nervosismo manhoso


«Há qualquer coisa de esotérico na gestão emocional do Benfica, que parece comandado à distância, como uma marioneta, pelo jovem prestidigitador Villas-Boas. Sempre que algum facto encosta o FC Porto à parede, como o enésimo penálti salvador de Aveiro, o pelotão de pés-de-microfone embevece com a criatividade do jovem ex-candidato a jornalista.»
João Querido Manha
in record.pt, 25/01/2011


Estavam eles (os do costume) já a afiar as facas para passarem a semana aos berros, com a ladainha de que o FC Porto teria sido favorecido pela arbitragem e o “graúdo” zás, espeta uma galheta num jogador do Nacional! E, ainda por cima, fê-lo à frente de toda a gente (menos dos quatro árbitros, dos delegados da Liga e da polícia, que estavam no estádio mas não viram nada…).

Como se não bastasse ter desviado as atenções mediáticas, a agressão de Jesus fez também ressuscitar (por paralelismo) a forma vergonhosa como foram tratados os casos do Sapunaru, Hulk e Vandinho. E pior, deu azo a que André Villas-Boas brilhasse perante os microfones, mandando mais uns recados para os lados da Luz. Porra, que foi mesmo um tiro nos pés!

Perante isto, é humano e perfeitamente normal que a frustração invada esta gente. Manha, querido, como eu te compreendo…

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Recorde mundial?

«O Benfica bateu no domingo um recorde, porventura mundial, de tempo de jogo em superioridade numérica ao longo de uma temporada, chegando a 342 minutos (cinco horas e 42 minutos de jogo) com mais um (por vezes, dois) jogador em campo. O que corresponde a 13 por cento do tempo total da competição. E Fucile foi o 17.º jogador adversário a ver o cartão vermelho em partidas do líder.»
João Querido Manha
in Record, 04/05/2010