Mostrar mensagens com a etiqueta Diego Reyes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diego Reyes. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de janeiro de 2015

O mercado dos emprestados

Tiago Rodrigues (ex-Vitória Guimarães), que jogou a primeira parte desta época no FC Porto B, vai ser emprestado ao Nacional da Madeira.
Parece-me bem.

Olhando para outras hipóteses, referidas nos últimos dias…

O JOGO 28-12-2014 e 02-01-2015

Kelvin emprestado a um clube brasileiro.
Parece-me mal. Kelvin precisa de “crescer” como homem, amadurecer como jogador, melhorar a sua cultura táctica e o Brasil não é o melhor sítio para isso. Um clube europeu seria muito melhor.

Diego Reyes e o interesse do Parma.
Parece-me muito bem. Reyes precisa de jogar com regularidade para evoluir (o campeonato italiano é muito exigente do ponto de vista defensivo) e, nesta altura, é o 4º defesa-central do plantel principal. Além disso, se necessário, Lopetegui poderia recorrer a Igor Lichnovsky, jovem internacional chileno que joga na equipa B.

Daniel Opare.
Parece-me bem que o internacional ganês seja emprestado, se possível a um clube que pague o seu ordenado. Para Lopetegui, a alternativa a Danilo é Ricardo Pereira. Ponto final.

O JOGO, 03-01-2015

Ricardo Nunes e o interesse da Académica.
Parece-me bem o empréstimo, se possível a um clube que pague o seu ordenado. Com a recuperação plena do Helton, não faz sentido o plantel principal manter quatro guarda-redes.

domingo, 11 de maio de 2014

Mais do mesmo!


Não há muito que dizer sobre este jogo que seguiu o destino de muitos outros desta época. Entrámos bem, a bola correu, fizemos perigo e marcámos cedo. No corredor direito Danilo e Ricardo estiveram em muito bom plano; o trio do meio campo comandou o jogo; Jackson esteve muito activo e ficou a pouca distância de marcar um golo excepcional. Foram agradáveis de ver esses minutos. Fomos perdendo fulgor, embora o SLB tivesse andado sempre distante da nossa baliza. Até que sucedeu a grande penalidade que Reyes provocou, em mais um erro defensivo que não estranhamos porque passou a fazer parte da rotina da equipa a que nos habituamos como uma inevitabilidade. A partir daí, a equipa desorganizou-se e perdeu o rumo. Uma outra grande penalidade a nosso favor, por falta bem conquistada por Martinez, permitiu-nos chegar em vantagem ao intervalo.
Na segunda parte, o SLB ajustou as marcações e o FCP, também como vem sendo hábito, perdeu fulgor. Defour e Herrera apresentavam desgaste e a defesa tremia à mínima ameaça. Fabiano hesitou e a trave salvou-nos de sofrer o empate. As substituições de Defour por Quintero, de Herrera por Josué e de Quaresma por Kelvin não trouxeram melhorias significativas. A qualidade caiu em flecha e o segundo tempo foi um bocejo. Apenas uma boa jogada e Quintero,  em boa posição,  a atirar ligeiramente ao lado.

Este jogo não deixou saudades, como não vai deixar o campeonato. Foi o fim adequado a uma prestação bem longe dos nossos pergaminhos. Pela negativa neste jogo destaco Quaresma, o pior em campo. À defesa, falta liderança e Fabiano demonstrou fragilidades preocupantes. A equipa parece exausta e Defour e Herrera deram o estoiro cedo demais. Mikel esteve regular, combativo e a dar boas indicações e Ricardo confirmou ser um dos bons reforços desta época. Foram os melhores e mais constantes neste jogo. Maicon, Reyes (que não percebo porque joga do lado esquerdo) e Alex estiveram irregulares e pouco seguros.
O Dragão teve pouca gente e há um sentimento de desilusão que se percebe, mas que não justifica a deserção.  A equipa não consegue interagir com os adeptos e a ligação é de grande frieza. O que vi no Dragão Caixa na sexta-feira foi inolvidável; a rapaziada do futebol tem muito aprender com os basquetebolistas. Mas, não acredito que sejam capazes. Quaresma tem que rever os seus processos e atitudes. A direcção deve ter uma conversa com o atleta e definir os limites. A próxima época não pode começar com equívocos.
Boas Férias !

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cu(r)tty S(t)ark

Um golo, duas bolas ao poste esquerdo da baliza defendida por Beto e mais cinco boas oportunidades do FC Porto – Mangala aos 36’, Quaresma aos 37’, Jackson aos 67’, Quintero aos 71’, Ghilas aos 81’ –, traduziram-se no final destes primeiros 90 minutos numa vantagem mínima (1-0). É um resultado demasiado curto para aquilo que foi o desempenho das duas equipas neste jogo.

O Sevilha foi uma equipa compacta, que jogou com linhas juntas e tentou, várias vezes, sair rápido em contra-ataques perigosos. Mas os dragões tinham a lição bem estudada, foram competentes e nunca permitiram que isso acontecesse (grande jogo do “Polvo”).

Ocasiões de golo do Sevilha houve apenas duas e ambas na sequência de bolas defendidas para a frente por Fabiano (o “gigante” brasileiro terá de estar mais seguro no jogo da próxima semana no Sánchez Pizjuán).

Golo de Mangala após cruzamento de trivela de Quaresma (fonte: LUSA)

É difícil escolher o MVP deste jogo.
Mangala “voador” impôs a sua capacidade atlética e voltou a marcar na Liga Europa.
Fernando encheu o campo e, para além das muitas bolas recuperadas, deu quase sempre sequência às jogadas com visão e inteligência (está muito melhor neste aspecto).
Quaresma voltou a demonstrar ser o extremo/ala português em melhor forma. Entre outras coisas, fez duas assistências de trivela (para Mangala e Jackson), teve um espectacular remate de primeira (que Beto defendeu) e enviou uma bola ao poste.
Mas a minha escolha é Diego Reyes. No seu 2º jogo para as competições europeias, dobrou várias vezes os seus companheiros da defesa e não me lembro de uma única falha deste campeão olímpico mexicano.

Se é difícil escolher o MVP, é muito fácil escolher o “artista” deste jogo: o árbitro alemão Wolfgang Stark, o qual, para além de alguns erros menores (por exemplo, em dois lances que seriam canto a favor do FC Porto, assinalou pontapé de baliza), teve um critério disciplinar vergonhoso.

Mostrou um cartão amarelo ridículo a Jackson e colocou-o fora do jogo da 2ª mão, num lance em que é o jogador do Sevilha (Iborra) que se encosta a Jackson e simula ter sido violentamente atingido na cara.
Mas, depois, o critério disciplinar do senhor Stark passou do 80 para o 8 e poupou vários cartões amarelos a jogadores da equipa andaluza, a saber:
- José Antonio Reyes (na falta sobre Alex Sandro, que antecedeu o golo do FC Porto);
- Daniel Carriço, duas vezes (na primeira situação o ex-sportinguista até pediu desculpa ao árbitro);
- Marko Marin, seu compatriota, que também escapou duas vezes à cartolina amarela;
- Coke (numa entrada de pés juntos sobre Quintero);
- Nico Pareja (falta sobre Jackson à entrada da área)

Apesar de estar a adoptar este critério largo (com os jogadores do Sevilha...), o senhor Stark não hesitou em mostrar dois cartões amarelos a Fernando na mesma jogada. Fantástico!

Num jogo que podia (e merecia!) ter ganho por 2 ou 3 golos de diferença, o FC Porto vai para Sevilha com apenas um golo de vantagem e sem poder contar com Jackson e Fernando (já nem falo nos lesionados Helton e Maicon). Não vai ser nada fácil. Esperemos não ter de jogar também contra uma arbitragem caseira.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dezenas de milhões «investidos»... fora de campo

Dizia eu no artigo anterior que o facto de termos dezenas de milhões de euros (e não é só os passes, é também os salários) «empatados» no banco, na bancada ou na equipa B é uma das razões práticas para não haver correspondência entre a diferença orçamental do FCP para com os adversários que tem defrontado e as exibições em campo (havendo claro outras, de que já muito se falou). Falava eu nomeadamente das 4 contratações mais caras de 2013, nomeadamente Reyes, Herrera, Quintero e Ghilas.

Ora a meu ver, se isso acontece tem que ser apenas e só porque a resposta a (pelo menos) uma das perguntas seguintes é um claro «sim»:

1) Comprámos gato por lebre (i.e. a um preço claramente inflacionado)?
2) Demos prioridade no investimento às posições menos prioritárias?
3) Os jogadores são mesmo bons mas o treinador não sabe/pode tirar usufruto disso?
4) A «concorrência» desses jogadores (na luta por um lugar na equipa) tem surpreendido pela positiva, excedendo as expectativas iniciais?
5) Os jogadores estão a demorar bastante tempo a adaptar-se?

Pessoalmente acho que a verdade é uma mistura de 1), 2), 3) e em menor medida 5), dependendo do caso específico.

Comecemos por aquilo que acho claramente que não é: 4).

Muito sinceramente, não me parece que se esses quatro jogadores não jogam é porque os outros colegas que lhes estão a «roubar» o lugar (como Defour ou Josué) tenham estado até agora a um nível excepcional, superando as expectativas do início da época.

Do ponto 3) já muito aqui se falou, nomeadamente de uma insuficiência do treinador em potencializar a valia de jogadores. Por exemplo: penso que Herrera e Quintero poderão ser em parte vítima da confusão de ideias para o meio-campo; Ghilas poderia talvez ser aproveitado num 4-4-2 (tal como Quintero, aliás, jogando a nr 10 à frente de Lucho e Josué/Herrera, e Fernando mais atrás), ou pelo menos fazendo muitos mais minutos para descansar Jackson e coloca'-lo 'em sentido'.

Quanto ao ponto 5), isso poderá explicar muito parcialmente as situações de Herrera e Reyes em particular, chegados do México. Digo «muito parcialmente» porque - a este nível e num FCP, que nao e' um Barcelona receado de estrelas - um jogador que vale 10M ou perto disso não precisa de mais de 5 meses para começar a demonstrar qualidades de forma a ganhar algum espaço claro nas escolhas principais, mesmo que a adaptação ainda não tenha terminado.

Quanto ao ponto 1), sem haver dados definitivos (muito longe disso) parece-me que Herrera e Ghilas em particular terão custado bem mais do que valiam na altura (e valem) - mesmo que possam eventualmente valorizar-se no futuro (mas isso, a bem dizer, podem todos, pelo menos os que ainda nao atingiram o pico de carreira).

Quanto ao ponto 2), penso que é o factor que melhor explica a situação de Reyes, e em menor medida Quintero e Ghilas. Investiu-se muito pouco em extremos – posições claramente deficitárias no fim da época, principalmente se a ideia era para continuar com um 4-3-3, ainda que «envergonhado» - em detrimento de uma posição em que já estávamos claramente bem servidos (central) e outra em que a concorrência era considerável começando pelo «dono» natural do lugar (Lucho, mas também Carlos Eduardo e Josué). Da mesma forma dá jeito ter um suplente de qualidade para Jackson, mas já é discutível que seja preciso ter alguém no banco que custe tanto ou quase como o PDL titular (que dá garantias, estando no top10 europeu para a sua posição).

Ainda sobre o ponto 2), eu até compreendo que se queira precaver o futuro (por ex antecipando uma venda futura de Mangala ou Jackson), mas nunca descurando o presente ao ponto das 4 contratações mais caras de 2013 serem todas «de futuro» (se tanto).

Mais: se porventura a razao para este desequilíbrio na balança presente/futuro for (ainda que parcialmente) não uma decisão deliberada mas sim um desajustamento entre o que o treinador quer (tactica- e individualmente) e o que esses jogadores oferecem, entao sera' caso para pensar para os meus botões que das duas uma:

1) Ou a SAD toma ela própria a iniciativa nas grandes contratações (como parece à primeira vista ser regra geral o caso) e nesse caso terá que dar um pouco menos de autonomia ao treinador, impondo-lhe um ou outro ponto fundamental na táctica ou na composição da equipa (o que implica por sua vez contratar treinadores dispostos a tal, o que exclui tipicamente treinadores com palmarés e CV - e à partida seria de esperar que PF fosse um desses treinadores mais «moldáveis», sendo muito jovem e chegando com um CV muito modesto);

2)... ou então a SAD envereda por oferecer uma grande autonomia ao treinador no seu trabalho, mas nesse caso terá que lhe dar a principal palavra nas contratações (começando pelas mais caras).

O que já não fará para mim sentido é enveredar - como parece estar a ser o caso - por uma postura a meio caminho que «nem é carne nem peixe»: a Direção tomar a iniciativa nas grandes contratações, mas depois dar autonomia quase total ao treinador no seu trabalho. A consequência mais provável de tal postura é um desperdício de recursos (leia-se $$$$) com enorme custo de oportunidade (i.e. o dinheiro teria sido mais bem gasto em outras posições/jogadores que estivessem mais de acordo com as ideias do treinador) e/ou o desvalorizar de alguns dos seus melhores activos.

domingo, 30 de junho de 2013

As promessas mexicanas

Comecemos com um disclaimer: Sou um grande admirador do Diego Reyes e do Hector Herrera. Já os vejo jogar há vários anos, tanto na liga mexicana como nas selecções de formação aztecas e a qualidade futebolística está lá. O artigo não é sobre isso.

A operação Jackson Martinez saiu bem. Muito bem.
A SAD avançou para um jogador referenciado pelo Vitor Pereira - segundo o AVB na sua célebre entrevista ao Jogo - que actuava num modesto clube da liga mexicana e era um dos suplentes de Falcao na selecção da Colombia. Custou dinheiro mas rentabilizou cada cêntimo, sem necessidade de adaptações ao ritmo europeu nem de problemas de entrosamento com os colegas. Sobreviver à sombra de um grande é dificil, e Falcao era um avançado imenso. Mas Jackson foi ainda mais eficaz de dragão ao peito. E o seu negócio permitiu ao clube olhar para o mercado mexicano com outros olhos.

Mas o México, o maior país da América Latina, sempre foi um enigma para o futebol europeu.
E há razões de peso para isso. Razões para explicar porque é que em toda a sua história só um jogador, verdadeiramente, se tornou em estrela internacional no futebol europeu depois de ter dado os primeiros passos no gigante latino: Hugo Sanchez.
Antes de Sanchez foram muito poucos os jogadores mexicanos que atravessaram o "charco" para a Europa e nenhum deles com sucesso. Depois do célebre goleador das cambalhotas, os clubes europeus sentiram vontade de conhecer melhor o mercado mexicano. Vários jogadores foram contratados, nenhum triunfou. No virar do século, o despertar desportivo do futebol azteca trouxe consigo uma nova geração de talentos mas só o central/médio defensivo Rafael Marquez conseguiu o reconhecimento que muitos auguravam a vários colegas de equipa. Os problemas continuavam a ser sempre os mesmos.

Desde há seis anos para cá, verificou-se um verdadeiro boom de talento mexicano.
A selecção azteca de sub-17, sub-19 e sub-20 está entre as melhores do mundo nas suas respectivas categorias etárias. Desde o aparecimento de Giovanni dos Santos, Carlos Vela e Javier "Chicharito" Hernandez, o jogador mexicano voltou a estar de moda. Eles abriram a torneira e vários talentos promissores seguiram o caminho. Hoje é fácil dizer de memória um onze de promessas mexicanas e sobrar suplentes. Ochoa, Mier, Reyes, Espericueta, Enriquez, Barrera, Peralta, Torres, Zavala, Dávila, Fabian, Herrera, Fiero todos eles foram protagonistas dos mais recentes sucessos, desde a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos (ganha à Brasil de Neymar) ao Mundial de sub-17 conquistado em 2011 a que se seguiu um terceiro lugar no Mundial sub-20 no mesmo ano, parece evidente que o México é uma potência a ter em conta. Mas porque é que os grandes clubes europeus não vão mais vezes ao mercado mexicano? E porque é que os talentos como Vela ou Gio dos Santos têm tanta dificuldade em impôr-se na Europa?


É um problema cultural, sobretudo.
O México é um país com uma cultura familiar extremamente forte, fechada. É um país importador, dentro do gigante mundo que é a América Latina, um país com uma fortuna relativamente superior à de muitos dos seus vizinhos. Há pobreza, muita, sobretudo na fronteira com os Estados Unidos por onde passam milhões de emigrantes clandestinos, mas também zonas de luxo como em poucos países da sua dimensão nesse quadro geográfico. A liga mexicana foi criada ao estilo NBA. Os presidentes são donos dos clubes e podem ter mais do que um clube sob o seu comando. A luta entre os gigantes das telecomunicações comanda o controlo da federação e da liga e isso acaba por reflectir-se também na forma como esses gigantes gerem os seus próprios clubes e aqueles que ajudam através de patrocínios. Sem o dinheiro desses milionários a liga não existiria como tal e é esse dinheiro que permite quase sempre segurar os melhores jogadores. São pagos a peso de ouro, em comparação com os argentinos e brasileiros, e educados desde cedo a preferir passar toda a sua carreira em casa do que a viajar para a Europa. A falta de um referente de sucesso pós-Hugo Sanchez é uma forma subtil de evitar o salto. Principalmente porque, uma vez lá, os jogadores encontram-se com sérios problemas de adaptação.

Meninos mimados no seu mundo, a exigência e disciplina do futebol europeu é para eles um desafio.
O talento de Vela e Gio dos Santos não lhes foi suficiente. O extremo do Arsenal não se conseguiu adaptar à exigência inglesa e só depois de várias épocas emprestado se encontrou consigo mesmo na Real Sociedad. A experiência mudou-o tanto que renunciou jogar na selecção por saber agora que o estilo de vida entre os aztecas é irreconciliável com o de um desportista de elite. Nas últimas competições em que participaram (Copa America, Golden Cup e Taça das Confederações), vários jogadores mexicanos foram apanhados pela imprensa e pelos dirigentes da federação em longas noites de festa, com álcool e prostituição à mistura. No futebol mexicano essa realidade é constante mas quando chegam à Europa cria-se um abismo com o ritmo de vida que lhes custa muito a adaptar-se. Gio dos Santos, que cresceu no Barcelona ao lado de Messi, desapareceu do radar durante anos até que fez uma boa segunda volta no Mallorca: sete anos depois da sua estreia como profissional. Ele e o seu irmão, Jonathan, foram alguns dos jogadores suspensos temporariamente pela federação nos últimos anos pelo comportamento pouco profissional. Mas estão longe de ser os únicos. Na última Copa América a federação mandou uma equipa sub-23 para castigar os seniores, apanhados com droga e álcool no sangue num controlo anti-doping realizado na véspera da Golden Cup. Não tiveram sorte, os mais pequenos imitaram-lhes o comportamento semanas depois. Entre a polémica dos jogadores espanhóis no Brasil passou de fininho uma história similar com os mexicanos. Comportamentos habituais a quem vive num espaço fechado e que não são admissíveis na Europa. Por isso muitos clubes preferem futebolistas de outras nacionalidades, dentro do espectro latino, mas com um comportamento fora do campo menos preocupante como os colombianos, equatorianos e chilenos, para lá dos inevitáveis argentinos e brasileiros. Por isso não vimos um jogador mexicano superar as agruras da adaptação ao jogo europeu com um sucesso imediato nos últimos 30 anos.



O FC Porto já teve desagradáveis experiências com aquilo que José Maria Pedroto baptizou como "as escolas de samba". Creio que os administradores da SAD são conscientes desta realidade. E a Reyes e Herrera, apesar de terem estado envolvidos em algumas dessas concentrações, nunca ninguém nomeou directamente como tendo sido parte dessas festas fora de horas. É no entanto importante ter a consciência de que se contratam jogadores com um imenso potencial, de um país emergente no futebol internacional, mas que vêm de uma cultura desportiva radicalmente diferente. Não significa que não se adaptem, que não triunfem e não sejam eles, com o exemplar Javier Hernandez, os jogadores que vão demonstrar que o futebolista mexicano está preparado para outro nível competitivo. Mas além da adaptação táctica e ao ritmo de jogo, terá forçosamente de existir um certo cuidado na sua adaptação ao estilo de vida no Porto. O passado recente dos jogadores catalogados como a próxima grande "promessa mexicana" isso exige.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Comissões desproporcionadas

No Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, referente ao 3º Trimestre 2012/2013, que foi enviado à CMVM em 31/05/2013, surge a seguinte informação:

(Relatório e Contas Consolidado, 3º T 2012/2013, página 18)

Um dos números que chamou à atenção no quadro anterior foi o valor dos encargos adicionais do negócio correspondente à aquisição do defesa central mexicano Diego Reyes.

Duas semanas depois, no dia 15 de Junho, o jornal O JOGO publicou uma explicação:

(fonte: jornal O JOGO)

Penso que a explicação dada a O JOGO, por fonte do FC Porto, é perfeitamente razoável. Inclusivamente, do ponto de vista fiscal, é bem capaz de traduzir-se numa poupança para a FCP SAD (é melhor pagar um prémio de assinatura e cedência de direitos de imagem à cabeça, pagando depois um salário mais baixo).
Contudo, sobra uma dúvida: por que razão não se fez o mesmo no caso do Jackson Martinez, também ele contratado a um clube mexicano cinco meses antes?