«A Sport TV pagou o empréstimo de 33,3 milhões de euros que contraiu junto da sua accionista Zon Multimedia, refere o relatório e contas da operadora liderada por Rodrigo Costa. Além disso, a empresa que detém os direitos de transmissão televisiva dos jogos da Primeira Liga viu os seus lucros triplicarem no ano passado, para 20,3 milhões de euros.
Segundo o relatório e contas da Zon Multimedia, que controla a Sport TV em parceria com Joaquim Oliveira, a empresa fechou 2009 com um resultado líquido de 20,3 milhões de euros, uma subida de 232% face aos 6,1 milhões de euros registados no final do ano anterior. (…)
"O mercado tem crescido muito nos últimos anos. Além disso, a Sport TV subiu o preço das mensalidades dos seus cerca de 600 mil assinantes", afirmou ao Diário Económico um dos responsáveis contactados.»
in Diário Económico, 06/04/2010
Um assinante da Sport TV paga cerca de 300 euros por ano (25 euros por mês), o que significa que 600 mil assinantes proporcionam uma receita bruta anual de 180 milhões de euros, a que acresce a publicidade que a Sport TV tem nos seus canais. Perante isto, não surpreende que, em 2009, a Sport TV tenha mais do que triplicado os lucros e pago um empréstimo de 33,3 milhões de euros à Zon Multimedia.
Crise? Qual crise? Olha-se para estes números e a conclusão é óbvia: a forma como os direitos televisivos são negociados em Portugal e o valor global que é pago pelos mesmos, traduz-se num negócio da china para Joaquim Oliveira e para a ZON, enquanto que os clubes, principalmente os pequenos, continuam com a corda na garganta.
A realidade noutros países é muito diferente. Vale a pena olhar para o estudo feito pelo site Futebol Finance, acerca das receitas televisivas nos principais mercados do futebol europeu.
Premier League – As receitas TV dos clubes Ingleses 2009/10
1.Bundesliga – As receitas TV dos clubes Alemães 2009/10
Liga BBVA – As receitas TV dos clubes Espanhóis 2009/10
Ligue 1 – As receitas TV dos clubes Franceses 2009/10
Bem sei que estes países têm uma dimensão superior à de Portugal, mas a (des)proporção dos valores dos direitos televisivos é bastante maior que essa diferença. E o argumento de que esses países “exportam” o seu futebol para todo o Mundo não explica tudo, porque também a Sport Tv não se limita ao mercado português. Voltando à entrevista de Bessa Tavares ao JN (publicada em 15/09/2008 e já aqui referida):
[JN]: Qual o balanço que pode ser feito em relação à Sport TV África?
[Bessa Tavares]: Neste momento, estamos em toda a África subsariana, na ordem dos 56 países, da Nigéria até à África do Sul. O "feedback" que temos tido é bastante simpático.
[JN]: A estratégia de internacionalização fica-se por África?
[Bessa Tavares]: África era onde sentíamos uma necessidade maior de chegar. Internacionalização de produtos temos para mais de 110 países, da Rússia ao Canadá.
Enquanto os clubes, principalmente os três grandes, continuarem hipotecados (subjugados?) aos interesses de Joaquim Oliveira e os adeptos andarem convenientemente entretidos a discutir as arbitragens (é para isso que servem os programas semanais de desporto na televisão), o homem que em Saltillo andava a carregar painéis de publicidade, pode continuar descansado a fumar charutos e a jogar golfe com os seus amigos do futebol, da política e da banca.P.S. «Os presidentes de Benfica e Sporting, Luís Filipe Vieira e José Eduardo Bettencourt, respectivamente, deram nas vistas ao chegarem juntos à palestra do gestor espanhol [Ferran Soriano, ex-vice-presidente do Barcelona], ladeados pelo presidente da Controlinveste, Joaquim Oliveira, e do líder do Marítimo, Carlos Pereira. Mais tarde chegariam o agente FIFA Jorge Mendes e também o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira. Sem qualquer representante máximo do FC Porto, Vieira e Bettencourt não se largaram, formando um muro intransponível.»
in abola.pt, 17/11/2010
Fotos: abola.pt, DN

