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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Um médio de top internacional

Tal como já tinha acontecido aquando da saída de Paulo Assunção, há cerca de um ano atrás repetiu-se o mesmo “drama”, devido à inevitável saída do Fernando (foi para o Manchester City ganhar 5x mais do que aquilo que ganhava no FC Porto). De facto, o “polvo” era um jogador muito importante nas tarefas defensivas (na transição defensiva, como agora se diz) e a sua saída foi uma baixa importante, aparentemente difícil de colmatar.

Em meados de Julho de 2014 chegou Casemiro e, entre os adeptos portistas, não faltou quem torcesse o nariz.
Porque vinha emprestado pelo Real Madrid (clube onde jogava pouco).
Porque o Casemiro era um Nº 8 e não tinha rotinas de jogar a Nº 6.
Porque era um jogador que não tinha timing de entrada à bola e, por isso, fazia demasiadas faltas.
Porque quem devia ser titular era o Rúben Neves.
Etc.

Contudo, Casemiro cresceu muito com Lopetegui (tal como outros jogadores), ao longo da época foi-se adaptando à nova posição e atualmente já (quase) ninguém “chora” por Fernando.

Casemiro, a Figura do FC Porto x Basel (O JOGO, 11-03-2015)

Casemiro, a Figura do SLB x FC Porto (O JOGO, 27-04-2015)

De facto, Casemiro é um médio mais completo que o Fernando porque, para além das missões defensivas (marcar, dobrar os laterais, “limpeza” à frente da área, etc.), aspectos em que melhorou muito, mas ainda sem ser tão bom como era o Fernando, tem outras qualidades onde é muito superior ao anterior médio-defensivo do FC Porto.
Quais?
A colocar a bola à distância.
A rematar à baliza de fora da área.
Na marcação de livres a 20-25 metros da baliza.
A surgir na área a finalizar, na sequência de cantos ou livres laterais ofensivos.
(em apenas uma época, Casemiro marcou mais golos neste tipo de lances de bola parada, do que o Fernando nos anos todos em que esteve no Porto)

No final da época, Casemiro já era visto como um dos jogadores fundamentais no onze portista e, não por acaso, está entre os 23 eleitos de Dunga para a Copa América (onde também há um jogador do Manchester City, mas não é o Fernando, é o Fernandinho…).

Opção de compra exercida (O JOGO, 29-05-2015)

Esta época de empréstimo ao FC Porto foi, sob todos os aspectos, a melhor coisa que aconteceu ao Casemiro desde que saiu do Brasil para vir jogar na Europa. Falta saber se, para o ano, vai continuar no Porto. Eu espero bem que sim.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O seu a seu dono

Analisando aquilo que se passa com o Slimani e o Rojo, e considerando os casos do Fernando e (até aqui) do Jackson, há que tirar o chapéu ao Pinto da Costa. É verdade que temos o "caso Rolando" - e por mim, neste caso, o PC tem carta branca; até pode optar por ficar com o jogador a treinar sozinho, ao invés de transferi-lo só para "salvar" uns cobres, era bem feito -  mas a verdade é que a sua importância no plantel do Porto, é insignificante face à dos outros dois no do SCP.

Nada mau para um "desesperado e senil" - e esta, puto ranhoso?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

SAD não precisa de vender Mangala e/ou Jackson

05-02-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou ter chegado a acordo com o Valencia Club de Fútbol, para a cedência dos direitos de inscrição desportiva de Otamendi, pelo valor de 12.000.000 € (doze milhões de euros).
Este acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

09-05-2014
O Kasimpasa oficializou a contratação, a título definitivo, de André Castro. Através do seu site, o clube turco revelou que o contrato com o ex-jogador portista é por três anos (estende-se até 2016/2017).
Os valores envolvidos na operação não foram referidos (a comunicação social referiu que o negócio envolve verbas na ordem dos três milhões de euros), mas sabe-se que Castro tinha sido cedido por empréstimo, com direito a opção de compra por parte do clube turco.

22-05-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou que o Hellas Verona Football Club exerceu a opção de compra dos direitos de inscrição desportiva de Iturbe, pelo valor de 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

O JOGO, 23-05-2014

Resumo do encaixe da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, no exercício 2013/2014 (de 1 de Julho de 2013 a 30 de Junho de 2014):
- Rolando (empréstimo ao Inter): 1 milhão de euros
- Atsu (transferido para o Chelsea): 4 milhões de euros
- Otamendi (transferido para o Valência): 12 milhões de euros
- Castro (transferido para o Kasimpasa): 3,5 milhões de euros
- Iturbe (transferido para o Hellas Verona): 6,75 milhões de euros

Total (até 23-05-2014): aprox. 27 milhões de euros

O JOGO (capa), 23-05-2014
Para além destes jogadores, há o caso de Fernando, cuja saída (para Inglaterra) a RTP e O JOGO dão como certa (O JOGO fala numa verba que deverá rondar os 20 milhões de euros).

Entretanto, em 18 de Maio, em declarações à imprensa italiana, Piero Ausilio, diretor desportivo do Internazionale, afirmou: “Queremos manter o Rolando connosco, mas não vamos perder a cabeça. O Rolando vai fazer 29 anos e negociar com o FC Porto pode não ser fácil. Mas é verdade que queremos que ele continue connosco e esperamos que a nossa vontade e a vontade do jogador tenham algum peso nas negociações.

A imprensa italiana referiu que o Inter está disposto a oferecer até 5 milhões de euros pelo passe de Rolando.

Ou seja, a confirmaram-se as vendas dos passes de Fernando e Rolando (por montantes próximos dos referidos), o encaixe total da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, irá saltar para valores na ordem dos 45 a 50 milhões de euros.

Isto significaria que a FC Porto SAD fecharia o exercício 2013/2014 com um resultado líquido positivo, sem necessitar de vender mais qualquer jogador, nomeadamente os muito falados Mangala e Jackson Martinez.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

2002 revisited?

Como já foi aqui discutido, depois de uma péssima época e com a perspectiva elevada de vermos «jóias da coroa» de saída no Verão (Jackson, Mangala, Fernando?), encontramo-nos num ponto de charneira (desculpem o cliché).

Felizmente é raríssimo passarmos por esta situação: a matéria passada para benchmarking é portanto escassa. Pessoalmente penso que a época de 01/02 é o ponto de comparação mais parecido nos últimos 20 anos, mais do que 04/05 ou até mesmo do que 09/10.

Também essa época foi muito má, tendo terminado o campeonato também em 3o lugar. E foi má acima de tudo por causa da escolha do treinador, tal como este ano - nesse caso Octávio Machado (que viria a ser substituído a meio da época por Mourinho, mas demasiado tarde para dar a volta - já agora, passou para a história o ideia de que tudo mudou drasticamente para melhor mal o Mourinho chegou, mas isso é um mito: numa quinzena de jogos para o campeonato Mourinho ainda «conseguiu» perder 3 jogos e empatar 2. Demorou portanto algum tempo a ver-se melhoras substanciais, só mesmo na recta final da época).

Também essa época terminou com a impressão de que o plantel era mais fraco do que realmente era. A ideia que ficou para a história foi de que o plantel era medíocre, mas repare-se em alguns nomes que lá estavam quando Mourinho chegou: 

Baía, Rubens Jr, R Carvalho, J Costa, Jorge Andrade, Costinha, Paulinho Santos, Paredes, Deco, Alenitchev, McCarthy, Postiga, Capucho, Clayton.

Era um plantel bem jeitoso, ainda que desequilibrado (ficou conhecido como o «plantel dos trincos», havendo pelo menos meia dúzia de médios defensivos).

Da mesma forma, penso que neste momento o plantel está subavaliado em função do (mau) trabalho do treinador. Este plantel não é excelente, mas é bem jeitoso.

Mas há outro factor comum nas duas épocas: em ambos os casos a situação financeira estava muito complicada (claramente mais do que em 09/10 e - ainda mais - 04/05).

Como demos a volta, todos sabemos: contratou-se um excelente treinador e (também em função dessa decisão, em boa parte) reforçamo-nos com alguns excelentes jogadores por uma pechincha: Maniche, Derlei, Paulo Ferreira, Nuno Valente e Pedro Emanuel (para além de outros reforços secundários, também eles muito baratos).

Mas há um outro factor que ajudou imenso e que não ficou para a história (pelo menos quase ninguém se lembra): acontece que conseguimos «segurar» as jóias da coroa (com a excepção de Paredes, mas esse já tinha muito boas alternativas dentro do plantel, em particular Costinha) apenas e só porque a SAD fez um aumento de capital que «injectou» 50M€, um enorme balão de oxigénio (e na altura 50M€ cobriam muitos mais custos do que agora).

Ora é aqui que a comparação deixa a situação actual numa luz desfavorável. Neste momento o cenário de nova injecção de capital parece-me impensável: o clube não tem possibilidades de acompanhar um aumento de capital, os Oliveiras não têm interesse e/ou capacidade, as imobiliárias muito menos (não há nenhum novo estádio para construir ou PPA...) e os adeptos comuns estão vacinados contra comprar acções da SAD (na altura a SAD ainda era uma coisa muito recente e havia quem tivesse a ilusão de que comprar acções não fosse equivalente a deitar dinheiro ao lixo, como de facto é). 

Aliás, mesmo que hipoteticamente houvesse quem quisesse tomar uma posição importante na SAD, podiam já hoje comprar os 19% que a Sacyl Vallehermoso herdou da Somague e que, estou certo, estaria bem disposta a vender por uma oferta minimamente decente (como o valor nominal das ações - o que iria traduzir os 19% em cerca de 15M€ - ou nem isso). O facto disso não acontecer diz muito.

Ou seja: quase certamente o novo treinador vai assistir à saída de 2 ou 3 jóias da coroa sem que haja grande dinheiro para novas contratações. Penso que a era de gastar anualmente uns 40M€ em passes  (como fizémos em média nos últimos 4-5 anos) acabou claramente.

A alternativa para remediar a coisa seria arranjar quem nos emprestasse mais umas dezenas de milhões, mas mesmo que isso seja possível (e não é nada líquido que o seja), já começa a tornar-se mais roleta russa do que jogada de risco - já que aumentaria ainda mais a dívida e iria aumentar o «fardo» dos juros (que já anda em 10M/ano) em vários milhões por ano. O SCP enveredou por essa via no virar do milénio, com as consequências que se viram e se fazem sentir ainda muito claramente mais de 10 anos depois...

Torna-se portanto ainda mais fundamental acertar em cheio no próximo treinador, e convenhamos que a probabilidade de que se «encontre» o próximo Mourinho é baixa. Se o próximo for «meramente» um «bom» treinador já era óptimo... pessoalmente prefiro de longe um treinador conceituado (que, entre outras coisas, saiba lidar com «vedetas» e pseudo-vedetas, e imponha muito respeitinho aos jogadores) do que mais outra tentativa em tirar coelhos da cartola com treinadores de CV modesto .

A segunda grande questão é se saberemos, tal como no fim de 01/02, contratar muito bem por uma pechincha. E também aí a probabilidade não é lá muito alta, constatando-se que isso tem sido cada vez mais raro nos últimos 10 anos (quase todas as grandes vendas da última meia dúzia de anos custaram muitos milhões à partida, não uma pechincha).

Resumindo e concluindo: o plantel actual é melhor do que parece, mas a tarefa que temos pela frente é hérculea, com muito pouca margem de erro. Para ser sincero, já não tenho a confiança nas capacidades de PdC que eu tinha em 01/02 (apesar do disparate que foi na altura escolher Octávio e o «estouro» de dinheiro em tiros-ao-lado como Kaviedes, Quintana e Esnaider), ainda que ele ainda tenha certamente algumas das boas capacidades que o distinguiram ao longo dos últimos 30 anos.

A minha confiança numa grande reviravolta não é, portanto, propriamente elevada. O que não invalida naturalmente que mantenho a esperança que o «bom» PdC mostre que ainda «está para as curvas»; que está à altura dessa tarefa hérculea. Mas estou, acima de tudo (e mais do que desanimado ou angustiado) expectante para ver o que ele vai fazer. Quem me dera que este Verão seja uma reedição do que assistimos em 2002 (na escolha de treinador e contratações)...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cu(r)tty S(t)ark

Um golo, duas bolas ao poste esquerdo da baliza defendida por Beto e mais cinco boas oportunidades do FC Porto – Mangala aos 36’, Quaresma aos 37’, Jackson aos 67’, Quintero aos 71’, Ghilas aos 81’ –, traduziram-se no final destes primeiros 90 minutos numa vantagem mínima (1-0). É um resultado demasiado curto para aquilo que foi o desempenho das duas equipas neste jogo.

O Sevilha foi uma equipa compacta, que jogou com linhas juntas e tentou, várias vezes, sair rápido em contra-ataques perigosos. Mas os dragões tinham a lição bem estudada, foram competentes e nunca permitiram que isso acontecesse (grande jogo do “Polvo”).

Ocasiões de golo do Sevilha houve apenas duas e ambas na sequência de bolas defendidas para a frente por Fabiano (o “gigante” brasileiro terá de estar mais seguro no jogo da próxima semana no Sánchez Pizjuán).

Golo de Mangala após cruzamento de trivela de Quaresma (fonte: LUSA)

É difícil escolher o MVP deste jogo.
Mangala “voador” impôs a sua capacidade atlética e voltou a marcar na Liga Europa.
Fernando encheu o campo e, para além das muitas bolas recuperadas, deu quase sempre sequência às jogadas com visão e inteligência (está muito melhor neste aspecto).
Quaresma voltou a demonstrar ser o extremo/ala português em melhor forma. Entre outras coisas, fez duas assistências de trivela (para Mangala e Jackson), teve um espectacular remate de primeira (que Beto defendeu) e enviou uma bola ao poste.
Mas a minha escolha é Diego Reyes. No seu 2º jogo para as competições europeias, dobrou várias vezes os seus companheiros da defesa e não me lembro de uma única falha deste campeão olímpico mexicano.

Se é difícil escolher o MVP, é muito fácil escolher o “artista” deste jogo: o árbitro alemão Wolfgang Stark, o qual, para além de alguns erros menores (por exemplo, em dois lances que seriam canto a favor do FC Porto, assinalou pontapé de baliza), teve um critério disciplinar vergonhoso.

Mostrou um cartão amarelo ridículo a Jackson e colocou-o fora do jogo da 2ª mão, num lance em que é o jogador do Sevilha (Iborra) que se encosta a Jackson e simula ter sido violentamente atingido na cara.
Mas, depois, o critério disciplinar do senhor Stark passou do 80 para o 8 e poupou vários cartões amarelos a jogadores da equipa andaluza, a saber:
- José Antonio Reyes (na falta sobre Alex Sandro, que antecedeu o golo do FC Porto);
- Daniel Carriço, duas vezes (na primeira situação o ex-sportinguista até pediu desculpa ao árbitro);
- Marko Marin, seu compatriota, que também escapou duas vezes à cartolina amarela;
- Coke (numa entrada de pés juntos sobre Quintero);
- Nico Pareja (falta sobre Jackson à entrada da área)

Apesar de estar a adoptar este critério largo (com os jogadores do Sevilha...), o senhor Stark não hesitou em mostrar dois cartões amarelos a Fernando na mesma jogada. Fantástico!

Num jogo que podia (e merecia!) ter ganho por 2 ou 3 golos de diferença, o FC Porto vai para Sevilha com apenas um golo de vantagem e sem poder contar com Jackson e Fernando (já nem falo nos lesionados Helton e Maicon). Não vai ser nada fácil. Esperemos não ter de jogar também contra uma arbitragem caseira.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mercado

Continuando a sua gestão (essencialmente) errante, as movimentações do Porto neste último mercado de transferências, saldaram-se em:

Entradas


- Quaresma
Uma aposta sem história dado que mesmo em final de carreira, o antigo cabeça-de-cartaz no período Jesualdo Ferreira, é muito superior a qualquer um dos extremos que já faziam parte do plantel.
Custo: zero.


- Abdoulaye
O marfinense regressa depois de ter cumprido a primeira volta ao serviço do Guimarães, para colmatar a saída do Otamendi.
Custo: zero.

Saídas


- Lucho González
Em nítido declínio (físico), o até aqui titularíssimo e capitão de equipa, trocou o Porto por um petroclube das arábias, em dia de jogo - uma estreia que cada vez supreende menos; uma equipa já de si sem norte, perde um líder e um jogador experiente.
Proveito: zero.


- Otamendi
O central argentino, titular na equipa que venceu há 3 anos a Liga Europa, foi "empurrado"(?) para fora do clube, num processo pouco condizente com a fama de que goza a "estrutura".
Proveito: 12 milhões (se forem efectivamente pagos)


- Sinan Bolat
A passagem do guarda-redes turco pelo Porto, é um sinal claro de que alguma coisa está muito errada.
Proveito: ?

Conclusões

O reduzido número de entradas e saídas, não permite retirar grandes ilacções, excepto que o número/qualidade dos extremos à disposição do treinador no início da época, óbvio para qualquer leigo, era claramente insuficiente - daí o regresso (tardio?) do Quaresma. Já a saída do Lucho González, foi completamente inesperada. Se, por um lado, não faria sentido negar ao jogador a hipótese de assinar um contrato milionário, é incompreensível que um jogador titular - cuja utilização, o treinador não soube gerir - saia sem qualquer compensação para o clube - e dinheiro não deve faltar para isso - e mais, que a saída se concretize num dia de jogo. De resto, o futebol apresentado até aqui é tão mau, tão mau, que é impossível apontar uma única área específica do plantel que necessite de ser reforçada; por outro lado, alguns jogadores são reconhecidamente capazes de se exibir num nível muitíssimo superior a aquele que têm vindo a demonstrar. Otamendi, é um caso flagrante - um jogador que já demonstrara ter qualidade, (aparentemente) perdeu no "duelo" com um treinador que não demonstrou nada, e que tem "queimado" jogadores - exemplos: Quintero passou de bestial a besta, Mangala irreconhecível, Jackson por conta própria - mais rapidamente que um incêndio de verão. Abdoulaye, regressa para o banco, quando ainda podia continuar a evoluir em Guimarães (e principalmente, continuar longe do Paulo Fonseca).

No que respeita a quase-saídas, Mangala esteve com um pé no Manchester City, mas para felicidade do clube inglês, a transferência gorou-se; ao ritmo que o jogador se vem desvalorizando, no final da época, o mais provável, é que consiga contratá-lo, caso ainda haja interesse, por um valor bem abaixo daquele que estaria envolvido se a transferência se tivesse ocorrido agora. O internacional francês tem sido invulgarmente resistente a transferir-se, mas duvido que na próxima época ainda esteja por cá, quanto mais não seja, pelo o risco bem real de o Porto se ver reduzido a disputar a Liga Europa.

Defour esteve à beira de se transferir para o Fulham, mas a saída do Lucho González gorou essa hipótese. O belga nunca foi visto como sucessor natural do Moutinho, a julgar pelo valor investido no Herrera - para um clube com a capacidade financeira do Porto, dispender €8.000.000* num um só jogador, só mesmo num titular - mas agora vai ter de servir, dê lá por onde der; o Porto decidiu arriscar forte no mexicano, inutilizou uma quantia considerável, para no final ter de recorrer a uma segunda-escolha, que não passa de um jogador útil para ter no plantel, mas não para ser titular.

Fernando, contra todas as expectativas, lá renovou.

* cerca de €1.000.000, foi para o empresário do jogador

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Algumas coisas boas

A exibição dos azuis-e-brancos foi fraquinha, na linha do que se tem visto esta época e com os defeitos conhecidos. Contudo, em vez de repetir aquilo que todos os adeptos portistas já estão fartos de saber e discutir (lentidão, desorganização coletiva, fragilidades defensivas, falta de acutilância ofensiva, etc.), vou falar de algumas das coisas boas deste FC Porto x Paços Ferreira.

Comecemos pelo mais importante: o resultado do jogo.
Ganhar e somar três pontos é sempre bom e, para aquilo que o FC Porto jogou, eu diria que ganhar este jogo por 3-0 foi um excelente resultado.

Outra coisa boa foi que, ao contrário do que aconteceu no último slb x FC Porto, desta vez, dos dois lances para penalty a favor do FC Porto, o árbitro (Cosme Machado) decidiu assinalar um. Menos mal, estamos a progredir...

Jackson Martinez marcou mais um golo (o 14º no campeonato) e, pelo menos até terça-feira, isolou-se na liderança da lista dos melhores marcadores do campeonato. E não é ele que marca os penalties que são assinalados a favor do FC Porto...

Fernando, o jogador que, segundo "fontes bem informadas", ia ser ostracizado pelos "malvados" dirigentes do FC Porto e não voltaria a vestir a camisola do FC Porto, regressou após paragem por lesão, jogou 90 minutos e foi um dos melhores em campo.

Quem também jogou 90 minutos, tendo sido o jogador das duas equipas que percorreu a maior distância (mais de 11500 metros), foi Herrera. Aos poucos, o médio mexicano vai ganhando o seu espaço na equipa e eu continuo a pensar que a sua intensidade de jogo, o seu futebol vertical e os passes de ruptura que faz só precisam de um coletivo mais forte e organizado à sua volta para convencer a generalidade dos adeptos portistas.

Perante a intempérie que, nos últimos dias, se abateu sobre o país, o Estádio do Dragão voltou a demonstrar que é, de longe, o melhor estádio português. Já se sabia que era o mais bonito, o que tem os acessos mais eficazes, as melhores condições de segurança (sem precisar de jaulas) e o relvado que resiste melhor a fortes chuvadas. Hoje ficou também demonstrada a enorme diferença de qualidade entre a cobertura do Estádio do Dragão e a do estádio lisboeta onde se vai disputar a próxima final da Liga dos Campeões...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Fernando, a RTP e a catástrofe anunciada



Na passada terça-feira à noite, assisti a parte de um programa sobre futebol na RTP (des)Informação, onde pude ouvir dois jornalistas/comentadores, no caso Bruno Prata e Carlos Daniel, supostamente donos da verdade, a discorrerem, com um ar quase constrangido, sobre a forma “incompetente” como os responsáveis do FC Porto tinham tratado dos casos de Otamendi e Fernando.

O caso do Fernando, então, era quase inexplicável. A RTP sabia (sabia!) que o melhor médio defensivo do campeonato português, um jogador considerado insubstituível por todos os comentadores presentes no programa (alguns dos quais torcem o nariz à possibilidade de Fernando ser chamado por Paulo Bento à Seleção da FPF...), ia ser colocado a treinar à parte e não voltaria a vestir a camisola do FC Porto, por se ter recusado a renovar.

Não sei porquê, mas desconfio que no programa 'Grande Área' da próxima terça-feira (e nos outros programas de discussão futeboleira), os “casos” Otamendi e Fernando vão deixar de fazer parte da agenda...

P.S. Na quarta-feira, dia 5 de Fevereiro, quando os ecos me(r)diáticos da novela Fernando estavam no auge, escrevi o seguinte num e-mail enviado a um grupo de adeptos portistas:
«Estou convencido que o Fernando vai continuar a jogar, sairá do FC Porto em Junho e a SAD encaixará alguns milhões de euros em mais-valias. Outros cenários que não este serão, para mim, uma surpresa.»

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

E Fernando, não renova?

O jogo de hoje [FC Porto x Zenit] serve, ainda que não para outra coisa, demonstrar que na sua posição Fernando é um dos melhores do mundo. Ter um treinador que não é capaz de o ver dá pena. Quando a equipa voltou a um desenho mais parecido ao 4-3-3, um 4-3-2-1, lá foi o "Polvo" quem fez esquecer Herrera. Cortou tudo o que havia para cortar e ainda teve pulmão para ajudar no ataque. Imenso. Imenso. Imenso.
Miguel Lourenço Pereira, 22-10-2013


O JOGO, 24-10-2013

Por ausência de ofertas, ou porque as mesmas não atingiram o valor pretendido pela Administração da FC Porto SAD, Fernando não foi transferido no último defeso. Mas também não renovou o seu contrato com o FC Porto. Ou seja, daqui a pouco mais de dois meses, Fernando pode assinar por outro clube e sair do FC Porto a custo zero.

Se isso acontecer, será um enorme fracasso (do ponto de vista do modelo de negócio da FC Porto SAD) ver sair a custo zero um jogador que chegou ao Porto em Junho de 2007, com 19 anos, proveniente do Vila Nova Futebol Clube (clube da 3ª divisão brasileira) e que, ao longo destes anos, foi trabalhado e moldado para a alta competição no FC Porto.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Adeus Champions, adeus

A Champions League acabou. Há três jogos por disputar mas a festa chegou ao fim. Antes do previsto para muitos. Como era esperado para outros. Haverá quem alimente no próximo mês o discurso de que tudo é possível. Que é um ponto de atraso nas contas do grupo. A verdade é que é muito, muito mais do que isso. O FC Porto caiu por culpa própria, uma vez mais. Não por erros colectivos mas por falhas individuais. Foi assim em Málaga, foi assim com o Atlético de Madrid. Foi assim hoje. Desta forma não se vai a lado nenhum.

Acreditar que este FC Porto - este - é capaz de ganhar em São Petersburgo e em Madrid, é acreditar em fadas e duendes. Pode ser que eles existam e eu esteja enganado. Mas até os ver não acredito em contos. E é disso que se trata. Contos. Uma equipa que não ataque bem, que defende mal e que ainda para mais comete mais do que um erro grave por jogo (o de Otamendi não tem nome) está condenada a cair antes do esperado. Os adeptos seguramente não merecem este desfecho. Mas é a realidade. O FC Porto tem um treinador que não consegue dar a volta aos problemas que se lhe colocam em campo. E tem jogadores cujos comportamentos, mais do que infantis, diria, anti-profissionais, comprometem o esforço do colectivo. Hector Herrera tornou-se no jogador expulso mais rapidamente da história da Champions League. É preciso um dom para ser-se tão inocente. Tal como Defour, em Málaga. Tal como os erros de Otamendi e Mangala contra o Atletico. Erros e mais erros. Nos momentos cruciais.



O jogo em si não foi mau. A equipa reagiu bem à expulsão sobretudo porque o Zenit é muito menos do que aparenta ser e porque Hulk quer resolver à bomba todos os problemas da sua equipa. Teve nos pés resolver o jogo muito mais cedo mas se calhar lembrou-se dos bons tempos de Dragão ao peito, hesitou e permitiu a Hélton um desvio de milagre. O brasileiro foi um dos melhores em campo. Só Lucho, imenso até ter esgotado cada gota de suor que tinha para dar, e Fernando, foram melhores.
O jogo de hoje serve, ainda que não para outra coisa, demonstrar que na sua posição Fernando é um dos melhores do mundo. Ter um treinador que não é capaz de o ver dá pena. Quando a equipa voltou a um desenho mais parecido ao 4-3-3, um 4-3-2-1, lá foi o "Polvo" quem fez esquecer Herrera. Cortou tudo o que havia para cortar e ainda teve pulmão para ajudar no ataque. Imenso. Imenso. Imenso.
O FC Porto soube controlar o jogo na primeira-parte mesmo jogando com menos um. A falta de Herrera notava-se menos no miolo e mais no ataque onde Jackson foi engolido, literalmente, por Luis Neto e havia poucas opções de perigo sempre que Licá, uma nulidade, estava por perto. Lucho tentou a sorte, mas ela olhou para outro lado. Varela, o grande dinamizador do ataque do FC Porto na segunda parte (porquê a suplência?), também sofreu o mesmo destino. Quando a incompetência individual e o azar se unem não à volta a dar.
Parecia que a equipa ia aguentar o empate. Helton parava cada bomba de Hulk, Fernando engoliu a Danny, Shirokov e Arshavin, Lucho corria, corria e corria e as melhores oportunidades até aconteciam do outro lado, quando a bola durava mais de cinco segundos nos pés de Jackson. Mas não. Estava escrito que o segundo jogo em casa se saldava com uma segunda derrota perto do fim, quando os adeptos acreditavam que iam presenciar um milagre.



Em Viena, onde tanto sofremos para marcar, o Atlético de Madrid aplicou um festival de futebol e de golos e resolveu a liderança do grupo. Têm nove pontos em três jogos, precisam apenas de rematar o FK Austria em casa para confirmar a liderança. O que significa que contra o Zenit, primeiro, e contra nós, em segundo lugar, vão jogar apenas os milhões e o prestigio. Mas até lá, possivelmente, o grupo até já pode estar decidido. No jogo de São Petersburgo é o tudo ou nada. Uma vitória do clube cujo patrocinador e patrono também o é da prova, fecha praticamente as contas do grupo. Seriam sete pontos para os russos por três dos dragões com apenas seis para jogar. Se ambos vencessem o FK Austria os jogos com o Atlético seriam totalmente irrelevantes. Mesmo um empate na Rússia continua a jogar a favor dos russos. Só a vitória em terreno hostil pode mudar um destino similar ao de 2011. Mas parece altamente improvável.

Seguramente que haverá muito boa gente que se ponha de pé a clamar por traição, que isto é o FC Porto e que ninguém desiste antes do jogo terminar. Certo. Eu, pessoalmente, não desisto. Mas quem joga é a equipa, quem tem de fazer acreditar é a equipa. E quem a lidera. E o que a temporada tem trazido até agora dá pouco espaço para a crença, mais sabendo que os russos vão jogar como gostam em casa, tranquilamente, aproveitando espaços, precisamente onde a equipa com Paulo Fonseca é mais débil. Podem sonhar à vontade, que é grátis. O normal é que a equipa arranque o novo ano na Europe League, uma competição que seria para ganhar. Seria, mas com esta liderança tenho as minhas dúvidas!

PS: Se alguém conhecer uma equipa que chega aos oitavos-de-final de uma Champions League com o ratio de erros gravíssimos da sua dupla de centrais e dos seus médios que me avise. Foi em Viena, foi com o Atlético e foi hoje. Mangala, Otamendi, Herrera, Alex Sandro. Nenhum fica bem na fotografia e a situação em lugar de se corrigir parece que vai piorando. Á elite só lá chega quem merece. Esta linha defensiva, sobretudo, não a merece!

PS2: A arbitragem foi lamentável. A expulsão certeira, ninguém se pode queixar quando se cumprem as regras. Mas a partir de aí houve erros e erros, cartões por mostrar (a ambas partes) e o momento anedota da noite quando uma bola ao ar se transformou num livre quando o guarda-redes russo caiu em falta na área. Enfim, a elite europeia dizem!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca... (III Parte)

Concluídas as duas primeiras jornadas do campeonato está na altura de revisitar os excelentes artigos do Miguel Lourenço Pereira de 12 e 13 de Agosto, aqui no Reflexão Portista, sobre o esquema táctico 4-2-3-1 do treinador Paulo Fonseca:

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)
O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

O FC Porto apresentou-se com a mesma equipa titular nas duas partidas da Liga: Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Defour, Lucho, Josué, Jackson e Licá, o que significa que Paulo Fonseca encontrou um "onze base", tendo em conta que o titular Varela, lesionado, foi substituído por Josué.

Nos referidos artigos o Miguel descreveu os princípios básicos do novo esquema táctico relativamente ao conhecido 4-3-3: (i) a criação do conceito de número 10, Lucho, (ii) a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, Fernando e Defour e (iii) o maior espaçamento de linhas para a obtenção de um futebol mais vertical. Além disso chamou a atenção para os principais defeitos e virtudes do 4-2-3-1: "este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. (…) [o adversário pode] lançar um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival".


No primeiro jogo, em Setúbal, a equipa acusou falta de entrosamento e permitiu vários lances perigosos aos sadinos, incluindo o do golo, sendo que o perigo foi aparecendo de situações que o Miguel previra: o "duplo pivot" estava em linha e sem uma noção clara de quem deveria marcar e foram surgindo passes para as costas da nossa defesa. Por outro lado a articulação entre os jogadores das linhas ofensivas não foi a melhor, o que gerou mais dificuldades de penetração na defesa contrária e criação de lances de perigo. Lucho não conseguiu ser o número 10, Defour não foi box-to-box e Fernando não foi… Fernando. Valeu Quintero, que substituiu Defour, e mal entrou mandou uma bomba para resolver o jogo.


No segundo jogo, na estreia da equipa esta época no Dragão, tudo foi diferente. O FC Porto submeteu o Marítimo a forte pressão desde o início, com um futebol rápido, alegre e mais vertical. Na vertente defensiva Mangala e Otamendi estiveram muito bem na antecipação e na anulação das investidas do adversário e o "duplo pivot" Fernando-Defour funcionou bem, o primeiro libertando-se do seu típico jogo de recuperação e varrimento e o segundo conseguindo ser um box-to-box mais influente. Não foi Moutinho, mas esteve no campo todo. Vi pela primeira vez o Fernando a avançar no terreno com a bola controlada e a procurar linhas de passe, fazendo-o com maior à vontade e segurança que em partidas anteriores. Contrariamente ao que afirmou o Miguel, parece-me agora que o Fernando poderá ser um dos mais beneficiados com este estilo de jogo porque terá mais bola e terá de pensar mais o jogo, o que o tornará num jogador mais valioso. Às suas características de trinco puro, poderá juntar características de distribuidor e tornar-se um médio mais completo.

Apesar da boa exibição e dos golos achei que a equipa, pelas características de Licá e Josué, que não são extremos puros, afunilou demasiado o jogo, tendo abusado do jogo interior, perdendo profundidade. Poderá, eventualmente, ser ideia do treinador usar momentaneamente os laterais Danilo e Alex Sandro como extremos, com o apoio e as dobras do "duplo pivot" em caso de perda de bola e (principalmente) Licá como segundo ponta-de-lança, dando ao Lucho tempo e liberdade para deambular no meio campo e no ataque.


A este esquema sobram ainda Herrera e Quintero – que deverão competir com Defour e Lucho, respectivamente, por um lugar no "onze" – e Carlos Eduardo como alternativas para o meio campo e Kelvin e Iturbe como jokers para os lugares de extremo. Ghilas deverá ser a alternativa a Jackson Martinez dado que, em jogos oficiais, creio que não foram experimentados simultaneamente.

À pergunta final do Miguel, "será este o modelo ideal para esta época?", respondo, para já, com um sim porque a equipa tem dado sinais de que o consegue assimilar e o plantel tem variadas opções e de grande qualidade para substituir ou complementar os jogadores que neste momento integram o "onze base". Tanto o “duplo pivot” como a defesa, na generalidade, estiveram bem melhor no jogo contra o Marítimo. Que a equipa e o treinador continuem a evoluir e a proporcionar bons espectáculos de futebol (com vitórias!).
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

Está claro que o Paulo Fonseca teve pouco a dizer nas contratações mas terá muito pelo que responder com aquilo que o seu plantel pode oferecer durante o ano.

Desde Fernando Santos - aquele 4-2-3-1 com Paulinho+Chainho atrás de Deco, com Alenitchev no banco - que a equipa se habituou ao 4-3-3 como modelo base, salvo pelo segundo ano de Mourinho e o 3-4-3 de Adriaanse. É um modelo formatado, assimilado e que faz todo o sentido. Mas também é uma táctica para a qual o plantel oferece poucas opções individuais. A ausência de extremos desequilibradores (que já foi um problema no ano passado, depois da saída de Hulk e da situação com Atsu) afunilava em excesso a equipa, com James a meter a marcha para dentro e Varela muitas vezes a encostar-se a Jackson num 4-1-2-1-2. Este ano não houve mudanças radicais nesse capitulo. E portanto o plantel continua a oferecer poucas opções individuais.

O 4-2-3-1, pelo contrário, encaixa melhor nos jogadores disponíveis. E é o modelo que o técnico utilizou no Paços, que conhece bem. Quer entrar com cautela, jogando pelo seguro. É compreensível, mas também é preciso lembrar que a defesa do Paços não jogava tão alta como deverá jogar a nossa, o que implica que os espaços entre linhas eram menores e, portanto, o risco de descompensação zonal entre-linhas inferior.


Nesta imagem fica claro o que vamos ver este ano.
4 defesas em linha, com os laterais com ordem para subir. Um avançado fixo, dois extremos abertos e um jogador livre. E dois box-to-box que se têm forçosamente que complementar no meio-campo. Ora é aí precisamente que geramos um considerável over-booking.

Para as alas o "mister" sabe que tem o Varela, o Ricardo, o Licá e o Kelvin (não sei onde o Iturbe ou o Ismailov encaixam aqui, já veremos o que passa). Dois extremos puros (Ricardo, Varela), um batalhador que vai ser muito útil (Licá) e o joker, Kelvin. No ataque contamos, finalmente, com duas opções válidas em Jackson e Ghilas. É no meio-campo que está o busílis.

Quintero chegou e triunfará, mas precisa de tempo (como Anderson, como James). Lucho fará o posto de 10 desde o início e a transição será progressiva. Se a táctica fosse o 4-3-3, o argentino teria problemas em jogar, porque como se viu no ano passado, o 4-3-3 exige muito do trio do meio-campo fisicamente. E Lucho já não está para isso, enquanto Quintero ainda é verde para esse ritmo. "El Comandante" é o grande beneficiado desta metamorfose táctica. Vai permitir manter-se vivo e activo mais tempo do que poderíamos imaginar. Fernando é o grande prejudicado.

"O Polvo" tem sido fundamental desde que substituiu o Paulo Assunção a tapar todos os buracos que apareciam na linha defensiva. Sempre funcionou melhor varrendo do que com um jogador ao seu lado. Por estatuto será titular mas tenho as minhas dúvidas que se sinta cómodo. O contrato acaba este ano, até ao fim do mês ainda pode sair ou, eventualmente, pensando já no futuro, o técnico procura um modelo para o que tem. E como não há outro Fernando no plantel, acha mais adequado apostar num modelo onde sim funcionam todos os outros médios de que dispõe.

Este 2-1, este triângulo invertido, encaixa bem no perfil de Defour, de Herrera, de Carlos Eduardo, de Josué (que também pode fazer o 10) e de Castro. Apostando neste modelo, o técnico garante que terá jogadores a quem pode distribuir minutos, rentabilizando as suas características técnicas e tácticas ao máximo em vez de as forçar a um modelo que dependia em excesso de Fernando para funcionar realmente.

Portanto, o 4-2-3-1 é o modelo ideal para esta época?

Como em tudo, tem aspectos positivos e negativos.
Defensivamente causa muitos mais problemas do que o 4-3-3 e nos jogos europeus, sobretudo, a segurança defensiva é absolutamente fundamental. Podemos nesse jogo voltar, pontualmente, ao 4-3-3?
Podemos e, talvez, devemos. É também um sistema que não saca o melhor de um dos melhores jogadores do plantel, Fernando, e que gera sérios riscos nos jogos em casa contra rivais claramente inferiores.
É um modelo cauteloso, com dois médios sempre no apoio (e ás vezes vai fazer falta um desses médios lá à frente) e que funciona melhor em equipas onde o meio-campo é uma zona curta de passagem, mais de contra-golpe do que de futebol de posse constante.



No entanto, não se pode dizer que seja, exclusivamente, um modelo defensivo mas sim que se adapta melhor a equipas mais pequenas, que queiram ter menos tempo a bola e procurem mais as transições rápidas e as linhas próximas entre si (numa zona do terreno mais recuada).
O 3-2-3-1 vai permitir ter sempre um segundo homem na área. Vai gerar maior dinamismo nas transições, quebrando o ritmo "pastelento" do ano passado. Em momentos de posse, pode tornar-se num 2-4-1-2, com a subida dos dois laterais para a linha do 2-1 no meio-campo, mas isso só funcionará se as linhas estiverem para lá da linha de meio-campo. Permite sacar o melhor de um grande jogador, que é Lucho, e de outro que seguramente o será, Quintero. E adapta-se melhor ao plantel desenhado para a temporada.

Será um ano largo.
Ninguém pode antecipar que durante os jogos o próprio técnico faça mudanças que permitam oscilar entre um modelo e outro. Não é uma mudança demasiado radical (como foi o 3-4-3 de Adriaanse), não é um modelo estranho aos adeptos. É uma interrogante mais, a par do treinador e de muitas das caras novas. Esperamos que, em Maio, a nota positiva se aplique aos três e que a nova variante permita contornar os problemas que tínhamos o ano passado sem, por sua vez, criar outros já resolvidos.

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

sábado, 20 de julho de 2013

10 milhões por Fernando

Fico feliz por estar neste grande clube, mas vamos ver. Depois de tudo o que vivemos e daquilo que conquistei aqui dentro, vários títulos, que foram oito, penso que a melhor altura para sair seria esta. Fala-se muito na Itália, mas vamos ver. (…) todos os jogadores sonham em jogar em grandes campeonatos.”


Quero um campeonato mais competitivo

(O JOGO, 18-07-2013)

Em declarações à Antena 1, o empresário de Fernando referiu que, no início de Junho, apresentou à Administração da FCP SAD uma proposta do AS Monaco, no valor de 10 milhões de euros, a qual foi recusada.

Eu compreendo que, depois da inevitável saída de João Moutinho, a SAD queira evitar que Fernando siga o mesmo caminho, de modo a que o novo treinador não tenha de reconstruir a quase totalidade do meio-campo portista. Além disso, depois do negócio Moutinho + James, a FC Porto SAD não está, financeiramente, obrigada a vender.

Por outro lado, também percebo que a SAD entenda que 10 milhões de euros é insuficiente para um jogador da valia do Fernando, até porque, na época passada, para além dos reconhecidos méritos defensivos, Fernando denotou uma evolução significativa em termos ofensivos, quer fazendo passes verticais para as costas da defesa contrária, quer surgindo ele próprio em zonas de finalização.

(O JOGO, 09-02-2013)

Dito isto, dizer que não se aceita negociar abaixo da cláusula de rescisão, pode ser uma boa estratégia negocial, quando o jogador está seguro, mas é um risco muito grande quando o jogador entrou no seu último ano de contrato. É que se não renovar, daqui a uns meses Fernando será um jogador livre para assinar por quem quiser, sem que a FC Porto SAD receba um cêntimo.

10 milhões por Fernando é pouco mas, ponderando todos os aspetos, penso que a FC Porto SAD deveria aceitar a proposta do AS Monaco, se é que a mesma ainda é válida.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vaya con Dios Fernando!


"A minha vontade é sair"

Fernando, não a nenhum jornal mas via Facebook*, é rotundo. Não renovou, não vai renovar, quer sair já, se ficar é contrariado e quer um grande para ir ao Mundial do Brasil. É provavelmente o maior problema para o novo treinador resolver. E um borrão na gestão desportiva da SAD se a situação não for resolvida rapidamente, como espero.

Faz-me lembrar o caso Doriva, na altura brilhantemente gerido por Pinto da Costa. E tantos outros de jogadores que acham que o FCP lhes fica pequeno. Têm direito a pensá-lo. Afinal a liga portuguesa - com estádios vazios, polémicas constantes, terrorismo mediático por parte de um clube aos restantes e uma falta de qualidade técnica preocupante - não motiva muita gente. Uns vão pelo dinheiro - e ele fala de uma oferta irrecusável - , outros pela ambição de ir à selecção (uma forma mais educada de dizer que se vai pelo dinheiro) e ainda há os que vão porque sentem que fecharam um ciclo.

O Fernando podia ser o último caso. Merecia-o. Nos últimos anos foi regularmente um dos melhores jogadores da Europa na sua posição. Foi uma brilhante descoberta da SAD, provou o que valia quando andou a rodar na Amadora e fez-se muito bem com o posto. Tornou-se insubstituível. Com Jackson Martinez, é o único jogador no plantel sem alternativa. Não há. Nem Castro, nem Defour, nem Herrera nem quem vocês quiserem. Ali ficará sempre um vazio difícil de preencher. Porque Fernando esteve sempre acima de qualquer suspeita.

Para o jogador vir ao Facebook desmentir notícias públicas - dando a sensação de que acha que foi alguém de dentro a filtrar falsa informação - é sinal de que está farto. De que vai ser um problema no balneário, principalmente para um treinador que chega novo e sem o controlo da situação. Nós sabemos bem que um jogador, quando quer sair, sai. A diferença é sair a bem (rendendo bom dinheiro) ou sair a mal (e desvalorizado). O Fucile ainda anda por aí a treinar sozinho, o Palito esteve para valer 20 milhões e saiu como saiu. Sinais importantes para ter em atenção. Fernando é muito bom e vale cada cêntimo que o FCP peça por ele. Sair por menos é um crime. Mas para isso é preciso gerir a situação melhor.

Eu entendo a postura da SAD - não falo da equipa técnica, porque ainda não existe, oficialmente - de querer segurar os seus melhores jogadores. Mas quando se chega a um ponto de não retorno (e eles sabem qual é muito antes que nos chegue a nós) o melhor é gerir os casos de forma silenciosa e que beneficie o clube. Financeiramente, depois do encaixe de Moutinho e James, o FCP não precisa de vender. Mas que ter um jogador contrariado sem o contrato renovado no plantel? Um possível foco de instabilidade? Acho que não.

Por outro lado, depois de Fernando, pode vir Jackson ou Mangala com o mesmo discurso. Aí, tem de valer o peso da duração do contrato (superior) e a firmeza da SAD em declarar publicamente que o ciclo de Fernando chegou ao fim (algo que o de jogadores deste perfil ainda não aconteceu) para estancar a hemorragia. Sacar o máximo dinheiro possível (e se a oferta existe, espreme-la bem até ao último cêntimo) e embrulhar o jogador num lacinho. E claro, ter muito bom olho para encontrar um substituto à altura, numa posição muito delicada.

Honestamente, é difícil para um adepto simpatizar com um jogador que quer sair, seja por dinheiro, por ir à selecção ou porque está farto do tempo do Porto (como disse o Guttman há 60 anos). Mas entendo a sua posição. São profissionais, não têm uma ligação emocional ao clube e à cidade e querem seguir o seu caminho. Que o façam, mas que tentem fazer um esforço, publico pelo menos, de sair com a cabeça bem alta. Porque se há jogador que merece uma ronda de aplausos pelo que deu ao clube enquanto cá esteve, esse foi sem dúvida o "Polvo"!

* Procurei na conta oficial do Fernando as declarações. Não estão. Vi vários print screens com elas e não me parece montagem. Mas ao já não estarem significa que alguém lhe deu um toque sério. Lamentavelmente estas coisas quase nunca sucediam no FCP. Mas hoje em dias as redes sociais são uma arma que os jogadores têm e que escapa ao controlo dos clubes. Antes se falavam com um jornal, o clube sabia-o e podia cortar o mal pela raíz. Agora vivemos novos tempos, não é senhor Reges?

sábado, 25 de maio de 2013

Moutinho saiu? Chamem o “pronto-socorro”

(jornal O JOGO, 14-05-2013)

Na semana que antecedeu o desafio final em Paços Ferreira, e quando já se sabia que Fernando não ia poder participar nesse jogo (estava lesionado e castigado), o jornal O JOGO publicou um artigo sobre o Defour. Nesse artigo (ver em cima), Defour era apresentado como o pronto-socorro portista da época 2012/13, sendo destacado numa infografia o facto do internacional belga ter sido chamado a jogar em seis posições diferentes (as três posições do meio-campo, ala-direito, ala-esquerdo e defesa-direito). É obra!
E é, também, sinal de três coisas:
- das limitações existentes no plantel que Vítor Pereira teve à sua disposição;
- da polivalência de Defour;
- da confiança que o treinador do FC Porto depositou no número 35 (3+5=8, o seu número preferido) do plantel portista.

Defour ainda não é um jogador de top internacional mas, na minha opinião, é um jogador de qualidade, com uma cultura táctica muito acima da média e, tirando a “loucura” que o afectou em Málaga (obrigando a equipa postista a jogar a 2ª parte quase toda reduzida a 10 jogadores), é um jogador que se tem revelado muito útil.
Estando há dois anos no FC Porto, e tendo sido o 12º jogador do plantel mais utilizado (1308 minutos) no último campeonato, Defour ainda não se afirmou como titular dos dragões, o que é compreensível, se atendermos a que o meio-campo portista era formado por Fernando, Moutinho e Lucho.

Contudo, a saída de João Moutinho para o AS Monaco (o novo “brinquedo” do multimilionário Dmitry Rybolovlev) é uma oportunidade de ouro para o belga se afirmar como titular dos dragões porque, parece-me, ser ele quem está na pole position para ocupar o lugar do melhor médio português da atualidade.

Estou convencido que se o Defour se fixar na posição em que rende mais (na posição 8, que era ocupada por João Moutinho), em vez de ser o pronto-socorro que, por falta de alternativas no plantel, jogou em 5-6 posições diferentes, a tendência será o seu rendimento subir. Dificilmente atingirá o nível do Moutinho, mas tem características semelhantes e poderá aproximar-se.

Falta saber quem serão os outros elementos do meio campo portista para a época 2013/14.
Lucho terá como concorrentes Carlos Eduardo (ex-Estoril) e Izmaylov, mas será que Fernando, que não se cansa de dizer que gostaria de sair (Inter Milão, PSG, ...), acabará por renovar e ficar?
E que futuro está reservado para Castro, Tiago Rodrigues (ex-Vitória Guimarães) e Tozé (equipa B)?
E há ainda o mexicano Héctor Herrera, jogador do Pachuca, que se diz já ter um acordo com a FC Porto SAD desde... Janeiro.


A saída de um jogador do calibre de João Moutinho (a "maçã podre" de Alvalade, lembram-se?) é, obviamente, uma perda significativa em termos desportivos mas, como portista, estou mais preocupado em saber como vão ser colmatadas as carências óbvias que existem no ataque (extremos, avançados e pontas-de-lança) porque, em termos de médios, penso que há matéria-prima suficiente para, na próxima época, o FC Porto voltar a ter um meio-campo forte.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Jogadores que cresceram na era VP

(jornal O JOGO, 06-05-2013)
Desde o primeiro dia em que assumiu o comando técnico dos dragões, Vítor Pereira nunca foi levado a sério, nem beneficiou da simpatia de jornalistas, comentadores ou da maior parte dos adeptos portistas.
De facto, e apesar de apenas ter registado uma derrota em 58 jogos para o campeonato, as críticas a Vítor Pereira têm sido muito mais do que os elogios.

Uma das acusações que se ouve recorrentemente (principalmente entre adeptos portistas) é a de nenhum jogador da equipa do FC Porto ter evoluído e crescido futebolisticamente nos últimos dois anos.
Será isto verdade?
É óbvio que não. Aliás, já aqui falei nos casos de Maicon (considerado por muitos o melhor defesa-central do último campeonato), Alex Sandro (alguém se lembra de Alvaro Pereira?), Mangala (o defesa goleador, jogando quer no centro, quer à esquerda), Fernando (deixou de ser um pivot fixo que só defendia) e Jackson Martinez (cujo desempenho e veia goleadora com a camisola azul-e-branca até surpreendeu os seus compatriotas).

A todos estes exemplos, podemos juntar o caso de Moutinho que, como o jornal O JOGO destacou na passada segunda-feira (ver recorte/imagem neste artigo), está a fazer a sua melhor época de sempre, alargando a sua influência a outras zonas do terreno e batendo os seus recordes de golos e assistências.

Pode discutir-se qual o mérito de Vítor Pereira na evolução registada por estes e outros jogadores.
Pode alegar-se que estes jogadores são tão bons, que teriam evoluído independentemente do treinador, dos métodos de treino e do modelo de jogo adoptado pela equipa.
O que não me parece correto é negar as evidências e dizer que nenhum jogador evoluiu desde que Vítor Pereira é o treinador principal do FC Porto. Isso é que não.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Os desejos de Fernando


(fonte: jornal O JOGO, 08-12-2012)

Apesar dos desejos que ele e o seu empresário manifestaram em Dezembro passado, é justo dizer-se que, dentro do campo, não se notou qualquer tipo de contrariedade. Pelo contrário, nesta segunda parte da época, Fernando tem sido o médio mais regular e de melhor rendimento, o que não é coisa pouca, se levarmos em conta que no meio-campo portista também jogam Moutinho e Lucho.

Mais. O Fernando desta época denota uma evolução significativa em termos ofensivos, quer fazendo passes verticais para as costas da defesa contrária, quer surgindo ele próprio em zonas de finalização. Aliás, para quem defende a tese de que nenhum jogador evoluiu com Vítor Pereira, Fernando é um bom exemplo para contrariar essa tese (tal como Maicon, Alex Sandro, Mangala ou Jackson, mas isso é outra conversa).

Falta saber se irá renovar (só tem contrato até Junho de 2014) e continuar no FC Porto, ou se a SAD irá aceitar alguma das propostas que têm chegado ao Dragão. Com Lucho em final de carreira, num cenário em que Fernando e Moutinho saiam simultaneamente no final desta época, não é dificil prever que a próxima irá ser muito complicada, isto independentemente do treinador que for contratado para substituir Vítor Pereira.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Falar dentro de campo...

(fonte: O JOGO)

Aos 25 anos e na sua 5ª época de azul-e-branco, o médio defensivo Fernando Reges sonha com a seleção canarinha e quer sair para um campeonato mais mediático do que o português.
Pois... mas já há clubes interessados?
E esses clubes têm dinheiro, carcanhol, massa, cheta, guita, pilim que se veja?
 
Suponho que se o FC Porto renovar o seu título de campeão nacional e, principalmente, se for longe na Liga dos Campeões, será mais provável atrair a atenção de alguns "tubarões" do futebol europeu (penso que o Fernando não quererá ir para a Ucrânia ou Rússia...), dos tais campeonatos mais mediáticos.
 
Para isso, para que a EQUIPA consiga alcançar as suas metas, valorizando os jogadores e potenciando as metas individuais, talvez fosse melhor pôr o NÓS à frente do EU. Ou seja, os jogadores, a começar pelos que querem emigrar à procura do el dorado, em vez de andarem a dar entrevistas destas, deveriam estar focados nos objetivos da EQUIPA e preocupados em "falar" dentro do campo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As lesões de Fernando


Fernando é o melhor médio-defensivo do futebol português e tem, desde que sucedeu a Paulo Assunção na posição 6, um papel relevante no modelo de jogo do FC Porto, principalmente em desafios contra adversários mais fortes (como é o caso do jogo de hoje em Kiev).

Contudo, tem sido um jogador muito afetado por lesões musculares, particularmente desde a época 2010/11.
Isso mesmo pode ser comprovado pela utilização de Fernando no campeonato, nas últimas quatro épocas:
2008/09: 25 J, 2192 minutos (81% de utilização)
2009/10: 25 J, 2199 minutos (81%)
2010/11: 21 J, 1637 minutos (61%)
2011/12: 22 J, 1784 minutos (66%)

Esta época as lesões chegaram cedo. A primeira foi logo em finais de Agosto e implicou uma ausência de cerca de um mês; a segunda lesão, contraída no último jogo frente ao Marítimo, vai obrigar este médio brasileiro a uma nova paragem de várias semanas. E ainda estamos no início de Novembro.

Não é normal um jogador ter tantas lesões.
Existirá algum aspecto da constituição física de Fernando que esteja na origem destas sucessivas lesões musculares (não-traumáticas)?
Para além do treino global, não haverá possibilidade de ser efectuado um treino especifico, orientado para as características musculares do Fernando, e que contribua para diminuir a propensão deste jogador em ter este tipo de lesões?

domingo, 4 de novembro de 2012

O regresso de Rolando?

O FC Porto partiu hoje para a Ucrânia, onde na terça-feira irá defrontar o Dínamo Kiev, no 4º jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões.


Sem os lesionados Alex Sandro, Maicon e Fernando, o destaque na lista dos 19 convocados são as chamadas de Rolando, Iturbe e do defesa esquerdo colombiano Quiño.

Atendendo a que, de acordo com as previsões, Fernando e Maicon irão ter pela frente uma paragem de várias semanas, Vítor Pereira vai ter de arranjar alternativas, não só para este jogo mas, provavelmente, até à paragem do campeonato em Dezembro.


Tendo apenas quatro médios disponíveis - Defour, Moutinho, Lucho e Castro -, uma das possibilidades será puxar Danilo para o meio-campo (no início ou durante os jogos), entrando Miguel Lopes para defesa-direito.

Contudo, a principal questão está relacionada com a utilização, ou não, de Rolando. A confirmar-se que Maicon só voltará a competir em Janeiro, penso que faria todo o sentido voltar a apostar em Rolando para jogar do lado direito da dupla de centrais, ao lado de Otamendi (que continuaria a jogar do lado esquerdo). Para além de ser uma dupla que já fez dezenas de jogos e do superior traquejo de Rolando relativamente à outra opção (Abdoulaye), seria uma oportunidade de ouro para Rolando se (re)valorizar, tendo em vista a sua desejada transferência na reabertura do mercado.

Assim, não podendo contar com Alex Sandro, Maicon e Fernando (e Hulk...), o meu onze para Kiev seria o seguinte:
Helton
Danilo, Rolando, Otamendi, Mangala
Defour, Moutinho, Lucho
James, Jackson Martínez e Varela

Imagens: ojogo.pt