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terça-feira, 1 de abril de 2014

Quaresma no Mundial do Brasil? Obviamente!

No passado dia 25 de Março, no “Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Paulo Bento foi questionado por Carlos Daniel se ia convocar Fernando e Quaresma.
É estranho, ou talvez não, que o benfiquista mais conhecido de Paredes, no papel de moderador de um painel, apenas se preocupe com os nomes de dois jogadores do FC Porto. Atendendo à inquestionável valia dos jogadores portistas, não seria muito mais lógica a dúvida em torno da convocação dos benfiquistas Rúben Amorim ou Ivan Cavaleiro?

Paulo Bento, com muita tranquilidade, respondeu: “Pode ser, está longe. Eu se calhar só faço a convocatória no dia 19 de manhã. Vou dormir no dia 18 a pensar nisso. Depois se vai Quaresma, se vai Fernando, se vai Miguel, se vai William, se vão outros, logo veremos”.

“Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Maia, 25-03-2014


CR7 à parte e com Nani sem jogar (regularmente) há muitos meses, não vejo, atualmente, que haja algum ala/extremo português em melhor forma do que Quaresma.

Contudo, há um “jornalista” da RTP Porto, que há anos vomita anti-portismo por todos os poros, a querer crucificar Ricardo Quaresma por causa dos incidentes no final do Nacional x FC Porto (os quais, saliente-se, não envolveram o trio de arbitragem, nem qualquer tipo de agressão entre jogadores que seja visível nas imagens televisivas).

Ora, apesar dos esforços deste recadeiro e das pressões, mais ou menos óbvias, para Paulo Bento não convocar Quaresma (e Fernando!), eu não acredito que o selecionador nacional, cujo passado disciplinar na Seleção Portuguesa de Futebol é sobejamente conhecido, use este episódio como pretexto para não incluir Quaresma no lote de 23 jogadores que irá convocar para o Mundial do Brasil.

Eu não tenho memória curta e ainda me recordo do que se passou no França x Portugal, do Europeu de 2000…

«A Comissão de Disciplina da UEFA anunciou domingo o castigo aos jogadores portugueses envolvidos nos incidentes que se verificaram no final do jogo contra a França [meia-final do Europeu 2000].
Abel Xavier ficará afastado de toda a actividade internacional por nove meses, Nuno Gomes tem uma suspensão de oito meses e Paulo Bento estará de fora durante seis meses. Além disso, a Federação Portuguesa de Futebol foi castigada com 175 mil francos suíços, pouco mais de 20 mil contos. (…)
Durante o período em causa, os jogadores não poderão defender as camisolas dos seus clubes em jogos internacionais nem a da selecção nacional no Mundial que, sendo uma competição da FIFA, adopta todas as sanções da UEFA por uma questão de delegação. (…)
O relatório do quarto árbitro, o escocês Hugh Dallas, acerca do qual se especulava ter sido agredido com um murro nas costas por um jogador português, não teve qualquer influência na decisão final, já que Dallas não foi capaz de reconhecer o autor dessa alegada agressão. (…)
O comunicado da UEFA, de resto, especifica aquilo que fizeram os jogadores portugueses. Começa por dizer que Benko e o seu primeiro assistente (o eslovaco Sramka, que assinalou o “penalty” de Abel Xavier) foram empurrados e pressionados por jogadores nacionais, “sofrendo contusões e arranhões de monta”. Diz o comunicado: “o quarto árbitro, que tentou proteger os colegas, foi também pressionado, empurrado pelas costas e agarrado pelas roupas”. E, até mesmo a marcação da grande penalidade, refere a UEFA, só foi possível porque Humberto Coelho “interveio para acalmar os seus jogadores”.

Paulo Bento no EURO 2000

Continuando a seguir o comunicado da UEFA, os incidentes ter-se-ão prolongado depois do golo marcado por Zidane. “Quase todos os jogadores portugueses correram em direcção ao árbitro assistente, que foi empurrado e insultado”, lê-se. E depois vêm as referências concretas aos três punidos: “Nuno Gomes deu ao árbitro um violento empurrão no peito e Abel Xavier agarrou-lhe o braço. O árbitro mostrou então o cartão vermelho a Nuno Gomes e Paulo Bento tentou tirar-lhe o cartão, segurando-lhe o braço.” E termina: “Nuno Gomes despiu então a camisola e mandou-a ao árbitro assistente.”
Da leitura do comunicado, que refere ainda que “um jogador não identificado cuspiu no árbitro assistente” (…)»
in record.pt, 3 julho de 2000 | 02:26

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os enigmas de Rui Moreira

Para muitos adeptos portistas, o nome de Rui Moreira oferece um consenso pouco habitual fora da estrutura actual da SAD, quando se trata de falar da sucessão do maior presidente desportivo da história do futebol, a par de Santiago Bernabeu. O que leva que um sector de sócios do FC Porto pense que este empresário da Invicta é o homem certo para suceder a Pinto da Costa na cadeira de sonho do Dragão?

Rui Moreira tem a seu favor três elementos que quase sempre se procuram e poucas vezes se encontram em potenciais candidatos. É um homem da cidade e do clube desde sempre, seguidor confesso, adepto de bancada e sem medo de dizer publicamente o que pensa sobre a gestão do clube. É também uma figura pública, não tanto pelo seu trabalho ao serviço da Associação Comercial do Porto, mas pelo seu papel de cronista e convidado de programas televisivos para representar a facção azul e branca. Dele disse Pinto da Costa, quando em 2010 lhe entregou o Dragão de Ouro ao Sócio do Ano que "com a sua inteligência esteve lá a defender o FC Porto, mas não como um simples recadeiro, sem receber mensagens no telefone a meio do programa de outros, tendo mostrado a dignidade de dizer basta ao fartar vilanagem".

Educado, correcto mas directo, a sua postura, principalmente quando abandonou o programa da RTP Trio de Ataque, valeu-lhe o apoio de muitos sectores entre os adeptos, cientes que o sucessor de Pinto da Costa não pode ter medo de mandar as farpas necessárias para manter os rivais na ordem.
É, também, uma das poucas figuras consensuais de um Norte perdido de referentes públicos. A sua postura de defesa da autonomia do porto de Leixões, do aeroporto Sá Carneiro e o seu posicionamento favorável à regionalização vem de encontro com a massa adepta mais tradicional que vê no clube um reflexo da cidade do Porto e, por extensão, da região norte.



Mas o seu nome gera também muitas dúvidas. Sobretudo porque nunca escondeu a sua ambição política.
Nestas últimas semanas o seu nome voltou à baila com força, por motivo das eleições autárquicas deste ano. Politicamente conservador, associado historicamente ao CDS, Moreira sonha tanto com a cadeira de presidente do FC Porto como com a da Câmara Municipal da cidade. Durante os anos de gestão de Rui Rio foi sempre falado como um opositor capaz de reunir à sua volta toda a oposição mas acabou por desmarcar-se de todas as corridas, ciente que o apoio esmagador da direita valeria ao presidente em funções a renovação no cargo. Mas Luís Filipe Menezes, o candidato da coligação PSD-CDS, gera muitas dúvidas aos portuenses e há uma vazio político, que uma candidatura aparentemente independente, mas com muitos apoios partidários, pode explorar. Moreira sabe-o, conhece a sua popularidade e pode ser tentado a avançar. Se vencer, seguramente será presidente da autarquia entre quatro a oito anos, o que o invalidaria como candidato à presidência do clube. E se perde?
Bem, ninguém gosta de votar em candidatos perdedores. Uma derrota nas urnas, especialmente se for clara,  pode ferir para sempre a sua imagem junto do associado portista e inviabilizar qualquer ideia de sucessão a Pinto da Costa.

Rui Moreira é também cronista no jornal A Bola. Para muitos sócios e adeptos portistas, isso não deixa de ser um sacrilégio, como Miguel Sousa Tavares bem sabe, e mesmo que o seu discurso seja previsivelmente o da defesa do clube num jornal de prestigio, a verdade é que poucos podem entender essa parceria a não ser da perspectiva do mais básico populismo mediático. Um populismo que funciona bem em modelos como o do Benfica mas que encontrará seguramente uma resistência tenaz no "tribunal" portista.

E afinal, Rui Moreira é um gestor de futebol reconhecido?
Foi membro do Conselho Consultivo do FC Porto mas não se lhe conhece nenhum acto de gestão interno que tenha saído de uma proposta sua. Escreve e fala fluentemente sobre futebol mas nunca mostrando um nível de conhecimento de gestão desportiva superior a muitos outros cronistas azuis e brancos. É um empresário de sucesso, sem dúvida, e o seu papel como presidente da ACP recebeu sempre bastantes elogios, mas não é o mesmo mexer-se no mundo empresarial tradicional do que no universo e no submundo futebolístico  onde é preciso sujar as mãos muito mais vezes do que se quer. Rui Moreira seria um candidato interessante com uma equipa de gestores de futebol atrás de provas dadas. Poderia ser capaz de unir à sua volta os mais acérrimos nortenhos (aqueles que querem que o Olhanense perca com o Gil Vicente só por ser do Sul) e alguns dos pintistas confessos, mas será capaz de o fazer sozinho?

E no fim de contas, não parece que esse sonho de consagração política como símbolo unificador das distintas sensibilidades nortenhas, a través de um cargo no panorama regional, uma velha memória do antecessor de Pinto da Costa, o também homem forte do CDS no Porto, Américo de Sá, de quem José Maria Pedroto disse um dia que queria entrar na Assembleia da República (onde era, precisamente, deputado eleito pelo Porto) com a cabeça de Pinto da Costa numa bandeja para acalmar os centristas? Será Rui Moreira um presidente capaz de se comprometer a 100% com o futuro do clube, como muitos esperam, ou haverá sempre um canto da sereia ao virar da esquina para uma das grandes figuras presentes da Invicta?


Outros artigos nesta série: 
A Sucessão: O Bibota

terça-feira, 27 de setembro de 2011

No lugar do cineasta

Há cerca de um ano, Rui Moreira abandonou o Trio D´Ataque em directo e, uns dias depois, escreveu o seguinte na sua crónica semanal em A Bola: “Não pactuo com a porcaria, com a canalhice e com a insídia. Não serei cúmplice de um sistema em que aqueles que são condenados pelos tribunais são, depois, inocentados em programas de televisão ao passo que aqueles que são absolvidos pelos tribunais são depois sujeitos a julgamentos sumários. Comigo não contam para ser juiz, verdugo ou testemunha em autos de fé.”

A partir de hoje, o individuo que, com o seu comportamento abjecto, esteve na origem da saída de Rui Moreira, deixa o seu lugar no Trio, sendo substituído por Júlio Machado Vaz.

O Trio D´Ataque sobreviverá sem o fanatismo fundamentalista do cineasta encarnado?
Como reagirão as audiências, particularmente entre os benfiquistas, por o lugar do comentador encarnado passar a ser ocupado por uma pessoa com o distanciamento e perfil do sexólogo do Porto?

Pelo menos nos primeiros tempos, vai ser interessante verificar como será o programa sem os recados provenientes da Luz, na boca daquele que, nos últimos anos, se transformou na voz do dono?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A nova lei do fora-de-jogo


Jorge Coroado: "Valdés, no momento da assistência de Patrício, estava em posição irregular. O pontapé foi longo, e isso originou a distracção de José Ramalho, que não prestou atenção à movimentação do atacante."

Pedro Henriques: "Valdés, no momento do passe de Rui Patrício, está mais perto da linha de baliza do adversário do que a bola e o penúltimo adversário, ou seja, estava em fora-de-jogo."

Paulo Paraty: "É um facto que o assistente é traído pela grande distância que a bola percorreu até chegar a Valdés, não punindo a sua posição inicial de fora-de-jogo."

José Leirós: "Golo ilegal de Valdés. Valdés estava fora-de-jogo quando Rui Patrício pontapeou a bola, que não tocou em nenhum jogador."


Os ex-árbitros que opinaram publicamente sobre este lance são unânimes: o golo do Sporting foi irregular, pois Valdés estava em clara posição de fora-de-jogo no momento do pontapé de Rui Patrício.

Todos os especialistas de arbitragem estão de acordo? Não, há um "super-especialista" que tem uma interpretação diferente sobre a lei do fora-de-jogo. Segundo uma tese peregrina, enunciada e defendida por Rui Oliveira e Costa no último 'Trio de Ataque', não interessa verificar a posição do Valdés no momento em que Rui Patrício pontapeia a bola para a frente, mas sim após a bola ter passado por Rolando e Liedson e batido no relvado!!!
Na douta opinião do representante do Sporting no programa da RTP-N, o facto do Rolando, Liedson ou outro qualquer jogador não terem tocado na bola é irrelevante. Não tocaram mas podiam ter tocado...

Para quem anda sempre a queixar-se das arbitragens, do "Sistema", do "lobo mau" (Pinto da Costa), do relvado, do azar, etc., é impressionante a ginástica que os "calimeros" fazem para não reconhecerem aquilo que é óbvio.
Meus senhores, o jogo foi transmitido pela televisão, está gravado e não vale a pena negar as evidências. A arbitragem do último Sporting x FC Porto foi uma vergonha, tendo a equipa leonina sido claramente beneficiada, quer neste, quer noutros lances que foram fundamentais para o desenrolar do desafio. É assim tão difícil admitir este facto?

P.S. Foi uma pena que o Miguel Guedes não tivesse aproveitado a oportunidade e sugerido o Rui Oliveira e Costa para instrutor dos próximos cursos de arbitragem. Pelos vistos, árbitros e ex-árbitros têm muito a aprender com este "especialista"...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um dano colateral

Antes de ter sido tornado público que Rui Moreira não voltaria a participar no programa 'Trio de Ataque', o jornalista Alfredo Barbosa escreveu um artigo (clicar na imagem ao lado para aumentar) sobre o assunto, o qual foi publicado no semanário Grande Porto da passada sexta-feira.

Desse artigo, destaco a seguinte parte:
«Se bem o conheço, Rui Moreira nunca mais se sentará ao lado de António Pedro Vasconcelos. O Trio de Ataque, tal como existiu durante anos, acabou.
Se bem o conheço, José Alberto Lemos (director da RTPN) considerará que a saída de Rui Moreira não passa de um dano colateral na luta pela audiência.»

Ao contrário de Alfredo Barbosa, eu conheço mal o director de programas da RTPN. Sei que andou pelo jornal Público, pela SIC, pela RDP/Norte e que está na RTP desde 2003. Mas conheço razoavelmente bem o seu braço direito, o benfiquista mais famoso de Paredes, o qual, em Março de 2008, foi convidado para director adjunto da RTPN, tendo na altura José Alberto Lemos afirmado: “Carlos Daniel vai ter uma ligação muito estreita à área informativa, fazendo a gestão da informação do dia-a-dia. Vamos também reflectir em conjunto sobre os programas, o que devemos ou não mudar”.

Depois do que se passou no último Trio de Ataque, em que o próprio pivot do programa chamou à atenção do representante do slb para a ilegalidade que estava a cometer, o mínimo que a direcção de programas da RTPN deveria ter feito era um comunicado, garantindo que não mais seriam toleradas tais situações. Claro que não o fizeram, tamanha é a submissão aos interesses do slb.

Para verem onde a coisa chega, disse-me uma fonte credível que é frequente o cineasta ser visto no gabinete do Carlos Daniel até à hora do programa. E isso é crime? Não, tal como não é crime dois jornalistas da RTP - Carlos Daniel e Hélder Conduto - irem almoçar com Jorge Jesus no restaurante de um conhecido barbudo benfiquista, provavelmente para falarem do tempo...

O que é público e notório é a cumplicidade entre alguns jornalistas e diversos actores do slb. Esse facto, por si só, não põe em causa a sua competência profissional, mas que tipo de imparcialidade se pode esperar desses jornalistas?
Como diz o povo, quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.


Passámos [RTP-N] de um canal regional para um canal nacional que representa todas as regiões do País. Era um canal que nasceu torto e desprestigiado, mas foi traçada uma estratégia para um canal de informação que se foi solidificando e hoje tem uma situação favorável do ponto de vista das audiências e é uma referência no panorama informativo. O canal precisa de crescer mais. E, mais do que estarmos obcecados com as audiências, apostamos antes em trabalhar com a qualidade, que distingue a RTP como serviço público de televisão”.
José Alberto Lemos, 05/06/2009

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A voz do dono


«O abandono de Rui Moreira do programa ‘Trio de Ataque’ (na última terça-feira, na RTPN) ganhou novas proporções. O gestor, que ontem foi eleito sócio do ano do FC Porto, vai ser substituído, apurou o CM. Hoje deverá ser anunciado o nome do novo representante do FC Porto no programa da RTPN.
Ao CM, várias fontes revelaram que os responsáveis do canal público estão também a ser pressionados para que António Pedro Vasconcelos saia do programa, uma informação negada por José Alberto Lemos, director da RTPN. "Esse rumor não tem fundamento", garante ao CM. Já o comentador desconhece as pressões, mas admite que "é natural e possível que existam. Tenho acordo com eles [RTPN] e, até informação em contrário, vou comparecer”.
Esperemos que a RTP não avance para aquilo que será um acto de censura injustificada”, diz fonte oficial do Benfica ao CM, frisando que se tal vier a “acontecer é porque a RTP cedeu a pressões”. “E se há meio de comunicação social que tem de estar imune a pressões é a RTP”, observou a mesma fonte, deixando um aviso: “O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos e contra aqueles que o tentam agora silenciar”.»
in Correio da Manhã, 08/10/2010


O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos”, disse ao CM uma fonte oficial dos encarnados. Como? Mas, afinal, o APV participa no ‘Trio de Ataque’ como adepto do slb ou está lá como “comissário político” do “Politburo encarnado”?

Sinceramente, para salvaguardar o pouco que resta da sua imagem, o cineasta-comentador deveria pedir aos seus comparsas, que o ajudam a preparar o programa, para terem mais cuidado naquilo que dizem. É que, com este tipo de declarações, fica ainda mais óbvio que ele não passa de uma mera correia de transmissão da voz do dono.

Umas horas depois desta notícia do CM, a FC Porto Futebol SAD emitiu um comunicado, onde afirma que “não apoiará qualquer sócio ou adepto que venha a ser enquadrado como representante do clube, nem lhe prestará qualquer tipo de informação, pelo que todas as suas posições serão sempre pessoais”.

O contraste com a posição do slb não poderia ser maior. Que grande bofetada de luva branca!

P.S.1 Na sua crónica de hoje em A Bola, Rui Moreira escreve: “Não pactuo com a porcaria, com a canalhice e com a insídia. Não serei cúmplice de um sistema em que aqueles que são condenados pelos tribunais são, depois, inocentados em programas de televisão ao passo que aqueles que são absolvidos pelos tribunais são depois sujeitos a julgamentos sumários. Comigo não contam para ser juiz, verdugo ou testemunha em autos de fé.”

P.S.2 O semanário Grande Porto refere que Rui Moreira já decidiu que não volta ao programa. Estou curioso para ver se há algum portista que aceite sentar-se ao lado do APV ou se o Trio vai passar a Duo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rui Moreira abandona Trio D'Ataque em directo


Rui Moreira abandonou o programa de hoje Trio D'Ataque, na RTPN, em total desacordo com a forma como a RTP decidiu tratar a questão das "novas" escutas de Pinto da Costa colocadas recentemente no Youtube. Mais uma vez, e à margem da legislação em vigor, a televisão pública decidiu dar voz ao representante do slb para este mencionar as referidas escutas e, inclusive, dizer que "Pinto da Costa pediu árbitros para alguns jogos", facto que nem sequer pode ser provado pela visualização dos videos roubados por alguém do Ministério da Justiça e colocados no Youtube. O video do programa está aqui, não sei por quanto tempo...

terça-feira, 10 de março de 2009

Os processos UGT/FSE e Apito Dourado

No último ‘Trio de Ataque’ (dia 3 de Março), a propósito de mais um episódio da novela ‘Apito Dourado’, Rui Moreira referiu que teria sido prudente que a justiça desportiva (com menos meios de prova) esperasse pelas decisões dos tribunais, até para que se evitassem situações inexplicáveis e inaceitáveis de os mesmíssimos factos terem como consequência decisões jurídico-disciplinares de sentido contrário.

António Pedro Vasconcelos e Rui Oliveira e Costa discordaram veementemente e o representante do Sporting foi mesmo mais longe, dizendo que não reconhecia credibilidade à Justiça dos tribunais, mas que na justiça desportiva ainda acreditava alguma coisa (não foram estas as palavras exactas, mas foi esta a ideia que transmitiu).

Esta afirmação, que desqualifica a Justiça portuguesa, é grave e não foi feita propriamente à mesa de um café, para um grupo restrito de amigos, depois de beber uns copos. Foi feita na televisão, num programa que também é visto no estrangeiro e por uma pessoa que foi dirigente da UGT e do PS (ainda recentemente o vimos na companhia do primeiro-ministro), que teve responsabilidades no Sporting e que é administrador de uma das principais empresas de sondagens que actuam em Portugal.

Eu não sei desde quando é que Rui Oliveira e Costa tem esta posição relativamente à Justiça que é feita nos tribunais portugueses, mas ao ouvi-lo dizer isto lembrei-me de um processo em que ele esteve envolvido e que ficou conhecido como o caso UGT/FSE.

O julgamento incidiu em alegadas burlas com verbas do Fundo Social Europeu (FSE) em que, segundo o Ministério Público, houve um “plano criminoso” de utilização indevida de verbas do FSE na formação profissional prestada pela UGT.
Os factos remontam a 1988 e 1989, tendo a acusação por fraude na obtenção de subsídios, num valor superior a 358 mil contos (1,8 milhões de euros), sido deduzida pelo Ministério Público em 1995.

O processo UGT/FSE tinha como arguidos o actual secretário-geral da UGT, João Proença, o seu antecessor, Torres Couto, o ex-tesoureiro José Veludo e o também antigo dirigente da central sindical Rui Oliveira e Costa, entre outros.

Em 17 de Dezembro de 2007, o colectivo de juízes do Tribunal da Boa Hora, presidido por João Felgar, reconheceu como provadas quatro situações de irregularidades na formação profissional promovida pela UGT com fundos europeus, duas em 1988 e duas em 1989, mas absolveu todos os arguidos e apenas considerou José Manuel Veludo (tesoureiro do ISEFOC, o instituto de formação ligado à UGT) culpado de crime de burla na forma tentada, entretanto prescrito.

Apesar do processo ter 200 volumes e 900 factos documentados, o tribunal considerou que não era possível extrapolar que a falsificação de documentos “era do conhecimento do ISEFOC ou dos demais arguidos no âmbito de um plano criminoso mais vasto” e de que não foi produzida prova suficiente de um conluio entre os arguidos para os considerar cúmplices nos factos.

Será que Rui Oliveira e Costa considera que esta decisão do Tribunal da Boa Hora foi credível?
Ou será que para Rui Oliveira e Costa a credibilidade dos tribunais é a la carte, isto é, a Justiça só é credível quando as decisões vão de encontro às ideias (ou deverei dizer desejos) deste ex-sindicalista?

Pouco tempo depois da decisão do Tribunal da Boa Hora, João Proença fez as seguintes declarações:

Assistiu-se a uma clara tentativa para destruir ou minimizar a central sindical. Disso são prova as constantes fugas ao segredo de justiça durante a fase de investigação, com o objectivo de condenar a UGT na praça pública, e o excesso de zelo manifestado pelo Ministério Público até à fase de julgamento, diversas vezes orientado ao mais alto nível [pelo Procurador-geral da República, Cunha Rodrigues]. (...)
Durante 20 anos houve uma clara tentativa de condenar a UGT na praça pública e muitos dos prejuízos são irreparáveis, nomeadamente para as pessoas e instituições atingidas na sua idoneidade. (...)
Como é evidente os ataques brutais de que fomos vítimas, perante a opinião pública e nas próprias empresas, deixaram marcas”.

Pegando nestas declarações do secretário-geral da UGT é possível fazer um paralelismo com o processo ‘Apito Dourado’?

Imaginemos as seguintes declarações, que Pinto da Costa (ainda) não fez, mas que poderia perfeitamente ter feito:

Assistiu-se a uma clara tentativa para destruir ou minimizar o Futebol Clube do Porto. Disso são prova as constantes fugas ao segredo de justiça durante a fase de investigação, com o objectivo de condenar a FC Porto na praça pública, e o excesso de zelo manifestado pelo Ministério Público até à fase de julgamento, diversas vezes orientado ao mais alto nível [pelo Procurador-geral da República, Pinto Monteiro]. (...)
Durante cinco anos houve uma clara tentativa de condenar o FC Porto na praça pública e muitos dos prejuízos são irreparáveis, nomeadamente para as pessoas e instituições atingidas na sua idoneidade. (...)
Como é evidente os ataques brutais de que fomos vítimas, perante a opinião pública e nos próprios clubes, deixaram marcas”.

Será que o caso UGT/FSE e o processo ‘Apito Dourado’ são, no modo como foram “geridos” pelo Ministério Público, assim tão diferentes?
O que dirá Rui Oliveira e Costa deste paralelismo?


P.S. No ‘Trio de Ataque’ da semana passada Rui Oliveira e Costa fez outra afirmação interessante. Disse ele que, independentemente das decisões judiciais nos processos do ‘Apito Dourado’ (o homem está mesmo com pouca fé...), nunca mais um árbitro foi a casa de um presidente de um clube nas vésperas de um jogo.
Pois, talvez, e eu digo que apesar da decisão do Tribunal da Boa Hora, nunca mais tive conhecimento de uma central sindical ter promovido cursos que envolvessem acções de formação facturadas e não realizadas, a apresentação de aulas teóricas como se de práticas se tratassem, ou a atribuição a cinco pessoas da formação realizada por uma, permitindo recebimentos superiores aos devidos.

Fontes: Lusa, 17/12/2007

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pela boca morre o... leão


Tirando partido da tribuna que lhe é concedida pela RTP, Rui Oliveira e Costa tem sido um dos mentores e actores principais na campanha anti-Bruno Alves, classificando-o como um jogador violento a quem os árbitros perdoam os excessos.

Pois ao ver o que se passou no último Belenenses x Sporting, não pude deixar de me lembrar do que o representante da Direcção do Sporting tem dito no programa ‘Trio de Ataque’.

Primeiro, Rochemback, sem qualquer hipótese de jogar a bola, pontapeou deliberadamente Diakité.


Não há qualquer dúvida, foi uma agressão e era lance para cartão vermelho. O árbitro Pedro Henriques viu perfeitamente, mas decidiu mostrar apenas o cartão amarelo.
Porquê?
Bem, não deve ter querido que o Sporting jogasse a última meia-hora com menos um e, ainda por cima, numa altura que estava a perder por 0-1... Além disso, se tivesse sido expulso, Rochemback também não ia poder jogar no derby da próxima jornada.
Está explicado.


Aos 76 minutos, foi a vez de Pedro Silva “molhar a sopa”. Depois de pontapear a bola, o defesa do Sporting alongou o movimento com o pé atingindo Saulo de forma perigosa. Ou seja, deu uma patada no jogador do Belenenses.
Consequências?
Nada, nem sequer viu o cartão amarelo.



Não é a primeira vez, longe disso, que os jogadores do Sporting mostram uma agressividade a roçar a violência dentro de campo mas, claro, os outros é que têm a fama...

O que dirá Rui Oliveira e Costa acerca destes dois lances e, já agora, do árbitro Pedro Henriques que, como se não bastasse, ainda foi criticado por Paulo Bento no final do jogo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O campo do 'Trio' está inclinado


Costuma dizer-se que um relvado está inclinado quando o árbitro do jogo, sem dar muito nas vistas, “gere” os tempos do jogo, as faltas a meio-campo, a mostragem dos cartões amarelos, etc. Muitas vezes, sem necessitar de assinalar penalties mais do que duvidosos ou foras-de-jogo escandalosos, uma “arbitragem inteligente” é suficiente para perturbar, enervar, atrapalhar e dificultar ao máximo a tarefa de uma equipa.

Passe a comparação e com as devidas distâncias foi isso que eu senti no Trio d´Ataque da semana passada, com o “árbitro” - Hugo Gilberto - a dificultar, e de que maneira, a acção de um dos “jogadores” - Rui Moreira.


Hugo Gilberto, um ex-aluno da licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras de Coimbra, é jornalista da RTP há vários anos e há cerca de dois meses substituiu o Carlos Daniel como moderador deste programa das terças-feiras, em que durante cerca de hora e meia Rui Oliveira e Costa (Sporting), António Pedro de Vasconcelos (Benfica) e Rui Moreira (FC Porto) debatem sobre os principais acontecimentos futebolísticos da semana.

Já me tinha apercebido de uns sinais dados por Hugo Gilberto em programas anteriores, mas no Trio d´Ataque do dia 23 de Dezembro as coisas foram óbvias. Vejamos:

No SLB - Nacional quis-se dar a entender que tinha havido um roubo (quando, de facto, há um único lance discutível) e os lances polémicos do jogo parece terem sido escolhidos a dedo para que fosse essa a mensagem transmitida.
Por exemplo, é analisado um pseudo fora-de-jogo do ataque do Nacional (em que o árbitro auxiliar decidiu bem ao não marcar) e de seguida um fora-de-jogo evidente do ataque do SLB (que o outro árbitro auxiliar voltou a estar bem ao interromper a jogada).
Qual era a ideia ao analisar estes dois lances em sequência?
Dar a entender que para dois lances “parecidos” o trio de arbitragem teve duas decisões distintas?
Azar! Os três comentadores estiveram de acordo que nestes lances o árbitro Pedro Henriques esteve bem (as imagens televisivas não deixam dúvidas).


Ao falar do FC Porto - Marítimo, percebeu-se que antes de serem analisados casos em concreto, Rui Moreira pretendia fazer algumas considerações gerais sobre a arbitragem de Duarte Gomes. O adepto do FC Porto ainda conseguiu referir o ridículo cartão amarelo mostrado aos 92’ ao guarda-redes do Marítimo (quando este tinha começado a queimar tempo logo no início do jogo), mas já não pôde falar mais do critério na mostragem dos cartões e, principalmente, na forma como o árbitro lisboeta pactuou com todas as estratégias da equipa madeirense para fazer passar depressa os ponteiros do relógio, visto Hugo Gilberto tê-lo interrompido.

A seguir, quase não se percebeu que o árbitro internacional de Lisboa tinha perdoado duas expulsões a jogadores da equipa verde-rubra na altura decisiva do jogo, porque a preocupação do Hugo Gilberto pareceu ser destacar uma hipotética contradição de Rui Moreira, por este ter analisado os lances das mãos de Miguel Vítor (no SLB - Nacional) e de Bruno Alves (no FC Porto - Marítimo) de forma distinta. Não percebi a admiração, porque os lances, como o Rui Moreira muito bem explicou, são distintos, nomeadamente no que diz respeito ao movimento dos braços dos jogadores.

Um outro aspecto que me chamou à atenção foi o modo como o Hugo Gilberto adjectivou e destacou determinadas coisas.

Quando referiu o incidente havido no Túnel das Antas, não entre elementos participantes no jogo (como foi o caso no SLB – Nacional), mas entre indivíduos dos bastidores, Hugo Gilberto teve o cuidado de sublinhar que Duarte Gomes tinha anexado ao seu relatório um documento de quatro páginas sobre o incidente (4 páginas, ena pá, deve ter sido uma coisa gravíssima...).

Na mesma onda, ao introduzir o tema da posição tomada pelo Conselho de Justiça da FPF sobre as escutas, talvez pensando na forma como o Tribunal Arbitral do Desporto pôs em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF, Hugo Gilberto afirmou que o CJ da FPF tinha arrasado a decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA).

Uauh! Afinal a justiça desportiva é credível e acima de qualquer suspeita!

Como é sabido, em 3 de Novembro passado o STA considerou inconstitucional a utilização de escutas telefónicas no âmbito de processos disciplinares, como é o caso do 'Apito Final'.

Esta questão das escutas é polémica. Alguns dos maiores especialistas portugueses na matéria – José Faria Costa, Germano Marques da Silva, Manuel Costa Andrade e Damião da Cunha –, bem como, conhecidos juízes como Rui Rangel e Fátima Mata Mouros são taxativos e alinham na mesma tese do STA. Já o Tribunal Constitucional teve posições contraditórias sobre este assunto, a última das quais foi no sentido de considerar as escutas legais.
Em que ficamos?
Alguém se entende no meio das enumeras contradições da Justiça portuguesa?

Seja como for, os pobres juízes do Supremo Tribunal Administrativo devem estar a tremer com esta posição dos altamente isentos juristas escolhidos pelo inenarrável Gilberto Madail, para substituírem os comparsas da golpada de Julho


Quem voltou a estar bem foi Rui Moreira, não reconhecendo idoneidade aos novos membros com velhos vícios do CJ da FPF, levando o representante do Sporting a mostrar toda a sua incomodidade, falando em pazadas...

Apesar do final do programa ter sido em contra-relógio, para além da “arrasante” decisão do CJ da FPF, houve ainda tempo para o Hugo Gilberto ler 5 ou 6 e-mails (nem um de adeptos do FC Porto!), incluindo um e-mail de um adepto do SLB, elencando jogos em que supostamente os encarnados teriam sido prejudicados (o hilariante é que até incluiu o Leixões – SLB para o campeonato).
Para falar na entrevista de Madail ao Porto Canal, em que o presidente da FPF abordou os critérios de Scolari nas convocatórias e, particularmente, o caso do Vítor Baía é que infelizmente não houve tempo…

Dizem-me que o Hugo Gilberto é portista.
Não sei se é portista, mas pelos vistos tem o estigma de o ser e já se sabe que neste país infestado pela inveja e mediocridade isso é pior, muito pior, do que ser incompetente. Talvez por isso, o Hugo Gilberto tem feito tudo para fugir a esse estigma, mas no último programa exagerou.

O Hugo Gilberto dá umas aulas no Curso de Pós-graduação em Comunicação e Desporto, na Escola de Jornalismo do Porto, em que juntamente com o seu colega Manuel Fernandes Silva é responsável pelos módulos/disciplinas de ‘Reportagem e Apresentação em Desporto’ e ‘Novos Desafios Éticos e Deontológicos’

Ora, é precisamente isso que eu espero dos bons jornalistas: ética e isenção no desempenho das suas funções.
Porque se é para ser mais papista que o papa, antes o benfiquista Carlos Daniel do que o “portista” Hugo Gilberto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Homem Prevenido vale por Dois

26 de Agosto de 2007, Porto-Sporting no Dragão. Um corte/atraso de Polga e a bola a ser agarrada pelo guarda-redes dos leões, Stojkovic. Pedro Proença assinala o que, em qualquer parte sã do mundo, seria uma falta inequívoca e incontroversa. Rebenta o escândalo! Longas prosas se lavraram, e no programa da RTP-N "Trio de Ataque", o representante sportinguista Rui Oliveira e Costa sacou de espesso dossier e, com ar douto a fazer lembrar aquele juíz do programa "O Juíz Decide", largou umas valentes postas de pescada em defesa da tese de que se tratara de um inócuo corte, não havendo, portanto, lugar a qualquer livre.

O relógio andou para a frente: 15 de Novembro de 2008, Alvalade XXI, Sporting-Leixões: já no ocaso da partida um jogador leixonense esgueira-se pela direita e faz um cruzamento rasteiro que, a ter chegado ao seu destino, teria sido mortífero. Mas não chegou: um jogador do Sporting interceptou a bola e, tal como Polga 15 meses antes, cortou/atrasou a bola na direcção do guarda-redes, desta vez Rui Patrício. Até aqui tudo normal. Mas eis que Patrício, talvez para demonstrar que, até nisto, é tão bom quanto o seu colega eslavo do sul, agarra a bola. Proença vê o incidente e, imagina-se, num repente passa-lhe pela mente o lance do Dragão e desabafa consigo próprio: "Outra vez! Estes gajos hão-de fazer isto sempre comigo a arbitrar!?" E prefere fazer de conta que nada de anormal se passou. A histeria sportinguista de há um ano fez efeito.

Decerto que o lance será analisado nos programas futebolísticos de falatório desta semana, e Rui Oliveira e Costa dirá talvez, com o mesmo ar douto, que Proença aprendeu as regras.
Eu acho que a questão se resolve com uma simples pergunta: se Rui Patrício não estivesse ali o seu colega teria cortado à mesma a bola naquela direcção, assim, muito provavelmente, marcando um golo na própria baliza?
Então - segunda pergunta - a bola foi ou não passada ao guarda-redes, mesmo que num misto de corte/passe?

Quanto a Pedro Proença, terá ainda dito com os seus botões, lembrando-se do "escândalo" do ano passado: "Homem prevenido vale por dois".

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Uma enorme paixão com alguns arrufos (II)

5. Maio de 2000

Graças, em grande parte, à sua acção nos três jogos referidos, com vários pontos “subtraídos” ao FC Porto e outros “oferecidos” ao Sporting, o FC Porto não conseguiu atingir o Hexa, o Sporting pôs fim a um jejum de 18 anos e ele, o Bruno, despertou paixões de norte a sul.


Nos anos seguintes, e com a protecção dos senhores José Luís Tavares (à época, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga) e Carlos Valente (membro do CA da FPF), continuou em ascensão, numa caminhada que o havia de levar a árbitro internacional.


6. Bessa, 17 de Abril de 2004

Mais de quatro anos após o Campomaiorense - FC Porto, jogadores, treinadores, dirigentes, comentadores e adeptos do Sporting lançaram um clamor de revolta contra a arbitragem de Bruno Paixão porque, segundo eles, expulsou Rui Jorge indevidamente a 13 minutos do fim do jogo.

De repente, um dos mais famosos árbitros "anti-sistema" (leia-se, anti-FC Porto) e que nunca tinha suscitado críticas nas 12 vezes anteriores em que arbitrou jogos do Sporting, passou, num ápice, de bestial a besta.

É caso para perguntar a estes sportinguistas: meus caros, onde é que vocês estavam no dia 19 de Fevereiro de 2000 quando, em Campo Maior, Bruno Paixão decidiu oferecer o título ao Sporting?
Por onde andaram ao longo dos últimos 4 anos?
Quantos se revoltaram quando o Bruno chegou a internacional?

No programa 'Dia Seguinte' imediatamente após este jogo do Bessa (19/04/2004), Fernando Seara, reagindo à indignação truculenta de Dias Ferreira, afirmou que os sportinguistas têm memória curta. E porquê? Porque o árbitro Bruno Paixão lhes tinha oferecido o campeonato da época 1999/2000.


Qual é a novidade? Toda a gente sabe das escandaleiras que ocorreram na época 1999/2000. Sim, mas foi preciso esperar quatro anos para ouvir este reconhecimento da boca de um destacado benfiquista, conhecido pelo seu anti-portismo e que sempre defendeu uma aproximação entre os dois clubes da 2ª circular.


7. Leiria, 11 de Agosto de 2007

A Supertaça 2007/08, a disputar entre o FC Porto e o Sporting, foi marcada pela FPF para o Estádio Dr. Magalhães Pessoa em Leiria (por coincidência, uma zona do país onde há uma forte presença sportinguista...).

Quanto ao árbitro nomeado pela FPF para este jogo foi... Bruno Paixão!


Os portistas já sabem o que podem esperar das arbitragens apaixonadas do Bruno mas, desta vez, ele não quis perder tempo e desde o início mostrou ao que vinha. Logo ao 2º minuto, zás, amarelo para o Paulo Assunção e passados mais oito minutos foi a vez de Pedro Emanuel, após ter feito uma falta normalíssima, também ficar amarelado. E assim, ao minuto 10, um dos defesas-centrais e o médio-defensivo (um jogador-chave nas transições e compensações defensivas dos dragões) já estavam condicionados para o resto do jogo.
Apesar das “habilidades” da arbitragem, o FC Porto foi sempre melhor, enviou inclusive uma bola ao poste, mas o jogo chegou ao intervalo empatado.

Poucos minutos após o início da 2ª parte, e ainda com o resultado em branco, deu-se o caso do jogo. Dentro da área do Sporting, Tonel corta a bola com a mão bem acima da cabeça. Os jogadores viram e o público, a avaliar pela reacção vinda da bancada, também não teve dúvidas. Penalty claríssimo em qualquer parte do mundo (e amarelo para Tonel), mas que Bruno Paixão (bem posicionado) e o árbitro-assistente que acompanhava o ataque do FC Porto decidiram ignorar.

Como é óbvio, este lance teve uma influência decisiva no desenrolar e resultado final do jogo e, por isso, esta Supertaça (ganha pelo Sporting com um golo de Izmailov aos 76') será para sempre lembrada como a Supertaça ganha com muita paixão...

O que diria a comunicação social do regime e os “calimeros de Alvalade” se o lance do Tonel tivesse sido o contrário? Isso todos sabemos.


8. Alvalade, 6 de Abril de 2008

Jogo Sporting – Braga, da 25ª jornada.
Numa altura em que o Braga estava a tentar reduzir a desvantagem que trazia da 1ª parte (0-2), Zé Manel fez um cruzamento largo da direita e Mateus, saltando mais alto do que Abel, bate Rui Patricio.
Não houve fora-de-jogo. Não houve falta. Golo limpíssimo, mas que Bruno Paixão, inexplicavelmente, anulou.

Na TVI, questionado por Sousa Martins se havia alguma razão para que Bruno Paixão tivesse anulado o golo do Braga, Jorge Coroado respondeu assim:
“Razão objectiva não encontro absolutamente nenhuma”.



Mas quem disse que o Bruno tinha de ter alguma razão objectiva para beneficiar o Sporting?
Anulou o golo porque lhe apeteceu. Há algum problema?


9. Paços de Ferreira, 4 de Maio de 2008

As deslocações a Paços de Ferreira não costumam ser fáceis para o Sporting e desta vez também não foi.
O Sporting acabou por vencer pela diferença mínima, 1-0, golo marcado na sequência de uma falta. Contudo, a falta que está na origem do único golo dos leões é muito duvidosa e para Jorge Coroado é mesmo inexistente.
Veja o lance e as declarações no seguinte vídeo:




10. Braga, 1 de Setembro de 2008

A habitual pressão do Sporting sobre os árbitros começou logo na 1ª jornada da época 2008/09. Assim, após as queixas estridentes de Paulo Bento no final do Sporting – Trofense (que os leões venceram por 3-1), o presidente da CA da Liga, o sportinguista Vitor Pereira, decidiu nomear um árbitro que, suponho, lhe dava garantias para a difícil deslocação do seu clube a Braga.

Logo ao 3º minuto, e perante uma falha clamorosa da defesa bracarense, o Sporting abriu o activo. A partir daí o jogo endureceu e o árbitro foi distribuindo cartões amarelos por jogadores das duas equipas.
Aos 36' foi a vez de Postiga ver um cartão amarelo, por impedir a marcação rápida de uma falta contra a sua equipa.
Ao minuto 39 dá-se o caso do jogo. Em plena área do Sporting, Postiga atira-se para cima de Meyong, encavalitando-se nas costas do avançado do Braga (conforme se pode ver na foto seguinte).


Lance de penalty mais do que evidente e cartão amarelo para o jogador infractor (neste caso seria o 2º cartão amarelo para Postiga). Contudo, qual não foi o espanto de todos, quando o Bruno, com toda a paixão deste Mundo, decidiu transformar um penalty descarado numa falta de Meyong!
Deste modo, Bruno Paixão não só impediu o Braga de chegar ao 1-1, como evitou que o Sporting ficasse a jogar com 10 nos últimos minutos da 1ª parte e durante toda a 2ª Parte!

Mas não foi só Bruno Paixão que não viu a falta de Postiga sobre Meyong. 24 horas depois, no programa ‘Trio d’Ataque’ do dia 2 de Setembro, enquanto Rui Moreira e António Pedro Vasconcelos não tiveram dúvidas (Rui Moreira disse mesmo que Bruno Paixão não só viu que era falta como marcou ao contrário, como é típico nele em situações do género, acrescentando que o Sporting já tinha gasto "uma arbitragem à Bruno Paixão" neste campeonato), o representante do Sporting disse que, para ele, não houve qualquer penalty.


Esta posição de Rui Oliveira e Costa não surpreendeu minimamente, é mesmo típica dos sportinguistas. Raramente, ou nunca, reconhecem quando são beneficiados pelas arbitragens e, quando o fazem, tratam logo de arranjar um ou dois lances que lhes permita sustentar a tese de que “o árbitro errou para os dois lados”.

Em resumo, olhando para a anterior série de jogos, custa a perceber porque razão, depois de tantas manifestações de paixão, o Sporting se quer “divorciar” do Bruno.
Ingratos! Ao menos devolvam as taças que ele vos ajudou a conquistar.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Azia sportinguista no Trio de Ataque


No último ‘Trio de Ataque’, realizado em 08/04/2008, o representante do Sporting deu os parabéns ao FC Porto pela conquista do campeonato que, segundo ele, tal como o da época passada foi ganho de forma limpa.

Não podendo pôr em causa a enorme superioridade deste FC Porto (20 pontos são 20 pontos e, ainda por cima, as exibições desta época estão ainda muito frescas), Rui Oliveira e Costa mostrou aquilo que genuinamente lhe vai na alma. Vai daí, cavalgando a onda mediática do Apito Dourado, tratou de contestar o mérito do FC Porto em campeonatos ganhos pelos dragões nos anteriores 15 anos, referindo que havia uma mão por trás e que “já houve um poder instalado no futebol português que foi nefasto, que durou uma década e meia, e que tem vários nomes”. Para que não ficassem dúvidas sobre os destinatários da sua azia, acrescentou: “O sistema Pinto da Costa-Valentim Loureiro que mandou no futebol português vai ser punido.”

Perante este tipo de dislates é caso para perguntar: Ó senhor Rui Oliveira e Costa, recorda-se da forma como o Sporting venceu os campeonatos das épocas 1999/00 e 2001/02?

Será que os sportinguistas já se esqueceram da grande revelação da época 1999/00, um tal de Bruno Paixão?

Será que os sportinguistas já se esqueceram dos 17 (dezassete!!) penalties a seu favor, que os árbitros (esses malandros que estão a mando do Pinto da Costa...) assinalaram na época 2001/02?

E nas épocas em que o FC Porto não foi campeão, será que o “sistema” estava distraído?
Bem, revendo as escandaleiras que ocorreram nas épocas 1999/00, 2001/02 e 2004/05, devia estar num sono profundo, ou mesmo em coma...

No artigo ‘Apito atrasado’, publicado no blog ‘Portistas de Bancada’, é feita uma análise interessante, onde são destacados diversos factos e números desses tais 15 anos em que “houve um poder instalado no futebol português que foi nefasto”...

Mas se em Abril de 2008, o representante do Sporting no programa ‘Trio de Ataque’ retira mérito ao FC Porto, vale a pena recordar o que disseram, na altura, conhecidos sportinguistas, por exemplo, a propósito dos títulos ganhos pelo FC Porto em 2005/06 (treinado por Co Adriaanse) e em 2003/04 (treinado por José Mourinho).

«Terminado que está o Campeonato, pouco mais há a acrescentar, a não ser reconhecer que o título está muito bem entregue»
Daniel Reis (*), A BOLA, 11/05/2006

«a equipa de Co Adriaanse, que há muito ocupa a liderança do campeonato, é um justo campeão. (...) foi inegavelmente a equipa mais regular e com maiores recursos para ultrapassar as adversidades. Será, ao contrário do que aconteceu na época passada, um campeão incontestado e que merece sê-lo»
José António Lima (*), A BOLA, 12/04/2006

Ainda mais claro foi um antigo presidente do Sporting. Com o título ‘Parabéns, Futebol Clube do Porto’, Pedro Santana Lopes assinou o seguinte texto no jornal A BOLA de 05/05/2004:
«É também impressionante a reacção do FCP quando joga fora do seu estádio, porque parece que desce sobre a equipa um impressionante manto de serenidade, que leva a equipa a jogar com uma descontracção absolutamente notável. (…) Na verdade, num ano ganhar o campeonato português, a Taça de Portugal e a Taça UEFA e no ano seguinte, para já, ser campeão nacional outra vez, estar na final da Taça de Portugal outra vez e ir à final da Liga dos Campeões, não tem palavras. Ainda por cima, como já tive várias vezes ocasião de sublinhar, os jogadores que vêm fundamentalmente de equipas portuguesas e, nalguns casos, com jogadores rejeitados pelos clubes principais rivais do FCP. É uma grande proeza, enche de orgulho todos os portugueses e, deste sportinguista confesso, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, vai um forte abraço de parabéns a todos os portistas na pessoa de Jorge Nuno Pinto da Costa.»

Para quem tem olhos na cara e viu o que cada uma das equipas jogou dentro de campo, e saliento dentro do campo, não há nem houve dúvidas sobre o merecimento dos campeonatos ganhos pelo FC Porto. Mas para o senhor Rui Oliveira e Costa e outros como ele, para quem o “sistema” é a explicação para todos os males, o sucesso do FC Porto foi obra de uma mão oculta...
Continuem assim, com a vossa postura de calimeros, que nós, portistas, vamos continuar a ganhar campeonatos.

(*) Daniel Reis e José António Lima são dois jornalistas sportinguistas e em 2006 ambos escreviam na BOLA e no EXPRESSO

P.S. Ontem à noite o Sporting perdeu em casa 0-2 com o Glasgow Rangers e foi eliminado da Taça UEFA. Terá sido obra de alguma mão invisível ou, como dizia um dos seus cómicos presidentes, foi o “sistema” no seu esplendor?...