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domingo, 31 de julho de 2011

Contratações Sub-21


(clicar no quadro para o ampliar)


Desde há algumas épocas para cá, e com particular ênfase nos últimos 13 meses, a FC Porto SAD tem feito uma grande aposta na contratação de jogadores Sub-21. Se os dados que constam do quadro anterior não estiverem errados, só neste período mais recente estamos a falar de oito jogadores e de um investimento de quase 50 milhões de euros!

Analisando o quadro completo, contata-se que, em termos de “contratações sub-21”, a mira da SAD está direccionada para o mercado brasileiro. De facto, a vantagem de jogadores nascidos no Brasil é esmagadora, numa lista de 21 jogadores onde não há um único europeu (excepto os portugueses).

Fazendo uma análise desportivo-financeira ao desempenho dos 10 primeiros jogadores desta lista (aqueles que já não estão vinculados ao FC Porto), eu diria que o balanço é muito positivo, o que valida, de algum modo, a aposta em jogadores jovens de elevado potencial.

Como curiosidade, verifica-se que a época 2004/05 foi aquela onde houve mais “contratações sub-21”, seguida da época actual.

Nota: Agradeço a ajuda dos leitores do ‘Reflexão Portista’ na indicação de nomes em falta e na correcção de eventuais erros que possam existir no quadro apresentado.

domingo, 14 de setembro de 2008

Os Sub-21 do FC Porto

Ao perder com a Inglaterra em Wembley, por 0-2, a Selecção Nacional de Sub-21 hipotecou desde logo as possibilidades de se apurar para o play-off de qualificação do Europeu de Sub-21 que se vai disputar no próximo ano.
Na passada terça-feira veio a confirmação dessa ausência, na sequência de mais uma má exibição e do empate em casa (2-2, depois de estar a ganhar por 2-0) contra a Irlanda.

Apesar destes dois jogos, em que desiludiu e ficou muito abaixo das expectativas, a Selecção de Sub-21 reúne um conjunto de jogadores promissores (alguns são quase certezas), entre os quais se destaca um lote alargado com vinculo contratual à FCP SAD.
Quem são?

Nuno André Coelho
Nome completo: Nuno André da Silva Coelho
Data de nascimento: 07/01/1986 (22 anos)
Altura: 1,90m
Posição: Defesa-central
Formação: Penafiel (concluída no FC Porto)
Clubes: FC Porto B, Maia, Standard de Liége, Portimonense, Estrela da Amadora

Castro
Nome completo: André Castro Pereira
Data de nascimento: 02/04/1988 (20 anos)
Posição: Médio Centro (médio defensivo)
Formação: no FC Porto desde os Infantis
Curiosidades: Sócio do FC Porto desde os 3 anos de idade
Clubes: FC Porto, Sporting Clube Olhanense


Pelé
Nome Completo: Vítor Hugo Gomes Passos
Data de Nascimento: 14-09-1987 (21 anos)
Altura: 1,87m
Posição: Médio defensivo
Formação: Salgueiros, Benfica, V. Guimarães
Clubes: V. Guimarães, Inter Milão, FC Porto
Contrato: 2011/12

Paulo Machado
Nome completo: Paulo Ricardo Ribeiro Jesus Machado
Data de nascimento: 31/03/1986 (22 anos)
Posição: Médio Centro
Clubes: FC Porto B, FC Porto, Estrela da Amadora, União de Leiria, Leixões, Saint-Etienne
Contrato: 2009/10


Vieirinha
Nome completo: Adelino André Vieira Freitas
Data de Nascimento: 24/01/1986 (22 anos)
Altura: 1,71m
Posição: Extremo direito/esquerdo
Formação: Vitória de Guimarães, FC Porto (foi contratado pelo FC Porto ainda com idade de júnior)
Clubes: FC Porto B, FC Marco, FC Porto, Leixões, PAOK Salónica
Contrato: 2009/10

Bruno Gama
Nome completo: Bruno Alexandre Vilela Gama
Data de nascimento: 15/11/1986 (22 anos)
Posição: Extremo (mas na formação jogava como ponta-de-lança ou como "número dez")
Formação: Sporting de Braga (a FCP SAD contratou-o por 750 mil euros mais o passe do Cândido Costa)
Curiosidades: No dia 10 de Abril de 2004, com apenas 16 anos, estreou-se no campeonato português, substituindo Castanheira a 26 minutos do final da partida. O treinador do Braga era Jesualdo Ferreira.
Clubes: Braga, FC Porto B, Braga, Setúbal


Hélder Barbosa
Nome completo: Hélder Jorge Leal Rodrigues Barbosa
Data de nascimento: 25/05/1987 (21 anos)
Posição: Extremo Esquerdo
Formação: FC Porto
Clubes: FC Porto B, FC Porto, Académica, FC Porto, Trofense

Candeias
Nome completo: Daniel João Santos Candeias
Data de Nascimento: 25/02/1988 (20 anos)
Altura: 1,77m
Posição: Extremo
Clubes: Varzim, FC Porto
Contrato: 2012/13


Nuno Coelho
Nome completo: Nuno Miguel Prata Coelho
Data de nascimento: 23/11/1987 (20 anos)
Altura: 1,83m
Posição: Médio-centro (médio-defensivo)
Formação: Sporting da Covilhã (contratado pela FCP SAD em Janeiro de 2005
Curiosidades: Com idade de juvenil (16 anos) era titular do Sporting da Covilhã, que disputava então a Segunda Divisão B
Clubes: Sporting da Covilhã, FC Porto B, União de Leiria, Portimonense

Ventura
Nome completo: Hugo Ventura Ferreira Moura Guedes
Data de nascimento: 14/01/1988 (20 Anos)
Altura: 1,88m
Posição: Guarda-Redes
Clubes: FC Porto
Curiosidades: No FC Porto desde os 10 anos, Ventura acumulou vários prémios em torneios, entre os quais se destaca o de melhor guarda-redes da Nike Cup 2003, em Sub-15. O guardião viu também ser-lhe atribuído o Dragão de Ouro para Atleta Revelação do Ano de 2006.



Todos estes jogadores são (foram) presença assídua nas selecções nacionais ao longo dos escalões jovens (Sub-16, Sub-17, ..., Sub-21), o que significa que foram considerados os melhores jogadores portugueses em diferentes ocasiões e por diversos seleccionadores nacionais.
Contudo, com a previsivel excepção de Pelé, que chegou ao FC Porto no âmbito do negócio Quaresma (veio do Inter, carago!) avaliado em 6 milhões de euros e, por isso, tem outro estatuto, quantos destes jovens promissores terão uma verdadeira oportunidade para se imporem no FC Porto?

Ao contrário do que acontecia nos anos 80 e início dos anos 90 (relembro os casos de João Pinto, Jaime Magalhães, Bandeirinha, Quinito, Semedo, Fernando Couto, Baía, Domingos, Jorge Couto, Folha, Secretário, Jorge Costa, Rui Filipe), parece que no século XXI ser da "prata da casa" é um ónus que prejudica a afirmação de jovens jogadores na equipa principal. Alguns até já fizeram parte do plantel - Paulo Machado, Bruno Gama, Vieirinha, Castro e Hélder Barbosa - mas não se pode dizer que jogar meia-dúzia de minutos em dois ou três jogos seja uma verdadeira oportunidade.
Parece-me óbvio que não há para estes jogadores a mesma paciência e benevolência de avaliação que existe para jogadores vindos do outro lado do Atlântico, para quem os responsáveis não se cansam de dizer que é preciso dar-lhes tempo para eles se adaptarem...

Naturalmente, nem todos terão espaço e a qualidade necessária para se imporem num clube com as exigências do FC Porto, mas a ideia que fica do que se viu nos últimos anos é que estes jovens jogadores da formação portista, apesar de serem dos melhores de Portugal, estão "condenados" a não convencerem o(s) treinador(es) do FC Porto e, ano após ano, a continuarem a ser emprestados. Para além de ser uma pena, é um enorme desperdício.

domingo, 7 de setembro de 2008

E Pimba!


A selecção de sub-21 meteu água por todos os lados: não admira, dirão os optimistas, chovia a cântaros em Londres, ontem, e a rapaziada não sabe nadar. Colectiva e individualmente a equipa valeu zero.

Depois do reinado Queiroz fomos perdendo pedalada, deixamos de fazer bons resultados, os técnicos consagrados e discípulos do Professor foram esgotando os seus recursos e muito dos jovens promissores perderam-se pelo caminho.

Muitos técnicos da especialidade, têm referido que e o período de transição de júnior a sénior é fundamental no progresso e na consolidação da carreira, e que ainda não soubemos resolver o problema, devidamente.

Outros, como o João que vem pregando e evangelizando sobre as nefastas consequências da abertura do mercado a jogadores estrangeiros, e cada vez mais para reforçarem os escalões mais jovens, acham que estas entradas "sem barreiras" são a causa do desemprego no sector e do quase desaparecimento de jogadores nacionais nas nossas principais equipas.
Dirigentes e empresários não serão alheios a este fluxo migratório.

Manuel Machado acha que não e que temos mais emigrantes que imigrantes, e portanto o saldo consolidado é positivo e que a taxa de desemprego, na ordem dos 10%, terá que ser encontrada de uma forma menos simplista, até porque o proteccionismo já era, e os jogadores, através do seu Sindicato (por que não?), devem estar atentos e procurar soluções que sirvam melhor os seus interesses. Mas a sua atitude não pode ser passiva e ficar-se pelas “bocas” do seu presidente, que parece ter-se especializado nesse tipo de intervenção.

Há problemas. Obviamente.

O FCP e as iniciativas que levou a cabo são significativas. A formação passou a ser a menina dos olhos da direcção. Nada a dizer. Há um reconhecimento por parte dos grandes clubes portugueses que havia um défice na formação, nomeadamente no FCP. Tocou a reunir: novos dirigentes, novos técnicos, novos programas, novos equipamentos e a cereja em cima do bolo: a inauguração do Vitalis Park como o novo paradigma de um clube com olhos no futuro, como diz Jesualdo.

Projecto 611, scouting e Dragon Force passou a fazer parte do nosso quotidiano portista. Vítor Baía esfolou muito aqueles joelhos, tal como os demais companheiros, para vencer na carreira. Hoje o caminho está desbravado de algumas incomodidades. Já não há “Felicianos” e os novos treinadores são mestres em psicologia, não praguejam nem berram e usam uma imensa bibliografia e todo o artesanal que as novas tecnologias lhes colocam à disposição para tratar os jovens e levá-los a campeões.
Nunca as estruturas no FCP tiveram tal excelência. Que os resultados sejam conformes este investimento material e humano. O FCP merece.

Nestas coisas, quem sempre faz a diferença é o homem, o trabalhador, o artista, o treinador e o futebolista. Principalmente o dono da bola: o jogador. Esperemos que esta facilidade para desenvolver aptidões não retire ao jovem jogador a capacidade de sofrer, de superação, de luta e um alto sentido profissional. O facilistismo não raras vezes conduz ao comodismo.

Na selecção nacional e nos sub-21 nunca ganhámos. Quando tudo parecia estar tão perto, perdemos sempre, e para alguns países da nossa dimensão. A nossa alma é triste como o fado, e falhámos quase sempre, em todos os desportos colectivos.

Apesar do progresso, que sofre inevitavelmente o efeito dos ciclos – esses malandros que existem para infernizar os nossos brandos costumes -, não posso deixar de pensar que muitos dos nossos atletas são excelentes profissionais a exigir altos proventos e excessivamente amadores no desempenho da profissão. E, por isso, não deixo de pensar que parte daquela sábia entrevista dada por um espectador para o programa “Liga dos últimos” em que refere que os "seus jogadores" nas vésperas dos jogos vão para as discotecas, dançam, bebem, fumam e depois pimba pela noite fora, é provavelmente extensiva a muitos jogadores profissionais e a muitos jovens em formação.

A equipa do FCP vai ter – nesta interrupção do campeonato – uma série de dias de folga. O descanso da competição alivia o corpo e o stress. Mas a tendência para demasiado tempo livre não é normalmente útil ao atleta. E depois pimba. E os homens ficam cansados de tanto descanso e menos disponíveis para as tarefas que exigem esforço e dedicação. Ou seja “viciam-se” no dolce far niente e nas mundanidades que enchem o imaginário de muitos jovens e de bastantes menos jovens, também, e são objecto de todas as coberturas na Comunicação Social. E depois pimba: chutam sempre ao lado.