sexta-feira, 26 de maio de 2017
Não celebrem Viena, não celebrem Gelsenkirchen, celebremos o depois de amanhã
Hoje e amanhã deviam ser dias de celebração.
No Reflexão Portista pensamos inclusive em fazer um especial de artigos e textos sobre os trinta anos de Viena - para quem queira, há um maravilhoso livro coordenado pelo João Nuno Coelho sobre os 25 anos dessa data histórica - para celebrar esse dia maravilhoso. Mas o clube não está agora mesmo para este tipo de celebrações nem de regressos ao passado nostálgicos. Nunca devemos esquecer quem somos, de onde viemos e o que conquistamos. Há clubes a celebrar um Tetra, convém recordar que disso temos dois, temos um Penta e não necessitamos setenta anos de história para os conseguir. Há clubes a celebrar duas Taças dos Campeões Europeus, a última conquistada em 1962, convém recordar sempre que disso temos duas, bem mais recentes, mas também duas Taça UEFA/Liga Europa e uma Supertaça Europeia e duas Intercontinentais, já agora, para que fique claro quem é o maior clube português em títulos internacionais. Taça Latina incluída. Isso nunca se esquece, isso está dentro de nós e recordar é viver. Mas ao ritmo que levamos corremos o sério risco de cair no poço em que outros viveram durante anos com o velho chavão do "antes é que era", do "naquela época é que eramos os maiores" e o "os meus títulos são melhores que os teus". Passar estes dois dias a celebrar Viena e Gelsenkirchen é uma tentação bonita porque são dois troféus maravilhosos e dois dias inesqueciveis. Mas fazê-lo, tal como estamos, é trair-nos a nós mesmos e à nossa memória. Sobretudo, é trair o que nos levou precisamente a ganhar esses dois troféus: viver o presente.
O FC Porto deixou de ser um clube gerido a pensar no presente e isso é um dos principais motivos pelo que estamos nesta etapa negra. Pelo menos no presente do clube. Os projecto não têm direcção, caem ao primeiro abanão, mudam de forma radical de ano para ano sempre a pensar em algo que tente recuperar o passado sem que ninguém se dê conta que o futebol mudou. Se algo sustentou o êxito dos anos 80 e 90 foi a capacidade do Porto se adaptar melhor que ninguém ao mundo que viviamos e ao futebol do seu tempo a distintos niveis. Essa realidade perdeu-se e cada vez mais nos entragamos à nostalgia, ao "jogador à Porto", ao "treinador à Porto", ao "Somos Porto", ao "no tempo de" e esquecemo-nos que cada semana há um jogo novo num mundo novo e que é aí onde nos temos de concentrar. O mercado não é o dos noventa, a formação não é a dos oitenta, os treinadores não são os dos 2000 e, sobretudo, a direcção há muito que não é a desse periodo em actitude, trabalho e entrega, já para não falar em idade. E não saimos desse circulo fechado e entregar-nos a esse ritual de celebração num ano triste onde perdemos tudo, outra vez, parece-me ser um erro e uma falta de respeito para com o que fomos e que deviamos ser.
O lodo onde estamos tem muitas explicações. O lodo onde estamos pode prolongar-se muito ou pouco tempo, depende de aquilo que quem gere o clube tem preparado para o futuro. O que sim é fácil de entender é que não é celebrando o passado que vamos estar mais preparados para o depois de amanhã. Se queremos voltar a ser grandes é precisamente isso que devemos fazer. Pensar no hoje, no amanhã e no depois, pensar no presente e no futuro, em como vamos reorganizar o clube, as contas, a parcela desportiva. Não pensemos no que já foi e já não volta. O que talvez nem sequer se volte a repetir porque o mundo mudou. Sonhar com outro título europeu é bonito mas cada vez mais redutor, pensemos em como conquistamos nós o nosso Penta antes que o celebrem outros. Primeiro ganhamos um título...depois pensamos em ganhar o Bi...depois pensamos em ganhar o Tri...e ganhamos. Depois demos o salto ao Tetra e foi nosso. Depois preparamos tudo para assaltar o Penta, e celebramos como loucos. Hoje temos de pensar como vamos ser campeões em Maio do próximo ano. Em nada mais. Nem títulos passados nem em equipas de outras eras. Pensem no hoje. Pensem no amanhã. Pensem em Maio. E passo a passo pensem em voltar a ser grandes como o escudo do Dragão merece.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
2009: odisseia para o tetra
Somos tri-campeões. 2009 arranca hoje, o tetra é já a seguir. O FCP reiniciou os trabalhos no princípio da semana. Se foi tempo de fazer um balanço sobre a nossa caminhada neste primeiro terço, há umas semanas atrás, é tempo agora de avaliar as perspectivas futuras, desfolhar algumas ideias e sonhar um pouco.
Neste tempo anunciado de crise, espero que o nosso FCP possa escapar a essa tragédia transnacional, com o mínimo de sequelas. Tenho andado ansioso, sempre à espreita nos jornais sobre as possíveis entradas e as anunciadas saídas, mas só sei que nada sei, a não ser as loas do costume. Continua o silêncio, porque o dito é alma do negócio.
Aliás, pela minha parte cumpri a minha obrigação e pedi ao Pai Natal um defesa esquerdo e um rapaz alto e moreno para o eixo do ataque. Não fui atendido e não pude oferecer ao meu clube a prenda desejada.
Mas, tenho confiança. Com os rapazes novos (Sapu, Rodriguez, Tomás Costa, Guarín e Pelé) a mostrarem e demonstrarem que são mais valias, e os mais afamados (Lucho e Lisandro) a retomarem o alto nível que possuem, vamos ter um reinício cheio de fulgor, neste nosso futebolzinho que gosta da retranca, de estacionar o autocarro junto da grande área, de fechar espaços, de muitas faltas, de muita bola fora, de queimar e gerir o tempo, de enervar o adversário, de jogar no erro, de muito queda para o soalho e a apostar tudo no ataque através de bolas paradas.O nosso FCP cheio de força, revitalizado pelas mini-férias, vai pressionar, vai desorganizar as tácticas defensivas, vai correr, vai lutar, vai ser guerreiro e vai jogar bem.
Com transições rápidas e ultra-rápidas, com mais posse de bola, em 4x3x3 ou em 4x4x2 a receita está escrita e é só seguir a música. Encurtar linhas, ser letal no último passe e usar a preceito as basculações para desorientar o adversário, são alguns dos ingredientes que empregaremos com jeito e astúcia, prova da maturidade táctica da equipa que gradualmente se consolidará. O caminho é o golo e vamos melhorar substancialmente o nosso ratio de eficácia.
Não tenho dúvidas, que este é o caminho para ser campeão e chegar ao tetra e ultrapassar os oitavos na CL. Não falei com o JF, mas tenho a certeza que, atento leitor dos treinadores de bancada devidamente divulgados em blogs da especialidade, não vai deixar de atentar nos meus simples e sábios conselhos.
Este é o glorioso processo a caminho do tetra: mais uma odisseia a juntar ao glorioso historial FCP. É assim que vai ser, se não for a paixão continua e o FCP sairá incólume - apesar das muitas perseguições - porque não vacilaremos perante o desaire, nem seremos apenas orgulhosos diante das vitórias.
FCP, sempre!
Bom ano desportivo é o meu desejo a todos os adeptos do FCP.
sábado, 31 de maio de 2008
Época 2007/08 em revista: O plantel
Bem mais cedo do que se esperava, o plantel do FC Porto para a temporada 2007/08 sofreu logo em Maio de 2007 (mal o campeonato terminou) a sua primeira grande baixa, com a saida de Anderson para Manchester United. A noticia apanhou todo universo Portista desprevenido, dado nunca se terem constado rumores do jogador interessar ao clube Inglês e de ter passado uma boa parte da época lesionado, ainda assim a SAD fez um encaixe significativo por um atleta que tão pouco jogou de dragão ao peito. Pelo meio do defeso, Hugo Almeida viu o Werder Bremen accionar a opção de compra pelo seu passe, e Ricardo Costa transferiu-se de igual modo para a liga Alemã, onde ambos resultaram num encaixe de 4 milhões €. E foi já em pleno estágio Holandês da equipa portista, onde a SAD realizou o mais improvavel negocio, não tanto pelo jogador em si, mas pelos valores envolvidos. Pepe partia para o Real Madrid em troca de “30 Kilos”, como dizem os Espanhois, resultando num dos mais proveitosos periodos de transferências de sempre para o FC Porto.

Se a nivel financeiro as saidas de alguns jogadores eram inevitáveis, restavam duvidas de como a “maquina portista” conseguiria tornear eventuais perdas desportivas, especialmente no colmatar dois jogadores de excelencia como são Pepe e Anderson. E bem pode-se dizer que o defeso foi muito agitado para os lados do Dragão, com 10 aquisições a título definitivo, mais 3 por emprestimo, o FC Porto atacou em toda força no sentido de consolidar o seu plantel, mas a tónica dominante ao longo de toda a temporada, esteve na pouca preponderância dos novos reforços no mérito desportivo da equipa. Com efeito só esporadicamente alguns dos jogadores recem-chegados ao clube conseguiram ganhar um lugar no onze de Jesualdo, casos de Stepanov, Bolatti e Farias, sem nunca conseguirem afirmar-se como verdadeiras alternativas, pese embora sua margem de evolução e necessidade de integração. Pelo meio surgiu a rábula em torno da idade de Leandro Lima, que para além de ser mais adulto do que se pensava, passou mais de meia época parado, dependente das decisões dos processos em curso na Liga contra si.
De resto os grandes reforços do FC Porto nesta temporada sugiram de soluções que transitaram de anos anteriores. A grande recuperação de Pedro Emanuel afirmando-se como um dos esteios da defesa, a verdadeira internacionalização do atleta Bosingwa, a maior amplitude de Meireles, o rejuvenescer de Lucho, o fantástico despertar da magia de Tarik e a descoberta do goleador no raçudo Lisandro, foram apenas alguns dos exemplos que fizeram da equipa portista campeã sem qualquer margem para duvidas. O motor do FC Porto esteve no nucleo que compôs em grande parte da temporada o onze tipo de Jesualdo, apenas cabendo neste grupo restrito mais três ou quatro atletas, o que daqui facilmente se percebe que há uma decalage de valor para o restante plantel, um problema que não é alheio o facto de SAD não ter conseguido trazer verdadeiras valias para equipa, apesar de a ter reforçado muito. Um problema a rever portanto.
Para o futuro proximo já se perspectivam no horizonte três aquisições, Rolando, Nelson Benitez e Tomas Costa, as duas ultimas para posições sensiveis do plantel portista, as laterais onde no lado esquerdo tarda a surgir alguem que se afirme no lugar e pela saida de Bosingwa, no meio campo pela ruptura abrupta de Paulo Assunção com o FC Porto, mas tambem pela ausência de alternativas validas quer a Lucho, quer a Raúl Meireles. É provavel que até ao final do defeso a SAD possa vir alienar o passe de pelo menos mais uma das estrelas da equipa, com Quaresma à cabeça, mas no mercado há que saber aguardar serenamente. Acima de tudo espera-se que na necessidade de vender, a administração consiga manter a bitola alta nos encaixes financeiros, mas não menos importante que saiba depois aplicar parte dessas receitas em aquisições com critério, porque este é o nosso triste fado, compra barato, para tentar vender caro, resolvendo os problemas de tesouraria e pelo meio dando umas alegrias aos adeptos com mais uns quantos títulos.
domingo, 25 de maio de 2008
Época 2007/08 em revista: O treinador
No final da temporada 2006/07 onde o FC Porto cortou a meta ao “sprint” no primeiro lugar, em disputa acesa com o Sporting, depois de ter estado a meio do campeonato com uma vantagem confortável, começaram a pairar no ar, por parte de uma franja considerável de adeptos portistas, alguns sinais de desagrado e uma certa desconfiança nas capacidades de Jesualdo Ferreira comandar uma equipa com ambições altas.Devo dizer que nunca concordei muito com as perspectivas mais ou menos catastróficas que muitos sócios vaticinavam sobre o que poderia ser o futuro dos Dragões nas mãos de Jesualdo. De facto a 2º volta da época anterior tinha sido “quase” penosa, mas atrás disso vinha agregado ao treinador a imagem de um homem frio, com conceitos de jogo defensivos e benfiquista. Um perfil com o qual Jesualdo teve de lutar e, acima de tudo, demonstrar que era errado e pré-concebido.
Perante o voto de confiança dado pela administração da SAD para a continuidade do técnico na época que agora finda, houve a oportunidade para que Jesualdo pudesse construir um plantel mais à sua imagem, mediante aquilo que é sua forma de ver o futebol, coisa que não teve possibilidade de fazer no ano anterior, devido a ter chegado ao Dragão mesmo em vésperas do começo do campeonato. Desde logo, o treinador, tratou de passar guia de marcha aos jogadores que não cabiam no seu perfil de jogo e que em alguns casos chegou ter alguma incompatibilidade, como Bruno Moraes e Ibson. Acima de tudo, o sinal para interior do balneário era claro, Jesualdo só aceitava levar consigo para a batalha homens da sua confiança. É certo que permaneceram no plantel elementos que foram objecto de quesilias no passado, casos de Bosingwa e a sua postura imprevisível, ou Quaresma que sempre teve uma personalidade difícil, mas a verdade é que grupo demonstrou no geral um ambiente mais sereno ao longo do ano.
À parte de questões de autoridade, Jesualdo tinha revelado em entrevista ao jornal O Jogo no defeso passado, a necessidade de se encontrar soluções no sentido de introduzir no plantel uma maior dimensão física no jogo, onde lhe pareceu estar a quebra evidenciada pela equipa na época em causa. Mas foi nas soluções já existentes no grupo de trabalho, na predisposição táctica mais concertada de algumas peças, que o treinador conseguiu montar um onze forte, coeso, com dinâmica, rapidez de processos e alguma magia. As vitórias são um tónico importante, pelo que não há duvida que a consolidação da equipa tipo para atacar o campeonato versão 2007/08, deveu-se à entrada demolidora do FC Porto nesta prova. Logo aí a equipa marcou a diferença para os demais adversários, cabendo-lhe a si e ao treinador gerir “apenas” a vantagem ate ao final de forma afastar fantasmas passados, o que, como é sabido, aconteceu.
Mas se Jesualdo Ferreira foi capaz de construir um onze base com patamares de rendimento alto, nem sempre conseguiu fazer uma integração harmoniosa dos restantes jogadores do plantel na equipa. É sempre difícil descortinar ate onde vai a qualidade de cada membro e aquilo que pode dar ao seu conjunto global, mas ficou sempre a sensação ao longo da época que o treinador depositava mais confiança num restrito núcleo de 13 ou 14 atletas. Essa confiança excessiva nesse círculo fechado de jogadores, teve efeitos perversos em alguns momentos, sempre que o Professor foi buscar alguns homens fora deste núcleo, onde a eliminação da Taça da Liga é disso exemplo. Também algumas tentativas de “inputs” na equipa principal, assim como respectivos reajustes tácticos, nem sempre foram bem sucedidos, em especial quando tal sucedia em jogos de cariz mais decisivo, ou em situações em que não se justificava de todo alterações, deixando a equipa sempre muito agarrada ao rendimento de uma pequena franja de jogadores.
Este será porventura um dos maiores desafios para Jesualdo Ferreira na proxima época, conseguir abrir portas da titularidade a um maior leque de jogadores do plantel, sem que a equipa perca qualidade. A permanencia do tecnico permite um certo enraizamento no Clube dos seus conceitos, estabelecendo uma linha de continuidade no projecto sem causar grandes fracções, que no seu propósito principal saiu vencedor (campeonato), pese embora as insuficiências nas competições a eliminar. Não pode ficar esquecido também o contributo muito válido que o treinador amíude tem dado na defesa da honra e interesses do FC Porto, nas conferências de imprensa, antes ou depois dos jogos, em algumas entrevistas ou eventos mais sociais. Um sinal muito significativo num momento onde impera muita contenção verbal no seio dos orgãos decisorios do Clube, e a mostrar de igual forma que cumpre este que é o maior desafio da sua carreira, de forma bastante profissional.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Época 2007/08 em revista: As competições

Depois de dois títulos consecutivos, alcançados por treinadores diferentes, com conceitos de jogo muito diferenciados, logicamente que o grande objectivo deste ano desportivo para os Dragões seria alcançar pela segunda vez na sua história o tricampeonato. Apesar das desconfianças da massa associativa pela forma tremida como foi ganha a Liga anterior, foi com Jesualdo Ferreira ao leme da nau portista que tal desiderato foi atingido, conseguindo-se umas das maiores vantagens pontuais sobre os principais adversários de que há memória. Nas competições ditas a eliminar no plano interno, onde se escondiam receios do falhanço da Taça de Portugal do ano transacto, o «factor Sporting» marcou de forma indelével a carreira do FC Porto. Na Champions, apesar do objectivo inicial de passar a fazer de grupos ter sido cumprido, ficou o amargo de boca pela eliminação ao pés de um adversário acessível. No campo da gestão do plantel destacou-se acima de tudo a aposta na continuidade, apesar da saída de duas peças valiosissimas da equipa Portista. Por fim, mas não com menos destaque, os factores extra-desportivos que, para não variar, centraram-se em torno dos processos de alegada corrupção desportiva, onde a Liga de Clubes assumiu-se como actor principal, bem como, a continua e incansável campanha de intoxicação do bom nome do FC Porto por parte da comunicação social. Vejamos pois, competição a competição, como foi o trajecto da equipa Portista ao longo desta temporada.
Supertaça Cândido Oliveira
No primeiro trofeu da época em disputa, começou a desenhar-se logo nesse encontro aquela que seria ao longo de toda a temporada a maior “pedra no sapato” do FC Porto, o Sporting. Pese embora se tratar do primeiro jogo oficial do ano desportivo, onde os atletas recem-chegados ainda estavam em processo de adaptação, assim como a ausência de Lucho Gonzalez não ter passado despercebida, em virtude de ter-se juntado mais tarde ao grupo de trabalho pela participação na Copa América, logo aí veio ao de cima a incapacidade do conjunto de Jesualdo Ferreira se sobrepor aos homens de Paulo Bento. Izmailov, com um tiro do meio da rua, retirou ao FC Porto o primeiro título da época.
Campeonato Nacional
Os pronuncios obtidos na Supertaça, conjugados com os sinais de quebra acentuada nas ultimas jornadas da temporada anterior, deixavam os adeptos Portistas numa ansiedade e desconfiança para aquilo que de mau poderia estar para vir na competição mais importante da época, a liga Nacional. Porém, as suspeitas rapidamente se dissiparam perante a entrada demolidora dos Dragões nesta prova. Com oito vitórias consecutivas, a equipas como Sporting, Braga, Maritimo, entre outras, e sem conhecer o sabor da derrota até à jornada treze, onde pelo meio a equipa Portista conseguiu um triunfo importante em pleno estádio da Luz, aproveitando-se também de mais uns quantos desaires dos principais adversários, no final da primeira volta o FC Porto cavava um fosso importante para os seus perseguidores. O retomar do campeonato após a tradicional pausa Natalicia não fez mossa à equipa Portista, na tambem já tradicional quebra de forma que sempre se verifica após esta quadra. Bem pelo contrario, apesar do desaire em Alvalade, o FC Porto chegou a meados de Fevereiro com o tricampeoanto no bolso, pulverizando toda a concorrência e estando à beira de alguns recordes históricos. Não foi por isso de estranhar que a cinco jornadas do fim a equipa Portista asseguraria o título nacional.
Taça da Liga
Em ano de estreia desta competição, o FC Porto assumia naturalmente o interesse em vence-la, quanto mais não fosse pelo “apetite” com que vai arrecadando troféus ao longo dos anos. Porem logo na ronda em que entrou em competição, caiu aos pés do modesto Fátima (que até foi despromovido para a 2ª divisão B). O facto de Jesualdo ter feito alinhar nessa partida muitos jogadores não titulares, onde se incluíam na equipa inicial oito aquisições do último defeso, não explicam tamanho desnorte ao longo de 90 minutos, pese embora a eliminação só ter ocorrido na lotaria dos penalties. Uma prestação que ficou muito aquém do esperado.
Liga dos Campeões
Se ao inicio de cada temporada é consensual estabelecer como meta nesta competição a passagem da fase grupos (mediante a qualidade das equipas envolvidas na prova, bem como os seus orçamentos) este é daqueles anos onde a participação do FC Porto ficou aquém do esperado, não apenas pela qualidade e entrosamento do seu conjunto mais utilizado, mas tambem por cair perante uma equipa que não mostrou ser superior ao clube Portista. A fase de grupos também exponenciou as expectativas dos adeptos, face ao 1º lugar conquistado no grupo A, partilhado com Liverpool, Marselha e Besikas. Com 11 pontos alcançados na pool de apuramento, os dragões fizeram umas das melhores prestações nesta fase da prova, deslustrando um pouco a pintura apenas com uma derrota pesada em Anfield Road por 4-1. Nos oitavos de final, o sorteio sorriu ao FC Porto, mas o Shalke 04 tratou de o retirar da face dos associados Portistas. Apesar da possibilidade de Jesualdo Ferreira poder fazer uma gestão criteriosa do plantel em vésperas dos jogos da Champions, em virtude da larga vantagem existente já nessa altura do campeonato português, bem como no decorrer da eliminatória ter ficado bem patente a superioridade do conjunto Portista, isso por si só não foi suficiente para o FC Porto chegar aos quartos de final da competição. Na conjugação destes diversos factores, facilmente se percebe que se perdeu claramente uma oportunidade de ouro para se fazer um trajecto mais marcante na Liga dos campeões desta época.
Taça de Portugal
A ridicula eliminação do FC Porto em casa perante o Atletico no ano anterior, obrigava Jesualdo Ferreira a demonstrar que tal acontecimento não passou de um facto isolado, que o acaso por vezes proporciona. Com efeito, a equipa portista ao longo das eliminatórias que foi disputando, demonstrou que não queria repetir erros do passado, conseguindo eliminar o Chaves, o Aves, o Sertanense, o Gil Vicente e o V. Setúbal sem sofrer um único golo. Por ironia do destino, a final da Taça de Portugal, que fecha tradicionalmente a época desportiva dos Clubes, pôs como adversário a mesma equipa com que abriu as hostilidades na temporada, o Sporting. Com o campeonato assegurado quase um mês antes, o relaxamento de algumas pedras nucleares dos azuis e brancos foi notório no jogo do campo de Oeiras, bem como a rabula da exclusão de Bosingwa da convocatória pelo eventual acordo de cavalheiros com Chelsea, não ter ajudado à festa. Numa semana marcada por “apitos”, com devido condicionamento da equipa de arbitragem, o FC Porto viu o «factor Sporting» uma vez mais roubar-lhe um troféu. Um final algo amargo, para equipa que foi brilhante em alguns momentos da temporada.
sábado, 10 de maio de 2008
Ultima paragem do comboio azul, no Portugal dos pequeninos
No Portugal dos pequeninos, onde o circo montou arraial lá para as bandas da rua da Constituição, ofereceu no dia de ontem uma matiné especial ao triste Zé Povinho, que à falta de êxito e proveito próprio, faz escola ao tentar fazer desgraça em vida alheia. Consta que o Mestre de cerimónia, já de si famoso por passar horas a fio ao espelho a deleitar-se com o seu ar de justiceiro da vanguarda, arrebatou a multidão com sua auto-bajuladora intelectualidade moral, fazendo-a sair às ruas entoando vivas ao novo salvador da Pátria perdida nos confins do Estado Novo.No entanto, a cada final de semana, há sempre um momento onde o povo é assaltado por tamanha e tenebrosa visão, de quem é apontado como a raiz de todos os males, mas que por infortúnio do acaso, ou talvez não, demonstra porque é líder sem mácula, em terra de almas perdidas e rastejantes. Hoje esse Líder fez a sua ultima paragem lá para os lados da Figueira, numa longa viagem triunfante e categórica, deixando a léguas de distancia os seus arqui-rivais, que lá debaixo da sua pequenez emanam o ódio que nos faz estar cada vez mais vivos.
Na verdade, este comboio azul que pulverizou toda a concorrência, fez uma actuação em ritmo de passatempo, com as suas armas de recurso. Quase nada havia para dar, num jogo com pouco para se provar, apenas a última chance de afirmação para uns quantos que circulam no limbo da carruagem do Tricampeão. As duvidas neste capitulo não foram totalmente dissipadas, nem o podia ser apenas por um jogo, fica o registo para aqueles que ainda procuram vistas de um céu azul, como a entrega de Adriano e Farias ou polivalência e carácter de João Paulo. Nos entretantos, ficamos com as esperanças de futuros risonhos para Ventura e Castro, salpicada com experiência de Pedro Emanuel e o perfume africano de Tarik.

Para apagar estigmas da última jornada e esquecer circos de vão de escada, nada como desfrutar de um jogo sereno, como a vitória deste campeonato, de uma equipa séria à imagem do seu treinador. A bomba arrebentou, o apitou final soou, o FC Porto é Tricampeão, no Portugal dos pequeninos.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Campeões, Campeões, Nós Somos Campeões...

Um campeonato ganho pelo FCP é sempre um momento de euforia, mas este ano teve um significado muito especial. As permanentes apitadelas, reclamavam uma vitória convincente, gorda e humilhante para os nossos detractores. Um campeão sem mácula e acima de qualquer dúvida, foi o que conseguimos. Fomos capazes de provar que o anti-sistema parido no ventre do regime, deu à luz um campeão sem precedentes, que é exactamente o mesmo que é acusado de traficar vitórias a favor de empates, num momento em que tinha uma super equipa que (apenas) chegou a campeã europeia.
Com uma equipa coesa, um treinador sério e competente, um grupo de jogadores equilibrado e uma meia dúzia de qualidade extra, construímos o que parecia impossível, num ambiente permanentemente adverso. Uma vitória esmagadora e que enche de inveja os invejosos do costume. Nem os mais empedernidos adversários se arriscam a pôr em causa a justeza desta vitória.
Se nos anos anteriores o sentimento primeiro foi de alívio : o FCP tinha conseguido retomar, de forma sustentada, o trilho que parecia perdido a partir da fuga de José Mourinho, este ano foi de desforra: contra os dossiers, os oportunistas, as “sevícias” da CS e os favores do regime, sempre a favor dos mesmos.
Campeões, nós somos campeões, façam o que fizerem os tribunais e as justiças federativas. Nada me pode tirar o prazer desta vitória. Não há roubo de pontos, nem acusações, nem escutas, nem apelos à judiciária que nos tirem o mérito - e o direito - a sermos campeões. Tudo o resto é histeria e a fúria dos predadores/perdedores do costume.
É comum escrever-se que a força do FCP é potenciada na construção de um inimigo imaginário que religiosamente combatemos, se situa na capital e é representado por uma ave de rapina. Acho que se passa exactamente o inverso. E não só com o FCP. Qualquer adepto suspeito de ser do nosso clube, ou de outro qualquer clube, desde que se apresente sem sinais exteriores de hostilidade, ser-lhe-á mais difícil entrar no aparelho do estado do que um camelo numa agulha de coser . É do FCP ou parece, logo é culpado.
Esta vitória é uma saborosa vingança. Os detractores continuam e continuarão com as suas tristes ladainhas: a reza é sempre a mesma, o pedido também. Têm legítima saudade do sucesso do passado. Ganhavam sempre e o árbitro sabia respeitar os raspanetes e as ordens do capitão Coluna. O regime ajoelhava-se perante tanto poder e notoriedade. Só que apesar disso, é justo reconhecer que tinham a melhor equipa de Portugal.
Só que hoje não a têm e por isso têm de criar um sistema que lhes conceda benefícios pontuais. A judiciária procura, as escutas bufam e o ministério produz culpados. A tomada da Liga não chegou, talvez assim possam chegar lá, já que não pode ser de outra maneira. Se não for a bem vai com tribunais.
Já não basta a CS – nomeadamente a TV - para fazer chegar a campeão o seu clube alvo, porque fazer um campeão não é tão fácil como vender um sabonete ou eleger um presidente. Pelo menos para já. Bem tentam, com propaganda travestida de informação e com profissionais unicolores que se esquecem de comentar com um mínimo de equidistância. Vítor Paneira – no jogo BFC/SLB - foi um triste exemplo do que acabo de dizer. Não chega. Falta equipa e o Rui Costa não tem o poder de Coluna. Os tempos mudaram.

O FCP é campeão de 2007/8, com justiça. Os sócios mereceram. São homens, não são santos. São excessivos. É difícil combater a intolerância e todos os insultos, oferecendo a outra face. Jesualdo Ferreira não é o melhor treinador do mundo – nem sou seu fã incondicional - mas, acho que é justo acabar este comentário, referindo que considero que foi o elo mais forte desta equipa que construiu o campeão. Esteve quase sempre bem e nos momentos mais difíceis foi a voz que se ouviu, com comentários sempre a propósito. Um equilíbrio notável.
VIVA O FC PORTO!
No time for losers
E o 'Reflexão Portista' continua em festa.
Num ano em que, mais uma vez, fomos tão atacados fora do campo, sabe muito bem ouvir a música dos Queen, num concerto em 12 de Julho de 1986, no mítico estádio de Wembley, naquele que seria o seu último tour.
I've paid my dues
Time after time
I've done my sentence
But committed no crime
And bad mistakes
I've made a few
I've had my share of sand
Kicked in my face
But I've come through
We are the champions - my friends
And we'll keep on fighting
Till the end
We are the champions
We are the champions
No time for losers
'Cause we are the champions of the World
I've taken my bows
And my curtain calls
You brought me fame and fortune
And everything that goes with it
I thank you all
But it's been no bed of roses
No pleasure cruise
I consider it a challenge before
The whole human race
And I ain't gonna lose
We are the champions - my friends
And we'll keep on fighting
Till the end
We are the champions
We are the champions
No time for losers
'Cause we are the champions of the World
























