1. A estratégia de Sérgio Conceição foi perfeita
«Pizzi não teve para onde passar, Rafa não teve por onde correr, os corredores do Benfica foram barrados e a dupla de avançados foi reduzida a um papel fantasmagórico nas proximidades da grande área. A estratégia de Sérgio Conceição foi perfeita. Taticamente, foi provavelmente o melhor jogo da sua carreira de treinador. Secou por completo o adversário (…). O FC Porto teve um sentido posicional perfeito, roubou as linhas de passe e o espaço interior ao Benfica e teve uma pressão perfeita sobre o portador da bola. O Benfica não sabia o que fazer, não teve resposta e o FC Porto dominou por completo.»
2. Uribe, o pêndulo invisível
«Uribe terminou a partida com 97% de acerto de passe, fez quatro interceções e foi o rei dos desarmes, já que recuperou a bola em 14 ocasiões (mais uma do que Grimaldo). O médio de 28 anos contratado ao América do México, que esteve na Copa América com a seleção da Colômbia, entrou de forma natural no onze de Sérgio Conceição e parece ser um dos indiscutíveis da nova e reconstruída equipa tipo dos dragões. Herrera saiu e deixou no vácuo o papel de líder que parece estar a ser substituído por Danilo, o papel de incansável que será sempre substituído por Pepe e ainda o papel de pêndulo invisível, cada vez mais a cargo de Uribe.»
3. Viva o Marega!
«Um jogo terrível, um falhanço medonho e a única pessoa no mundo que ainda seria capaz de ter a confiança necessária para matar o jogo e calar-vos, e calar-nos, a todos. Marega é isto. Marega é nosso. Viva o Marega!»
4. "Sócios de m..., vocês são sócios de m..."
«A debandada após o segundo golo do FC Porto, no jogo de anteontem, foi contestada por um dos grupos de apoio. "Sócios de m..., vocês são sócios de m...", pode ouvir-se, num vídeo que circula nas redes sociais. Como o nosso jornal referiu ontem, depois de Marega ter batido Vlachodimos, aos 86 minutos, muitos apoiantes encarnados começaram a sair do estádio, já não acreditando numa reviravolta ou, pelo menos, no empate, o que provocou desagrado noutros.»
5. Olé! (29 passes consecutivos)
«Numa altura em que o jogo já estava resolvido - entre os 93’26’’ e os 94’31’’ -, a equipa do FC Porto estava à vontade e realizou 29 passes consecutivos, sempre acompanhados por ‘olés’ vindos da bancada destinada aos adeptos dos dragões. Escusado será dizer que o tribunal da Luz ficou irritado com a troca de bola da equipa portista e com alguma passividade dos jogadores do Benfica.»
6. O FC Porto é o FC Porto
"Porto é Porto. Todos sabem, é um clube grande, que não se deixa afetar por essas coisas [eliminação na Champions e derrota em Barcelos]. Levantámo-nos, somos fortes, somos unidos. Até fico emocionado ao ver os meus colegas a correr, a querer ganhar, isso é incrível. Se pudesse partia este prémio [eleito "Homem do Jogo"] para dar a cada um. Foi incrível a atitude que tivemos".
Zé Luís, na flash-interview, a responder a um repórter da BTV
7. 7ª vitória no novo Estádio da Luz
«Sérgio Conceição é o primeiro técnico do FC Porto a vencer duas vezes em casa do Benfica para a I Liga, no triunfo que iguala o mais folgado da história. (…) Alargando o registo ao espetro coletivo, o resultado de ontem permitiu ao FC Porto igualar a sua maior vitória de sempre em casa do maior rival, em partidas para o campeonato: vencera por 2-0 na época 1950/51. Na verdade, no novo Estádio da Luz (inaugurado em 2003), o saldo na I Liga é favorável aos nortenhos, que venceram por sete vezes, empataram seis e perderam apenas em quatro ocasiões.»
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segunda-feira, 26 de agosto de 2019
7 Notas (de outros) sobre o jogo da Luz
quarta-feira, 27 de junho de 2018
"Não me incomoda que a PJ venha cá..."
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| As idas da PJ ao estádio da Luz (SIC Notícias, 26-06-2018) |
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| Vieira e as provas de ilegalidades (Record, 25-06-2018) |
"Não é por existirem muitas investigações com base em denúncias anónimas que se prova alguma coisa"
Luís Filipe Vieira, 25-06-2018
Provas? Já argumentam com (a falta de) provas?
Primeiro puseram em causa a autenticidade dos emails.
Depois, quando deixou de ser possível negar o conteúdo dos emails, a estratégia comunicacional foi pôr em causa a forma como os emails foram obtidos.
Agora, perante o acumular das investigações judiciais (validadas por diferentes juízes) e as sucessivas idas da PJ ao estádio da Luz, a estratégia de defesa é falar no DIAP do Porto e dizer que não há provas de ilegalidades.
Opa, a coisa está a ficar cada vez mais negra...
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| Cartoon de Carlos Laranjeira, no programa 'Tempo Extra', Abril 2018 |
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quinta-feira, 12 de abril de 2018
Guia de rota para a Luz
Vencer na Luz
tornou-se praticamente uma obrigação. Um empate – como sucedeu em 2015 – dará sempre
alguma esperança correndo o risco de prolongar a agonia desnecessariamente.
Quem viu o jogo em Setúbal percebe perfeitamente o que nos espera. O Benfica
vai somar todos os pontos que necessite, da forma que seja necessária e contra
quem seja necessária. Os que pensam que Alvalade pode provocar uma hecatombe é
não conhecer nem o Sporting, nem o estado actual quase esquizofrénico naquele
balneário e a história recente de ambos duelos. A isso há ainda que somar que
viajar ao Funchal e a Guimarães, duas deslocações altamente complicadas onde
não vai haver jokers e ajudas extras. Isso faz do jogo da Luz o santo gral da
temporada.
Ironicamente este
FC Porto está muito mais formatado para vencer na Luz do que propriamente para
triunfar nos campos em que tropeçou. O modelo de Conceição necessita de espaço
e na Luz haverá bastante espaço. Se o jogo da primeira volta deu pistas (e eram
tanto outro Porto, muito mais dinâmico, e outro Benfica, muito menos em forma)
é que o Porto de Conceição sabe os pontos a explorar e sabe como lá chegar. O
problema, no caso da Luz, não será tanto o modelo de jogo como noutros casos,
mas sim de mentalidade e condição física.
O último mês
deixou claro que houve um claro abaixamento fisico do plantel. Por um lado as
lesões – um record de lesões musculares que há que explorar a fundo à
posteriori com quem de direito – quebraram o ritmo competitivo de muitos
jogadores que estavam em forma, sobretudo no caso de Soares e Aboubakar. Por
outro a sobre-explotação de futebolistas como Brahimi acaba por ter
consequências e contar com o melhor jogador do plantel num estado de forma em
que está era previsivel desde há vários meses. Brahimi, historicamente, é um
jogador que se apaga nos últimos meses do ano mas com este modelo de pressão
alta e maior verticalidade o desgaste é superior e o resultado está à vista.
Num plantel efectivamente curto houve pouca margem para fazer gestão mas não é
menos certo que em muitos jogos resolvidos Brahimi foi um jogador raramente
poupado cedo. Partindo ainda para mais do principio que Oliver não conta e
Otávio além das lesões é um jogador de altos e baixos, é dificil imaginar que a
criatividade venha de outro lado no terreno de jogo. E com Brahimi assim é de
esperar, sobretudo, menos criação e mais verticalidade. E essa verticalidade
podia ser até uma boa opção não fosse o caso de que o Porto tem provavelmente o
avançado que mais oportunidades necessita para anotar (Aboubakar) e um jogador,
Soares, que teve dois meses bons de competição em sete. Na ausência previsivel
de Marega e o hábito de Conceição de procurar um Marega II, a verticalidade vai
procurar explorar o plano de sempre com caras novas.
Ricardo é o
candidato principal a extremo direito (a ausência de Corona e o facto de
Hernani não ser um futebolista profissional, ajuda) com Maxi a ocupar a posição
de lateral. O modelo já foi testado vezes suficientes para entender que é algo
que o técnico não vê com mais olhos, procurando um jogo mais interior de
Brahimi na associação com Oliveira e Herrera, deixando a Telles todo o
corredor. O problema é que neste estado de forma actual, integrar a Herrera e
Oliveira a responsabilidade absoluta do meio-campo é um convite ao desastre.
Herrera, que tem sido fundamental em 2018, tem perdido influência no jogo
porque o estado de forma, físico e animico,
actual de Oliveira o obriga constantemente a realizar correções em
campo. Danilo fará mais falta do que nunca e face esse cenário, podia
ponderar-se uma mudança de esquema, uma aposta no 4-3-3 com Reyes como pivot
defensivo (ou Oliver a reforçar o miolo) que garantisse controlo e menos
vertigem. Tendo em conta a mentalidade de Conceição, a dinâmica actual e a
necessidade de ganhar sim ou sim é complicado antecipar que o técnico vai mudar
agora. Morrer com as botas postas e o esquema preferencial na cabeça do
treinador faz todo o sentido e no final será provavelmente o resultado a ditar
a razão das escolhas de Conceição.
No entanto,
talvez até mais que o físico, o trabalho fundamental desta semana do técnico
com o plantel tem de ser a nível mental. Chegamos a um ponto onde ficou claro
que o Porto, este Porto, tem um deficit de títulos e vitórias importantes nos
últimos quatro anos e os nervos, a tremideira de cruzar a ponte, como diria o
mestre Pedroto, faz-se sentir. É um balneário sem referências, com poucos
ganhadores com títulos na sua carreira e nenhum deles com a camisola do clube.
Do outro lado está uma equipa habituada a ganhar em piloto automático (como nós
sabemos) mas em duelos directos isso habitualmente faz toda a diferença. No
último mês, depois do golpe na mesa que foi a segunda parte contra o Estoril e
a vitória contra o Sporting, aos jogadores (e ao treinador) entrou a vertigem,
entrou o medo e entrou a insegurança, resultado da falta dessa cultura de
vitória. Dessa cultura à Porto alimentada durante tantas décadas. Mais do que o
443, mais do que o estado fisico, Conceição terá de recordar todos os seus
brilhantes triunfos como jogador e injectar essas memórias, esse à vontade e
querer, nos jogadores para subirem ao relvado da Luz sem complexos, sem medos e
com a atitude desafiante e determinante que separa os “candidatos a” dos “campeões”.
Se esse trabalho não for feito será muito dificil que o resultado final seja
positivo.
Depois da Luz,
segundo o resultado, a época fica em suspenso. Portanto nem vale a pena pensar
sequer nisso. Há três pontos para ganhar e só três pontos para ganhar. Três
pontos a ganhar à Porto. Três pontos mentalizados à Porto. Três pontos. Não há
mais. Não há menos. Que venha o apito inicial.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
"Santo" Casillas
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| Enorme Iker Casillas! |
E (quase) tudo Casillas defendeu.
Até uma tentativa (involuntária) de Indi que, não fosse Casillas, teria marcado um golo espectacular... na baliza errada.
Ainda não revi o jogo, nem sequer um resumo mas, se bem me lembro, foram uns 4 ou 5 "golos certos" que Iker Casillas evitou.
Fantástica exibição do guarda-redes internacional espanhol que, hoje, foi absolutamente decisivo para o FC Porto conquistar 3 pontos no estádio da Luz e regressar ao Porto com mais uma vitória em... Lisboa.
Muito bem, também, estiveram os dois "toscos" do meio-campo portista: Danilo e, principalmente, Herrera. Grande golo e grande jogo do internacional mexicano!
O SLB "goleou"... em oportunidades.
O FCP marcou 2 golos e... ganhou o jogo.
P.S. Após 45 minutos de integração e adaptação à equipa principal, na 2ª parte Chidozie mostrou que talvez (talvez!) já seja o melhor defesa-central do plantel do FC Porto. O que quer dizer alguma coisa acerca deste jovem nigeriano de 19 anos... e dos restantes defesas-centrais do plantel.
P.S.2 O SLB de Rui Vitória não é grande coisa. Esta época já disputou 5 clássicos, três contra os vizinhos da 2ª circular e dois contra o FC Porto e perdeu-os todos (não pode ser só "azar" ou culpa dos árbitros). Mas, atenção, no campeonato continua à frente do FC Porto (com mais 3 pontos).
domingo, 26 de abril de 2015
A táctica do autocarro... em casa!
No longo historial de desafios entre o SL Benfica e o FC Porto, nos 80 jogos anteriores (ao de hoje) para o campeonato, que foram disputados em Lisboa, o saldo, naturalmente, era (e continua ser) muito favorável aos encarnados:
- Vitórias SL Benfica: 42 (52%)
- Empates: 24 (30%)
- Vitórias FC Porto: 14 (18%)
- Vitórias do FC Porto por mais de um golo: 1
E no presente?
Há várias semanas que ouvimos jornalistas, comentadores e adeptos dizerem que, em casa, este SLB é uma equipa muito forte.
E, de facto, os números sustentavam essa tese. Esta época, nos 14 jogos anteriores disputados em casa, o saldo do SL Benfica era o seguinte:
- Vitórias: 13
- Empates: 1
- Derrotas: 0
- Golos marcados: 40
- Golos sofridos: 4
E o FC Porto?
Bem, na passada terça-feira, o FC Porto jogou na Alemanha, contra a melhor equipa do Mundo, e saiu de Munique vergado ao peso de uma goleada.
Ou seja, perante um calendário pouco favorável (é preciso ter “sorte” para jogar fora, em Munique e na Luz, num espaço de poucos dias…), a equipa do FC Porto chegou ao “jogo do título” fisicamente desgastada e emocionalmente esgotada.
Perante um cenário destes, jogando em casa, com o Estádio da Luz completamente cheio, o que fez Jorge Jesus?
Aproveitou o colinho das 29 jornadas anteriores e uma conjuntura muito favorável para a sua equipa?
Aproveitou a fragilidade do adversário para vir para cima do FC Porto, dominar o jogo, encostar os azuis-e-brancos às cordas e dar o golpe de misericórdia a um Dragão ferido?
Não, nem pensar.
A equipa liderada por Jorge Jesus jogou de forma cínica, com uma táctica parecida à que tinha utilizado no Estádio do Dragão, uma táctica de equipa pequena, cujo principal (único?) objectivo era não deixar a equipa adversária jogar.
Não é exagero dizer-se que, neste jogo, o “mestre da táctica” começou o jogo com um “autocarro” e terminou com dois “autocarros”. E com os jogadores encarnados a queimarem tempo…
Ao menos, o Mourinho, quando leva o “autocarro” é para os jogos fora de casa…
Na primeira parte, quantas vezes é que os jogadores encarnados entraram na área do FC Porto, em lances de bola corrida?
Quantas vezes é que os médios do SLB passaram do meio-campo?
Nos primeiros 45 minutos, o criativo Gaitán (o melhor jogador do SLB), destacou-se mais a construir jogadas ofensivas, ou a vir atrás, em ajudas defensivas?
Aliás, basta verificar a que minuto o SLB fez o 1º remate à baliza do Helton e olhar para as substituições feitas pelos dois treinadores, para se perceber qual era o objectivo de cada um deles.
O SLB terminou o jogo em branco (2206 dias depois, os encarnados voltaram a ficar a zero num encontro em casa para o campeonato), com 8 jogadores de perfil defensivo - Júlio César, Maxi, Luisão, Jardel, Eliseu, Samaris, André Almeida e Fejsa - e apenas três jogadores supostamente ofensivos - Ola John, Gaitán e Lima - mas cujo principal objectivo era também defender.
Perante uma equipa encarnada que, mesmo a jogar em casa, perante os seus adeptos, teve como prioridade, desde o minuto inicial, defender, não deixar jogar, defender, não deixar jogar, defender, não deixar jogar… o FC Porto poderia ter feito melhor?
Sim, apesar de tudo, podia.
Faltou frescura física e um maior dinamismo para sair da teia de aranha montada por Jorge Jesus.
Faltou um Brahimi em melhor forma. O Brahimi pós-CAN não é o mesmo que encantou os portistas (e não só) até Dezembro.
Faltou Tello. Conforme se previa, um jogador com as características de Tello fez (faz) muita falta e as bolas em profundidade, nas costas da "Linha Maginot" encarnada, raramente saíram bem.
Faltou marcar primeiro. Jackson falhou o golo que teria colocado o FC Porto em vantagem no marcador e obrigado (?) Jorge Jesus a mudar de táctica.
O FC Porto já demonstrou, várias vezes, que é melhor que o pré-definido e futuro vencedor do campeonato mais fraudulento de que há memória.
E hoje voltou a fazê-lo, indo a casa do rival mostrar que é uma equipa grande e jogando como tal.
Por isso, e apesar do treinador, dos jogadores e dos adeptos terem saído desiludidos do Estádio do Luz, por "apenas" regressarem ao Porto com um empate, eu acho que a forma como este desafio foi disputado e a atitude dominadora evidenciada ao longo do jogo, foi a 1ª vitória da próxima época para esta equipa.
P.S. Há quem tenha memória curta (mesmo entre os portistas) e já se tenha esquecido dos inúmeros casos de arbitragem que mancharam este campeonato. Mas eu não me esqueço e não fossem os muitos pontos que o SLB deve a “erros” de arbitragem e tenho a certeza que o jogo de hoje teria tido outra história. Pelo menos, não haveria “autocarros” porque, seguramente, o empate seria um resultado que não serviria os interesses matemáticos de Jorge Jesus.
P.S.2 E por falar em memória curta… Na época passada, o FC Porto foi ao estádio da Luz perder 0-2 para o campeonato e perder 1-3 para a Taça de Portugal (num desafio em que o SLB jogou com menos um desde o minuto 28). Esta época, o FC Porto saiu do estádio da Luz com um empate e com Jorge Jesus, à rasca, a trocar Talisca por Fejsa e Pizzi por André Almeida. Sem estar tudo bem, longe disso, penso que estamos no caminho certo.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
O Artigo 94.º
«O adiamento do dérbi maior lisboeta entre Benfica-Sporting não é um caso virgem na história do novo Estádio da Luz, inaugurado em 2003. (…)
O mesmo tipo de objetos, em que se incluem lã de vidro e chapa metálica, já haviam obrigado à suspensão do Benfica B-Feirense, partida relativa à 23.ª jornada da Segunda Liga, que se iria realizar na Luz, a 19 de janeiro de 2013.»
in record.pt, 09-02-2014
«Mário Dias, antigo vice-presidente do Benfica e responsável pela supervisão da construção do novo Estádio da Luz, acredita que os problemas na cobertura do palco das águias surgiu devido a falta de manutenção.
“A primeira coisa que tem de se fazer numa obra, especialmente desta dimensão, é manutenção. Se tivessem verificado que uma chapa poderia levantar com o vento teriam certamente corrigido o problema. É possível que a estrutura já estivesse assim há muito tempo”, afirmou em declarações à Rádio Renascença.»
in record.pt, 10-02-2014
“A estrutura do Estádio aguenta os ventos que sopraram ontem [domingo], com essa e muito mais velocidade. Houve rajadas na ordem dos 130 km/h e a estrutura está preparada para suportar ventos na ordem dos 200 km/h. Os danos não foram na estrutura do Estádio, foram nos revestimentos da cobertura e, em particular, nas fixações desse revestimento à estrutura. Esse é que foi o problema.”, afirmou Tiago Abecassis [projectista do estádio da Luz], em declarações à Benfica TV.
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Artigo 94.º (do Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional)
Não realização de jogos por falta de condições do estádio, de segurança ou dos equipamentos
1. Quando um jogo oficial não se efectuar ou não se concluir em virtude do estádio não se encontrar em condições regulamentares por facto imputável ao clube que o indica, é este punido com a sanção de derrota e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 12 UC e o máximo de 50 UC e com a sanção de reparação à Liga e ao adversário das despesas de arbitragem, de delegacias, de organização e do valor da receita que eventualmente coubesse ao adversário.
2. Se um jogo não for realizado por falta de condições de segurança imputáveis ao clube que indica o estádio, o clube é punido nos termos do número anterior.
3. Quando o jogo se realizar em estádio neutro é mandado repetir, sendo apenas aplicáveis as sanções de multa e de reparação ao clube visitado, salvo se as faltas previstas nos números anteriores não lhe forem imputáveis.
4. O clube responsável pela não realização de um jogo oficial em virtude de os equipamentos das duas equipas não permitirem fácil destrinça ou não se encontrarem nas condições regulamentares, será punido nos termos do n.º 1.
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Perante os factos que são conhecidos, a que se juntam as declarações de Mário Dias e de Tiago Abecassis, é óbvio que não foi por causa de um fenómeno meteorológico inédito e completamente extraordinário que deixou de haver condições de segurança no estádio da Luz. Assim sendo, cada um que tire as suas conclusões acerca da forma como a Liga de Clubes (entidade organizadora do campeonato) lidou com este caso.
P.S. Viram/ouviram algum dirigente do slb a falar sobre este caso? Quem eu vi a assumir as “dores” do adiamento do jogo e se tem desdobrado em entrevistas (incluindo uma em directo no Telejornal da RTP...) foi Mário Figueiredo, o presidente da Liga. Fico sem perceber se a LPFP serve para organizar competições e garantir que os regulamentos se cumprem, ou se serve para defender os interesses do clube do regime...
Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.
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sábado, 11 de janeiro de 2014
Homenagear é jogar à Porto
Durante muitos anos, as deslocações do FC Porto ao “inferno da Luz” terminavam, invariavelmente, em derrotas e houve mesmo longos períodos em que a equipa azul e branca não conseguiu vencer os encarnados no seu estádio. Foi o caso de 11 deslocações seguidas à Luz para o campeonato, no período entre 24-11-1963 e 04-11-1973, que se traduziram em 8 derrotas e 3 empates.
Em 1976, dois anos após a revolução de Abril, que mudou o país do ponto de vista político e social, iniciou-se um novo período no futebol português. Primeiro com o regresso de José Maria Pedroto ao comando do futebol portista (1976/77 a 1979/80; 1982/83 a 1983/84) e, principalmente, após a eleição de Pinto da Costa em 1982, assistiu-se à progressiva transformação do FC Porto no melhor clube português, quer a nível nacional, quer internacional.
Assim, se durante a “geração Eusébio” o FC Porto esteve 11 anos sem ganhar no estádio da Luz, nas últimas 11 deslocações ao “ninho da águia” para o campeonato, os dragões regressaram de Lisboa com 5 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas.
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| Últimos 11 slb x FC Porto para o campeonato (fonte: zerozero) |
Nestes 11 jogos, correspondentes ao período entre 04-03-2003 e 13-01-2013, a equipa do FC Porto deslocou-se à Luz sob o comando técnico de seis treinadores diferentes: José Mourinho (2 vezes), Victor Fernandez, Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira (4 vezes), André Villas-Boas e Vítor Pereira (2 vezes).
E se é verdade que Co Adriaanse nunca ganhou na Luz (foi campeão nacional na época 2005/06 perdendo os dois jogos contra o slb!), todos os outros foram felizes no estádio da Luz.
Amanhã é a vez de Paulo Fonseca.
Apesar dos muitos sucessos nos últimos anos, uma deslocação a Lisboa, para um desafio no estádio dos encarnados, nunca é um jogo fácil. E esta deslocação tem a dificuldade adicional dos descarados apelos públicos de "vencer em nome de Eusébio" (espero que não influenciem o árbitro), integrados na campanha nacional de homenagens ao King.
Lá está, Eusébio é uma figura nacional, consensual, que une os portugueses e blá, blá, blá mas, mesmo depois de morto, aproveitam-se dessa figura nacional para apelar à vitória do seu clube de sempre - o SLB - e à consequente derrota do odiado clube do Norte - o FC Porto.
Como portista, portuense e português, espero que sim, que a equipa do FC Porto honre a memória de Eusébio e a melhor forma de o fazer é jogando como o fez nos últimos anos, jogando à Porto.
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
O “crime” de ser ex-jogador do FC Porto
«Um grupo de cerca de 15 adeptos do Benfica insultou e humilhou o jogador Nuno Marçal, do Maia Basket, depois da partida desta equipa com o Ovarense, disputada anteontem no pavilhão da Luz. Após disputar as meias-finais do troféu António Pratas, a equipa maiata dirigiu-se ao restaurante Terceiro Anel para jantar e foi confrontada com a presença do grupo.
“Dirigiram-se a mim de forma agressiva e disseram-me que eu não podia jantar ali. Depois, um dos adeptos pegou no meu prato de sopa e entornou-mo na cabeça. Ainda consegui desviar-me e apenas fui atingido na orelha e no pescoço”, revelou a A BOLA Nuno Marçal, que não chegou a apresentar queixa.»
in abola.pt
Convém salientar o seguinte:
1º) A Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), dirigida pelo senhor Mário Saldanha, decidiu centralizar a fase final do Troféu António Pratas no pavilhão da Luz (porquê?).
2º) A equipa do Maia Basket, uma das quatro finalistas, foi jantar ao restaurante indicado pela Federação Portuguesa de Basquetebol, situado no estádio da Luz.
3º) Pelos vistos, nem a FPB, nem o clube anfitrião, acautelaram minimamente os aspetos relacionados com a segurança das equipas finalistas, que foram abandonadas à sua sorte.
4º) A equipa do Maia Basket, após os insultos, ameaças e ataque de que foi alvo Nuno Marçal, teve de abandonar o restaurante "Terceiro Anel" e precisou de escolta policial até à A1.
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| Equipa do Maia Basket a sair do estádio da Luz (fonte: Facebook do MaiaBasket Clube) |
5º) O Maia Basket é um clube que esta época vai fazer a sua estreia na Liga Portuguesa de Basquetebol e, que se saiba, nunca houve problemas em jogos anteriores contra o slb.
6º) Estes graves incidentes ocorreram no sábado à noite e, que eu tenha conhecimento, o presidente da FPB, o senhor Mário Saldanha, ainda não se pronunciou publicamente.
7º) Que eu saiba, até este momento, ainda não foi publicado qualquer comunicado ou pedido de desculpas no site oficial do slb.
Depois de já terem atacado, com extrema violência, a equipa de hóquei do FC Porto à saída do pavilhão da Luz; depois de já terem queimado, nas imediações do estádio da Luz, uma camioneta de adeptos do FC Porto; desta vez o alvo do ódio benfiquista foi um jogador de 37 anos, internacional português, cujo único “crime” é ter jogado e sido capitão da equipa do FC Porto.
Deve ser isto a que alguns vândalos chamam, orgulhosamente, ser benfiquista…
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domingo, 3 de junho de 2012
A "fauna" do camarote VIP
(Portugal x Turquia, camarote presidencial do estádio da Luz)
Ao lado direito de Luís Filipe Vieira esteve, naturalmente, Fernando Gomes (o presidente da FPF) e ao lado esquerdo o super mediático (e poderoso) ministro Relvas, logo seguido do ex-ministro Arnaut.
"Escondido" atrás dos dois homens do PSD, esteve um ex-PSD - Isaltino Morais - que, apesar dos muitos problemas com a Justiça, continua a receber convites para estes eventos e a conviver animadamente com o poder político.
E, a menos de dois metros do presidente do slb, também lá esteve o "contestado" presidente dos árbitros - Vítor Pereira - que, pelos vistos, continua a ser bem vindo e a ter um lugar de destaque no camarote VIP da Luz...
Foto: Maisfutebol
sábado, 3 de março de 2012
Rui Costa nas "catacumbas" da Luz...
O vídeo seguinte mostra o comportamento de Rui Costa no final do jogo de ontem:
Para quem não sabe, a pessoa a quem Rui Costa se dirigiu de forma ameaçadora é "apenas" um diretor da Liga, Carlos Luca, responsável pelo planeamento e segurança do jogo.
Enfim, mais um episódio (desta vez filmado) do que se passa nas "catacumbas" da Luz...
Para quem não sabe, a pessoa a quem Rui Costa se dirigiu de forma ameaçadora é "apenas" um diretor da Liga, Carlos Luca, responsável pelo planeamento e segurança do jogo.
Enfim, mais um episódio (desta vez filmado) do que se passa nas "catacumbas" da Luz...
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Uma final europeia na Luz
(visão do relvado da Luz a partir da “gaiola”)
Nas linhas gerais da sua candidatura à presidência da FPF, Fernando Gomes definiu como objectivo, que Portugal acolha a final de uma competição europeia de futebol “nos próximos quatro anos”.
Entretanto, numa entrevista à Rádio Renascença, o ex-administrador da SAD portista reafirmou que “o nosso objectivo é, claramente, trazer uma final de uma competição europeia para o nosso país”.
O ainda presidente da Liga de Clubes não identificou o estádio, ou estádios, que poderão fazer parte desta eventual candidatura portuguesa a uma final europeia, mas a mim parece-me que o estádio que reúne melhores condições é o que fica em frente ao centro comercial Colombo. Vejamos:
- os acessos ao estádio são “excelentes” e diversificados (até há um túnel por debaixo da 2ª circular...);
- por falar em túneis, no túnel da luz, que dá acesso aos balneários, é muito raro ocorrerem incidentes;
- a iluminação do estádio nunca falha (a não ser se o finalista fosse o FC Porto...);
- o estádio tem uma “gaiola” de 4ª geração, também conhecida por zona de conforto, de onde a visão dos adeptos para o relvado é magnifica...;
- na falta de um estádio nacional em condições (pelo menos as que são exigidas pela UEFA), é lá que a Selecção portuguesa faz os jogos decisivos.
Penso que estes argumentos chegam para sustentar uma candidatura ganhadora...
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Fernando Gomes (dirigente)
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Recordando Heysel e Hillsborough
A propósito de "gaiolas", "jaulas" e outras vedações em estádios de futebol, construídas para, supostamente, garantir uma melhor segurança dos espectadores;
porque a memória dos homens é curta;
porque há quem fosse muito novo, ou nem sequer tivesse ainda nascido;
e em memória das dezenas de homens, mulheres e crianças, que morreram espezinhados e/ou esmagados contra redes de "protecção";
recordo algumas imagens das tragédias ocorridas nos anos 80 em dois estádios de futebol: Heysel Park (Bruxelas, 29 Maio 1985) e Hillsborough (Sheffield, 15 Abril 1989).





porque a memória dos homens é curta;
porque há quem fosse muito novo, ou nem sequer tivesse ainda nascido;
e em memória das dezenas de homens, mulheres e crianças, que morreram espezinhados e/ou esmagados contra redes de "protecção";
recordo algumas imagens das tragédias ocorridas nos anos 80 em dois estádios de futebol: Heysel Park (Bruxelas, 29 Maio 1985) e Hillsborough (Sheffield, 15 Abril 1989).





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sábado, 26 de novembro de 2011
A "animalização" dos adeptos
«Esta "gaiola", como muitos lhes chamam, é mais do que uma deriva securitária. Constitui-se num claro recuo do processo civilizacional que levou à retirada das vedações dos estádios, precisamente numa fase em que os números da violência nos estádios eram maiores. Esta "animalização" dos adeptos pode ter efeitos perversos que talvez não tenham sido pensados pelo zeloso clube da capital. Na verdade, e como lembrou o holandês Otto Adang, polícia e investigador dos conflitos e comportamentos colectivos nos estádios de futebol, "se tratarmos os adeptos como hooligans, eles vão comportar-se como hooligans".
Daniel Seabra, Antropólogo
in semanário Grande Porto, 25/11/2011
Do fosso à jaula, o que é que realmente distingue os dirigentes e as "elites pensantes" dos dois clubes da 2ª circular?
Tão "civilizados" que eles são... Como diz o povo na sua imensa sabedoria, estão bons uns para outros.
Nunca fui, nem tive vontade de ir, a este novo estádio da Luz que, aliás, devia mudar de nome para estádio das sombras (depois de vários casos no túnel e do apagão de Abril passado, de facto só faltava colocar uma jaula para os adeptos dos clubes adversários...).
Gosto de futebol e tenho uma enorme paixão pelo Futebol Clube do Porto, mas uma coisa garanto, nunca descerei ao nível de permitir que me "enjaulem" para ir ver um espectáculo desportivo.
Ah, e cada vez sinto mais orgulho no Estádio do Dragão, de longe o melhor estádio português e, pelos vistos, o único estádio dos três grandes em que os espectadores são tratados como pessoas e não como animais.
Daniel Seabra, Antropólogo
in semanário Grande Porto, 25/11/2011
Do fosso à jaula, o que é que realmente distingue os dirigentes e as "elites pensantes" dos dois clubes da 2ª circular?
Tão "civilizados" que eles são... Como diz o povo na sua imensa sabedoria, estão bons uns para outros.
Nunca fui, nem tive vontade de ir, a este novo estádio da Luz que, aliás, devia mudar de nome para estádio das sombras (depois de vários casos no túnel e do apagão de Abril passado, de facto só faltava colocar uma jaula para os adeptos dos clubes adversários...).
Gosto de futebol e tenho uma enorme paixão pelo Futebol Clube do Porto, mas uma coisa garanto, nunca descerei ao nível de permitir que me "enjaulem" para ir ver um espectáculo desportivo.
Ah, e cada vez sinto mais orgulho no Estádio do Dragão, de longe o melhor estádio português e, pelos vistos, o único estádio dos três grandes em que os espectadores são tratados como pessoas e não como animais.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
As “garantias” aceites por Ferreira Leite
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| Manuela Ferreira Leite e as acções da Benfica SAD |
Em finais de 2001, o SLB necessitava de uma certidão da administração fiscal atestando a sua situação de não devedor, de modo a poder assinar um contrato com o Estado, para beneficiar dos apoios estatais às obras de construção do seu novo estádio.
Contudo, a certidão só poderia ser passada se a impugnação da liquidação estivesse conforme a Lei e, para tal, o SLB tinha de entregar garantias.
O que diz a Lei?
Na impugnação, “caso não se encontre já constituída garantia, com o pedido deverá o executado oferecer garantia idónea, a qual consistirá em garantia bancária, caução, seguro-caução ou qualquer meio susceptível de assegurar os créditos do exequente”.
O que fez o SLB?
Entregou acções da Benfica SAD, não cotadas em bolsa, num total de 20 por cento do capital da SAD benfiquista.
Sabendo-se que as acções são de valor mais do que discutível (ainda por cima quando não estão cotadas em Bolsa, como era o caso) e que a própria lei das sociedades desportivas não permite ao Estado poder deter acções de sociedades desportivas (que seria o que aconteceria em caso de execução da garantia), o que fez a administração fiscal?
Numa primeira reacção, passou uma certidão em que, obviamente, se referia que o SLB não estava regular do ponto de vista fiscal.
Contudo, isso não impediu o SLB de assinar um contrato com o Estado, de modo a beneficiar de subsídios para a construção do novo estádio da Luz.
Apesar da Lei, o contrato para construção do estádio da Luz foi assinado, em Janeiro de 2002, pelo então ministro do Desporto e Juventude do Governo PS, o socialista José Lello.
Já com um novo Governo, cujo primeiro ministro era Durão Barroso, a ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, deu o seu aval para que as acções da Benfica SAD fossem aceites como garantia para impugnação da dívida fiscal do Sport Lisboa e Benfica.
A ministra das Finanças assinou um despacho em que corroborou o parecer da administração tributária sobre a avaliação das acções da Benfica SAD. Dessa forma, interpretou a Lei no sentido favorável ao SLB, ao aceitar esses títulos como uma garantia idónea para a impugnação da dívida fiscal por parte do SLB.
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| Manuela Ferreira Leite e Vasco Valdez na Assembleia da República |
Um dos aspectos que convém salientar, é o facto do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo PSD-CDS, Vasco Valdez, que defendeu a “interpretação de lei” de acordo com o pretendido pelo SLB, ser a mesma pessoa que, como advogado representante do clube da Luz, tinha negociado com o anterior Governo do PS.
Como é que a administração fiscal descobriu um critério de avaliação das acções da Benfica SAD, as quais nem sequer estavam cotadas em bolsa?
Com base nas regras do imposto sucessório, avaliou os títulos não ao seu valor nominal de cinco euros, mas de 3,3 euros por acção.
O despacho da ministra Manuela Ferreira Leite colocou um ponto final no pedido do SLB, aceitando as acções da Benfica SAD como boas e, com elas, toda a situação fiscal do clube regularizada.
Sobre este assunto, o deputado do PCP Lino de Carvalho, escreveu o seguinte em 13/06/2002:
«(...) neste caso há fumo demasiado para não se desconfiar que por detrás haja muito fogo (...) ninguém esqueceu as célebres declarações do Presidente do Benfica ao apelar na campanha eleitoral, institucionalmente, ao voto no PSD com o argumento de que se este vencesse as eleições o Benfica veria resolvidos os seus problemas fiscais. (...) é também conhecido que o advogado do Benfica no processo que começou a ser negociado com o anterior Governo é o actual Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Vasco Valdez. Demasiada coincidência!?
(...) não há nenhum caso idêntico ao nível dos contenciosos fiscais que se têm desenrolado entre os clubes e a Administração Fiscal. (...)
Porque é que podendo e devendo o Estado exigir do contribuinte em falta, e ainda por cima com um longo processo de dívidas e compromissos não honrados perante o fisco, garantias mais idóneas – garantia bancária; caução ou, por exemplo, receitas dos jogos ou passes dos jogadores – aceita desde logo um património que menos sólido se apresenta, as acções. E assim sendo qual o critério da avaliação?
Não estando cotadas na bolsa, tendo a SAD Benfica um largo passivo, como se chegou aos 3,3 euros por acção?
E se no final do processo não for dada razão ao Benfica e este não tiver condições para pagar?
Como a Administração Central não pode ser accionista das SAD’s a quem vende, e porque valor, o penhor que recebeu?»
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| Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira no “Jantar do Desporto”, em 04/03/2002 |
A foto anterior foi tirada no denominado “Jantar do Desporto”, realizado em Rio Maior, em 04/03/2002, durante a campanha do PSD para as eleições legislativas de Março de 2002.
(*) Vasco Valdez foi secretário de Estado do Governo liderado por Cavaco Silva, entre 1991 a 1995, e do Governo liderado por Durão Barroso, entre 2002 a 2004.
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