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segunda-feira, 17 de abril de 2017

E sai Brahimi...

Acho que ninguém tem dúvidas. Yacine Brahimi é o melhor jogador da liga portuguesa.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.



O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido  um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?

Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?

- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.

- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.


- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.

- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu).  Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.

- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.

- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.

- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.

Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.



Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mais vale cair em graça do que ser engraçado

Desconheço a razão porque o Fucile foi afastado no início de 2012, com a época a decorrer - e ainda bem, porque isso é algo que não deva ser público. Sei que terá sido algo de grave, porque no Porto as questões disciplinares não são tratadas com leviandade. Também desconheço porque motivo, o Fucile, presenteado com esta nova oportunidade de voltar a integrar o plantel, e podendo simplesmente "colocar uma pedra" sobre a sua saída, aproveitou o destaque para responsabilizar o Vítor Pereira - além de não ser grande jogador, tais
declarações também não abonam muito a seu favor como homem, ao tentar "marcar pontos" junto dos adeptos à custa de um treinador mal-amado; nem o Vítor Pereira está cá para se defender, nem o Fucile tem o direito de fazer dos adeptos idiotas, procurando fazê-los crer que um jogador é colocado à parte pelo treinador (e logo o Vítor Pereira) por puro capricho.

Também desconheço a real valia do Iturbe, esse pária imberbe que fala demais, e que amua por não jogar. Desconheço se algum dia concretizará o potencial que lhe atribuiram, mas é muito novo (e nem todos os jovens jogadores lidam com os desafios que lhes são apresentados, da mesma forma como, por exemplo, o Cristiano Ronaldo) e ainda vai a tempo de o conseguir.

Por fim, desconheço também o porquê de estes dois jogadores, despertarem sentimentos tão díspares nos adeptos. Ao Fucile, por maior trampa que faça, tudo lhe é perdoado - é "raçudo", está desculpado; ainda hoje a eliminatória perdida contra o Schalke 04, é mais facilmente lembrada pelo penalty que o Lisandro falhou, do que pela expulsão estúpida do uruguaio. Já o Iturbe, um miúdo de 20 anos que, até prova em contrário, só quer que o deixem jogar, e que quando isso não acontece, fala demais (e aqui nem sequer se sabe até que ponto o faz por influência externa), é visto como um indesejável que deve ser descartado o quanto antes, pese embora ter sido contratado por um valor considerável - daqui aos assobios, é um pequeno passo; não estará aqui uma das razões porque "o treinador aposta pouco nos jovens" (seja lá o que isso for)? É compreensível alguma frustação com o ex-futuro Messi, mas acima de tudo é preciso coerência: se o Fucile tem direito à 648ª oportunidade, porque não pode o Iturbe ter direito a uma 2ª?

domingo, 29 de abril de 2012

Golos sem goleadores

Com os dois golos marcados no Funchal, Hulk passou a liderar a lista dos melhores marcadores do FC Porto nesta temporada com 14. Leva nesta contagem pessoal mais dois do que James Rodriguez (muito menos utilizado que o brasileiro) e seis dos tentos foram apontados da marca de grande penalidade. É fácil adivinhar que o brasileiro não vai reeditar o triunfo da época passada no troféu de Bota de Prata face à distância de cinco golos que leva de Lima do Sporting de Braga.

Historicamente o FC Porto tem um bom lote de jogadores que se sagraram melhores marcadores do campeonato nacional. Ou que pelo menos andaram lá perto. Este ano, no entanto, a equipa de Vítor Pereira nunca encontrou um homem golo. A falta do ponta-de-lança que todos pedimos faz-se notar neste registo particular e leva-nos a outros anos onde o ataque azul e branco estava entregue a jogadores competentes mas que estavam longe de ser verdadeiros matadores. 

Desde 1991 quando Domingos bateu Rui Águas na corrida ao prémio do melhor marcador o FC Porto teve ao seu serviço 10 Botas de Prata. E venceu 14 títulos de Liga. Só por duas vezes vencemos o troféu sem sagrar-nos campeões nacionais. Com Mário Jardel em 1999/2000, o ano de Campomaior, do atraso de Secretário e do "Bitri" que nunca o foi. E com Pena no ano seguinte, no último ano de Fernando Santos ao leme da equipa. No entanto este será o sétimo ano em que - a confirmar-se o titulo nacional que está tão perto - poderemos celebrar o titulo de liga sem ter o melhor marcado do nosso lado. Habitualmente diz-se que para ser-se grande campeão é preciso ter uma grande defesa e um ataque tremendamente eficaz. No caso dos dragões não exige ter um individuo capaz de marcar mais golos que ninguém senão um leque de jogadores com poder de finalização. 

Naturalmente, ter um ponta-de-lança de garantias permite ambicionar sempre a algo mais. Domingos Paciência, Mário Jardel, Benny McCarthy, Lisandro Lopez e Radamel Falcao foram Botas de Prata e fizeram parte das mais espectaculares e eficazes equipas que tivemos nestes últimos 20 anos de liga. Ao arrancar para esta temporada com Kleber e Walter (que juntos somam nesta liga oito tentos) e depois com o remendo que foi Marc Janko (autor de quatro golos) está claro que os dirigentes do FC Porto pensavam que o titulo de liga que os homens de Vitor Pereira estão perto de ganhar só poderia ser conseguido com uma óptima defesa e um grupo coral de goleadores. 

A linha ofensiva da equipa de Vitor Pereira - que muitas vezes preferiu lançar James Rodriguez nas segundas partes, apesar do seu óptimo ratio goleador - assentou em Hulk, Kleber e Varela durante grande parte do ano, com Moutinho e Belluschi/Guarin na primeira parte da época no apoio (a partir de Janeiro passou a ser Moutinho/Lucho e Janko no lugar de Kleber). Entre todos estes jogadores podemos somar 45 golos. Dos 62 já logrados pela equipa (o melhor ataque da prova) há que acrescentar os golos dos pouco utilizados Walter (2), Cristian Rodriguez, Defour, Alex Sandro (1 cada) e dos defesas Rolando (1), Maicon (3), Sapunaru (2), Otamendi (2) e Álvaro Pereira (1). Um cenário que se assemelha bastante a 2002/03, o ano do primeiro titulo de José Mourinho em que o melhor marcador do FC Porto foi Hélder Postiga (com 13 golos, menos cinco que o melhor marcador da prova) mas em que a equipa, no seu colectivo, chegou aos 73 (menos um que o Benfica, equipa mais concretizadora do ano).

No final, tendo em conta o panorama geral (melhor ataque da prova, titulo nacional quase no bolso, dois jogadores no top 5 dos melhores da liga) é licito repensar o debate do ponta-de-lança como elemento critico fundamental à época do FC Porto. É normal que um clube habituado a contar com jogadores de primeiríssimo nível sinta a falta de uma referência de área. Por cada Jardel houve um Farias, por Falcao haverá sempre um Adriano. E no entanto não foi por ter Adriano e Farias sido os melhores marcadores do Porto em dois anos seguidos que a equipa não venceu o titulo nacional. 

Claro que os palcos europeus exigem muito mais e as defesas da Champions (seja o APOEL ou o Manchester) não são as do Rio Ave, Feirense ou Académica, e aí sim nota-se em excesso nas prestações do clube quando não há um homem golo como foi Jardel, Derlei, McCarthy, Lisandro ou Falcao. Mas essa foi a ambição da SAD este ano porque melhor que nós, eles conhecem bem as estatísticas e os registos do clube nas provas europeias quando aposta num ataque de low profile. A nível interno, este ataque tão criticado durante o ano tem chegado para as encomendas e pode terminar o ano, uma vez mais, como o mais concretizador. Hulk não levará outra bota prateada para casa mas provavelmente poderá vestir a sua terceira faixa de campeão nacional. Como adepto e portista prefiro muito mais ver um jogador do nível de Falcao a rematar o jogo da equipa mas também é verdade que entre os pecados de Vítor Pereira não pode estar uma decisão da SAD, decisão que este soube contornar com um ataque concretizador e, eventualmente, campeão!   

segunda-feira, 19 de março de 2012

O (real) valor de Hulk

O que estabelece a verdadeira grandeza num terreno de futebol? Habitualmente o adepto costuma olhar para as grandes noites como medidores de qualidade. Os momentos que ficam na retina. Os observadores gostam de ir mais longe e definem cada momento, mas sempre tendo em conta elementos circunstanciais chave. Os rivais, o entorno e o nível de exigência.

Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.



Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.

Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.

Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.



Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.

Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.

Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.

Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.

Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O senhor ex-40 milhões, o senhor 24 milhões e o senhor 100 milhões

Há dias em que o seu futebol me encanta, há outros em que me irrita profundamente:



O homem diz que é feliz na Turquia, e só me resta acreditar e desejar que o seja por muitos anos. Mas eu como adepto de futebol lamento que talentos como ele não exponham todo o potencial que podem dar, mas que por vezes parecem não querer dar.

Quanto a este:



É dos poucos jogadores que acho que merecem aquilo que ganham. Está na restrita galeria de profissionais de futebol que admiro.

E que 4ª feira continue a merecer a minha admiração.


Quanto ao senhor 100 milhões, o que se deseja é que perceba a diferença entre um e outro, e que siga os bons exemplos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ex-portistas no Marselha x Lyon


Ontem à noite a SportTv transmitiu o Marselha x Lyon. É sempre bom poder recordar jogadores que vestiram de azul-e-branco – Lucho, Lisandro e Cissokho – e, particularmente, a saudosa dupla argentina, que foi o verdadeiro esteio do mais recente Tetra-campeonato ganho pelo FC Porto.
Ainda na ressaca da final da Taça da Liga, e ao ver o jogo entre os dois olympiques, houve várias interrogações para as quais não encontro uma resposta satisfatória:

1) Era mesmo inevitável ter concretizado a venda do Lucho no último dia do exercício 2008/09 (30 de Junho de 2009)? Inevitável para quem? Para o Lucho ou para a SAD portista?
Ainda hoje me faz confusão quando ouço/leio o Lucho a dizer que pensou terminar a carreira no FC Porto e me recordo de, em Maio de 2009, a comunicação social fazer primeiras páginas com a notícia de que el comandante tinha comprado uma casa nova no Porto.

2) Em Julho de 2007, o jornal desportivo ‘Olé’ interrogava-se sobre os motivos que levavam a SAD portista a explorar o mercado argentino. O director-desportivo Antero Henrique explicava: “Os argentinos são jogadores de espírito combativo, profissionais muito aplicados e capazes de lutar por objectivos sérios. Têm coração, garra, sangue e isso, em Portugal, é muito valorizado. São jogadores que querem ganhar sempre”.
Assim, depois do sucesso que foram as contratações de Lucho e Lisandro, a FC Porto SAD apostou em força na contratação de jogadores argentinos e dessa extensa lista fazem parte: Mariano Gonzalez, Ernesto Farias, Lucas Mareque, Bolatti, Tomás Costa, Benitez, Belluschi, Valeri e Prediguer.
Ora, não tendo sido propriamente baratos - a SAD investiu dezenas de milhões de euros (passes, comissões, salários, etc.) nestes “activos” - porque razão nenhum dos argentinos pós-Lucho/Lisandro mostrou qualidade suficiente para se afirmar como titular indiscutível do FC Porto?
Existe a ideia que o FC Porto tem um departamento de scouting muito competente e que a SAD, supostamente, possui excelentes contactos com os empresários que controlam o mercado argentino. Se assim é, quem observou e pré-escolheu estes jogadores?

3) Ontem, no relvado do Vélodrome, actuaram três jogadores cujos passes foram vendidos pela FC Porto SAD por 57 milhões de euros. Este encaixe, feito pela SAD no defeso passado, foi bem aplicado no reforço do plantel? O actual plantel portista dá garantias para o futuro?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lisandro, 425 mil euros mensais


Lisandro Lopez, le mieux payé

Dans une enquête sur l'inflation des salaires des stars de la L1, L'Equipe révèle jeudi matin que le Lyonnais Lisandro Lopez est le joueur le mieux payé de l'élite avec 425.000 euros bruts mensuels. Il dépasse le Bordelais Yoann Gourcuff (310.000 euros) et le milieu de l'OM Lucho Gonzalez (300.000 euros). Parmi les entraîneurs, c'est aussi l'OL qui occupe le haut du panier avec 231 000 euros mensuels.

L'Equipe explique que le niveau moyen des salaires en L1 a tendance à se tasser (34.880 euros contre 36.729 euros la saison passée) mais que le recrutement qualitatif de cet été a eu pour conséquence d'accroître les écarts de rémunération entre les stars et les joueurs moyens. La moyenne des salaires en France reste bien inférieure à ce qui se pratique à l'étranger (85.000 euros en Espagne, 80.000 en Angleterre).

La tendance devrait s'accompagner à court terme de la généralisation des primes d'objectif, pour accompagner cette baisse du salaire fixe. Un agent confie même que «plusieurs joueurs qui gagnent plus de 50.000 euros par mois vont devoir accepter une diminution de leur salaire de base de 30 à 40 % lors des deux ou trois prochaines années».
in L'Equipe, 24/09/2009


Lisandro, 425 mil euros por mês!
Lucho, 300 mil euros por mês!

Conforme era previsível, a equipa desta época está a sofrer imenso com a saída destes dois extraordinários jogadores. É que não estamos a falar "apenas" de dois jogadores de grande categoria, mas sim das duas peças fundamentais do colectivo portista nos anos do Tetra, quer nas movimentações atacantes, quer nas defensivas.
Infelizmente, e apesar de há uns anos para cá conseguir ter o maior orçamento do futebol português, olhando para estes valores facilmente se percebe porque razão era impossível a FC Porto SAD manter esta dupla argentina.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

E agora marioneta?


A comissão disciplinar escreve que ficou demonstrado que o jogador "tombou no relvado sem que tenha sofrido rasteira, fazendo com que a equipa de arbitragem assinalasse, erradamente, essa falta" (...)
A comissão disciplinar esclarece ainda que de acordo com os regulamentos, "o jogador que provoque uma decisão errada da equipa de arbitragem por ter simulado de forma evidente falta inexistente que conduza à marcação de pontapé de grande penalidade a favor da sua equipa, com beneficio para a sua equipa na atribuição final dos pontos em disputa (...) é punido com pena de suspensão de um jogo na primeira infracção (...)".
No documento lê-se também que existiu "uma simulação evidente" na medida em que "o único contacto físico entre os dois jogadores verificou-se ao nível da mão esquerda do jogador adversário na região abdominal do jogador arguido, sendo manifestamente insuficiente para justificar 'a falta reflectida na intervenção técnica e disciplinar do árbitro'".
E conclui: "Em rigor, ao contrário do sustentado pelo jogador arguido quando inquirido, a sua queda nunca poderia ter ocorrido como ocorreu: para a frente e de corpo direito".
in JN, 01/04/2009


Esta foi uma notícia do JN de Abril deste ano quando a Comissão de Disciplina da Liga presidida pelo benfiquista fanático Ricardo Costa decidiu punir Lisandro Lopez com um jogo de castigo por “simulação evidente” de grande penalidade. Podia perfeitamente ser uma descrição do lance que deu origem à grande penalidade que acabou por dar a vitória ao slb no jogo contra o Leiria.
77'
Foi bem assinalado o penálti, a favor do Benfica, por falta de Mamadou Tall sobre Pablo Aimar?

Jorge Coroado:
Não. Não houve qualquer grande penalidade. Existiu, sim, jogo perigoso activo de Mamadou Tall. E o contacto deu-se também pelo movimento frontal do jogador do Benfica.

Rosa Santos:
Não, não é penálti. O jogador do Leiria joga primeiro a bola. No máximo, seria livre indirecto, nunca penálti. E isto se houver falta.

António Rola:
Não vale a pena transcrever a opinião do ex-funcionário do slb.

Agora vamos ter a oportunidade de saber se o Presidente da CD da Liga, que tem sido uma autêntica marioneta ao serviço do slb, vai agir em coerência com aquilo que escreveu há uns meses e aplicou ao FC Porto e ao seu jogador Lisandro Lopez ou se vai mais uma vez assobiar para o lado quando se trata de questões relacionadas com o seu clube.

Pela boca morre o peixe… Se fosse minimamente perspicaz não se tinha alongado a explicar as Leis da Física para justificar que a queda de Lisandro deveria ter sido para trás e não para a frente. É que o Aimar, estúpido, também caiu para a frente, mas segundo as Leis do Ricardo Costa deveria ter caído para trás. E agora, vai haver castigo semelhante?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lisandro soma e segue



E a SAD portista agradece o contributo que Lisandro tem dado para o bom início de época do Lyon, quer no campeonato francês, quer na Liga dos Campeões.

Recordo que "o montante global a receber por esta transferência poderá atingir os 28 milhões de euros, dependendo da performance desportiva do clube que o atleta irá representar" (in comunicado enviado à CMVM sobre a transferência de Lisandro).

terça-feira, 14 de julho de 2009

Mudar...


Temo que Jesualdo acredite, convictamente, que o seu sistema de “transições rápidas” tenha mesmo sido o grande “segredo” do expressivo número de vitórias fora-de-portas, e consequente êxito global, obtido nas últimas temporadas (em especial na que agora terminou).

Tenho, para mim, que aquele mesmíssimo sistema táctico, com aquele mesmíssimo meio-campo (trinco-Meireles-Lucho), jamais teria obtido tão bons resultados se, na linha da frente, não tivéssemos contado com jogadores de categoria verdadeiramente superior como Quaresma (nas duas primeira épocas), Lisandro (em todas elas) e Hulk (na derradeira).

Eram estes quem, verdadeiramente, fazia a diferença. E apenas um só não chegava, para a coisa resultar em pleno tinham que estar dois deles, simultaneamente, em campo.

Com a saída (esta sim “dramática”) de Lisandro, algo terá que, obrigatoriamente, mudar naquele “clássico” esquema táctico (e plano único assumido) de Jesualdo. Sem ele, este 4-3-3 que tantas vitórias forasteiras nos deu, parece esgotado.

Receio é que o professor, crente incondicional no seu sistema (vencedor) dos últimos 3 anos, seja tentado a não dar o braço a torcer e queira mesmo fazer omeletas sem ovos, mantendo o “desenho” como até aqui. Pelo menos na parte inicial da nova época. Pelo menos até a realidade o fazer mudar de ideias.

Sem dúvida que o facto de termos sempre jogado, fora, com 3 médios que, inventem-se os nomes que se inventarem (de contenção, de transição, interiores, box-to-box), pouca vocação atacante possuíam, dava ao adversário a doce ilusão que seriam mesmo capazes de discutir o jogo-pelo-jogo, na sua própria casa, isto porque ali, mesmo à sua frente, viam o grande FCP, com uma estranha incapacidade de segurar a bola, até mesmo de “controlar” (no sentido clássico) a própria partida.
Ora, era esta tal ilusão que os liquidava, jogo após jogo, um após o outro. Apanhados em contra-pé, perdida a - fundamental - superioridade numérica junto da sua própria baliza, os nossos oponentes tombavam, mais cedo ou mais tarde, aos pés dos golpes rápidos, simples e práticos de um Lisandro ou Hulk.

É bem verdade que os nosso médios colocavam, de facto, a bola, o mais rapidamente possível, nos pés dos nossos avançados, mas era mesmo a arte, incomum, destes últimos quem verdadeiramente fazia a coisa funcionar na perfeição.

Fossem os nossos atacantes apenas “bonzitos” (como um Farias, como um Falcao?) jamais teríamos tido o sucesso que obtivemos. A bola até pode continuar a chegar “lá”, na mesma, nesta época que agora se inicia, mas sem a magia, o drible, a convicção, de um Lisandro ou Quaresma, a coisa dificilmente funcionará.

Muita gente, pelo contrário, tem colocado a ênfase no trabalho do meio-campo. Porém, mesmo a ser verdadeira esta discutível ideia (convenhamos que sempre foi mais fácil roubar a bola ao adversário e pô-la ao dispor do colega da frente do que marcar golos...), este tipo de médios que temos vindo a utilizar, coloca-nos problemas fatais e sem solução nos jogos em casa (por definição, 50% do total) onde, sem posse-de-bola, pouca meia-distância e nenhuma imaginação, raramente conseguimos criar grande número de chances, quanto mais batermos um Mancheter United, scp, slb ou mesmo um Braga).

Estar à espera de um qualquer erro do adversário, foi coisa que nunca resultou nos jogos mais complicados disputados no Dragão.

Jesualdo, deve pois adoptar um novo sistema de acordo com os (bons) jogadores que ainda restam, que no fundo são quem sempre dita qual a melhor forma de uma qualquer equipa se estender em campo.
Faltam alas para pontas-de-lança como Farias ou Falcao? Bem, foi o nosso treinador quem achou que Reyes não fazia falta. Tarik, idem. Candeias e Vieirinha também podiam ter tido uma chance. Ele lá saberá...

Para baralhar ainda mais estas contas todas, temos ainda que tentar entender quem é, afinal, o verdadeiro Cristian Rodriguez: se aquele que jogava pouco mas marcava muito, da primeira metade do último campeonato, se aquele que jogava mais e melhor mas que não acertava tantas vezes com o fundo da baliza, dos últimos meses.
Pode até ser que seja uma mescla dos dois ou mesmo nenhum deles...

Muita coisa ainda em aberto, pois. Muito cedo ainda para se aceitarem palpites. Mais do que há um ano atrás, agora sim é que virá mesmo, por aí, uma nova “era” no nosso clube.

Dentro do campo, entenda-se.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A melhor dupla de tango argentino


As saídas do Lucho e do Lisandro podem ser analisadas de diferentes pontos de vista.

Do ponto de vista do administrador financeiro da FC Porto SAD, o encaixe de 42 milhões de euros (e que pode chegar a 52 milhões, mediante o desempenho dos clubes compradores e dos jogadores nas próximas quatro épocas) é notável, nomeadamente se levarmos em conta o cenário de crise actual e a idade dos jogadores (particularmente a do Lucho).

Sejamos realistas. Há seis meses atrás, quem pensaria que neste defeso o FC Porto ia conseguir vender não um, mas dois jogadores, acima dos 20 milhões de euros?

Nesta linha de raciocínio, quero enaltecer a forma como a Administração da SAD conduziu as negociações destes dois jogadores, obrigando Marselha e Lyon a abrirem os cordões às bolsas e transformando estas compras em duas das transferências mais caras de sempre do futebol francês (a do Lisandro é apenas superada por Anelka, jogador comprado pelo Paris Saint-German em 2000 por 33.5 milhões de euros).
Ao fim de quatro anos de excelente rendimento desportivo, Lucho e Lisandro ainda proporcionaram uma mais-valia significativa (superior a 100% do seu custo) para os cofres da SAD. Chapeau!

Há, contudo, outras formas de olharmos para estas transferências.

Quantos médios da categoria do Lucho e avançados com versatilidade, raça e eficácia do Lisandro passaram pelo FC Porto nos últimos anos?
Mais. Para além da sua enorme valia individual formavam, juntamente com Bruno Alves, a coluna vertebral do FC Porto e uma das melhores duplas que já vi jogar no futebol português, só comparável às duplas Futre-Gomes e Drulovic-Jardel.

Quanto nos vai custar substitui-los?
Para já, a FC Porto SAD gastou 5 milhões de euros na contratação de Fernando Belluschi (50% do passe), o anunciado substituto de Lucho, e talvez Silvestre Varela ou Falcão (se for contratado) possam jogar no lugar do Lisandro.

Mas as maiores implicações serão desportivas. Por melhor que sejam as adaptações dos novos jogadores, nem daqui a um ano vai ser fácil atingir o nível de entendimento que existia na dupla Lucho-Lisandro, os quais já jogavam de olhos fechados, qual maravilhoso par argentino a deslizar sobre tapetes verdes dançando o tango.

Inclusivamente, não sei se Jesualdo não terá de rever o seu 4-3-3 baseado em transições rápidas, visto que Lucho e Lisandro eram interpretes fundamentais para este modelo de jogo.

Uma coisa para mim é certa, ninguém espere milagres, porque não é de um dia para o outro (nem em dois ou três meses) que uma alternativa válida para a dupla Lucho-Lisandro se consegue impor.
É bom que os adeptos portistas sejam exigentes, é mesmo uma das razões do nosso sucesso, mas não peçam ao Professor Jesualdo o impossível.

terça-feira, 7 de julho de 2009

SMS do dia - LXVI

E já está mais um:
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Códigodos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo de princípio com o Olympique Lyonnais (Lyon) para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Lisandro Lopez pelo valor de 24 milhões de euros.
Agora é bom que o paizinho do Bruno Alves se cale.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Comitiva do Lyon adia viagem


«Ao contrário do que estava previsto, Bernard Lacombe e Jean-Michel Aulas, dirigentes do Lyon, não viajaram hoje para a cidade do Porto para negociar com o clube portista a transferência de Lisandro.
O Lyon informou no seu site oficial que a viagem à cidade do Porto de dirigentes do clube francês para negociar a transferência de Lisandro Lopez foi adiada “por obrigações pessoais dos dirigentes portugueses”. Segundo o clube francês, no entanto, “um novo encontro” pode acontecer “a meio da próxima semana”.
Com a transferência de Benzema para Madrid, o interesse do Lyon pelo avançado argentino do FC Porto acentuou-se. Para hoje estava prevista a chegada ao Porto de Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, e Bernard Lacombe, conselheiro do clube francês.
Com acordo já firmado com o Lyon, segundo anunciou o seu empresário, Lisandro continua no meio de um braço de ferro entre os portistas e os franceses. O Lyon terá oferecido ao jogador cerca de 250 mil euros mensais e estará disposto a aproximar-se do valor pretendido pelo FC Porto para a transferência do argentino: 25 milhões de euros.»
in PUBLICO, 03/07/2009


Pelos vistos a comitiva francesa teve de adiar a anunciada vinda ao Porto para negociar a transferência do Lisandro.
Pois, conforme referi em 21 de Junho, o Lyon é capaz de se arrepender de ter primeiro aliciado o jogador e o seu empresário, antes de chegar a acordo com o FC Porto.

Por outro lado, a diferente receptividade da Administração da SAD em negociar as vendas do Lucho e do Lisandro é notória, o que seguramente também se deve ao facto de já ter feito um encaixe de 18 milhões de euros.

domingo, 21 de junho de 2009

Lyon por um canudo?


«Le club de Porto se serait fait une raison hier pour libérer son buteur argentin Lisandro Lopez. La clause libératoire était fixée à vingt millions d'euros, et l'Olympique Lyonnais semble prêt à investir sur cet attaquant.
Lisandro touche un salaire de 150000 euros bruts à Porto et Lyon qui avance à pas feutrés dans un marché soumis à la frénésie financière apparaît quand même en mesure d'augmenter les revenus de l'Argentin. Cela vaut-il le coup? Personne ne le sait réellement. Qui eût cru du reste que Kader Keita pouvait valoir 18 millions d'euros il y a deux ans?
"Le joueur est d'accord pour rejoindre l'OL sur le contrat prévu (quatre ans), mais maintenant il faut le valider, et il faut que les deux clubs tombent d'accord", dit l'agent du joueur Fernando Hidalgo.
Il y a quelque temps, Jean-Michel Aulas affirmait qu'il "fallait justement investir en période de crise". L'OL n'a pas défini une enveloppe pour recruter. Une certitude demeure sur le fait que le dossier Lisandro Lopez a bien été activé, que l'investissement semble à la portée de l'OL.»
in Le Progrès, 19/06/2009


«Lisandro Lopez est vraiment intéressant. C'est un buteur, il est très vaillant. Il me fait vraiment penser à Carlos Tevez. Je l'ai vu jouer plusieurs fois, je le suis, c'est un excellent attaquant.»
Bernard Lacombe, conselheiro do presidente Jean-Michel Aulas
in Le Progrès, 20/06/2009


Pelos vistos, o Olympique Lyonnais quer mesmo o Lisandro, mas optou por seduzir ($$$) primeiro o jogador e o seu empresário, antes de chegar a acordo com o FC Porto.
Ora, se bem conheço o presidente Pinto da Costa, isso é mais de meio caminho andado para que ele se torne intransigente nas negociações e que, provavelmente, o Lisandro veja Lyon por um canudo.
A não ser que, depois de abortada a operação Cissokho, a SAD portista esteja desesperada em fazer um encaixe financeiro significativo antes do final de Junho, de modo a compor as contas do exercício 2008/09.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

L'offre de Lyon à Porto

«Lyon est passé à l'action. Selon les informations de L'Equipe, le club de Jean-Michel Aulas a émis jeudi une offre couplée pour les deux joueurs du FC Porto qu'il convoite, l'attaquant argentin Lisandro Lopez et le latéral gauche français Aly Cissokho. Elle s'élèverait à 23 millions d'euros et n'a pas pu retenir l'attention des dirigeants portugais.
Le FC Porto tient à dissocier les deux dossiers, notamment en raison du potentiel de son jeune défenseur, pisté par plusieurs écuries européennes. Quant à Lisandro Lopez, sa valeur est perçue comme oscillant entre 18 et 20 millions d'euros. L'OL devrait formuler une nouvelle offre pour chacun des deux joueurs

in L'Equipe, 12/06/2009


"Esteve um representante do Lyon no Porto, de facto, acompanhado pelo Jorge Mendes e encontraram-se ambos com o presidente num restaurante. Os números avançados foram seis milhões pelo Cissokho e 12 milhões pelo Lisandro. Naturalmente, a conversa morreu ali. (...) Não prosseguem negociações algumas. Com estes números, como é evidente, nem sequer se iniciaram. Houve uma abordagem, é verdade, mas ficou por ali"
Antero Henrique, O JOGO, 12/06/2009


Tem havido muitas notícias, algumas contraditórias, acerca do interesse do OL em jogadores do FC Porto mas, tal como já tinha referido, a pseudo oferta de 35 milhões parecia-me muito dinheiro para um clube francês. Afinal, parece que nem 35, nem 23 milhões de euros. Segundo referiu Antero Henrique, a proposta do Lyon pela dupla Lisandro + Cissokho foi de 18 milhões de euros. Ridículo! Por esse montante quer-me parecer que nem o Lisandro levam, que fará os dois.

domingo, 7 de junho de 2009

35 milhões por Lisandro e Cissokho?

«Bernard Lacombe, conselheiro do presidente Jean-Michel Aulas, admitiu esta semana que o Lyon quer contratar Lisandro López e Cissokho ao FC Porto. Agora, o prestigiado jornal francês L´Equipe garante que o 3.º classificado da última edição da Ligue 1 admite pagar 35 milhões de euros para contar com a dupla de portistas.»
in Record, 07/06/2009


35 milhões parece-me muito dinheiro para um clube francês, mas sendo uma notícia do L'Equipe merece alguma credibilidade.

E do ponto de vista do FC Porto, será que 35 milhões é um valor justo por esta dupla de titulares?

A importância de Lisandro no FC Porto de Jesualdo


Há uma semana atrás, publiquei um mini-artigo onde elegi Lisandro Lopez como o homem da Final da Taça e, mais do que isso, como o jogador mais importante do FC Porto nas duas últimas épocas.

Entretanto, durante a semana que passou, assistimos ao desfilar de notícias dando-nos conta do interesse de diversos clubes em contratar o Licha, nomeadamente o Sevilha e o Lyon, com os jornais a citarem responsáveis destes clubes e inclusivamente falando em números.

Por tudo isto, vale a pena ler o que Manuel Queiroz escreveu no seu blogue (e com o qual eu estou inteiramente de acordo) sobre o Lisandro:

«Ao fim de quatro anos a vê-lo jogar em Portugal, ainda não sei dizer se Lisandro Lopez é melhor com o pé direito ou com o pé esquerdo, se chuta melhor com um ou com outro. Creio que no domingo marcou o último golo pelo FC Porto e foi com o pé esquerdo. E decidiu a final da Taça de Portugal, dando assim a primeira vitória numa final a Jesualdo Ferreira.

Creio que, ao contrário de outros, o passe de Lisandro vai valer menos dinheiro do que aquilo que vale este avançado argentino. Há coisas assim, no futebol e noutras actividades, é a tal diferença entre preço e valor. É que, quem olha para uma equipa com tempo para analisar as suas componentes, percebe que a influência de Lisandro vai muito para além dos golos que marca e que já de si não são tão poucos como isso. Lisandro vale muito mais do que os seus golos, porque tem enorme influência na equipa: joga em qualquer posição do ataque e em quase todos os jogos faz mais do que uma posição - e sempre bem; é um jogador competitivo e uma das âncoras da equipa - não perde a bola e está sempre concentrado nos movimentos dos colegas e dos adversários, tornando-se quase um treinador dentro do campo; e fisicamente é poderosíssimo, o que lhe permite ser tudo o que descrevi antes - e com poucas falhas.

Há poucos assim, jogadores de equipa que são capazes ainda de marcarem golos e, quantas vezes, de impedirem os adversários de os marcar. Mas Lisandro aprecia-se melhor no contexto da equipa do que se só nos focarmos nele. Vê-se melhor com uma câmara ao longe do que com grandes planos. E por isso, se calhar, que vale muito mais do que 30 milhões mas o preço é capaz de ser algo inferior. É injusto, mas as coisas são o que são, a menos que Pinto da Costa tenha ainda mais génio negocial do que todos imaginamos. Ou mais dinheiro para lhe retocar o contrato, por assim dizer, guardando-o mais uma época.»

Manuel Queiroz, 02/06/2009
in 'De Trivela'

domingo, 31 de maio de 2009

O homem do jogo...


... e, na minha opinião, o melhor jogador do FC Porto nas últimas duas épocas.

Lisandro encarna na perfeição o espírito do dragão e, por isso, uma das melhores notícias que os portistas poderiam ter é que Lisandro iria continuar a vestir de azul-e-branco nas próximas épocas.
Parafraseando um candidato à presidência do Sporting: Lisandro forever!

Foto: Record

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Começo difícil, final feliz


O FC Porto apresentou um onze com algumas alterações. Para além dos ausentes Lucho, Hulk e Sapunaru, Jesualdo deixou Fucile no banco. Tomás Costa descaiu para lateral, Mariano manteve-se na função do Comandante e Lisandro variou o jogo ao lado de Farías. Um FCP com mais poder atacante, apesar das ausências, para ultrapassar um Vitória de Setúbal que variou entre o defensivo e ultra defensivo com 10 jogadores atrás da bola e um meio campo recheado de defesas.

O FC Porto entrou um pouco à imagem do jogo em Coimbra: algo lento, com os jogadores da frente muitas vezes parados, o que ajudou os sadinos. Rodriguez e Meireles estão a acusar algum cansaço, o que leva a equipa a entrar com pouco fulgor nestes jogos da recta final do campeonato. Mesmo assim, chegaram a estar 21 jogadores no meio campo do Vitória, mas o guarda-redes Kieszek não chegou a apanhar nenhum verdadeiro calafrio na 1ª parte. Rodriguez apagado, Meireles oculto, Lisandro activo mas insuficiente, Fernando em grande forma a tentar subir e bem. Chegou o intervalo e a nítida sensação de que o Porto teria de regressar com tantos jogadores na frente, mas mais pressionante e mais rápido nas movimentações atacantes.


Raul Meires melhorou na 2ª parte, mais activo, a procurar entrar mais pelo centro e a ajudar as alas e o FC Porto começou a criar verdadeiras jogadas de perigo, o que fechou ainda mais os sadinos. Aos 57 minutos saíram Leandro Lima e Bruno Gama e por momentos julguei que Carlos Cardoso fosse apostar em Bruno Vale para segundo guarda-redes. Mas correram mal as substituições, já que Fernando fez um passe magistral a rasgar a defesa, Farías assistiu Lisandro e o argentino, com um toque sublime, tira o defesa do caminho e "pica" a bola para o fundo da baliza. Um belíssimo golo. Seis minutos volvidos e Lisandro bisava após bom cruzamento de Mariano. O FCP passava a controlar as operações sem grandes pressas. Não se repetiu o resultado da semana passada por manifesto azar: grande (e talvez única) arrancada de Rodriguez a furar pelo meio da defesa sadina, remate e a bola a embater em cheio no poste. Aos 85 minutos - algo tarde pareceu-me, até para o Professor - Jesualdo mexeu no onze inicial, entrando Tarik, Guarín e Rabiola.

Vitória justíssima num jogo muito difícil, onde por vezes a equipa de arbitragem tinha mais membros no meio campo portista que os sadinos. Muito descanso e venha o próximo. Algum cansaço nos jogadores vai exigir um espírito de sacrifício no exigente terreno do Marítimo.

Melhor em campo: Lisandro, com menções especiais para Fernando e Raul Meireles.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Eles não desistem, a pouca vergonha continua

Como é de todos conhecido, Lisandro não pode jogar amanhã contra o Estrela da Amadora porque o Dr. Ricardo Costa assim decidiu.
Já muita gente se pronunciou sobre esta decisão escandalosa (mais uma) do fanático benfiquista que preside ao CD da Liga e que irá marcar o campeonato 2008/09, mas vale a pena ler o que Jorge Coroado escreveu em O JOGO de 07/04/2009:

«Incompreensível é, no mínimo, o que pode dizer-se da decisão anacrónica, apesar de estribada em norma regulamentar, da Comissão Disciplinar da Liga em punir Lisandro, do FC Porto, com um jogo de suspensão por simulação no encontro disputado com o SL Benfica no estádio do Dragão. Com tanta fobia na presunção de defesa da verdade desportiva torna-se legítimo questionar o que pretendem os doutores no, não do, futebol? Com a decisão tomada rectificaram, repuseram ou deram mais verdade ao resultado do jogo? Não! Que verdade defendem? Nas anteriores vinte jornadas não existiram simulações, não aconteceram resultados forjados por lances menos lícitos? Só os jogos televisionados possuem jogadas enganosas? Quantos árbitros se equivocaram e ao fazê-lo influenciaram o resultado? Os jogos não transmitidos pela televisão não são susceptíveis de ludíbrios? A Liga de Honra não tem simuladores? (…) Que critério e igualdade na aplicação dos regulamentos existe?»


Quem também não poderá dar o seu contributo à equipa no jogo contra o Estrela é Tomás Costa, o qual foi punido por Xistra no último V. Guimarães x FC Porto com o 5º cartão amarelo.
Sobre este lance, ocorrido ao minuto 61 de um jogo em que o árbitro foi mais do que complacente com o festival de pancadaria de que Hulk foi vítima, o mesmo Jorge Coroado escreveu o seguinte:

«Tomás Costa acorreu à linha lateral para inviabilizar jogada de ataque contrária, ganhou o lance ao adversário fazendo que a bola ultrapassasse a linha delimitadora do terreno para acto contínuo a pontapear forte. Em manifesta falta de sensibilidade na análise da situação o árbitro exibiu o cartão amarelo ao portista. Porquê? Não viu que o jogador foi rápido no gesto convicto que o esférico estava sobre a linha lateral?»


Estes factos mostram que os adversários do FC Porto ainda não desistiram e se semana após semana continuam as arbitragens vergonhosas, também fora do campo, quer nas nomeações, quer nas (não)decisões do CD da Liga, as manobras de secretaria não param.

P.S. Para o jogo FC Porto x E. Amadora, o sportinguista Vítor Pereira nomeou mais um árbitro do eixo Lisboa-Setúbal. Desta vez a “honra” coube ao lisboeta João Capela, o mesmo senhor que mostrou, de forma absolutamente inacreditável, o 5º cartão amarelo a Fucile no Belenenses x FC Porto, de modo a pô-lo fora do FC Porto x SLB da jornada seguinte.
Lembram-se? Pois é, Jesualdo Ferreira também não se esqueceu deste artista, conforme ficou claro na conferência de imprensa de hoje:
Antes dos jogos as escolhas [dos árbitros] obedecem a critérios que não conheço. O árbitro vai ter uma tarefa fácil amanhã, desde que não a dificulte. Felizmente não temos o Fucile em risco de ver o quinto amarelo, por isso…”