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terça-feira, 17 de setembro de 2013

As Noites Europeias de azul Viena

Viena.
Sempre teremos Viena.

Se o FC Porto nunca tivesse estado em Sevilha, Gelsenkirchen ou Dublin sempre teríamos Viena.
Não há cidade mais simbólica na história das competições europeias. E, para nós, é ouro sobre azul. Vamos a Viena amanhã começar mais um ano de aventuras europeias. Não é a primeira vez. Mas sabe sempre de forma especial. Porque havia um FC Porto antes e outro depois de Viena.

Não necessariamente pelo triunfo.
Antes já tinham ganho a Taça dos Campeões Europeus clubes de menor perfil e prestigio que nós. O Nottingham Forrest, o Steaua Bucareste e até o Celtic Glasgow e o Feyenoord, são bons exemplos de que o torneio não era um exclusivo das grandes equipas das grandes ligas da Europa. No ano seguinte o troféu foi ganho pelo PSV, dois anos depois pelo Estrela Vermelha e seis pelo Olympique Marseille. Se a história do futebol europeu fosse lida desde esse prisma, éramos mais um entre alguns. Mas somos mais do que isso. Somos um caso singular e único. Porque repetimos esse triunfo. E eles não.
Depois do Jamor o Celtic não ganhou um troféu europeu. O Feyenoord venceu duas Taças UEFA. O Nottingham Forest desapareceu do mapa do futebol inglês e há largos anos que vive na segunda divisão. O Steaua, alimentado pelo regime de Ceaucescu, desfez-se com o regime. Regressa este ano à Champions League depois de largos anos de ausência. O Marseille pagou o preço das ligações perigosas e o PSV não voltou a cheirar uma final. E o Estrela Vermelha acabou, de facto, com a própria Jugoslávia. Mas nós não. Nós crescemos. Nós ficamos mais fortes. Nós passamos a fazer parte dessa elite europeia.
Não em dinheiro, não na qualidade do plantel ano após ano. Mas em prestigio.



O FC Porto - graças ao trabalho de Pinto da Costa e de algumas das suas eleições mais acertadas para o banco - soube provar de novo o sabor do champanhe.
Somos únicos nesse feito entre as pequenas nações da Europa. E é algo do qual nos devemos sentir orgulhosos. Sempre que apareça Viena no horizonte, saber que foi aí que a gesta começou. Sim, Pedroto estabeleceu as bases. Para mim é a personalidade mais importante da história do clube porque foi ele quem marcou o antes e o depois. Mas partiu cedo, muito cedo, sob o fantasma de Basileia e aquele golo do Boniek, os gritos do Zé Beto e o medo de que aquela final não seria repetida. Mas em Viena, com o "rei Artur", com o calcanhar do Madjer, o sprint do Futre, a taça nas mãos do "capitão" e as lágrimas do presidente, soubemos que a festa estava a começar. Era algo dentro de nós que fervilhava por essa paixão das noites europeias.

O futebol europeu, continental claro, começou a desenhar-se em Viena.
As tardes europeias do início do século XX, os anos de ouro da Taça Mitropa, tudo sucedeu nessa cidade mágica, no campo do parque do Prater. Para o futebol europeu e para nós. Historicamente, o FC Porto era um clube a que se lhe dava mal as provas europeias.
Até meados dos anos setenta até o Vitória de Setúbal tinha um registo melhor que o nosso. Mas com Pedroto algo mudou. Para sempre. Hoje somos o melhor clube português na história das competições europeias. Somos uma das equipas com mais participações na Champions League. Nas quatro últimas vezes que disputamos a Taça UEFA/Europa League, vencemos duas. Ninguém tem estes números.
Estivemos no calor asfixiante de Sevilla. Desfrutamos da nossa superioridade evidente em Gelsenkirchen e tinhamos a certeza que Dublin era uma formalidade. São três noites europeias que ninguém esquecerá. Mas Viena, a nossa Viena, até para quem não a viveu como deve ser, é especial.



Amanhã, mais ou menos por esta hora, o mítico FK Austria - o tal das tardes europeias mágicas - vai ser o nosso rival em campo. Mas quando o escudo do dragão subir ao relvado, o Bayern, o Dinamo de Kiev, o Brondby, o Vitkovice e o Rabat também vão lá estar à nossa espera. Viena, o Prater, o Danúbio azul, a magia da história. O pontapé de saída para mais uma temporada europeia, difícil, exigente e que gera ilusão nos adeptos pelo local onde se disputa a final. Mas a cada jogo, a cada passe mal medido, a cada remate torto, a cada golo sofrido, convém não perder nunca a perspectiva. Podemos ir mais longe, devemos lutar por ir mais longe, queremos ir muito mais longe do que temos feito nos últimos anos. Mas o que o FC Porto conseguiu, isso, meus amigos, não conseguiu mais ninguém!

Disclaimer

O título do artigo não é inocente.
Noites Europeias é o nome do livro que vai ser colocado à venda nos próximos dias, escrito por mim e pelo João Nuno Coelho, representante do FC Porto no programa do canal Q Sacanas sem Lei e coordenador do livro "Porto 25". É um livro que viaja às origens das competições europeias de clubes e se prolonga até à última temporada em mais de 100 anos de histórias, jogos, personalidades, sistemas de jogo e memórias. Inevitavelmente o FC Porto é um dos protagonistas dessa Europa periférica fora das grandes ligas. Não é por acaso o único clube - com a excepção honrosa do Ajax, noutro contexto - fora desse circulo de grandes fortunas que tem quatro troféus das provas da UEFA. Um feito único e histórico entre os muitos que relatamos.
Oficialmente a apresentação do livro é na tarde do dia 29 de Setembro, no bar Casa do Livro na zona das Galerias de Paris com moderação do Luis Freitas-Lobo e de alguns convidados-surpresa ligados à história europeia do FC Porto. A todos os adeptos do clube, amantes das "noites europeias", aqui fica o meu convite pessoal e o desejo de uma boa leitura, se for o caso.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dias de felicidade - 2011

O ano está a acabar e a bola só volta daqui a quase 2 semanas, está portanto no hora de fazer balanços.

Há conquistas que ficam registadas nos livros com datas que nem sempre correspondem ao auge da alegria por essas conquistas. E este ano temos exemplos bem concretos.

Os livros irão registar:

Taça Europa - 18 de Maio - 1-0 ao Braga

Taça de Portugal - 22 de Maio - 6-2 ao Guimarães

Mas enquanto o Alzheimer não me atacar, recordar-me-ei que as verdadeiras alegrias tiveram outras datas e adversários:

Taça de Portugal - 20 de Abril - 3-1 ao 5lb

A coisa não era fácil depois da derrota no Dragão, acreditar acreditava-se mas sabia-se como era complicado, e quando o Falcao a terminar a 1ª parte falha isolado, não há que mentir - insultei-o do piorio e admito que o meu desejo reduziu-se a ganhar o jogo. 
Mas depois foi perfeito! perfeito! tão perfeito! que nem sequer há palavras.
Felicidade pura.


Taça Europa - 28 de Abril - 5-1 ao Villareal

A perder no Dragão por 1-0 ao intervalo, a 2ª parte é épica. 4 do Falcao, sendo o 3º deles o golo do ano - aquele cabeceamento em voo com o corpo quase na horizontal é qualquer coisa de fenomenal. O dia em que tive a certeza que o 'Venceremos! Venceremos! Venceremos outra vez! O Porto vai ganhar a taça como em 2003' era mais que um cântico. Desta era do Dragão, não me lembro de na saída do estádio o pessoal estar tão em êxtase, não me lembro de a caminho de casa ouvir tanta gente a entoar os cânticos.  
Felicidade pura.


Destes dias de felicidade não entra o campeonato, não porque se me tenha apagado da memória, mas porque já tinha sido bem regado e tratado anteriormente e o dia feliz já tinha sido em 2010.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Liga dos Tostões


Em Dezembro de 2007, durante um encontro realizado em Lucerna, na Suíça, o Comité Executivo da UEFA aprovou o fim da Taça UEFA e a criação da ‘UEFA Europa League’ a partir da época 2009/10.

Seguindo os mesmos passos da Liga dos Campeões, a Liga Europa tem exploração centralizada dos direitos de transmissão, um patrocinador (não exclusivo) e uma bola de jogo oficial havendo, a partir dos 16 avos-de-final, centralização total dos patrocínios.

Mas para além da imagem e da mudança de nome, foi decidida a alteração do formato da Taça UEFA, com a criação de uma verdadeira fase de grupos (jogos em casa e fora), abrangendo 48 equipas – 12 grupos com 4 equipas cada. Os dois primeiros classificados de cada grupo passarão aos 16 avos-de-final, onde também entrarão os oito terceiros classificados na fase de grupos da Liga dos Campeões. A partir daí a competição disputa-se em eliminatórias até à final.

Evidentemente, apesar da cosmética, a nova ‘UEFA Europa League’ nunca terá o prestigio, notoriedade e receitas da Liga dos Campeões. Basta ver que cada uma das 48 equipas da fase de grupos irá receber um prémio de presença de apenas 900 mil euros (600 mil euros, acrescido de 50 mil por cada um dos seis jogos a disputar), contra os 7,1 milhões dos participantes na LC, e cada vitória dará direito a um prémio de 140 mil euros (na LC são 800 mil euros).

As projecções da UEFA indicam que as equipas apuradas para os 16 avos de final receberão 200 mil euros cada, a presença nos oitavos-de-final vale 300 mil, os quartos-de-final dão 400 mil e as meias-finais 700 mil euros. Quem vencer a prova deverá receber dois milhões de euros, cabendo ao finalista vencido uma verba de um milhão.
Deste modo, um vencedor da Liga Europa que fosse 100% vitorioso, arrecadaria cerca de seis milhões de euros na soma dos prémios de presença e de vitórias acumuladas. Não é mau mas, por exemplo, é pouco mais de metade do valor que o FC Porto já garantiu à partida para a LC 2009/10.

Seja como for, as alterações introduzidas são positivas e talvez consigam reanimar uma competição – Taça UEFA – que vinha definhando ano após ano. Mas será sempre a Liga dos Tostões, ou quanto muito a Liga dos Milhares, em contraponto à verdadeira Liga dos Milhões onde estão os colossos europeus (Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Liverpool, Arsenal, AC Milan, Inter, Juventus, Bayern Munique) e onde todos os outros querem ou sonham estar.
Aliás, perante as profundas alterações que as provas da UEFA tiveram nos últimos anos, não me admirava que um dia as coisas evoluíssem para uma "Europa League Division 1" e "Europa League Division 2"...

Desportivamente falando, e olhando para os clubes que esta época estão na fase de grupos, constata-se que alguns deles têm tradição e curriculum na Liga dos Campeões. É o caso do Ajax (Holanda), Valencia (Espanha), AS Roma (Itália), PSV (Holanda) e Werder Bremen (Alemanha).
Numa 2ª linha, temos clubes como o Anderlecht (Bélgica), Génova (Itália), Hamburgo (Alemanha), Celtic (Escócia), Hertha Berlim (Alemanha), Fulham (Inglaterra), Panathinaikos (Grécia), Galatasaray (Turquia), Villarreal (Espanha), Lazio (Itália), Fenerbahce (Turquia), Everton (Inglaterra), Shakhtar (Ucrânia), Athletic Bilbao (Espanha), Sporting e Benfica.

Grupos da Liga Europa 2009/10 (clique para ampliar)

Deste modo, se em Fevereiro do próximo ano grande parte deste lote de equipas estiverem apuradas para os 16 avos de final da Liga Europa, juntando-lhe as oito que virão da Liga dos Campeões poderemos ter um conjunto de eliminatórias competitivamente interessantes até à final de Hamburgo.

Até lá, teremos a imprensa lisboeta a fingir que a Liga Europa e a Liga dos Campeões são parecidas (ambas são competições europeias, não é verdade?) e em êxtase perante as anunciadas goleadas sobre os BATE Borisov deste Mundo.

Fonte: uefa.com

terça-feira, 15 de setembro de 2009

SLB fora da UEFA a partir de 2013/14?


O comité executivo da UEFA aprovou hoje, por unanimidade, o princípio do "fair-play financeiro", norma destinada a vedar a participação nas competições europeias de futebol aos clubes que gastem mais dinheiro do que aquele que geram.

Esta decisão impedirá aquilo a que Platini chama a "vitória a crédito", isto é, o sucesso de um clube endividado que vive à base de futuras entradas de dinheiro (já ouviram falar nos negócios entre o SLB, a Central de Cervejas e o BES?).

A 28 de Agosto, no Mónaco, Platini já tinha anunciado que a partir de 2012/13 a UEFA pretendia examinar a evolução das contas relativas às duas épocas anteriores e que a partir de 2013/14 as sanções seriam aplicadas por um painel independente, as quais podem ir de uma multa à suspensão das competições europeias. Segundo Platini, o critério principal do "fair-play financeiro" assenta num orçamento equilibrado durante um período de três anos.

Foto: A BOLA

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Estava um calor ...

Há 6 anos foi assim, nas palavras de Cristiano Pereira (Jornalista JN):

* Recomenda-se que pessoas não habituadas ao Portuense, se abstenham de ler o texto e se limitem a ver uns vídeos no You Tube.

CRÓNICA DE UM DRAGÃO

O meu dia 21

6 da manhã, Alfama, Lisboa - Acordo, isto é, salto da cama (mal fechei os olhos com a ansiedade), tomo um duche, enrolo o cachecol e saio à rua.. Está sol. E sinto uma felicidade rara, um furacão de contentamento de quem ainda se está a aperceber que afinal, foda-se, afinal vou. Afinal vou à final. E vou mesmo. Há 12 horas atrás chorava de frustração e agora quase de emoção. Já estou a ir. Caralho. As ruas parecem bonitas, o planeta é belo. Desco a Santa Apolónia rumo à estação do Oriente onde fiquei de me encontrar com 4 amigos que estavam a chegar do Porto. As pessoas que se cruzam comigo(e com o azul que me abraça o tronco) lançam-me luminosos sorrisos, erguem o polegar e não raras vezes vociferam "Boa sorte" ou "hoje somos todos da mesma cor". Há carros que apitam.

7 horas, Lisboa - Frente ao Vasco da Gama, vislumbro o carro dos meus amigos. Um deles tem o cabelo pintado de azul e metade do corpo fora da janela. É o Giró, figura incontornável do punk rock tripeiro (foi baterista dos Renegados de Boliqueime). Ele grita. O carro apita. São sete da manhã e estes gajos chegam bebados a Lisboa. Menos o condutor, claro. Siga para Andaluzia, a duzentos à hora, num Audi xpto turbo qualquer coisa e a ouvir o disco dos Dr. Frankenstein. Meio dia, Sevilha

- Escusado será dizer que o rapaz do cabelo azul aterrou a meio do Alentejo. Já acordou. Estamos em Sevilha. Foda-se. Já vemo o estádio ali à frente. E só dá gajos vestidos de verde. Parecem lagartos. Estacionamos o carro. Está um calor filho da puta. E bota filho da puta nisso: estão 41 graus. No início achamos piada à temperatura. Estamos todos de tronco nu e decidimos ir até ao centro da cidade. Estamos desidratados. Um calor filho da puta.

15 horas - As principais artérias do centro da cidade estão cortadas ao trânsito. As ruas estão apinhadas de gente vestida de verde. É impressionante a quantidade de escoceses que aqui estão. Diz-se que são mais de cem mil. Não sei. Mas são mais do que as mães. Penso: Glasgow deve estar deserta. O calor parece aumentar até se tornar insuportável. Bebe-se muito. Há escoceses que nos abraçam. Fazemos brindes. Pagam-me copos. Cantam. A polícia observa. E já há centenas de gajos literamente aterrados no passeio. Depois de não sei quantas cervejas aparece, caído do céu, um verdejante legume. É erva. E não é uma erva qualquer. É skunk. Enrolo o charro enquanto um grupo de escoceses tece rasgados elogios ao Cadete. Acendo o charro e penso que, para mim, o Cadete mais não é do que um jogador medíocre e um cromo do Big Brother. O charro começa a bater.. E de que maneira. Filho da puta de calor.

16 horas - Estamos todos meio desorientados. É impossível andar mais de 50 metros debaixo deste sol sem parar para beber mais uma cerveja. Começo a sentir-me totalmente alterado pela mistura de aditivos e pela ansiedade trepidante. Sou assaltado por uma lucidez que me faz pensar: "Foda-se, não bebas mais. Não entres no estádio ainda mais bebado. Ainda aterras e não vês o jogo". Há que ir para o estádio. Ainda fica longe. Não há táxis. Os autocarros estão cheios. Vamos indo a pé. Filho da puta de calor. Milagre: um dos autocarros abre-nos a porta. Está cheio como um ovo de escoceses que berram e muito, eles cantam, e muito. Ficam todos contentes por partilharmos o mesmo Bus. Somos os únicos portugueses dentro do autocarro. Eles recebem-nos com cumprimentos e cantam. Estão sempre a cantar, estes gajos. Filho da puta de calor.

17,30 horas - Chegamos ao estádio. É preciso ter cuidado com o bilhete. Anda aí gente capaz de matar só para roubar o apetecido rectângulo de papel. O meu está guardado dentro da sapatilha, envolvido em plástico. Entro no estádio. Nem sequer me revistam. Subo ao meu lugar,. Estou na bancada central, "Grada Alta, Puerta P, Sector 201 B, Fila 20, Asiento 25". Sento-me. Agora sim. Penso: foda-se, estou mesmo aqui. Fico durante minutos calado a saborear essa constatação. A realidade. Este lugar é excelente. Está mesmo a meio do relvado, uns metros acima do banco do Celtic. À minha volta portugueses misturam-se com escoceses. Até o verde do relvado parece adquirir uma luz especial. Um calor filho da puta.

18,20 - Ao meu lado está um puto castiço. Falamos da ansiedade e do desespero. Há logo uma sintonia incrível, uma inegável compreensão mútua. Ele, tal como eu, tinha arranjado bilhete poucas horas antes. Um calor filho da puta. Digo-lhe que vou ao bar comprar garrafas de água. Desco a bancada. Azar nítido: está uma fila interminável para o bar. Fico parvo a olhar para aquilo. Penso num esquema. Chego junto de um enfermeiro da "Cruz Roja" e peço-lhe água com açúcar. Ele leva-me ao gabinete médico, uma sala com ar condicionado repleta de escoceses que dormem que nem porcos derrotados pela coma alcoolica. "Pois", digo eu ao médico simpático, "não dormi nada com a ansiedade e alimentei-me mal. Este calor também não ajuda. Fiquei fraco", dramatizo, exagero, enfim, um teatro do caralho ajudado pela pedrada da erva. Ao médico não lhe passa pela cabeça que eu apenas ali estou para evitar a fila do bar. Dá-me um sumo energético. Fico lá durante uns 10 minutos a curtir o ar condicionado. O gajo aponta o meu nome num papel. Saio e trago outro sumo para o puto que me espera na bancada. Passo pela fila do bar e vejo que ainda está maior. E que não anda nem desanda. Feito esperto, rio-me para dentro com um inevitável e muy tripeiro pensamento: "vocês são mesmo morcões, caralho". Já não há ar condicionado. E, claro, está um calor filho da puta.

19 horas - A curva à minha direita está cheia. De azul. De vida. De beleza. Os portugueses entraram mais cedo no estádio. Canta-se muito. Eu também canto. Está um calor filho da puta. Entretanto, a primeira má cena do dia: os jogadores, lá em baixo, no relvado, a aquecer e, foda-se não estou a ver nenhum caralho de cabelos claros, o pânico e a dúvida apoderam-se de mim e berro: "CARALHO! ONDE ESTÁ O JANKAUSKAS?". Não está. O que está é o calor. E um calor filho da puta.

19,15 horas - Lentamente, a bebedeira vai desaparecendo e os efeitos da erva vão, claro, esmorecendo. Só o calor é que parece aumentar. E o nervosismo, claro. O estádio já está cheio. Olho para as bancadas e fico assustado com a quantidade de verde que vejo. Os gajos começam a fazer muito barulho. Foda-se. Só cantam. Umas atrás das outras. Um repertório maior do que o Frank Zappa. Esta merda vai começar e tenho que me acalmar.

19,45 - Começa o jogo. Confusão do caralho. Ninguém domina ninguém. Está tudo nervoso. Com medo. Olha, o Costinha foi ao chão. Caralho. Filho da puta. Não era ele que dizia que tinha recuperado da lesão? Foda-se, já ficamos sem o Costinha. Caralho. Não estou a gostar disto. (não olhei mais para as horas, só para o horário do jogo)

20,30 (mais ou menos) - O Porto sobe, Deco levanta a puta da bola, Alenitchev está lá, eu levanto-me, vejo o gajo a rematar de primeira, uma bomba autêntica, o cabrão do Celtic não completa a defesa, e caralho, foda-se!!! Está ali o Derlei, foda-se, caralho AS REDES ABANAM E É GOLO CARALHO! Bem, aqui eu não sei bem, acho que mando um salto, desco uns sete ou oito pisos da bancada e atropelo tudo à minha frente, desde escoceses a portugueses, passando por garrafas de água e sei lá que mais. Estou fora de mim. Acho que nem grito "golo" porque a euforia me corta a capacidade de articular sílabas. Só berro qualquer coisa. Já estou como o outro: não há orgasmo que se compare a isto. intervalo. Tento acalmar-me. Vou buscar mais água. Não há fila. É estranho. Porquê? Que cena do caralho: acabaram as bebidas. Foda-se. Nos dois únicos bares de uma bancada cheia debaixo de 38 graus e não há agua, sumo ou a puta que os pariu? A espanhola giraça que está no bar depara-se com centenas de gajos desesperados e desidratados. Começa a distribuir cubos de gelo a toda a gente e a pedir calma. Num acto de desespero apanho umas garrafas vazias do chão e vou à casa de banho, torneira aberta, encho as garrafas e ainda molho o meu corpo todo. Começo a aperceber-me que a minha garganta está esquisita, isto é, a minha voz, caput, foi com o caralho. Segunda parte. Os gajos marcam o golo. Foda-se. Um barulho descomunal. Nunca (ou)vi nada assim. É impressionante. Chega a ser assustador. Fico na merda. Novo golo do Porto. Foda-se. Agora já nao atropelei ninguem, abracei-me ao puto, caralho, vamos lá ganhar esta merda. "Vamos ganhar 3-1, vocês vão ver", diz-me um tripeiro mais velho. E volta a dizer o mesmo. Outra vez. E mais uma vez. E pimba!, os gajos empatam novamente, eh pá, puta que pariu, como é que deixam aquele cabrão ali sózinho na area, caralho? Olho para o tripeiro profeta com aquela cara de quem diz "devias ter estado calado meu ganda boi de merda". Os escoceses fazem outra vez um barulho ensurdecedor. O estádio até parece tremer. Os que estão atrás de mim berram-me ao ouvido. Há um deles que chega a pôr a mão na minha cabeça e despenteia-me todo. Eu estou fodido, claro, mas tenho fair play, nem olho para trás, o gajo está na boa, desde que não me meta a mão no cu. E não só. Começo a ficar fodido. Fico calado minutos a fio. Já nao sei se sinto nervosismo, ansiedade ou depressão. Estou sentado, calado que nem um rato, as mãos na cabeça, o coração a 320 batidas por minuto. Estou a sentir-me mal. Vejo o Celtic a dominar o jogo. Os gajos sempre a cantar. É tudo deles, foda-se. É uma tortura: começo a pensar que não devia ter ido, que sofrimento já chegava, que aquilo é tudo uma merda, que o futebol não vale um caralho, que são só meia dúzia de gajos básicos atrás da bola, que o que eu gosto é de música e poesia e que caralho, eu juro, foda-se, juro mesmo que nunca mais vou ao futebol na puta da minha vida. O puto ao meu lado deve estar como eu. Não diz nada. Às tantas abre a boca e diz-me: "Eu já não sei". Foda-se. Começo a experimentar a amargura do sofrimento mais forte que alguma vez senti. Tenho a vida reduzida a merda. Às tantas visualizo na minha mente pessoas e alguns nicks do pessoal aqui do forum (O Flash, O Plasmatron, o Manel Poças e a Anfield Road, tudo gente que nunca vi) e tento imaginar onde estarão eles àquela hora, e a pensar que deviam era estar aqui, mas, caralho, como não estão, tento entrar numa espécie de comunicação telepática com eles, de forma a, sei lá, encontrarmos um ponto de convergência mental, juntar as forças, lança-las para dentro do relvado, como se a nossa vontade pudesse cair ali dentro como uma espécie de relâmpago e fazer com que o Porto não perca bola e faça passes certos, foda-se.... eu quero que a bola esteja no meio campo deles, não passem a bola ao Baía, caralho, é para a frente que se joga, e às tantas há alguém (não me lembro quem) que volta a passar a bola ao Baía e eu aí é que me passo mesmo dos cornos. Levanto-me. Grito: "Ó FILHO DE UMA PUTA DO CARALHO É PARA A FRENTE CARALHO PARA A FRENTE CARALHO!!!!!!! (ou coisa do género, não me lembro bem). À minha volta, num raio de 20 metros está tudo sentado, o pessoal olha, quem é que aquele portuga lingrinhas e de tronco nu, cromo do caralho, a gritar qualquer coisa? Os escoceses atrás de mim comentam algo entre eles num calão indecifrável. E riem-se muito. Riem-se de mim. Estão-se a rir de mim, filhos da puta? O jogo acaba, há prolongamento e eu começo a ficar preocupado com a minha saúde. Tento respirar fundo durante alguns minutos e começo a sentir-me relativamente melhor. Até porque o Porto já parece saber jogar à bola. Vejo o tempo a passar e só desejo mais um golo, caralho, não peço mais, basta um, foda-se, onde está o Postiga quando preciso dele?, caralho, e entro outra vez no transe de sofrimento, estilo começar a pensar para mim "foda-se, eu até dou os meus discos todos e o meu ordenado só para ganharmos esta merda" e outras merdas do género completamente inconcebíveis num momento mais racional. Segunda parte do prolongamento. Sinto-me perto da morte. Tento acender um cigarro. A mão direita treme de tal forma que nem sequer consigo encostar a chama à ponta do tubo de nicotina.O telemóvel treme no bolso. É uma mensagem escrita do Junqueira a dizer "tem calma pá.... a gente já resolve isto" e, de repente, volto a pensar na história da telepatia, e pergunto-me "mas como é que o gajo sabe que eu estou assim?" e depois penso que s calhar até é natural ele imaginar mas não deixo de pensar na telepatia e sinto-me mais confortável com aquelas letras "tem calma pá" como se eu fosse um puto assustado com algo e tivesse chegado o pai para proteger. Há o 3º golo do Porto. Não sei o que escrever. É um momento muito prateado, uma espécie de luz branca à minha volta. Devo ter gritado e saltado, sei lá, eu já nem estava no lugar, fui para os degraus mais abaixo e estava a ver aquela merda em pé, pá, nem sei bem. Sim, era tudo branco, uma espécie de névoa, estava tudo meio desfocado, e convenci-me que era Deus que ali estava a ajudar-me e fiquei fodido por nunca ter ido á missa e essas merdas e o caralho, e por já ter tido a mania que era anti-cristo na minha adolescência, e que afinal, caralho, Deus existe, e estava ali ao meu lado e eu sem saber como agradecer-lhe e pedir-lhe desculpa por todos estes anos de falta de fé. O jogo acaba. Acho que abraço toda a gente e toda a gente me abraça e que tenho os braços no ar e que tento gritar qualquer coisa mas que não consigo porque já não tenho voz e então limito-me a saltar que nem um cavalo. Os escoceses atrás de mim dão-me os parabéns e apertam-me a mão e eu, pimba, toma lá um abraço também, e a puta da vida é isto e nada mais existe na vida para além disto e deste resultado.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Prestigio internacional intacto

O FC Porto está garantido na Peace Cup 2009, torneio de pré-época que se afirma como um Mundial de clubes, juntando a elite do futebol internacional.

A presença dos dragões era ontem assegurada pelo jornal espanhol “Marca”, junto de um lote de colossos como Real Madrid, Juventus, Sevilha, Lyon e Ajax. Liga de Quito (do Equador, vencedor da última Libertadores) e Seongmhan Ilan (da Coreia do Sul) estão também já confirmados, escreve o diário de Madrid. Faltam quatro equipas para fechar o lote de 12 que vão competir entre 24 de Julho e 2 de Agosto.

PSV Eindhoven, vencedor da 1ª edição da Peace Cup em 2003

Esta é a primeira edição do torneio fora da Coreia, tendo a Andaluzia vencido o “concurso”, oferecendo como trunfo a concentração de pessoas na região nessa altura do ano. Mas o Santiago Bernabéu (Madrid) vai também receber jogos da fase de grupos. A prova é inicialmente composta por quatro agrupamentos, sendo que os vencedores se defrontam entre si nas meias-finais.

São desconhecidas as verbas a distribuir pelos participantes, mas a competição organizada pela Peace Football Foundation costuma ser bem lucrativa. Ganhar o troféu vale 2 milhões de euros. Metade desse prémio fica para o finalista e quem for eliminado nas meias-finais recebe 500 mil euros.

Olympique Lyonnais, vencedor da 3ª edição da Peace Cup (última disputada) em 2007

Números muito atractivos para a SAD azul e branca, que tem desafios desportivos muito interessantes na pré-temporada e garante, ainda, um capital de prestígio pela presença num torneio de colossos. De resto, o FC Porto já tinha sido convidado no passado.

in Record, 31/12/2008

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Conforme se pode ver no site oficial da Peace Cup, para já ainda só estão confirmados cinco (Sevilha, Lyon, Real Madrid, Liga de Quito e Juventus) dos doze clubes que irão disputar este prestigiado e endinheirado torneio.

Contudo, mesmo sem haver uma confirmação oficial, esta notícia da MARCA vem provar que o prestígio internacional do FC Porto continua intacto, para tristeza de muitos benfiquistas e sportinguistas. Sim, porque entre a legião de anti-portistas havia quem pensasse (sonhasse?) que as declarações de Platini no Verão passado seriam suficientes para pôr em causa o prestígio que os dragões conquistaram nos relvados mundiais, de Viena a Tóquio, ao longo dos últimos 25 anos.





É nestas alturas que os tristes medíocres invejosos deste país têm de acordar dos seus sonhos para o pesadelo da realidade que os vem atormentando nas últimas décadas. Tal como para o G-14 e para a SuperLeague Formula, o clube português convidado para estas coisas é o FC Porto. Os outros que continuem a sonhar e... podem ir apreciando as primeiras páginas de A BOLA...

Nota: A selecção das fotos e os negritos no texto são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Faltou um bocadinho assim...

8-0?!!
Só faltou um bocadinho assim...

A realidade do "glorioso", do clube com mais sócios do Mundo e que ninguém vai parar é a seguinte: 4 jogos, 0 vitórias, 1 empate, 3 derrotas, 2 golos marcados, 9 golos sofridos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Foi você que pediu um Inocêncio Calabote?

O SLB defronta amanhã o Metalist para a derradeira etapa na fase de grupos da Taça UEFA e tem de derrotar os ucranianos por oito golos de diferença e ainda esperar por um empate entre o Olympiakos e o Hertha Berlim para conseguir o apuramento para a fase seguinte. Não parece tarefa fácil mas o avançado Suazo garante que no futebol nada é impossível. Mal ele sabe que no seu actual clube quase nada mesmo é impossível no que respeita a jogos de bastidores.

O Metalist, por seu lado, veio com uma semana de antecedência para Portugal e aproveitou para fazer um jogo treino com o Estoril Praia, que acabou por perder por 2-1. Ao que parece os ucranianos irão jogar com as reservas para, quiçá, poderem dar uma pequena ajuda. O jogo promete…


O outrora glorioso clube já está habituado a este tipo de pressão - vencer por muitos golos e ficar condicionado pelo resultado de terceiros - e lida muito bem com ela. Senão veja-se o célebre episódio conhecido pelo árbitro que lhe deu nome: Calabote. Esse episódio já foi relatado aqui no Blog mas nunca é demais relembrar:

“Faltava uma jornada para o fim do campeonato de 1958/59 e o FC Porto e o Benfica seguiam empatados na liderança do campeonato. Tendo empatado os dois jogos entre si, a diferença global de golos era decisiva e, nesse item, o FC Porto tinha uma vantagem de 4 golos. Tudo se ia decidir a 22 de Março de 1959, com o FC Porto a deslocar-se a casa do último classificado (o Torreense) e o Benfica a receber na Luz uma equipa do meio da tabela (a CUF).



Durante a semana que antecedeu o jogo, o Torreense transformou-se numa espécie de Benfica B, com os treinos a serem orientados por elementos dos encarnados, tendo-se chegado ao cúmulo de, durante o jogo, um treinador do Benfica – o argentino Valdivieso – se ter sentado no banco do Torreense. A muito custo o FC Porto venceu por 3-0, com os dois últimos golos a serem marcados nos minutos finais da partida.



No entanto, como nesse tempo não havia “sistema” mas valia tudo, os portistas tiveram de esperar quase quinze minutos após o fim do jogo para poderem festejar.
E porquê?
Em primeiro lugar, e apesar dos regulamentos dizerem que os jogos tinham de começar à mesma hora, o do Benfica começou com sete minutos de atraso; depois, porque na Luz se destacaram dois “artistas”: o guarda-redes da CUF – um tal de Gama (que nome tão apropriado!) – que, de tão “infeliz” nesse jogo, teve de ser substituído a pedido dos próprios colegas e, principalmente, o árbitro alentejano Inocêncio Calabote que, entre outras decisões incríveis, marcou três (!) penalties a favor do Benfica e prolongou o jogo por mais oito minutos. O Benfica ganhou por 7-1, mas não chegou (faltou mais um golo).”



Como as Leis da UEFA não permitem que se nomeie um árbitro do mesmo país dos clubes que se defrontam, não será possível ao SLB ver o seu jogo apitado pelo Bruno Paixão, pelo Lucílio Baptista ou até pelo João Ferreira (este muito apreciado por Luís Filipe Vieira, pelo menos nas escutas feitas pela PJ que acabaram por não servir para nada). O que o SLB precisa mesmo para este jogo é de um Inocêncio Calabote. Mesmo assim, o outrora glorioso pode optar por um qualquer Mr. King para dar uma ajudinha aos rapazes e dar-lhes, por exemplo, uns 100 minutos de jogo, nunca se sabe (recorde-se que o ex-árbitro internacional inglês Howard King deu uma entrevista ao News of the World onde revelou ter recebido favores sexuais em Lisboa, oferecidos por Sporting e Benfica nos dias que antecederam jogos destas equipas para as competições europeias, tendo o do SLB ocorrido em 1992 contra o Sparta de Praga).


Ou será que à semelhança do que aconteceu em 1959, em que esteve no banco do Torreense o adjunto benfiquista, o argentino Valdivieso, o SLB irá enviar dois dos seus actuais adjuntos para o jogo entre gregos e alemães em que precisa de um empate? Por exemplo, Francisco Escriba poderia sentar-se no banco do Olympiakos a dar instruções enquanto Francisco Ayestaran se sentaria no banco do Hertha de Berlim. Quique ficaria em Lisboa, claro. As instruções em castelhano desorientariam de tal forma gregos e alemães que estes acabariam por empatar a zero e assim estaria cumprido "o sonho".

domingo, 10 de agosto de 2008

Um outro Porto - Lázio

Em dia de Porto - Lázio para preparação da época que se segue, apetece recordar um outro Porto - Lázio que arrisco-me a dizer: foi o melhor jogo de futebol que vi no Estádio das Antas (no relvado e na bancada).


(Chovia a potes e aquele relvado impecável)

Ficha do jogo:

Taça UEFA - Meias-finais - 10 Abril 2003 21:00 - Estádio das Antas - Porto
FC Porto - SS Lazio 4-1
Ao intervalo: 2-1

Golos: Claudio López (6'), Maniche (10'), Derlei (28', 50'), Hélder Postiga (56')

FC Porto:

99 Vítor Baía
2 Jorge Costa
4 Ricardo Carvalho
6 Costinha
8 Nuno Valente
10 Deco
11 Derlei
15 Dmitri Alenichev
18 Maniche
22 Paulo Ferreira
41 Hélder Postiga

Substitutos:
13 Nuno
3 Pedro Emanuel
5 Ricardo Costa
9 Edgaras Jankauskas
21 Capucho
66 Tiago
78 Marco Ferreira

Treinador: José Mourinho

Lazio

70 Angelo Peruzzi
3 César
5 Dejan Stanković
7 Claudio López
9 Stefano Fiore
11 Siniša Mihajlović
14 Diego Simeone
15 Giuseppe Pancaro
19 Giuseppe Favalli
24 Fernando Couto
25 Enrico Chiesa

Substitutos:
1 Luca Marchegiani
16 Giuliano Giannichedda
20 Fabio Liverani
21 Simone Inzaghi
22 Massimo Oddo
23 Paolo Negro
26 Lucas Castroman

Treinado: Roberto Mancini

Equipa de arbitragem:
Kyros Vassaras (GRE)
Simeon Tsolakidis (GRE) Georgios Taprantzis (GRE)
Georgios Borovilos (GRE)

sábado, 28 de junho de 2008

O bom futebol


O que é o bom futebol?

É o futebol do Jesualdo Ferreira que dá 21 de avanço, é o futebol do CAS ou é a loucura ofensiva do Co? Com o Octávio e nos 2 últimos anos do Fernando Santos em que não obtivemos títulos jogámos mal?

Claro que ninguém gosta de ver bom jogos e perder, mas às vezes há vitórias que sabem a pouco - parece que lhes falta o sal. O ideal é sempre aliar a beleza do jogo (o espectáculo) às vitórias, pelo que nem sempre as grandes vitórias correspondem a grandes espectáculos. Olhando para a minha memória, as épocas que na relação espectáculos/vitórias me deram mais gozo foram:
  • 2002/2003 - Mourinho - Conquista da Taça UEFA

  • 1984/1985 - Artur Jorge - Conquista do Campeonato (Curiosamente, ou talvez não, esta foi a época do Wrexham)

  • 2003/2004 - Mourinho - Conquista da LC

  • 1996/1997 - António Oliveira - Conquista do Tri

  • 1998/99 - Fernando Santos - Conquista do Penta (nomeadamente o último terço referente à altura do trio de meio-campo Peixe, Deco e Zahovic)
Fiz este exercício há 3 anos, e passadas estas três épocas estava na hora da actualização (ou nem por isso, já que nenhuma das últimas épocas entrou no top)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

No meu panteão de heróis

Por Ernesto Ribeiro


Há muito que o Presidente do FCP reúne em si, quer enquanto personalidade, quer enquanto dirigente, todos os ingredientes para que o posso colocar no rol do meu panteão de heróis. Não é todos os dia, não é todas as eras, que um homem consegue o desiderato desportivo e de crescimento que ele conseguiu "imputar" ao meu amado clube. Se há coisa que eu não consigo ser, por natureza, é ingrato e volúvel na admiração com que presenteio as pessoas. Não seria por uma decisão com este conteúdo, arquitectada desta forma, e de resolução transitória, que eu me escudaria para julgar publicamente um homem como o Presidente. Mas cada um age de acordo com as suas convicções...

Quanto à entrevista do Presidente à SIC tenho a dizer o seguinte:

- Parece-me que globalmente esteve bem; confiante, assertivo, antecipativo, mordaz q.b...

- Mostrou confiança, quer na estratégia quer nos propósitos jurídicos nos quais assenta a razão da defesa do FCP neste processo.

- Atacou, veladamente, os propósitos do processo apito dourado, afirmando, claramente, que o mesmo visava marcadamente o Norte, o FCP e ele próprio.

- Desmascarou, uma vez mais, os meandros de actuação do slb no seio da liga e coligou-os, de algum modo, com a decisão em primeira instância do tal "mestre" aprendiz-de-feiticeiro que preside ao CD da liga de clubes.

- Acusou, o elemento assessor da FPF, de ter fornecido à UEFA, informação errónea, de forma enviesada.

- Prometeu exigir ressarcimento das entidades que determinaram este desenlace, pelos prejuízos causados à entidade FCP.

- Transmitiu confiança relativamente ao futuro do FCP, quer no plano financeiro quer no plano desportivo, independentemente, da resolução última deste processo.

- Assegurou a manutenção do elenco directivo e da estratégia delineada, reafirmando a confiança no vector estratégico.

Desta entrevista, e no que concerne aos aspectos jurídicos deste caso, fiquei bastante mais descansado com os argumentos apresentados:

- Esclareceu que da decisão do CD da Liga, não se esgotaram os recursos para a FCP SAD, porquanto, e porque assentes nos mesmos factos, o recurso do Presidente para o CJ da FPF, vale também para a entidade que ele gere. As entidades, de per si, não praticam crimes ou infracções, e porque os mesmos factos serviram para a condenação das pessoas singulares e colectivas neste processo, o recurso serve o propósito de ambos. A isso se reconduz a notificação do CD ou do CJ que o FCP/Presidente receberam e que foi mostrado ontem perante as cameras.

- A informação transmitida à UEFA pelo assessor da FPF está minada de informação errada, e transcrita de uma forma claramente culpabilizante de um associado que deveria ser protegido por uma Federação da qual faz parte. É bem certo que o FCP NÃO foi condenado por uma decisão, transitada em julgado, no qual é condenado, não por actos de corrupção, mas por mera tentativa.


- Ficou demonstrado que a estratégia jurídica do FCP passava, até porque conjunturalmente isso lhe interessou, que as sanções desportivas inócuas transitassem em julgado (perca dos seis pontos), salvaguardando sempre a hipótese do Clube recorrer das sanções aplicadas em torno da figura do Presidente. Sabendo nós que toda a estratégia do processo apito dourado (no que ao FCP diz respeito) passava pela figura do seu Presidente, pois só dele se extraíram as certidões das escutas para efeitos de acusação, passaria, portanto, pela estratégia do departamento jurídico a defesa conjunta do bom nome do FCP/Presidente, porquanto os mesmos factos se reconduzem às mesmas pessoas (simples e colectivas). Neste sentido se salvaguardaram todas as hipóteses ultimas de recurso (a não ser o caso dos seis pontos, que transitou em julgado), no que concerne às acusações de tentativa de corrupção que recaem sobre o Clube/SAD.

- É sobre este ponto, de natureza processual, que assentará a defesa do FCP nas instâncias internacionais, porque é só sobre esta questão: a informação ERRADA, transmitida pelo assessor da FPF à UEFA, que determinou a não admissibilidade do clube à CL, na medida em que à luz dos regulamentos, o FCP não poderia ser admitido à prova porque tinha sido condenado (por sentença transitada em julgado) por um crime de tentativa de corrupção. Não estando a decisão do recurso tomada em sede do CJ do recurso interposto pelo FCP, é só sobre os elementos clarificadores da comunicação enviesada da FPF que o recurso do FPC na UEFA assentará. E nesse caso, nada obstará que o FCP não possa ser admitido à prova, pois, o Clube NÃO foi condenado, ou antes, NÃO existiu uma admissão de culpa relativamente aos factos de que é condenado em primeira instância!

- Quanto ao recurso para o CJ, a pertinência da questão técnica. É nestas questões técnicas que assenta toda a estrutura jurídica do nosso ordenamento jurídico. Trata-se da violação de uma norma Constitucional, e não de um qualquer regulamento administrativo. Trata-se de quatro pareceres de verdadeiras sumidades de Direito Constitucional, não de um qualquer aprendiz-de-mestre-de-direito! Há sentenças anuladas por decisões contestadas nos mesmos termos: a ilegalidade / inconstitucionalidade da utilização das escutas telefónicas para efeitos de acusação e condenação em sede de Processos Disciplinares!

Vamos lá ver a coisa, o FCP vai por aí porque foi por aí que o CD da Liga foi! Eles mais nada têm que não sejam as escutas dúbias (cuja decisão em sede de processo penal ainda estará para lavar e durar...) e a palavra de uma dita testemunha, credibilizada em tempo recorde.

É que foi assente em certidões extraídas do processo apito dourado que o senhor costa decidiu o apito final, em sede da Liga. Se é inconstitucional é inconstitucional! Não pode, portanto! Não podendo, e sendo jurista, sendo a sua argumentação falaciosa, há que se lhe assacar responsabilidades!
Por outro lado, foi este senhor mais papista que a Morgado! A Morgado limitou-se a acusar, este senhor acusou e condenou na base daquilo que nenhum Juiz ainda (e tenho sérias duvidas que venha a condenar) teve a veleidade de condenar!

Ernesto Ribeiro

domingo, 27 de abril de 2008

A injustiça do ranking da UEFA

Saiu há uma semana a "notícia" de que o FCP vai começar a época de 08/09 atrás de slb e SCP no ranking de clubes da UEFA.

Em primeiro lugar, isso é falso: o ranking da UEFA é uma média móvel, feita com base nos resultados dos clubes nas últimas 5 épocas. CINCO. Não nos resultados das últimas 4, 3, 2 ou 1 épocas (e no artigo em questão só entravam em conta com as últimas 4 épocas).
Sendo assim, no início da época 08/09 o FCP vai aparecer na 17a posição, o slb na 18a e o SCP na 20a.

Depois deste preâmbulo, o facto é que nas últimas 4 épocas o FCP fez menos pontos para o ranking do que slb e SCP (o que significa que, se hipoteticamente o FCP conquistar tantos pontos na próxima época como os rivais, irá passar para trás no ranking no Verão de 2009).
À primeira vez isto pode parecer estranho, já que é consensual que o FCP tem tido mais sucesso na Europa do que os rivais (mesmo nos últimos anos). O que é que se passa?

O que se passa é que o sistema de pontuação para o ranking beneficia desproporcionalmente as equipas que participam na taça UEFA (vs aquelas que participam na LC).
Uma vitória na 1a eliminatória da Taça UEFA conta tanto como uma vitória nos 1/8 de final (ou mesmo na Final) da LC. Os pontos de bónus por atingir as fases mais adiantadas (1/4 final, 1/2 finais e Final) é exactamente o mesmo nas duas competições.
Sendo assim não admira que o FCP tenha feito tantos pontos para o ranking quando foi campeão europeu como o SCP quando foi à final da taça UEFA (que perdeu). Aliás, na época que agora termina o SCP conquistou tantos pontos como o FCP chegando aos 1/8 final da LC.

Olhando para outros clubes, verifico que o Sevilha está no 7o lugar do ranking à custa da taça UEFA, enquanto equipas que têm feito uma boa performance na LC (como um Lyon, um Real Madrid ou um Inter) estão abaixo dessa posição.
Ao mesmo tempo verifica-se que 80% das 30 melhores equipas europeias costumam marcar presença na LC, o que demonstra até que ponto esta competição é mais difícil do que a Taça UEFA.

Concluindo, penso que o sistema de atribuição de pontos precisa de ser reformulado. A minha proposta de alteração consiste em atribuir 2x mais pontos por uma vitória (ou empate) na LC do que por uma vitória (ou empate) na Taça UEFA.