Mostrar mensagens com a etiqueta Herrera. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Herrera. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Bater no peito não chega!


No momento em que este artigo se escreve ainda não sabemos se o terceiro milagre da década, qual segredo de Fátima, vai ter lugar ou não. Depois do momento Kelvin e da epopeia Herrera, o FC Porto precisaría de outro golpe de sorte – desta vez alheio – para poder conquistar o bicampeonato, um cenário cada vez mais improvável. O FC Porto partiu como favorito, confirmou o favoritismo durante uma volta, conseguiu uma vantagem histórica e deitou-a fora a ponto de poder perder o campeonato a um jogo do fim. Esses são os dados. De ser campeão nacional, cenário improvável, o FC Porto cumpre com o prognóstico inicial e com o que fez durante meia época. Não seria um golpe de sorte, um ajuste de contas divino apesar de ser necessário um milagre. Seria algo lógico e natural. De não acontecer será uma profunda decepção. O denominador comum neste debate sobre o FC Porto a dia de hoje, o de ontem e o que será amanhã tem rodado à volta de um homem: Sérgio Conceição.

Num clube desprovido de Presidente – uma figura que se aproxima cada vez mais aos velhos lideres de tribos indigenas, que fazem do silêncio e da reclusão a base da sua liderança entregando as acções aos mais novos – e com uma “Estrutura” que, pura e simplesmente, já não existe, a figura do treinador é cada vez mais relevante, algo que o meu amigo e companheiro de escrita José Correia tem defendido, com toda a razão. Acabou a era em que a dinámica dirigente do FC Porto era a sua mais valia. Essa estrutura erosionou-se com o tempo. Seria algo natural, tratado sem drama, porque o tempo passa para todos, não fosse a cultura estalinista do Líder Supremo e a mentalidade de portistas ruidosos que fazem de qualquer critica ou opinião contrária à sapiencia absoluta e intocável dessa figura um insulto ao escudo e bandeira. Se por um lado continua a parecer óbvio que quem Preside não dirige o clube - e o continuará a Presidir até nos abandonar definitivamente, face às suas sucessivas recandidaturas quando o tempo perfeito da retirada vai pasando e ele vai assobiando - o que não deixa de ser igualmente evidente é que não há um leme claro no clube abaixo da sua figura crepuscular que coloque ordem onde só existe o caos. Não há um director desportivo com poder real – e a figura de Luis Gonçalves tem sido cada vez mais próxima daquela que teve Reinaldo Teles, que também carecia totalmente de influência e poder e actuava mais como uma ponte com o balneario do que na tomada de decisões – nem uma direcção com caras e ideias novas. 
Estamos num clube onde um ex político como Fernando Gomes encontrou uma reforma de ouro sem poder acrescentar nada de valor ao projecto. Um clube onde um advogado, fundamental na actuação do proceso Apito Dourado, tem concentrado em si um poder que ultrapassa em muito a sua real valia. Um clube onde o filho do dirigente crepuscular, sem cargo eleito ou nomeado, se passeia como se fosse o dono da casa com as chaves a tilintar no bolso. Nesse cenário dantesco o optimismo não tem lugar e é um cenário já suficientemente antigo para acreditar que vai mudar. Não vai. Pelo menos, não para melhor. Algo que muitos já assumiram, algo que poucos estão dispostos realmente a mudar.

Nesse contexto a figura do treinador ganha uma relevância especial. 
Quando o actual Presidente o era, de facto, o treinador era uma extensão sua mas, em última análise, o clube era do Presidente, os êxitos eram do Presidente e o futuro estava nas suas mãos. E eram tempos maravilhosos porque o Presidente exercia como tal e tinha sagacidade mental, espirito e vontade de o fazer. Graças a isso vivemos uma etapa dourada. Não a voltaremos a viver, não debaixo da mesma premissa. E portanto esse treinador quase secundário, na narrativa de muitos êxitos, ganhou preponderância. Exigia-se para isso um perfil especial. Jesualdo Ferreira foi o navegador tranquilo durante a mais difícil tempestade mas não animava o povo. Vilas-Boas, que a memoria não engane, começou assobiado por “miudo” e acabou elevado a uma altura a que não lhe correspondia futebolisticamente, provou-o a história, precisamente porque soube como animar o povo. Vitor Pereira tinha o futebol mas não tinha já os meios humanos nem a voz. Paulo Fonseca aterrou cedo num momento de mudança profunda nas estruturas de poder e acobardou-se. Lopetegui insurgiu-se como nenhum dos anteriores contra aquilo que agora tanto nos indigna e foi cuspido na cara por isso, deixado só aos abutres, com um título roubado e um plantel dilapidado. Nuno esteve bem ao serviço do empregador, que não era o FC Porto, mas também viveu o fantasma do Polvo, quando já começava a haver Francisco J. e emails, depois de anos de silêncio onde só Bernardino Barros e poucos espaços, como este, clamavam por acção e resposta. Foi com ele que renasceu o Mar Azul, lembrem-se bem, ainda que não graças ao seu ingénio. E depois chegou Sérgio. O que mudou de Sérgio para os seus antecessores imediatos? O momento Kelvin 2018.

Conceição trouxe um discurso à Porto porque viveu, sente e conhece o clube. É um dos nossos, sem dúvida nenhuma.  
Uma versão hardcore do que um NES – sempre mais preocupado em agradar ao seu melhor amigo e a cair bem a toda a gente – podía ter oferecido. Tacticamente ambos não são técnicos de elite nem vão ser mas tinham uma ideia clara e fechada, pouca margem de abertura e operaram com recursos escassos. NES apanhou um Rui Vitória já em rota decadente e não o soube aproveitar mas foi o péssimo inicio da Champions 2017/18, o inicio avassalador das divulgaçoes dos emails pelo Porto Canal/Francisco J./Baluarte, e uma excelente pré-temporada que preparou físi e mentalmente a equipa com um modelo táctico imitado directamente do manual de Jorge Jesus, apontado ao jogo directo, vertical, com dois pontas de lança e ausêncio de miolo de jogo, quem rematou definitivamente com um treinador mediocre, com um plantel também ele cada vez pior a cada ano que passava e que colocou o FC Porto no Natal com uma liderança relativamente cómoda. 
Foram meses de euforia, justificada, com um plantel de remendos (os mesmos do ano anterior com a diferença de que já não havia pérolas da formação, vendidas meses antes a preço de saldo), e com um espirito de cruzada contra um Penta que era e só podía ser nosso. O Mar Azul, que já vinha embalado, foi reactivado e cumpriu. Os jogadores encontraram uma motivação extra (Brahimi na Feira dixit) e o modelo táctico inicial surpreendeu os rivais, habituados sempre a um Porto mais rendilhado do que o rival. Quando começou a segunda volta ficou claro que algo tinha de mudar. E não mudou. A equipa jogava igual mas havia menos pernas e pulmões porque as rotações eram nulas e os rivais iam aprendendo a recuar para não dar os mesmos espaços. A birra com Casillas colocou na baliza a um Sá que, esforçado, não fazia a diferença. Sem o peso da Europa nas costas e com o primeiro choque dos emails ultrapassado, o Polvo acordou e levou a Águia ao colo durante semanas e nesse cenário o que fez o treinador? Nada.
Manteve exactamente a mesma filosofía, dinâmica e gestão e como recompensa levou um set de derrotas nas Taças a que só ele parecia dar especial importância. Sofreu uma goleada histórica na Champions por acreditar que o Liverpool podia ser enfrentado como o Aves. E deitou borda fora cinco pontos de vantagem pontual chegando à Luz necessitado de uma vitória para que não se repetisse o drama dos anos anteriores. O milagre aconteceu, num jogo em que não houve superioridade (a do jogo da primeira volta, onde o Polvo mostrou estar bem vivo, e que sim foi evidente), e com ele houve titulo. Mas também sinais. Importantes. Evidentes. Ignorados.

O que define um grande líder é, sobretudo, a sua capacidade de aprender. O maior maestro da vida é o falhanço. É normal perder. É normal errar. O que nos define é a capacidade de superar esses erros. Esta época o que todos viram foi a absoluta incapacidade de Sérgio Conceição de seguir essa premissa. O guião foi similar. Equipa que entra forte - a pesar das dúvidas do mercado com o caso Marega na sombra e as primeiras lesões bem cedo - consegue uma sequência histórica de vitórias, classificação na Champions, liderança confortável face a uma nova debacle de Vitória, desta vez despachado, e sete pontos de avanço em Janeiro. Dois mais que no ano pasado. O que convidava a experiência? 
Diferente gestão, não repetir os erros, gerir emocionalmente a situação. Liderar. O que mostrou a realidade? Mesmos jogadores rebentados, outro flop na Taça da Liga que custou mais do que parecia, outra ausência de aposta na formação ou na segunda linha para muitos jogos que convidavam a dar oxigénio a figuras nucleares e um modelo táctico cada vez mais fácil de anular pelos rivais, sem capacidade de readaptação. De aí a nova derrota estrepitosa com o Liverpool era um passo. De aí a nova derrota com rivais directos (em dois anos, à falta de um jogo com o Sporting, os números nos duelos directos de SC não são nada positivos) e em vez de perder uma vantagem de cinco pontos, agora perdia-se uma de sete. Com a diferença de que não havia já matchball. E sem matchball o milagre tinha de vir de outro lado. Ainda não veio. Dificilmente virá. E com isso o título deixa de ser opção. E pelos mesmos motivos que podía ter deixado de ser um ano antes. Ausência de aprendizagem do erro. E isso é o importante ressaltar.

Não deveria ser importante para uma liderança estável ser ou não campeão este ano. 
Ninguém ganha sempre ou sequer devia (e fomos tão mal habituados durante décadas que isso nos fez perder perspectiva muitas vezes) e a derrota também nos faz crescer. O problema não está em perder o campeonato se isso significasse que os seguintes estariam ao nosso alcance. O problema é que depois de quase perder o primeiro, vai-se perder agora um campeonato pela mesma matriz de comportamento, pelos mesmos erros tácticos, pelos mesmos erros de gestão de grupo, pelos mesmos erros de gestão de pernas, pulmões e músculos num plantel de 25 que parece feito de 15 jogadores. Por tropeçar constantantemente nos mesmos erros. 
Eu sou e sempre serei defensor de periodos largos de treinadores ao leme do clube. Acho que o tempo é a melhor arma de quem tem um bom plano, de quem pode ver florescer a sua ideia. Em condições normais, um cenário como o actual seria propicio para dar continuidade a esse ciclo com Sérgio Conceição. Mas não com ESTE Sérgio Conceição. O Porto precisa de um Sérgio Conceição que em lugar de fazer exigências (o paleio de “fico se tiver condições para…” transpira portismo por todos os poros, sem dúvida) seja auto-critico e assuma que há erros que repete com frequência pasmosa e que têm consequências. Que há decisões incompreensiveis na gestão do grupo. Tanto faz se estamos a falar de Oliver, um activo destruido, ou de transformar o melhor central jovem da Europa num lateral direito mediano (menos mal que já vendido) pondo fim a uma dupla que estava a funcionar muito bem. Se ignorar a melhor formação sub19 da Europa e uma das nossas melhores em anos para dar o OK a chegadas como as de Waris, Paulinho, Loum ou Fernando, contratações SUAS e não da SAD, que muitas culpas tem no cartório mas não esas, concretamente. Que ter o futuro melhor guarda-redes joven do futebol portugués e jogar nas Taças com um não-futebolista como Fabiano. Que lançar Bruno Costa às feras quando tudo estar perdido mas nos jogos “controlados” – palavra difícil de dizer no seu mandato com qualquer jogo – o ignorar sucesivamente. O de insistir, 2 anos depois, no pontapé de saída para à frente e que corra o Marega tão rugbiesco que até assusta que ainda esteja válido. O de dispensar Sérgio Oliveira, chave na ausencia de Danilo no ano anterior, quando é evidente que o Comendador não é o mesmo jogador depois da lesão e necesita de um back up que o plantel não tem. E podemos repetir muitos mais conceitos e problemas que se depararam sempre com a mesma solução, a errada.

O Mar Azul é um conceito bonito e que serve para muita coisa. Todos cabemos ali. Mas não façam do Mar Azul, um mar de estúpidos. Não somos homens das cavernas, primitivos, para achar que o bater no peito, as caralhadas no banco, as expulsões, as conferências de imprensa repletas de “bocas” e as rodinhas são o todo quando devem apenas fazer parte de algo muito mais complexo. Algo que no entanto está profundamente oco quando se salta da superficie. Num futebol moderno onde cada detalhe é analisado à exaustão, onde a estatistica está por todos os lados, a preparação física é hiper-profissional e onde jogamos contra um rival que vale por dois, que alimenta outros clubes a seu belo prazer para sacar disso lucro, bater no peito não chega, nem de longe. Pode ser parte da solução mas nunca ser “A” solução e até agora, entre os prós e os contras, é isso que sobra. O Sérgio tem muito por crescer como treinador e se o quiser fazer poderá ser bem melhor do que é hoje. Há um ano ficamos todos com a sensação de que quería crescer e que o êxito lhe ia dar tranquilidade mental e segurança em si mesmo para o fazer. Não aconteceu nada disso. Foi mais inseguro e errou mais do que nunca. Se quiser crescer esta é a sua casa e se souber limar os erros e potenciar as áreas onde podemos crescer e melhorar, todos estamos no mesmo barco. Se for uma réplica de si próprio, um downgrade do projecto original, então é melhor pensar duas vezes se este é o melhor lugar para o fazer. A decisão é exclusivamente dele. Oxalá tome a correcta e que o FC Porto possa crescer à custa disso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

SMS do Dia

Gostava de vencer o campeonato não por 5, 10 ou 20 pontos; gostava de vencer por um ponto e apenas um ponto - só para poder dizer que um golo do Herrera vale por dez.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

No pasa nada

De um Relatório e Contas que descreve um inescapável cambalear a caminho do abismo, a única conclusão digna de registo por parte dos responsáveis, é que a culpa é do Herrera.

Alienam-se passes de jogadores no valor de 50 milhões de euros, e consegue-se,mesmo assim, apresentar um prejuízo superior a 25 milhões de euros - devem andar a adubar o relvado com notas de €500. Mas o grande drama é que há um jogador que quer um aumento - sacana!


Intransigente na defesa dos interesses do FCP, o presidente deixou claro que o mexicano não verá o seu contrato renovado. Não tenho dúvidas de que o FCP sobreviverá à saída do Herrera (e do Brahimi, e de todos esses "mercenários"); já a sobreviver a esta gestão...


domingo, 7 de outubro de 2018

Um capitão "sem cabeça"


Um dos grandes protagonistas da época passada está a poucos meses de terminar o contrato que o liga ao FC Porto. Hector Herrera. Aparentemente não terá chegado a acordo para a renovação.

Até aqui tudo bem. Está no seu direito. O problema é que Sérgio Conceição continua a a confiar-lhe a braçadeira de capitão e a titularidade. Um jogador de qualidade que não sabe qual o clube em que jogará na época seguinte fica tendencialmente inseguro, não se quer lesionar até porque isso poderá condicionar a assinatura de um contrato milionário. É uma situação que não convém a ninguém, mas na qual o clube é invariavelmente o mais prejudicado.

Herrera tem sido um jogador bipolar ao serviço do FC Porto. Ora faz grandes jogos ora se perde em campo faltando presença e protagonismo. A última época foi a grande exceção aos últimos anos. E talvez por isso se esperasse mais de Herrera esta época.

Nas primeiras jornadas da presente temporada Herrera esteve irreconhecível, uma sombra do que foi no passado recente. E não faz sentido mantê-lo na equipa principal enquanto ele não se encontrar e decidir o que quer para o seu futuro. É preferível ter no seu lugar um jogador que esteja 100% focado no clube e que meta o pé em todas as jogadas. É uma situação que urge resolver. Que o espaço seja dado a quem o quiser agarrar, mas o FC Porto precisa de um meio campo mais dinâmico, mais corajoso e mais disponível. O Porto precisa de jogadores à Porto.
 

domingo, 5 de agosto de 2018

A tinta vermelha do polvo

Sérgio Conceição protestou e foi expulso (foto: O JOGO)

«Sérgio Conceição foi expulso e, por isso, não falou no final da partida. O treinador do FC Porto foi a segunda vítima de um critério estranho de Luís Godinho no que toca a expulsões: em janeiro de 2017, o árbitro foi contra Danilo e mostrou o cartão vermelho ao médio português; ontem, Herrera sofreu uma falta, ficou com a cara neste estado (…) e na sequência do lance Sérgio Conceição recebeu ordem de saída. Vá-se lá perceber…»
in ‘Dragões Diário, 05-08-2018


Estranho?
O critério disciplinar do senhor Luís Godinho não teve nada de estranho.
Pelo contrário, foi aquilo que se esperava de um “padre”… perdão, de um árbitro desta estirpe.
E a agressão (impune) a Herrera foi, apenas, mais um lance, no meio de um festival de cacetada, a lembrar os tempos da “canela até ao pescoço”.

Herrera atingido no rosto (fonte: Tribunal de O JOGO)

Aliás, logo aos 28 minutos, um dos melhores jogadores do campeonato português foi cirurgicamente “arrumado”, mais uma vez com a complacência do senhor Godinho.

Amilton "arruma" Brahimi de forma impune (fonte: Tribunal de O JOGO)

Brahimi não perdoa lesão provocada por Amilton (fonte: O JOGO)

Perante a autêntica escandaleira que se viu ontem em Aveiro, aquilo que me surpreendeu foi a contenção do Sérgio Conceição, que aguentou, estoicamente, 57 minutos até explodir.
Mas, perante uma agressão de um defesa do Aves, em que o árbitro nem sequer falta marca, só um manhoso, sem intestino delgado é que não reagiria.

Sangue no rosto de Herrera

O “polvo” continua vivo, dentro e fora das quatro linhas.
Luis Godinho e os seus assistentes demonstraram-no dentro do campo.
O ‘Correio da Manhã’ demonstrou-o, mais uma vez, na sua capa de hoje.

A "tinta vermelha" do Correio da Manhã

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Golpes de autoridade

Rival directo por um dos títulos mais importantes do ano superado? Check.
Triunfo fora sobre uma das equipas que melhor joga em Portugal e que ainda não tinha caído em casa desde Agosto? Check.
Utilização de vários jogadores habitualmente suplentes descansando titulares? Check.
Demonstração constante de superioridade colectiva e individual? Check.

Em pouco mais de uma semana, depois de um ciclo normal de maior desgaste, dúvidas e alguns tropeções absolutamente naturais, o FC Porto de Sérgio Conceição decidiu dar um par de golpes na mesa nas duas competições que realmente interessam este ano e contra rivais e contextos que exigiram sempre a melhor versão deste projecto. 
É certo que Janeiro tinha sido um mês problemático - especialmente tendo em conta o feito nos meses anteriores - tanto no desgaste colectivo da ideia de jogo, no cansaço individual que inevitavelmente produziu uma quebra de produção de jogo e de golos, o que gerou alguns sustos e tropeções. Chegar ao intervalo a perder em Estoril (uma equipa que vai de menos a mais), empatar em Moreira de Cónegos, cair nas meias-finais da Taça da Liga e sofrer na primeira parte contra o Vitória de Guimarães foram sintomas claros de uma realidade absoluta. Ninguém joga bem ou ao mesmo nível dez meses de temporada e tarde ou cedo qualquer equipa sofre uma sequência de maus resultados. Que essa sequência não tenha resultado sequer em nenhuma derrota - o FC Porto continua, 30 jogos depois, invicto em competições nacionais, algo que não se via desde 2003/04 - e que no final da mesma a equipa continue na liderança isolada do campeonato (com menos 45 minutos por disputar, ou 3 pontos a menos do devido, segundo se olhe) e esteja na frente na luta por um lugar da final da Taça de Portugal é elucidativo. Todas as crises fossem assim.

 O certo é que as sensações estavam a dar asas aos rivais a anunciar uma crise que, lamentavelmente para eles, não chega. Entre um título caído do céu para um e uma recuperação nada milagrosa tendo em conta as ajudas habituais recebidas de outro, parecia que 2018 estava a ser um inicio de ano para esquecer para o Dragão e era necessário mudar percepções, sobretudo entre os adeptos mais duvidosos porque o grupo de trabalho e o treinador parecem estar bastante convencidos do seu potencial, prova da solidez de discurso e mentalidade oferecida. Tentaram fazer da discussão de Soares com Conceição uma crise, inventando noticias sobre uma venda apressada para a China e um problema de balneário e como respondeu o grupo e os protagonistas? Três golos em dois jogos. 
Festejaram a lesão de Danilo Pereira, timoneiro fundamental desta equipa e deste modelo de jogo, anunciando uma hecatombe competitiva e o que respondeu o grupo, o treinador e o seu sucessor em campo, Sérgio Oliveira? Com uma versão igual de omnipresencia e garra que ajudou a solucionar dois jogos problemáticos com solvência.
Brahimi estava cansado, Aboubakar estava a meias com uma lesão, Marcano estava lesionado (e uma vez mais, de fora, tentaram transformar um problema físico numa vendetta pela mais do que provável não renovação do espanhol) e, ainda assim, cada qual que ocupou o seu lugar mostrou estar à altura e a equipa nunca deu sinais de ressentir-se. Num grupo manifestamente pequeno - ainda que ampliado com mais três opções que, como era previsivel, vão ter muito trabalho para entrar na dinâmica que já existe - todos deram um passo em frente sem excepção. Maxi Pereira rendeu bem o melhor lateral direito português num campo dificil como o de Chaves. Soares voltou a mostrar porque a sua contratação há um ano manteve durante tanto tempo o incompetente NES na corrida pelo título. Sérgio Oliveira mostrou pela primeira vez na sua carreira uma solvência física, liderança e qualidade que muitos suspeitavam que nunca tinha existido. E ainda que em menor nível, Corona e Otavinho deram oxigénio a um ataque necessitado de outras opções mais além do génio de Brahimi.



Conceição soube fazer uma gestão humana exemplar num periodo complicado - de entradas, saídas e dúvidas - e essa gestão em minutos de jogo ofereceu também variações a um modelo que os rivais já conhecem de memória mas que, em muitos casos, continuam sem saber contrariar. Soares é um jogador diferente de Aboubakar, ataca as jogadas de um modo distinto e isso engana defesas habituadas a procurar o contacto físico com o camaronês e a negar-lhe o espaço para impor o seu jogo. Oliveira é menos físico do que Danilo mas a forma como conectou com Herrera, que está a fazer, depois de tantas dúvidas geradas, um ano excepcional, permitiu ao meio campo recuperar frescura, ideias e alternativas no momento de posse. Mesmo no eixo da defesa, que por falta de opções e lesões tem sofrido mais alterações do que seria de esperar, a coesão mantém-se e o Porto está sem sofrer golos há vários jogos a que ajuda também ao facto de que José Sá estar a ganhar confiança a cada jogo que faz e sai da sombra de Iker Casillas. Tudo apostas arriscadas em cada momento, tudo apostas ganhas por Conceição que até tem visto recompensada a sua insistência em fazer jogar sempre Marega que, por todos os seus mil e um defeitos, sempre acaba por gerar perigo e ocasiões de golo. 

O certo é que bater - e superar, outra vez - o Sporting na primeira mão da meia-final da Taça (depois de dois jogos de manifesta superioridade em jogo mas sem golo) foi uma mensagem importante a todos os niveis. Demonstrou que, por muito investimento e discurso, o Sporting de Jesus continua a jogar com medo do Porto de Conceição, e que os azuis-e-brancos são superiores, jogadores por jogadores, linha por linha, aos leões. Depois de cair com manifesto azar na Taça da Liga era importante dar um golpe emocional antes do duplo confronto que ainda falta e, sobretudo, face ao presente barulhento do clube lisboeta destabilizar com mais uma prova de superioridade real. Em Chaves, onde um grande treinador como Luis Castro montou uma excelente equipa que ainda não tinha perdido em casa e aspirava (e aspira) a lugares europeus, com várias mudanças mas uma fome de bola há muito não vista, a equipa soube ser sólida, concisa e fazer aquilo que tinha sido incapaz em Janeiro, atacar e decidir cedo o jogo com golos e superioridade. Duas formas diferentes de mostrar que este Porto não se deixa amedrontar ou assustar por nada e que continua inequivocamente a ser a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. Antes de um duelo que apetece, muito, mas que não deve distrair dos objectivos reais e factíveis que são os dois títulos nacionais em disputa, é bom saber que o Porto que muitos davam por cansado e em crise está bem vivo e com a mesma fome e autoridade de sempre.

sábado, 4 de novembro de 2017

E agora venha o merecido descanso


Este era o típico jogo para, em épocas anteriores, irmos até ao minuto 90+ para tentar vencer a partida.
Sinal positivo dos novos tempos, agora esperamos até ao último minuto...mas para marcarmos o segundo golo.
Foi, portanto, um daqueles jogos em que a bola parece não querer entrar por mais domínio que se tenha ou oportunidades que se criem.
Mas em 2017/18 a música é outra e Herrera marcou na melhor altura para evitar um crescendo de nervosismo: já bem perto do final da primeira parte.
Segundo golo do mexicano em outras tantas partidas e com semelhanças entre ambos. Podia até ser o terceiro em outros tantos jogos, não tivesse Herrera desperdiçado uma oportunidade clara no Bessa.

Inovou Sérgio Conceição para esta partida: Reyes por Danilo (castigado) era por alguns esperada, já Hernâni por Corona foi uma surpresa para quase todos.  O português começou bem e criou até, por alguns instantes, a ilusão de ser opção para o futuro, dada a inconstância exibicional do mexicano. Porém, Hernâni foi-se apagando ao longo da partida e verdadeiramente não criou perigo por aí além. Acabou até por ser substituído pelo seu adversário directo pelo lugar. E Corona acabou até por estar melhor, apesar de ter menos minutos para o demonstrar.
Já Reyes pouco acrescentou. Bem sabemos que aquele não é o seu lugar natural mas talvez se esperasse uma outra disponibilidade para quem poucas mais partidas terá para o fazer.
A.André voltou a fazer de Marega e muito provavelmente continuará a fazê-lo nos próximos tempos mas, obviamente, é algo de completamente diferente. Teve várias oportunidades para matar a partida e optou quase sempre mal.

Os segundos 45 minutos foram penosos para a nossa equipa em termos físicos. Conceição bem que avisou que precisávamos de mais 24 horas de descanso.

Sérgio Oliveira teve, também ele, uma nova oportunidade e, mal entrou, falhou um golo cantado por duas vezes. Em boa verdade, porém, este guarda-redes do Belenenses defendeu quase tudo. Só não pode fazer mais no golo de abertura e, depois, no golão de Aboubakar em cima do minuto final: correria desenfreada de Herrera e finalização sublime do camaronês. Ele que foi até acusado de ser meio-tosco aquando da sua primeira passagem pelo FCP.

A paragem para as selecções chega, pois, na melhor altura. Estávamos a ficar nas lonas, em termos físicos, depois de tanta partida de elevada exigência.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Nuno a brincar com o fogo


O filme da presente época 2016/17 tem sido um em que NES tem, permanentemente, puxado a fita para trás.
Já ficou provado cinco, seis, sete vezes que o FCP tem que jogar com extremos para abrir estas defesas da liga portuguesa. Mesmo assim, o nosso treinador voltou ontem a insistir em iniciar a partida com Brahimi e Corona no banco, oferecendo pelo menos 37 minutos de borla ao adversário. O nosso filme volta, deste modo, sempre ao seu início. Assim, não chegaremos a um final feliz.

Trinta e sete minutos em que praticamente nada se passou. Apenas dois foras-de-jogo duvidosos que não tiveram direito a repetição, sabe-se lá bem por que razão. No mais, apenas um ou dois remates, sem grande perigo, e aquela nossa desesperante calma habitual, de quem nunca tem muita pressa em se colocar na frente do marcador.
O Estoril agradeceu.

Um "11" inicial totalmente falhado, pois. Tão falhado que NES foi obrigado a algo completamente inédito: uma substituição nos primeiros 45 minutos. De tão rara, deverá haver gente mais nova que julgará tratar-se de algo não permitido pelas regras da FIFA.
Infelizmente, saiu Diogo Jota que estava a ser o actor menos mau daquele nosso triste filme.

Mas tivemos ainda que esperar até ao minuto 66 (!) com as entradas de R.Pedro e, finalmente, Corona (e que eternidade levou esta dupla substituição...) para que a partida, efectivamente, se iniciasse a sério. E porque? Porque finalmente Brahimi teve autorização para se colocar numa das alas (até aí, o nosso treinador não o permitiu) e, tão ou mais importante, Herrera saiu de cena. O nosso capitão falhou, praticamente, todo e qualquer lance em que interveio. Espera-se agora, e para que haja coerência, um "castigo" semelhante aquele a que Layún teve direito, após a sua falhada exibição na jornada anterior.
Nota negativa também para André André. Devemos continuar a apostar nele mas o jogador tem que tomar consciência que tem que dar muito mais. Fazer apenas faltas, é muito curto para quem quer ser titular de um clube tão grande como o nosso.

Tivemos assim direito a apenas 24 minutos de um FCP na sua máxima força.
Por mero acaso, e desta vez, ainda fomos a tempo.

Abençoada eliminação da Argélia na CAN...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O canto do cisne feio

No último FCP x SLB, nos poucos minutos que esteve em campo, o mexicano Héctor Herrera provocou um canto ao tentar, sem conseguir, chutar a bola contra um adversário.
Um canto.
Ao longo do jogo, a equipa encarnada beneficiou de nove cantos, mas quis o destino, com a ajuda da má marcação feita por alguns jogadores do FC Porto, que fosse precisamente nesse canto que o SLB marcaria um golo.

Danilo Pereira e Lisandro no lance do golo do SLB

Sim, o Herrera provocou um canto de forma disparatada, mas não tem culpa que, na sequência desse canto, o Danilo Pereira tenha deixado o Lisandro cabecear a bola nas suas costas. Nem tem culpa que, ao contrário do que aconteceu no FC Porto x Brugge (disputado 4 dias antes), desta vez o Casillas tenha sido menos ágil e não tenha conseguido impedir a bola cabeceada por Lisandro de entrar na sua baliza.

Por outro lado, também não é culpa do Herrera que o FC Porto tenha chegado ao minuto 90+2’ com apenas um golo marcado. De facto, quer nas situações em que o seu compatriota Corona foi incapaz de marcar dois golos quase feitos, tendo apenas o guarda-redes adversário pela frente, quer quando o árbitro anulou um golo ao FC Porto, o Herrera estava… sentado no banco de suplentes.

FC Porto x SLB, golo mal anulado, análise do Tribunal O JOGO

FC Porto x SLB, Felipe cruza para André Silva marcar (golo mal anulado)

Um jogo de futebol é feito de erros, cometidos por jogadores (das duas equipas), treinadores e árbitros.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de quatro expulsões de jogadores adversários em três jogos importantíssimos da Liga dos Campeões – FC Porto x AS Roma, AS Roma x FC Porto, FC Porto x FC Copenhaga.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de dois penalties em jogos da Liga dos Campeões, cometidos por jogadores do AS Roma e do Brugge, os quais foram determinantes no resultado final dos jogos FC Porto x AS Roma e Brugge x FC Porto.

Esta época, o Felipe já marcou dois golos na própria baliza (ia marcando outro no jogo contra o SLB, ao desviar uma bola para o poste).

Ora, que eu saiba, nenhum destes jogadores foi insultado e enxovalhado na praça pública pelos adeptos dos clubes respetivos.

E tenho a certeza que, se em vez do Herrera, este canto fatídico tivesse sido provocado pelo André Silva, Ruben Neves ou Oliver, os insultos seriam substituídos por palavras de incentivo.

Sim, eu sei que mais vale cair em graça do que ser engraçado mas, antes de nós, portistas, lincharmos o Herrera na praça pública e culpá-lo de ser o grande e único responsável pelo empate, convém analisarmos os factos com um mínimo de frieza e racionalidade.
E os factos são os seguintes: o Herrera, de forma desastrada, provocou um canto contra a sua equipa. Não foi um golo na própria baliza, nem um penalty cometido, nem um livre direto em posição frontal, nem um passe errado a isolar um adversário (tipo Secretário - Beto Acosta, Fucile - Nedved ou Bruno Alves - Rooney), nem uma expulsão que tenha deixado a sua equipa a jogar com menos um. Foi um canto. UM CANTO!

Dir-me-ão que o problema não é o canto em si, mas sim o facto do Herrera parecer displicente. E que, além disso, o Herrera comete erros regularmente (passes falhados, perdas de bola, más decisões, …), que levam os adeptos ao desespero.

Eu aceito este tipo de crítica e percebo as reações emotivas no momento (incluindo os assobios dirigidos ao Herrera em pleno jogo), mas parte do que li após o final do jogo, escrito por portistas, além de ser insultuoso para o atual capitão do FC Porto, roça a irracionalidade.

E, lamentavelmente, até o jornal O JOGO ajudou à festa, fazendo do Herrera o único réu pelo empate e usando o seu nome para um trocadilho na capa do jornal.

Capa de O JOGO de 07-11-2016

O FC Porto tem uma longa tradição de jogadores mal-amados por parte dos adeptos portistas (lembram-se do Semedo?). O Herrera é mais um dessa lista negra. E faça o que fizer, só as coisas más serão destacadas (empoladas!) e lembradas.

Por exemplo, alguém se lembra que, na época 2014/2015, o Herrera marcou 4 golos na Liga dos Campeões e 3 golos no campeonato?
E que na época passada – 2015/2016 –, o Herrera marcou 9 golos no campeonato (incluindo um dos golos da vitória na Luz), isto sem ser marcador de livres ou de penalties?
Claro que ninguém se lembra disto, mas há quem se lembre de um jogo (FC Porto x Zenit) disputado há mais de três anos (no dia 22 de Outubro de 2013), em que o Herrera viu dois cartões amarelos em cinco minutos…

Perante este clima, penso que o Herrera tem cada vez menos condições para continuar no FC Porto (qualquer dia basta levantar-se do banco de suplentes para ser logo assobiado…).

O que nos vale é que o Herrera é um jogador com mercado e que mercado!
Na última AG do Clube, quer o administrador financeiro, quer o senhor presidente, garantiram aos sócios que a FC Porto SAD recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo passe do Herrera.
Portanto, o “problema Herrera” será muito fácil de resolver…

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jogar à Porto sem jogadores à Porto


Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.

O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".

Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa  principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.

Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.

Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
   

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

"Santo" Casillas

Enorme Iker Casillas!

E (quase) tudo Casillas defendeu.
Até uma tentativa (involuntária) de Indi que, não fosse Casillas, teria marcado um golo espectacular... na baliza errada.
Ainda não revi o jogo, nem sequer um resumo mas, se bem me lembro, foram uns 4 ou 5 "golos certos" que Iker Casillas evitou.
Fantástica exibição do guarda-redes internacional espanhol que, hoje, foi absolutamente decisivo para o FC Porto conquistar 3 pontos no estádio da Luz e regressar ao Porto com mais uma vitória em... Lisboa.

Muito bem, também, estiveram os dois "toscos" do meio-campo portista: Danilo e, principalmente, Herrera. Grande golo e grande jogo do internacional mexicano!

O SLB "goleou"... em oportunidades.
O FCP marcou 2 golos e... ganhou o jogo.


P.S. Após 45 minutos de integração e adaptação à equipa principal, na 2ª parte Chidozie mostrou que talvez (talvez!) já seja o melhor defesa-central do plantel do FC Porto. O que quer dizer alguma coisa acerca deste jovem nigeriano de 19 anos... e dos restantes defesas-centrais do plantel.

P.S.2 O SLB de Rui Vitória não é grande coisa. Esta época já disputou 5 clássicos, três contra os vizinhos da 2ª circular e dois contra o FC Porto e perdeu-os todos (não pode ser só "azar" ou culpa dos árbitros). Mas, atenção, no campeonato continua à frente do FC Porto (com mais 3 pontos).

domingo, 10 de janeiro de 2016

Rui Barros dá sorte


Boavista 0, FC Porto 5!

Grande vitória no derby da cidade Invicta, mas nada de euforias.

O Boavista 2015/16 é uma equipa fraquinha.
Para o campeonato venceu apenas duas vezes, a última das quais no dia 20 de Setembro.
Os últimos quatro jogos (para o campeonato) foram quatro derrotas e, de Outubro até agora, o Boavista contabiliza 2 empates e 9 derrotas!

E se o passado dos axadrezados no campeonato 2015/16 não era brilhante, no jogo de hoje a coisa começou cedo a complicar-se.
Aos 11 minutos já estava a perder;
aos 16’, Erwin Sánchez foi obrigado a fazer a primeira substituição por lesão;
e aos 40’, o treinador do Boavista foi obrigado a queimar a segunda.

Quando, aos 62’, o Jesús Corona marcou o 2º golo dos dragões, após uma brilhante jogada individual, a pantera “morreu”.

A partir daí foi “bater em mortos” (com todo o respeito pelos jogadores do Boavista). Foram cinco, mas podiam ter sido ainda mais.
E até deu para Aboubakar voltar aos golos. Espero que sirvam para o ponta-de-lança camaronês recuperar a confiança perdida e, daqui para a frente, passe a “namorar” mais vezes com as balizas adversárias.

No meio de uma intempérie e com um relvado difícil, bom jogo do Danilo e, principalmente, do capitão Herrera.


E o pequeno GRANDE Rui Barros, como treinador principal, continua 100% vitorioso.
O homem dá sorte, carago!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Curtas impressões natalícias

Trabalho de casa… de Lopetegui, nas bolas paradas ofensivas (1º golo na sequência de um canto; 2º golo na sequência de um livre). Um dos aspectos em que, esta época, a equipa está claramente melhor do que na época passada (claro que ajuda ter o Miguel Layún para marcar cantos e livres laterais).

Melhor… exibição dos dragões nos últimos 10 jogos, mas nada de euforias, ainda longe de deslumbrar.

Extraordinário… golo de Madjer… perdão, do “manco” do Herrera!

Errar… é humano, se for contra o FC Porto.

FC Porto x Académica (Tribunal de O JOGO)

Recado… do presidente do FC Porto para os adeptos do FC Porto. Querem ver o André Silva em ação? Vão ver os jogos ao Estádio de Pedroso…

Excelente… o contributo que o União da Madeira (viva os jogos na Madeira!) deu a este campeonato. Primeiro ao empatar com os encarnados e, cinco dias depois, ao derrotar uns leões “atrofiados”.

O Pai Natal do Sporting

Hilariante… ouvir o treinador e o presidente do clube dos vouchers a queixarem-se das arbitragens. Será que já estarão arrependidos de terem segurado o senhor Nomeações e de, no início desta época, terem mexido os cordelinhos para evitar o sorteio dos árbitros?

Bom… Natal para os portistas (a mim sabe-me sempre melhor comer o bacalhau na liderança do campeonato).

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

No fim, as coisas nunca funcionam

Quer o FCP seja ou não campeão, e salvo uma grande reviravolta (daquelas que a nossa equipa nunca obtém), dificilmente Lopetegui estará por cá daqui a um ano.

Quando, no "11" hoje apresentado, sobram apenas 4 jogadores da época transacta e, ainda assim, parece que estamos a assistir ao Nacional X FCP ou ao Belenenses X FCP de 2014/15, fácil é descobrir o factor comum a mais um jogo sem qualquer atitude ou garra. Principalmente, e uma vez mais, nos primeiros 45 minutos, onde por qualquer razão obscura, o FCP teima em ter bola e mais bola e com ela fazer o mínimo dos mínimos ou mesmo abaixo disso.


Estes 75% de "posse" deveriam ser motivo de vergonha e não vangloriados.

E quando, por obrigação, finalmente acordamos para o jogo, o que é que invariavelmente sucede? Exactamente: os habituais erros defensivos.
Qualquer equipa lança o pânico na nossa retaguarda. Seja ela uma equipa com 2 golos e um empate em 5 jogos, como este fraco Moreirense, seja ela o Bayern Munique.
Tem pouco a ver com eles. O problema é mesmo nosso.

E quem realmente jogou alguma coisa esta noite?
Casillas parece querer dar razão à sentença de Mourinho: excelente debaixo dos postes, menos bom fora deles.
Danilo, Herrera e Tello são todos jogadores que se deveria ter grande reserva em utilizar.
O mexicano, então, é mesmo caso para chorarmos. Lopetegui, escudado na desculpa da "rotatividade", lá voltou a dar-lhe a enésima oportunidade. Descobrirá, demasiado tarde, que, tal como com Fabiano, andou enganado estes meses todos.

E, por falar nisso, que todos se conformem com a triste realidade: Quaresma era mesmo (ainda) o melhor de entre todos estes extremos. Novos e velhos.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Herrera e novamente Jackson

Dragões de Ouro (O JOGO, 19-06-2015)

Numa altura em que Pinto da Costa já anunciou a sua saída, Jackson Martínez volta a surgir (pelo terceiro ano consecutivo!) na lista dos galardoados com um Dragão de Ouro. É mais um recorde para Jackson, o qual, como jogador, atleta e pessoa vai deixar saudades.

Polémica é a atribuição a Herrera do dragão de ouro para futebolista do ano. Eu concordo, mas haverá muitos portistas (a maioria?) que estarão em desacordo.
Talvez Danilo, Casemiro ou Óliver merecessem mais do que Herrera mas, levando em conta que estão os três de saída do FC Porto e que, no caso de Danilo, já ganhou na época passada, penso que é compreensível e aceitável a escolha de Herrera.

A escolha dos dragões de ouro implica ponderar este tipo de aspectos e, também, gerir algumas sensibilidades. Por exemplo, não deve ter sido por acaso, que foram escolhidos dois atletas do Andebol – Gilberto Duarte e Miguel Martins –, os quais renovaram e vão continuar de azul-e-branco e um treinador do Basquetebol – Moncho López – que renovou contrato com o FC Porto até 2020!

Indiscutível e inteiramente justa é a atribuição do ‘Dragão de Ouro – Recordação’ a Domingos Pereira.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Mudanças no balneário

                Enquanto o treinador descarrega a fúria no banco, o CEO finge de nada se aperceber consultando o telemóvel...

O FC Porto tinha de ganhar este jogo no Restelo para salvar a honra. Tinha de o ganhar. Por muitos motivos, incluindo evitar a festa vermelha e derrotar um dos grandes aliados do inimigo, o Belenenses.

E convém não esquecer que o presidente da SAD do Belém, Rui Pedro Soares, que tem sido muito criticado pelos próprios adeptos, já foi agraciado com um Dragão de Ouro como "Sócio do Ano". Ele que esta época andou em negociatas de jogadores com o Benfica e permitiu a farsa que foram os dois jogos entre esses dois clubes lisboetas, desde a exclusão de atletas titulares nos azuis a atrasos mal feitos para o guarda-redes que permitiram um golo ao SLB. Enfim, uma javardice que recomendaria muito mais cuidado na atribuição do galardão, i.e., este deveria ser atribuído apenas a sócios e figuras do FC Porto que tenham uma vida dedicada ao clube, evitando o aparecimento de para-quedistas que hoje estão cá e amanhã estão do outro lado da barricada.

Conforme disse no início, o jogo em Belém era para vencer. Acabou por repetir-se algo que já tínhamos visto esta época, em especial na Madeira, no jogo contra o Nacional. O FC Porto entrou em campo sabendo que o SLB tinha perdido em Vila do Conde, e até esteve a vencer por 1-0 ao intervalo, fruto de um golo de Tello, mas fez uma segunda parte horrível, cheia de erros individuais que acabaram por custar 2 pontos. Também esta segunda parte em Belém foi uma vergonha. A equipa deixou de jogar futebol. Parece que os jogadores desligaram, passando 45 minutos a fazer disparates.

Por isso defendo uma limpeza de balneário com efeitos imediatos. Oliver, Herrera, Brahimi e Alex Sandro, fizeram péssimas exibições, com especial destaque para este último. Eles foram a face de uma segunda parte absolutamente vergonhosa. Como compreendo a reacção de desespero do treinador a dar murros no tecto de plástico do banco de suplentes – não havia fibra nem carácter em campo. São precisos jogadores que mordam a camisola nestes momentos, que liderem a equipa para que ela não fique perdida dentro do campo. Actualmente não há. Ou há mas estão em final de carreira, como Hélton e Quaresma.

O trabalho a fazer é imenso. “A messe é grande e os trabalhadores são poucos”.

Acredito que Lopetegui deve continuar. Mas também acho que não lhe devem ser dados mais jogadores espanhóis ou outros que não estejam 100% identificados com um projecto de longo prazo. Chega. Hoje temos um balneário descaracterizado pelas ambições de jogadores que estão cá de passagem. Hoje estão cá mas com um olho “noutras ligas mais importantes”. Isso não nos interessa porque esses são os primeiros a pouparem-se, a não “meter o pé”, a não honrar a camisola que vestem. Esses devem ser vendidos.

Há muito trabalho a fazer. Cabe a Pinto da Costa, como líder máximo, ajustar a estratégia.
   

domingo, 3 de maio de 2015

Os mais utilizados

O JOGO, 02-05-2015
O jornal O JOGO publica, semanalmente, o top 5 dos jogadores mais utilizados ao longo da época e, também, o top 10 dos jogadores com mais golos marcados.

A análise destes dois rankings possibilita que se tirem algumas ilações, mas há diversos aspectos que não são considerados.

Por exemplo, em relação ao ranking dos jogadores mais utilizados, são contabilizados todos os jogos oficiais disputados pelo clube, mas ficam de fora os jogos que esses mesmos jogadores disputaram ao serviço das respectivas selecções.
Ora, há bastantes jogadores, cujo número de jogos e de minutos ao serviço das suas selecções não é desprezável, bem pelo contrário.

Um outro aspecto que não é considerado, é a diferença, em termos de jogos e minutos de utilização, relativamente à época anterior.

No caso do FC Porto, qualquer um destes dois aspectos tem um peso significativo e, não tenho dúvidas, ajudam a explicar a oscilação de rendimento que temos visto em alguns jogadores.

Veja-se o quadro seguinte, referente aos quatro médios do plantel portista que foram mais utilizados ao longo da época.


Na época passada, ao serviço do Real Madrid, Casemiro foi apenas titular em 4 ocasiões e jogou um total de 652 minutos. Esta época já ultrapassou os 3000 minutos (é praticamente cinco vezes mais!).

Na época passada, ao serviço do Atlético Madrid e do Villarreal, Óliver não chegou aos 1000 minutos de utilização. Esta época, ao serviço do FC Porto e apesar de dois períodos de paragem por lesão, já ultrapassou os 2500 minutos.

Somando os jogos e minutos ao serviço do FC Porto e das respectivas seleções, Herrera já vai em 49 jogos e 3604 minutos e Brahimi em 51 jogos e 3562 minutos!
E a maior parte destes minutos foram em jogos do Campeonato e da Liga dos Campeões (não foram na Taça da Liga...)

Conhecem algum jogador do SL Andor, que tenha um número de jogos e tempo de utilização comparável?

Os jogadores são homens, não são máquinas e, por isso, chegados a Maio, ao analisarmos o desempenho das equipas e dos jogadores individualmente, não podemos (não devemos) ignorar estes dados.

E, no caso do FC Porto, ainda faltam 4 jogos (360 minutos) até ao fecho desta época.

terça-feira, 10 de março de 2015

Isto é um espectáculo!


Absolutamente espectacular.
Uma exibição de gala em todos os sentidos selou de forma histórica o apuramento para os Quartos de Final da Champions League. Toda a superioridade que se viu em Basileia traduziu-se em golos. Foram quatro. Podiam ter sido mais. Mereciam ter sido mais. Numa competição séria onde os jogadores recebem cartões quando devem ver e os penalties são marcados quando deve ser, esta podía ter sido uma noite europeia histórica. Ficaram dois penalties por marcar, ficaram duas expulsões por assinalar na equipa suíça mas nem isso impediu o Porto de dar um show de bola em toda a regra. São 20 golos já apontados, um recorde que iguala os números de 2003/04. A diferença? Cinco jogos menos.


Foram quatro bombas, quatro disparos sem piedade, ao estilo do melhor pistoleiro do farwest. Quatro golos que podiam perfeitamente ganhar o prémio de golo da ronda. Cada qual o melhor. Dois livres perfeitos e diferentes - um disparo tenso ao ângulo e uma bomba tomahawk à distância - um remate colocado de Herrera depois de uma jogada de Brahimi - MVP absoluto da festa azul e branca - e um sprint com slalom à mistura de Aboubakar com direito a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno foi o bónus que os adeptos que estiveram no Dragão receberam.
Os golos foram a expressão da superioridade. Se as bolas pareciam não entrar no St. Jakobs debaixo do céu da Invicta não se fizeram de rogar. Foi cedo evidente que a eliminatória estava emocionalmente resolvida. O Porto entrou como era necessário, com autoridade mas com a calma de quem se sabe superior e está preparado para manejar os tempos de jogo. O Basel veio defender e procurar nas bolas paradas e nos contra-ataques o seu milagre. Nada de novo. Desta vez tiveram ainda menos oportunidades e quando apareceram cruzaram-se com um Fabiano a grande nível. Não falhou e apenas ficou ligado ao jogo pelo momento de infortúnio absoluto. O golpe do guarda-redes com Danilo deixou-nos a todo com o coração nas mãos. Temeu-se o pior e o brasileiro só recuperou a consciência na ambulância. Não se sabe ainda o que vai passar com o lateral mas tal como a ausência de Jackson Martínez e Oliver Torres - os três pivots, com Brahimi - da temporada, o jogo do colectivo foi tal que passou ao lado a sua baixa. Mérito de Lopetegui que conseguiu montar um conjunto equilibrado que potencia as individualidades mas que rema na mesma direcção e que por isso sobrevive a baixas individuais de grandíssimo calibre. Não é nada fácil.


O Porto foi melhor em todas as vertentes do jogo.
Teve mais vezes a bola, um acerto de passes na casa dos 80%, uma recuperação à perda imaculada e um acerto pouco habitual para este nível da competição frente à baliza. Um jogo de sonho.
Não há muito a dizer de negativo. O amarelo a Marcano - que está imenso no seu trabalho como coordenador da linha defensiva - vai impedi-lo de jogar a primeira mão dos Quartos de Final. Uma baixa de peso. Foi o único cartão para os Dragões enquanto que os suíços podem agradecer a poupança de um árbitro nefasto que engoliu duas grandes penalidades e duas expulsões bem como vários amarelos. O primeiro que ficou por marcar podia perfeitamente o de Samuel que provocou a falta sobre Tello no lance que permitiu a Brahimi abrir a contagem. Foi um lance exemplar. Um ataque com perda de bola recuperada imediatamente por Casemiro - hoje um grande jogo do brasileiro - que lançou o ataque onde Tello encontrou espaço para isolar-se frente á baliza. Sofreu falta e daí Brahimi - a la Deco - abriu o livro. Ia ser, de novo, a sua noite no que foi talvez o seu melhor jogo desde que foi para a CAN. O segundo tento também é todo seu, um baile demoníaco pela direita quando já Indi jogava como lateral e Alex Sandro ocupava o posto de Danilo. A bola chegou a Herrera que disparou colocado, ao ângulo. Levantou o estádio. O mal-amado mexicano esteve, como todos, a um nivel muito bom. O golo foi merecido. Como o de Casemiro. Fisicamente imponente, hoje controlou bem o meio-campo tanto recuperando como organizando, conectando bem com Evandro, que tem feito esquecer agradavelmente a importante baixa de Oliver. Entre os dois engoliram os suíços, fossem eles queijo ou chocolate. Cada um que escolha. O seu livre - daqueles que Cristiano Ronaldo não marca há largos meses mas de que reclama patente - vai correr mundo e alguém em Madrid já se queixa do erro de casting que foi tê-lo emprestado. Foi o 3-0, um resultado justo e contundente mas faltava algo especial. Durante todo o jogo o trabalho físico e táctico de Aboubakar foi tremendo. Não é fácil ocupar um lugar que está perfeitamente desenhado para Jackson Martínez. Mas o camaronês conseguiu-o e quando encontrou a bola, em velocidade, foi dançando sobre os defesas contrários até encher o pé e reventar as redes. Um grande, grande golo que dá confiança á equipa. Não está o "Cha Cha Cha" mas Vincent parece determinado em ganhar o seu lugar para a próxima época.


Numa noite europeia única - nunca o FC Porto tinha marcado 4 golos numa ronda a eliminar da Champions League - o apuramento para os quartos foi carimbado com um golpe de autoridade que vai pôr a Europa em sentido. Meia imprensa já nos trata como o novo Dortmund ou Atlético mas sabemos que é preciso ir com calma e que o objectivo está cumprido. Tudo o que vier agora é para desfrutar e agradecer. Num ano em que o campeonato nacional está mais viciado do que nunca esteve nas últimas décadas e que mesmo ganhando na Luz já se sabe que alguém será expulso no jogo a seguir para garantir que tudo está bem, esta é a vara de medir única que tem a equipa. E não há que enganar. A equipa está num estado de forma física tremenda, os conceitos tácticos implementados por Lopetegui estão a dar os seus frutos e a continuidade é o primeiro passo para o êxito. Faltam muitos detalhes por trabalhar e todos sabemos que uma noite tão eficaz assim é difícil de se repetir mas que tenha existido já prova do que somos capazes quando estamos ao nosso melhor. O Dragão hoje pode dormir tranquilo. A chama está bem viva!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Jackson quebrou o gelo

A temperatura a que se disputou o jogo de hoje em Moreira de Cónegos foi muito baixa – à hora de início (20:15) era de 3 graus Celsius.

O jogo foi disputado num relvado bem tratado, mas que tem apenas 64 metros de largura (menos 4 metros que o relvado do Estádio do Dragão, o que significa menos 420 m2 de área jogável).

Perante isto, o FC Porto fez um jogo sério, marcou dois golos e ganhou de forma inquestionável.

Após um penalty claro, sobre Maicon, que Carlos Xistra “não viu” (aos 13')…

Após um canto marcado por Quaresma, que levou a bola a “beijar” a trave (aos 17')…

Jackson (aos 28'), após um passe espectacular de Herrera, quebrou o gelo e quebrou a resistência da fragilizada, mas bem organizada, equipa treinada por Miguel Leal.


Jackson marcou em Moreira de Cónegos o golo 5000 do FC Porto

A partir daí, os dragões foram controlando o jogo e, ao minuto 59, após mais uma assistência de Herrera (quantos golos e quantas assistências é que o “manco” do Herrera já leva esta época?), Casemiro (outro “patinho feio”) marcou o 2º golo (0-2) e praticamente matou o jogo.

De resto, contra as previsões, Lopetegui repetiu o mesmo onze do último jogo (FC Porto x Paços Ferreira), naquilo que parece ser uma mensagem para Martins Indi e Brahimi.
Embora, perante as exibições de Tello (vale a pena rever a forma patética como, ao minuto 62, o extremo emprestado pelo Barça se embrulhou com a bola e foi incapaz de marcar, rematar ou sequer passar a colegas que estavam completamente isolados), muito mal terá de estar Brahimi para não substituir Tello no onze inicial já no próximo jogo.

O que continua a ser um dos aspetos negativos desta equipa, é o (des)aproveitamento das bolas paradas.
No jogo de hoje, tendo conquistado 10 cantos e uma meia-dúzia de livres perto da área do Moreirense, o FC Porto voltou a denotar, mais até do que uma ineficácia total, uma grande incapacidade em criar perigo neste tipo de lances. Neste aspecto, algo tem que mudar, porque há jogos em que as bolas paradas definem o resultado.

E agora, depois da missão cumprida na gélida Moreira de Cónegos, resta esperar pelo “escaldante” derby de Lisboa.