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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Polvo, uma pata da cadeira do poder

Foi quase há um ano já que Francisco J. Marques surgiu, pela primeira vez, no Porto Canal com algo que, a principio, muitos incautos trataram com sorna e anedocta mas que, desde então, se tem revelado com algo tão podre e maligno que só mesmo num país como Portugal é que o mensageiro pode ser colocado em dúvida. Os "emails" ou o "emailgate" que a inicio para alguns era só uma forma disparatada de distrair a atenção para mais um erro de casting com consequências nefastas como foi a eleição de NES como treinador acabou por ser o cimento que reacendeu a chama azul-e-branca e, também, o ponto de partida para uma série de escabrosas revelações que colocaram em cheque-mate tudo o que sabemos sobre o futebol português da última década (e não só). No entanto, quase 365 dias depois, o que aconteceu?
Nada. Absolutamente nada. 

Os "presumiveis criminosos" - porque a lista de possiveis crimes divulgada é tão extensa que "presumiveis criminosos" é o mais ligeiro que se pode dizer em casos assim - continuam soltos, tranquilos e a repetir as mesmas práticas de sempre. No terreno de jogo a impunidade segue, este ano com um inesperado aliado em forma de VAR - ou como alguns memes virais têm tentado descrever, a "conexão com Skype directa com o "Primeiro-Ministro " e não há sinal de que a situação se altere. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - de que o Benfica presumivelmente tem informação comprometida e confidencial sobre árbitros. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - que o Benfica tem relação privilegiada com os inspectores anti-doping, com dirigentes de outros clubes, com dirigentes políticos, judiciais e pode mesmo até ter a ver com o facto de que nem o Presidente da Federação escapa a ter a sua vida controlada minuciosamente. Quem sabe.
O certo é que nos últimos meses - depois da divulgação de toda essa informação - algo mais sério e grave veio à tona que demonstra, na prática, porque é que ainda nada aconteceu e porque é que, provavelmente, nada acontecerá. As ligações do Benfica, através do seu presidente e esbirros, não se limitam apenas ao mundo do futebol e ao seu controlo na sombra do mesmo através da compra de árbitros, dirigentes rivais (directamente ou ajudando financeiramente os seus clubes pagando salários, emprestando dinheiro em operações de jogadores adquiridos e emprestados num circuito inumano), jogadores rivais ou figuras dos corredores do poder na Liga ou Federação. Quando saiu para a rua o processo Apito Dourado, o tal processo que era o exemplo máximo da asquerosidade do futebol português - tão limpo e impoluto nas décadas anteriores, seguramente - o máximo que os seus criticos conseguiram foram gravações telefónicas que envolviam a escolha de árbitros ("o João, pode ser o João) e cafés tomados entre dirigentes, árbitros e empresários para solucionar resultados que em campo já o estavam num ano em que, azar dos azares, o alvo a abater também decidiu comprar as altas instâncias do futebol europeu e venceu a Champions League, essa competição que só um clube de um país periférico levantou nos últimos 20 anos. Tudo isso parecia saído de uma novela cómica mas para as virgens ofendidas era apenas e só o principio do fim do Mundo. Que calados que estão agora.

A questão evidente é que este Polvo de proporções épicas tem sido silenciado, não levanta estupor público nem gera o mesmo sentimento de desprezo e asco porque, na base de tudo, o problema não é o Benfica, nem sequer é o futebol português como tal. O problema é Portugal.
O que Luis Filipe Vieira fez vai muito, muito mais além do que tentaram acusar Pinto da Costa e o FC Porto há quinze anos atrás. Se na altura o Apito Dourado parecia ser um caso exclusivamente desportivo, o Polvo encarnado é apenas um tentáculo de um monstro marinho maior, uma pata de uma cadeira de interesses que é a base da actual sociedade portuguesa. Vieira utilizou o seu clube para montar uma teia de interesses que rapidamente se aliou a outros dentro do poder financeiro e económico - não é por caso que é também o maior devedor do país e peça chave no escândalo BES -, do poder político (o caso Centeno, a presença habitual de governantes no palco presidencial da Luz) e, como se tem sabido agora, do poder judicial (toupeiras dentro da PJ, juizes-desembargadores a pedir favores e a pagar os mesmos, advogados em altas instâncias comprados) e também do poder mediático (que tem mantido sobre tudo isto um silêncio ensudecedor face à gravidade dos casos divulgados. 
O Benfica é altamente beneficiado a todos os niveis mas mais beneficiado ainda é o seu Presidente e não é por casualidade que muitos suspeitam já que a fonte original de todos os emails que precipitaram a caída das peças de dominó tenham vindo de dentro do próprio clube por figuras desejosas de ocupar o seu lugar e, com ele, as suas benesses. O que no entanto, a inicio, parecia um esquema criado para beneficiar o clube resulta na práctica ser um esquema para beneficiar uma série de elementos de distintos meios - entidades bancárias, carreiras políticas, judiciais, mediáticas - em que o Benfica é uma parte do esquema e não o seu fim. Uma realidade que vai muito para lá da corrupção desportiva e que, em comparação, faz parecer as acusações do Apito Dourado uma brincadeira inocente de meninos. A quem chamou ao Porto um dia Palermo seguramente olharia agora para Lisboa com vontade de mudar o nome da cidade a Purgatório mas a coragem para atacar uns é quase sempre proporcional à cobardia para atacar outros. 



Neste cenário verdadeiramente dantesco onde o trabalho de divulgação de Francisco J. Marques, a investigação paralela pouco ruidosa - é certo - de outros meios e o trabalho da Policia Judiciária (que já sabe que conta internamente com filtrações, quem sabe se as mesmas que subiram ao YouTube as escutas do AD, um método que na altura escandlizou menos que publicar emails) tem sido mais do que meritório, é dificil acreditar que algo vá suceder na prática. Nem despromoção, nem retirada de títulos - modelo aplicado em Itália regularmente em casos muito menos graves - nem retirada de pontos (o que foi feito, em primeira instância com o FC Porto mas que agora não pode ser aplicado porque, ao contrário desse FC Porto, solvente campeão nacional, isso significaria perder títulos) nem sequer uma reprimenda. Fazer cair o Benfica e o seu presidente era fazer cair o sistema. Era fazer cair o clientelismo dos grandes partidos políticos, os interesses à volta dos grandes bancos e das famílias que os controlam. Era destapar a podridão que grassa no sistema judiciário entre advogados, procuradores e juzies. Era ressaltar, de novo, que a imprensa portuguesa de independente e corajosa tem pouco. Era tocar em demasiadas peças ao mesmo tempo. O mérito de Vieira não foi criar um império de interesses "presumivelmente" criminais à volta do Benfica para beneficiar-se desportivamente e pessoalmente do mesmo. O seu grande mérito é ter feito do seu clube e da sua pessoa peça indispensável nessa engrenagem colectiva a ponto de que a sua queda seria sempre amparada por aqueles à sua volta sob pena de, como uma gangrena, extender-se a outros pontos onde vivem personalidades mais intocáveis do que ele próprio e que nunca o poderiam permitir. 

O silêncio das autoridades políticas, dos arautos da verdade e da moral e sobretudo da indignação fabricada de um país - todo o oposto que vivemos há mais de dez anos - tem uma base muito concreta. O FC Porto nesta guerra não luta só contra o Benfica de Vieira, esbirros e corruptores, dentro e fora de campo. Mais do que no regime do Estado Novo, é nesta podre e caduca república parlamentária, que o FC Porto mais isolado e frágil se encontro e é contra rivais mais poderosos e irredutiveis que se mede nesta batalha. Podemos muitos não ter sequer a menor ideia do tamanho do Polvo, que mais do que um polvo é um monstro marinho, e que a cada novo email, cada nova revelação nos vai surpreendendo. O que sabemos todos é que enfrentar este monstro com vida própria e interesses determinados é e será, sem dúvida, a maior batalha da história do FC Porto. Uma batalha onde a união e o arrojo tem de ser superior a tudo e a todos. Um passo em falso e podemos estar a falar de um final trágico e irreversível. O sistema não vai cair pelo seu próprio peso, não vai cair desde dentro - como em Itália passou, tanto a nível político como desportivo - nem vai cair sem dar luta. Resta saber se o Dragão encontra todas as forças para plantar batalha e não arredar pé. 
 

domingo, 12 de novembro de 2017

Dos e-mails à REDE ENCARNADA

Investigação ao caso dos e-mails no principal telejornal da TVI

Em 10 de junho passado, uns dias após o Diretor de Informação e Comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ter iniciado a bombástica revelação pública de e-mails, que nos últimos anos foram trocados entre diferentes personagens com ligações ao SLB, eu publiquei um artigo (Oremos pelos “padres” pecadores), onde escrevi o seguinte:

«Chegados a este ponto, pode dizer-se que todos os objetivos imediatos (de curto prazo), resultantes da denúncia feita no último ‘Universo Porto da Bancada’, foram alcançados. Eu diria mesmo que foram ultrapassados, tal foi o impacto mediático e a desorientação evidente que provocou nos “milhafres” de carnide, que mais parecem galinhas tontas.»

De facto, os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer e, em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

Cinco meses depois, a partir da revelação de outros e-mails (feitas no Porto Canal, no jornal EXPRESSO e na revista SÁBADO), tudo é muito mais claro. Os adeptos do futebol e o público em geral, ficaram a saber que a rede de poder e de influências montada pelo SLB é enorme e abrange, ou abrangeu, todas as áreas do futebol português, nomeadamente:

- um ex-Presidente da Liga de Clubes (Mário Figueiredo);

- um ex-Presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes (Carlos Deus Pereira);

- um ex-VicePresidente do Conselho de Arbitragem da FPF, responsável pela classificação dos árbitros (Ferreira Nunes);

- vários ex-delegados da Liga (com destaque para Nuno Cabral, o “menino querido”);

- um ex-responsável pela nomeação dos delegados (o engenheiro Fidalgo);

- um ex-árbitro da AF Braga (Adão Mendes);

- um membro do Tribunal Arbitral do Desporto (Miguel Lucas Pires);

- um ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga e atual membro do TAD (Ricardo Costa);

E, claro, o presidente e vários elementos da estrutura do SLB (Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves, Pedro Guerra).

Chegados a este ponto, a grande novidade dos e-mails não foi revelar que havia (há) uma vasta rede subterrânea a “trabalhar” em prol do SLB. Mesmo sem termos acesso às provas digitais/documentais que foram divulgadas, isso há muito tempo que era óbvio (em março de 2014, eu publiquei um artigo que intitulei Os aliados e “criadas de servir” de Vieira).

O grande mérito dos e-mails foi o de identificar, de forma inequívoca, vários rostos desta rede, revelar uma extensa teia de ligações, que envolveram os mais altos responsáveis do SLB e mostrar o refinamento a que se chegou nos métodos adoptados para ganhar jogos e campeonatos.

O esquema seguinte, publicado no JN, mostra apenas uma parte da REDE ENCARNADA.

Ligações entre diferentes rostos da Rede Encarnada (JN)

Cinco meses depois, este caso deixou de ser, unicamente, um caso de e-mails divulgados no Porto Canal.
Este caso “saltou” dos programas do Porto Canal para a generalidade da comunicação social, fez capa em jornais insuspeitos de terem uma agenda portista e chegou às televisões generalistas, mesmo aquelas cuja orientação é mais pró-SLB e anti-FCP.

Duas capas do Correio da Manhã de Junho de 2017

Investigação ao caso dos e-mails (Jornal 8 da TVI)

O mailingate, a rede de influências (Tempo Extra, SIC Notícias)

E o impacto deste caso é cada vez maior, como o próprio SLB reconhece. Por exemplo, no recurso que apresentou no Tribunal da Relação à sentença do Tribunal Cível do Porto, o qual recusou a providência cautelar que visava proibir o diretor de comunicação do FC Porto de continuar a divulgar e-mails, o SLB refere que a contínua divulgação de mensagens de correio eletrónico dos seus dirigentes, tem provocado um enfraquecimento da ligação emocional dos adeptos ao clube.
Pudera, ao verem revelado publicamente o “segredo” de como foi ganho o treta campeonato, quem é que não ficaria emocionalmente afetado?

Cinco meses depois, penso que devíamos deixar de chamar a este caso o “caso dos e-mails”. Os e-mails são, apenas, um elemento de prova (como seriam escutas, se algum juiz tivesse a coragem de pôr os telemóveis do presidente do SLB ou de Paulo Gonçalves sob escuta).

Este caso deve ser designado de acordo com o cerne da questão, isto é, como o caso da REDE ENCARNADA (ou algo parecido), porque é disso que se trata. Continuarmos a chamar a este caso o “caso dos e-mails” é desviar o foco para o assessório e um favor que fazemos ao SLB.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Voando sobre um ninho de hipócritas

Após o FC Porto, através do seu Diretor de Comunicação, ter revelado publicamente um conjunto de e-mails comprometedores para o SLB, trocados entre um ex-árbitro de 1ª categoria (Adão Mendes) e um diretor da Benfica TV (Pedro Guerra), os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer.

Em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

O jornal A BOLA, após ter saído do estado de choque inicial, decidiu entrevistar um ex-árbitro. Contudo, em vez de entrevistar Adão Mendes, o ex-árbitro implicado no tráfico de influências revelado nos e-mails (e que se remeteu ao silêncio), os senhores de A BOLA entenderam que era mais relevante ir ao baú da história e entrevistar um outro ex-árbitro – Carlos Calheiros.

Assim, a edição de A BOLA do dia 10 de junho (4 dias após a divulgação pública dos primeiros e-mails), trazia uma encomenda… perdão, uma entrevista (com destaque de 1ª página!) de Carlos Calheiros, um ex-árbitro e, atualmente, pintor nas horas vagas.

Carlos Calheiros nunca chegou a árbitro internacional e apenas apitou jogos do campeonato português durante seis épocas, mas ficou famoso por, alegadamente, o FC Porto ter pago uma viagem que fez ao Brasil, em Julho de 1995.

À época, devido à pressão da comunicação social lisboeta, o caso foi exaustivamente investigado mas, após os esclarecimentos prestados pelas três partes envolvidas – Carlos Calheiros, FC Porto e agência de viagem Cosmos – foi arquivado. Contudo, o ex-árbitro de Viana de Castelo nunca mais se livrou deste ferrete e, pouco tempo depois, abandonou totalmente a arbitragem. Já lá vão 22 anos.

Volvidos todos estes anos, perante factos altamente comprometedores do presente, há que tentar desviar as atenções com episódios do passado. Mas, já que o jornal A BOLA se lembrou de fazer esta “oportuna” viagem pelo passado do futebol português, então vamos um pouco mais atrás e recordar outras famosas viagens de avião, envolvendo árbitros de futebol e um clube de… Lisboa.

Recuemos, então, a Junho de 1978…

Após ter posto fim a um jejum de 19 anos, com a conquista do campeonato de 1977/78, o FC Porto também se apurou para a final da Taça de Portugal. O outro finalista era o Sporting e, claro, a final ia realizar-se no “muito neutral” estádio de Oeiras (há 40 anos atrás, uma deslocação a Lisboa não era, propriamente, pera doce…).

Naquele tempo, o “mau da fita” ainda não era Pinto da Costa, mas sim José Maria Pedroto que, sem medo, comentava: “É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes na capital”.

A final foi um jogo muito quente, com uma arbitragem escandalosa e ficou marcada por um penalty polémico, favorável ao Sporting, que foi convertido por Menezes. Tendo o jogo terminado empatado (1-1), foi necessário disputar-se uma finalíssima, no dia 24 de Junho de 1978, arbitrada pelo senhor Mário Luís de Santarém.

Com uma arbitragem idêntica ao que era (é!) habitual nos jogos do FC Porto em Lisboa e que validou um golo irregular à equipa leonina, o FC Porto perdeu por 1-2, provocando a natural indignação dos seus jogadores, treinador e dirigentes. No final do jogo, Seninho, o autor do golo portista, diria o seguinte: “O árbitro entregou a Taça ao Sporting”.

Finalíssima da Taça de Portugal 1977/78 (fotos: Memória Azul)

Mas o mais escandaloso estava ainda para vir. Menos de 48 horas depois dessa finalíssima, o Sporting partiu para uma digressão à China.

Ora, qual não foi o espanto, quando se constatou, que integrados na comitiva sportinguista e vestidos com um fato à medida, igual ao dos restantes elementos, iam dois... árbitros!
Dois árbitros?
Sim, o senhor Porém Luís, de Leiria e, nada mais, nada menos, que Mário Luís, o árbitro da finalíssima, que a partir daí passou a ser conhecido como o “chinês”.

Caricatura de Francisco Zambujal publicada no jornal A BOLA
alusiva a um Sporting x Belenenses da época de 1981/82

Perante o escândalo, esta situação foi devidamente “esclarecida” pelos envolvidos – Sporting e árbitros – por forma a “lavar consciências” e evitar mal entendidos...

Os árbitros Mário Luis e Porém Luis
Jogadores, dirigentes de Sporting e os dois árbitros no estádio olímpico de Pequim

Talvez por isso, não houve inquéritos da FPF, nem investigações da PJ e muitos menos punições para o clube de Lisboa e para os árbitros envolvidos, os quais continuaram a “passear a sua classe” pelos relvados portugueses.

Bons tempos, em que convidar árbitros no ativo, para integrar comitivas de um clube ao estrangeiro, não era escandaloso, nem tinha consequências nefastas nas carreiras e reputação desses árbitros.

sábado, 7 de janeiro de 2017

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Um dragão sem chama... 9 anos depois

O 'Reflexão Portista' foi criado no início de 2008.
Poucos meses depois, publiquei um artigo a que chamei 'Um dragão sem chama'.
Quase nove anos depois, ao reler esse artigo, decidi voltar a publicá-lo sem alterar rigorosamente nada.
E porquê?
Leiam-no (a seguir) e vejam se muito daquilo que escrevi há nove anos atrás não é perfeitamente atual.

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9 de Maio, 20h00, abertura dos telejornais.
Os três canais – RTP1, SIC e TVI – estão em directo do auditório do Piso 3 do Estádio do Dragão (bancada poente), para transmitirem a reacção de Pinto da Costa e da Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD aos processos disciplinares instaurados pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
A expectativa é grande e milhões de portugueses estão de olhos nas televisões, particularmente os portistas.


20h03, Pinto da Costa inicia a conferência de imprensa:
«Senhores jornalistas, o FC Porto foi hoje notificado, às 15h50, das decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga, sobre o denominado processo ‘Apito final’.
Em primeiro lugar, deploramos o facto desta notificação oficial ter sido antecedida, em quase dois dias, por uma divulgação oficiosa num órgão de comunicação social do grupo Cofina. Se nada podemos fazer para impedir a promiscuidade evidente entre a equipa especial da Dr.ª Maria José Morgado, a PJ e o ‘Correio da Manhã’, a qual tem servido para alimentar dezenas de capas desse jornal, o mesmo não se passa em relação à Liga de Clubes, da qual o FC Porto é um dos membros.
Por isso, e desde já, exigimos ao presidente da Liga de Clubes a abertura de um inquérito, para apurar quem, dentro do CD da Liga, são os informadores, ou agentes infiltrados, do ‘Correio da Manhã’.

Dito isto, queremos dizer a todos os portugueses e, particularmente, aos milhões de adeptos portistas espalhados por todo o Mundo, que o FC Porto considera esta decisão aberrante e irresponsável, sem qualquer tipo de sustentação nos factos ocorridos, a não ser nas declarações da dona Carolina Salgado. Aliás, recordamos, mais uma vez, que no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ estes inquéritos tinham sido arquivados e apenas foram reabertos na sequência da publicação do livro escrito a meias entre a dona Carolina e a dona Leonor Pinhão.

Esta decisão da CD da Liga veio, de algum modo, dar razão ao presidente do Benfica, quando afirmou que era mais importante ter pessoas na Liga do que contratar bons jogadores. De facto, se Carolina Salgado tem sido a ponta-de-lança do Ministério Público, o Dr. Ricardo Costa mostrou ser um fantasista, quiçá com capacidades inatas para substituir outro Costa, o Rui Costa, como distribuidor de jogo dos encarnados.

Ora, quer a FCP SAD, quer o seu presidente, não aceitam esta punição ditada em tons de encarnado e irão, solidariamente, recorrer até às últimas instâncias em que tal for possível, ao nível desportivo e civil, para que seja feita justiça e para verem ressarcidos a sua honra e bom nome.


Relativamente à eventualidade de nos serem retirados 6 pontos e às declarações feitas esta tarde, pelo presidente da CD da Liga, de que se o regulamento da Comissão Disciplinar não exigisse o que exige, os clubes que hoje perdem pontos seriam punidos com descida de divisão, quero desafiar o Dr. Ricardo Costa a propor essa alteração ao regulamento e que, já agora, a mesma tenha efeito retroactivos. Tenho a certeza que esta sua iniciativa terá todo o apoio do presidente do seu clube, bem como, da comunicação social que o Dr. Ricardo Costa usa como instrumento para se auto-elogiar e pavonear.


Em função de tudo isto, a Administração da F. C. Porto – Futebol, SAD informa que tomou as seguintes decisões:

a) Até que sejam encontrados e punidos os informadores do 'Correio da Manhã' existentes no CD da Liga, o FC Porto corta relações com todos os órgãos sociais desta Liga de Clubes, mantendo apenas os contactos mínimos institucionais a que seja obrigado.

b) O FC Porto considera persona non grata todos os elementos dos órgãos sociais desta Liga, os quais não são bem vindos nos jogos disputados no estádio do Dragão. Contudo, como os regulamentos prevêem que os mesmos tenham lugares reservados no camarote presidencial, avisamos que nenhum dirigente da FCP SAD os receberá, nem ocupará lugares nesse camarote ao seu lado.

c) O FC Porto irá solicitar reuniões à UEFA e à FIFA, de modo a expor as suas razões sobre este assunto. Nessas mesmas reuniões irá apresentar um conjunto de documentação e vídeos sobre casos do futebol português, com ênfase para os escândalos que ocorreram na época 2004/05 e que passaram impunes.

d) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir a demissão dos elementos que constituem o CD da Liga e a convocação de eleições antecipadas para este órgão da Liga.

e) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir uma indemnização à Liga de Clubes, pelos prejuízos causados à sua honra e bom nome.

f) O FC Porto avisa os patrocinadores e canais televisivos detentores dos direitos da Taça da Liga, que na próxima época irá apresentar uma equipa de recurso nos jogos que tiver de disputar nesta competição e apela aos seus adeptos para boicotarem os jogos, deixando as bancadas vazias.

Muito obrigado pela vossa presença.
Viva o FC Porto! Viva o Porto! Viva Portugal!»

Era uma conferência de imprensa deste género que eu estava à espera.

Em vez disso, ouvimos o presidente do FC Porto afirmar:
«O FC Porto vai ter subtraídos seis pontos aos muitos que já ganhou este ano. (...) Não vamos, no que diz respeito ao FC Porto, recorrer da perda desses seis pontos. Nem precisarei de dizer porquê e, naturalmente, também não precisarei de dizer qual a razão (...) não recorremos e vamos passar a ter apenas 14 e 15 pontos de avanço. Mas a honra do FC Porto ficará salvaguardada, porque eu, pessoalmente, como presidente e como cidadão, vou recorrer, na segunda-feira, para o Conselho de Justiça. Esperamos, através desse recurso, que a verdade seja reposta e possamos mostrar que não existe qualquer razão para o FC Porto ser penalizado.»


Numa altura em que o FC Porto enfrenta uma poderosa coligação de interesses, formada por parte do Ministério Público e da PJ, clubes da 2ª circular e comunicação social, os sócios e adeptos do FC Porto estavam à espera de uma reacção enérgica, dura, sem contemplações e sem medo de eventuais sanções. Estávamos à espera de um Pinto da Costa que chamasse os “bois pelos nomes”, que desmascarasse esta teia encarnada que foi montada na “capital do Império” para atacar, denegrir e humilhar o FC Porto.
Mais do que nunca era preciso dar um murro na mesa, olhar essa gente olhos nos olhos e dizer-lhes que não temos medo e se querem guerra tê-la-ão. Dentro e fora das quatro linhas.

Em vez disso vimos um homem sem chama, sem o fulgor de outros tempos, quase resignado. Um velho leão cansado, que preferiu o calculismo de uma derrota com poucos feridas, ao risco de uma batalha pela justiça e verdade que sempre clamou e em que nós acreditamos.

Este não é o Pinto de Costa que, ao lado do saudoso José Maria Pedroto, não teve medo de enfrentar e derrotar os poderes instalados que estavam a sul.
Este não é o Pinto da Costa, que enfrentou e derrotou um presidente da FPF, o sportinguista Silva Resende, quando este ameaçou mandar o FC Porto para a 2ª divisão a propósito da marcação de uma final da Taça de Portugal.
Este não é o Pinto da Costa que enfrentou e derrotou um ministro das finanças de Cavaco Silva (Catroga), aquando da penhora da retrete do estádio das Antas.
Este não é o Pinto de Costa que eu e milhões de portistas aprendemos a admirar ao longo das últimas três décadas.


Não me revejo neste Pinto da Costa e menos ainda na gente que o rodeia.

P.S. De acordo com o jornal O JOGO, mal terminou a conferência de Imprensa, Pinto da Costa foi para a Casa das Artes de Famalicão, ao Festival Internacional de Música de Câmara Stellenbosch, tendo jantado com o maestro Vitorino d'Almeida. Ainda bem que depois de um dia negro para a honra e orgulho dos portistas o presidente do FC Porto tem disposição para ir ouvir música...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quinta exposição à Comissão de Análise do CA

«O FC Porto enviou esta terça-feira, como adiantado por Pinto da Costa logo após o final do FC Porto - Chaves, uma exposição à Comissão de Análise do Conselho de Arbitragem da FPF. A informação foi dada pelo Francisco J. Marques, diretor de comunicação e informação do clube, no Porto Canal. “Depois do envio por e-mail, amanhã segue pelo correio o DVD do jogo com o Chaves. Já pagámos a taxa para podermos fazer a reclamação”, referiu, precisando que se trata da quinta exposição feita pelos dragões esta temporada



Tribunal de O JOGO (lances aos minutos 52 e 57 do FC Porto x Chaves, com o resultado em 0-1)

Quinta exposição?!

Pelos vistos (e os "erros" grosseiros que se viram no último FC Porto x Chaves foram bastante elucidativos), estas exposições à Comissão de Análise do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF servem para nada.

Ora, se esta 5ª exposição tiver o mesmo resultado que as quatro anteriores, o que irá fazer a Direção do FC Porto?

Fazer uma 6ª exposição e continuar a protestar (de vez em quando) num tom baixinho?

Ó meus amigos, será que ainda não perceberam que, no contexto atual do futebol português (de benfiquização em todos os domínios), isto só lá vai com um murro na… mesa?

Após 15 jornadas já disputadas, em que árbitros condicionados pelo Sistema fizeram vista grossa a 15 (QUINZE!) penalties, que ficaram por assinalar a favor do FC Porto;

Após 3 golos limpos, que foram anulados por três árbitros da AF Porto (que assim agradam ao Sistema) em pleno Estádio do Dragão - nos jogos FC Porto x V.Guimarães, FC Porto x SLB e FC Porto x Chaves;

Ainda não perceberam que isto chegou a um ponto, que já não vai lá com bons modos e exposições inóquas?

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Carlos Xavier recorda o Estorilgate

Numa entrevista recente, publicada na revista Sábado, Carlos Xavier recordou um dos episódios do Estorilgate.

Carlos Xavier e o Estorilgate (revista Sábado de 04-12-2015)

Contudo, como muitas pessoas têm memória curta e já se esqueceram da forma como o SLB ganhou o campeonato 2004/2005, vou recordar outras denúncias públicas feitas na altura dos factos.


«O técnico-adjunto do Estoril, Carlos Xavier, disse esta segunda-feira que o director-geral da SAD do SL Benfica, José Veiga, ameaçou o técnico do Estoril, Litos, com despedimento no final do jogo que os encarnados venceram por 2-1. “Ouvi-o dizer ao Litos que ia para o desemprego no final do jogo”, afirmou Carlos Xavier, em declarações à Rádio Renascença.

Capa de O JOGO
O treinador-adjunto do Estoril adiantou ainda que não compreendeu atitudes da equipa de arbitragem:
Parecia que estávamos a jogar numa partida de apresentação do Benfica. O árbitro até ficou com umas botas do Benfica. Só faltou tirar a camisola por baixo. O fiscal de linha esteve sempre a olhar para o nosso lado a ver se reagíamos. Chegou a uma altura em que fui-me embora. Estava enojado.

Carlos Xavier revelou ainda que um indivíduo do Benfica (um segurança que normalmente acompanha a equipa e que esteve envolvido nos incidentes registados nos balneários na partida da primeira volta) tentou convidar jogadores do Estoril para almoçar, uma semana antes do jogo.
Existiu o envolvimento de «um sujeito que trabalhou no Estoril e que está agora no Benfica, que já na primeira volta bateu na porta, durante a confusão registada no intervalo. Teve agora o descaramento de aparecer no Estoril a falar com os jogadores e a convidá-los para almoçar.”»


Em Junho de 2008, numa longa entrevista ao DN, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, disse o que pensava sobre o Estorilgate:

Soares Franco e o Estorilgate (fonte: DN, Junho de 2008)

Como seria de esperar, atendendo às pessoas e clube envolvido (o sempre protegido clube do regime) estes e outros episódios, apesar de denunciados publicamente, nunca foram devidamente investigados, nunca motivaram escutas e muito menos conduziram à constituição de super equipas especiais de investigação.


Outros artigos relacionados:

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Por falar em ofertas aos árbitros…

Infografia do Record

Por falar nas ofertas do SL Benfica aos árbitros…








Com tantas ofertas coloridas (e “fruta”!) ao longo dos tempos é preciso ter lata e bastante falta de memória, para apenas se apontar o dedo às cortesias do FC Porto.

É caso para dizer que uns (a Norte) têm a fama e outros (na capital) têm o proveito.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Tirar a gravata e arregaçar as mangas

«Vítor Pereira nomeou um árbitro internacional para o Guimarães-Benfica, no caso Artur Soares Dias, mantendo o critério que já tinha utilizado aquando do Guimarães-Sporting, arbitrado por Hugo Miguel. Curiosamente, ou talvez não, no jogo Guimarães-FC Porto, logo nas primeiras jornadas, o mesmo Vítor Pereira nomeou Paulo Baptista, um árbitro que tinha sido despromovido e por uma questão administrativa reintegrado no quadro principal.

E o que acontece a um árbitro despromovido que é reintegrado por uma questão administrativa? É nomeado para um jogo entre os dois primeiros da classificação de então, comete erros atrás de erros, em prejuízo de uma equipa, no caso o FC Porto, com clara influência no resultado, e o senhor Vítor Pereira finge que não é nada com ele. Mas é.

Vitória Guimarães x FC Porto, golo anulado a Brahimi

Vitória x FC Porto, Tribunal de O JOGO

Para completar a incoerência – se calhar até é coerência – de Vítor Pereira, para o Belenenses-FC Porto foi nomeado Rui Costa, o mesmo árbitro que apitou malzinho o Belenenses-Benfica e que anteontem teve nota máxima na carreira de tiro, ao acertar na mouche nos amarelos aos jogadores do Guimarães. O seguro morreu de velho e manto maior do que este não há
Dragões Diário, 13-05-2015


A Dragões Diário é uma boa iniciativa do Departamento de Comunicação do FC Porto e acho muito bem que, nos últimos dias/semanas, através desta newsletter diária, seja posto o “dedo na ferida” da arbitragem, das nomeações, das “amizades”, etc.

O impacto mediático destas denúncias tem sido notório, sendo várias as referências nos jornais, rádios e televisões. E, inclusivamente, algumas motivaram respostas de incómodo/irritação (ver reacções de João Gabriel e Carlos Pereira).

Capas de jornais com referências à Dragões Diário

Infelizmente, para efeitos práticos neste campeonato fraudulento, é tarde demais.

A propósito da nomeação de Paulo Baptista (e do auxiliar Valter Rufo!) para o Vitória Guimarães x FC Porto recordo que, no próprio dia desse jogo fraudulento, eu escrevi o seguinte:

«Há 40 anos atrás, o grande José Maria Pedroto, que nunca teve medo nem papas na língua, denunciava, e muitíssimo bem, os roubos de igreja de que o FC Porto era alvo.
Hoje, no final de uma autêntica roubalheira em Guimarães..., perdão, de um "jogo muito bem disputado" em Guimarães, os jogadores do FC Porto foram, amistosamente, cumprimentar os senhores de vermelho e, quer na flash interview, quer na conferência de imprensa que se seguiu, o treinador do FC Porto, muito compreensivo, disse que os árbitros se equivocaram, mas que ele também se equivoca todos os dias.
Eu não sei o que a estrutura do FC Porto disse ao senhor Lopetegui, mas se vamos fazer o papel de bons rapazes, se vamos levar e dar a outra face, digo já que podem esquecer o campeonato porque, assim, não vamos lá

O artigo completo (‘Os homens de vermelho’, publicado a 14-09-2014) e os respectivos comentários (alguns muito interessantes…), pode ser (re)lido aqui.

E porque pressentia que a arbitragem iria ser (como foi) decisiva na atribuição do título de campeão desta época, no dia seguinte voltei ao tema e escrevi:

«Vejo com muita preocupação este silêncio de Pinto da Costa, de Antero Henrique e da estrutura do FC Porto.
O que ganhamos em ser bem comportados e compreensivos com os sucessivos “erros” das arbitragens?»

Quem quiser, poderá (re)ler esse artigo (‘Em memória de Pedroto’, publicado a 15-09-2014) aqui.


Paulatinamente, desde o tempo em que Cunha Leal foi colocado na Liga até às mudanças estruturais que culminaram com o regresso da Arbitragem e da Disciplina à FPF (leia-se, a Lisboa), os encarnados passaram a ter um controlo total sobre o Sistema e, particularmente, sobre o sector da arbitragem – árbitros, elementos que nomeiam os árbitros, observadores dos árbitros, avaliação, classificação e (des)promoção de árbitros.

Perante esta situação, que tão cedo não irá sofrer alterações, se o FC Porto quiser ter hipóteses reais de disputar o título de campeão nacional da próxima época, os seus dirigentes terão de mudar de postura, terão de tirar a gravata e arregaçar as mangas e, particularmente, terão de ser ativos nas denúncias, falando alto e bom som desde o primeiro dia.

Porque, se há coisa que esta época provou de forma inequívoca, é que, para ganhar campeonatos em Portugal, deixou de ser suficiente ter melhores jogadores e melhor equipa.

domingo, 12 de abril de 2015

Os Auxiliares do Andor encarnado

Relativamente a eventuais lances de fora-de-jogo, as regras são objectivas e os árbitros auxiliares têm instruções muito claras: na dúvida, devem dar o benefício a quem ataca, isto é, não devem assinalar fora-de-jogo.

Assim sendo, o que dizer da decisão do árbitro auxiliar do Rio Ave x FC Porto, o senhor Sérgio Jesus, quando (com o resultado em 0-0) decidiu anular um golo ao FC Porto, assinalando fora-de-jogo a Brahimi?

Golo anulado a Brahimi (Rio Ave x FC Porto, 28ª Jornada)

Conforme as imagens demonstram, Brahimi está mais de 1 metro em jogo e, ainda por cima, a linha da pequena área servia de ajuda ao árbitro auxiliar.

Perante um erro tão grosseiro, que só não teve influência na vitória do FC Porto porque os dragões marcaram mais três golos, o que irá acontecer ao senhor Sérgio Jesus?
O mesmo que aconteceu ao árbitro auxiliar do senhor Paulo Baptista que, no Vitória Guimarães x FC Porto, num lance (esse sim) de dúvida, anulou um golo ao FC Porto, assinalando (erradamente) fora-de-jogo a Brahimi. Ou seja, não vai acontecer nada!

Golo anulado a Brahimi (Vitória x FC Porto, 4ª Jornada)

E se os dragões têm razões de queixa - 2 pontos a menos, devido a uma má decisão de um árbitro auxiliar -, no caso dos encarnados de Lisboa é ao contrário.
8 pontos conquistados pelo SL Andor neste campeonato (em quatro vitórias obtidas pela margem mínima), estão directamente ligados a decisões altamente “polémicas” de árbitros auxiliares.



Golo anulado ao Boavista (2ª Jornada)

Golo anulado ao Rio Ave (9ª Jornada)

Golo anulado ao Nacional (10ª Jornada)

Golo validado ao SL Benfica (14ª Jornada)

Ou, dito de outra maneira, não fosse o “auxílio” de vários árbitros auxiliares (nos jogos em que enfrentou o Boavista, Rio Ave, Nacional e Gil Vicente) e, provavelmente, o SL Andor teria menos 8 pontos.

E, nesta extensa lista de decisões favoráveis ao SL Andor, protagonizadas por árbitros auxiliares, ainda tivemos um golo mal anulado ao Vitória de Setúbal (4ª Jornada), quando os encarnados de Lisboa venciam por apenas 1-0, e um golo mal validado a Luisão (estava em fora-de-jogo), contra a Académica (11ª Jornada).

Golo anulado ao Vitória Setúbal (4ª Jornada)

Golo validado a Luisão (11ª Jornada)

É sabido que os árbitros auxiliares assumiram uma importância crescente nos jogos de futebol e não é certamente por acaso que indivíduos como Devesa Neto, José Luís Melo (o célebre benfiquista de Valongo), ou o "Ferrari" ficaram famosos.

Mas, o mais impressionante de tudo isto é o sentimento de impunidade. Na próxima jornada lá estarão eles, outra vez nomeados pelo Vítor "Sistema" Pereira, a desempenharem o seu papel nesse desígnio nacional, que é levar o SL Andor ao colo até ao título.

domingo, 15 de março de 2015

10 contra 14

Ricardo à frente (ver braço direito) do jogador do Arouca no momento da falta

Jorge Tavares a expulsar Fabiano aos 11' (fonte: Maisfutebol / LUSA)

A vitória podia ter sido mais robusta se as oportunidades claras tivessem sido transformadas em golo e se houvesse mais acerto nas decisões [da equipa de arbitragem liderada por Jorge Tavares]. No lance da expulsão do Fabiano, o Ricardo chegava perfeitamente à bola… depois houve um penálti claro sobre o Quaresma, que não foi marcado – creio que em Portugal um pontapé na cara dentro da área ainda é penálti


Quaresma cabeceia a bola e é pontapeado na cara (fonte: Maisfutebol / LUSA)

Na segunda parte, o Arouca não teve mais do que uma clara ocasião de golo e até estava em fora de jogo, o futebolista que a protagonizou… ainda há um fora-de-jogo [mal assinalado] ao Brahimi, quando se encontrava em boa posição para marcar. Mas temos que continuar a lutar contra todas as dificuldades, até porque não é a primeira vez que as temos…

Estamos na recta final, sabemos perfeitamente da importância de cada jogo e vamos continuar a lutar, com a mesma personalidade, o mesmo carácter, tentando ganhar cada jogo. Espero que até ao final do campeonato as decisões sejam mais equilibradas. Se fossem mais equilibradas, talvez fosse mais possível… Vamos seguindo o nosso caminho, nada mais podemos fazer…

O que pode ser decisivo? Não sei, talvez ter mais sorte com as decisões dos árbitros… Se houvesse UMA decisão a nosso favor, diriam que estaríamos empatados… Mas são muitas [decisões a favor do SL Benfica]… É normal os árbitros terem erros, todos temos, mas sempre contra nós não é normal. Quem apita, tem que fazer justiça e nós não a temos tido. Mas já falei muito, posso falar em latim, se quiserem… Mas vamos continuar a lutar até ao fim…


Estas declarações de Lopetegui, feitas na sala de imprensa do Estádio do Dragão, são uma boa síntese, não só do deste FC Porto x Arouca, mas também do que se vem passando no campeonato mais sujo (sujinho, sujinho…) e mais fraudulento da história recente do futebol português (pelo menos, desde que todas as pessoas passaram a poder ver, com os seus próprios olhos, os jogos e os “erros” dos árbitros, sem precisarem de ler os jornaleiros de A BOLA…).


P.S. Podia ter falado do grande jogo de Quaresma, da boa forma e muito boa prestação de Alex Sandro, da exibição tranquila e da decisiva defesa de Helton, na única oportunidade flagrante do Arouca (a tal que é precedida por um fora-de-jogo de 1 metro), mas eles não merecem, nem a mim me apetece, misturá-los com o lodo de um campeonato que fede a merda todas as semanas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

ROUBOS e MEDO

No final do Moreirense x SL Andor, João Pedro, autor do golo da equipa de Moreira de Cónegos, em declarações à Sport TV, desabafou e disse aquilo que todos viram (mesmo aqueles que fingem o contrário):

É de realçar o trabalho da equipa de Moreirense. Fizemos um excelente jogo e ficou à vista que não nos deixaram fazer mais.


[está a falar da expulsão do André Simões?] Estou a falar, antes de mais, do primeiro golo. Nem canto é, e depois há falta clara sobre o André Simões. E depois foi o que se viu.
[sobre a expulsão de André Simões] Não sei o que aconteceu, mas se fosse ao contrário se calhar não era nada.
O Moreirense, tanto na primeira volta [no estádio da Luz] como agora, esteve na frente do marcador. Onze contra onze já é difícil e dez contra onze ainda mais. E só assim é que o Benfica ganhou.


Se os jogadores do Moreirense não tiveram pejo em dizer o que lhes ia na alma, o mesmo não fez o seu treinador. De facto, na conferência de imprensa, embora respondendo às perguntas dos jornalistas e comentando, quase a contragosto, algumas das decisões polémicas do árbitro Jorge Ferreira (vamos chamar “decisões polémicas” ao colinho dado ao SL Andor), Miguel Leal foi muito cordato e prudente na forma como falou da arbitragem.

Entrei em campo para segurar os meus jogadores. Não falei nada com o árbitro. Só queria acalmar os meus atletas. Sei que vou ter jogos do meu campeonato e vi alguma tensão e tentei evitar mais alguma expulsão. Já estamos fragilizados.


Não vou falar da arbitragem. É verdade que o jogo foi decidido no primeiro golo [do Benfica] que não era canto e era amarelo para o jogador. Mas não vou entrar por aí. A minha preocupação foi sempre acalmar os meus jogadores. Aqui, o bom senso tem que imperar por parte do árbitro. Devia perceber o momento que estava a acontecer e as intenções das pessoas. (…)
[sobre a expulsão de André Simões] Ele de facto disse qualquer coisa ao árbitro mas o que ele disse quase todos os jogadores dizem. É preciso avaliar as situações. Ele não falou com o árbitro. Teve um desabafo. Tenho a certeza que noutras situações os jogadores do Benfica também o fizeram.


Já não é a primeira vez que, após serem espoliados de pontos por arbitragens “habilidosas”, vemos os treinadores das equipas adversárias do SL Andor a não reagirem, ou então a fazê-lo de uma forma muito contida, quase a pedirem desculpa por o estarem a fazer.

Miguel Leal (Moreirense), Bruno Ribeiro (Vitória Setúbal), José Mota (Gil Vicente), Manuel Machado (Nacional), José Couceiro (Estoril) e Petit (Boavista), são exemplos, que me lembro, de treinadores que reagiram a medo, falando baixinho, de modo a evitar que, quer os árbitros, quer o clube do regime, ficassem zangados por eles usarem o direito à indignação e darem voz a justos protestos.

E MEDO é a palavra certa porque, sendo treinadores de equipas pequenas, precisam de estar nas boas graças do novo “Papa” (é Bruno de Carvalho quem o diz) e, principalmente, porque não querem ficar na lista negra da classe dos associados da APAF.

Aliás, o MEDO de dizer a verdade, denunciar a ROUBALHEIRA e chamar “os bois pelos nomes”, não afecta apenas treinadores de equipas pequenas. Basta ver a forma titubeante como reagem os comentadores da SportTv aos lances polémicos que envolvem o SL Andor, ou mesmo alguns ex-árbitros, que não querem perder o “tacho” de comentadores de arbitragens nas televisões do regime.

Tribunal de O JOGO referente ao Moreirense x SL Benfica

Toda a gente vê, toda a gente sabe mas, no final do campeonato, não faltarão desavergonhados a tecerem loas ao título conquistado pelo SL Andor, mesmo sabendo que é o título mais fraudulento desde que todos os jogos passaram a ser transmitidos pela televisão.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Filme “A Fraude”: Take 22

Jorge Ferreira rodeado por jogadores do Moreirense (foto: LUSA / Estela Silva)

«O Benfica superou um dos testes mais difíceis fora do seu Estádio da Luz. E superou-o sem nota artística, como seria de esperar, deixando o Moreirense com fortes queixas em relação à equipa de arbitragem.
A equipa de Jorge Jesus foi surpreendida por um golo de João Pedro após um intenso cerco à baliza de Marafona. Acusou a desvantagem sem perder o Norte e beneficiou de erros alheios para regressar a casa com um sorriso. (…)
Uma hora de jogo. O Benfica acaba de empatar num pontapé de canto inexistente. Elízio esticara a perna e Salvio caíra na área. Fica o pormenor: o brasileiro não tocou certamente na bola. Nem parece derrubar o argentino. Na sequência do canto apontado por Pizzi, Luisão anulou a desvantagem. O caldo entornaria logo depois. Insatisfeitos com a situação, os jogadores do Moreirense excederam-se nos protestos, segundo Jorge Ferreira. O árbitro do encontro mostrou o cartão vermelho direto a André Simões, semeando a confusão. Jorge Jesus e Miguel Leal surgem entre os que entram em campo e recebem igualmente ordem de expulsão. Muito feio.
Houve então o jogo até esse momento e outro a partir daí. O Benfica, impulsionado pelo golo do empate e em vantagem numérica, pressionou em busca do segundo e ele chegou em poucos minutos. (…)
O Moreirense reclamou ainda uma grande penalidade, na resposta, em duelo entre Eliseu e Danielson na área do Benfica. Ficam dúvidas.»


Este texto foi escrito pelo jornalista Vítor Hugo Alvarenga e é parte da crónica do Moreirense x SL Andor de hoje, publicada no Maisfutebol.

Ao texto anterior, por si só bastante elucidativo, eu apenas acrescentaria o seguinte:

1) Quando, ao minuto 57, Salvio entrou na área do Moreirense e se atirou para a piscina é notório que o jogador do Moreirense não faz falta e muito menos toca na bola. O árbitro, em vez de mostrar um cartão amarelo ao extremo do SL Andor (por simulação grosseira), assinalou canto (!!!), do qual nasceu o golo do empate (sim, com quase uma hora de jogo, o SL Andor não conseguia superiorizar-se e estava a perder 0-1).

2) Perante um erro de arbitragem, o qual esteve na origem do 1º golo dos encarnados, é natural que os jogadores do Moreirense fiquem muito chateados e desabafem com o árbitro. Foi, provavelmente, o que fez André Simões, dando ao árbitro o pretexto necessário para o expulsar (cartão vermelho directo!!!) e assim, num espaço de três minutos, dar o 2º e decisivo golpe na resistência da equipa de Moreira de Cónegos. Parabéns!

3) O árbitro deste Moreirense x SL Andor, o senhor Jorge Ferreira, é o mesmo que arbitrou o FC Porto x Boavista e que, aos 25’, expulsou Maicon também com um vermelho direto, obrigando os dragões a jogar com menos um durante 65 minutos! Parabéns!


P.S. Após o final deste Moreirense x SL Andor, troquei algumas impressões, por correio eletrónico, com alguns amigos portistas. Ninguém se recorda de um campeonato, em que a ROUBALHEIRA tenha sido tão sistemática, sempre a favor do mesmo clube e atingido a dimensão daquilo a que estamos a assistir esta época. Eu vejo futebol há cerca de 40 anos e não me lembro de nada comparável.