Como é (presumo) do conhecimento de todos os portistas, Vítor Baía proferiu um conjunto de afirmações muito críticas do momento atual do FC Porto e, particularmente, dos dirigentes que rodeiam o presidente Pinto da Costa:
“Se eu [Vítor Baía] fosse presidente do FC Porto, a primeira coisa que fazia era correr com aquela gente toda [que rodeia Pinto da Costa]. Acabava com todas aquelas relações promiscuas que existem e recolocava o clube na senda da honestidade e seriedade”
Ora, é perfeitamente natural que o núcleo duro de Pinto da Costa, a célebre “estrutura”, não tenha gostado destas declarações. Agora, como é óbvio, quem exerce cargos em clubes/SAD's, tem de estar preparado para ouvir este e outro tipo de críticas (treinadores e árbitros ouvem pior todas as semanas).
Assim sendo, e não tendo havido qualquer ataque pessoal, por alma de quem é que a esposa do presidente do FC Porto veio a público responder e fazer ataques pessoais a um sócio do Futebol Clube do Porto (o qual também é um destacado ex-atleta e ex-dirigente do clube)?
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| Notícias na comunicação social da resposta-ataque da esposa de Pinto da Costa |
Li e ouvi muitas reacções às declarações (feitas nas redes sociais) da esposa do presidente do FC Porto.
Podemos especular sobre os motivos desta sua intervenção intempestiva, a tentar silenciar uma voz crítica e, pelos vistos, incómoda.
Contudo, na minha perspectiva, o essencial é dito no artigo seguinte, da autoria de Luís Aguilar, e do qual reproduzo, com a devia vénia, os seguintes extractos.
«E eis que o FC Porto se transforma num clube em que as mulheres dos dirigentes dão bitaites nas redes sociais e ofendem figuras históricas da instituição. Longe vão os tempos em que os dragões falavam a uma só voz – a do presidente – e em que os outros testemunhos, que raramente apareciam, serviam apenas para sublinhar o que Pinto da Costa já tinha dito, fosse bom ou mau. Era um clube com estratégia e organização. Era uma equipa com muitas referências de balneário. Com jogadores que tinham muitos anos de casa. Símbolos como Vítor Baía. Não havia espaço para eleger um capitão como Bruno Martins Indi, por exemplo, que chegou apenas na época passada. Os tempos, porém, são outros. Pinto da Costa deve estar muito mal para permitir que a forte estrutura que criou seja agora uma mercearia de bairro em que todos julgam ter o direito de lavar roupa suja.
A esposa do presidente dos dragões usou o Instagram para atacar Vítor Baía. O antigo capitão do Porto tinha dito, entre outras coisas, que "pessoas que dão facadas a Pinto da Costa estão ao seu lado" e que, no lugar do presidente, "corria com toda a estrutura atual", manifestando, uma vez mais, a sua disponibilidade para um dia assumir os comandos do clube. É uma opinião de quem conhece bem a casa. Uma ambição legítima. Mas logo veio a esposa do líder dos dragões defender a honra do marido – que não tinha sido posta em causa por Baía – num post lamentável. "Quando me chamaram à atenção para essas declarações do ex-guarda-redes Vítor Baía não contive a gargalhada", começa por escrever a mulher de Pinto da Costa. Tudo o resto que se segue é demasiado triste para rir.
(...) Se Baía não pode falar dos dragões, então ninguém pode. Mais grave: teve de ler, entre outras apreciações, que "passeava as suas namoradas em trajes mínimos" na SAD e que "não soube gerir o seu próprio dinheiro", num ataque claro aos problemas financeiros da sua fundação. O que tem isso a ver com futebol e o estado atual do clube? Nada!
Em 2014, Maldini criticou severamente a gestão do Milan. Nessa altura, contudo, o histórico capitão da equipa italiana não foi atacado pelas esposas de Berlusconi ou Galliani. No reino do dragão, a história é outra. O clube que durante tantos anos se orgulhou da forma como controlava a sua comunicação – característica que se dizia ser um dos segredos de tantas vitórias – está transformado numa república das bananas em que falam as mulheres dos presidentes e até os pais dos treinadores. Cada um diz/escreve o que quer. Os resultados – ou falta deles – estão à vista. O Porto não era isto. Agora, pelos vistos, parece não ser mais do que isto.»


