No passado mês de Dezembro o FC Porto contratou a promessa mexicana Diego Reyes por 7 milhões de euros, no valor de 95% do seu passe. A esses sete milhões juntaram-se mais 2 milhões em comissões e prémios, inflacionando o preço para nove milhões.
Gosto do Reyes, vi-o jogar na liga mexicana e, sobretudo, com a selecção - fez uns Jogos Olimpicos espectaculares - mas sou o primeiro a dizer que se há posição onde estamos bem cobertos é a de central. E também quem reclama há mais tempo neste espaço a contratação do Paulo Oliveira para eventual suplente/substituto do Mangala. Há quem diga que o Reyes joga também na posição do Fernando, mas essa não é a sua posição natural e não entendo porque se paga tanto por um jogador para depois adapta-lo. Também o Varane jogava ocasionalmente a médio defensivo no Lens e no Real Madrid ninguém se lembrou de o pôr lá com o grande central que é.
Pois bem, Reyes ainda não chegou, ainda não jogou, e já só é nosso em 47, 5%.
Surpreendidos? Com esta gestão, eu não.
Um mês depois de ter sido contratado, o clube vendeu metade do passe por 3,5 milhões de euros (o valor exacto dos 7 milhões) à GOAL Luxemburgo, quem senão. Agora, parece-me óbvio, que quando alguém queira vender o Reyes pelos 15 ou 20 milhões seguramente acabará por pagar por ele, esses 50% sejam recomprados por um valor superior, quem sabe mais 5 ou 7 milhões, reduzindo a margem de lucro em, pelo menos, 3 ou 4 milhões de euros. Tem lógica essa operação?
Há quem defenda que o FCP realiza estas operações por necessidades de tesouraria.
Que nem sequer tinha dinheiro para pagar o Reyes quando o comprou (então para quê comprar, principalmente numa posição onde não somos deficitários e há opções mais baratas no mercado??) e que por isso esta venda de passe foi uma forma de conseguir o único dinheiro para dar o sinal ao América.
Podia entender isso depois de um Verão sem vendas, depois de um ano em que não entra o dinheiro da Champions.
Ora bem, em Setembro tinha saído para o Zenit o Hulk pelos valores que sabemos. Os russos ainda devem 20 milhões de euros, pelo que suponho que já tenham pago os 20 milhões que lhes correspondia. Dinheiro fresco! O FC Porto também fez uma excelente fase de grupos da Champions, e o dinheiro da UEFA seria sempre uma significativa mais valia a fim de ano, bem por cima dos 10 milhões de base.
Portanto, nesse cenário, que necessidade tão urgente tem o FC Porto de abdicar de metade do passe de um dos jogadores com mais mercado de futuro por uns meros 3,5 milhões de euros? Mais se corre o risco de, para recuperar essa percentagem, ter de pagar até o dobro desse valor?
Sinceramente a questão das comissões é um tema sério mas esta compra e revenda começa cada vez mais a parecer-me algo mais próximo a coisas bem mais desagradáveis e sujas do que meras urgências financeiras a curto prazo. O FC Porto não tinha, em Janeiro de 2013, sabendo-se nos Oitavos da Champions, sabendo que tinha mercado para dois ou três jogadores em Junho, sabendo que tinha vendido Hulk e que tinham de entrar 13 milhões de Falcao, 10 de Hulk e 10 do Inter por Guarin e Alvaro nos meses seguintes, dinheiro suficiente para evitar este negócio?
Cada um que pense o que quiser, seguramente haverá opiniões divididas. A minha já a conhecem de sobra. Com este tipo de negociatas de ruela, só há uma entidade que sai prejudicada: chama-se Futebol Clube do Porto.