quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - letra C

Cunha Leal – Ex-dirigente do Benfica, foi um dos homens escolhidos por Luís Filipe Vieira, em Julho de 2002, para ocupar um dos lugares-chave na estrutura da Liga – o de Director Executivo. Adoptou uma postura de low-profile e não foi considerado um dos “rostos do sistema” (nestas coisas, o Dias da Cunha é que sabia!), mas foi, seguramente, um dos peões mais importantes no xadrez benfiquista, tendo sido decisivo no caso Ricardo Rocha e na aceitação da transferência do jogo Estoril – SLB para o estádio do Algarve (ambos os casos na época 2004/05). Em consequência da operação ‘Apito Dourado’, substituiu o Major Valentim Loureiro na presidência da Liga, com o beneplácito do presidente da Assembleia Geral da Liga, o também benfiquista Adriano Afonso.


Calheiros, Carlos – Em 31/01/1997, o Director-adjunto do Diário do Notícias (DN), António Ribeiro Ferreira, escreveu o seguinte a propósito do designado “caso Calheiros”: «O Independente noticiou a possível acusação de Pinto da Costa no caso da viagem ao Brasil do árbitro Carlos Calheiros. Rádios, jornais e televisões deram o devido destaque à notícia (...). Ontem, depois de vários dias de investigação, o DN fez a seguinte manchete: «Pinto da Costa ilibado no caso Carlos Calheiros.» E isto porque o DN acompanhou o desenvolvimento das investigações e o resultado da análise aos documentos entregues por Pinto da Costa no momento em que foi interrogado nas instalações da PJ no Porto. Muito zelosa, e provavelmente com medo do inquérito de Cunha Rodrigues, a Judiciária tornou público um comunicado em que acaba por não desmentir – nem confirmar – a manchete do DN. O pior foi depois. Com base nesse comunicado, assistiu-se a um autêntico festival de analfabetismo militante de jornais, rádios e televisões, com a honrosa excepção da RTP 1. Para esses órgãos de comunicação social, do comunicado da PJ poderia concluir-se que a notícia do DN não era verdadeira ou, numa versão mais inocente, que a Judiciária desmentia a nossa manchete. (...) Quando polícias e analfabetos povoam este país, o mundo está mesmo perigoso.»


Campanhas anti-Porto – Em 1922, pela primeira vez na história, um clube iria poder intitular-se Campeão de Portugal. Patrocinada pela União Portuguesa de Football, a final oporia os campeões regionais do Porto e de Lisboa, FC Porto e Sporting respectivamente. Depois de dois jogos que terminaram com vitórias para as equipas da casa, foi preciso realizar um 3º jogo e o sorteio determinou que ele se realizasse no Porto, no campo do Bessa, no dia 18 de Junho de 1922. A partida foi dramática e no termo dos 90 minutos estava empatada a uma bola. Foi preciso recorrer a um prolongamento, no qual o Porto se revelou claramente superior, tendo ganho por 3-1.
Como, já nessa altura, o Sporting nunca perdia por mérito dos outros, após o jogo queixaram-se de um alegado clima de intimidação vivido no Porto e ameaçaram protestar o jogo. A reacção portuense não se fez esperar. Na edição de 1 de Julho do jornal ‘Sporting’ (não tinha nada a ver com o clube com o mesmo nome), num artigo intitulado “campanha vergonhosa”, lamentava-se “a atitude anti-desportiva de certa imprensa de Lisboa” acusada de revelar “um espírito faccioso, uma forma de apreciar e louvar apenas o que é seu, desprezando o que é dos outros e levando-a à campanha mais feroz alguma vez ventilada nas colunas dos jornais desportivos, porque não aceitava que o título supremo não fosse apanágio de um clube da sua terra mas de um clube de província”. E mais à frente acrescentava, “protestar contra a decisão de um match disputado o mais regularmente possível só lembrava ao Sporting e aos que lhe acalentam os vagidos; tenham juízo e vergonha”. Se em 1922, sportinguistas e imprensa lisboeta já reagiam assim, porque é que passados 86 anos havia de ser diferente?

Sistema de bilhética do Dragão

Este assunto tem surgido recorrentemente em conversas com amigos, família e colegas. Neste fim-de-semana este tópico surgiu novamente: tinha três pessoas que queriam ir comigo ao jogo FC Porto – UD Leiria! Aproveitei a deixa para pensar um pouco no assunto: - Como fazer quando se quer levar alguém connosco para assistir a um jogo?
A resposta mais usual quando faço esta pergunta é um sorriso sarcástico acompanhado por um comentário mordaz do género «Vais à bilheteira e compras um bilhete!»

A questão vai um pouco além da simplicidade que aparenta:
- Sou sócio com lugar anual.
- Quero que as pessoas que me acompanhem fiquem junto a mim.
- Os lugares à minha volta estão geralmente todos ocupados por outros sócios com lugar anual

Existe alguma resolução para este problema? Que seja do conhecimento público, não! Se for comprar os bilhetes através do processo actual, o mais provável é que acabe por ficar separado das pessoas por umas filas, um sector ou mesmo uma bancada.

A solução lógica para esta situação é permitir que um sócio (ou um grupo de sócios) com lugar anual mude de lugar para poder ir para perto dos seus convidados. Quando fosse comprar os bilhetes para os seus convidados o sócio poderia requisitar a alteração do seu lugar (alteração válida exclusivamente para esse jogo) para outro lugar.

Quais são os ganhos para o FC Porto de uma medida deste género? Parece-me evidente que iria existir um aumento na venda de bilhetes. Se cada sócio com lugar anual levasse um convidado por época, significaria uma receita adicional de cerca de 350.000€ (valor puramente especulado e baseado no preço para um bilhete para público mais barato, a 10€, para um total de 35.000 sócios com lugar anual). Eu por ano "deixo" de levar companhia para o estádio 4/5 vezes por época!

Será que o ganho justifica o investimento na alteração do sistema? A isso só o FC Porto e a empresa encarregue da bilhética (Novabase) podem responder... Mesmo que a curto prazo seja um investimento, creio que a longo prazo pode ser transformado num proveito, potenciando os lugares que habitualmente ficam por preencher no Estádio do Dragão.
Entretanto, os convidados vão ficando por casa...

A SAD pós-Pinto da Costa (II)

Para continuar a discussão em título, cito duas lúcidas afirmações do ilustre colega Mário Faria num fórum sobre o FC Porto:
- Os sócios querem (eu também) manter um controlo (ainda que indirecto) sobre a SAD, mas quem mais pode é o dinheiro, e quem tem o ouro é que faz as regras.
- Por outro lado, acho que quem investiu tem “direito” a um determinado controlo desse financiamento. E como chegar a esse controlo se o FCP – os seus dirigentes – com 40% consegue o monopólio do poder.

Eu, enquanto sócio, não faria questão de manter um controlo (ainda que indirecto) sobre a SAD se, aquando da sua criação, o clube não tivesse contribuído com todo o plantel de futebol que serviu para representar 40% do seu capital, como foi o caso. Do modo como as coisas se passaram, o clube passou a ser o principal accionista e, assim sendo, faço mesmo questão que mantenha o controlo da SAD.
Se se vier a revelar necessário um novo aumento de capital para a sobrevivência financeira da SAD, isso significaria o fim do modelo pensado e criado em 1997 e nesse caso seria aconselhável que Pinto da Costa convocasse eleições de onde sairia um presidente mandatado e legitimado para operar todas as alterações tendentes a uma nova estrutura accionista na SAD.

A ideia de que quem mais pode é o dinheiro e que quem tem o ouro é que faz as regras está correcta mas, a aplicar-se à SAD do FC Porto, então quem mais pode é, ainda, o clube.

Falando em poder, há normalmente uma tendência para se confundir duas formas diferentes de poder numa sociedade: a administração e os accionistas. Nas grandes empresas (e na SAD também) raramente estas duas figuras são a mesma entidade e, por isso, surge o chamado “Problema de Agência” (Jensen e Meckling, 1976). Uma relação de agência existe quando uma ou mais pessoas (os principais, neste caso accionistas) delegam poder de decisão em outra pessoa (o agente, neste caso a administração). O principal contrata o agente para realizar uma acção que ele próprio não tem tempo ou capacidade para realizar. Ora sucede que os factores que maximizam a utilidade das partes não são necessariamente os mesmos, o que dá origem a conflitos e provocam custos ou perdas de valor. Estes autores defendem que se deve “abrir a caixa negra (a empresa) e evidenciar a estrutura de relações e os conflitos de interesses ou objectivos individuais que nela se verificam”. Eu acrescento: antes de se proceder a qualquer alteração dos estatutos e/ou modificação da estrutura accionista, há que abrir a “caixa negra” e garantir a separação entre Gestão (propostas e implementação) e Controlo (ratificação e monitorização). A partir daí criar as condições para que: - os administradores venham a agir de acordo com o objectivo de maximização da riqueza dos accionistas; - não haja expropriação dos recursos da empresa pelos administradores.

Se se verificar mais cedo ou mais tarde um aumento de capital ou a modificação da estrutura accionista da SAD com “takeover”, certamente que os novos accionistas irão exercer a sua influência na constituição de um novo conselho de administração. E se é certo que até aqui os investidores confiaram cegamente na equipa liderada por Pinto da Costa, estou seguro que sem a presença do actual presidente poucas probabilidades existirão de se manter um único dos actuais membros no conselho de administração. Quem investe o seu dinheiro quer normalmente alguém de confiança a geri-lo, para que depois não lhe venham “exigir” novos aumentos de capital. No futuro, os “técnicos” e especialistas em futebol não têm necessariamente de ser administradores, antes podem e devem ser funcionários da sociedade, independentemente de quem seja escolhido pelos accionistas para compor a administração. Vejo a necessidade de os especialistas no futebol permanecerem o máximo de tempo possível na SAD, como funcionários, sem estarem sujeitos às normais alterações na composição dos conselhos de administração. Aliás, acredito que as estruturas fortemente organizadas criadas em torno do futebol sejam já “hard skills” da SAD, que não estão dependentes da presença de uma ou de outra pessoa.

A segunda frase também tem a sua razão. Mas lembremo-nos que ao longo dos anos os demais accionistas têm vindo a renovar a sua confiança nas sucessivas administrações lideradas por Pinto da Costa. Eles têm efectivamente prescindido da sua “parcela de controlo” pela confiança que depositam no actual presidente. Mas a questão colocada pelo Mário Faria é pertinente: como tornar então a sociedade atractiva a investidores se o clube detém 40% e os estatutos da sociedade lhe estão “blindados”?

Serão necessários novos investidores?
A administração da SAD terá de saber se a actual estrutura lhe é suficiente ou se realmente precisará de investidores no futuro. Poderá aparecer com o tempo a necessidade de uma estrutura accionista diferente, principalmente no pós-Pinto da Costa. E uma nova arquitectura financeira da sociedade poderá ser a base de uma estratégia para maior criação de valor, isto se houver a necessidade de financiamento externo e se o negócio se revelar incapaz de continuar a gerar os cash-flows necessários à prossecução da actividade. Aguardemos os resultados dos próximos anos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Calabote

Calabote, Inocêncio – Faltava uma jornada para o fim do campeonato de 1958/59 e o FC Porto e o Benfica seguiam empatados na liderança do campeonato. Tendo empatado os dois jogos entre si, a diferença global de golos era decisiva e, nesse item, o FC Porto tinha uma vantagem de 4 golos. Tudo se ia decidir a 22 de Março de 1959, com o FC Porto a deslocar-se a casa do último classificado (o Torreense) e o Benfica a receber na Luz uma equipa do meio da tabela (a CUF).

Durante a semana que antecedeu o jogo, o Torreense transformou-se numa espécie de Benfica B, com os treinos a serem orientados por elementos dos encarnados, tendo-se chegado ao cúmulo de, durante o jogo, um treinador do Benfica – o argentino Valdivieso – se ter sentado no banco do Torreense. A muito custo o FC Porto venceu por 3-0, com os dois últimos golos a serem marcados nos minutos finais da partida.

No entanto, como nesse tempo não havia “sistema” mas valia tudo, os portistas tiveram de esperar quase quinze minutos após o fim do jogo para poderem festejar.
E porquê?
Em primeiro lugar, e apesar dos regulamentos dizerem que os jogos tinham de começar à mesma hora, o do Benfica começou com sete minutos de atraso; depois, porque na Luz se destacaram dois “artistas”: o guarda-redes da CUF – um tal de Gama (que nome tão apropriado!) – que, de tão “infeliz” nesse jogo, teve de ser substituído a pedido dos próprios colegas e, principalmente, o árbitro alentejano Inocêncio Calabote que, entre outras decisões incríveis, marcou três (!) penalties a favor do Benfica e prolongou o jogo por mais oito minutos. O Benfica ganhou por 7-1, mas não chegou (faltou mais um golo).

Manuel de Oliveira, que viria a ser um dos mais cotados treinadores portugueses, era na altura jogador da CUF. Em declarações ao jornal RECORD de 23/01/2006, não teve dúvidas em afirmar: “Estava tudo feito. Foram assinaladas três grandes penalidades contra nós e nenhuma delas existiu. (...) O jogo foi preparado muito antes (...) Para começar, o Benfica promoveu um atraso de 7 minutos para o recomeço do jogo e depois confirmou-se o momento mau pelo qual passava o nosso guarda-redes, Gama, que foi muito pressionado durante a semana por elementos ligados ao adversário. E a verdade é que ele não foi feliz. (...) O jogo obedeceu a um arranjo e, quanto a isso, não tenho a menor dúvida”.

Perante tamanho escândalo que, ao contrário do que era habitual, não foi possível abafar (graças à força política da família Mello, donos da CUF), o “inocente” Calabote foi irradiado em 11 de Outubro de 1959.
No entanto, até hoje perdura uma questão: se o árbitro foi irradiado por, supostamente, ter sido subornado, porque razão nada aconteceu a quem o subornou?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Bruno Paixão

Bruno Paixão – Este árbitro, filiado na Associação de Futebol de Setúbal, começou a “dar nas vistas” muito jovem, na época 1999/2000. Entre outros jogos, destacam-se um Belenenses – FC Porto, disputado a 04/10/1999 e um Sporting – Salgueiros, disputado a 16/01/2000, onde a sua acção foi decisiva para que o FC Porto perdesse dois pontos e o Sporting ganhasse três. Mas o melhor estava ainda para vir.

A 19 de Fevereiro de 2000, num Campomaiorense – FC Porto, o país inteiro assistiu à “arbitragem mais infeliz” desde o célebre Benfica – CUF de finais dos anos 50 (ver ‘Calabote’).

Quatro penalties por assinalar – um sobre Domingos (Rogério Matias derruba-o), mais três sobre Jardel (sempre agarrado por José Soares) –, um golo limpo anulado a Mário Jardel, e três agressões de José Soares a Jardel (as imagens da RTP mostraram uma estalada e as da SIC dois murros) que ficaram impunes.
O seguinte vídeo não mostra tudo, mas é, por si só, elucidativo.

Umas semanas depois, através do jornal O JOGO, soube-se que observador do árbitro lhe atribuiu uma nota altíssima, muito perto do máximo possível (145 pontos). Parafraseando o Dias da Cunha, foi o “sistema” no seu esplendor!

Graças, em grande parte, à sua acção em três jogos – 5 pontos “subtraídos” ao FC Porto em Belém e Campo Maior e 3 pontos “oferecidos” ao Sporting –, o FC Porto não conseguiu atingir o Hexa, o Sporting pôs fim a um jejum de 18 anos e ele, o Bruno, despertou paixões de Norte a Sul.

Nos anos seguintes, e com a protecção dos senhores José Luís Tavares (à época, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga) e Carlos Valente (membro do CA da FPF), continuou em ascensão, numa caminhada que o havia de levar a árbitro internacional. Actualmente, continua no activo e em “pleno”, destacando-se quando arbitra o seu clube do coração (são os próprios amigos que dizem que ele chorava quando o Benfica perdia).

Há paciência no futebol?

"Não me está a surpreender. É preciso trabalhar muito, confiar e ter paciência, o que não existe no futebol".

Estas declarações referentes a Ernesto Farías, foram proferidas por Jesualdo Ferreira na sala de imprensa do Dragão, após a vitória frente ao Leiria. Uma afirmação simples e directa do Professor, mas que descreve de forma exemplar a complexidade e a exigência continua do futebol dos dias de hoje.


Quantos de nós, em diversos momentos, se manifestou com duvidas sobre a valia de jogador X, Y ou Z? Pegue-se neste exemplo concreto de Farías e, certamente, não faltariam por aí correntes de pensamento que suscitavam duvidas sobre as qualidades do avançado (eu incluído). Quando surgem dois ou três resultados negativos, também é fácil concluir a coreografia típica das bancadas.


Nesta sociedade (onde o futebol se incluí), que vive permanentemente sedenta de informação, que cria heróis à mesma velocidade que cria vilões, é necessário da parte de quem orienta uma equipa, uma boa dose de confiança quer no seu trabalho, quer no dos seus comandados, paciência para fases menos positivas, e acreditar nas suas capacidades.


Com toda esta pressão mediática, será certamente bem difícil para o treinador gerir todas as emoções, não se deixar a si e aos seus, influenciar por estas vozes externas. Não haverá formulas milagrosas, mas, estou em crer, que toda esta pressão pode ser atenuada se o grupo de trabalho estiver resguardado por uma estrutura forte e coesa, como a que existe no FC Porto. Foi, esta mesma estrutura, que deu confiança a Jesualdo no final da época passada, quando a sua afirmação no Clube ainda não era um dado adquirido e, agora, o Treinador retribuíu o gesto para com Farías.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - letra A

Muita gente fala no “sistema” mas, afinal, o que é o “Sistema”?

A meio da época 2003/04, o Dr. Dias da Cunha, na altura presidente do Sporting, afirmou o seguinte numa entrevista: «Olhe, eu já falei muito do sistema, mas posso dizer-lhe o seguinte: o sistema é, por exemplo, ter feito vingar o princípio das nomeações contra o princípio do sorteio. Isso é claramente o sistema! As pessoas que se moveram para que isso acontecesse são tipicamente as pessoas do sistema.»

Eu li isto e pensei: finalmente alguém dá um exemplo concreto do que é o “sistema”. Mas... é público que quem se moveu para acabar com o sorteio dos árbitros e voltar às nomeações, contra a opinião e votos (!) do Sporting e FC Porto, foi o Benfica. Ora, à luz desta afirmação de Dias da Cunha, isso significava que o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira (LFV), é uma pessoa do sistema, certo?
Contudo, o presidente do Sporting apareceu ao lado do mesmo LFV, acusando o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, de ser um dos “rostos do sistema”!

Confusos? Pois, perante tanta “coerência”, também eu fiquei confuso. Por isso, meti mãos à obra, investiguei arduamente e, finalmente, elaborei (sem a colaboração da Leonor Pinhão) a primeira versão não autorizada do Dicionário do “Sistema”, que decidi partilhar convosco.

Este "dicionário" está recheado de ironia, mas é baseado em factos do conhecimento público. Atendendo a que é um documento muito extenso, e para não ser maçudo, irá ser publicado neste blog letra a letra.

Agradeço, desde já, todos os contributos, desde comentários a sugestões de novas entradas para este “dicionário”.

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A

Adriano Pinto – Falecido recentemente foi, durante muitos anos, Presidente da Associação de Futebol do Porto e, por isso, um antigo “rosto do sistema”, quando os órgãos dirigentes do futebol profissional eram escolhidos pelas associações de futebol. Para acabar com esse “sistema”, esvaziou-se o poder das associações e os campeonatos profissionais passaram a ser organizados e geridos pela Liga, na qual cada clube tem o mesmo número de votos. O problema é que essa mudança, “fundamental para a credibilidade do futebol”, foi há 13 anos (a partir da época 1995/96) e, depois disso, o FC Porto continuou a ganhar campeonatos, uns atrás de outros, e até chegou ao Penta (facto inédito em Portugal). Por isso, foi (e é!) preciso arranjar outro “sistema”, porque está visto que o actual também não serve.

Apito Dourado – Mega processo mas em que o essencial está na investigação a uma suspeitíssima vitória e um suspeitíssimo empate do FC Porto na época 2003/04 (em que, por acaso, o FC Porto foi campeão europeu), respectivamente nos dificílimos jogos em casa com o Estrela da Amadora e fora com o Beira-Mar. Com base nas credibilíssimas declarações de Carolina Salgado e do livro que publicou (reescrito por Leonor Pinhão), a equipa especial liderada por Maria José Morgado, reabriu processos contra Pinto da Costa que já tinham sido arquivados. Contudo, o mesmo dream team não revelou interesse em investigar a conversa telefónica em que os presidentes da Liga e do Benfica combinavam o árbitro a nomear para um jogo da Taça de Portugal e em que Luís Filipe Viera, após recusar diversos árbitros, referiu que iria resolver o assunto por outro lado.



Que se saiba, também não houve qualquer interesse em investigar os almoços no ‘Sapo’ de José Veiga com árbitros e muito menos os antecedentes e arbitragens dos jogos entre o Benfica e o Estoril da época 2004/05. Os desesperados com as sucessivas vitórias do FC Porto, fazem por ignorar os muitos apitos encarnados e agarram-se a este apito como náufragos a tábuas de salvação rachadas.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Um tango à moda do Porto

Partiu ontem do Estádio do Dragão a expedição "Dragões em África", que vai ligar Luanda a Maputo numa viagem solitária de mota. Coincidentemente, também no relvado do Dragão se viu mais um episódio de uma caminhada solitária: mais concretamente, a caminhada do FCP para o título.

Da mesma forma que Mark Twain afirmou "As notícias da minha morte são francamente exageradas", o relançamento da corrida pelo título tão estridentemente apregoado na última semana em função da estocada que o FCP levou em Alvalade teve um não-sei-quê de ficção científica.

Se é verdade que o Leiria é uma equipa muito acessível, também é verdade que vinha da sua primeira vitória no campeonato e que é em campo que se demonstra que a lógica não é uma batata: ora o FCP demonstrou-o de forma convincente, ao contrário de outros que 300km mais a sul se viram incapazes para o fazer. Quase que dá vontade de dizer que enquanto uns competem na maratona do campeonato num bólide de Fórmula 1, outros fazem-no de bicicleta...

Ontem viu-se um FCP sério, determinado e competente e em crescimento de produção ofensiva - pela 2a vez consecutiva marcou 4 golos em casa (e se não os marcou em Alvalade não foi por falta de oportunidades). Nota-se que tem havido um aumento progressivo de maturidade, tanto individual como colectiva: Lisandro está como o aço; Meireles, Lucho e Bosingwa integram-se cada vez melhor nas manobras ofensivas; "last but not least", Farías começa a confirmar em pleno os galões de "matador" com que chegou há 6 meses - aliás, se há alguém que pode rever-se em pleno nas palavras acima citadas de Mark Twain, esse alguém é certamente Ernesto Farías.

Neste jogo, saliente-se também a forma como Quaresma arrumou (positivamente) com as dúvidas sobre como seria o reencontro com o público do Dragão; e a estreia auspiciosa de Castro no campeonato.

Concluindo: não há razões para entrar em euforias desmesuradas, até mesmo porque algumas dúvidas permanecem no ar (alternativas no meio-campo a Lucho e Meireles, ainda mais com o "desaparecimento" de Leandro Lima e o ocaso de Kaz; confirmação - ou não - de Mariano como uma alternativa credível). Mas como Jesualdo Ferreira diz, há que "encarar o futuro jogo-a-jogo" - e com toda a confiança, apetece-me acrescentar.

PS - Apenas 32mil espectadores num fim de tarde de sábado, quando o FCP tem 1 milhão de adeptos a menos de 30 minutos do Dragão e quando a equipa liderava o campeonato com 8 pontos de avanço: penso que são números que merecem uma forte reflexão da parte da SAD.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

O caminho faz-se caminhando

O que vamos ter após PC? O que podemos fazer? Se calhar nada. E o que devemos esperar? Se calhar tudo.

As vitórias desportivas do FCP sob a presidência de PC foram mais que muitas. Hoje o FCP, em função desse sucesso, tem um enorme prestígio, mau grado a perseguição que lhe é movida por esse país fora, sob os melhores e piores pretextos.

PC foi sempre muito importante como principal parceiro dos sucessos e como a principal almofada de todas as crises, algumas das quais bem recentes. É nos momentos mais complicados que se reconhecem os lideres, e PC saiu sempre por cima, pelo menos até agora.

Apesar disso, os sócios do FCP tem o dever de estar atentos ao presente e preparados para intervir no futuro. PC tem muitos anos de clube e já não é nenhum jovem. Pensar na sua sucessão é um exercício. Planear os seus termos, gerir a mudança, evitar as ondas de choque e escolher a personalidade para liderar o clube e a SAD será bem mais difícil. Uma chatice que nos vai incomodar lá mais para diante, em tempo rigorosamente incerto. Até lá, folgam as costas.

Aconchegados nas conquistas retumbantes, confiantes na perspicácia e competência de PC e mais preocupados na defesa do clube (e do seu Presidente) contra as muitas investidas do “inimigo”, uma boa parte dos sócios continua feliz - o poder da inércia ajuda -, e são muito poucos os que se inquietam relativamente ao futuro.

E se calhar têm razão. Sem concorrência, PC mantém o poder, segundo as condições que o próprio entende. No FCP ou na SAD, nem precisa de apresentar o guião. Os sócios ou porque confiam (a grande maioria) ou porque preferem perder por falta de comparência (uma pequena minoria), continuam a escrutinar e aprovar a centralização do “poder máximo” no seu Presidente.

E, sendo assim, só nos resta esperar. Como não acredito que haja quem tenha coragem para se apresentar como alternativa a PC ou com alternativas ao actual modelo de organização, vamo-nos contentando em discutir o dia a dia do futebol e alguns episódios esporádicos de alguma controvérsia, como foi o “lamentável” comunicado da SAD a desmentir as declarações do Dr. Póvoas. A saída de PC vai ocorrer segundo a sua agenda, a não ser que ocorra algum terramoto no país do Dragão, o que não sendo provável não é de todo impossível, pois como se sabe, apesar de não ser uma zona sísmica de risco, algumas fendas foram abertas.

Porém, como já tive oportunidade de escrever, como todos os caminhos, o caminho pós PC far-se-á caminhando. Continuo a confiar na nossa massa associativa e a entender que a proximidade entre sócios o clube e a SAD é desejável, para que esse percurso decorra sem incidentes graves.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Mercado de Inverno

Ontem pelas 18h fechou o período de inscrições para o chamado "Mercado de Inverno".
O FC Porto não fez nenhuma contratação neste período, optando apenas por chamar ao plantel dois jogadores que estavam emprestados a outros clubes: Hélder Barbosa e Rabiola.

Podem-se fazer várias leituras sobre esta opção: os responsáveis (SAD e treinador) estão satisfeitos com o plantel actual, não conseguíram materializar os contactos que fizeram durante este período, ou estão escaldados com as investidas anteriormente feitas no mês de Janeiro (Lucas Mareque e Renteria).

Como sempre, é impossível agradar a todos!
Há posições do terreno que deviam/podiam ser reforçadas. A posição de lateral esquerdo parece ser a mais frágil do plantel, e não existem alternativas seguras para Raul Meireles e Lucho (no meio campo) e para Quaresma e Tarik (nas alas). Continua a não existir um típico organizador de jogo, o chamado número 10, mas também não parece ser crítico tendo em conta o sistema utilizado pela equipa actualmente.
Por outro lado, vendo as coisas de uma perspectiva mais lógica do que emocional, o plantel actual é mais do que suficiente para consumo interno e já foram atingidos os "mínimos" na UEFA Champions League. A fazer alguma contratação agora seria só para entrar directamente na equipa titular. Tendo em conta o sucesso desportivo da equipa (parcial, porque a época ainda não acabou) e o rendimento actual dos atletas, não parece fácil.

Não se pode agradar a gregos e a troianos… Por um lado fiquei satisfeito pela contenção da SAD nos gastos com as contratações de Inverno, e por não recebermos mais potenciais “dispensados de Verão”. Por outro lado sinto um arrepio a percorrer o corpo de cada vez que algum adversário faz uma entrada mais ríspida sobre o Lucho, porque não vejo um substituto à altura...

Neste momento sinto-me um pouco grego e troiano!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A SAD pós-Pinto da Costa (I)

Imaginem que em Portugal não havia nenhum líder político carismático e ao mesmo tempo consensual (não é difícil).

Imaginem que, para evitar eventuais assomos de populismos demagógicos impulsionados por 2 ou 3 anos menos felizes na economia portuguesa (digamos, uma recessão), se decidia separar as funções governativas das eleições legislativas.

Mais concretamente, imaginem que o cabeça-de-lista do partido mais votado não teria direito a integrar o governo, não vá ele ser um demagogo eleito pelo "povo"; apenas a integrar o governo num cargo sem poder executivo (mais de supervisão e estratégia, i.e. não vinculativo). Uma espécie de conselho consultivo de uma só pessoa - mas "inofensivo".

Imaginem que o governo (primeiro ministro e restantes ministros) seriam eleitos directamente pelos deputados. O partido mais votado não teria qualquer "golden share" (i.e. a representação seria puramente proporcional ao número de votos; por exemplo se o partido mais votado tivesse 40% dos votos teria apenas 40% dos membros de governo, a não ser que outros deputados "virassem a casaca").

Imaginem que se acabava com a Assembleia da República (os deputados serviam apenas para eleger o governo, não para votar ou sugerir leis).

Esse governo (basicamente tecnocrata) teria carta livre para fazer o que quisesse durante 3 ou 4 anos, por muito que o líder do partido mais votado nas legislativas não gostasse da forma como as coisas estivessem a decorrer (ou da actuação de um ou outro ministro).

Pois bem... Este é o modelo que alguns defendem para as relações SAD<->FCP clube no pós-Pinto da Costa (que espero esteja ainda relativamente longe).

Por "eleitores" entenda-se "sócios do FCP"; por "cabeça-de-lista do partido mais votado" entenda-se "presidente do FCP"; por "governo entenda-se "conselho de administração da SAD"; por "ministros" entenda-se "administradores"; por "deputados" entenda-se "accionistas da SAD"; por "Assembleia da República" entenda-se "Conselho Consultivo".

Este é um cenário que não me agrada nada.

1) Isto seria afastar os sócios e adeptos do clube/SAD, cavando um fosso de comunicação e participação ainda maior do que já existe hoje.

2) A SAD passaria a ser uma máquina que se alimentaria a si mesma, em círculo fechado, com todos os vícios e "clãs" que daí pode advir.

3) Não é difícil imaginar que em caso de maus resultados teríamos o presidente do FCP (sem poder executivo na SAD) a entrar em guerra aberta com a SAD, tanto nos bastidores como na praça pública.

4) Adeptos ou sócios com menos paciência poderiam ver-se tentados em "intervir" pelas suas próprias mãos de forma catastrófica quando os resultados não forem bons (e esse dia infelizmente vai chegar, mais cedo ou mais tarde) ao verem que o presidente por eles eleito é impotente na gestão do futebol. Mesmo como as coisas são hoje, já tivémos very lights no carro de um treinador. Imagine-se se os sócios se sentissem ainda mais impotentes, sem Pinto da Costa para serenar ânimos...

Resumindo e concluindo: a SAD é um mero instrumento para a gestão do futebol ao serviço do clube. Afastar o clube da gestão do futebol seria pois contraproducente, útil apenas a eventuais tecnocratas que tenham medo de não conseguirem impôr as suas ideias perante os sócios e que queiram ser deixados em paz e sossego.

Lisandro

Chegou ao FC Porto treinado por Co Adriaanse no início da época 2005/2006 juntamente com o compatriota Lucho Gonzalez. O apoio deste seu companheiro de selecção foi fundamental para a sua rápida adaptação ao futebol europeu e à aculturação do clube. Lisandro rapidamente encontrou um lugar no onze inicial do FC Porto, numa posição diferente da que tinha no Racing Club, encostado à linha. Já nessa época foi peça importante no sistema táctico do holandês tendo marcado 8 golos em 28 jogos.

No entanto foi nesta época 2007/2008 que por opção técnica (face ao eclipse de Postiga e à lesão de Adriano) o treinador Jesualdo Ferreira decidiu colocar Lisandro naquela que é a sua posição de raiz: a de número 9. “Licha”, como também é conhecido, não se fez rogado e já leva 13 golos em 17 jogos na Bwin Liga.

Lisandro Lopéz tem evidenciado as características e o perfil do que se costuma chamar de “jogador à Porto”.

Em todos os jogos vemo-lo pressionar incansavelmente o adversário em todo o campo, a qualquer altura do jogo, quer esteja a ganhar ou a perder. Não dá uma única bola por perdida. Ao minuto 90 e com o jogo já resolvido, é vê-lo a pressionar vários defesas adversários, como se o jogo tivesse começado há poucos minutos. É inspirador.
O Lisandro associa à humildade e à modéstia pessoal uma determinação férrea de dar tudo o que tem, a cada jogo, por esta camisola para vencer. É um jogador com uma ambição desmedida para a equipa, mas não para si próprio. É um jogador que não precisa de factores exógenos para se motivar, ele tem a capacidade de se auto-motivar a cada jogo e a cada lance.

Por tudo isto o Lisandro Lopéz é um jogador que devemos preservar e acarinhar no clube, por muitos anos. Ele é o exemplo de empenho e vontade profissional.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Egos inchados

Contra todas as expectativas, o FC Porto perdeu em Alvalade. A exibição de categoria alcançada na jornada que antecedeu a deslocação a Lisboa, frente ao “4º grande” SC Braga, contrapondo com as prestações insossas e resultados medíocres do Sporting, faziam antever mais um desfile triunfante dos Dragões na antiga Capital do Império. Houve qualidade no jogo apresentado pela equipa, apenas os golos parecem ter ficado perdidos no Olival. A vantagem pontual granjeada ao longo do campeonato, faz de certo modo relativizar o desaire de Alvalade. A pressão, por enquanto, continua a pairar para os lados da 2ª circular, por mais que os pasquins do costume queiram virar o bico ao prego.

De resto, no seio da coesa estrutura do FC Porto, os únicos indicios de agitação surgiram no folhetim dos assobios a Quaresma, nas renovações e, eventual cobiça estrangeira a alguns dos nossos atletas. O Cigano aparenta um feitío dificil, lida mal com a pressão, mais ainda quando esta vem do seu público, que, como sabemos, é exigente desde sempre, mais ainda nos tempos que correm, pelos títulos alcançados em catadupa. Lá de fora ecoa interesse de alguns dos “Tubarões” Europeus a meia equipa do FC Porto. Lucho, Quaresma, Bosingwa ou Bruno Alves, são apenas alguns dos visados. A SAD tenta blindar as suas “Joias” com o prolongamento dos seus contratos e, aos que ainda não alcançaram acordo, mostram sinais de inquietação (vide declarações do Pai de Bruno Alves, na passada semana na TSF).

Oito pontos de vantagem no campeonato, mais um adversário “atingível” que nos calhou em sorte para oitavos de final da Champions, fazem antever uma segunda metade de temporada não menos gloriosa que a primeira. Cabe, no entanto, a Jesualdo Ferreira, saber gerir da melhor forma as possíveis tricas e anseios pessoais dos jogadores, para que estejam concentrados de corpo e mente para os desafios que se avizinham. O exemplo da temporada passada ainda está bem presente, os adeptos não estarão por certo dispostos a sofrimento idêntico. Há, portanto, que acautelar este síndrome de “ego inchado”, sob pena dos danos serem irreparáveis.

Pontapé de saída

Quem não se lembra dos pontapés de saída nas épocas do Robson? E dos lançamentos laterais, com o Rui Barros a servir de pivot? E dos cantos ao primeiro poste com o Jaime Magalhães a dar um toque para trás?

Eram simples e eficazes, mas havia ali muito treino. Hoje não sei se há treino, mas os lances de bola parada não são, nem simples, nem sequer eficazes. A rever urgentemente, podem ser a diferença numa liga dos campeões.

E está dado o pontapé de saída aqui no novo estaminé.

O amargo de boca do SCP v FCP

Não gosto de falar de azar ou de sorte em jogos de futebol, talvez por ser do tempo em que nos fartávamos de averbar robustas vitórias morais, mas não me lembro de ter algum dia visto um jogo como este do nosso clube em Lisboa contra um dos grandes da capital. Entre oportunidades claras e remates perigosos devemos ter andado para cima da dúzia.

E depois, bem, depois temos a proverbial reacção dos comentadores ao sabor dos resultados. Já eram de prever os elogios à "capacidade de sofrimento" da equipa do Sporting (eufemismo que significa que a equipa à qual se refere a expressão foi completamente dominada pelo adversário) e à sua grande "eficácia" (eufemismo que subentende que a equipa em causa dispôs de poucas oportunidades de golo para além dos que marcou). E, claro, a equipa do FC Porto revelou, opostamente, pouca "eficácia". Mas desta vez foi de tal ordem o domínio da nossa equipa que, tirando o inesperado Jornal de Notícias, não vi nenhum jornal ou comentador de TV não referir a enorme sorte do Sporting neste jogo. Foi, de facto, demasiado.

Acredito que nestas coisas do futebol a sorte e o azar acabam por equilibrar-se, por isso esperemos que da próxima vez que as coisas nos não corram bem em termos exibicionais a nossa "eficácia" e "capacidade de sofrimento" prevaleçam!