quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Olha quem fala

Capa de OJOGO, 2009/12/10

Assim de repente… Não sei, não estou a ver… “Um clube maior”?
Só se o Pablo se estiver a referir ao grandíssimo Atlético de Madrid, esse portento do futebol mundial...

Bolsa de apostas - VII

Terminada que está a fase de grupos é hora de fazer um balanço da nossa bolsa de apostas:



Com a vitória em Madrid, com uma boa odd, passou-se pela 1ª vez para um saldo positivo e com um lucro de 24,5%. Se só contabilizarmos as apostas relativas à fase de grupos, o lucro seria de 55,625%.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A confiança está lá no alto


O FC Porto fecha com chave de ouro a fase de grupos da Liga dos Campeões, com uma vitória robusta sobre o Atlético de Madrid, cavando as diferenças no grupo D entre os conjuntos apurados - Chelsea e FC Porto - e afastados - Atlético e Apoel - desta competição. Dois golos no primeiro quarto de hora, deram um ascendente decisivo ao Dragão para garantir mais um encaixe financeiro interessante, e injectar a dose de confiança necessária à equipa para os importantes jogos que se aproximam.

Ainda mal o árbitro Francês Stephanne Lannoy havia soado pela 1ª vez no apito, já Bruno Alves voava sobre a defesa colchonera cabeceando a bola para o fundo da baliza de Ansejo. Um belo golo do nosso Capitão. Jesualdo voltou a mexer na equipa e surpreender toda gente, ao incluir Valeri no onze inicial. Não se pode dizer que a estreia a titular do médio Argentino na máxima competição da UEFA tenha sido auspiciosa. Foi quase sempre muito discreto, mas não comprometeu. Varela regressou ao banco, por troca com Hulk. Rodriguez ficou encarregue da dupla missão de deambular entre a asa esquerda atacante e a linha mais adiantada do meio campo.



Algo atordoados com o golo madrugador portista, os jogadores de Quique Flores mais intranquilos ficaram quando à passagem do minuto 14 Falcão aproveita bem na recarga de uma defesa incompleta de Ansejo a remate de Fucile. Atlético de Madrid e FC Porto eram (e são) por esta altura duas equipas com estados espíritos bem distintos. A tranquilidade azul e branca contrastava com o pouco discernimento colchonero, que se revela uma equipa desequilibrada, apenas bem munida de uma linha avançada de enorme classe.

Com vantagem suficientemente confortável no marcador, os Dragões entregaram a iniciativa do encontro ao adversário, como é timbre do perfil da equipa de Jesualdo. O Atlético só esporadicamente incomodou Helton, conseguindo os jogadores portistas gerir as investidas da equipa espanhola com suficiente acalmia. Uma situação de jogo que se prolongou durante grande período da partida.



Maicon, que fez a sua estreia na Champions, esteve em bom plano, mas viu a infelicidade a bater-lhe à porta ao sair lesionado. Sapunaru que entrou para o seu lugar foi igualmente competente. As trocas de Valeri e Falcão, por Guarín e Varela respectivamente, fizeram o Porto novamente crescer, em especial pelo bom trabalho do médio colombiano. Não só deu robustez à equipa, como ainda assistiu Hulk para o golaço da noite, tendo isolado também Rodriguez que esteve perto do 4º golo. Uma vitória sem espinhas do FC Porto, que parece finalmente respirar confiança.

Fotos: uefa.com

SMS do dia - XC (Bye bye, Judas)

... e já lá vão duas épocas seguidas que mandamos a tua equipa "para o maneta" (desta vez com humilhação).

Ninguém te pára, sempre a subir na carreira. Agora até consegues acabar a fase de grupos com 3 pts a par do Apoel de Nicosia - priceless.

Bon voyage, que isto da Liga dos Campeões é para equipas a sério...

Hóquei em Patins, um campeonato clandestino


«A Supertaça, disputada em Viana do Castelo no dia 26 de Setembro entre o FC Porto e o Benfica, foi o último jogo de hóquei em patins transmitido na televisão, continuando a ser esta a única modalidade colectiva de pavilhão fora do pequeno ecrã. Há três anos, o hóquei desapareceu completamente da TV e nas últimas duas temporadas apenas os jogos disputados entre FC Porto e Benfica tiveram direito a imagens televisivas. Aliás, a final do play-off entre FC Porto e Juventude de Viana também não foi difundida.»
in O JOGO, 01/12/2009


Segundo o presidente da Federação de Patinagem, os custos de produção associados à transmissão televisiva variam entre os 3500 e os 6000 euros/jogo. Assim sendo, isto significa que seriam necessários 105 mil euros para negociar com um canal de televisão (no caso a SportTv) um pacote de 30 jogos, verba que a federação afirma não dispor nem, até agora, ter conseguido arranjar através de patrocínios.

Ora, não pode deixar de causar estranheza a dificuldade que a Federação de Patinagem revela em negociar as transmissões dos jogos, quando se sabe que o Hóquei em Patins tem muitos mais adeptos/consumidores que outras modalidades. É que em canal aberto ou na SportTv, não faltam jogos de andebol, basquetebol, futsal ou voleibol.
Qual é a explicação para esta diferença?
Suspeito que o facto de o FC Porto ser octocampeão nacional é determinante para não haver verbas nem interesse das televisões. Fosse outra a equipa dominadora da modalidade nos últimos anos e não tenho dúvidas que o campeonato de Hóquei se chamaria “Liga Meo”, “Liga Galp Energia” ou algo parecido e, obviamente, não faltariam jogos na TV. Enfim, é mais um exemplo do preço a pagar por vivermos no país mais centralista da Europa.

Algum dos clubes que disputa o campeonato nacional está a tirar partido desta situação?
Sim, o SLB obteve autorização federativa para transmitir na Benfica TV os jogos disputados no pavilhão da Luz, valorizando desta forma os conteúdos que tem para oferecer a quem subscreve o seu canal. Olha que coincidência...

Entretanto, e de forma quase clandestina, dentro do ringue os dragões somam e seguem. No passado domingo, em jogo da nona jornada disputado no Dragão Caixa, o FC Porto venceu o Óquei de Barcelos por 10-1 e, beneficiando do empate do SLB, assumiu a liderança isolada da prova (oito vitórias e um empate na deslocação à Luz).

Foto: www.fcporto.pt

Bolsa de apostas - VI

Para o jogo de hoje, com o Atlético, as casas de apostas vêem as coisas assim:

Probabilidade de Vitória do FC Porto: 20%
Empate: 27%
Derrota: 53%

O resultado mais provável é 1-0 (14,3%), seguido do 1-1 (13,3%)

Para marcar: Forlan e Falcao, sendo que o Hulk é o 4º mais provável do Porto (atrás do Falcao, Farias e Varela), e o Maicon dará um lucro de 2600% a quem apostar nele para marcar um golito.

Ao intervalo o mais provável (34,5%) é que se fique pelo 0-0. Sendo de 1,6% a probabilidade de o Porto dar a volta ao resultado, contra 3,2% de ser o Atlético.

Continuando a simular a aposta de € 1,00 sempre a favor do FCP, a coisa está assim:



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Belluschi, o médio ofensivo


Antes do Vitória de Guimarães x FC Porto, num artigo de opinião, Bruno Prata escreveu o seguinte:
«Sem o argentino [Lucho], o FC Porto manteve o sistema (disposição dos jogadores, ou seja o desenho), mas o seu modelo (conjunto de princípios de comportamentos que definem a organização e dão identidade à equipa) ficou algo abalado. E isso é evidente por muito que se valorize o rendimento e a qualidade de Belluschi, que tem acções verdadeiramente desequilibrantes no ataque, mas que não entende os princípios básicos da estratégia ofensiva e, pior ainda, com os seus posicionamentos erráticos contribui para a desestabilização defensiva da equipa

Nota: Vale a pena ler o artigo de opinião completo publicado no PÚBLICO de sexta-feira.

De facto, a utilização, ou não utilização de Belluschi tem motivado discussão entre os portistas e o mínimo que pode dizer-se é que o jogo na cidade berço veio contribuir para tornar essa discussão ainda mais acesa.

«[Belluschi] Começou bem o jogo, com intensidade e capacidade de trabalho, mas voltou a falhar alguns passes daqueles que irritam Jesualdo Ferreira. Num desses lances, acabaria por surgir a falta da qual resultou o golo do Guimarães. Denotou uma vez mais uma enorme imaturidade competitiva
in O JOGO, 05/12/2009

«Belluschi borrou a pintura, aliás. Perdeu uma bola na saída da defesa, obrigou Fernando a parar Nuno Assis em falta e do livre surgiu um grande golo de Andrezinho.»
in Maisfutebol, 04/12/2009

«Os primeiros 45’ foram de classe por parte do FC Porto. (...) Só a exibição de Belluschi destoava num FC Porto como ainda não se tinha visto este ano. (...) O Guimarães não existia, mas quando parecia que os portistas iam para o intervalo com uma vantagem confortável, Belluschi inventou. Jesualdo tinha dito antes do jogo que o que o “enerva” e deixa “doido” são as “perdas de bola” quando a equipa acabou de a recuperar. Belluschi fez isso mesmo no primeiro minuto de descontos e Fernando (viu o amarelo por isso) teve que travar Nuno Assis em falta. Andrezinho agradeceu a benesse do argentino e aproveitou o livre para reduzir para 2-1.»
in PUBLICO, 05/12/2009


É indiscutível que o Belluschi tem uma qualidade técnica acima da média, à qual alia uma boa capacidade de improviso e de remate. Contudo, parece ainda não ter percebido o modelo de jogo da equipa e, além disso, os desafios têm demonstrado um jogador intermitente (por vezes desaparece do jogo) e com falta de “pulmão” para aguentar os 90 minutos, algo que se torna mais notório com relvados pesados.

Apesar desta inconstância, Jesualdo tem optado quase sempre pelo ex-jogador do Olympiakos e se o faz é porque, até esta altura, as alternativas existentes no plantel lhe dão menos garantias. No entanto, situações como a que esteve na origem do golo do Guimarães não se podem repetir. É que depois do aviso público que o treinador do FC Porto tinha efectuado na véspera, até parece que Belluschi fez de propósito (se a "brincadeira" fosse com Mourinho, não tenho dúvidas que o argentino ia penar para o banco durante umas semanas).

Mas, se Belluschi continuar a manifestar as mesmas falhas e problemas de adaptação ao modelo do FC Porto e, por via disso, Jesualdo quiser apostar num outro médio ofensivo, quais seriam as possibilidades?

No artigo de opinião acima referido, Bruno Prata acredita na exponenciação das qualidades de Valeri: "A sua adaptação ao futebol europeu terá sido prejudicada pelas lesões, mas continuo crente que não há no plantel jogador tão inteligente e tão dotado tecnicamente como este jovem de 23 anos para assumir o papel que já foi de Lucho".

A esta hipótese eu acrescentaria outra: o recuo de Rodriguez para o meio-campo, jogando como médio interior esquerdo, explorando a sua potência, mudanças de velocidade e capacidade para transportar a bola para o ataque. Neste cenário, abria-se uma vaga no trio de ataque, a qual poderia ser ocupada por Hulk.

Precisamente a par da situação de Hulk, parece-me que nas próximas semanas a titularidade de Belluschi será o principal assunto de discussão.

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ser eficaz, deu-nos a Paz


O toque do treinador pode ser preponderante no decorrer de uma partida. É uma ideia consensual, que por vezes é hiperbolizada ao extremo, especialmente quando se destaca pela negativa. Já um jogador, torna-se quase sempre alvo de destaque quando se evidencia pela positiva. Em Guimarães, já o FC Porto vencia por 0-2, com o intervalo já à espreita, Belluschi perde estupidamente a bola na linha intermédia defensiva. Fernando vê-se obrigado a recorrer à falta, vendo o amarelo. Na sequência do lance o Vitória marca, baralhando uma partida que os Dragões tinham na mão, mas que um jogador seu “resolveu” pô-la em xeque.

Os 15 minutos de jogo que se seguiram, que foram os primeiros da 2ª parte, tornaram-se um sufoco para os homens de Jesualdo. O golpe desferido por Andrezinho nos descontos do 1º tempo, com o “patrocínio” de Belluschi, sugou toda a confiança que o conjunto portista havia granjeado ate então, quase ficando à mercê de um empate, que caso tivesse acontecido, teria como único responsável o médio argentino azul e branco. Jesualdo reequilibrou a equipa promovendo a entrada de Guarín e Hulk, recuando Rodriguez para miolo do terreno. As alterações cortaram o ímpeto do Guimarães. A eficácia portista (que muitas vezes tem faltado) acabou-lhes com a ilusão de pontuar.



Mas indo ao principio da historia. O Dragão teve uma entrada forte e razoavelmente personalizada. Falcão, contra todas as previsões, manteve-se no onze. Voltou a facturar, mas antes já havia falhado 2 bolas sobre a linha de golo. Jesualdo voltou a sentar no banco o inconsequente Hulk, promovendo à titularidade Varela. E em boa hora o fez. O Drogba da Caparica, de Contumil, ou de onde lhe quiserem chamar, foi o melhor em campo, sendo decisivo na construção da vitória do FC Porto na cidade Berço. O golo marcado é apenas a marca mais visível do seu trabalho no encontro. Mas não pode ser deitado para segundo plano a forma como cria, constrói e estica o jogo da equipa, sempre com grande acerto e propósito, tornando-se neste momento uma peça fulcral do Dragão.



O certo é que as opções iniciais do treinador surtiram efeito. Mais importante do que nomes, é a dinâmica da equipa. E nesse aspecto ela correspondeu em pleno, com 2 golos que premiavam um domínio tranquilo. Pelo meio surgiu o tal golo de Andrezinho, que assustou, o bastante. Jesualdo Ferreira soube conter danos, mexendo bem à passagem do quarto de hora do 2º tempo. A eficácia na finalização de bolas paradas, deu-nos a tranquilidade desejada. Cebola fechou as contas, e fez lágrimas aos Afonsinhos. Três pontos muito importantes. E uma vitoria moralizadora.


Fotos: A Bola, Agência Lusa

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Doping


O Rui Santos (carinhosamente conhecido como Brilhantina Man) trouxe à baila nas últimas edições – ainda sob a cruzada maior da ”verdade desportiva” – o problema do doping. O jornalista apresentou um quadro, que não consegui copiar nem apanhar na Net, mas que demonstrava que o FCP foi a equipa, a anos luz de distância dos outros, mais controlada, no último triénio.

Este facto pode ter diversas leituras, porém é significativo que os clubes de Lisboa – e principais concorrentes do FCP – tenham sido muito menos submetidos a esses controlos. A disparidade é enorme. Deverá ter o CNAD um modelo de funcionamento com critérios objectivos, mas não sendo do conhecimento público, são passíveis de gerar nos mais desconfiados a ideia de favorecimento, até porque essa discrepância não parece estar de acordo com o PNA, nomeadamente quando estatui o seguinte :

“O Plano Nacional Antidopagem (PNA) consiste numa planificação de periodicidade anual, estabelecida e a aplicar pelo CNAD, segundo o seu quadro de competências legais; onde são englobadas as acções de controlo de dopagem em competição e as fora de competição, para todas as modalidades desportivas incluídas no Plano Nacional Antidopagem nesse ano. O objectivo é o de planear e implementar uma distribuição isenta e racional de controlos de dopagem. As acções de controlo de dopagem têm por objecto as modalidades desportivas organizadas na âmbito das federações nacionais titulares do estatuto de utilidade pública desportiva (UPD) ou outras entidades, estas, mediante protocolo estabelecido com o CNAD.”


Nesta época, ainda segundo o mesmo quadro apresentado pelo Rui Santos, terá sido o SCB o mais sujeito a esse controlo, seguido do SLB e FCP.

Procurei mais informação. Fui ao sítio do IDP e encontrei as estatísticas referentes aos controlos de 2006, 2007 e 2008 que não detalham as entidades ou atletas sujeitos ao mesmo. Apesar disso, alguns valores causam imensa perplexidade.

Passo a destacar o que achei de mais significativo nos relatórios estatísticos do CNAD.

No triénio 2006/2008 o maior número de amostras recolhidas foram :

· futebol – 1.123, 1.130 e 979,
· ciclismo – 327, 390 e 458,
· atletismo - 334, 323 e 481.

Os casos positivos, para o mesmo período, foram :

· futebol : 6 (0,53%), 11(0,97) e 3 (0,3%) ,
· ciclismo : 1(0,31%), 5(1,28%) e 8(1,7%),
· atletismo : 2(0,59%), 1(0,31%), e 3 (0,6%).

As modalidades com maior % de casos positivos, para o mesmo período, foram :

· 2006 : Vôo livre 2(33,33%) , Lutas Amadoras 3(13,60%), Damas 1(11,10%) e Bilhar 6(9,09%),
· 2007 : Bridge 1(20,00%), Boxe 5(11,36%), Actividades Subaquáticas 1(11,11%) e Xadrez 1(10,00%),
· 2008 : Motonáutica 1(25,00%), Bridge 2(22,20%), Tiro 5(20,00%), Arqueiros e Besteiros 1(12,5%), Bilhar 5(10,00%).

No futebol as amostras positivas foram para :

· 2006 - II Divisão : 6, Futsal Masculino : 2 e Feminino : 1,
· 2007 – III Divisão : 7 , Taça de Portugal : 3 , Juniores :1,
· 2008 – Não foi dada informação.

O comportamento das equipas e de alguns jogadores de futebol faz-me acreditar que há performances físicas de tal forma exuberantes que deixam imensas suspeitas ; pelas análises do CNAD quase se poderia afirmar que o doping foi totalmente erradicado das principais ligas portuguesas, como os resultados do controlo parecem indiciar.

Seria óptimo que o controlo (e a punição) constituísse elemento suficientemente dissuasor e que as principais competições que movimentam milhões e constroem super estrelas fossem limpinhas de droga, mas quando se verifica que foram apanhados nas malhas praticantes de bridge, xadrez, tiro, damas e bilhar, acredito que só foram apanhados porque o profissionalismo e a ciência ainda não chegaram lá com a mesma apetência.

"O objectivo é o de planear e implementar uma distribuição isenta e racional de controlos de dopagem.", de acordo com o PNA. É isso que tem acontecido no futebol ? Liga, FPF e clubes parecem nada ter a ver com que se passa em matéria tão delicada quanto esta. Porquê tanto silêncio do IPD e do CNAD. Por uma vez estou de acordo com Rui Santos : é preciso incomodar alguns acomodados que controlam aquelas instituições, a seu belo prazer.

Uma pergunta a ... - VII


Nos próximos 3 jogos (da liga Sagres) vamos jogar à Porto e somar os 9 pontos da ordem?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Nós só queremos Lisboa a arder”


"Portugal é cada vez mais um país estrangulado e centralista. Os momentos que se vivem no nosso país são extremamente delicados e difíceis para todos aqueles que querem fazer alguma coisa fora da capital do império.
Por mais pasquins que Lisboa tenha ao serviço e à promoção dos seus clubes e entidades, vamos continuar a lutar com a dignidade das gentes do Norte, com as gentes deste país, de Norte a Sul, que não se confundem com o poder centralista da capital.
O FC Porto está a mais no país que temos, mas é necessário para o país que nós queremos que Portugal seja."
Pinto da Costa, 27/11/2009

Coincidência ou não, estas declarações de Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Amarante, foram feitas no mesmo dia em que Manuel Brito, vereador do Desporto da autarquia lisboeta, confirmou ao jornal PÚBLICO a existência de negociações com a Red Bull Portugal tendo em vista desviar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa. Segundo o PÚBLICO, para além da Câmara de Lisboa, os contactos da Red Bull com as entidades portuguesas têm também envolvido o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado de Turismo.

Perante isto, e como seria de esperar, os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia já reagiram: Rui Rio de forma contida e politicamente correcta (a ambição de chegar a líder do PSD e depois a primeiro-ministro a isso obriga) e Menezes sem tibiezas, pondo os pontos nos iis.

"A empresa [Red Bull] tem todo o direito de ir para onde quer. Depois há o financiamento público e para-público de empresas públicas (...) Não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos. (...) A seguir às eleições, fomos contactados para saber se estávamos interessados em ter a prova no Porto e dissemos que sim"
Rui Rio, 27/11/2009

"É uma situação escandalosa, o Estado estar a suportar um país a duas velocidades. Não tem nada contra as pessoas de Lisboa, não tem nada contra a Câmara de Lisboa. Tem contra um atitude, mais uma, discriminatória do Estado, que directa ou indirectamente, está a esquecer-se que o Porto é fundamental para o desenvolvimento económico e social do país"
Luís Filipe Menezes, 27/11/2009


Menos soft que os políticos, foi a reacção inflamada de dois conhecidos comentadores e respeitados elementos da sociedade civil portuense:

O Porto não perdeu, o Porto foi roubado, como de costume. Como já se sabia, porque já no Verão isso foi falado, o Governo resolve subsidiar o Red Bull Air Race desde que seja realizado em Lisboa, no Tejo. O governo de hoje em dia é um governo perfeitamente colonial, que vive concentrado em Lisboa, que concentra todo o investimento em Lisboa e acha que nós somos seus colonos e seus súbditos e portanto não está interessado em investir aqui, principalmente no turismo. Tem-se visto o comportamento do governo relativamente ao fomento do turismo nesta região
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto

"O Porto é permanentemente roubado, na medida em que há uma transferência sistemática de impostos dos cidadãos da região, para a capital do Império. Isso é uma lógica que vem de sempre. Já não temos colónias, já não temos Macau, já não temos Timor, já não temos nada desse Império, só que Lisboa continua a funcionar como uma capital imperial. Quer dizer que cada vez que algum projecto com alguma notoriedade, com algum valor para o país, como é claramente o caso do Red Bull Air Race, tinha de haver esta vontade por parte da capital do Império, de nos roubar, penso que é a palavra correcta, esta iniciativa aqui ao Norte. Acho que é uma vergonha"
Paulo Morais, ex-vereador da Câmara do Porto


Desta vez, até o Senhor Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, reagiu: "esta era uma maneira da região e as duas cidades do rio ficarem mais conhecidas não só em termos portugueses, mas sobretudo, em termos internacionais: falar-se do Porto, de Gaia, do Douro e do Norte".

Era, de facto, uma maneira de promover a nível internacional a marca Porto, Douro e Norte de Portugal, dinamizando o turismo na região, mas está visto que isso não interessa aos governantes deste país. O que é "estratégico" é promover mais e mais eventos em Lisboa, nem que sejam no mesmo dia (veja-se o caso da XIX Cimeira Ibero-Americana e da comemoração do Tratado de Lisboa). Aliás, habituados a que tudo o que se passa em Portugal tenha de ser em Lisboa, há mesmo quem olhe para estas reacções com a altivez e o desdém próprios de quem lida com "provincianos", a quem, de vez em quando, os magnânimos senhores da capital distribuem umas migalhas que sobram dos banquetes na corte. Na sua cegueira, de quem não vê para além do eixo Lisboa-Cascais, ainda não perceberam que a reacção a esta negociata não é uma tempestade num copo de água, mas sim a consequência da gota de água que faz transbordar um copo demasiado cheio.

Depois de uma década de centralismo cavaquista, que meteu a regionalização na gaveta e avançou em força com um modelo de concentração e desenvolvimento unipolar, ostentando a riqueza da nação no Centro Cultural de Belém e na EXPO'98, estamos novamente a assistir a um período em que os recursos do país são sugados para a "capital do Império" e para as mega obras para aí projectadas - aeroporto e terceira ponte. Paralelamente, verbas do QREN são roubadas ao Norte e canalizadas para Lisboa (graças a um tal efeito difusor ou "spill over") e, como o dinheiro não chega para tudo, a 2ª fase do Metro do Porto foi adiada para as calendas e o TGV irá avançar a duas velocidades (a ligação de Lisboa a Badajoz avança já, enquanto que a do Porto a Vigo ver-se-á quando avançará).

Sócrates e a sua entourage andam a brincar com o fogo. Não devem ter lido, ou se leram não perceberam, o que o jornalista Jorge Fiel escreveu no Expresso, em 13 de Agosto de 2005:
"O grito de raiva «Nós só queremos Lisboa a arder» é a expressão (grosseira) da revolta de quem se sente discriminado. A única vacina eficaz contra esta raiva é corrigir as assimetrias que desequilibram o país."

O problema é que por via da acção de sucessivos governantes pirómanos instalados no Terreiro do Paço, as assimetrias são cada vez maiores. A região rica (Lisboa) está cada vez mais rica e as pobres (Norte e Interior) estão cada vez mais pobres.

«Entalada entre o Suriname e o Brasil, na América do Sul, fica uma das duas únicas regiões dos Quinze países da União Europeia cujo índice de riqueza é mais baixo do que o do Norte de Portugal. Trata-se da Guiana francesa que, a par da zona de Dytiki Ellada, na Grécia (...) são as únicas regiões de países que entraram ao mesmo tempo (antes, no caso francês) que Portugal na União Europeia e que têm um índice de pobreza superior ao nortenho. (...) no início da década, o poder de compra das famílias nortenhas correspondia a 86% da média nacional (a região de Lisboa estava nos 137%); cinco anos depois, quase todas as zonas do Norte tinham maior poder de compra, mas esse ganho foi anulado pelo mergulho de uma só: o Grande Porto.»
in JN, Dossier ‘Norte em crise’


Nada tenho contra os "alfacinhas" e escusado será dizer que não quero ver Lisboa a arder, mas com o desemprego a alastrar no país e, particularmente, no Grande Porto e com as oportunidades a serem concentradas numa única região, não me admiraria se um dia destes já não forem apenas os Super Dragões a entoar este cântico.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SMS do dia - LXXXVIII



Obrigado

RIP







foto gamada no Correio da Manhã

Os Mestres e os Misters

Não só em Portugal, na Holanda também, sempre houve uma certa distinção e rivalidade entre os treinadores que saíram da fornada de jogadores e os que transitaram do ISEF (ou congénere) para o desempenho de cargos maiores como técnicos de futebol.

É bem certo que Pedroto diplomou-se com um afamado curso técnico em França e Artur Jorge andou pela Alemanha de Leste para se enriquecer para a profissão que haveria de seguir. Antigos jogadores de nomeada, inteligentes e cultos, sabiam que precisavam de aprofundar conhecimentos e confrontar-se com outras experiências, teóricas e práticas mais evoluídas.
Aliás, essa cultura do conhecimento já vigora em Portugal. Hoje os técnicos de futebol são “obrigados” a cumprir os diversos patamares do curso de treinadores para acederem à respectiva carteira profissional. Não sou capaz de valorar a qualidade dos ditos cursos, mas mal não devem fazer.
Apesar disso, há uma certa rivalidade que se mantém, não obstante essa separação entre a “ciência” e o “pragmatismo” tender a estreita-se porque o conhecimento e a informação são de muito mais fácil acesso, hoje.

JF foi provavelmente o primeiro licenciado pelo ISEF a ganhar a carta de alforria como treinador e Queiroz (depois do êxito ao serviço das camadas jovens) passou a ser o homem que sabia, planeava, organizava e formava: um gestor de recursos que dominava as áreas do jogo.
Com um certo declínio de ambos – pelo insucesso das equipas que treinaram – foi o regresso dos homens com tarimba: Toni, António Oliveira, Octávio, Manuel José, Cajuda, Inácio, Fernando Santos, José Mota e Jaime Pacheco, entre outros.

Com o regresso de José Mourinho e o seu recrutamento pelo FCP algo mudou. JM comandou, inovou e doutrinou. Pelo caminho aproveitou para pôr em causa metodologias e práticas dos velhos técnicos que não conheciam o modelo integrado de treino. O êxito alcançado no FCP em dois anos, transportou-o para o cume da fama que o Chelsea internacionalizou. As suas virtudes e os seus conhecimentos serviram a uns quantos que apareceram por essa altura, para se posicionarem como promissores seguidores da escola que fundou, mas não duraram.

Azenha terá sido o expoente máximo do insucesso, pois a sua carreira como treinador principal parecia ter tudo para vingar, mas o que fez ou não fez naqueles meses no Setúbal poderão ter acabado de vez com o seu propósito de fazer carreira como treinador principal.

Neste momento, apenas 5 equipas do escalão maior são comandadas por treinadores/mestres. Os misters parecem ter voltado a ter preferência. Vingada não vingou, e os maiores parecem ser: Jorge Jesus (o novo Messias do SLB), Domingos, Paulo Sérgio e Paulo Bento. Com Queirós na selecção e JF em fim de carreira, restam Carvalhal e Machado para mostrar serviço.

Tal como o recente confronto europeu provou, JM (o mestre) vê a sua estrela menos reluzente enquanto Guardiola (o mister) brilha intensamente.

Não creio nem um bocadinho que Guardiola tivesse reinventado um novo conceito de futebol. Este Barça tem muito do estilo de Cruyft, Van Gaal e Rijkaard, numa nova versão ainda mais atraente, uma vez que a mistura é melhor condimentada e mais apetitosa.
Além disso, demonstra uma certa tendência do futebol espanhol, nomeadamente das suas selecções que têm um padrão de jogo com muitas semelhanças. Uma questão de estilo, tal como o Milão com o seu dream team ou o Dinamo de Kiev que vi a jogar a bola de forma deslumbrante.

Misters ou mestres é indiferente desde que a qualidade prevaleça.
Guardiola aí está a mostrar o caminho, sem medo e indiferente ao número que lhe cabe como special.