terça-feira, 17 de março de 2015

Dosear o esforço da “jóia”

É uma jóia. Yacine é um jogador que se revelou este ano e não admira que isso tenha coincidido com a sua chegada ao FC Porto. É brilhante, um pouco frágil, é preciso ter alguns cuidados com ele e colocá-lo nas melhores condições para extrair dele o máximo

(…) não estamos a falar de um monstro desse ponto de vista, quer ao nível atlético, quer ao nível aeróbico, portanto temos de saber doseá-lo no esforço. Não tem um pulmão que lhe permita correr 90 minutos em três jogos por semana, durante uma época inteira.

Christian Gourcuff acerca de Brahimi (fonte: O JOGO, 15-03-2015)

Muito boa esta entrevista ao seleccionador da Argélia, o francês Christian Gourcuff, um homem com muita experiência e que chama à atenção para vários aspectos fundamentais, relacionados com o rendimento de Yacine Brahimi.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Helton, um ano depois


«Um ano menos um dia depois, Helton voltava a jogar para o campeonato (desde 16 de março de 2014, dia em que se lesionou com gravidade no tendão d'Aquiles, frente ao Sporting). Não foram 12 meses de paragem, porque pelo meio Helton atuou por três vezes para a Taça da Liga (numa delas, em Braga, com fantástica exibição). O brasileiro, líder, entrou da melhor forma: confiante, a dar segurança aos colegas, no momento difícil. Assinou defesa assombrosa, a evitar 1-1, em remate de André Claro, nos primeiros minutos da segunda parte. Teve que sair uma vez da área, mas fê-lo bem. Será titular na Madeira, no reduto do Nacional, no castigo que Fabiano terá pelo vermelho. E depois disso… quem sabe?»
Germano Almeida, Maisfutebol, 15-03-2015


Na conferência de imprensa após o FC Porto x Arouca, questionado acerca da exibição de Helton, Julen Lopetegui respondeu assim:

[Helton] Esteve muito bem, concentrado. Demonstrou que é um fantástico guarda-redes, sem dúvida nenhuma

E, acerca das saídas de Fabiano fora da baliza, Lopetegui, também ele um ex-guarda-redes, disse o óbvio:

Os guarda-redes devem saber explorar o espaço. São momentos que o jogo, por vezes, exige


Ora, a recorrente má leitura de jogo e um timing de reacção desadequado são, precisamente, duas das piores características do Fabiano, que fazem com que o gigante guarda-redes brasileiro seja medíocre na cobertura do espaço à frente da área.

Pode mesmo dizer-se, que as hesitações e saídas intempestivas de Fabiano tornaram-se uma imagem de marca e já custaram muitos dissabores: o derrube a Tozé e consequente penálti no Estoril (que o jogador emprestado pelo FC Porto não falhou…); o choque com Casemiro em Braga, deixando a baliza escancarada; e a “colisão aérea” com Danilo frente ao Basileia; são três exemplos, três situações que deixam poucas dúvidas acerca desta sua evidente limitação.

Aliás, há três meses atrás, no dia seguinte ao FC Porto x SL Benfica, já tinha chamado à atenção para esta grave limitação:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar.»



Aos 36 anos (faz 37 daqui a dois meses), após uma lesão gravíssima e quase um ano sem competir regularmente, é natural que Helton não esteja no top das suas capacidades. Contudo, o que mostrou ontem e aquilo que já tinha mostrado num “cósmico” jogo disputado em Braga, é mais do que suficiente para, salvo qualquer recaída, a titularidade da baliza do FC Porto lhe ser entregue até ao final desta época (pelo menos).

domingo, 15 de março de 2015

10 contra 14

Ricardo à frente (ver braço direito) do jogador do Arouca no momento da falta

Jorge Tavares a expulsar Fabiano aos 11' (fonte: Maisfutebol / LUSA)

A vitória podia ter sido mais robusta se as oportunidades claras tivessem sido transformadas em golo e se houvesse mais acerto nas decisões [da equipa de arbitragem liderada por Jorge Tavares]. No lance da expulsão do Fabiano, o Ricardo chegava perfeitamente à bola… depois houve um penálti claro sobre o Quaresma, que não foi marcado – creio que em Portugal um pontapé na cara dentro da área ainda é penálti


Quaresma cabeceia a bola e é pontapeado na cara (fonte: Maisfutebol / LUSA)

Na segunda parte, o Arouca não teve mais do que uma clara ocasião de golo e até estava em fora de jogo, o futebolista que a protagonizou… ainda há um fora-de-jogo [mal assinalado] ao Brahimi, quando se encontrava em boa posição para marcar. Mas temos que continuar a lutar contra todas as dificuldades, até porque não é a primeira vez que as temos…

Estamos na recta final, sabemos perfeitamente da importância de cada jogo e vamos continuar a lutar, com a mesma personalidade, o mesmo carácter, tentando ganhar cada jogo. Espero que até ao final do campeonato as decisões sejam mais equilibradas. Se fossem mais equilibradas, talvez fosse mais possível… Vamos seguindo o nosso caminho, nada mais podemos fazer…

O que pode ser decisivo? Não sei, talvez ter mais sorte com as decisões dos árbitros… Se houvesse UMA decisão a nosso favor, diriam que estaríamos empatados… Mas são muitas [decisões a favor do SL Benfica]… É normal os árbitros terem erros, todos temos, mas sempre contra nós não é normal. Quem apita, tem que fazer justiça e nós não a temos tido. Mas já falei muito, posso falar em latim, se quiserem… Mas vamos continuar a lutar até ao fim…


Estas declarações de Lopetegui, feitas na sala de imprensa do Estádio do Dragão, são uma boa síntese, não só do deste FC Porto x Arouca, mas também do que se vem passando no campeonato mais sujo (sujinho, sujinho…) e mais fraudulento da história recente do futebol português (pelo menos, desde que todas as pessoas passaram a poder ver, com os seus próprios olhos, os jogos e os “erros” dos árbitros, sem precisarem de ler os jornaleiros de A BOLA…).


P.S. Podia ter falado do grande jogo de Quaresma, da boa forma e muito boa prestação de Alex Sandro, da exibição tranquila e da decisiva defesa de Helton, na única oportunidade flagrante do Arouca (a tal que é precedida por um fora-de-jogo de 1 metro), mas eles não merecem, nem a mim me apetece, misturá-los com o lodo de um campeonato que fede a merda todas as semanas.

SMS do dia



Pretos de cabeleira loura, brancos de carapinha, árbitros que vêem faltas para cartão amarelo como vermelho, e pontapés na cara como lances inócuos - normal, sim; natural, não.


sábado, 14 de março de 2015

Este homem foi Ministro


Na conferência de imprensa de hoje, confrontado com as declarações de Rui Gomes da Silva (vice-presidente do SL Benfica), acerca da exibição do SC Braga frente ao FC Porto, Julen Lopetegui reagiu assim:

O que eu tivesse que dizer não diria melhor do que o Sérgio [Conceição]. O treinador do SC Braga já disse tudo. Subscrevo a cem por cento as palavras dele.

É curioso alguém pensar que isso [uma equipa facilitar] pode acontecer… Somos todos profissionais, uns melhores, outros piores, mas todos queremos dar o nosso melhor.

Eu, se fosse português, ficaria preocupado… Este homem [Rui Gomes da Silva] foi Ministro


Lopetegui, mais uma vez, em grande!
Aliás, em termos de comunicação, já se pode dizer que Lopetegui está ao nível do melhor José Mourinho dos bons tempos…

Peritos em jogadas de bastidores

Ontem, o Director de O JOGO, José Manuel Ribeiro, num artigo de opinião, comentava a capacidade do Sport Lisboa e Benfica para “vender a mensagem que lhe interessa ou, simplesmente, gerar ruído”.

«(…) há duas áreas em que esse equilíbrio [entre FC Porto e Benfica] é impossível: nas receitas ordinárias, porque o Benfica tem bastante mais almas a contribuir com euros; e na chamada comunicação, isto é, na capacidade para vender a mensagem que lhe interessa ou, simplesmente, gerar ruído. Essa vantagem inabalável reside num par de fatores. Por um lado, a geografia da Imprensa nacional, que favorece muito o Benfica; por outro, João Gabriel, o ex-assessor do Presidente da República Jorge Sampaio, que orquestra essas intervenções com tanta arte que ainda há uma semana pôs um jornal espanhol a lavar a roupa suja da arbitragem portuguesa. São armas de que o FC Porto não dispõe e, se provas fossem necessárias, aí estão os quinze dias que se sucederam às palavras de Pinto da Costa e Lopetegui sobre os árbitros dos jogos do Benfica. Não terão passado 48 horas sem uma rajada: o próprio Gabriel, depois José Eduardo Moniz, depois Varandas Fernandes, agora o antigo presidente Manuel Vilarinho e, no habitual estilo impróprio para pessoas decentes, Rui Gomes da Silva. Tirando algumas questões de respeito pelo próximo (sugerir que os jogadores do Braga facilitaram contra o FC Porto?), nada a objetar. Estratégia é estratégia. A minha dúvida é se o resultado será tão eficiente como de costume. O que estará a evidenciar-se mais? A pressão sobre os árbitros ou a impressão de que o Benfica está assustado?»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 13-03-2015


Hoje, nas páginas do mesmo jornal, Mesquita Machado, ex-presidente da Câmara Municipal de Braga, põe o dedo na ferida:

Esta polémica não interessa ao futebol. Já é tempo de as equipas se habituarem a ganhar dentro das quatros linhas e não jogarem com comentários que visam apenas pressionar. Sabemos que o Benfica, no seu historial, é perito neste tipo de jogadas de bastidores.
Mesquita Machado, O JOGO


Perante o circo mediático, que foi montado pelos encarnados de Lisboa, será possível que o SLB x SC Braga de hoje seja um jogo limpo e sem casos?
Duvido.

sexta-feira, 13 de março de 2015

O mito das "noites europeias" do Benfica


Parece ser que a memória neste país é curta. Muito curta. Pior que isso, selectiva. O apuramento categórico e sem espinhas do FC Porto para os Quartos-de-Final da Champions League despertou a habitual dose de admiração lá fora e o velho complexo de inferioridade cá dentro. O Porto é, para todos menos para os que ficaram congelados no tempo, o maior clube português dos últimos 30 anos. Não há ninguém que, no poder da sua sanidade mental, encontre argumentos que discuta essa realidade. E é-o não só pelo domínio hegemónico das ligas nacionais (dois terço dos títulos em três décadas, algo que nunca Benfica e Sporting lograram nos seus melhores tempos) mas também pelo que se consegue lá fora. Na Europa. A doer.


Os números do FC Porto nos últimos 30 anos na Europa não mentem.


São maiores do que o dos clubes de Lisboa juntos o que não é coisa pouca. Um dois em um. Mais importante, talvez, é medir a dificuldade desses títulos. Sim, a dificuldade. Não só temos MAIS títulos como também foi MAIS difícil ganhar o que ganhamos e chegar onde chegamos.
Até 1992/93 – ano em que começou oficialmente a Champions League – o Porto tinha cerca de uma dezena de participações na Taça dos Campeões Europeus. Quem leu o “Noites Europeias”, livro que escrevi, ou tem boa memoria (se o viveu), sabe que até esse ano a Taça dos Campeões se compunha mais ou menos de cinco rondas para os finalistas das quais era muito raro que mais do que uma fosse contra um rival importante. Não só porque havia menos países e por isso menos participantes mas, sobretudo, porque só disputava a liga um representante por liga salvo se o campeão europeu era distinto ao da liga. Nesse cenário, durante 40 anos (a Champions só se abriu aos segundos em 1997), ganhar a “Orelhona” tinha muito menos dificuldade do que se pode hoje supor. Afinal, se formos ver ronda por ronda (e eu tive que estudar isso a fundo para o livro) de cada finalista e vencedor, o esforço era parco. O nosso caso é exemplo disso. Até ás meias-finais, em 1987, com o Dinamo de Kiev (podem rever o jogo aqui, vale bem a pena), os nossos rivais tinham sido relativamente acessíveis. Malteses, checos e dinamarqueses, nenhum gigante. É a realidade dos factos. E ninguém nos ouve a embandeirar em arco por isso. Mas é precisamente, por isso mesmo – sobretudo por isso – que os números conquistados antes do aparecimento do novo formato Champions provocam resultados europeus que merecem ser analisado á lupa. É esse o caso do Benfica.


O clube da Luz reclama um historial europeu tremendo até aos anos oitenta. O clube com mais finais perdidas (esse, acho que não mencionam muito) cresceu internacionalmente (e isso é inequívoco) á base das suas “noites europeias”. Mas vamos lá ver com atenção o difícil que podia ser jogar nos anos sessenta contra as equipas que esse todo-poderoso Benfica eliminava.

Depois de fazer o ridículo, como qualquer equipa portuguesa fazia nos primeiros anos da Taça dos Campeões, o Benfica chegou á primeira final em 1961. Nesse ano tiveram de defrontar equipas temíveis do futebol mundial como o Hearts escocês (a aproveitar-se de um ano fraco do “Old Firm”), o Ujpest Dosza húngaro, o AGF dinamarquês (liga amadora) e o Rapid Wien. Não eliminaram nem o Real Madrid (isso fez o Barcelona), nem a Juventus (isso fez o CSKA Sofia), nem o Hamburgo (isso fez o Barcelona outra vez, que chatice), nem sequer o Burnley inglês (cortesia do Hamburgo). Numa meia-final tínhamos as equipas (Barcelona vs Hamburgo) que tinham eliminado os gigantes. Na outra estava o Benfica. Começam a perceber?

Voltaram á final nos dois anos seguintes e uma vez mais depois de batalhas asfixiantes como gigantes como o Austria Viena e o Nuremberga (em 61/62) e o Norkoping (liga amadora), o Dukla de Praga e o Feyenoord (uma equipa semi-profissional á época) em 62/63. Nesses anos houve grandes equipas europeias, não se enganem. Simplesmente nunca se cruzavam com o Benfica. Quando caíram numa fase a eliminar pela primeira vez em quatro anos foi com uma equipa que se tinha tornado profissional nesse ano, o Borussia de Dortmund (ultimo campeão alemão pre-Bundesliga) com um 5-0 no Westfallenstadion. Essa parte da história contam pouco. Lá voltaram a mais duas finais nessa década e, pasme-se, eliminando sempre a gigantes continentais como o Aris Luxemburgo, Le Chaux-des-Fonds suiço e o Vasas Gyor húngaro (em 1964/65) e os irlandeses do Glentoran, os franceses do Saint-Etienne, outra vez o Vasas húngaro e uma Juventus em profunda decadência (em 1967/68).




(ilustração do FC Porto de 1987 porque não me apetece por aqui nenhuma imagem do Benfica)


Durante os anos 60, salvo o duelo contra o Tottenham em 1962 (realmente uma grande equipa) e o Real Madrid em 1965 (ainda que com uma geração de quase quarentões) os jogos europeus do Benfica, tão celebres, tão míticos, foram realmente contra equipas de segunda e terceira linha que no contexto actual da Champions se ficam pelas pre-eliminatórias. Quando se cruzaram com equipas de nível como o Manchester United (em 1965/66), o Ajax de um ainda adolescente Cruyff (1968/69 e depois em 1971/72) ou o Celtic (69/70) o normal era serem eliminados. Nos anos setenta essa realidade foi ampliada e desapareceram praticamente do mapa – desde 72 a 88 não voltaram a uma meia-final durante toda a década e levaram algumas goleadas jeitosas pelo meio - e lá para finais dos oitenta voltaram a pairar, recuperando a presença em finais que ganharam (ah não, perderam outra vez!).Para lá chegarem, em 1988, eliminaram o Tirana albanês, o AGF dinamarquês (outra vez), um vetusto Anderlecht e o Steaua de Bucareste, uma equipa com o seu quê de talento mas longe de ser uma potência continental. Dois anos depois repetiram a dose contra o Derry City irlandês, o Honved, Dniepr (campeão soviético de uma liga em auto-destruição) e o Marselha. Essa ronda vale a pena relembrar, não só porque levaram um baile de bola em Marselha (o 2-1 foi claramente pouco para o merecido) como porque só chegaram a Viena via um desvio pouco habitual, a mão de Vata. 

A festa acabou aí. Á medida que o nível de dificuldade foi subindo os clubes europeus que frequentavam a Taça dos Campeões mas que não tinham nível para a exigência Champions foram sendo filtrados pelo caminho. Algum de vocês voltou a ouvir falar do Benfica numa final ou meia-final da Champions? Eu também não. Actualmente – é dizer, desde 1993 – o FC Porto chegou a uma final da Champions League (que ganhamos, mas deixem lá isso), uma meia-final (em 1994, perdida com o Barcelona) e quatro quartos-de-final (em 1996 com o Man Utd, em 2000 com o Bayern depois de uma dupla fase de grupos, em 2009 com o Man Utd de novo e agora). Nesse cenário moderno tivemos em seis ocasiões entre os oito melhores da Europa. Os oito melhores da Europa que eram, ás vezes, dois de Espanha, três de Itália, dois de Inglaterra e algum alemão, francês e holandês pelo meio. A elite das elites. No mesmo periodo de tempo o Benfica nunca passou dos quartos-de-final onde só chegou em duas ocasiões. Desde o formato clássico que passar dos Quartos passou a ser uma utopia. Então lembram-se de quando o conseguiam. E esqueciam-se que então entre os oito melhores da Europa só estava um espanhol, um italiano, um alemão, um francês e ás vezes turcos, checos, suíços, belgas, húngaros, austríacos e até gregos. Outro mundo.
O FC Porto não é só grande em casa. É muito grande lá fora. E é grande porque ombreia com os gigantes do futebol mundial, com orçamentos muito maiores, ligas muito mais competitivas e influentes. Nesse cenário não acredito que ninguém seja capaz de comparar a dificuldade de ser quarto-finalista na idade moderna com ser semi-finalista no modelo anterior. Por cada vez que algum jornalista com fraca memoria (já não falo dos vossos conhecidos benfiquistas) vos lembrar num artigo as míticas “noites europeias” do Benfica e as finais que já perderam (que como disse um dia o José Augusto "ser vice-campeão da Europa também é um titulo, doa a quem doer"!) repitam-lhes devagar, para entenderem bem, os tubarões que tiveram de ganhar para lá chegar… AGF, Derry City, Ujpest, Honved, Dniepr, Tirana, Anderlecht, Steaua, Austria Viena, Rapid Viena, Nuremberga, Norkoping, Hearts…

quinta-feira, 12 de março de 2015

A histeria de Conceição


O treinador do Braga, Sérgio Conceição, após nova derrota com o FC Porto, voltou a queixar-se da arbitragem e a referir-se a penalties que ficaram por marcar a favor do Braga.

Na primeira volta, em 5 de Outubro de 2014, o FC Porto venceu o Braga por 2-1 no Estádio do Dragão, num jogo apitado por Pedro Proença. No final do jogo Sérgio Conceição disse na conferência de imprensa que sabia que era difícil a um árbitro marcar um penalty contra o FC Porto nos últimos minutos. E disse que o sabia com conhecimento de causa, por ter jogado muitos anos neste clube. Deveria ter explicado melhor o que queria dizer. E deveria, principalmente, ter tido vergonha na cara. Ele que sofreu na pele um penalty marcado pelo árbitro António Rola, numa suposta falta sua, no último minuto de um Estrela Amadora 2 x 2 FC Porto que gerou grande polémica. Conceição terá preferido ir pelo caminho que é mais apreciado à imprensa portuguesa, que normalmente amplifica e dá grande antena aos queixumes que possam prejudicar a imagem do FC Porto. 

Curiosamente o lance dividido entre Martins Indi e Pedro Santos de que se queixou Conceição não é penalty nenhum. O bracarense sente a presença e o contacto de Indi e deixa-se cair com estrondo. O desespero dos medíocres que se atiram para o chão na esperança de conseguirem um golo fácil. O lance está neste resumo e poderá ser visto e ajuizado por todos:
Agora, na segunda volta, o FC Porto foi a Braga vencer por 1-0 num jogo em que "secou" totalmente a equipa de Sérgio Conceição e este volta a queixar-se de penalties por marcar a seu favor. Levou um banho de bola e, em vez de ter a humildade de reconhecer a justeza da vitória portista, acaba por se agarrar a lances ridículos. Fala, mais uma vez, para uma audiência que aprecia os seus dislates. O lance em questão não é penalty. Pardo sente a presença e o contacto de Alex Sandro para fazer um mergulho para a piscina, esperando a ajuda do árbitro para obter um golo fácil. Não deixa de ser um belo mergulho, mas é um movimento para ser apreciado em disciplina distinta. O lance pode ser revisto e apreciado aqui:

SAPO Vídeos

No Tribunal de OJOGO, composto por 3 ex-árbitros, 2 deles consideraram que não existe qualquer falta e Jorge Coroado, mesmo considerando que seria penalty, afirma que “o teatro do bracarense quando caiu acabou por induzir o árbitro em erro”. Palavras para quê?

É lamentável que um homem que fez parte muito significativa da sua formação no clube, contra este venha levantar suspeitas, como o fez na primeira volta, e se aproveite de lances ridículos para os transformar em supostos benefícios para o FC Porto, como o fez em ambos os embates para o campeonato nesta época.
   

Tweet do Dia

O mito do Mourinho "melhor treinador do Mundo" foi hoje a enterrar definitivamente. Paz à sua alma!

quarta-feira, 11 de março de 2015

caluniados em Portugal, admirados no Mundo

Imprensa europeia (clicar para ampliar)


Quero o Real Madrid!

Não sabemos ainda quem se vai apurar para os Quartos de Final. Tenho o Chelsea, o Bayern e o Barcelona por favoritos absolutos e não os quero ver à frente para já. Dos restantes o equilíbrio é a nota dominante e não vejo num Dortmund vs Juventus, um Monaco vs Arsenal ou um Atletico vs Leverkusen um grande papão. São equipas que nos podem perfeitamente eliminar como podemos surpreender. Por isso mesmo deixo já aqui publicamente um desejo. QUERO o Real Madrid!

Se o FC Porto jogar como tem jogado, se o Real Madrid jogar como tem jogado, temos perfeitamente hipóteses de os eliminar. E mesmo que depois percamos nas meias-finais, eliminar os milionários campeões europeus já valia um ano. Seria a consagração definitiva deste projecto em crescimento com um golpe de autoridade e uma oportunidade perfeita para o Danilo perceber que aqui vai estar sempre melhor (menos na conta claro)!

Por isso que venha o Real. O Dragão está à espera!

terça-feira, 10 de março de 2015

Isto é um espectáculo!


Absolutamente espectacular.
Uma exibição de gala em todos os sentidos selou de forma histórica o apuramento para os Quartos de Final da Champions League. Toda a superioridade que se viu em Basileia traduziu-se em golos. Foram quatro. Podiam ter sido mais. Mereciam ter sido mais. Numa competição séria onde os jogadores recebem cartões quando devem ver e os penalties são marcados quando deve ser, esta podía ter sido uma noite europeia histórica. Ficaram dois penalties por marcar, ficaram duas expulsões por assinalar na equipa suíça mas nem isso impediu o Porto de dar um show de bola em toda a regra. São 20 golos já apontados, um recorde que iguala os números de 2003/04. A diferença? Cinco jogos menos.


Foram quatro bombas, quatro disparos sem piedade, ao estilo do melhor pistoleiro do farwest. Quatro golos que podiam perfeitamente ganhar o prémio de golo da ronda. Cada qual o melhor. Dois livres perfeitos e diferentes - um disparo tenso ao ângulo e uma bomba tomahawk à distância - um remate colocado de Herrera depois de uma jogada de Brahimi - MVP absoluto da festa azul e branca - e um sprint com slalom à mistura de Aboubakar com direito a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno foi o bónus que os adeptos que estiveram no Dragão receberam.
Os golos foram a expressão da superioridade. Se as bolas pareciam não entrar no St. Jakobs debaixo do céu da Invicta não se fizeram de rogar. Foi cedo evidente que a eliminatória estava emocionalmente resolvida. O Porto entrou como era necessário, com autoridade mas com a calma de quem se sabe superior e está preparado para manejar os tempos de jogo. O Basel veio defender e procurar nas bolas paradas e nos contra-ataques o seu milagre. Nada de novo. Desta vez tiveram ainda menos oportunidades e quando apareceram cruzaram-se com um Fabiano a grande nível. Não falhou e apenas ficou ligado ao jogo pelo momento de infortúnio absoluto. O golpe do guarda-redes com Danilo deixou-nos a todo com o coração nas mãos. Temeu-se o pior e o brasileiro só recuperou a consciência na ambulância. Não se sabe ainda o que vai passar com o lateral mas tal como a ausência de Jackson Martínez e Oliver Torres - os três pivots, com Brahimi - da temporada, o jogo do colectivo foi tal que passou ao lado a sua baixa. Mérito de Lopetegui que conseguiu montar um conjunto equilibrado que potencia as individualidades mas que rema na mesma direcção e que por isso sobrevive a baixas individuais de grandíssimo calibre. Não é nada fácil.


O Porto foi melhor em todas as vertentes do jogo.
Teve mais vezes a bola, um acerto de passes na casa dos 80%, uma recuperação à perda imaculada e um acerto pouco habitual para este nível da competição frente à baliza. Um jogo de sonho.
Não há muito a dizer de negativo. O amarelo a Marcano - que está imenso no seu trabalho como coordenador da linha defensiva - vai impedi-lo de jogar a primeira mão dos Quartos de Final. Uma baixa de peso. Foi o único cartão para os Dragões enquanto que os suíços podem agradecer a poupança de um árbitro nefasto que engoliu duas grandes penalidades e duas expulsões bem como vários amarelos. O primeiro que ficou por marcar podia perfeitamente o de Samuel que provocou a falta sobre Tello no lance que permitiu a Brahimi abrir a contagem. Foi um lance exemplar. Um ataque com perda de bola recuperada imediatamente por Casemiro - hoje um grande jogo do brasileiro - que lançou o ataque onde Tello encontrou espaço para isolar-se frente á baliza. Sofreu falta e daí Brahimi - a la Deco - abriu o livro. Ia ser, de novo, a sua noite no que foi talvez o seu melhor jogo desde que foi para a CAN. O segundo tento também é todo seu, um baile demoníaco pela direita quando já Indi jogava como lateral e Alex Sandro ocupava o posto de Danilo. A bola chegou a Herrera que disparou colocado, ao ângulo. Levantou o estádio. O mal-amado mexicano esteve, como todos, a um nivel muito bom. O golo foi merecido. Como o de Casemiro. Fisicamente imponente, hoje controlou bem o meio-campo tanto recuperando como organizando, conectando bem com Evandro, que tem feito esquecer agradavelmente a importante baixa de Oliver. Entre os dois engoliram os suíços, fossem eles queijo ou chocolate. Cada um que escolha. O seu livre - daqueles que Cristiano Ronaldo não marca há largos meses mas de que reclama patente - vai correr mundo e alguém em Madrid já se queixa do erro de casting que foi tê-lo emprestado. Foi o 3-0, um resultado justo e contundente mas faltava algo especial. Durante todo o jogo o trabalho físico e táctico de Aboubakar foi tremendo. Não é fácil ocupar um lugar que está perfeitamente desenhado para Jackson Martínez. Mas o camaronês conseguiu-o e quando encontrou a bola, em velocidade, foi dançando sobre os defesas contrários até encher o pé e reventar as redes. Um grande, grande golo que dá confiança á equipa. Não está o "Cha Cha Cha" mas Vincent parece determinado em ganhar o seu lugar para a próxima época.


Numa noite europeia única - nunca o FC Porto tinha marcado 4 golos numa ronda a eliminar da Champions League - o apuramento para os quartos foi carimbado com um golpe de autoridade que vai pôr a Europa em sentido. Meia imprensa já nos trata como o novo Dortmund ou Atlético mas sabemos que é preciso ir com calma e que o objectivo está cumprido. Tudo o que vier agora é para desfrutar e agradecer. Num ano em que o campeonato nacional está mais viciado do que nunca esteve nas últimas décadas e que mesmo ganhando na Luz já se sabe que alguém será expulso no jogo a seguir para garantir que tudo está bem, esta é a vara de medir única que tem a equipa. E não há que enganar. A equipa está num estado de forma física tremenda, os conceitos tácticos implementados por Lopetegui estão a dar os seus frutos e a continuidade é o primeiro passo para o êxito. Faltam muitos detalhes por trabalhar e todos sabemos que uma noite tão eficaz assim é difícil de se repetir mas que tenha existido já prova do que somos capazes quando estamos ao nosso melhor. O Dragão hoje pode dormir tranquilo. A chama está bem viva!

A Julen o que é de Julen

Este texto sai propositadamente antes do jogo com o Basel. Não quer ser um texto oportunista se o FC Porto garante o apuramento para os quartos-de-final (primeira vez desde 2009, já lá vão seis longos anos) nem pessimista se o improvável – a julgar pelo que passou na Suiça, suceder e voltemos a cair com um rival à nossa altura (como passou em Málaga). E sai agora porque Julen Lopetegui o merece.

É muito difícil – diria mesmo quase “colinhamente” impossível – que o treinador basco conquiste o titulo que escapa desde que Vítor Pereira vergou Jorge Jesus com um golpe de 92 graus Kelvin. Todos sabemos o que se passa, semana sim, semana também, nos relvados portugueses. Não vale a pena dar mais voltas, apenas lutar até ao ultimo suspiro como exige a camisola e culpar aqueles que realmente permitiram este controlo quase absoluto das instituições arbitrais na sombra, esses que vestem traje. Com a Taça de Portugal perdida – e mal perdida, é certo e inequívoco – e a Taça da Liga no número 374 das minhas prioridades do ano (logo a seguir ao titulo de bilhar), sobra a Champions League. E Lopetegui tem o claro objectivo de colocar o FC Porto no top 8 da Europa. Se o fizer terá cumprido com uma parte importante da sua missão. Terá merecido o nosso aplauso porque, já nos diz a nossa história recente, não tem sido fácil chegar longe na Champions. Há outros que acham que são os melhores treinadores do Mundo, não a jogar Playstation mas a treinar na Europa League. Níveis de exigência distintos, está claro.

Lopetegui vai ficar um ano mais inequivocamente e pode ficar com esse bom registo europeu e um subcampeonato que, se tudo correr bem, com vitória na Luz incluída, pode obrigar o clube da capital a sofrer até ao último jogo do ano depois de tudo ter procurado fazer (em jogos próprios e alheios) para ser campeão mais cedo e tranquilamente. Lá chegaremos. Mas se hoje as coisas correrem mal, o cenário afinal não será diferente dos Jesualdos, Vítor Pereiras, Co Adriaanses e afins nos palcos europeus. Nada a que não estejamos habituados. O que sim é preciso reconhecer é o trabalho de fundo realizado. E aí é preciso dizer que a Julen o que é de Julen.
Não considero que seja um grande treinador na esteira de grandes treinadores que o FC Porto já teve nas suas filas. Não é preciso procurar exagerar para fazer justiça. Fui critico com Lopetegui quando chegou, fui critico com as suas decisões, poderia sacar o oportunismo de não ser campeão (como é provável) para dar-me a razão mas acho que o treinador mereceu não só o segundo ano no banco como o meu respeito. E fê-lo sem estridências, sempre com uma ideia concreta. Fê-lo sendo fiel a si mesmo, a mesma fidelidade que transformou uma defesa com vários erros posicionais quando a dupla era Maicon-Indi numa defesa de ferro muito mais bem estruturada quando jogam Maicon e Marcano. Critiquei a incorporação de Marcano e graças a Lopetegui hoje posso dizer que me enganei. Como o treinador, não está nem sequer no top 10 dos melhores centrais que vi de dragão ao peito em vida. Não está. Mas traz essa tranquilidade e organização que faz tanta falta num projecto novo como este. Marcano é um exemplo. Um de muitos.


O crescimento espantoso de Danilo, hoje um dos melhores do Mundo na sua posição, deve-se sobretudo ao trabalho de Lopetegui que lhe meteu ordem e confiança na cabeça depois do desnorte que foi servir no ano passado. Danilo é um desses jogadores que, bem polidos pelo treinador, vai longe. Este ano prova-o. Uma pena que tenha perdido um ano de carreira por uma decisão presidencial nefasta. Mas não é único sinal positivo. Longe disso. A esperança de um futuro menos doloroso depois da sua inevitável saída, com Ricardo Pereira a jogar, também é obra do treinador que pegou num extremo que tinha feito a posição para ensiná-lo, como fizeram no passado com Conceição de forma inversa, a que tem as condições para dominar o carril completamente.
A transformação mental – sobretudo mental – de um Tello que jogava para si e tomava sempre a decisão final errada num Tello que joga para todos e que, graças a isso, aprendeu a sacar a espinha individual de golos que tinha atravessada, também é mérito seu. Lopetegui é o homem que lançou Ruben Neves – a maior prova de confiança de um treinador do FC Porto na formação desde que o Octávio Machado lançou o Ricardo Carvalho – mas não o queimou, dosificando um miúdo que há um ano jogava encontros de 80 minutos e passeava anónimo nas ruas. Foi o treinador que recuperou emocionalmente Herrera – e que desastre foi Herrera no ano passado – para o transformar num jogador mais colectivo ainda que continue a ser para mim uma peça a mais na sua ideia geral e uma dor de cabeça para quem segue o jogo e se asfixia nas suas correrias sem sentido. Brahimi, Oliver, Alex Sandro, todos têm crescido com a ideia de jogo colectivo de Lopetegui porque esta implica potenciar as suas valências dentro de um bloco colectivo organizado, tudo aquilo que não se viu no ano passado.

Se considero – e considero – ainda que algumas das suas petições pessoais em Julho foram tiros falhados totalmente – Andres Fernandez, Opare, Campaña – isso não pode tapar o bom trabalho que fez em potenciar alguns dos jogadores que já por cá havia. Nem todos, é certo. Quintero parece perdido em ser sempre Quintero e Quaresma está condenado, já o sabemos, a ser Quaresma. Mas são casos pontuais – e um treinador não é um milagreiro – num colectivo que parece cada vez mais mentalmente unido em trabalhar em conjunto. Oito meses depois de ter começado a trabalhar com grande parte do plantel, esse é o maior mérito do treinador.

Lopetegui tem uma ideia que o clube partilha e que implica resultados a médio prazo, algo pouco habitual em que parece ter vivido os últimos anos no imediatismo absoluto. A carteira tem algo a ver com essa mudança (aparentemente) de visão. Nessa ideia há espaço para crescer o produto da casa – o Gonçalo é bom exemplo e há mais a caminho, dêem-lhes tempo e dêem-lhes oportunidades –  mas também potenciar negócios da SAD como tem sido habitual. Danilo é o melhor exemplo (quem pensava há um ano que se poderia sacar lucro de um investimento como o seu?) mas a seguir vêm Aboubakar (do qual só temos 30%), Alex Sandro e se tudo correr bem na sala de aulas pode ser que Indi ponha em prática conceitos que, seguramente, conhece de sobra.


Depois dos tropeções iniciais – os por culpa própria como o Boavista, a mancha mais negra no "reinado" do basco, e os por culpa alheia como o jogo em Guimarães – a equipa está a uma vitória na Luz e um tropeção do Benfica do conseguir o que parecia impossível depois de subir o Evereste com uma sucessão de demonstração de superioridade inaudita frente a rivais complicados. E sem colinho, vejam lá. Há muito, muito trabalho por fazer. Muito. O nosso jogo de bola parada é fraco. A nossa eficácia ofensiva também, para a superioridade com a bola que geramos. Exige-se que uma equipa que domina totalmente o processo de construção de jogo seja capaz de rematar mais vezes e de forma mais acertada do que fazemos. O trabalho ofensivo, sobretudo de recuperação e posicionamento melhorou de forma tremenda e hoje somos uma das melhores defesas da Europa. A equipa joga como um bloco, pensa como um bloco e actua como um bloco, para o bem e para o mal. Quem viu o perigoso que pode ser uma anarquia no relvado, no ano passado, sabe do que falo.

Espero sinceramente que o Lopetegui possa hoje à noite riscar um dos objectivos do ano e trabalhar sem pressão até Maio (porque como estão as coisas aqui a pressão sobra) e a continuar a pensar na sua ideia de FC Porto para 2015/16. Sem ser um treinador que me enche as medidas e que me faz parar para ouvir o que tem a dizer com devoção, como fiz com outros que ocuparam o seu lugar no banco das Antas e do Dragão, não deixa de ser um homem que está determinado a deixar um legado. E a esse tipo de homens sempre há que respeitar e esperar para ver que Ás vão sacar da manga.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Receitas directas e indirectas

«Da receita comercial bruta estimada, 55 milhões serão alocados exclusivamente ao “play-off”, como aconteceu em 2013/14. Cada uma das 20 equipas que participaram no “play-off” receberá uma quantia fixa de 2,1 milhões. Após a dedução da alocação para os clubes envolvidos no “play-off”, a quantia bruta disponível para a UEFA Champions League e a SuperTaça Europeia totaliza 1,285 mil milhões. (…)
O montante líquido disponível para as equipas participantes será dividido em dois – 500,7 milhões em pagamentos fixos (alocações a bónus da fase de grupos, desempenho e qualificação) e 409,6 milhões em verbas variáveis (quota de mercado). A verba destinada à quota de mercado será distribuída de acordo com o valor proporcional de cada mercado televisivo representado pelos clubes que disputem a UEFA Champions League (da fase de grupos em diante), e será dividida entre as equipas de cada federação. (…)
Cada uma das 32 equipas envolvidas na fase de grupos vai somar um valor base de 8,6 milhões. Os bónus de desempenho estipulam o pagamento de um milhão por vitória e 500 mil euros por empate na fase de grupos. Os apurados para os oitavos-de-final também podem esperar receber 3,5 milhões cada, os oito apurados para os quartos-de-final têm direito a 3,9 milhões e os quatro semifinalistas embolsam 4,9 milhões. O vencedor da UEFA Champions League arrecada 10,5 milhões e ao finalista vencido cabe 6,5 milhões


Receitas já obtidas pela FC Porto SAD, directamente resultantes da Liga dos Campeões 2014/2015:

Liga dos Campeões 2014/2015 - Projecção de Receitas do FC Porto


Se, amanhã, o FC Porto alcançar o desejado apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões 2014/2015 junta, desde logo, mais 3.9 milhões de euros ao pecúlio já amealhado, perfazendo 23.1 milhões de euros.
E, somando-lhe as receitas de bilheteira de seis jogos em casa (Lille, BATE, Athletic Bilbao, Shakhtar, FC Basel, adversário nos ¼), mais o montante do market pool, projecta-se uma receita directa global na ordem dos 30 milhões de euros!

Na época 2012/2013, em que também participaram três equipas portuguesas na fase de grupos - FC Porto, SL Benfica, SC Braga - a distribuição de receitas foi a seguinte:

Liga dos Campeões 2012/2013 - distribuição de receitas pelos clubes (clicar para ampliar)

Mais. Estando o FC Porto posicionado a meio da “cadeia alimentar” (entre os clubes “produtores” e os “predadores de topo”) e sendo a Liga dos Campeões a principal “montra” do futebol mundial, em quanto é que já se valorizaram alguns ativos da SAD, como Danilo, Indi, Alex Sandro, Rúben Neves, Herrera ou Brahimi, graças ao muito bom desempenho colectivo (9 jogos, 6 vitórias, 3 empates, 0 derrotas) verificado até agora?

É por tudo isto que, na minha opinião, é bem mais importante chegar a uns quartos-de-final da Liga dos Campeões do que a uma final da Liga Europa.

domingo, 8 de março de 2015

Capelada no Bessa


Hoje, no final do Boavista x Vitória Guimarães, arbitrado pelo senhor João Capela, o treinador dos vimaranenses afirmou o seguinte:

É inevitável falar de arbitragem, claro. Não se pode vir conduzir um jogo a tentar que primeiro se salve a sua pele. (…) Hoje isto passou os limites. Em jeito de curiosidade, temos aqui uma pessoa no Vitória, que é o Neno, que é dos melhores seres humanos que conheço. Para ele se descontrolar, algo de grave se passou. (…) Não tenho nada contra ele [João Capela]. Dirigi-me de uma forma exaltada no final, disse-lhe que ele não prestava como árbitro e não o cumprimentava mais.

E o presidente do Vitória, Júlio Mendes, foi à sala de imprensa dizer o seguinte:

Para quem, como eu, tem defendido a melhoria da qualidade do futebol português, não podia deixar de dizer aqui, hoje, que o árbitro, na minha opinião, estragou o espetáculo. Foi altamente incompetente. Não vou falar de critérios, nem dualidades. Digo claramente que foi altamente incompetente, que prejudicou uma equipa profissional que trabalhou uma semana para este jogo. O senhor João Capela deixou mal uma classe que representa e desejo que não apite mais o Vitória. Um árbitro que eu vi fazer o que fez aqui não pode apitar mais. E não pode apitar o Vitória.


Não pode apitar mais o Vitória?
Tudo bem, desde que, sempre que necessário, seja nomeado para apitar o SLB…

E, claro, um árbitro desta “categoria” e que tão “bons serviços” tem prestado ao SLB… perdão, à arbitragem portuguesa, merece ser premiado com as insígnias da FIFA, não é senhor Vítor Pereira?