segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Competências


aqui escrevi a época passada que Lopetegui não era treinador para o FC Porto.

Nesse texto - na altura muito criticado, tendo havido até uns inteligentes que se arrogaram ser mais portistas do que eu - dizia que Lopetegui tem duas características que fazem com que jamais o contratasse: só pensa nele (e, portanto, põe sempre os seus objectivos individuais à frente dos do clube) e falha nos momentos decisivos.
Noutro texto, aqui, voltei à ideia.

Queria, no entanto, deixar bem claro que não considero Lopetegui um incompetente.
Pelo contrário, conhecendo ele as sua limitações, acho-o, até,  muitíssimo competente, pois conseguiu, até hoje, não ser despedido.

Lembro o jogo na Luz da época passada, que o Porto precisava indubitavelmente de ganhar.
Nesse jogo o treinador, ao invés de ousar, jogou na defensiva. E fe-lo, na minha perspectiva, por saber que não poderia perder: a vitória dava-lhe o título; a derrota a dispensa; o empate não servia para o titulo mas afastava a hipótese de dispensa.
Qual foi a sua decisão? Garantir que não perdia, pois isso garantia-lhe a continuidade.

No último jogo da Champions passou-se sensivelmente o mesmo. A vitória (muito difícil) garantia-lhe a continuação na Champions. O empate ou a derrota implicavam o rumo à Liga Europa. Mas uma derrota por muitos podia ditar o seu imediato afastamento do comando técnico do FC Porto.
Qual foi a opção de Lopetegui?  Garantir que a derrota, que praticamente assumiu desde o inicio, não fosse por muitos, por forma a poder continuar a ganhar o seu.

Amigos: o Lopetegui não mudou. Quem ontem o apoiava por que não o apoia agora?
Ele faz hoje o que sempre fez.

Não sou menos portista por ter percebido cedo que o homem não nos servia.
Mas, agora, quero que fique até ao fim. Não quero, de forma nenhuma, que vá embora com um saco de dinheiro e deixe para o sucessor o resultado do seu trabalho.
Para mim, fica cá até Junho e das duas uma: ou ganha o campeonato (ou a Liga Europa) e sai menos mal ou não ganha e sai pela porta pequena, sem nada de relevo ter ganho com plantéis melhores que os dos adversários.  
Ele que assuma.
E quem o defendeu que o assuma também, não procurando agora, com uma chicotada psicológica, passar um pano sobre o assunto.
Não nos adianta atirar-lhe agora as culpas. O incompetente não foi ele. Fomos nós, que o contratámos.
   

domingo, 13 de dezembro de 2015

Blindagem, já!


Chegou a ser ventilado que na véspera da deslocação do FC Porto à Luz, no final da época passada, num jogo que poderia decidir o campeonato, o treinador adversário, Jorge Jesus, terá tido acesso ao ‘onze’ que Lopetegui estava a trabalhar para essa partida. Desconheço a veracidade deste episódio.

No decorrer desta época, têm sido do domínio público algumas informações que se deviam manter privadas no estrito âmbito da equipa técnica e dos jogadores. Parece haver demasiada informação a circular pelos empresários de jogadores e outros elementos que vivem debaixo do chapéu da SAD. O FC Porto tem de voltar a blindar totalmente o seu balneário, independentemente do treinador que estiver a orientar a equipa. Para triunfar tem de voltar a ser aquele clube que já foi, uma fortaleza de onde nada sai, nada se sabe e que a todos surpreende.

Se o problema fosse apenas e só Lopetegui, seria muito fácil de resolver. Mas não é. É muito mais profundo que isso e os sócios já se aperceberam da sua verdadeira dimensão.

O presidente Pinto da Costa sempre teve um estilo de liderança autocrático. Até ao final de 2004 sempre exerceu a sua liderança e a sua presença, sendo a voz e a cara que representava o clube. Com o aparecimento dessa fraude jurídico-desportiva que deu pelo nome de Apito Dourado, a imagem do presidente ficou desgastada e a defesa pública dos constantes ataques ao clube foi sendo feita – e muito bem – pelo treinador Jesualdo Ferreira. A equipa jurídica que assessorou a SAD e o Presidente trabalhou na sombra e conseguiu desfazer a trama mas os aparecimentos públicos de Pinto da Costa nunca mais tiveram o mesmo impacto.

Sem alguém na forja que pudesse ir substituindo o Presidente para a defesa pública da boa imagem do clube, com um Antero Henrique mais preocupado com a sua afirmação pessoal na cúpula da SAD onde já se encontravam outros “pesos pesados” com superiores aspirações, e com a crescente influência de determinados empresários que traziam financiamento e jogadores de qualidade do mercado sul-americano, o clube ficou demasiado vulnerável e durante muitos anos sem uma figura que pudesse desempenhar o papel de Pinto da Costa: um líder com mão férrea que blindava totalmente as equipas técnicas e lhes dava a estabilidade e confiança que elas precisavam para se preocuparem apenas com o seu trabalho.

Neste momento o clube precisa de um Director desportivo forte e autoritário que consiga equilibrar o jogo de forças entre a equipa técnica e jogadores, o empresariado capitalista mas dependente, e a pressão exterior exercida pela comunicação social e pelos adeptos impacientes. De preferência um homem com a escola da casa.

Sem esta figura não há treinador que resista. Podemos ir fazendo experiências e transformar o clube num cemitério de treinadores como aconteceu nas décadas passadas com os clubes da 2ª circular, mas não conseguiremos voltar a ser aquele clube onde qualquer treinador conseguia ser campeão.
   

sábado, 12 de dezembro de 2015

Lopetegui, ficar ou não ficar?

Julen Lopetegui foi um erro. 
Não vale a pena recordar que isso foi dito aquando da sua nomeação. Foi um erro então. É um erro agora. A sua falta de experiência aliou-se, com o tempo, com a sua falta de estofo. Foi evidente na ausência de características que definem um treinador de nível. Lopetegui nunca conseguiu criar um estilo de jogo constante e coerente. A equipa exibiu-se a grande nível na Champions, no ano passado (e no jogo contra o débil Chelsea, no Dragão) mas na liga nunca convenceu ninguém. O plano A de Lopetegui era um rascunho e nunca passou disso. O plano B, o C e até o D de Stamford Bridge foram erros graves. Lopetegui não perdeu o título por ser incompetente no ano pasado. Num ano normal, sem #Colinho, o FC Porto teria sido campeão nacional. Mas isso seria apenas natural, inercia de um grande plantel onde o investimento foi mais relevante do que se quis assumir. Afinal, para um clube como o FC Porto dos últimos 30 anos o título já surgiu com equipas piores e treinadores medianos, graças à inteligencia e força de uma estrutura que já não existe. Mas nem graças a essa inercia Lopetegui driblou os escândalos arbitrais do ano passado, representado perfeitamente pela sua inoperância nas viagens à Madeira, no jogo em Belém e, sobretudo, no jogo na Luz onde o Porto que devia procurar a vitória contentou-se em lamber as feridas do desastre de Munique. O navio tremeu mas não afundou mas vamos em Dezembro de 2015 e o Sporting – com o mesmo e sobrevalorizado treinador rival e com um investimento inferior – continua à frente de um Porto igualmente titubeante e sem ideias. Faltam cinco meses para acabar a época. Que fazer com Lopetegui?

Para mim – para muitos portistas e para muitos elementos dentro do clube – a saída do treinador basco é inevitável. Que suceda entre Dezembro e Junho será, sobretudo, fruto das circunstancias. O projecto falhou. A culpa não é só de Lopetegui. Que fique claro. O problema é mais profundo e está uns andares acima na pirámide do clube. A mudança do treinador pode, na prática, nem sequer mudar nada quando o Porto continuar a enviar agentes contratados por fundos para negociar em seu nome, a adquirir jogadores sabendo que não os vais pagar utilizando o clube como montra de exibição para aranhar um lucro que não é suficiente para evitar sucessivos empréstimos bancários a instituições misteriosas e, irónicamente, associadas aos mesmos fundos. Num cenário onde o balneario é uma porta aberta a quem quiser entrar, onde não há elementos diferenciáas, referências de cordura, espirito de grupo e ambição, que pode outro treinador fazer? Quando a aposta na formação – lembram-se que vinha o treinador da excelente, porque era excelente, campeã europeia sub21 para lançar uma série de putos aos leões – continua a estar mais na prática que no papel porque o plantel se enche de segundas e terceiras escolhas para fazer negócio, que pode fazer o treinador?
Tudo isso é verdade, seja o homem da “cadeira de sonho” de todos nós Lopetegui, Vitor Pereira, Paulo Fonseca ou o senhor X. Mas Lopetegui contribuiu, e muito, para estar na situação emocional com adeptos e jogadores em que está. Se a conjuntura já não era favorável, o seu trabalho foi nefasto a distintos niveis e o seu futuro ficou assim comprometido por muitas juras de amor de Pinto da Costa a jornais espanhóis que ele possa ler.

Os problemas de Lopetegui são vários. 
A conexão com os jogadores é nula e isso que rodeou o balneario de futebolistas conhecidos numa das maiores sagas de importação da história do Porto de outro país ou cultura futebolistica desde os anos da escola de Samba do virar do século. Tacticamente já demonstrou ser um inepto a distintos niveis, de treino, de ideia de jogo e, sobretudo, de adaptar a equipa a todas as circunstancias, positivas e negativas. Se o Porto se coloca a ganhar, tudo bem. Se o Porto se apanha a perder, ai Jesus. Se o Porto está empatado, rezem por um milagre porque a luz nunca virá do banco. Em ano e meio, nunca veio. Lopetegui é responsável disso tudo mas também conseguiu destroçar o excelente capital de apoio conseguido nos primeiros meses quando foi o primeiro a insurgir-se contra o #Colinho – com o clube calado – pela sua constante falta de auto-critica que já roçou a ignorância. Há sempre culpados, sempre desculpas, sempre justificações. Só que nunca é nada com ele. O triunfo da possessão e o azar do golo inaugural do Chelsea parecem ser, na cabeça do treinador e no seu discurso, a justificação de um dos maiores desastres tácticos da história do clube. É apenas um de muitos exemplos. Um problema que não tem solução.



E portanto, que fazer?
1) Ficar com Lopetegui até Maio e começar já a trabalhar no futuro? 
2) Despedir Lopetegui agora para encontrar uma solução de futuro com impacto imediato? 
3) Repetir o cenário com Paulo Fonseca e pensar na transição com outro nome enquanto o futuro se desenha longe do terreno de jogo?

São três cenários que estão sobre a mesa agora mesmo na SAD e na cabeça de todos os portistas. Nada vai acontecer – salvo que Lopetegui bata com a porta de forma clara e inequívoca – até ao jogo de Alvalade. Sair com a liderança da casa do mais directo rival será um golpe de efeito importante. Qualquer outro resultado (até o empate) é abrir ainda mais uma ferida com adeptos e balneario difícil de curar. Lopetegui tem de ser implacável em liga até Janeiro e conseguir demonstrar que tem todos a remar na mesma direcção para que a necessidade de uma mudança brusca não se torne ainda mais evidente. Mas claro, quem toma conta do seu lugar?
O clube maneja agora mesmo uma lista de futuriveis com André Villas-Boas à cabeça. Mas AvB – que já anunciou que a partir de Junho quer voltar a Portugal – não vai ficar livre até o Zenit cair da Champions League, ou seja, provavelmente a fins de Março. Outro nome na mesa, Mircea Lucescu, não irá querer deixar o Shaktar a meio caminho. Mais fácil seria atrair Pedro Martins, treinador do Rio Ave e outro menino bonito de Pinto da Costa, para tomar controlo já da nau. O grupo mais associado a Mendes prefere claramente Nuno Espirito Santo, actualmente desempregado. 
Há três nomes falados que estão fora de qualquer equação. Marco Silva não pode nos próximos dois anos treinar em Portugal por uma cláusula assinada. Leonardo Jardim não quer voltar a Portugal e quando sair do Monaco será para a liga espanhola ou inglesa. Paulo Sousa quer triunfar em Itália e a voltar a Portugal a sua preferencia é, claramente, assinar pelo Benfica. Todos estes nomes – salvo talvez AvB – difícilmente entusiasmam os adeptos e apenas dois deles teriam condições para pegar agora na equipa. Vale realmente a pena entregar de novo o plantel a Luis Castro, depois da sua (falta) de provas aquando do fim da experiencia Fonseca? 
Só com um cenário insustentável, como foi esse, essa opção pode fazer qualquer sentido.

Com os principais candidatos a estarem livres em Junho, com Luis Castro como referencia pouco fiável, a permanência de Lopetegui até Maio tem toda a lógica. Mesmo entendendo que o basco não é um bom treinador – e muito menos um bom treinador para o clube -  o cenário actual não convida ainda ao drama. O titulo é perfeitamente alcançável e deve ser, cada vez mais, a prioridade. Há plantel com qualidade suficiente para ser campeão nacional e o Sporting é um rival que já demonstrou que vive no fio da navalha na maioria dos jogos. Algum dia terá de tropeçar na sua própria ausência de ideias. Lopetegui começou o projecto e deve terminá-lo mas não o pode fazer só. Urge que a SAD tome públicamente uma decisão e apoie o treinador numa mensagem para tranquilizar os adeptos e, sobretudo, os jogadores. Lopetegui tem de sentir esse apoio de quem o elegeu, o elogiou e deu tudo o que pedia, e os jogadores devem saber que por muito que se rebelem, o cenário não vai mudar. Salvando as distâncias, naturalmente, Pinto da Costa tem de emular a Berlusconi - para bem do clube - quando este baixou ao balneario do San Siro, nas primeiras – e contestadas semanas de Arrigo Sacchi – disse aos jogadores a mitica frase “o treinador é escolha mina, foi escolha mina e continuará a ser escolha minha e ficará aquí para lá do próximo ano…já vocês, não sei!”.

Não há um conto de fadas com final feliz. 
A minha sensação pessoal é que Lopetegui deve ficar por isso mesmo, assumindo (tanto ele como as pessoas responsáveis pela sua contratação) todas as consequências no final da temporada, sem que o clube deixe, paralelamente, de procurar um rumo de sustentabilidade futura com outro homem do leme.

O título de campeão não vai salvar a posição de Lopetegui no clube e com os adeptos mas pode permitir uma saída menos traumática e menos negativa para uma instituição que apostou muito nele. Lopetegui foi uma eleição pessoal de Pinto da Costa e o seu fracasso é também uma mancha no currículo do presidente que iria no seu segundo treinador consecutivo a sair antes do final do ano. Seguramente um cenário que quer evitar. Para isso tem de tomar uma posição, apostar todas as fichas (e reputação) na sua aposta pessoal e fazer todos os esforços para que o clube até Junho trabalhe na mesma direção mesmo sabendo que no próximo ano talvez a nostalgia do pasado injecte algo do optimismo perdido em relação ao homem que ocupe a “cadeira de sonho”. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Onde colocar a Europa League na lista de prioridades?

Que queremos de uma competição como a Europa League a partir de Fevereiro?
Esse é seguramente um dos grandes dilemas da Porto SAD agora mesmo. Ninguém pensava nesse cenário este ano. O sorteio da Champions League parecia perfeitamente acessível a uma equipa que tinha chegado aos Quartos-de-Final do ano anterior e, como disse bem Mourinho, depois da dupla ronda contra o Macabbi instalou-se no clube e nos adeptos a sensação de que “estava feito”. Não estava. Agora o futebol europeu hiberna mas a partir de Fevereiro é preciso tomar decisões. Em que ponto da equação devemos colocar a relevância de um torneio como a Europa League?

Parece claro que o grande objectivo do Porto permanece absolutamente inalterado.
A cada ano o clube orçamenta a temporada e traça como objectivo mínimo lutar pelo título e por um lugar nos oitavos da Champions. As Taças são torneios cada vez mais residuais nesta equação. O orçamento é planificado com base nesse raciocínio (terminar num lugar de acesso directo à Champions, preferencialmente com o título e a soma dos milhões da Champions via oitavos-de-final…depois, logo se vê). O plano para este ano – um ano de ajustes – ficou destroçado. Não só a equipa caiu antes do previsto como hipotecou superar o lucro do ano passado uma vez que o aumento dos prémios da UEFA significam na prática que alcançar agora os oitavos-de-final equivale a alcançar os quartos no modelo anterior. Repetir o (difícil) feito do ano passado seria aumentar ainda mais o bolo e tão necessitados estamos que imaginar um cenário distinto deve provocar ataques aos responsáveis de tesouraria.  Basta pensar que vários reforços foram concretizados precisamente a pensar na exigência máxima do universo Champions (e por isso a folha salarial subiu e subiu) e que agora o clube estará a pagar o dobro ou triplo do expectável a jogadores para alcançar objectivos bem mais acessíveis. 
Mas agora que o sonho de fazer mais uma pequena fortuna na Champions se esfumou, que podemos fazer com o cenário Europa League, uma competição que provoca um profundo desinteresse nos principais clubes da Europa e até em alguns emblemas de segunda fila das ligas principais. Razão? A quase total ausência de prémios monetários que justifiquem o desgaste de varias rondas em troca de nada. É isso que queremos priorizar?

Há outro cenário em equação. 
O FC Porto tem, em principio, um dos dois primeiros lugares ao seu alcance, os que dão o apuramento directo para a Liga dos Campeões 2016/17. A Europa League, desde o ano passado, permite aos campeões qualificarem-se directamente para a fase de grupos da Champions. É um plus de atracção para equipas como o Sevilla, Napoli, Fiorentina, Tottenham, Monaco, Liverpool ou Dortmund que possam ter mais concorrência interna. É uma justificação para colocarem todas as fichas no torneio se as coisas na liga correm mal. Para o Porto isso não parece ser sequer uma necessidade. Mas para muitos dos seus hipotéticos rivais será e isso significará medir-se com clubes com outras - genuínas - aspirações no torneio dispostos a tudo para ganhar. Vale a pena igualar esse esforço por nada?
Por fim está o suposto prestigio. O FC Porto venceu o torneio em duas ocasiões, em 2003 e 2011, e em ambas temporadas esse sucesso consagrou duas grandes equipas que pareciam destinadas a grandes coisas (a segunda ficou em modo coitus interruptus mas à época estava cotada perfeitamente entre as melhores do continente). O cenário deste ano parece-se, no entanto, muito mais com o do ano de estreia de Vítor Pereira. O Porto tem plantel para lutar pelo titulo na competição no papel mas a equipa não gera nos adeptos a sensação de que esse cenário actualmente é lógico e gastar energia para competir num torneio que não precisamos de ganhar para ter lucro económico ou desportivo e que a nível de prestigio é cada vez mais irrelevante a nível internacional – o nível tem decaído muito desde 2003 como o Sevilla, incapaz de competir na Champions League, bem demonstrou – parece ser bastante superfulo.



Está claro que o objectivo máximo e absoluto deve ser a partir de agora a aposta no campeonato. Ficou evidente no ano passado, a partir de certo momento, que Lopetegui preferiu sempre colocar as fichas na Champions do que na liga e o preço a pagar chegou precisamente na Luz quando uma equipa física e mentalmente destruída em Munique foi incapaz de dar um golpe de efeito no campeonato como sim logrou Vítor Pereira três anos antes, sem o desgaste da Europa em cima. Já não há desculpa para que este ano se duvide no rumo a seguir. O campeonato tem de ser a primeira, segunda e terceira prioridade absoluta e inequívoca e as taças nacionais um bom momento para testar alternativas, distribuir minutos e procurar chegar às últimas rondas (no caso da Taça de Portugal) ou de ignorar por completo (no caso da Taça da Liga) no plano de prioridades.
Se existia uma lógica financeira e de prestigio no raciocínio da SAD e do treinador em 2014/15 em partilhar o protagonismo da liga e Champions nos objectivos de grupo, o mesmo não se pode dizer agora nem faz sequer sentido que a direcção defina a Europa League como algo prioritário. 
A partir de Fevereiro o cenário pode ser muito diferente porque não sabemos como vai estar a tabela classificativa no fim do Inverno, depois da equipa ter passado já por Alvalade. Uma liderança – eventualmente folgada a mais de tres pontos de diferença – dão uma liberdade que uma luta apertada (ou um segundo lugar) não permitem.
A natureza do rival, a conhecer em sorteio na segunda-feira, também pode condicionar muita coisa. No ano de Vítor Pereira o Porto teve o azar de ser sorteado com um dos máximos candidatos ao troféu (ironicamente eliminados pelo Sporting na ronda seguinte) mas os homens de Paulo Fonseca tinham apenas de medir-se ao Eintracht Frankfurt quando foram sorteados os 16 avos de final o que permitia uma preparação totalmente diferente.

Faz portanto sentido colocar a Europa League no topo das prioridades do clube? Deve-se, em contrapartida, ignorar a competição sendo que o FC Porto nunca entra em campo para não ganhar mas sabendo que há jogos que devem ser tratados com mais ou menos exigência consoante o que o clube quer? É, para o Porto, a Europa League mais importante, agora mesmo, que uma Taça de Portugal e uma possível dobradinha, muito mais fácil de conquistar e talvez mais relevante a nivel emocional para adeptos que levam três anos sem levantar um troféu?

Pessoalmente acho que Lopetegui e a SAD devem esquecer por completo o futebol europeu até Fevereiro, dando ZERO importância agora mesmo à segunda competição da UEFA, gerindo os esforços absolutamente pensando a nível doméstico. Tendo em conta o rival e a conjuntura em Fevereiro, pode-se perfeitamente rever a ordem de prioridades mas não acredito que o clube deva desgastar-se em tentar ganhar um torneio que, actualmente, não parece ser minimamente relevante para os objectivos a médio prazo da instituição. O Porto pode ir tentando passar fase a fase, como o orgulho ao escudo exige, mas nem os adeptos nem a direcção deveriam colocar o peso das expectativas no plantel e staff técnico numa perspectiva europeia. O erro está feito e é irreversível e a Europa, a Europa a sério, só chegará mesmo para o ano. O importante agora é tratar de voltar com o escudo de campeão ao peito e acabar de vez com uma seca de títulos importantes de três anos num mano a mano com um rival que, ainda que gaste muito mais do que proclama, continua a estar perfeitamente à altura do investimento realizado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Já foi?


"Maicon e a eliminação: «Já foi, bola para a frente»", in "Maisfutebol", 10/12/2015

Eis (mais) um péssimo exemplo de abordagem ao nosso momento actual, ainda para mais vindo de um "capitão".
"Já foi"? Não, Maicon. Ainda dói e muito. Pelo menos para nós, os adeptos. Somos aqueles que não recebem um tostão do FCP (pelo contrário, ainda pagamos) e dele só reclamamos emoções.

Pelo contrário, o tempo deve ser de profunda reflexão. A pouca qualidade do treinador é apenas uma das razões destas tristes figuras. Existem outras a que convém estar tão ou mais atento.

"Já foi e bola para a frente", é o mesmo que respondem os jogadores de clubes menores, que já não sabem bem o que mais dizer perante os repetidos fracassos. São parte daqueles que não ficam para a história.
A Maicon, que tem a felicidade de jogar num grande clube europeu, discursos destes deveriam estar proibidos.
Se não, o que resta? Perdermos em Alvalade, em Janeiro, e "bola para a frente"? Somos depois eliminados da Taça de Portugal e "bola para a frente"?

E, reparem, estamos a falar de alguém que tem uma ligação ao nosso clube muito mais duradoura que a maioria dos jogadores do actual plantel. Imaginem o pouco que doerá a outros...

"Já foi"? O pior é que, neste caminho errado que actualmente trilhamos, Maicon, virá já aí outra a seguir.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O enterro do basco

Quando uma equipa está a noventa minutos - por culpa própria - do jogo mais importante do ano, é normal que os adeptos sintam nervos. Estranhamente, entre muitos portistas, a sensação a pouco tempo do apito inicial no Bridge foi de tudo menos nervos. Resignação, estupefacção, raiva e desanimo. De nervos, nada. Julen Lopetegui logrou o impensável. Não só a incapacidade de colocar a sua equipa a demonstrar todos os seus argumentos nos dois duelos directos contra o rival real do grupo - o Dínamo Kiev - hipotecou um apuramento que, depois da grande vitória contra o Chelsea no Dragão parecia inevitável - como ficou claro que o espanhol, como treinador de elite, é um zero à esquerda.

Todos os treinadores sabem que o futebol é um universo complexo onde o papel da rotina é fundamental para o êxito. Treinam-se as mesmas jogadas vezes sem conta. Procuram-se os modelos tácticos perfeitos, ás vezes com, ás vezes sem plano B, e insistem-se neles durante o ano porque é na assimilação de rotinas e no trabalho de grupo que um plantel se transforma nesse microcosmos que é um Onze bem sucedido. O b-á-b-á do futebol é esse mas no dia em que se deu essa aula, Lopetegui devia ter ficado em casa porque não assimilou perfeitamente a lição. No FC Porto estamos já vacinados com as "invenções" quando se viaja a Inglaterra. O de hoje, em Londres, é apenas mais um capítulo repetido até à exaustão. Mas tem o "demérito" de deixar a nu a completa ignorância de um treinador na gestão dos seus recursos. O FCP tem de ganhar? Joga-se sem avançado. O FC Porto vai medir-se contra uma equipa que vive das transições largas? Coloca-se uma defesa de três afastada quilómetros entre si e com um espaço brutal com o meio-campo para Diego Costa mover-se à vontade. Aposta-se em dois criativos pelas alas, como Brahimi e Corona e depois lançam-se três médios que não conseguem aparecer para finalizar um só lance desde atrás. Não houve absolutamente nada que Lopetegui tivesse feito bem no desenho inicial e no decorrer do encontro e só um Chelsea frágil psicologicamente e a anos luz do seu real potencial podia medir-se a uma equipa assim e não sacar uma vantagem superior. Lopetegui pode agradecer a Mourinho que este não seja Guardiola que, no ano passado, depois de ter perdido o primeiro jogo, colocou o basco no sítio. Um sítio que a História não vai, seguramente, recordar.

O Porto jogou mal, o Chelsea não jogou muito melhor e pouco mais haveria a dizer por um jogo decidido por detalhes mas onde, desde o princípio, ficou evidente que havia uma equipa a sério e uma a brincar sobre o relvado. Sem profundidade e atitude, o FCP foi em Londres muito parecido ao que tinha sido na semana de Munique-Lisboa, uma equipa com mais medo a perder do que demonstrando vontade de ganhar. Uma equipa sem carácter e sem um plano de jogo concreto que tentou povoar as zonas do terreno longe da área porque, já se sabe, os golos no futebol são acessórios.
Perante essa invenção que foi o 3-5-2 com Layun e Maxi como extremos e um meio-campo sem um pingo de futebol na cabeça (e nos pés) no centro, o Chelsea sempre esteve cómodo. Marcou cedo depois de um excelente passe em profundidade à procura do oceano de relva entre Danilo e Marcano ter encontrado Diego Costa. O bronco avançado hispano-brasileiro fez do central espanhol o que quis - no fundo fez dele o que é, um central competente mas não fadado para grandes noites - e depois disparou para uma defesa de Casillas que, noutras circunstâncias podia ter sido providencial. Não foi. O Santo que acompanhou Iker em toda a sua carreira até 2012 desapareceu por completo como se viu em Kiev, no Dragão e agora em Londres. A bola bateu com estrondo em Marcano, voltou para trás e Maicon (que como Indi estava muito longe da área quando o lance começou) não chegou a tempo de evitar um golo claro e bem assinalado. Podia ter sido um golo de azar mas foi um golo de incompetência, tanto no esquema de três centrais que não se ajudaram como na forma como Marcano abordou o lance. Um lance perfeitamente exemplar das "lotepeguices" cada vez mais habituais.


Para a primeira parte o Chelsea tomou a iniciativa - ao Porto a vontade de empatar nunca se viu, realmente - e Oscar reclamou um penalty que podia ter sido bem assinalado com os laterais absolutamente expostos, sobretudo Maxi, ao jogo vertical dos ingleses. Das bolas paradas venenosas de William não saiu nada evidente e o Porto podia agradecer ter chegado ao intervalo a perder apenas por um. Isso sim, Lopetegui tinha motivos para estar orgulhoso, a equipa tinha acabado com mais posse de bola. Algo é algo.
Claro que o Chelsea ia marcar outro e foi de novo, ao principio de uma segunda parte - onde o discurso de Lopetegui deve ter sido o equivalente a uma homilia pascal tal foi a forma motivada e diferencial com que a equipa saiu - a anotar com um excelente disparo de um William sempre hábil a aproveitar os espaços provocados pelo mágico 3-5-2.
A saída de Imbula - que, seguramente, jogou por indicações superiores porque é precisar valorizar activos por quem o clube não pagou um tostão para outros lucrarem - e de Maxi eram evidentes e chegaram um golo tarde. O Chelsea podia ter goleado, a tal ponto que nos últimos vinte minutos mais parecia um jogo de treino com um Porto incapaz de criar sequer a sensação de perigo - como contra o Dínamo - deixando claro que os londrinos mereciam passar. Os ucranianos mereciam passar. Os Dragões, não!

No final fica claro que esta derrota era algo natural e expectável. Todos sabem que o Porto não foi eliminado em Londres. Nunca poderia sê-lo porque o rival não era o Chelsea nem na sua pior versão. A péssima gestão de Lopetegui contra um Dínamo de Kiev a roçar o vulgar marcou o destino da equipa. Lopetegui está no Porto para ganhar títulos, valorizar activos e a marca do clube. Títulos, até agora, nem vê-los e não se pode sequer dizer que esteve realmente perto de os conseguir. A valorização de activos foi um dos seus pontos positivos em 2015 mas nesta temporada tem-se assistido precisamente ao oposto, a progressiva desvalorização de jogadores cuja venda dependerá de uma mão amiga e de uma fantástica engenharia financeira. Já o nome do clube, é outra coisa e muito mais séria. Lopetegui é o treinador que apenas logrou uma reviravolta em ano e meio, que fez da Madeira uma via sacra, que não conseguiu ganhar a Jesus e que nos jogos fora na Europa é quase sempre vulgarizado pelo treinador rival. É, sobretudo, um homem que parece ter tantas ideias na cabeça que acaba por não aproveitar nenhuma. Não se decidiu ainda por um sistema táctico (estamos em Dezembro e o 4-3-3, 4-2-3-1, 4-4-2 e o 3-5-2 já andaram por aí) nem por um onze tipo e não fosse a voluntariedade de André André e a boa forma outonal de Aboubakar e talvez fosse já um cadáver desportivo ambulante.
Naturalmente o jogo partiu-se. O Porto tentou atacar com mais critério. Ter Brahimi, Rúben e uma referência na área ajuda, mas os espaços atrás continuavam a ser aproveitados pelo Chelsea para criar perigo. Um cenário onde Mourinho sempre se sente cómodo.


Esta eliminação supõe um importante rombo nas contas do clube que usa, regularmente, as verbas da Champions como garantias para pagar os empréstimos que utiliza para pagar os salários dos jogadores que não paga porque estão vendidos ao chegar. É também um rombo na imagem internacional do clube, tendo em particular conta que o rival era o Dínamo de Kiev e que o Benfica, com um Dínamo de Kiev no seu grupo (o Galatasaray) não teve o mesmo problema e apurou-se como inevitável segundo. É igualmente um rombo tremendo na moral dos adeptos a quem pouco lhes importará a Europa League e que coloca ainda mais pressão na corrida pelo campeonato onde, inevitavelmente, Lopetegui continua atrás de Jesus por inoperância própria. É um momento importantíssimo para o clube. Assumir o desastre na Europa (que era há quinze dias previsível), apostar todas as fichas no campeonato e começar a pensar num futuro sem Lopetegui, um treinador de segunda linha com um padrinho importante e um presidente que parece estar a perder totalmente o norte na eleição de treinadores. Entre Nuno, AVB e Marco Silva está a coisa e Julen já o sabe. Hoje cavou a sua própria sepultura. O Porto, esse, é grande demais para não sobreviver a um tropeção pontual. Para o ano há mais Champions e, esperamos, mais motivos para sorrir.

SMS do dia

Caso seja hoje eliminado da Champions League - um cenário mais provável do que improvável apesar do péssimo ano dos homens de José Mourinho - o que está claro é que essa eliminação é sempre consequência da incapacidade de somar apenas 1 ponto de 6 contra o rival directo, o Dínamo de Kiev.

Hoje o FC Porto joga contra o seu passado - nunca ganhou em Inglaterra - e mede-se com um gigante em todos os sentidos do futebol moderno. Um triunfo será digno de aplausos durante muito tempo mas não se pode exigir a vitória como ponto de partida (assumindo que o Dínamo, com quem temos de igualar o resultado, vai ganhar o seu jogo) porque o Chelsea nunca seria o nosso rival nessa luta. A possível e provável eliminação tem outros responsáveis, em outros duelos que não o de hoje à noite.

Dito tudo isso, o PSV e o Wolfsburgo não são maiores no futebol europeu que o FC Porto e lograram, entre eles, eliminar o todo poderoso Manchester United (que apesar de todas as dúvidas sobre o trabalho de Van Gaal está a dois pontos da liderança da Premier League e investiu fortunas nestes últimos anos pós-Ferguson) portanto, nada é impossível!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Carlos Xavier recorda o Estorilgate

Numa entrevista recente, publicada na revista Sábado, Carlos Xavier recordou um dos episódios do Estorilgate.

Carlos Xavier e o Estorilgate (revista Sábado de 04-12-2015)

Contudo, como muitas pessoas têm memória curta e já se esqueceram da forma como o SLB ganhou o campeonato 2004/2005, vou recordar outras denúncias públicas feitas na altura dos factos.


«O técnico-adjunto do Estoril, Carlos Xavier, disse esta segunda-feira que o director-geral da SAD do SL Benfica, José Veiga, ameaçou o técnico do Estoril, Litos, com despedimento no final do jogo que os encarnados venceram por 2-1. “Ouvi-o dizer ao Litos que ia para o desemprego no final do jogo”, afirmou Carlos Xavier, em declarações à Rádio Renascença.

Capa de O JOGO
O treinador-adjunto do Estoril adiantou ainda que não compreendeu atitudes da equipa de arbitragem:
Parecia que estávamos a jogar numa partida de apresentação do Benfica. O árbitro até ficou com umas botas do Benfica. Só faltou tirar a camisola por baixo. O fiscal de linha esteve sempre a olhar para o nosso lado a ver se reagíamos. Chegou a uma altura em que fui-me embora. Estava enojado.

Carlos Xavier revelou ainda que um indivíduo do Benfica (um segurança que normalmente acompanha a equipa e que esteve envolvido nos incidentes registados nos balneários na partida da primeira volta) tentou convidar jogadores do Estoril para almoçar, uma semana antes do jogo.
Existiu o envolvimento de «um sujeito que trabalhou no Estoril e que está agora no Benfica, que já na primeira volta bateu na porta, durante a confusão registada no intervalo. Teve agora o descaramento de aparecer no Estoril a falar com os jogadores e a convidá-los para almoçar.”»


Em Junho de 2008, numa longa entrevista ao DN, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, disse o que pensava sobre o Estorilgate:

Soares Franco e o Estorilgate (fonte: DN, Junho de 2008)

Como seria de esperar, atendendo às pessoas e clube envolvido (o sempre protegido clube do regime) estes e outros episódios, apesar de denunciados publicamente, nunca foram devidamente investigados, nunca motivaram escutas e muito menos conduziram à constituição de super equipas especiais de investigação.


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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

“Casamento” falhado e dor na testa…


«O Sporting Clube de Portugal irá participar na próxima época desportiva de ciclismo profissional, um regresso a uma modalidade com grandes pergaminhos e tradição no clube que corresponde ainda a um grande anseio dos sócios e adeptos»
Nota publicada no site oficial do Sporting, em 03-12-2015


O objetivo é claramente lutar pela vitória em todas as provas. O Sporting já disse várias vezes que tem de fazer apostas claras e concretas em modalidades que são importantes, que tenham tradição. O objetivo é vencer a Volta, mas também as restantes provas em que entrarmos
Declarações de Bruno de Carvalho à Sporting TV, em 03-12-2015


[Na quarta-feira à noite] houve uma conversa em que chegámos à conclusão de que estávamos garantidos. Como sou um homem crédulo e um homem de bem, não estava nada escrito, mas para mim estava feito. O próprio Nuno Ribeiro [diretor-desportivo da W52] dá uma entrevista à Sporting TV. Na quinta-feira de manhã começa o telefone a tocar, gente que sabe de ciclismo a dizer que houve problemas de doping, entre outras coisas. Fiquei atrapalhado, avisei o presidente e ele mandou parar o processo para nos informarmos sobre o que se estava a passar. Tentámos obter informações de todos os lados, mas não nos chegaram e ficámos parados.
Hoje [domingo] ficámos a saber que se associaram ao FC Porto. Ainda bem que assim foi, não fôssemos associar-nos a quem não devíamos. Não sei se os dirigentes [da W52] são pessoas credíveis ou não, mas o que provaram nesta situação é que não são. Podiam ter dito qualquer coisa ao Sporting, mas não disseram e provaram que não merecem estar associados ao clube.
Vicente Moura, vice-presidente do Sporting responsável pelas modalidades, em 06-12-2015

FC Porto de regresso ao ciclismo (fonte: capa do JN de 07-12-2015)

Ora deixa cá ver se eu percebi. Na passada quarta-feira, o Sporting tinha-se associado a uma equipa vencedora (ganhou as últimas três voltas a Portugal) e a W52 era um óptimo parceiro para o clube de Alvalade regressar, com ambição ganhadora, a uma modalidade que, nas palavras sábias de Bruno de Carvalho, “já nos deu 150 títulos e nos projetou pelo Mundo”.

FC Porto ultrapassa Sporting (fonte: O JOGO, 07-12-2015)

Como, entretanto, a “noiva” (W52) deixou o “noivo” (Sporting) pendurado e “casou” com outro pretendente (FC Porto), em apenas três dias a W52 passou de parceiro ideal a parceiro duvidoso ou, pior ainda, a parceiro pouco recomendável, suspeito de andar metido na droga (no caso, no doping) e de não estar ao nível dos altos padrões morais e éticos dos viscondes de Alvalade.

Eu não ponho as mãos no fogo pela W52 (ou por qualquer outra equipa de ciclismo), mas nisto de “casamentos” falhados eu diria que a reação (no Facebook…) de Bruno de Carvalho, mais parece “dor de corno”…

domingo, 6 de dezembro de 2015

A primeira reviravolta


Na era Lopetegui, os jogos no Dragão são sempre difíceis. Porque a equipa entra a dormir ou porque o adversário marca um golo fortuito, como foi o caso no jogo de ontem. Um canto a favor do Paços, um alívio e uma bola de ressaca para um pacense marcar fácil frente a Casillas. O FC Porto começava o jogo praticamente a perder. Por incrível que pareça, desta vez o Estádio manteve-se tranquilo e essa tranquilidade transmitiu-se à equipa que pegou no jogo e foi para cima do Paços com o objectivo de marcar golos. Uma e outra situações de golo ocorreram antes de uma bela jogada de Brahimi desmarcar Corona que, aguentando a pressão dos defesas contrários, picou a bola por cima de Marafona e fez o merecido golo do empate. Pouco depois ainda assistimos a um falhanço monumental de Herrera que sozinho atirou à figura do guarda-redes. Fomos para o intervalo empatados a uma bola.

Na segunda parte o FC Porto entrou forte, com vontade de fazer golos e de vencer o jogo, enquanto o adversário se limitava a perder tempo com lesões convenientes que implicavam a entrada da equipa médica em campo. Até que Herrera se lembrou de pressionar o guarda-redes e o defesa e, aproveitando o erro, ganhou um penalty que Layun marcou na perfeição. Estava consumada a reviravolta no marcador, a primeira de Lopetegui ao comando da equipa do FC Porto.

Até ao final do jogo ainda assistimos ao desperdício de golos cantados por parte de Tello e, principalmente, Aboubakar. O camaronês está com os níveis de confiança abaixo de zero.

É necessário deixar uma nota ao responsável pelo futebol na SAD, Antero Henrique. Tem de explicar ao senhor treinador e aos senhores jogadores, e já agora a todo o staff do Dragão, que os nossos adversários têm de sentir medo quando entram na nossa casa. Porque cá, temos de ser nós a mandar.

Jornal OJOGO, edição online

Qualquer equipa que vem ao nosso Estádio condiciona os nossos jogadores, empurra, marca faltas e lançamentos mais à frente, bloqueia a marcação das faltas a nosso favor com obstruções, simula lesões e pede assistência para logo de seguida se levantar e correr, pressiona o árbitro, etc. E não há qualquer reacção da parte dos nossos jogadores. O Paços foi o exemplo perfeito deste tipo de comportamento. E depois temos de ouvir as declarações deste suíno: 

"Não há vitórias morais, mas ao sétimo jogo no Dragão o FC Porto sofreu um golo. O FC Porto acaba o jogo a queimar, a retardar o início do jogo, acho que isso são sinais de que qualquer equipa que venha ao Dragão pode fazer um jogo que coloca o FC Porto em sentido".

"Qualquer equipa que vem ao Dragão coloca o FC Porto em sentido"?! Esta ideia não pode passar e estes comportamentos têm de ser travados com a nossa atitude colectiva. Os adversários têm de sentir medo.
   

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Jesus, tantas expulsões!!!

Muito se tem dito acerca da propensidade dos árbitros em expulsar os adverários do Jorge Jesus. Quem é que eu estou a enganar? Pouco ou nada se tem falado nisso! Pelo menos nos meios de Comunicação Social Lisboeta. Este é um problema grave que tem que ser abordado pelas instituições competentes, haja idoneidade e vontade política para o fazer.

Um dos argumentos atirados para o ar a justificar os clubes que aparentemente beneficiam de maior número de expulsões é a de que esses clubes atacam mais, estão mais vezes na grande área, criam maior perigo obrigando as defesas a recorrer de soluções drásticas, daí a expulsão. Este argumento é igualmente usado para justificar maior número de penalties, e sinceramente, acho-o um argumento credível e aceitável.

Nas 5 últimas épocas, e nesta época em curso, os clubes orientados pelo Jorge Jesus têm tido sensivelmente o mesmo número de penalties que o Porto (mas nesta época o Sporting já leva 5-0 nessas contas!). Já em expulsões a coisa muda de figura. Ver tabela:



Se o argumento que justifica os penalties se aplica para as expulsões então como explicar esta ENORME discrepância entre os clubes orientados pelo Jorge Jesus e pelo FC Porto? Eles realmente atacam mais? Se atacam mais pq é que esse discrepância no número de expulsões não é igualmente reflectida no número de golos no fim da época? 

A verdade é que o Mestre da Táctica é mestre a jogar contra 10 ou até 9. Essa é que é a verdade. Nas 6 épocas anteriores, o Jorge Jesus tem beneficiado duma média de 9 expulsões por época, enquanto o Porto teve 5.5, ou seja o Jorge Jesus tem +/-65% mais jogos contra adversários em inferioridade numérica do que o Porto. CARAMBA!!!!!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A primeira vitória na Madeira


Foi a primeira vitória de Lopetegui na ilha da Madeira. E logo por 4-0!
Assim, o FC Porto fica a apenas 2 pontos do líder Sporting e, não fosse a mão de Tonel em período de descontos, estaríamos em igualdade pontual. Afinal o rei vai nu.

A equipa do FC Porto entrou neste jogo com uma atitude muito diferente, demonstrando a si mesma que não precisa de conceder 45 minutos ao adversário para então acabar com as cerimónias e começar a rematar à baliza com convicção. Desta vez os jogadores entraram desinibidos e à procura do golo desde o primeiro minuto. Como sempre deveria ser.

O primeiro golo da partida aconteceu aos 12 minutos, por Herrera, numa jogada que envolveu Brahimi e Layún, que fez o passe para o médio mexicano concluir de cabeça no coração da área. A bola ainda foi desviada por Joãozinho, enganando André Moreira. 

Dois minutos depois, foi a vez de Brahimi marcar. Maxi surgiu pela direita e cruzou atrasado. O argelino dominou à entrada da área e rematou forte, em arco, não dando qualquer hipótese ao guardião unionista. 

Quando o União tentava reagir, Corona marcou o terceiro. O jogador mexicano irrompeu pelo corredor direito e cruzou para a área, mas a bola tomou a direcção da baliza e ganhou velocidade inesperada, passando por cima da cabeça de André Moreira.


Com 3-0 ao intervalo o FC Porto abrandou e geriu o jogo. No recomeço o União entrou com vontade de marcar e ainda dispôs de algumas oportunidades mercê de alguma displicência da defesa portista em afastar o perigo e mostrando pouca determinação na abordagem dos lances.

O nosso sector defensivo demonstra pouca coordenação e falta de ligação com os médios. Nota-se sobretudo quando há um contra-ataque do adversário. Os médios e os defesas mostram algumas dificuldades em reposicionar-se e marcar à zona permitindo o avanço aparentemente fácil da equipa contrária.

Aos 74 minutos chegou o "momento Bruno Paixão". Este árbitro não gosta de terminar um jogo sem prejudicar ostensivamente e de forma grosseira a equipa do FC Porto. Vai daí e expulsa Dani Osvaldo por uma entrada a demonstrar agressividade mas sem tocar no adversário. O madeirense Paulo Monteiro sentiu o vento e deixou-se cair. Estava dado o mote para aquele verdadeiro asno puxar do cartão vermelho. 

Foi curioso ver que a equipa se voltou a desinibir depois da expulsão de Osvaldo e a trocar a bola com progressão no terreno de jogo, o que demonstra que em boa parte dos últimos jogos (Kiev e Tondela) houve condicionamento mental dos jogadores. Resta saber por que motivos.

A lição mais importante a tirar desta vitória frente ao União é a de que um jogo começa a ser ganho no primeiro minuto com uma atitude pro-activa, determinada e dominadora. Que os jogadores se libertem dos fantasmas que os apoquentam e entrem com tudo no próximo Sábado no Dragão.
   

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A bola está na mão do Tonel


O Lopetegui pode ter muitos defeitos; o Porto pode não jogar um charuto, mas ao menos quando cair, cai de pé. Ganhámos 1-0 ao Tondela, mas não devemos nada a ninguém...

sábado, 28 de novembro de 2015

A bola está nas mãos do Presidente

Lopetegui no Tondela x FC Porto (fonte: LUSA)

Em complemento ao SMS do Miguel...

Acerca do jogo de hoje contra o último classificado (disputado em campo neutro), direi apenas o seguinte:

Remate e golo espantoso de Brahimi.

Defesa crucial de Casillas, num penalty corretamente assinalado contra o FC Porto, a poucos minutos do fim do jogo. Valeu 2 pontos.

De resto, sobre a exibição de hoje do FC Porto no estádio municipal de Aveiro, é melhor não dizer o que me vai na alma e poupar nos adjectivos.
Digo, apenas, que vi um conjunto de jogadores à deriva, sem saber o que fazer com a bola nos pés, sem saber para onde ir, sem rumo e sem timoneiro.
E isso, falta de um treinador, é o problema nº 1, nº 2 e nº 3 desta pseudo equipa.

Lopetegui parece completamente perdido e está de cabeça perdida.

Compete à Administração da FC Porto SAD e, particularmente, ao presidente Pinto da Costa, reflectir sobre a situação actual e avaliar se Julen Lopetegui ainda será capaz de levar a nau portista a bom porto.

SMS do dia

O patético nível de Lopetegui chegou ao ponto de, em Aveiro, o Porto precisar que o guarda-redes defenda um penalty para não se arriscar a perder pontos com uma equipa que nunca disputou a primeira divisão até este ano e cujo salário desse guarda-redes cobre os gastos de todo o plantel rival. Depois de ano e meio de máximos poderes dentro do clube, resistindo a tudo e a todos, até nas mais pirricas das vitórias fica claro o nível a que aspira este projecto.