Olha o Porto a ganhar depois de estar a perder por 2-0. Eu não me lembro de uma reviravolta destas enquanto adepto do Porto.
O melhor que me lembro foi um empate a 2 bolas depois de estarmos a perder fora com o U. Madeira no início dos anos 90. Valeu-nos os 2 livres do Branco.
Os nossos jogadores não jogaram uma merda mas pelo menos merecem palmas porque suaram que se fartaram. Pelo menos isso.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
O melhor “jogador” dos encarnados
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| O JOGO, 21-02-2016 |
«Jorge Simão nem queria acreditar quando Jorge Ferreira marcou grande penalidade para o Benfica, em cima dos 45’. O treinador do P. Ferreira ficou furioso, ao ponto de dar um valente pontapé no... solo. Esbracejou, protestou e até despiu o casaco do fato oficial que envergou na partida de ontem. O 4º árbitro aconselhou calma ao treinador.»
in record.pt
«O árbitro viu uma grande penalidade onde toda a gente no estádio viu um mergulho de Jonas na área e, com tanta prontidão quanta falsidade, assinalou o respetivo penálti»
in site oficial do Paços de Ferreira
“Vi o jogo do Paços-Benfica e, claro tenho uma opinião... Porém, e depois de ter ouvido o treinador do Paços e também o do Benfica, fiquei a perceber o que se passa fora das quatro linhas. Que falta de dignidade... só por causa de um emprego venderem a alma ao Diabo. Inadmissível um treinador dizer o que eu ouvi. Agora percebi porque certos colegas, e eu também, não treinam em Portugal. Estou ENOJADO”
Eurico Gomes (ex-jogador do SLB, Sporting e FC Porto), na sua página de Facebook
De há vários anos para cá, tem sido quase sempre assim.
Ou seja, sempre que o SLB está à rasca, como era o caso do jogo de ontem, o melhor “jogador” dos encarnados tira um coelho da cartola.
E só quem anda muito distraído (o que não é o caso de quem faz as nomeações), não conhece o senhor Jorge Ferreira e o seu historial de “bons serviços” ao clube do regime.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Um FCP pequenino
A esperança é a última a morrer (vidé jogo do galinheiro), mas já era expectável que o FCP saísse vergado de Westvallen com uma derrota clara, logo não se pode falar em «desilusão».
O Borússia Dortmund é uma excelente equipa, que é temível para qualquer adversário - principalmente jogando em casa (onde o apoio de 80mil indefectíveis dá motivação extra). E do nosso lado, tínhamos já à partida uma equipa bastante destroçada que ainda mais ficou fruto das baixas do plantel.
Dito isto, não deixa de custar a engolir que o jogo tenha feito lembrar um jogo típico no Dragão entre o FCP (normal...) e um clube pequeno do campeonato português, com o Borússia a fazer de FCP e o FCP a fazer de Setúbal ou algo do género. O Borussia dominou o jogo a seu bel prazer, tendo tido o dobro da posse de bola, o dobro dos ataques, 15 remates contra apenas 3 do nosso lado, e várias boas oportunidades de golo contra apenas uma do FCP (já perto do fim).
Em defesa de Peseiro, ele seria sempre obrigado a usar uma equipa de recurso com adaptações, fruto de 1) as ausências de Danilo, Maxi e Marcano e 2) um plantel muito curto em opções e qualidade para a defesa e ataque (e já volto a este ponto).
Há portanto opções de Peseiro que me pareceram fazer sentido, especialmente quando vistas de um ponto de vista individual. Varela a def direito? Em si não me surpreende, eu achava que ele podia fazer bem a posição (e de facto não esteve nada mal). Layun a central? Não me choca, tendo em conta as alternativas (Verdasca, a solução de recurso em 2o grau para colmatar a ausência da primeira solução de recurso - falo de Chidozie - sem qualquer experiência em senior? Poupem-me....). Ruben Neves para colmatar Danilo? Evidente.
No entanto, no conjunto geral foram mudanças a mais: tivémos 11 jogadores em campo, e não uma equipa. E onde eu acho que Peseiro contribuiu para isso de forma escusada foi ao dar a titularidade a S. Oliveira. Não me parece de todo que fizesse sentido lançar um jogador verdinho às feras num jogo destes, principalmente quando já tinha que fazer outras alterações profundas na equipa, e ainda por cima no miolo do terreno (ainda se fosse um extremo...). É para mim um mistério que tenha jogado ele de início em vez de André André.
Também acho discutível (ainda que em menor grau) que tenha jogado Marega de início em vez de Corona, ou até mesmo de Evandro (nesse caso seria para jogar num 4-5-1).
Com essas escolhas (em grande parte involuntárias e em menor medida voluntárias), não admira que a equipa tenha jogado muito recuada, nem sequer necessariamente fruto de instruções do treinador mas acima de tudo porque a equipa era simplesmente incapaz de sair a jogar quando tinha a bola. Se a ideia de Peseiro era minimizar os estragos neste jogo, se calhar mais valia jogar em 4-5-1 povoando o meio-campo.
O aspecto mais relevante deste jogo para mim é o seguinte: como é possível que tenhamos chegado a este ponto de estarmos extremamente limitados em quantidade e qualidade para os sectores defensivos e ofensivos (e até já dou um desconto no caso da posição de trinco)?
Como é possível que vou ao website do FCP e vejo apenas 5 jogadores defensivos no plantel (dois deles defesa central)?
Como é possível que, não havendo lesões no sector ofensivo, tenhamos um Marega a titular contra um Dortmund (fez-me pensar no Vinha...) e não haja um único extremo de raíz em campo ou no banco; ou, estando o FCP a perder, um adepto olhasse para o banco sem grande esperança de dar um golpe de asa?
Acima de tudo: como é possível isto tudo quando temos um plantel caríssimo, salvo erro o mais caro de sempre (custo de passes mais salarios)?
Acima de tudo: como é possível isto tudo quando temos um plantel caríssimo, salvo erro o mais caro de sempre (custo de passes mais salarios)?
Enfim.... Quero crer que esta época ainda é possível chegar ao 2o lugar (e conquistar o acesso directo à LC) e conquistar a Taça, que são as prioridades para o que resta da época, mas mais do que isso...quase que só por milagre, fruto de um chorrilho de asneiras de PdC & Cia a todos os níveis.
Termino onde comecei: por aceitável que seja o resultado, é triste assistir a um FCP pequenino no Westvallen, por muita valia que tenha o Borussia. Este FCP europeu faz lembrar o FCP europeu da era pré-PdC, não o FCP que tem andado constantemente no top 20 do ranking da UEFA nos últimos 15 anos. Com a grande diferença de que hoje em dia gastamos como novos-ricos.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Jogar à Porto sem jogadores à Porto
Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.
O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".
Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.
Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.
Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
SMS do dia
Antes de ser o José Peseiro, sou o treinador FC do Porto.
Chegou há meia-dúzia de dias, e já dá "goleadas" de Portismo (e profissionalismo) a alguns figurões; houvesse vergonha...
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
"Santo" Casillas
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| Enorme Iker Casillas! |
E (quase) tudo Casillas defendeu.
Até uma tentativa (involuntária) de Indi que, não fosse Casillas, teria marcado um golo espectacular... na baliza errada.
Ainda não revi o jogo, nem sequer um resumo mas, se bem me lembro, foram uns 4 ou 5 "golos certos" que Iker Casillas evitou.
Fantástica exibição do guarda-redes internacional espanhol que, hoje, foi absolutamente decisivo para o FC Porto conquistar 3 pontos no estádio da Luz e regressar ao Porto com mais uma vitória em... Lisboa.
Muito bem, também, estiveram os dois "toscos" do meio-campo portista: Danilo e, principalmente, Herrera. Grande golo e grande jogo do internacional mexicano!
O SLB "goleou"... em oportunidades.
O FCP marcou 2 golos e... ganhou o jogo.
P.S. Após 45 minutos de integração e adaptação à equipa principal, na 2ª parte Chidozie mostrou que talvez (talvez!) já seja o melhor defesa-central do plantel do FC Porto. O que quer dizer alguma coisa acerca deste jovem nigeriano de 19 anos... e dos restantes defesas-centrais do plantel.
P.S.2 O SLB de Rui Vitória não é grande coisa. Esta época já disputou 5 clássicos, três contra os vizinhos da 2ª circular e dois contra o FC Porto e perdeu-os todos (não pode ser só "azar" ou culpa dos árbitros). Mas, atenção, no campeonato continua à frente do FC Porto (com mais 3 pontos).
Adaptações na Luz?
Segundo O JOGO de hoje (jornal que costuma estar bem informado acerca dos assuntos relacionados com o FC Porto), no SLB x FCP de logo à noite Danilo Pereira formará dupla com Indi, no centro da defesa portista.
Contudo, em declarações ao Record, um ex-defesa central dos dragões, o brasileiro Aloísio (que saudades de ver profissionais como o Aloísio no plantel do meu clube), avisa que o recuo de Danilo é uma opção que poderá comprometer o equilíbrio da equipa, porque “ao deslocar Danilo para central, o FC Porto perderia uma referência no meio-campo, onde faz uma boa dupla com Herrera”.
Ou seja, as opiniões dividem-se mas, aparentemente, o treinador tem apenas duas possibilidades:
1ª) Adaptar um médio defensivo – Danilo Pereira – a defesa-central, o que o obriga a mexer em duas posições fundamentais da equipa: no médio-defensivo (Danilo tem sido titular indiscutível) e na dupla de centrais.
2ª) Optar por um dos defesas centrais da equipa B – o ex-médio defensivo Chidozie (*) – o qual, esta época, tem vindo a ser trabalhado e adaptado à nova posição por Luís Castro.
(*) Para quem não sabe, Chidozie Awaziem é um jogador nigeriano de 19 anos (ainda podia jogar nos Sub-19!) e que o ano passado jogava a médio defensivo na equipa de juniores do FC Porto.
Quantos jogos completos é que a dupla Danilo-Indi já fez junta?
Quantos jogos completos é que a dupla Chidozie-Indi já fez junta?
Quantos jogos é que o Chidozie já disputou na I Liga?
Como é que foi possível, o FC Porto chegar ao absolutamente decisivo jogo da Luz e, para formar a dupla de defesas-centrais, o treinador estar nesta situação?
As razões imediatas são conhecidas.
Segundo a versão oficial, Marcano fica de fora devido a “uma distensão na face posterior da coxa direita”.
E Maicon fica de fora porque … (cada um preencha as reticências como quiser).
Contudo, é preciso recordar aos portistas menos atentos que, há duas semanas atrás, no fecho do mercado de Janeiro, a SAD “despachou” dois defesas centrais:
Igor Lichnovsky, um defesa chileno de 21 anos (era o 4º defesa central do plantel), foi emprestado ao Sporting Gijón;
Maurício Antônio, um defesa-central brasileiro de 24 anos, que estava na equipa B foi, no âmbito do negócio José Sá – Marega, emprestado (?) aos nossos “amigos” do Marítimo.
Eu nem sei o que dizer mas, num clube altamente profissional, com uma estrutura pesada e paga a peso de ouro, tudo isto me parece um bocadinho… amador.
Enfim, boa sorte para o treinador e para os jogadores do meu clube que, logo à noite, irão pisar o relvado do estádio da Luz porque, nas circunstâncias atuais do Clube/SAD e com tantas contrariedades (a maior parte delas com origem interna), bem vão precisar.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Seja esperto, seja como o Rui
Sou portuense e portista, a ordem certa que venha o diabo e escolha porque nem eu sei ao certo mas tenho profundo orgulho de ambas. Tudo aquilo de positivo que acontece à minha cidade e ao meu clube é sempre motivo de regozijo. E poucas coisas têm sido tão positivas nos últimos tempos como Rui Moreira. O Presidente da Câmara Municipal do Porto - portuense e portista, seguramente numa ordem que ele também não saberá ao certo precisar - é uma lufada de ar fresco e um sinal de esperança para todos aqueles que sobreviveram ao cinzentismo dos últimos quinze anos na Invicta. É também um sinal de esperança para todos os portistas.
Há uns largos tempos atrás o RP publicou uma série de textos opinativos em que se abordavam os perfis dos futuros presidenciáveis do clube. Nenhum parecia ser tão consensual como o de Rui Moreira, ainda que já na altura se mencionasse a sua ambição política (confirmada) e a sua presença como cronista no jornal A Bola (se podem atacar Vitor Baía por colaborar com o Correio, que diriam de quem colaborou com A Bola?). Era um perfil que gerava as dúvidas naturais de quem não era particularmente distante da SAD vigente mas que, ao mesmo tempo, nunca se posicionou abertamente como presidenciável por ter outra frente aberta. O facto é que ele podia ter sido - nas palavras de um grande portista - o Joan Laporta que o clube necessitava depois de décadas de um perfil radicalmente distinto que ajudou a elevar o clube aos píncaros da glória mas parecia desgastado. Laporta fez isso com o Barcelona e foi chave para cimentar o êxito actual. Moreira é, seguramente, uma pessoa muito mais séria e de fiar do que um Laporta rodeado de polémicas por todos os lados, mas a ideia de regeneração (a todos os níveis) desde dentro era o plano. Infelizmente para o FC Porto e felizmente para a cidade do Porto, Rui Moreira deu um murro na mesa e apresentou uma candidatura independente à Câmara para acabar com o compadrio partidário que representava Luís Filipe Menezes, o candidato "salta-pontinhas". Moreira ganhou, ganhou bem e ganhou de forma tão surpreendente que foi noticia um pouco por todo o Mundo. Poucos tinham defendido tanto a cidade como ele durante o seu mandato à frente da ACP. Os que nele acreditaram esperavam o mesmo perfil agora à frente da Câmara Municipal e não se enganaram. Desde o momento em que foi eleito Rui Moreira não lutou apenas para melhorar a vida quotidiana dos portuenses - depois de década e meia de cinzentismo orçamental - mas também se ergueu como o grande defensor da cidade e região contra o asfixiante centralismo da capital. Fê-lo como sempre, com elegância, classe, valores mas uma autoridade moral que ninguém podia questionar (e quem não se lembra do seu abandono no programa Trio de Ataque, um ataque de portismo do mais exemplar que se viu em Portugal). Fê-lo, sobretudo, por convicção e por amor à sua cidade.
Olhando para as últimas batalhas ganhas por Moreira ficamos sempre, nós, os portuenses, nós os nortenhos, orgulhosos de um homem assim. Para os que também somos, naturalmente, portistas, fica também a pontinha de inveja. Como queríamos um líder deste nível à frente dos destinos do nosso clube. Hoje o FC Porto precisa mais de Rui Moreira do que nunca precisou.
Quando todos calam, ele levanta a voz. Quando todos tentam desviar as atenções, ele enfrenta as balas. Quando uns misturam alhos e bugalhos para ir pelas costas, ele vai de frente. Rui Moreira tem demonstrado ser um líder exemplar e espero, sinceramente, para o bem da cidade, que cumpra todos os mandatos a que legalmente se possa candidatar. O Porto agradecerá enormemente ter alguém como ele a conduzir os destinos da cidade. O Clube, esse, terá de olhar e procurar inspiração num perfil similar ainda que não seja fácil. Ruis Moreiras não há muitos.
Olhando para o panorama actual, é difícil encontrar no Clube o defensor absoluto da cidade e região que já foi. O elo de identidade desaparecido. Os valores perdidos. A conexão apagada. A história reescrita. O Porto não deve nunca deixar de ser a máxima referência e prioridade do FC Porto por muito que este procure, legitimamente, expandir-se para a China, Colômbia, México, Espanha ou Nova Zelândia. Se alguma vez chegamos onde chegamos foi também pelas nossas origens. Hoje, como nunca, nota-se a falta desses laços. Desses jogadores da casa que entendem cada palavra murmurada pelas gaivotas. Desses dirigentes que se preocupam com o Clube e com a cidade muito mais do que com arranjar trabalho para filhos, genros, cunhados, irmãos e companheiras dentro da estrutura do clube, repartindo benesses que pertencem a todos os sócios e accionistas, a dedo. Desses adeptos que antes faziam das Antas uma plataforma gigante de portismo e de sentimento nortenho e que agora gelam o Dragão ao som do sorver de bebidas, do mastigar de pipocas e de assobios que envergonhariam as pedras da Constituição.
Rui Moreira pode não estar disponível nos próximos dez anos para ser Presidente do FC Porto mas o seu exemplo está aí, para todos verem. O Presidente da Câmara não dá trabalho à família num organismo que é de todos. Não se preocupa em beneficiar os amigos de fora - os fundos legais e suspeitos, os agentes e comissionistas - e sim os seus concidadãos através da dinamização das forças-vivas da cidade que crescem com o turismo, a indústria e as marcas mais fortes da Invicta onde está, inevitavelmente, o nosso clube. Rui Moreira não se cala quando se prejudica o Porto da mesma maneira que outros calam quando se prejudica o FC Porto. Não se vende àqueles que insultam a cidade como outros se vendem àqueles que insultaram o clube e os recebem entre mordomias no palco presidencial. Rui Moreira pode não ser o próximo Presidente do FC Porto mas alguém que siga o seu exemplo deveria sê-lo. O Rui é esperto. O Rui é fiel. O Rui é frontal. O Rui é honesto. O Rui é corajoso. Futuro presidente do FC Porto, seja esperto. Seja como o Rui.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Maicon a capitão? Próximo!
O que é um capitão do FC Porto? Qual é o perfil de jogador?
A pergunta terá certamente muitas respostas, algumas com partes bem antagónicas, mas todas elas têm de certeza uma coisa em comum: o FC Porto está em primeiro das prioridades, no topo, sem excepções. No campo só há um pensamento, e esse é o FC Porto!
Tem que ser alguém que quebra antes de torcer, que quando a situação aperta cerra os dentes e empurra para a frente, que não conhece a palavra desistir, que quando perde não dorme, que chora com os adeptos sofrem com uma derrota. Tem de ser um de nós. Um portista!
O Maicon, o Herrera, o Brahimi, o Indi, algum deles é isso?
Já foi visto várias vezes, mas no ultimo jogo assistiu-se, mais uma vez, ao atropelo de uma das tradições em campo do FC Porto desde que eu me lembro: em casa jogamos a segunda parte para sul. Isto só não acontece quando o sorteio não o permite. No domingo passado, o Arouca saiu com a bola, o que faz com que tenha sido o capitão do FC Porto a pedir para jogar na primeira parte para sul.
A gota de água que fez transbordar o copo que tinha a paciência para aturar um jogador medíocre como o Maicon, foi ele ter abandonado o campo a meio de uma jogada, quando os seus colegas de equipa precisavam dele... Naquele momento devia ter pedido a substituição, cerrado os dentes, e aguentava em campo o tempo que fosse preciso, nem que tivesse que disputar os lances com o pé debaixo do braço!
Melhor do que utilizar palavras, há dois vídeos que mostram bem o que para mim é um capitão.
Capitão João Pinto a receber a Taça de Portugal debaixo de uma chuva de objetos
Capitão Pedro Emanuel, a mancar, tenta em desespero de causa tirar um bola de dentro da baliza
"Quando falo da ausência e do desaparecimento daquilo que é a mística e as referência do que é a cultura do FC Porto, refiro-me a isto. Isto é impensável. Vi o João Pinto, e só para falar dos meus capitães, a ter um dedo do pé fraturado e a obrigar o médico a dá-lo como apto para ir lá para dentro, rasgando a bota do lado esquerdo onde o dedo estava em contacto e pintando a meia branca de preto para poder ir lá para dentro. Quando vemos o nosso capitão a fazer aquilo, vamos com ele até à morte. É isto a transmissão de valores. Ele aprendeu com alguém, eu e o Fernando Couto com ele, o Jorge Costa connosco e a seguir o Bruno Alves e outros tomaram o testemunho."
Por Vitor Baia
Há várias histórias de capitães que deram tudo pelo FC Porto, noutros tempos, em que estar no FC Porto era o destino, um concretizar de um sonho, e não apenas um mero ponto de passagem para um salto para um contrato das arábias. Esses tempos passaram, e nunca mais vão existir planteis carregados jogadores satisfeitos por este poder ser o seu último clube, mas não há espaço para dois ou três? Que possam ser capitães em campo e fora dele, e que possam representar tudo aquilo que este clube é para nós?
O que preciso num capitão? Que seja portista, que seja do Norte,que tenha feito o máximo percurso na formação, que sofra connosco quando as coisas não corram bem, que seja dos nossos...
Neste plantel vejo um candidato: André de seus dois nomes...
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
O programa eleitoral
O FC Porto está a uma distância praticamente irrecuperável do título e depende, e muito, do que faça na próxima sexta-feira o acesso directo à Champions League e aos seus 12 milhões de euros garantidos. Não é por casualidade que o sorteio preliminar é cada vez mais exigente. Não caem Lille´s todos os anos do céu. Como se ninguém desse por isso, como habitual, daqui a dois meses há igualmente eleições. Possivelmente, como habitual, com lista única e vencedora antecipada.
Um processo eleitoral é algo que não se valoriza nunca o suficiente. É um elemento fundamental - não único nem exclusivo mas fundamental - da vida de uma instituição, a voz daqueles que fazem dessa instituição algo seu. E antes de uma eleição o lógico é que quem possa votar tenha acesso ao programa eleitoral ou, pelo menos, a um programa de intenções para os anos de mandato. Há clubes que transformam as suas eleições numa espécie de corrida à Casa Branca - casos do Real ou Barcelona - onde se prometem estrelas, investimentos, projectos, onde se debatem ideias. Cada candidato apresenta o seu programa e sabe que corre o risco de ser culpabilizado durante os anos de mandato se não cumprir o prometido. A Laporta muitos adeptos lhe criticaram o bluff que foi dizer que contava com Beckham mas ninguém ousou questionar quando colocou no seu programa a extinção da claque Boixos Nous, um grupo ultra-violento. Não cumpriu o primeiro - trouxe Ronaldinho, melhor decisão ainda que menos mediática então - mas fez o que tinha de fazer com a claque. Florentino Perez, já sabemos, colocou por escrito que pagaria do seu bolso o lugar anual de todos os sócios do Real Madrid se não trouxesse Figo. Com as cartas na mesa é mais fácil votar.
No caso do FC Porto, não sabemos realmente nada disto porque discutir ideias eleitorais para o futuro do clube é algo que desde 1982 desapareceu do mapa. Basicamente o caminho tem-se feito caminhando, à base da crença. Não foi, longe disso, um mau caminho. Mas há muito que derrapou ainda que se continue a avançar, agora por descampados abandonados em vez de estradas bem asfaltadas. E porquê? Porque sim.
A dois meses das eleições eu gostava de saber qual era o programa eleitoral para os próximos quatro anos de clube. Que podemos esperar de quem vai governar na certa - mesmo que surja, espontânea, das entranhas do portismo mais corajoso, uma lista alternativa - os destinos do clube até 2020?
Já sabemos que o candidato ganhador está de boa saúde (felizmente) e quer construir um grande centro de formação para o futuro. É um discurso copiado dos anos oitenta, quando se prometiam museus (que demorou mais de duas décadas), pavilhões (que demorou uma eternidade), e um eterno pulso contra os interesses asfixiantes da capital (que é um discurso indigno, aparentemente, nos dias que correm). Portanto calculem o centro de formação lá para 2030. Se tiver atrás o mesmo gestor do projecto Visão, juntem mais uma década até resolver todos os problemas estruturais e em 2040 La Masia vai estar nas margens do Douro na certa.
Mas, há algo mais a que o sócio portista possa acudir quando vá colocar o seu voto? Tem havido sinais de ideias para o futuro? Neste momento, prima, o silêncio o que nos permite suspeitar que o programa ainda está a ser organizado pelo que podemos antecipar, talvez, que pontos poderão ser incluídos. A saber:
- o FC Porto deixará de falar de árbitros. O FC Porto deixará de falar do Conselho de Arbitragem, dos kits a árbitros, dos jantares e almoços, dos sorteios...o FC Porto deixará de denunciar a corrupção arbitral e a influência dos clubes de Lisboa nas tomas de poder. Isso é indigno do FC Porto. Quando, em última análise, a direcção quiser mencionar algo, será de forma metafórica e graciosa - via email - porque estamos acima dessas coisas.
- a comunicação externa será gerida por mulheres, companheiras e amigas de funcionários do clube, independentemente do seu estatuto no organigrama. São pessoas de confiança e tudo o que disserem reflecte o que pensamos. Poupam-se assim os salários dos eventuais relações públicas que podem ser investidos em contratações para instituições ligadas ao clube de pessoas de confiança. Que sejam ou não familiares directas de funcionários do clube é irrelevante...porque estamos acima dessas coisas.
- não há necessidade de uma direcção desportiva. Temos externalizados os serviços de contratação, negociação de contratos, agenciamento, scouting e empréstimos a uns amigos porreiros que só querem o melhor para o clube. Vamos brevemente abrir duas novas delegações negociais, uma numa aldeia perdida das Midlands a meio caminho de tudo o que é clube rasca mas rico da Premier e outra na costa chinesa, a pouca distância de Macau, porque esse é o futuro. Não se preocupem com os orçamentos desproporcionados, o aumento dos gastos anuais em salários ou o plantel de guarda-redes que estamos a formar paralelamente para começar um novo desporto. Confiamos nos nossos amigos mesmo quando publicamente dizemos que nos enganaram por contratarem um jogador um ano antes de nós nos termos dado conta e cuja chegada foi evidentemente exigência do treinador.
- a pessoa que estiver sentada no banco com o estatuto do treinador é um acessório que se vende em separado e pode ser trocado ciclicamente sem influenciar a qualidade do produto. A estrutura somos nós, quem ganha somos nós e esse senhor sabe disso e deve assumi-lo desde o primeiro momento. No entanto, como lhe estamos a fazer um favor ao tê-lo ao serviço do maior clube português, como contrapartida deve assumir que no contrato há uma clausula invisível que diz que deve dar a cara pelo clube sempre, dizer tudo aquilo que nos reservamos e que ao menor sinal de barulho terá de abandonar o navio, mesmo que o tenhamos elogiado semanas antes, porque aqui o mérito é nosso...a culpa, dele.
- os sócios, adeptos, simpatizantes ou turistas da Ryanair que vão ao estádio são consumidores e o que pensem ou não do clube importa-nos pouco porque temos claro o nosso caminho e com quem e como queremos trabalhar. Agradecemos os aplausos, os gritos de apoio, as compras de equipamentos, kits, cachorros e pipocas e sobretudo que tenham a sensatez de assobiar a pessoa que estiver sentada no banco ou qualquer um dos tipos vestidos em campo que pertencem à empresa de externalização de serviços porque nos permitem resolver os problemas facilmente. Como? Porque a culpa, já sabemos, é deles.
- ser campeão está demodé. ser uma equipa competitiva na Europa é tão século XX. Nós pensamos em grande. O nosso objectivo é "Somos Porto" e com isso dizemos tudo. A questão desportiva de ganhar, perder ou empatar, ser eliminados de torneios de primeira ou terceira, conectar a equipa B com os A, isso são questões aborrecidas. O mundo intenso e emocionante dos jantares, das transferências com clubes presididos por tipos que nos insultam, o falar espanhol para o El Pais e falar chinês para o Diario de Pequim, isso é que está a dar. Temos um canal catita e familiar, um estádio state of the art com pavilhão e museu ao lado que é a inveja do mundo e ganhamos umas coisas nos últimos cinco anos, que mais querem?
Há coisas que se dizem, há coisas que se sentem. O FC Porto vai a eleições, provavelmente sem listas (no plural) e sem programa (no singular). Mas isso não significa que se vá a eleições sem um plano de futuro concreto, mesmo que oculto e silenciado por ruidos externos que permitem tapar tanta, tanta coisa. A votos, realmente, vão duas Champions League, duas Intercontinentais, duas UEFA/Europa League, 20 Ligas... tudo entre 58 titulos. Que o mais recente campeonato seja de um mandato anterior e que, desde então não haja nada para oferecer a não ser um bilhete para o museu, diz muito da necessidade de um programa publico de futuro (que treinador, que fazer com a formação, que direcção desportiva, que organigrama, que fazer para controlar gastos....) e de uma lista alternativa com as suas ideias claras. E não vale qualquer lista nem qualquer programa porque isto é o FC Porto e os sócios do clube merecem sempre o melhor. Duvido que seja isso que vão ter sobre a mesa no boletim de voto daqui a dois meses.
Um processo eleitoral é algo que não se valoriza nunca o suficiente. É um elemento fundamental - não único nem exclusivo mas fundamental - da vida de uma instituição, a voz daqueles que fazem dessa instituição algo seu. E antes de uma eleição o lógico é que quem possa votar tenha acesso ao programa eleitoral ou, pelo menos, a um programa de intenções para os anos de mandato. Há clubes que transformam as suas eleições numa espécie de corrida à Casa Branca - casos do Real ou Barcelona - onde se prometem estrelas, investimentos, projectos, onde se debatem ideias. Cada candidato apresenta o seu programa e sabe que corre o risco de ser culpabilizado durante os anos de mandato se não cumprir o prometido. A Laporta muitos adeptos lhe criticaram o bluff que foi dizer que contava com Beckham mas ninguém ousou questionar quando colocou no seu programa a extinção da claque Boixos Nous, um grupo ultra-violento. Não cumpriu o primeiro - trouxe Ronaldinho, melhor decisão ainda que menos mediática então - mas fez o que tinha de fazer com a claque. Florentino Perez, já sabemos, colocou por escrito que pagaria do seu bolso o lugar anual de todos os sócios do Real Madrid se não trouxesse Figo. Com as cartas na mesa é mais fácil votar.
No caso do FC Porto, não sabemos realmente nada disto porque discutir ideias eleitorais para o futuro do clube é algo que desde 1982 desapareceu do mapa. Basicamente o caminho tem-se feito caminhando, à base da crença. Não foi, longe disso, um mau caminho. Mas há muito que derrapou ainda que se continue a avançar, agora por descampados abandonados em vez de estradas bem asfaltadas. E porquê? Porque sim.
A dois meses das eleições eu gostava de saber qual era o programa eleitoral para os próximos quatro anos de clube. Que podemos esperar de quem vai governar na certa - mesmo que surja, espontânea, das entranhas do portismo mais corajoso, uma lista alternativa - os destinos do clube até 2020?
Já sabemos que o candidato ganhador está de boa saúde (felizmente) e quer construir um grande centro de formação para o futuro. É um discurso copiado dos anos oitenta, quando se prometiam museus (que demorou mais de duas décadas), pavilhões (que demorou uma eternidade), e um eterno pulso contra os interesses asfixiantes da capital (que é um discurso indigno, aparentemente, nos dias que correm). Portanto calculem o centro de formação lá para 2030. Se tiver atrás o mesmo gestor do projecto Visão, juntem mais uma década até resolver todos os problemas estruturais e em 2040 La Masia vai estar nas margens do Douro na certa.
Mas, há algo mais a que o sócio portista possa acudir quando vá colocar o seu voto? Tem havido sinais de ideias para o futuro? Neste momento, prima, o silêncio o que nos permite suspeitar que o programa ainda está a ser organizado pelo que podemos antecipar, talvez, que pontos poderão ser incluídos. A saber:
- o FC Porto deixará de falar de árbitros. O FC Porto deixará de falar do Conselho de Arbitragem, dos kits a árbitros, dos jantares e almoços, dos sorteios...o FC Porto deixará de denunciar a corrupção arbitral e a influência dos clubes de Lisboa nas tomas de poder. Isso é indigno do FC Porto. Quando, em última análise, a direcção quiser mencionar algo, será de forma metafórica e graciosa - via email - porque estamos acima dessas coisas.
- a comunicação externa será gerida por mulheres, companheiras e amigas de funcionários do clube, independentemente do seu estatuto no organigrama. São pessoas de confiança e tudo o que disserem reflecte o que pensamos. Poupam-se assim os salários dos eventuais relações públicas que podem ser investidos em contratações para instituições ligadas ao clube de pessoas de confiança. Que sejam ou não familiares directas de funcionários do clube é irrelevante...porque estamos acima dessas coisas.
- não há necessidade de uma direcção desportiva. Temos externalizados os serviços de contratação, negociação de contratos, agenciamento, scouting e empréstimos a uns amigos porreiros que só querem o melhor para o clube. Vamos brevemente abrir duas novas delegações negociais, uma numa aldeia perdida das Midlands a meio caminho de tudo o que é clube rasca mas rico da Premier e outra na costa chinesa, a pouca distância de Macau, porque esse é o futuro. Não se preocupem com os orçamentos desproporcionados, o aumento dos gastos anuais em salários ou o plantel de guarda-redes que estamos a formar paralelamente para começar um novo desporto. Confiamos nos nossos amigos mesmo quando publicamente dizemos que nos enganaram por contratarem um jogador um ano antes de nós nos termos dado conta e cuja chegada foi evidentemente exigência do treinador.
- a pessoa que estiver sentada no banco com o estatuto do treinador é um acessório que se vende em separado e pode ser trocado ciclicamente sem influenciar a qualidade do produto. A estrutura somos nós, quem ganha somos nós e esse senhor sabe disso e deve assumi-lo desde o primeiro momento. No entanto, como lhe estamos a fazer um favor ao tê-lo ao serviço do maior clube português, como contrapartida deve assumir que no contrato há uma clausula invisível que diz que deve dar a cara pelo clube sempre, dizer tudo aquilo que nos reservamos e que ao menor sinal de barulho terá de abandonar o navio, mesmo que o tenhamos elogiado semanas antes, porque aqui o mérito é nosso...a culpa, dele.
- os sócios, adeptos, simpatizantes ou turistas da Ryanair que vão ao estádio são consumidores e o que pensem ou não do clube importa-nos pouco porque temos claro o nosso caminho e com quem e como queremos trabalhar. Agradecemos os aplausos, os gritos de apoio, as compras de equipamentos, kits, cachorros e pipocas e sobretudo que tenham a sensatez de assobiar a pessoa que estiver sentada no banco ou qualquer um dos tipos vestidos em campo que pertencem à empresa de externalização de serviços porque nos permitem resolver os problemas facilmente. Como? Porque a culpa, já sabemos, é deles.
- ser campeão está demodé. ser uma equipa competitiva na Europa é tão século XX. Nós pensamos em grande. O nosso objectivo é "Somos Porto" e com isso dizemos tudo. A questão desportiva de ganhar, perder ou empatar, ser eliminados de torneios de primeira ou terceira, conectar a equipa B com os A, isso são questões aborrecidas. O mundo intenso e emocionante dos jantares, das transferências com clubes presididos por tipos que nos insultam, o falar espanhol para o El Pais e falar chinês para o Diario de Pequim, isso é que está a dar. Temos um canal catita e familiar, um estádio state of the art com pavilhão e museu ao lado que é a inveja do mundo e ganhamos umas coisas nos últimos cinco anos, que mais querem?
Há coisas que se dizem, há coisas que se sentem. O FC Porto vai a eleições, provavelmente sem listas (no plural) e sem programa (no singular). Mas isso não significa que se vá a eleições sem um plano de futuro concreto, mesmo que oculto e silenciado por ruidos externos que permitem tapar tanta, tanta coisa. A votos, realmente, vão duas Champions League, duas Intercontinentais, duas UEFA/Europa League, 20 Ligas... tudo entre 58 titulos. Que o mais recente campeonato seja de um mandato anterior e que, desde então não haja nada para oferecer a não ser um bilhete para o museu, diz muito da necessidade de um programa publico de futuro (que treinador, que fazer com a formação, que direcção desportiva, que organigrama, que fazer para controlar gastos....) e de uma lista alternativa com as suas ideias claras. E não vale qualquer lista nem qualquer programa porque isto é o FC Porto e os sócios do clube merecem sempre o melhor. Duvido que seja isso que vão ter sobre a mesa no boletim de voto daqui a dois meses.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
“Cansei dessa merda aqui!”
| Mensagem da mulher de Maicon no Instagram (fonte: Maisfutebol) |
«A mulher de Maicon, Úrsula Roque, partilhou uma publicação no Instagram na qual tece duras críticas a quem descreve como “quem se diz doutores” e que responsabiliza pelas dificuldades físicas do defesa-central.
“Eu vou apoiar-te sempre porque sei o tanto que ama esse clube por que tantas vezes já brigou comigo para focar no Porto! Quem está vaiando não sabe o que passou aqui. A culpa não é sua, já faz 4 meses que tenta voltar a 100% e não consegue porque o erro não foi seu e sim de quem se diz doutores! Um absurdo não conseguir melhorar um jogador que treina de manhã e à tarde todo o dia para voltar a jogar e pede para parar e não pode! Cansei dessa merda aqui! Desculpa Maicon, sei que ama, mas eu já não aguento mais essa falta de dedicação e seriedade!”
Entretanto, Maicon já colocou a sua conta do Instagram em modo privado, assim como a sua mulher.»
Será que o FC Porto já bateu no fundo ou, como diz um amigo meu portista, ainda há mais fundo?
Enfim, como é óbvio, o que é preciso é atacar o Vítor Baía (inclusive em termos pessoais), para que isso sirva de aviso a todos os sócios do FC Porto que se atrevam a criticar esta Direção/Administração e, pior, que tenham a veleidade de estar disponíveis para assumir responsabilidades no Clube/SAD.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
SMS do Dia
Obrigado, Maicon! O que estávamos mesmo a precisar era que alguém desviasse a atenção do facto de termos sido roubados descaramente pela enésima vez.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Lampiões “exemplares”
Um jovem adepto portista, em cadeira de rodas, ficou sem uma camisola oferecida pelo guarda-redes Raul Gudiño, após ter assistido a um jogo disputado em Inglaterra, entre as equipas B do SLB e do FC Porto, para a Premier League Cup.
Os contornos desta notícia, que descreve um acto “exemplar” de uns quantos lampiões valentões, podem ser lidos aqui.
Quem também parece ser “exemplar”, são estes dois ex-dirigentes do SLB…
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| Capa do Correio da Manhã de 04.02.2016 |
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
4 milhões de lucro?
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| Capa de O JOGO 02.02.2016 |
O jornal O JOGO enche a 1ª página da sua edição de hoje (edição Porto) com a seguinte frase (a letras garrafais):
Imbula dá 4 milhões de lucro
4 milhões de lucro? Será?
Bem, segundo as contas de O JOGO, “a SAD garante um lucro imediato de quatro milhões de euros com a saída do médio, seis meses depois de o contratar ao Marselha por 20 milhões de euros”.
Ou seja, nas contas de O JOGO, está implícito que estas duas transferências de Imbula, primeiro do Marselha para o FC Porto e agora do FC Porto para o Stoke City, não implicaram quaisquer encargos e/ou pagamento de comissões por parte da FC Porto SAD.
Eu gostava de acreditar nisso…
Mais. Também está implícito, nestas contas de O JOGO que, em ambas as transferências, a FC Porto SAD não pagou qualquer contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es) do Imbula, ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA.
Eu espero que sim, que todo este cenário idílico apresentado por O JOGO (e não só) seja verdade.
Mas eu, se fosse ao O JOGO, antes de anunciar lucros de 4 milhões e abrir as garrafas de champagne, esperava pelo Relatório e Contas do 3º trimestre do exercício 2015/2016.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
AA está de volta!
O “Porto Lopetegui”, colheita 2015/16, foi-se deteriorando até azedar. Contudo, antes de azedar, a melhor combinação de “ingredientes” foi sempre com André André (AA) em campo, como médio “vagabundo”, jogando a toda a largura (e comprimento!) do campo, preferencialmente nas costas do trio de ataque.
Aliás, logo em Setembro, não tive dúvidas em afirmar que, para mim, era André André e mais 10. E, uma semana mais tarde, reforcei a ideia, com a loja do mestre André.
Quando AA deixou de jogar, ou passou a jogar menos tempo a equipa, (des)orientada por Lopetegui, ficou menos ligada e passou a render (ainda) menos dentro de campo. Coincidência? Não me parece.
Vem isto a propósito do último jogo do FC Porto, na Amoreira, onde um AA de regresso à boa forma, encheu o campo durante 86 minutos e foi decisivo para os dragões “matarem o borrego dos jogos na capital”, o qual já durava há 14 jogos.
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| Série de jogos em Lisboa sem ganhar (fonte: O JOGO, 30.01.2016) |
Assim de cabeça, e que me lembre, foi ele, AA, que conquistou a bola cá atrás e arrancou por ali fora no lance do 1º golo do FC Porto.
Foi ele, AA, que interceptou uma linha de passe à saída da área do Estoril, combinou com Aboubakar e falhou por centímetros um golo na cara de Pawel Kieszek.
Foi ele, AA, que reagiu e acorreu prontamente à recarga a um forte remate de Maxi Pereira, vendo o guarda-redes do Estoril negar-lhe o golo com a ponta da chuteira.
Foi ele, AA, que ofereceu um golo feito a Aboubakar e que o ponta-de-lança camaronês desperdiçou de uma forma inacreditável (como é possível o FC Porto ter um ponta-de-lança titular que falha golos destes?).
Foi ele, AA, que marcou o 3º golo e acabou com as veleidades que o Estoril ainda pudesse ter.
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| André André, novamente MVP |
Já agora, eu sei que André André só chegou à equipa principal do seu FC Porto esta época mas, na ausência de Helton e de Rúben Neves (ambos no banco de suplentes) era ele, AA, e não um qualquer jogador que está aqui de passagem (o mexicano Herrera ou outro), quem deveria ostentar a braçadeira de capitão.
P.S. Grande jogo de Maxi Pereira, um dos melhores que fez com a camisola do FC Porto. E, com um árbitro “perigoso”, foi inteligente a forma como soube provocar a mostragem de um cartão amarelo perto do final do jogo.
P.S.2 Muito bom jogo, principalmente em termos ofensivos, do “rei das assistências” do campeonato português. Conforme eu escrevi mais do que uma vez, o problema não está nos laterais e muito menos foi por causa das trocas dos dois laterais – saíram os brasileiros Danilo e Alex Sandro e entraram Maxi e Layún – que o FC Porto 2015/16 estava pior que a equipa da época passada.
P.S.3 Mais um golo sofrido na sequência de uma bola parada. Nas bolas paradas defensivas a equipa está (continua) um desastre. De quem é a culpa? Da marcação à zona, que está mal trabalhada? Do Casillas, que não tira os pés de cima da linha de golo? Da deficiente articulação entre o guarda-redes e os companheiros de equipa? É bom que José Peseiro resolva este (sério) problema rapidamente, porque faltam apenas 12 dias para o FC Porto se deslocar à Luz e 17 dias para o jogo no Westfalenstadion.
P.S.4 As virtudes e defeitos do novo modelo de jogo, que José Peseiro parece estar a querer implementar (o jogo terminou com o FC Porto, pela primeira vez, com menos posse de bola do que o adversário – 47% versus 53%), é assunto para outro(s) artigo(s).
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