segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
SMS do dia - XXXII
A transmissão da gala dos Dragões de Ouro no sítio oficial até faz pensar que o site (o sítio, ou o que quiserem chamar) bem utilizado tinha uma utilidade do caraças.
"Crónica" crónica!
Uma vitória por 3-1 com dois golos de Farias e o FC Porto mantém a liderança com mais estes 3 pontos. Estes são os factos que desmentem o resto do meu texto.
A equipa entrou bem no jogo procurando criar situações de golo. Lucho, Hulk e Fucile estiveram bem nos momento iniciais criando algumas oportunidades para Farias que não aparecia nem no sítio certo, nem à hora certa. Os rasgos de Hulk faziam estragos ora fosse um, ora dois, ora três adversários. No momento do jogo, o super-herói ultrapassou três jogadores do Rio Ave antes de enviar a bola com estrondo à barra. E isto traduz muito do futebol que o FC Porto apresentou: rasgos individuais e poucas jogadas “processadas”.
O intervalo parece ter feito mal aos jogadores. Não sei o que se passou no balneário mas a equipa entrou para a 2ª parte com um objectivo: fazer adormecer tudo e todos! A equipa entrou sem grandes correrias, sem querer vingar o golo que ficou por contar na 1ª parte, a poupar-se (presumi eu) para o treino de quarta-feira, já que no calendário não está nada marcado. Confesso que não percebo nada de rotinas ou processos, mas sei que grande parte das vezes quem não joga para marcar, sofre. E foi isso que aconteceu aos 72 minutos com um grande golo de Fábio Coentrão. Se o azar tem-nos batido à porta em alguns jogos, porquê correr o risco de este aparecer novamente? A crer nas palavras de Jesualdo Ferreira isso foi positivo, porque permitiu ver a reacção dos jogadores até numa estrutura táctica diferente. Espero não ser injusto, mas não vi grande reacção, nem nova estrutura. Vi uma substituição evidente de um lateral por um avançado, para quem precisa de vencer um jogo que deixou fugir por culpa própria. Vi foi um centro do nosso central, uma cabeçada de um avançado que pouco fez durante 85 minutos e uma equipa a voltar a abusar da sorte (ou do azar). Vi ainda mais um golo e uma exibição que deixou muito a desejar frente a um Rio Ave que está a melhorar mas que ainda tem uma defesa facilmente ultrapassável, como ficou demonstrado nos últimos 10 minutos da partida. Um pouco de pressão, um pouco de vontade em querer marcar golos e eles lá aparecem.
Enfim, um jogo sofrível. Não porque a equipa não tenha rotinas ou processos, não porque a equipa não tenha jogadores de qualidade e alguns em boa forma, mas porque as rotinas e processos são enfadonhos. Porque a equipa joga sem força, sem pressionar, sem procurar sufocar os adversários, sem o killer instinct como dizia Bobby Robson. Ah! E ainda fiquei com uma dúvida: Mariano ou Candeias?
Melhor: Hulk
Pior: a "palestra" no intervalo
Foto: Record
Faría(s) e fez mesmo...

Inesperadamente, este acabou por ser um jogo com mais acção e suspense do que aquilo que se supunha inicialmente.
Jesualdo, finalmente, inovou no "11" inicial. Era algo que muitos vinham pedindo há já muito tempo.
Estava mais do que na altura de fazer algo para alterar a (muito) previsível forma como o FCP vinha actuando neste tipo de jogos em nossa casa.
A ideia-base estava correcta, pena só a inclusão de Mariano. Custa a crer que um Tarik mesmo (supostamente) a apenas uns 50% do seu rendimento não seja mais útil do que o argentino.
Jesualdo, finalmente, inovou no "11" inicial. Era algo que muitos vinham pedindo há já muito tempo.
Estava mais do que na altura de fazer algo para alterar a (muito) previsível forma como o FCP vinha actuando neste tipo de jogos em nossa casa.
A ideia-base estava correcta, pena só a inclusão de Mariano. Custa a crer que um Tarik mesmo (supostamente) a apenas uns 50% do seu rendimento não seja mais útil do que o argentino.
A primeira fase do encontro trouxe um Hulk no seu melhor. Pujança, garra e olhos sempre na baliza adversária. Um furacão completo. Um atleta sem paralelo nos dias que correm. O ferro e o guarda-redes adversário (dentro ou fora da baliza) foram adiando o inevitável.
Mas eis que chegou o penalty. E logo um daqueles a que não estamos muito habituados pelo Dragão...
Lucho desta vez não bateu para o meio da baliza e a bola lá cumpriu o seu destino.
Na segunda parte, o grosso da acção e os nervos ficaram reservados para os minutos finais. Mais uma vez, o factor-Coentrão fez pairar no ar o medo de mais uma humilhação. Parecia que tudo se ia encaminhar para a nossa habitual sina caseira da presente temporada quando, finalmente, surgiu o primeiro momento de verdadeira glória de Farías com a camisola do nosso clube. Dois golos de rajada e vitória garantida.
Mas eis que chegou o penalty. E logo um daqueles a que não estamos muito habituados pelo Dragão...
Lucho desta vez não bateu para o meio da baliza e a bola lá cumpriu o seu destino.
Na segunda parte, o grosso da acção e os nervos ficaram reservados para os minutos finais. Mais uma vez, o factor-Coentrão fez pairar no ar o medo de mais uma humilhação. Parecia que tudo se ia encaminhar para a nossa habitual sina caseira da presente temporada quando, finalmente, surgiu o primeiro momento de verdadeira glória de Farías com a camisola do nosso clube. Dois golos de rajada e vitória garantida.
Razão parece ter quem defende que Jesualdo erra quando o lança com o jogo a decorrer. Farías precisa de jogar de início e com alguma regularidade para o podermos ver no seu melhor. Ah, também ajuda o facto de ter o melhor "11" a seu lado e não outros 10 reservistas...
Uma leitura atenta ao C.V. deste jogador (aproximadamente um golo em cada duas partidas), autoriza a que assim se pense.
Em resumo, vitória saborosa mas que ninguém deve embandeirar em arco.
Nada ainda nos garante que encontramos, finalmente, a fórmula mágica para abater autocarros...
Uma leitura atenta ao C.V. deste jogador (aproximadamente um golo em cada duas partidas), autoriza a que assim se pense.
Em resumo, vitória saborosa mas que ninguém deve embandeirar em arco.
Nada ainda nos garante que encontramos, finalmente, a fórmula mágica para abater autocarros...
Foto retirada do site oficial do clube
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Os Balanços Funcionais
A análise dos Balanços Funcionais (BF) baseia-se numa forma diferente de olhar o Balanço de uma empresa, procurando ultrapassar algumas limitações da análise financeira tradicional. A abordagem funcional debruça-se sobre o estudo do equilíbrio financeiro de uma organização, partindo de uma autonomização dos seus ciclos financeiros: ciclo de investimento, ciclo operacional e ciclo de tesouraria. Esta perspectiva recai sobre a análise do Balanço Funcional, elaborado a partir de diversos ajustamentos ao Balanço Contabilístico e procedendo à reclassificação de determinadas rubricas.

Análise do Equilíbrio Financeiro
Através de uma observação do BF verificamos que, em todos os sete anos analisados à excepção de 2003-2004, a FC Porto, SAD se encontra numa situação financeira complicada, uma vez que os seus capitais estáveis são insuficientes para financiar o Activo Fixo (o que significa que o Fundo de Maneio (FM) é negativo em praticamente todos os anos), sendo que uma parte do ciclo de investimento está a ser financiada com exigível de curto prazo. A situação agrava-se até ao exercício de 2005-2006, conseguindo a sociedade uma importante recuperação no ano seguinte para voltar a um montante desfavorável em 2007-2008.
Por outro lado as NFM (Necessidades de Fundo de Maneio), que apresentam montantes “equilibrados” nos dois primeiros exercícios (2001-2002 e 2002-2003), disparam para cerca de 29 milhões de euros em 2003-2004 seguidas de uma redução substancial em 2004-2005 para a partir daí assumirem um crescimento, diria, preocupante até ao último exercício. Da relação (diferença) entre FM e NFM obtemos a Tesouraria Líquida e como se pode verificar esta foi sempre negativa nos vários anos analisados.
Como já foi referido no Reflexão Portista, o aumento dos montantes devidos por terceiros, quer em termos absolutos quer em termos relativos, indicia (i) falta de capacidade da sociedade para cobrança das dívidas que se vão acumulando ou (ii) alargamento voluntário dos prazos de recebimento como consequência do poder negocial de terceiros. Em termos práticos, a manutenção de uma Tesouraria Líquida muito negativa durante um espaço temporal tão alargado acentua o desequilíbrio e o risco de ruptura financeira. A FC Porto, SAD, diante deste cenário, apresenta uma débil capacidade negocial e uma forte dependência das fontes de financiamento.
A situação esteve relativamente controlada até 2003-2004, por força das campanhas de sucesso nas competições europeias e que proporcionaram a realização de consideráveis mais-valias com a alienação de passes de jogadores. Não obstante, a sociedade inverteu o seu FM para valores negativos e viu as suas NFM crescerem ao longo do tempo, o que significa que a prossecução da actividade está fortemente dependente de capitais alheios e das transacções de jogadores por valores muito elevados, o que não é, de todo, uma situação desejável (note-se que os capitais alheios – empréstimos bancários – embora tendo estabilidade, não são integralmente permanentes). A sociedade manteve-se numa situação de desequilíbrio desde 2003-2004 pois uma parte substancial das suas necessidades cíclicas continuou a ser financiada com recurso a operações de tesouraria de curto prazo.
De uma forma sumária, e apesar das frequentes mais-valias obtidas, a FC Porto, SAD não demonstra capacidade de inverter a sua tesouraria líquida para valores positivos, o que a coloca num problema de solvabilidade e de eventual risco, revelando uma elevada dependência do sistema bancário e uma forte exposição aos valores obtidos através da alienação de passes de jogadores.
Nota: a partir do ano 2005-06 a SAD passou a publicar as contas no novo normativo IAS/IFRS. No entanto optámos por fazer os ajustamentos para apresentação dos Balanços em POC para haver maior homogeneidade na análise aos vários anos. As diferenças originadas por esses ajustamentos não são significativas.

Balanços Funcionais (clique na imagem para ampliar)
Análise do Equilíbrio Financeiro
Através de uma observação do BF verificamos que, em todos os sete anos analisados à excepção de 2003-2004, a FC Porto, SAD se encontra numa situação financeira complicada, uma vez que os seus capitais estáveis são insuficientes para financiar o Activo Fixo (o que significa que o Fundo de Maneio (FM) é negativo em praticamente todos os anos), sendo que uma parte do ciclo de investimento está a ser financiada com exigível de curto prazo. A situação agrava-se até ao exercício de 2005-2006, conseguindo a sociedade uma importante recuperação no ano seguinte para voltar a um montante desfavorável em 2007-2008.
Por outro lado as NFM (Necessidades de Fundo de Maneio), que apresentam montantes “equilibrados” nos dois primeiros exercícios (2001-2002 e 2002-2003), disparam para cerca de 29 milhões de euros em 2003-2004 seguidas de uma redução substancial em 2004-2005 para a partir daí assumirem um crescimento, diria, preocupante até ao último exercício. Da relação (diferença) entre FM e NFM obtemos a Tesouraria Líquida e como se pode verificar esta foi sempre negativa nos vários anos analisados.
Como já foi referido no Reflexão Portista, o aumento dos montantes devidos por terceiros, quer em termos absolutos quer em termos relativos, indicia (i) falta de capacidade da sociedade para cobrança das dívidas que se vão acumulando ou (ii) alargamento voluntário dos prazos de recebimento como consequência do poder negocial de terceiros. Em termos práticos, a manutenção de uma Tesouraria Líquida muito negativa durante um espaço temporal tão alargado acentua o desequilíbrio e o risco de ruptura financeira. A FC Porto, SAD, diante deste cenário, apresenta uma débil capacidade negocial e uma forte dependência das fontes de financiamento.
A situação esteve relativamente controlada até 2003-2004, por força das campanhas de sucesso nas competições europeias e que proporcionaram a realização de consideráveis mais-valias com a alienação de passes de jogadores. Não obstante, a sociedade inverteu o seu FM para valores negativos e viu as suas NFM crescerem ao longo do tempo, o que significa que a prossecução da actividade está fortemente dependente de capitais alheios e das transacções de jogadores por valores muito elevados, o que não é, de todo, uma situação desejável (note-se que os capitais alheios – empréstimos bancários – embora tendo estabilidade, não são integralmente permanentes). A sociedade manteve-se numa situação de desequilíbrio desde 2003-2004 pois uma parte substancial das suas necessidades cíclicas continuou a ser financiada com recurso a operações de tesouraria de curto prazo.
De uma forma sumária, e apesar das frequentes mais-valias obtidas, a FC Porto, SAD não demonstra capacidade de inverter a sua tesouraria líquida para valores positivos, o que a coloca num problema de solvabilidade e de eventual risco, revelando uma elevada dependência do sistema bancário e uma forte exposição aos valores obtidos através da alienação de passes de jogadores.
Nota: a partir do ano 2005-06 a SAD passou a publicar as contas no novo normativo IAS/IFRS. No entanto optámos por fazer os ajustamentos para apresentação dos Balanços em POC para haver maior homogeneidade na análise aos vários anos. As diferenças originadas por esses ajustamentos não são significativas.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
A propósito das queixinhas do SLB...
A propósito da histeria da comunicação social do regime, das queixinhas do Vieira, e do branqueamento das situações em que o FC Porto foi claramente prejudicado pela arbitragem do sócio do SLB Pedro Proença, convém lembrar:
A pisadela intencional de Sidnei a Lucho...
A pisadela intencional de David Luis a Hulk, dentro da grande área encarnada...
A pisadela intencional de Sidnei a Lucho...
A pisadela intencional de David Luis a Hulk, dentro da grande área encarnada...
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Benfica,
comunicação social,
Pedro Proença
Maldita Cocaína

O Deus do Futebol veio há poucos dias a Portugal. O roteiro inicial da viagem previa uma visita ao Dragão para ver o jogo FC Porto x Trofense para que pudesse analisar as prestações dos argentinos, nomeadamente Lucho e Lisandro, mas depois preferiu ir ver, no mesmo dia, um jogo importante da Liga Inglesa. Uns dias mais tarde acabou mesmo por vir a Portugal mas para ver um jogo da Farsa da Liga no estádio da luz onde acabaria por actuar esse novo portento do futebol argentino que dá pelo nome de Di Maria. Assim sendo, e porque Deus é omnipresente, lá tiveram Lucho e Lisandro que se deslocar à capital onde se encontraram num hotel de Lisboa. Dessa “conversa” disseram os protagonistas que Deus, sabiamente, “contava com eles” e que lhes queria “dar minutos de jogo” ao serviço da Selecção alviceleste.

Na passada quinta-feira, 12 de Fevereiro, a selecção Argentina deslocou-se ao Velodrome em Marselha para um jogo particular com a França.
A Argentina alinhou com: Juan Pablo Carrizo, Martin Demichelis, Jonas Gutierrez, Gabriel Heinze, Javier Zanetti, Emiliano Papa, Fernando Gago, Javier Mascherano, Maxi Rodriguez (Marcos Angeleri, 82), Sergio Aguero (Carlos Tevez, 82), Lionel Messi e venceu por 2-0 com golos de Jonas Gutierrez (41') e Lionel Messi (83'). Lucho e Lisandro, que foram convocados, e a quem Deus planeava “dar minutos de jogo”, ficaram a aquecer o banco de suplentes. Fazer duas substituições num jogo amigável é um sinal de que realmente se quer experimentar jogadores por ainda não existir uma equipa base.
Edit: Intervenção do Provedor do Reflexão Portista:“Com este título o autor deste texto tentou, de forma vil e mesquinha, escarnecer as escolhas de um seleccionador, ex-jogador de futebol, associando-as a um passado menos recomendável no que respeita ao consumo de alcalóides cristalinos, de cor branca, que se extraem das folhas de coca e que se empregam como anestésicos e como estupefacientes. Seria preciso que o referido seleccionador tivesse mesmo voltado ao consumo de tais substâncias para colocar em campo os jogadores em questão, dadas as pobres exibições dos rapazes esta época.”
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
O caso Calabote (VI)
I. A trajectória da bola e as decisões da FPF
II. A pouco inocente nomeação de Calabote
III. Os estágios das selecções em... Lisboa
IV. Treinador-adjunto do SLB no banco do Torreense
V. Deus deu o campeonato à melhor equipa
----------
VI. Um Gama avermelhado na baliza da CUF

O Grupo Desportivo da CUF não era um clube qualquer. Esteve 22 épocas consecutivas na 1ª divisão do futebol português (desceu de divisão após a revolução do 25 de Abril, na época 1975/76) e, logo a seguir aos quatro grandes da altura, o GD CUF foi das equipas mais fortes e regulares do futebol português entre o final da década de 50 e meados da década de 60, como atestam as seguintes classificações:
• 1958/59 - 11º
• 1959/60 - 5º
• 1960/61 - 6º
• 1961/62 - 4º
• 1962/63 - 12º
• 1963/64 - 5º
• 1964/65 - 3º
Conforme já foi referido, à entrada da última jornada do campeonato o Benfica tinha uma desvantagem de quatro golos em relação ao FC Porto. Ou seja, se os “dragões” vencessem o Torreense (último classificado) pela margem mínima, o SLB, para superar a diferença de golos global, teria de vencer a CUF por seis golos de diferença.
O SLB necessitava de uma goleada, mas será que a CUF era uma equipa propensa a sofrer goleadas?
Nesse campeonato, quantas vezes é que a CUF tinha perdido por seis golos de diferença?
A resposta é simples: nunca.
Aliás, olhando para os 25 jogos anteriores, verifica-se que só por uma vez a CUF tinha perdido por mais de três golos de diferença (em Guimarães). Nos jogos com os outros “grandes” da época, a CUF tinha perdido por 3-0 nas Antas e em Belém e apenas por 1-0 em Alvalade.
Mais. Nos 12 jogos fora que já tinha disputado, a CUF tinha sofrido 25 golos (2,08 golos por jogo), o que fazia da defesa da CUF a 5ª melhor fora de casa antes do jogo com o SLB.
Por tudo isto, fácil é concluir que, em condições normais, não era provável a CUF sofrer a goleada de que o SLB necessitava. Contudo, conforme se iria constatar, houve várias “anormalidades” nesse célebre Benfica x CUF.
A começar pelo desempenho do guarda-redes da CUF – um tal de Gama (que nome tão apropriado neste contexto...) – que, de tão “infeliz” nesse jogo, foi substituído quando a equipa perdia por 5-1... a pedido dos próprios colegas!
No Mundo Desportivo (23/03/1959) pode ler-se: «Gama, o guardião da turma que a determinada altura foi substituído aparentemente cansado do trabalho aturado que teve de suportar, respondeu-nos quando o interpelámos:
“Faz pena, depois de tamanho esforço e tenacidade desenvolvidas verificar que o Benfica não conseguiu o número de golos suficiente para chegar a campeão! E a verdade é que ocasiões não lhe faltaram.”»
Leram bem. Quem disse isto não foi um jogador do SLB, foi o guarda-redes da equipa que tinha sofrido uma goleada com o prestimoso contributo dele próprio.
Ao contrário de Gama, José Maria, o guarda-redes que o substituiu a pedido dos colegas, afirmou:
“Os benfiquistas obrigaram-me a trabalho intenso, e confesso que tive de realizar várias defesas em condições difíceis. Quanto ao resultado, considero-o expressivo em demasia, visto que nele interferiu o desacerto da arbitragem.”
Em declarações ao Norte Desportivo, o treinador da CUF, Cândido Tavares, diria:
“Não posso acreditar no que se diz a respeito de Gama e, embora não seja seu costume falhar tantas jogadas, creio na sua honestidade! Simplesmente ele esteve, no domingo, demasiado infeliz. Vendo isso, e ainda porque dois dos seus próprios companheiros me solicitaram que alterasse o desempenho posto, mandei-o sair do terreno. Estava muito nervoso, e manifestava sintomas de total desorientação. Todavia daí a aventarem-se torpes insinuações terá de percorrer-se larga distância.”
Sim, não vale a pena fazer “torpes insinuações”. Os factos e as declarações do próprio Gama falam por si.
Mas, para além do estranho caso do guarda-redes “nervoso”, “desorientado” e “demasiado infeliz”, houve outras anormalidades.
No final do jogo, Cândido Tavares (que, saliente-se, tinha sido jogador e campeão ao serviço do Benfica), não escondia a sua revolta relativamente à arbitragem e diria:
“Só estranhei que Inocêncio Calabote não tivesse arranjado uma quarta grande penalidade nos últimos minutos. Não foi árbitro não foi nada...”

Manuel de Oliveira, que viria a ser um dos mais cotados treinadores portugueses, era na altura jogador da CUF. Em declarações ao jornal RECORD de 23/01/2006, não teve dúvidas em afirmar:
“Estava tudo feito. Foram assinaladas três grandes penalidades contra nós e nenhuma delas existiu. (...)
O jogo foi preparado muito antes (...) Para começar, o Benfica promoveu um atraso de 7 minutos para o recomeço do jogo e depois confirmou-se o momento mau pelo qual passava o nosso guarda-redes, Gama, que foi muito pressionado durante a semana por elementos ligados ao adversário. E a verdade é que ele não foi feliz. (...)
O jogo obedeceu a um arranjo e, quanto a isso, não tenho a menor dúvida”.
(continua: Treinador do FC Porto comprometido com o SLB)
Fontes:
[1] ‘CSI – Calabote Scene Investigation’, Pobo do Norte, Maio de 2008
[2] 'Glória e Vida de Três Gigantes', A BOLA, 1995
[3] zerozero.pt, 1958/59
Fotos: Record, ‘Grupo CUF – elementos para a sua História’
II. A pouco inocente nomeação de Calabote
III. Os estágios das selecções em... Lisboa
IV. Treinador-adjunto do SLB no banco do Torreense
V. Deus deu o campeonato à melhor equipa
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VI. Um Gama avermelhado na baliza da CUF
O Grupo Desportivo da CUF não era um clube qualquer. Esteve 22 épocas consecutivas na 1ª divisão do futebol português (desceu de divisão após a revolução do 25 de Abril, na época 1975/76) e, logo a seguir aos quatro grandes da altura, o GD CUF foi das equipas mais fortes e regulares do futebol português entre o final da década de 50 e meados da década de 60, como atestam as seguintes classificações:
• 1958/59 - 11º
• 1959/60 - 5º
• 1960/61 - 6º
• 1961/62 - 4º
• 1962/63 - 12º
• 1963/64 - 5º
• 1964/65 - 3º
Conforme já foi referido, à entrada da última jornada do campeonato o Benfica tinha uma desvantagem de quatro golos em relação ao FC Porto. Ou seja, se os “dragões” vencessem o Torreense (último classificado) pela margem mínima, o SLB, para superar a diferença de golos global, teria de vencer a CUF por seis golos de diferença.
Nesse campeonato, quantas vezes é que a CUF tinha perdido por seis golos de diferença?
A resposta é simples: nunca.
Aliás, olhando para os 25 jogos anteriores, verifica-se que só por uma vez a CUF tinha perdido por mais de três golos de diferença (em Guimarães). Nos jogos com os outros “grandes” da época, a CUF tinha perdido por 3-0 nas Antas e em Belém e apenas por 1-0 em Alvalade.
Mais. Nos 12 jogos fora que já tinha disputado, a CUF tinha sofrido 25 golos (2,08 golos por jogo), o que fazia da defesa da CUF a 5ª melhor fora de casa antes do jogo com o SLB.
Por tudo isto, fácil é concluir que, em condições normais, não era provável a CUF sofrer a goleada de que o SLB necessitava. Contudo, conforme se iria constatar, houve várias “anormalidades” nesse célebre Benfica x CUF.
A começar pelo desempenho do guarda-redes da CUF – um tal de Gama (que nome tão apropriado neste contexto...) – que, de tão “infeliz” nesse jogo, foi substituído quando a equipa perdia por 5-1... a pedido dos próprios colegas!
No Mundo Desportivo (23/03/1959) pode ler-se: «Gama, o guardião da turma que a determinada altura foi substituído aparentemente cansado do trabalho aturado que teve de suportar, respondeu-nos quando o interpelámos:
“Faz pena, depois de tamanho esforço e tenacidade desenvolvidas verificar que o Benfica não conseguiu o número de golos suficiente para chegar a campeão! E a verdade é que ocasiões não lhe faltaram.”»
Leram bem. Quem disse isto não foi um jogador do SLB, foi o guarda-redes da equipa que tinha sofrido uma goleada com o prestimoso contributo dele próprio.
Ao contrário de Gama, José Maria, o guarda-redes que o substituiu a pedido dos colegas, afirmou:
“Os benfiquistas obrigaram-me a trabalho intenso, e confesso que tive de realizar várias defesas em condições difíceis. Quanto ao resultado, considero-o expressivo em demasia, visto que nele interferiu o desacerto da arbitragem.”
Em declarações ao Norte Desportivo, o treinador da CUF, Cândido Tavares, diria:
“Não posso acreditar no que se diz a respeito de Gama e, embora não seja seu costume falhar tantas jogadas, creio na sua honestidade! Simplesmente ele esteve, no domingo, demasiado infeliz. Vendo isso, e ainda porque dois dos seus próprios companheiros me solicitaram que alterasse o desempenho posto, mandei-o sair do terreno. Estava muito nervoso, e manifestava sintomas de total desorientação. Todavia daí a aventarem-se torpes insinuações terá de percorrer-se larga distância.”
Sim, não vale a pena fazer “torpes insinuações”. Os factos e as declarações do próprio Gama falam por si.
Mas, para além do estranho caso do guarda-redes “nervoso”, “desorientado” e “demasiado infeliz”, houve outras anormalidades.
No final do jogo, Cândido Tavares (que, saliente-se, tinha sido jogador e campeão ao serviço do Benfica), não escondia a sua revolta relativamente à arbitragem e diria:
“Só estranhei que Inocêncio Calabote não tivesse arranjado uma quarta grande penalidade nos últimos minutos. Não foi árbitro não foi nada...”

Manuel de Oliveira, que viria a ser um dos mais cotados treinadores portugueses, era na altura jogador da CUF. Em declarações ao jornal RECORD de 23/01/2006, não teve dúvidas em afirmar:
“Estava tudo feito. Foram assinaladas três grandes penalidades contra nós e nenhuma delas existiu. (...)
O jogo foi preparado muito antes (...) Para começar, o Benfica promoveu um atraso de 7 minutos para o recomeço do jogo e depois confirmou-se o momento mau pelo qual passava o nosso guarda-redes, Gama, que foi muito pressionado durante a semana por elementos ligados ao adversário. E a verdade é que ele não foi feliz. (...)
O jogo obedeceu a um arranjo e, quanto a isso, não tenho a menor dúvida”.
(continua: Treinador do FC Porto comprometido com o SLB)
Fontes:
[1] ‘CSI – Calabote Scene Investigation’, Pobo do Norte, Maio de 2008
[2] 'Glória e Vida de Três Gigantes', A BOLA, 1995
[3] zerozero.pt, 1958/59
Fotos: Record, ‘Grupo CUF – elementos para a sua História’
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Tese de Morgado novamente derrotada em Tribunal
Encontros fictícios no 'Degrau Chá'
A testemunha
Uma testemunha pouco credível
A credibilidade da testemunha-chave
Pinto da Costa, 3 – Ministério Público, 0
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«O Tribunal da Relação do Porto negou provimento ao recurso interposto pela equipa liderada por Maria José Morgado, que contestava o arquivamento do processo contra Pinto da Costa e o FC Porto, relativo ao jogo FC Porto-Estrela da Amadora de 2003/04.
O acórdão do Tribunal da Relação, a que a agência Lusa teve acesso, rejeita a tese da equipa especial de investigação liderada por Maria José Morgado, especialmente no que diz respeito ao testemunho de Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa: "(...) Como é bom de ver, tal prova testemunhal não se revela, a nosso ver e de forma alguma, credível".
Este processo reporta-se ao célebre 'Caso da Fruta', em que o FC Porto, Pinto da Costa, o árbitro Jacinto Paixão, entre outros, eram acusados de corrupção desportiva.
Numa primeira investigação o Ministério Público arquivou o processo, que viria, mais tarde, a ser reaberto pela procuradora-adjunta Maria José Morgado, directora do DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal), que deduziu acusação.
O processo viria, no entanto, a ser arquivado pelo tribunal de primeira instância, decisão contestada por Maria José Morgado, que recorreu para a Relação, que voltou, agora, a decidir pelo arquivamento.»
in SOL, 12/02/2009
"Como é bom de ver, tal prova testemunhal [de Carolina Salgado] não se revela, a nosso ver e de forma alguma, credível".
Quem diz isto são juízes do Tribunal da Relação.
Ora, é bom recordar, mais uma vez, que foi com base no testemunho ("de forma alguma credível") de Carolina Salgado, que os processos foram reabertos e que Pinto da Costa e o FC Porto foram condenados pela Liga no 'Apito Final'.
Segundo o Record, «o Ministério Público revelou hoje que 'em princípio não é admissível recurso para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ)' na sequência da decisão da Relação do Porto manter o arquivamento do chamado 'caso da fruta', relacionado com o processo 'Apito Dourado'. O gabinete da imprensa da Procuradoria-Geral da República ressalva, contudo, que é 'possível pedido de aclaração e reclamação do acórdão', como 'é também admissível recurso para o Tribunal Constitucional'.»
Não me digas que a dupla Pinto Monteiro / Maria José Morgado decidiu que o Ministério Público (MP) não ia recorrer para o Tribunal Constitucional?
Que pena!
É que desde que a coisa chegou aos tribunais a sério (não confundir com a pseudo justiça desportiva da Liga e da FPF), já perdi a conta à "goleada" que a coligação SLB / MP está a levar...
A testemunha
Uma testemunha pouco credível
A credibilidade da testemunha-chave
Pinto da Costa, 3 – Ministério Público, 0
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«O Tribunal da Relação do Porto negou provimento ao recurso interposto pela equipa liderada por Maria José Morgado, que contestava o arquivamento do processo contra Pinto da Costa e o FC Porto, relativo ao jogo FC Porto-Estrela da Amadora de 2003/04.
O acórdão do Tribunal da Relação, a que a agência Lusa teve acesso, rejeita a tese da equipa especial de investigação liderada por Maria José Morgado, especialmente no que diz respeito ao testemunho de Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa: "(...) Como é bom de ver, tal prova testemunhal não se revela, a nosso ver e de forma alguma, credível".
Este processo reporta-se ao célebre 'Caso da Fruta', em que o FC Porto, Pinto da Costa, o árbitro Jacinto Paixão, entre outros, eram acusados de corrupção desportiva.
Numa primeira investigação o Ministério Público arquivou o processo, que viria, mais tarde, a ser reaberto pela procuradora-adjunta Maria José Morgado, directora do DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal), que deduziu acusação.O processo viria, no entanto, a ser arquivado pelo tribunal de primeira instância, decisão contestada por Maria José Morgado, que recorreu para a Relação, que voltou, agora, a decidir pelo arquivamento.»
in SOL, 12/02/2009
"Como é bom de ver, tal prova testemunhal [de Carolina Salgado] não se revela, a nosso ver e de forma alguma, credível".
Quem diz isto são juízes do Tribunal da Relação.
Ora, é bom recordar, mais uma vez, que foi com base no testemunho ("de forma alguma credível") de Carolina Salgado, que os processos foram reabertos e que Pinto da Costa e o FC Porto foram condenados pela Liga no 'Apito Final'.
Segundo o Record, «o Ministério Público revelou hoje que 'em princípio não é admissível recurso para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ)' na sequência da decisão da Relação do Porto manter o arquivamento do chamado 'caso da fruta', relacionado com o processo 'Apito Dourado'. O gabinete da imprensa da Procuradoria-Geral da República ressalva, contudo, que é 'possível pedido de aclaração e reclamação do acórdão', como 'é também admissível recurso para o Tribunal Constitucional'.»
Não me digas que a dupla Pinto Monteiro / Maria José Morgado decidiu que o Ministério Público (MP) não ia recorrer para o Tribunal Constitucional?Que pena!
É que desde que a coisa chegou aos tribunais a sério (não confundir com a pseudo justiça desportiva da Liga e da FPF), já perdi a conta à "goleada" que a coligação SLB / MP está a levar...
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Sob Suspeição
A arbitragem está sempre sob suspeição. Não admira: a profissão é difícil, as paixões são tudo menos moderadas, os interesses são mais que muitos e tem a TV a controlar cada apitadela cometida no acto de arbitrar, de todos os ângulos, com linhas e ao ralenti. Nada escapa ao big brother.
Os árbitros julgam os lances, a opinião pública e publicada, os comentaristas encartados e a gente cá do meu bairro não fala de outra coisa senão do Pedro Proença, a maior parte das vezes para desancar no homem.
O Luís do Café e o Zé da Frutaria pegaram-se e já falavam grosso um com o outro, de forma desvairada, nunca vista. Felizmente que no auge da discussão entrou a Svetlana, a cujo sortilégio ninguém escapa: todos se calam, muitos se babam. Aproximou-se dos dois homens possessos e com o seu lindo sorriso a juntar-se à bela silhueta que o generoso decote denunciava, disse: “Oh Luís deixa lá, o que tu queres é colinho!”. O Pinto ficou meio amarelo, sabe-se lá porquê, o Zé riu-se e a paz voltou.Depois deste caso da vida real que teve um final feliz a que o escriba assistiu, retomo o tema.
Fez o Proença um caminho seguro até internacional, ganhando grande parte da notoriedade porque o FCP – nas épocas de JM – nunca ganhou qualquer jogo apitado por ele, salvo a Super Taça com a União de Leiria, creio. Quem consegue travar o FCP, pode sempre aspirar a uma carreira de sucesso. Lucílio e Bruno já tinham trilhado caminho semelhante, com algumas arbitragens inesquecíveis.
Proença apitou e marcou uma grande penalidade ao SLB: tramou-se. Uma ida para a jarra (já confirmada) e lá vai a carreira sofrer um tropeção inesperado. O SLB prejudicado nesse lance – tanto quanto beneficiado num outro do mesmo tipo – vai tirar os dividendos e apresentar a factura. O clube do regime tudo fará para que as diferentes instituições que gerem o futebol não esqueçam o seu estatuto. E não esquecerão porque a nossa incansável comunicação social não o permitirá, a bem da Nação.
Mas, este é um mal generalizado. É árbitro, logo é suspeito. E, se os árbitros erram e algumas vezes de forma grosseira, é justo reconhecer que o adepto só espera (exige) é que não seja o seu clube o prejudicado pelo erro. Quando é, está o caldo entornado: o árbitro e a mãezinha dele não são poupados. Quando se é beneficiado há sempre um bom motivo para o perceber. A condescendência é maior e tudo se explica pelas melhores razões.
Por isso, e no caso especial da arbitragem acho que a SAD tem agido bem ao privilegiar o silêncio.
As conversas, os comentários centralizam-se quase sempre não na arbitragem mas num pequeno conjunto de lances seleccionados, e neste caso do FCP-SLB um erro (dito com influência) passou a valer por todo o trabalho do árbitro, como se mais incidentes não tivessem ocorrido. Esta é uma forma de manipulação e pressão que o “ofendido” se serve para memória e benefícios futuros. Essa praxis é conhecida: o que eles querem é colinho!
Das arbitragens a que assisti a que me deixou mais furioso foi a do FCP-Trofense. Não é possível que um árbitro facilite e avalize o anti-jogo permanente e que haja jogadores no campo que usem e abusem de artimanhas para que o crime compense, com a bênção do árbitro. Isso é que não é tolerável e deveria ser corrigido, com carácter de urgência. Mas, sobre isso pouco se fala e pouco parece interessar. Nem os catedráticos tomam o tema como importante. Não é televisivo, não vale choro, não dá colinho, logo não interessa e se for no Dragão bem haja a quem o fizer.
Fotos: Record
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Também o O Jogo?
Quando olhamos para as capas sensacionalistas de A Bola e do Record depois do jogo FC Porto x Benfica já não ficamos (os portistas, bem entendido) minimamente surpreendidos com as barbaridades que encontramos. A linha editorial destes dois pasquins lisboetas tem uma orientação em prol dos clubes da 2ª circular bem definida desde há muitos anos. Elas traduzem, como disse o José Correia, a “história oficial do futebol português escrita em tons de verde e vermelho”.
O jornal O Jogo sempre foi visto de uma forma diferente pelos portistas por ser um jornal independente e imparcial e isso, para nós que estávamos habituados aos constantes dislates dos pasquins supra referidos, fazia toda a diferença. Não precisávamos de aduladores de clube, bastava que relatassem da forma mais verdadeira aquilo que se passava em campo ou no dia-a-dia do futebol luso. No entanto, o O Jogo mudou. E já não foi agora. Uma mudança lenta ao longo dos anos e que levou este diário desportivo a uma aproximação da linha editorial seguida por A Bola e Record.
Acho no mínimo estranha a forma como O Jogo tratou as incidências do FC Porto x Benfica, particularmente a capa, quando comparada com a forma como tratou o jogo de Alvalade para a Taça da Liga Sporting x FC Porto. Senão vejamos:


O apelativo mas enganador título da passada segunda-feira é: “Erro confirma líder”, enquanto o título de quinta-feira após o jogo em Alvalade foi: “Leão deu rombo nas poupanças”. Os penalties de Alvalade pouca diferença fazem do penalty assinalado sobre Lisandro, vê-se que há contacto em todos eles e podemos discutir ad eternum a intensidade desse mesmo contacto, com a diferença de Xistra ter sido responsável pela reviravolta no marcador ao ter marcado 2 (dois!) penalties.
Assim, apetece-me perguntar porque não uma capa após o jogo entre Sporting e FC Porto do tipo:“Erros confirmam Final (da Taça da Liga)” ou “Xistra deu rombo nas reservas” ou ainda “Xistra confirma Sporting na Final”?
Quais foram as motivações para a mudança na linha editorial? Quais os reais efeitos de ser um jornal propriedade da Controlinveste (controlada por Joaquim Oliveira)?
O jornal O Jogo sempre foi visto de uma forma diferente pelos portistas por ser um jornal independente e imparcial e isso, para nós que estávamos habituados aos constantes dislates dos pasquins supra referidos, fazia toda a diferença. Não precisávamos de aduladores de clube, bastava que relatassem da forma mais verdadeira aquilo que se passava em campo ou no dia-a-dia do futebol luso. No entanto, o O Jogo mudou. E já não foi agora. Uma mudança lenta ao longo dos anos e que levou este diário desportivo a uma aproximação da linha editorial seguida por A Bola e Record.
Acho no mínimo estranha a forma como O Jogo tratou as incidências do FC Porto x Benfica, particularmente a capa, quando comparada com a forma como tratou o jogo de Alvalade para a Taça da Liga Sporting x FC Porto. Senão vejamos:


O apelativo mas enganador título da passada segunda-feira é: “Erro confirma líder”, enquanto o título de quinta-feira após o jogo em Alvalade foi: “Leão deu rombo nas poupanças”. Os penalties de Alvalade pouca diferença fazem do penalty assinalado sobre Lisandro, vê-se que há contacto em todos eles e podemos discutir ad eternum a intensidade desse mesmo contacto, com a diferença de Xistra ter sido responsável pela reviravolta no marcador ao ter marcado 2 (dois!) penalties.
Assim, apetece-me perguntar porque não uma capa após o jogo entre Sporting e FC Porto do tipo:“Erros confirmam Final (da Taça da Liga)” ou “Xistra deu rombo nas reservas” ou ainda “Xistra confirma Sporting na Final”?
Quais foram as motivações para a mudança na linha editorial? Quais os reais efeitos de ser um jornal propriedade da Controlinveste (controlada por Joaquim Oliveira)?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
O impacto das Selecções
«Rui Patrício foi dispensado dos trabalhos da seleção de Sub-21».
«Pereirinha, Adrien, Daniel Carriço (ao serviço dos Sub-21) e Moutinho (na Seleção principal) não estiveram em Alcochete.»
«Miguel Vítor, Urreta, Di María, Maxi Pereira, Binya, Suazo, Katsouranis e Luisão foram as baixas no treino por estarem ao serviço das respectivas seleções.»
«O FC Porto regressou esta terça-feira ao trabalho com muitas baixas no grupo por causa dos compromissos das seleções. Bruno Alves, Raul Meireles, Rolando, Lisandro, Lucho, Fucile, Rodríguez, Guarín e Ventura não marcaram presença no Olival.»
As frases anteriores foram retiradas de noticias (publicadas no Record online) acerca do treino de hoje dos três grandes. Conforme se pode constatar, todos eles tiveram ausentes devido aos trabalhos das selecções, mas o peso dos ausentes é muito diferente.
No Sporting: dois habituais titulares - Rui Patrício e Moutinho
No Benfica: quatro habituais titulares - Maxi Pereira, Suazo, Katsouranis e Luisão
No FC Porto: sete habituais titulares - Bruno Alves, Raul Meireles, Rolando, Lisandro, Lucho, Fucile e Rodríguez
Como é óbvio, o impacto destas ausências (e, em alguns casos, viagens longas) na preparação do(s) próximo(s) jogo(s) é muito diferente nos três clubes, com nítido prejuízo para o FC Porto.
Foto: Record
Um penalty para a História
Está visto. O penalty "cavado" por Lisandro aos 70 minutos do FC Porto x SLB de ontem vai ficar para a história do futebol português. Sim, porque conforme diz 'A Bola', "Lisandro cavou penalty que salvou FC Porto da derrota".
Evidentemente, qualquer pessoa percebe que o penalty "cavado" pelo Lisandro é completamente diferente do penalty que Di Maria "cavou" no Benfica x Braga, arbitrado por Paulo Baptista em 11 de Janeiro passado.
E também é completamente diferente dos dois penalties de há cinco dias atrás no Sporting x FC Porto, "cavados" por Polga e Postiga, e que permitiram aos "leões" evitar uma derrota em casa com um FC Porto B (se quiser vê-los e/ou revê-los pode fazê-lo aqui).
Quanto a Pedro Proença, que até procurou "gerir o jogo" de forma salomónica repartindo erros para os dois lados, já sabia o que o esperava: quem se mete com o SLB, leva!
Capa do Record de 9 de Fevereiro de 2009
E ao árbitro lisboeta de nada vale ser sócio do SLB, conforme toda a comunicação social amplamente divulgou (alguém viu o cartão dele? de certeza que isso é contra-informação com origem no Pinto da Costa...). Vai para o purgatório dos árbitros, de onde só se sai após "gamar" o FC Porto escandalosamente ou andar com o SLB ao colo em dois ou três jogos.
Felizmente para o Pedro (como carinhosamente lhe chamou o Paulo Paraty no último Domingo Desportivo), que o penalty clarissimo que ficou por assinalar a favor do FC Porto aos 18 minutos, quando Reyes acertou em cheio no pé de apoio de Lucho, passou quase despercebido e não faz parte dos resumos das televisões...
"Reyes pisou e prendeu o pé direito de Lucho, fazendo penálti. O médio portista não foi artista, procurando jogar a bola e não ficar no solo como outro faria. Nas grandes penalidades não há lei da vantagem."
Jorge Coroado, in 'Tribunal de O JOGO'
E pronto, assim continua a ser elaborada a história oficial do futebol português, escrita em tons verdes e vermelhos, da qual fazem parte os erros dos árbitros (apenas os que são a favor do FC Porto) e algumas omissões sem importância...
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
Que falta de jeito!
Que dizer de um jogo em que fizemos um excelente resultado, que começámos bem e dominámos durante cerca de 30 minutos, criando várias oportunidades de golo que nunca o pareceram dada a imperícia e a forma desajeitada como abordámos os lances.
Não houve azar: houve incompetência, porque é quase tudo feito ao sabor do acaso. Não se criam lances, acontecem. Golpes fortuitos, alguns. Em nenhum deles, estivemos perto de assustar o guarda redes. Pelo contrário, um SLB mais de contenção obrigou a Helton a uma defesa bem (mais) apertada a remate de Reyes.
Foi um período que estivemos por cima, com o SLB retraído e que ainda não se tinha apercebido que era uma questão de arrumar um pouco melhor as suas pedras, ter um pouco de paciência que havia de acontecer o que normalmente nos tem sucedido : perder coesão, tratar mal a bola, recuar as linhas e depois vem o lance da praxe do adversário e o inevitável golo. Tem acontecido em quase todos os jogos, mesmo naqueles que temos vencido.
Fomos para o intervalo a perder, talvez injustamente ou talvez não.
Na 2ª parte, foi um festival de asneiras e muita correria. Uma falta de organização que até doeu. Bola recebida, grandes corridas com a bola, ninguém para a receber, e tudo se ia perdendo na defesa do SLB que nem precisou de uma exibição em grande. Fucile, Cissokho, Rodriguez, Kulk, Lisandro e depois Mariano parecia que estavam a tentar bater um qualquer recorde de velocidade, em vez de jogar a bola.
Depois, sem um banco credível – como provou o SCP x FCP - o JF fez uma substituição estranhíssima que foi a substituição de Meireles, e quase no fim Lisandro por Farías. Com efeito, Lisandro esteve irreconhecível e a única coisa de jeito foi cavar a grande penalidade.
Saí desanimado e com os meus índices de confiança no limite mínimo. Não gostei do jogo, não gostei da equipa, que vive das individualidades e joga sem alma, alegria e confiança. Há momentos do jogo que a equipa parece formada por 11 estranhos que se encontraram por acaso no Dragão, com a esperança de resolver positivamente um jogo pela via da sageza individual, se a sorte ajudar. Hoje, ajudou e muito.
Qual a estratégia desta equipa?Quais são os processos?
Para que serviu tanto descanso?
Não me agrada “desancar” no treinador, mas hoje dou-lhe nota negativa, muito baixa, embora quase todos os jogadores me tenham desiludido, porque manifestaram falta de categoria.
Quo Vadis, FCP?
Fotos: Record
FC Porto vs Benfica no site da FIFA
Na passada 5ª feira, o site da FIFA publicou (na área de clássicos do futebol) um artigo sobre a rivalidade entre o FC Porto e o Benfica.É notório que o artigo foi escrito por um benfiquista fanático ("The Lisbon giants have over 160,000 registered paying members, and 14 million worldwide. Moreover, they earned a Guinness World Record in 2006 for being the sport's best-supported club. Ironically, Benfica also enjoy a bigger fan-base in the north than Porto"), mas tem algumas coisas interessantes.
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Portugal's great divide
Like many great rivalries, the animosity between Portugal's two biggest cities, and two most successful football clubs, is rooted in the country's political, cultural and sporting history. In the north, there is Porto; a historically working-class, industrial city with a strong independent spirit. In the south, Lisbon; a wealthy, powerful and glamorous capital.
The Porto-Benfica derby embodies this great divide, with a shift in power having intensified the rivalry: As Águias (The Eagles) are historically Portugal's most successful team, while Os Dragões (The Dragons) have been its most dominant force over the last two decades.
Origins
The first match between Porto and Benfica was a friendly played on 28 April 1912, with the latter running out 8-2 victors. It would be eight years before Porto secured their maiden success in the fixture, 3-2 in a thrilling contest, and almost another nine before they managed to win again.
Benfica won three Portuguese Liga titles apiece in the 1930s and 1940s, and the Latin Cup in 1950, and with this success, their stock began to soar. It was, however, merely a teaser of what was to come. Spearheaded by the legendary Eusebio, they secured an incredible eight league crowns and two European Cups, courtesy of final victories over Real Madrid and Barcelona, in the 1960s. Benfica continued to prosper domestically in the 1970s and 1980s, but despite reaching three finals, were unable to lift another European trophy.
Porto, after almost two decades without winning the league, claimed successive titles in the late 1970s, and kept their momentum going in the 1980s with another four, plus two Portuguese Cups and one European Cup.
But it was in the 1990s that Os Dragões began to monopolise Portuguese football, winning a record five consecutive league titles. Another five have followed already this decade, along with UEFA Cup and UEFA Champions League crowns.
Facts and figures
In the 240 matches played between the two teams, including friendlies, As Águias have shaded their northern rivals with 94 victories to 91. Both teams have performed much better on home soil: 70 of Porto's triumphs were at Estadio do Dragao, while 72 of Benfica's transpired at the Estadio da Luz.Benfica remain Portugal's most successful side overall, with 31 league golds, while Porto are their closest challengers on 23. The sides have won Europe's top club prize twice apiece.
The Lisbon giants have over 160,000 registered paying members, and 14 million worldwide. Moreover, they earned a Guinness World Record in 2006 for being the sport's best-supported club. Ironically, Benfica also enjoy a bigger fan-base in the north than Porto.
Today
Some fans feel the rivalry was personified by former players, Joao Pinto (Benfica) and Paulinho Santos (Porto). Despite being international team-mates, they openly declared an intense dislike for one another. Their feud lasted years and derbies would occasionally result in the pair being sent off for brawling.The intensity of the fixture, however, preceded and superseded the pair's involvement, and the rivalry was recently aggravated by Cristian Rodriguez's move north from the Estadio da Luz. In fact, the Uruguayan became the third Benfica player in recent history to have switched allegiances to Porto.
Both Benfica and Porto have written magnificent chapters in Portuguese football. And having won 23 of the last possible 26 league titles between them, their great rivalry shows no sign of relaxing.
in site da FIFA, 05/02/2009
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Se contarmos apenas os desafios efectuados para o campeonato (de 1934/35 a 2008/09), hoje disputa-se o jogo 150.
Nos 149 jogos anteriores a vantagem é do FC Porto: 57 vitórias, 40 empates e 52 derrotas.
Neste período, a maior vitória do FC Porto em casa (4-0) foi na época 1970/71, no dia 31 de Janeiro de 1971, um célebre jogo em que o portista Lemos marcou os quatro golos (o mesmo Lemos já havia marcado nessa época os dois golos do FC Porto na Luz, num jogo que terminou empatado).O primeiro clássico entre o FC Porto e o SLB para o campeonato disputou-se há 74 anos, num domingo de Fevereiro de 1935, e os dragões venceram por 2-1.
Por curiosidade, diga-se que esse jogo proporcionou uma receita de 65512 escudos.
Fotos: AFP, FIFA.com, Paixão pelo Porto
Duarte Gomes reconhece erro
«O primeiro amarelo que Fucile viu com o Belenenses, que o obrigou depois a forçar o segundo para ser expulso e, com isso, cumprir castigo na Taça da Liga, garantindo a presença no clássico de amanhã, foi mal mostrado. Comprovou-se o erro nas imagens televisivas, mas dessa evidência nasceu um equívoco: a sensação de que o árbitro, Duarte Gomes, só o mostrara depois de indicações sopradas da linha lateral, do assistente ou do quarto árbitro. Desse equívoco - que O JOGO partilhou, em notícia e em comentário - nasceu uma história curiosa. Duarte Gomes tomou a iniciativa de esclarecer o assunto, numa troca de correspondência electrónica, e fê-lo do modo mais directo possível: houve erro, sim senhor, mas foi dele e só dele.
"O cartão amarelo a que se refere na sua publicação foi uma decisão minha, exclusivamente minha. Parece-me justo dizer-lhe que a opinião do meu árbitro assistente (Pedro Garcia) e a do 4.º árbitro, Luís Estrela, era de que aquela não era situação para advertência", escreveu o árbitro, prosseguindo com a explicação: "Lamentavelmente segui a minha intuição, como muitas vezes o faço. Agora sei que me enganei. Revi o lance em televisão e percebi que cometi esse lapso. A situação em concreto, efectivamente, não configura nenhum tipo de comportamento antidesportivo, como erradamente intuí na apreciação in loco do lance."»
in O JOGO, 07/02/2009
Pois, e a minha intuição diz-me que se Duarte Gomes não fosse adepto do slb não teria mostrado o cartão amarelo ao Fucile (por acaso era o quinto...).
Ou seja, não fosse a tão criticada decisão do Fucile em forçar o 2º amarelo e a intuição do senhor Duarte Gomes teria tido como consequência que o melhor lateral do campeonato português (Carlos Azenha dixit) não poderia jogar contra o slb (por acaso, o clube do coração do árbitro de Lisboa...).
Enfim, são intuições...
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