segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Apresentação

Dá-se a coincidência de começar a escrever no Reflexão Portista no dia em que foi anunciada a vitória, pela terceira vez, de uma Bola de Ouro pelo Cristiano Ronaldo.

Foi com emoção que o ouvi falar em português...

Ao ouvi-lo pensei numa das suas características, tão patente em grandes nomes do nosso FCP: o espírito de sacrifício.

A capacidade de trabalhar, lutar e sofrer sempre fez parte das nossas equipas.

Lembro-me de ver o Frasco a ser cosido em campo; o André a jogar lesionado e ligado; o João Pinto a esgotar-se em campo. E tantos outros exemplos...

É preciso transmitir isto a quem cá chega, pois faz parte do código genético do FCP.

Será este, seguramente, um ponto para futuras "reflexões".
Hoje só queria desejar boa noite, agradecer o convite e prometer esforçar-me para procurar estar à altura do nível das reflexões. Sei que será difícil...

Para que me conheçam um pouco melhor:
- sou portista desde que nasci;
- cresci a ir ao Estádio das Antas;
- adorava a emoção da subida da rampa para a arquibancada;
- tenho saudades do cheiro a cerveja misturado com o cheiro a "beatas", no chão;
- ainda hoje digo, no Dragão, "É sientar que já num chobe", pese embora não chova na bancada;
- sendo absolutamente pacífico, recordo com alguma nostalgia a parte da saída do estádio em que, num espaço apertado, adeptos da casa e visitantes se cruzavam, sem qualquer controlo, com toda a tensão que isso representava.
Ser portista ajuda, portanto, a definir-me.


Balanço



Estranha temporada esta, onde tudo parece já decidido, mesmo se ainda nem a meio da mesma chegamos.

O nosso FCP está a crescer, sim. Bem vistas as coisas, aliás, era mesmo isso que precisávamos no início, quando as coisas não corriam tão bem: tempo.
Hoje em dia, quando finalmente "engatamos", o nosso jogo já flui com naturalidade e a promessa de boa qualidade técnica, que todos prevíamos em Agosto, agora sempre aparece.
O que ainda emperra, demasiadas vezes, é o tal "desbloqueador". O jogo de Barcelos é paradigmático: a nossa imensa superioridade poderia não ter sido reflectida no marcador final, caso o Gil Vicente tivesse concretizado uma das 2 ou 3 boas oportunidades de que dispôs nos minutos iniciais.
É precisamente isto que ainda falta resolver: reduzir drasticamente o número de benesses oferecidas a todo e qualquer adversário com quem nos cruzamos.

O slb, apesar de apenas ter deixado cair 5 até ao momento, acabará por perder os tais 7 pontos de que precisamos. O problema é que não perderá muito mais do que esses e, para que a coisa resultasse num "remake" das remontadas de 2011-12 e 2012-13, nós teríamos mesmo que fazer o pleno.
Ora, vendo a quantidade de bolas que Fabiano e os restantes deixam passar, tal não se afigura nada fácil.
Iremos continuar a ver mais goleadas da nossa parte mas o surgimento de mais um jogo semelhante àquele do Estoril, continua a ser uma ameaça que, infelizmente, se mantém bem latente.

É o tal primeiro golo que tudo muda, nesta nossa Liga Portuguesa. O nosso adversário raramente deixa passar muitos minutos para que esse tal momento-chave apareça. E, depois, já se sabe: o "trio" anda também por lá, se necessário for.
Quanto a nós, muito raramente contamos quer com um quer, muito menos, com o outro.

Realisticamente, resta-nos, pois, a Liga dos Campeões.
Mas os tubarões andam fortíssimos e tudo vêm devorando. Certo que este ano, não teremos qualquer desculpa: temos mesmo que passar aos "quartos" sob pena de, nos tempos mais próximos, ninguém nos levar a sério na Europa do futebol.
O nosso grande problema acontecerá, assim o esperamos todos, apenas quando atingirmos os "últimos 8". Aqui, e em primeiro lugar, teremos, a todo o custo, que evitar mais resultados daqueles que se têm tornado norma quando, por exemplo, visitamos terras inglesas. Isto será o mínimo aceitável. Contudo, a crua realidade diz-nos que não valerá a pena sonhar muito mais alto, por aqui também.

Como se constata, tirando um ou outro pormenor, esta presente época de 2014-15, parece estranhamente decidida...

E não tinha que ter sido assim. Ao contrário de 2009-10, este slb de rendimento mínimo, não parece talhado para grandes ameaças hegemónicas. Se vencer, este será um campeonato ganho mais ao estilo do Boavista de Jaime Pacheco ou do scp de Inácio.
O FCP, se mantiver este caminho, poderá muito bem ter encontrado novamente o trilho certo.
O grande segredo será não inverter este rumo, quando este for colocado em questão, se o pior acontecer, lá para Maio.
Manter as coisas como estão, poderá ser o "segredo" para mais rapidamente as coisas voltarem a ser como eram.
Por alguma razão, desta vez ninguém clama por "reforços" de Inverno com urgência. É sinal claro que não há grande coisa a mudar.

Guarda-redes de equipa grande

A seguir ao FC Porto x SL Benfica, jogo em que Fabiano teve responsabilidades directas no 2º golo dos encarnados, escrevi o seguinte:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar. Por aquilo que já mostrou, Andrés Fernandez também não parece ser guarda-redes para uma equipa de top (Lopetegui identificou cedo o problema e, por alguma razão, queria que a SAD tivesse contratado Keylor Navas… antes do Mundial). Se Helton estiver fisicamente recuperado a 100%, não tenho dúvidas que é a melhor solução existente no plantel atual.»


O JOGO, 11-01-2015
No último jogo (FC Porto x CF Belenenses), Fabiano voltou a defender uma bola para a frente e a quase oferecer um golo à equipa adversária (valeu um corte, in extremis, de Maicon).

Mas, para além das limitações técnicas que são conhecidas – dificuldades a jogar com os pés, lentidão e hesitações a sair da baliza – parece-me que Fabiano tem outro problema, que é crítico quando se é guarda-redes de uma equipa grande: “congela” e fica com as suas capacidades diminuídas, quando está muito tempo sem intervir no jogo.

Em muitos jogos do campeonato português, um guarda-redes do FC Porto é quase um espectador. Contudo, tem de ter a capacidade de se manter concentrado e “quente” para, quando for chamado a intervir, não complicar e, pelo contrário, conseguir evitar “golos feitos” na sua baliza.

Neste aspecto (e não só) um Helton a 100% dá (daria) mais garantias do que Fabiano.

Evidentemente, após 10 meses sem jogar, Helton não pode estar a 100%. Contudo, talvez esteja em condições para voltar à baliza do FC Porto num jogo da Taça da Liga, contra uma equipa da II Liga (União da Madeira) que, ainda por cima, vai ser disputado no Estádio do Dragão (na próxima terça-feira).

Será desta, que Lopetegui vai dar uma oportunidade a Helton?

domingo, 11 de janeiro de 2015

Vontade de (não) jogar

Tarjas dos Super Dragões


Lopetegui e as arbitragens (fonte: O JOGO)


FC Porto x Belenenses - Ficha e estatísticas (fonte: O JOGO)

Ao intervalo, o Belenenses tinha feito 4 ataques e 1 remate (não me lembro quando).

E, mesmo a perder por 2-0 desde o início da 2ª Parte, o Belenenses continuou em modo “contenção”, tendo feito o 2º e 3º remates já em período de descontos, quando os jogadores do FC Porto estavam em modo “descompressão”.

É por haver equipas destas (Belenenses) e treinadores destes (Lito Vidigal), que o campeonato português é pouco atrativo e muito pouco vendável.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Entrada de investidores nas SAD

A ausência dos fundos é um problema para os clubes do Sul da Europa

Estamos no advento da entrada dos investidores nas SAD

Se os acionistas não forem capazes de suprir essas necessidades [de financiamento], terão de ser os investidores externos a fazê-lo

teremos de recorrer à entrada de investidores estrangeiros, que só seria evitável se as sociedades [SAD’s] fizessem um programa de ajustamento e viessem para um nível [de financiamento] mais baixo

Se os clubes tiverem de abrir o capital a investidores, eles vão definir as regras do jogo

Por que saiu do F. C. Porto?
Já disse em tempos o que tinha a dizer. Foram divergências de gestão na sociedade que determinaram o meu afastamento da SAD depois de 23 anos


Angelino Ferreira (fonte: JN, 26-12-2014)

Este conjunto de afirmações de Angelino Ferreira foram extraídas de uma entrevista de duas páginas, publicada no JN no dia 26 de Dezembro e, talvez por isso, tenha passado quase despercebida (foi muito pouco comentada).
Mas, penso que são afirmações que justificam alguma reflexão.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Remates por jogo

O jornal O JOGO fez um levantamento dos remates efetuados pela equipa do FC Porto e, dessa análise, constata-se que há uma tendência de aumento do número de remates por jogo.

O JOGO, 05-01-2015

Evidentemente, o jogo contra o Gil Vicente é um caso especial (conforme o SLB demonstrou inúmeras vezes nos últimos anos, jogar largos minutos em superioridade numérica facilita as coisas…), mas nos dois jogos anteriores (Rio Ave e Vitória Setúbal) o FC Porto já tinha superado a “barreira” dos 15 remates por jogo.

O JOGO
No jogo de Barcelos, um dos aspectos que merece particular atenção é o número de remates feitos de fora da área (12 em 29). Aliás, foi de um portentoso remate de Casemiro, a uns 25 metros da baliza, que o FC Porto inaugurou o marcador.

Há indicadores de que este aspecto – remates de fora da área – tem vindo a ser trabalhado e, por exemplo, já tinha sido assim que Herrera desbloqueou o jogo de Borisov.

Voltando a Casemiro, é um facto que o seu processo de adaptação à posição 6 tem tido altos e baixos, mas parece que Lopetegui quer tirar partido da sua potência de remate. Recordo um livre direto no jogo anterior, em Vila do Conde, que o guarda-redes do Rio Ave foi incapaz de segurar e que potenciou uma recarga de Aboubakar que quase dava golo.

Em resumo, tal como Vítor Pereira já tinha demonstrado, um modelo de jogo baseado na posse de bola, não é incompatível com um futebol acutilante, que proporcione muitas situações de remate.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Partilha de risco

O futebol é uma atividade de (elevado) risco, em que o sucesso de um futebolista num clube de topo, como é o caso do FC Porto, depende de variadíssimos factores.
Um desses factores, que é crítico, são as lesões.

Esta época, tivemos três exemplos de jogadores jovens que, à partida, pareciam ter tudo para darem o grande salto nas suas carreiras e, afinal, têm passado o tempo quase todo lesionados ou a recuperar de lesões.

Gonçalo Paciência (fonte: O JOGO, 09-09-2014)

Mikel (fonte: O JOGO, 05-01-2015)

Otávio (fonte: O JOGO, 06-01-2015)

Sou dos que penso que o recurso aos Fundos foi (é) fundamental para a competitividade das equipas portuguesas a nível europeu (o caso do SC Braga é o exemplo mais flagrante).

E uma das razões que me levam a ser favorável ao recurso aos Fundos (mediante regras claras) é precisamente a partilha do risco.

Porque investir, à cabeça, 8, 10 ou 15 milhões de euros no passe de um jogador, além de ser um investimento muito grande para uma SAD de um clube português, tem de ter retorno e não pode ficar demasiado sujeito a fatores imponderáveis, como é o caso das lesões.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Tello e a irritação de Lopetegui

«Coincidência, ou talvez não, foi quando Quaresma saltou para o aquecimento (entraria na segunda parte para o lugar do desinspirado Tello) que a equipa de Julen Lopetegui começou a despertar para o jogo.»
Nuno A. Amaral, JN, 04-01-2015


O JOGO, 04-01-2015
De facto, não havendo lesionados é invulgar Lopetegui colocar um jogador a aquecer ainda antes da meia hora de jogo. Foi um sinal claro de que estava pouco satisfeito com o desempenho da equipa, particularmente em termos ofensivos.

O facto de, ao minuto 35, Casemiro ter inaugurado o marcador à “bomba” e de três minutos depois Jander se ter “auto expulso”, adiou para depois do intervalo a substituição que o treinador do FC Porto tinha na cabeça. Mas bastou mais uma “atrapalhação” de Tello, logo no início da 2ª Parte, para se esgotar a paciência de Lopetegui. Imediatamente chamou Quaresma, o qual entrou ao minuto 51 para o lugar do “trapalhão” e “desinspirado” Tello.

Tello é mais um (bom) produto de La Masia e tem características – velocidade, boa técnica, um arranque espantoso – que podem fazer dele um excelente extremo. Contudo, nestes primeiros cinco meses como jogador do FC Porto, tarda em explodir (como, por exemplo, aconteceu com Brahimi e Óliver) e tem estado aquém daquilo que seria de esperar para um jogador do seu calibre.

O JOGO, 04-01-2015
Contudo, apesar da aparente irritação de Lopetegui com mais uma exibição pouco inspirada de Tello, não me parece que o extremo emprestado pelo FC Barcelona vá perder a titularidade para Quaresma, até porque, a ausência de Brahimi para disputar a CAN, “obriga” o treinador basco a escolher, para o onze inicial, dois dos seguintes jogadores: Tello, Quaresma ou Adrián López.

Um jogador do nível do Brahimi é insubstituível, mas irá caber a estes três extremos/avançados e, particularmente a Tello, tornar a ausência de Brahimi menos penosa.

5 obras de arte em Barcelos

Martins Indi a marcar o 2º golo de calcanhar

54 ataques;
29 remates;
5 golos (na realidade foram 6, mas o sexto foi mal anulado, por pretenso fora-de-jogo de Jackson).

Um domínio avassalador, sensivelmente a partir dos 25 minutos e reforçado a partir dos 38 minutos, quando Jander se “auto-expulsou”.

Mas convém não esquecer os primeiros 20-25 minutos.

"Não entramos bem mas, a partir dos 25/30 minutos, tivemos muitas ocasiões e marcámos um golo nesse período"
Julen Lopetegui

Ao 17º minuto, já o Gil Vicente tinha enviado uma bola à trave e construído mais duas boas oportunidades (ambas na sequência de lances de bola parada) e se tivesse marcado primeiro ninguém teria ficado surpreendido.

Os cinco golos dos dragões foram todos grandes golos, alguns dos quais autênticas obras de arte, mas houve demasiados lapsos defensivos (mesmo depois do FC Porto estar a jogar em superioridade numérica), os quais, noutras circunstâncias e contra adversários mais fortes, poderiam ter tido consequências… pontuais.

sábado, 3 de janeiro de 2015

O mercado dos emprestados

Tiago Rodrigues (ex-Vitória Guimarães), que jogou a primeira parte desta época no FC Porto B, vai ser emprestado ao Nacional da Madeira.
Parece-me bem.

Olhando para outras hipóteses, referidas nos últimos dias…

O JOGO 28-12-2014 e 02-01-2015

Kelvin emprestado a um clube brasileiro.
Parece-me mal. Kelvin precisa de “crescer” como homem, amadurecer como jogador, melhorar a sua cultura táctica e o Brasil não é o melhor sítio para isso. Um clube europeu seria muito melhor.

Diego Reyes e o interesse do Parma.
Parece-me muito bem. Reyes precisa de jogar com regularidade para evoluir (o campeonato italiano é muito exigente do ponto de vista defensivo) e, nesta altura, é o 4º defesa-central do plantel principal. Além disso, se necessário, Lopetegui poderia recorrer a Igor Lichnovsky, jovem internacional chileno que joga na equipa B.

Daniel Opare.
Parece-me bem que o internacional ganês seja emprestado, se possível a um clube que pague o seu ordenado. Para Lopetegui, a alternativa a Danilo é Ricardo Pereira. Ponto final.

O JOGO, 03-01-2015

Ricardo Nunes e o interesse da Académica.
Parece-me bem o empréstimo, se possível a um clube que pague o seu ordenado. Com a recuperação plena do Helton, não faz sentido o plantel principal manter quatro guarda-redes.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

23 mil num treino

23 mil adeptos no primeiro treino de 2015 (fonte: O JOGO)

23 mil adeptos num treino é algo notável, quer seja no Porto, em Lisboa ou noutro local qualquer.

Um clube que atrai mais de 20 mil adeptos a um mero treino tem, seguramente, um grande potencial.

A questão é: como tirar (melhor) partido deste potencial?

Por exemplo, como transpor este entusiasmo, esta paixão, esta adesão, para maiores assistências no Estádio do Dragão?

No início de um novo ano, este é um desafio que a estrutura dirigente do FC Porto tem de ganhar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz 2015!

Votos de um excelente ano para os leitores do RP, e de que 2015 traga aos portistas mais alegrias do que 2014!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Sobrou Casemiro

Do onze base desta época (os 11 jogadores mais utilizados por Lopetegui nos 23 jogos anteriores), sobrou apenas Casemiro como titular em Vila Conde.

Onze inicial do FC Porto em Vila do Conde

Para mim, este é o aspecto mais relevante do Rio Ave x FC Porto de hoje e é ilustrativo do modo como o FC Porto continua a encarar a Taça da Liga.

Em consequência disto, veremos, como diria Jorge Jesus, com que “andamento” os dragões irão chegar ao próximo jogo do Campeonato (em Barcelos), após uma paragem competitiva de 16 dias para grande parte dos habituais titulares.

De resto, Lopetegui voltou a dar uma oportunidade ao seu compatriota Adrián López, mas o “senhor 11 milhões” voltou a desperdiça-la de uma forma estrondosa.

Em sentido oposto, Ricardo Pereira, apesar de ser um extremo e estar num processo de adaptação a lateral-direito, voltou a agarrar a oportunidade e, na minha opinião, foi o melhor jogador do FC Porto.

Ricardo Pereira em acção no Rio Ave x FC Porto

O azar do Ricardo é o lateral-direito do FC Porto se chamar Danilo e ser, nesta altura, um dos 10 melhores laterais-direitos do Mundo.

Dois lamentos finais.

Se não era para ser titular, se não era para jogar, para quê convocar Helton, um jogador com 36 anos, saído de uma lesão grave?

Helton "congelado" no banco de suplentes

Estando Ivo Rodrigues no banco de suplentes, por que razão Lopetegui esgotou as substituições metendo Óliver, para jogar… numa ala?
Ah, já sei, porque, segundo Lopetegui disse na véspera do jogo, a Taça da Liga é uma competição interessante, com uma série de regras que favorece e regula a presença do jogador português jovem…

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Taça da Liga a pensar no Campeonato

«Sobre esta polémica gerada em torno da próxima eliminatória da Taça da Liga, que se disputa no dia 04 de Fevereiro de 2009, os participantes nesta votação consideraram que o FC Porto se deve apresentar ao jogo e deve “poupar todos os habituais titulares”, tendo esta opção reunido 51 votos (40%).
“Assumir a falta de comparência”, foi a segunda opção mais votada com 26% das votações (33 votos). As terceira e quarta opções foram “jogar com a sua melhor equipa” e “poupar apenas os jogadores com mais minutos” que obtiveram respectivamente 22 votos (17%) e 19 votos (15%).»


O JOGO, 27-12-2013
«Sendo uma competição sem história, sem prestigio (bem pelo contrário!), sem proporcionar o apuramento para competições europeias e com prémios monetários baixos (para os padrões do FC Porto), para que serve a Taça da Liga?
(…) a Taça da Liga é uma competição que serve, acima de tudo, para dar minutos aos jogadores menos rodados, testar outros e fazer algumas experiências.
Este ponto de vista é partilhado pelos responsáveis do FC Porto (ou vice-versa, para ser mais correcto), os quais têm seguido esta política desde que a Taça da Liga foi criada. Primeiro com Jesualdo Ferreira, nos últimos três anos, e esta época com André Villas-Boas.»


«(…) a Taça da Liga é a competição dos 3 S - sem história, sem prestigio e sem interesse competitivo. Acresce a isto que o prémio monetário para o vencedor é baixo, sendo inclusivamente um valor menor que o da Taça da Portugal (na época 2008/09, o vencedor da “Taça Lucílio Baptista” recebeu um total de 349 mil euros, o que corresponde a cerca de 0,37% do orçamento que a FCP SAD aprovou para esta época – 94,7 milhões de euros).
Para que serve então a Taça da Liga? Tal como defendi em anos anteriores, na minha perspectiva a Taça da Liga deve ser aproveitada para testar/avaliar jogadores, ensaiar novas soluções sectoriais e dar minutos aos jogadores novos e/ou menos utilizados.»


«(…) para mim a Taça da Liga é uma competição com um reduzidíssimo interesse competitivo e, sendo o FC Porto obrigado a participar e a ter de cumprir com as quotas mínimas em termos de jogadores, estou inteiramente de acordo com as opções que foram seguidas, quer por Jesualdo Ferreira, quer por André Villas-Boas.
A questão que se coloca é a seguinte: Havendo uma competição de regularidade – o Campeonato -, em que jogam todos contra todos a duas voltas; uma competição a eliminar – a Taça Portugal – envolvendo os clubes de todas as divisões; e uma competição entre os vencedores destas duas competições tradicionais – a Supertaça; porquê e para quê a Taça da Liga?
O que é que a Taça da Liga traz de novo, ou de diferente, relativamente às outras três competições nacionais?
Se nem sequer o seu vencedor é apurado para a Liga Europa, para quer serve a Taça da Liga?»


«(…) se em relação à Taça de Portugal compreendo (e na maioria das situações estou de acordo) que os treinadores do FC Porto poupem vários dos habituais titulares, na Taça da Liga ainda mais.
Na realidade, para um clube com o historial do FC Porto, cujas prioridades fundamentais (a nível desportivo e financeiro) são vencer o campeonato e atingir os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, para que serve esta aberração…, perdão, competição?
Para aumentar a notoriedade do clube a nível interno? Não.
Para enriquecer o currículo?
Compreendo que, por razões várias, o slb e a comunicação social que lhe é afeta procurem valorizar esta competição; compreendo que ganhar esta prova seja relevante para os clubes pequenos ou médios do nosso campeonato; mas algum portista, que tenha vivido as vitórias alcançadas nos últimos 30 anos, acha que é uma Taça da Liga que enriquece o currículo do FC Porto?»


Record, 22-03-2009
«(…) a Taça da Liga é, desde a sua criação (época 2007/08), um “nado morto”, sendo uma competição híbrida, sem lógica e sem interesse competitivo, ao ponto de vários jogos, incluindo de “clubes grandes”, não terem transmissão televisiva (foi o caso do Nacional x FC Porto da época passada). Como se isto não bastasse, a prova tem regulamentos pouco claros, que já foram alterados N vezes e, ainda por cima, ficou marcada por escândalos de arbitragem (os sportinguistas, e não só, chamam-lhe Taça Lucílio Baptista).»


O enquadramento e pressupostos competitivos da Taça da Liga não mudaram (deixou é de haver prémios financeiros para os clubes!) e, consequentemente, a minha opinião sobre a tacinha da Liga também não mudou. Penso hoje o mesmo que pensava no tempo em que o treinador do FC Porto era… Jesualdo Ferreira.

Assim sendo, o jogo de amanhã (Rio Ave x FC Porto) seria uma boa oportunidade para, no contexto da equipa principal, dar minutos a jogadores como Helton, Daniel Opare, Diego Reyes, José Campaña, Aboubakar ou… Ivo Rodrigues.

Contudo, há um aspecto que deverá ser ponderado por Lopetegui. Os jogadores estão sem competir desde o dia 19 de Dezembro e, no dia 4 de Janeiro, o FC Porto tem uma deslocação a Barcelos (tradicionalmente difícil) para o Campeonato.

Ora, não convém que uma parte significativa dos jogadores que irão ser titulares no Gil Vicente x FC Porto, cheguem a esse jogo com uma paragem competitiva de 16 dias!

domingo, 28 de dezembro de 2014

23 jogos depois…

Em 17 de Novembro, após os primeiros 17 jogos oficiais desta época, publiquei um texto com o título O “9 base” de Lopetegui.

Algumas das tendências que existiam confirmaram-se e, nesta altura, após 23 jogos oficiais – 14 para o Campeonato (D1), 8 para a Liga dos Campeões (LC) e 1 para a Taça de Portugal (TP) – os números dizem-nos que já se pode falar num onze base de Lopetegui:

Guarda-redes: Fabiano
Quarteto defensivo: Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro
Trio do meio-campo: Casemiro, Herrera, Óliver
Trio de ataque: Brahimi, Jackson, Tello

Números dos primeiros 23 jogos do FC Porto (clique para ampliar)

Estes onze jogadores foram utilizados em, pelo menos, 18 dos 23 jogos oficiais já disputados pelo FC Porto e apenas um deles – Cristian Tello – tem menos de 1000 minutos nas pernas.

O 12º jogador (em termos de minutos de utilização) é Quaresma. Aliás, a diferença entre Tello e Quaresma não é muito significativa, mas o extremo emprestado pelo FC Barcelona leva uma pequena vantagem em termos de minutos, número de jogos e número de vezes em que foram titulares.

Entre os “não-titulares”, os mais utilizados por Lopetegui são Quaresma, Marcano, Rúben Neves, Quintero e Adrián López, todos já utilizados em, pelo menos, 10 jogos.

No pólo oposto, os menos utilizados por Lopetegui são: Diego Reyes, José Campaña, Kelvin, Ricardo Nunes, Helton, Daniel Opare e Otávio (os quatro últimos com zero minutos de utilização).
Perante estes níveis de (não) utilização, penso que ninguém ficaria surpreendido se, destes sete jogadores, dois ou três saíssem por empréstimo no minimercado de Janeiro.

Algumas curiosidades…

A melhor série do FC Porto foram os primeiros cinco jogos – 5 vitórias, 9 golos marcados, 0 golos sofridos – todos disputados em Agosto (numa altura em que até seria de esperar que a equipa não estivesse “bem afinada”).

Esta série foi interrompida em Guimarães (1-1), num jogo marcado por uma arbitragem tenebrosa de um árbitro em final de carreira – Paulo Baptista – em que foi anulado um golo limpo a Brahimi, ficaram por assinalar dois penáltis a favor do FC Porto e, ainda na 1ª parte, deveria ter sido expulso um jogador do Vitória.

À melhor série sucedeu a pior série, com apenas uma vitória nos cinco jogos seguintes (E-V-E-E-E).

Entre as duas derrotas (ambas no Estádio do Dragão, contra os rivais lisboetas da 2ª circular!), os dragões disputaram nove jogos, nos quais cederam apenas dois empates: no Estoril (2-2), em que, mais uma vez, o FC Porto foi prejudicado pela arbitragem e em casa contra o Shakhtar (1-1), em que Lopetegui decidiu poupar oito dos habituais titulares.