sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ego de Lopetegui e a sua saída inevitável

Julen Lopetegui é história.
O cenário era inevitável. Podia ser agora. Ser daqui a um mês. Uma semana. No pior dos cenários, Junho. Foi hoje. Pinto da Costa viu-se só. Tremendamente só. As claques fizeram saber do seu descontentamento á direcção, os restantes administradores da SAD há muito que viraram as costas ao treinador a quem batiam palmas depois da goleada ao Bayern. Lopetegui nunca foi amado no Dragão por ninguém. Os empregados do clube, os dirigentes, as claques. Só Pinto da Costa parecia suportá-lo. Mas Lopetegui sai contra a sua vontade. Em Espanha aqueles que conhecem bem o treinador têm uma versão própria dos acontecimentos dos últimos dias.

Lopetegui queixava-se aos amigos de que se sentia só desde o ano passado. Que ninguém no clube o apoiou na guerra contra Jesus, o Benfica e os escândalos arbitrais. Não entendia essa solidão. Na cultura espanhola os presidentes são os primeiros a dar a cara pelo clube. No Porto descobriu que só a dava ele. O que Lopetegui também não lograva entender era a falta de investimento no plantel. A amigos jornalistas disse, várias vezes, que não entendia como depois de valorizar activos que estavam estacados depois do ano de Fonseca - aos que juntou Tello, Oliver e Casemiro, este último com rentabilidade para a própria SAD - o investimento em suplentes fosse muito distante do esperado. Lopetegui achava, realmente, que o Porto ia gastar o mesmo que tinha gerado, num novo avançado, num novo central e num novo médio centro. Não veio nenhum. Os nomes que ele colocou na mesa eram caros, muito caros. Jogadores que custavam mais de 10 milhões de euros e iam ganhar mais de 3 milhões de euros. Quando a SAD lhe dizia que era uma realidade incomportável para o clube, Lopetegui sempre usava o mesmo argumento "se querem voltar a ser grandes, têm de pensar em grande". Isso de ser campeão europeu com tipos do Leiria, Setúbal, da formação ou do Boavista realmente não ia com ele.
A sua teimosia foi o preço a pagar mas há poucos treinadores mais teimosos do que Lopetegui. Campaña chegou, por exemplo, como consequência na sua teimosia com Sergio Darder que fez o Porto perder a oportunidade de contratar Clasie. Lopetegui era teimoso e mal educado com muitos empregados de largos anos do clube. Era distante e emproado e até hoje sentiu sempre, quando falava com jornalistas espanhóis, que o Porto lhe devia mais a ele que ao contrário. Ele tinha sido o responsável pela humilhação ao Bayern. Ele tinha lutado sozinho contra o sistema na liga. Ele tinha feito do Porto noticia em Espanha. Ele tinha trazido Casillas. O discurso de Lopetegui - que desde cedo criou fracturas na SAD - era sempre o mesmo "eu fiz, eu sei, eu quero". Em algum momento Lopetegui chegou a dizer a um jornalista que ele se sentia treinador campeão e que só os árbitros falsearam essa realidade.


Casillas vai sair em Junho. Foi uma das recorrentes ameaças de Lopetegui e é verdade que o guarda-redes só está no Porto graças á sua intervenção. Casillas, o mesmo que não deu um só ponto ao Porto, em liga e Champions, que fosse diferencial e que é o jogador mais bem pago do plantel. Voltará a Espanha - provavelmente de novo ao Real Madrid - ou irá para os Estados Unidos. Desde sempre Casillas deixou claro á SAD. O projecto dele era o de Lopetegui. Sem um não há outro. Lopetegui usava essa arma quando falava com a SAD. E prometia que depois de Casillas podiam vir mais. O clube tinha era de confiar no seu julgamento e nas suas boas relações com Mendes e internacionais espanhóis. Pinto da Costa acreditou piamente no discurso. Via-se a reunir uma equipa de prestigio no Dragão a lutar de novo por um lugar na Europa. Desde cedo Lopetegui capturou a imaginação do Presidente a ponto de o deixar só, muito só, na estrutura. Nem as ameaças das claques, nem a postura de Antero - a quem Lopetegui dedica insultos quando fala com espanhóis sobre a sua mudança brusca no apoio indiscutível que lhe deu ao principio - pareciam fazê-lo pensar duas vezes. Mas a idade pesa, há eleições ao virar da esquina e o presidente não queria disputar uma luta azeda contra todos. Cedeu. A contra-gosto. Mas cedeu. A sua capacidade de luta é já parte da mitologia.

Agora que a novela do treinador acabou, convém não perder a perspectiva. Há um debate muito importante a ter nas próximas semanas. Lopetegui é o segundo treinador consecutivo apresentado como escolha consensual e de futuro que não cumpre o seu contrato, que é despedido. Em ambos casos a responsabilidade da sua escolha recai na mesma pessoa. Em ambos casos os resultados condenaram um treinador deixado só desde muito cedo ao silêncio ensurdecedor de quem o escolheu mas não quis nem soube apoiar. O treinador é um problema. Mas não é nem o único nem o maior que vive o clube. A mudança contextual de treinador pode variar nos próximos resultados desportivos mas o problema mas sério está na origem de sucessivos erros de gestão nesse e noutros capítulos. Convém não tapar, como alguns pretendem, a sombra com a bananeira do que se passa hoje no Futebol Clube do Porto.
   

O leme está sem homem

23-06-1976: José Maria Pedroto a assinar contrato com o FC Porto

23-04-1982: Jorge Nuno Pinto da Costa a tomar posse como presidente do FC Porto

Pinto da Costa numa AG do clube, insurgindo-se contra a prepotência do poder lisboeta no futebol

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«Chegados aqui é fácil apontar o dedo a Lopetegui e "imolar no altar" da contestação mais um "cordeiro" (treinador).

Mas, como sempre, compete à Administração da FC Porto SAD avaliar e decidir.
Neste caso específico, a responsabilidade é de Pinto da Costa e de Antero Henrique, que terão de decidir se o timoneiro que foram buscar a Espanha, ainda tem condições para recuperar as "velas rasgadas", consertar os "rombos no casco" e levar a ziguezagueante nau dos dragões a bom porto.

Com a certeza, porém, que quanto mais dias passarem, mais Pinto da Costa, Antero Henrique e Julen Lopetegui estarão juntos neste "barco".
Nas vitórias e nas derrotas.

Aconteça o que acontecer, chega de atribuir os louros dos sucessos ao presidente e as culpas das derrotas aos treinadores e jogadores. Até porque, treinadores e jogadores não caem no Estádio do Dragão de pára-quedas...»

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Foi assim que terminei o último artigo que publiquei, após a derrota em Alvalade.
Hoje, após uma exibição que nem quero classificar (sugiro a leitura da crónica do FC Porto-Rio Ave, publicada no Maisfutebol), não tenho mais nada a acrescentar.

Aos portistas que, como eu, sentem que o leme está sem homem, dedico a música seguinte dos Xutos e Pontapés:



quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Filosofia Guardiola para Tótós


Há muitos aprendizes da Filosofia Guardiola (ou da filosofia de jogo do FC Barcelona, para ser mais correcto) por essa Europa do futebol. Os problemas surgem porque as cópias são de má qualidade. Em minha opinião, actualmente os piores intérpretes deste modelo são Julen Lopetegui, treinador do FC Porto e Louis Van Gaal, treinador do Manchester United. Neste último caso não admira que esteja prestes a levar guia de marcha dada a escassa paciência dos ingleses para um futebol pastoso e improdutivo.

O video abaixo contém uma apresentação recente de Thierry Henry, ex-avançado do Arsenal e do Barcelona, sobre a filosofia de jogo de Pep Guardiola. Em traços gerais o modelo resume-se aos 3 P's: Play (joga), Possession (posse de bola), Position (posicionamento). É pedido aos jogadores que joguem e troquem a bola entre si, mantendo a posse, respeitando a sua posição original (nunca cedendo à tentação de ir procurar bola) e confiando que os companheiros de equipa conseguem pôr a bola na posição desejada ("trust your teammate"). Depois, a partir do último terço do terreno de jogo, quando se acercam com perigo da baliza contrária, é dada liberdade ("freedom") aos jogadores para aparecerem na zona de finalização. O resultado final é por demais conhecido: uma equipa inteligente e letal.



Os aprendizes de Guardiola não entendem que este modelo (ou um modelo com princípios de jogo semelhantes) exige que um plantel possua jogadores exímios no jogo interior. O FC Porto de Villas-Boas e Vítor Pereira teve jogadores como um João Moutinho, um Guarín ou um Belluschi que se davam bem jogando "por dentro". O mérito também foi desses treinadores, que conseguiram moldar e adaptar as características dos atletas.

No actual plantel do FC Porto, André André e Danilo têm capacidade para o jogo interior mas aquele que aparentemente seria a melhor opção – Imbula – custou 20 milhões e nem sequer faz parte das convocatórias. E o dado mais importante: Lopetegui implementa um modelo de jogo de forma cega sem se preocupar com a habilidade dos jogadores para o interpretarem e o porem em prática.
   

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Presidir!

Perder em Alvalade não foi surpresa para ninguém. O estádio do Sporting tem sido, neste século, o local preferencial para o Porto tropeçar. Mais do que na Luz – onde um espírito de combate especial pareceu sempre tomar conta dos jogadores até ao ano passado – o terreno leonino converteu-se numa espécie de chão maldito do qual poucos treinadores saíram sem ser vergados por uma derrota. Mas não foi pelo passado pouco alegre que o Porto perdeu, e perdeu bem. A ausência total de surpresa vem da incapacidade da equipa do FC Porto – jogue quem jogue – de se apresentar como tal, uma equipa, trabalhada e mecanizada para impor o seu modelo de jogo. O Porto tem o melhor plantel de Portugal e salvo algumas posições – os centrais e o avançado, as mais evidentes – as melhores individualidades da Liga. Poucos treinadores do FCP tiveram à sua disposição material mais do que suficiente para armar um bom onze com alternativas à altura. É a total falta de fio de jogo, desde Agosto, que mais preocupa. No ano passado o Porto foi na Liga muitas vezes uma equipa sem chama, sem garra, sem um plano B mas o plano principal quase sempre funcionou bem e só quando este emperrou se notou a falta de alternativas de jogo ou de uma mentalidade ganhadora. Para 2015/16 já nem isso se vê. Não há um criativo que pegue no jogo desde o meio (como houve Oliver). Não há um avançado que se associe (e o Porto teve dois anos para preparar o pos-Jackson) com os colegas nem há centrais que saibam sair a jogar (o desesperante pontapé para a frente de Maicon só encontra rival no passe para os laterais de Marcano ou Indi). Os defeitos do ano passado continuam todos lá. As virtudes, nem vê-las.

Criticar não é amar menos. 
Criticar o treinador, o presidente ou os jogadores não é, necessariamente, um exercício negativo. Muito pelo contrario. Quando as evidencias estão aí, à vista de todos, não criticar ou, melhor dito, assobiar para o lado como se nada estivesse a acontecer, é o primeiro passo para cair no precipício. Houve uma grande vontade da SAD em que o projecto Lopetegui funcionasse. Deu-se ao treinador tudo o que ele pediu e raramente se lhe impôs o que a outros. A aposta num treinador sem experiência não era nova (sem experiência e know how do futebol português, sim) mas o sonho de Pinto da Costa de criar um Barcelona na foz do Douro, com um modelo de jogo espanhol, apoiado no 4-3-3 blaugrana, era sedutora para muitos e houve momentos, no ano passado, em que se vislumbrou essa possibilidade. O clube gastou dinheiro em jogadores, aumentou como nunca a folha salarial e segurou o treinador nos piores momentos porque acreditava no futuro da ideia. Era bonito acreditar que algo assim era possível. Se calhar até é. Mas o homem elegido para a levar a cabo definitivamente não cumpre os requisitos mínimos para treinar um plantel e uma instituição que, claramente, o superam.
Lopetegui continua a comportar-se como uma avestruz. A critica não é com ele, ele é o “ungido” e se alguém o questiona é porque está “contra ele”. Podia-se gostar ou não gostar do Lopetegui treinador, o que não se pode obviar é a quantidade incrível de erros de gestão e de trabalho táctico que acumula. Já não vivemos na idade da pedra da informação e qualquer leigo vê um jogo do Porto e percebe o que está mal. Muito provavelmente a imensa maioria dos jogadores que levam meses em sub rendimento, com outro treinador – com ideias que se possam entender, com conceitos claros e com capacidade para adaptar-se ao meio -  pudessem render ao seu verdadeiro nível. 
Há, naturalmente, futebolistas no plantel que estão muitos furos abaixo do nível de exigência do clube mas sempre os houve. O Porto foi campeão europeu com Maciel, Ricardo Fernandes e Ricardo Costa no plantel. Não é isso que está em causa e não é por culpa de Jose Angel, Evandro, Bueno ou Sérgio Oliveira que as coisas estão como estão. O importante é que esses jogadores sejam minorias, sejam úteis em determinados momentos (Fernandes era com as bolas paradas, a velocidade de Maciel foi útil na liga, Costa era um polivalente que cumpria) e façam parte de algo maior, uma equipa. O Porto tem jogadores de grande nível e tem muita classe média (alguma dela claramente sobrevalorizada pelo catálogo Doyen) mas o que não tem é uma equipa.



Digam o que disserem, as equipas são construidas por dois elementos: o treinador e o balneário. 
O primeiro peca por incompetente, o segundo está ausente desde que a SAD achou que mais valia a pena publicitar a política de ciclos curtos do que cultivar o espírito do clube. Sapunaru, que foi precisamente um desses jogadores cumpridores sem nível aparente para ser jogador de um FC Porto, explicou há pouco como se surpreendeu pela negativa quando veio ao Olival de visita e percebeu que nada sobrava dos seus dias em espírito de equipa e força de balneário. Não há equipas que triunfam em campo que não se forjem antes nos vestuários. Essa é uma das mais evidentes regras do futebol e poucas pessoas perceberam isso tão bem como Jorge Nuno Pinto da Costa. O maior presidente da história do futebol português – um homem que será, para o futebol luso, tão relevante como Eusébio, Ronaldo, Figo, Peyroteo, Futre, Pedroto ou Cândido de Oliveira – forjou a sua identidade e a do clube a partir dessa base. Que tenha sido ele a prescindir dela explica quase tudo o que há por saber sobre a derrota de Alvalade onde triunfou um plantel pior, um treinador fraco, um presidente anedoctico mas, acima de tudo, uma equipa superior.

Começa a ser cansativo o chavão “O PdC é que sabe” quando está claro que não é assim, pelo menos não o é há meia década. Isso faz de PdC incompetente? Nem por sombras? Empalidece o seu passado e a dimensão da sua figura? Nem por assombro. O que isso provoca é um dano ao clube que pode vir a ser irreversível porque justifica cada uma das suas ações – boas e más – sem se pensar no impacto que isso possa ter. Desmontar o balneário para apostar-se na política low cost e na potencialização de vendas foi um erro que se está a pagar caro quando não há lideres no balneário capazes de pegar nos colarinhos do plantel e por ordem na casa. Apostar todas as fichas num treinador que pode ser excelente na teoria mas é nefasto na prática também o foi e maior o vai ser ficar com ele até ao fim apenas e só esperando por outro “momento Kelvin” que poupe justificações a dar aos sócios e adeptos. Entregar o clube ao catalogo Doyen, esquecendo as reais necessidades do plantel também foi um erro e hoje, quando sabendo há mais de um ano que não íamos ter nem centrais de jeito nem Jackson, ninguém se incomodou sequer em reforçar essas duas posições chaves, apostando antes em atrair a figura mediática de um Iker Casillas que não tem culpa nenhuma de ser quem é mas que, desportivamente, não trouxe nada que Helton já não desse à equipa.

Pinto da Costa está mandatado pelos sócios para tomar decisões.
Todos sabemos que enquanto se candidate será vencedor porque a imensa maioria dos portistas é grata ou tem medo do incerto futuro de um clube sem ele. O que no entanto começa a ser evidente é a necessidade que Pinto da Costa faça aquilo que não faz há largos anos de cem dias, ou seja, presidir. A ausência de decisões presidenciais, de tomadas de posição claras e evidentes apenas reforça a sensação de vazio de liderança e de desnorte de um clube que se fez grande na Europa precisamente por ter sempre claro o caminho a seguir. Perder em Alvalade não é o fim do mundo e houve seguramente piores treinadores na história do clube do que Lopetegui. Nem uma coisa nem outra é o grande problema a resolver nos próximos episódios porque está em causa algo maior. A necessidade de um reboot à cultura de clube, a necessidade da instituição de ser liderada – de facto – por quem foi eleito para isso com toda a justiça. Está na hora que os adeptos esqueçam os pequenos detalhes que podem ser os tropeções em campo que têm solução (basta reeditar a serie de triunfos lógicos contra rivais inferiores e decidir o titulo no Dragão) e focarem toda a sua atenção em quem tem escolhido os últimos treinadores (com uma total ausência de critério comum). Em quem dinamitou a cultura de balneário que ajudou a criar. Em quem transformou os sócios e adeptos em consumidores mas continuou a alimentar o peso das claques organizadas de forma desproporcionada. Em quem, em suma, desviou o clube do excelente caminho por onde seguia. Porque são eles os únicos responsáveis e os únicos com poder e capacidade para corrigir os seus próprios erros. Ficamos à espera!
 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Espiral de contestação

Estádio do Dragão, insultos e recados na madrugada do dia 03-01-2016

«Cerca de quatro centenas de adeptos receberam a equipa do FC Porto, no Estádio do Dragão, com assobios e insultos, depois da derrota (2-0) de sábado em Alvalade com o Sporting, para o campeonato.
Jogadores e equipa técnica chegaram ao Dragão às 03:00 em ponto e à sua espera tinham um grupo de adeptos descontentes com os últimos resultados e exibições da equipa. As principais palavras de descontentamento foram para o treinador espanhol Julen Lopetegui, a quem exigiram que pedisse a demissão do cargo. Um grupo de adeptos exibiu uma tarja a dizer: "Espanhol pede a demissão". "Vergonha" e "joguem à bola", gritaram os adeptos.

03-01-2016: Insultos e contestação a Lopetegui (fotos: O JOGO)

Na operação policial para evitar confrontos estiveram envolvidos dezenas de agentes, que impediram que os adeptos se aproximassem da zona de entrada da garagem do Estádio, chegando mesmo a cortar o trânsito na rua de acesso.»
in OJOGO.pt, 03-01-2016 | 09:10


A contestação em relação ao treinador tem vindo a aumentar e, nas últimas semanas, atingiu mesmo níveis preocupantes de hostilidade e agressividade verbal (da parte de alguns adeptos portistas). Contudo, porque a memória de alguns parece ser fraca, convém salientar que a contestação ao trabalho de Lopetegui não começou com a derrota em Alvalade e a consequente perda da liderança do campeonato.

Há meses que existe um enorme desagrado pelas más exibições (algumas delas paupérrimas), que este plantel milionário (o mais caro do campeonato português!) tem proporcionado em grande parte dos jogos desta época.

24-11-2015: Vaias e lenços brancos nas bancadas do Dragão, após a derrota (0-2) com o Dínamo Kiev

10-12-2015: Insultos à chegada ao aeroporto do Porto, depois da derrota (0-2) contra o Chelsea
(fotos: JN / Global Imagens)

29-12-2015: Lenços brancos no Estádio do Dragão, após a derrota (1-3) com o Marítimo
(fotos: Global Imagens / Leonel Castro)

E não, não é por falta de “ovos”, que o treinador do FC Porto se está a revelar incapaz de fazer uma boa “omelete”.

Sou o primeiro a reconhecer que o plantel do FC Porto (incluindo alguns dos melhores jogadores da equipa B) tem excesso de jogadores para algumas posições e lacunas de qualidade noutras, mas penso que poucos terão dúvidas que Julen Lopetegui tem à sua disposição o melhor plantel do campeonato português e, por isso, condições (obrigação!) de fazer mais e melhor. A começar pela construção de uma EQUIPA coesa e competente, algo que, seis meses após o início da época 2015/16, ainda não existe.

Perante o que (não) se tem visto a equipa do FC Porto fazer dentro das quatro linhas;
Perante a contestação crescente dos adeptos portistas, durante e após os jogos;
Perante a hostilidade (por vezes a passar dos limites) em relação ao treinador;
Perante os "avisos à navegação" de vários ex-jogadores do FC Porto (Jaime Magalhães, Eduardo Luís, Vítor Baía, Domingos, Secretário, etc.);
O que fazer?

Chegados aqui é fácil apontar o dedo a Lopetegui e "imolar no altar" da contestação mais um "cordeiro" (treinador).

Mas, como sempre, compete à Administração da FC Porto SAD avaliar e decidir.
Neste caso específico, a responsabilidade é de Pinto da Costa e de Antero Henrique, que terão de decidir se o timoneiro que foram buscar a Espanha, ainda tem condições para recuperar as "velas rasgadas", consertar os "rombos no casco" e levar a ziguezagueante nau dos dragões a bom porto.

Pinto da Costa e Antero Henrique no treino do dia seguinte à derrota de Alvalade
(foto: Manuel Araújo)

Com a certeza, porém, que quanto mais dias passarem, mais Pinto da Costa, Antero Henrique e Julen Lopetegui estarão juntos neste "barco".
Nas vitórias e nas derrotas.

Aconteça o que acontecer, chega de atribuir os louros dos sucessos ao presidente e as culpas das derrotas aos treinadores e jogadores. Até porque, treinadores e jogadores não caem no Estádio do Dragão de pára-quedas...

domingo, 3 de janeiro de 2016

Até quando?

Lopetegui no banco de Alvalade (fonte: LUSA)

«(…) vi um conjunto de jogadores à deriva, sem saber o que fazer com a bola nos pés, sem saber para onde ir, sem rumo e sem timoneiro.
E isso, falta de um treinador, é o problema nº 1, nº 2 e nº 3 desta pseudo equipa.

Lopetegui parece completamente perdido e está de cabeça perdida.

Compete à Administração da FC Porto SAD e, particularmente, ao presidente Pinto da Costa, reflectir sobre a situação actual e avaliar se Julen Lopetegui ainda será capaz de levar a nau portista a bom porto.»


Escrevi este texto a seguir a uma vitória. À vitória (por 1-0) do FC Porto frente ao Tondela.
36 dias depois, fora da Liga dos Campeões, eliminados (na prática) da Taça da Liga e na sequência de duas derrotas seguidas – uma em pleno Estádio do Dragão frente ao Marítimo e outra hoje em Alvalade – em ambos os casos com exibições ridículas, o que dizer?

Apontar o dedo aos jogadores?
Lamentar-mo-nos do azar?
Queixar-mo-nos das arbitragens?
Não.

Há 36 dias atrás, o problema principal (não o único) já era mais do que óbvio e, por isso, o título que escolhi para esse artigo foi ‘A bola está nas mãos do Presidente’.

Entretanto...

Alguns dos meus amigos, Portistas indefectíveis, fartos destas exibições miseráveis, deixaram de ver os jogos do FC Porto.

O número de Portistas que vão para o Estádio do Dragão, assobiar e mostrar lenços brancos ao treinador, aumentou.

E hoje, ao meu lado, no café onde assisti ao jogo, ouvi adeptos (sócios?) Portistas a desejarem, em voz alta, que o Sporting marcasse mais golos, de modo a apressar a saída de Lopetegui.

Senhor Presidente, eu sei, todos sabemos, que se a Administração do FC Porto despedir o treinador, isso será o reconhecimento público que o “projeto Lopetegui”, em que a SAD investiu dezenas de milhões de euros, falhou.

Mas, Senhor Presidente, pesando os prós e os contras, vale a pena adiar o inevitável?
Até quando?


P.S. Cada vez é mais difícil encontrar um Portista que elogie a capacidade de Lopetegui. Já entre os adversários, há quem destaque a qualidade do ainda treinador do FC Porto e, por causa dele, até se zangue com os jornalistas...

sábado, 2 de janeiro de 2016

SMS do dia

Lopetegui faz com que Quinito, Fonseca, Fernandez e Del Neri parecerem génios do futebol. É, de longe, o treinador mais incompetente da era PdC. Também é o que mais caprichos recebeu. Alguém deve mesmo gostar dele no Dragão.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Uma forma desastrada de queimar promessas

Lopetegui sabe perfeitamente como funciona o futebol de formação. Sabe, provavelmente, mais do que a maioria. Não só treinou o Castilla - a equipa B do Real Madrid - como teve excelentes resultados nos Europeus sub21 com Espanha (pior no caso dos Mundiais sub20). Quando foi anunciado como treinador do FC Porto uma das grandes expectativas que gerou foi a forma como podia dar impulso à estancada formação do clube que parecia gerar bons jogadores à etapa junior que, por um motivo ou outro, falhavam em dar o salto para a elite.

Passou-se exactamente o contrario. Ruben Neves foi uma excelente surpresa – para todos – mas uma andorinha não fez a Primavera e depois dele…o vazio. Gonçalo teve alguns minutos, quase sempre irrelevantes. Á defesa (Lichnovsky, Rafa e Victor Garcia) e ao meio-campo (Francisco Ramos, Podstwaski, Mikel, entretanto recuperado, ou Ivo Rodrigues) o tratamento foi de ignorância absoluta e André Silva passou por um largo purgatorio que mais teve a ver com questões de contratos do que com temas desportivos. Lopetegui não deu na primeira época o passo esperado e isso foi uma desilusão mas também se pensou, talvez com propriedade, que no seu primeiro ano a treinar um clube a sério, o treinador preferira apostar em jogadores mais curtidos. Deixamos as expectativas para o segundo ano mas uma vez mais, já com meia época decorrida, o cenário é similar. Até agora salvo por André Silva, ninguém da equipa B tinha sido chamado a jogar com os A. Nem sequer a brilhante carreira dos B na II Liga, lideres indiscutiveis e de longe a melhor das formações em prova, parece ser suficiente.

Chega então a Taça da Liga, a oportunidade ideal para começar a introduzir os melhores da B junto com os jogadores da A. Lopetegui realmente premiou dois desses jogadores mas fê-lo num contexto completamente despropositado. Alex Ferguson, que de lançar putos entende alguma coisa, seguramente mais do que Lopetegui, sempre disse que era importante, quando se sobe um jogador dos juniores aos A, garantir que este se integre numa equipa estável e com rotinas. Ele já tem trabalho suficiente para ocupar-se do seu lugar como para ter de se preocupar que os colegas ao lado ou á frente nunca tenham jogado juntos. Ferguson defendia - e colocou isso em prática á medida que lançava os Giggs, Beckhams, Scholes, Nevilles e afins - que os jovens deviam ser lançados um por um junto com o onze mais forte em jogos que a equipa pudesse impor o seu estilo para habituá-lo ao cenário que ia encontrar. Nem lançá-los contra rivais claramente inferiores (que poderia sobrevalorizar essa experiência e dar sensações erradas sobre o seu real valor), nem excessivamente complicados (com a pressão inerente a esse tipo de duelos). E sobretudo nunca num onze sem rotinas onde será impossível avaliar até que ponto trabalhou bem no contexto ideal.
Que fez então Lopetegui?

No primeiro jogo a titular de Victor Garcia e de André Silva este ano, o treinador mudou dez jogadores do onze habitual. Mudou absolutamente tudo. Victor Garcia jogou ao lado de uma dupla de centrais que não é a habitual (ainda que tenha experiência) e com um meio-campo com quem associar-se nas subidas que nunca tinha jogado ao mesmo tempo (o que se notou claramente nos apoios). André Silva não sabia com quem conectar-se porque quem jogava atrás dele e pelos flancos estava a conhecer-se ao mesmo tempo que o onze do Maritimo, na máxima força, trazia a lição bem estudada. O resultado é conhecido de todos mas o mais grave é que não se pode sacar nenhuma conclusão da sua introdução ao futebol sénior do clube. Na evidente ausência de rotinas colectivas, como avaliar a prestação de dois jogadores que foram enfiados num onze inédito e pouco ou nada preparado? Como se pode entender isso como integração na primeira equipa quando o ambiente dentro do relvado era totalmente alheio aos jogadores que já pertencem ao plantel principal, quanto mais a dois miudos que queriam dar o tudo por tudo para impressionar?

Está claro que a gestão de uma selecção - com os seus timings, a necessidade de contar sempre com jogadores diferentes por questões de suspensões e lesões - e a de clubes é muito diferente e que Lopetegui, do segundo, entende muito pouco. A necessidade de um onze estável com três ou quatro variáveis é algo que o treinador do FC Porto ainda não assimilou totalmente desde que chegou ao Dragão. O problema está quando as suas próprias dúvidas lhe obrigam a tomar decisões técnicas que prejudicam o futuro de jogadores que podem dar muito ao clube.
Não teria Victor realizado um jogo melhor (ele quem nem foi dos piores) se tivesse ao lado a serenidade de contar com a defesa e o interior direito que são titulares?
André não saberia melhor entender os movimentos dos extremos e interiores habitualmente rotinados nas transições?
E quando chegue a altura de Rafa, de Ramos e companhia, vai-se repetir a experiência?

Porque se for para replicar o universo Porto B com algumas reservas, de nada vale acumular jogos na primeira equipa a esses jogadores. Serão experiências vazias de sentido. Lançar jovens na primeira equipa devia ser uma missão de qualquer treinador do FC Porto especialmente quando há evidentes sinais de que a qualidade e o carácter estão lá para serem aproveitados. Se para Lopetegui isso significa misturar meia duzia de suplentes habituais, um par de titulares e um par de miudos, então temos um problema porque o que estes vão aprender da experiencia será praticamente nulo. E ficamos todos a perder.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O Respeito

Carlos Pereira é um dos dirigentes mais antigos e rasteiro do futebol português. 
Pertence àquela geração curtida no anti-portismo mais primário e nunca escondeu o desprezo e o desdém pelo clube sempre que teve a oportunidade. Tentou boicotar tudo e qualquer negócio que pudesse envolver jogadores entre o Porto e o Maritimo, desde os dias de Bruno a Pepe passando pelo caso recente do Djalma e do Kléber. Este tipo de dirigentes é comum no futebol português mas não o era no palco do Dragão onde habitualmente as persona non gratas eram tratadas como tal, por respeito ao clube. Na ressaca da derrota previsível com o Maritimo – uma equipa que ganhou um jogo porque foi a única que o levou a sério, ao contrario do discurso triunfalista de Lopetegui sobre a vontade de vencer um torneio que não serve para nada – o mais chocante não foram os assobios, a forma como Lopetegui praticamente queimou dois putos da equipa B. Foi ver Pinto da Costa em amena e simpática cavaqueira com o homem que cuspiu sempre que teve a oportunidade no Futebol Clube do Porto.



Todos sabemos a esta altura do campeonato que Carlos Pereira permanece no cargo de um clube que roça quase sempre lugares europeus graças ás suas boas conexões como o governo regional – que num caso único em Portugal sustentou durante anos a fio desportivamente os seus clubes, uma especie de doping financeiro pago por todos para manter essa sobrerepresentação da ilha na elite – e com os clubes de Lisboa, a quem sempre quis fazer favores. 
Todos sabem onde treinam o Benfica e o Sporting quando vão jogar à Madeira. E todos sabem que é no Seixal onde o Maritimo treina sempre que vem jogar a Lisboa ou Setúbal, com todas as comodidades de um bom amigo. Não é algo que escandalize neste país, não é algo que surpreenda como também não surpreende os laços familiares que Pereira teve com certo presidente da Liga.
Mas é algo que se sabe. E se qualquer um de nós o sabe, nos escritórios do Dragão estão fartos de o saber. Também sabem o hábito que tem Pereira de torpedar contratações do FC Porto – a mais recente, um interesse real em José Sá, internacional sub21, antes da formalização da aposta em Gudiño para o pos Casillas – e de usar as assembleias da Liga para manifestar a sua posição. Há poucos dirigentes em activo em Portugal que mereçam menos um lugar na tribuna do clube. E no entanto ali estava ele, como se fosse um velho amigo, ao mesmo tempo que todos pareciam alheados ao naufrágio (outro) da equipa. 
Nem o caso Danilo se salva nesta equação. Carlos Pereira queria Danilo no Sporting mas o seu problema (e o real motivo porque Danilo é hoje jogador do Porto) é que o passe do futebolista já pertencia ao Portimonense, graças à intervenção de Teodoro Fonseca, um nome com quem o Porto se dá muito bem e que mediou o negócio de Hulk. O Porto nunca teve de negociar absolutamente nada com Pereira e com o emblema madeirense para garantir os serviços do jogador.
Para quem quiser ler mais e refrescar a memória sobre este personagem e o seu ódio ao clube basta reler isto ou isto. 



O que faz então Pereira a ser tratado como um VIP no palco presidencial do Dragão. Não há necessidade de “teatro” como poderia existir se o clube estivesse à procura de liderar a centralização colectiva dos direitos televisivos e fosse necessário um gesto de "realpolitik" como já houve com Pimenta Machado ou Valentim Loureira, personagens de quem, apesar dos problemas, Pinto da Costa era amigo pessoal. Não há no plantel do Maritimo actual nenhum jogador que gere um interesse real e as relações dos insulares com o Benfica continuam de vento em popa. Realmente, o que houve ontem no palco do Dragão foi uma imensa falta de respeito ao clube, a quem nele trabalha e a quem o apoia, tratando com honras um individuo sem nível que se dedicou os últimos vinte anos a insultar o FC Porto e os portistas. Por gestos assim, que já passaram recentemente, nomeadamente no tratamento com a SIC (que com o infame programa Donos da Bola fez audiência pura e simplesmente baseando-se no insulto gratuito ao clube) e com jornais como A Bola ou Record (convidados para as galas do Dragão de Ouro como se nada fosse) – no mais inoportuno dos momentos, com o público virado para o banco com as navalhas afiadas na boca – esta é a pior mensagem possível a enviar aos sócios e simpatizantes do clube. Parece que vale realmente tudo e nem sequer aqueles que fizeram carreira praticamente à custa de tentar denegrir o maior clube português nos últimos quarenta anos de história recebem o tratamento que se merecem.

O FC Porto está acima de todos e isso é cada vez mais evidente. Em particular, o FC Porto está acima de todos os que se esquecem o que é o clube e que ignoram a sua história vá se lá a saber o porquê para dar a mão a quem nos a quer arrancar.  

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Uma equipa desfocada

Lopetegui pensativo durante o FC Porto x Marítimo (fonte: LUSA)

“Pusemos em campo a equipa que achámos que teríamos que colocar nesta competição [Taça da Liga], onde temos a máxima ambição, mas que é destinada a futebolistas que jogam menos e aos que são alternativas da equipa B ”

“Queríamos ter feito uma boa partida e que aqueles que não jogam tanto queriam ter mostrado que estão preparados, mas não aconteceu”

[esta derrota terá impacto no jogo de Alvalade?] “São competições diferentes. A Liga é mais importante e [no sábado] estaremos mais focados”

Estas foram algumas das declarações feitas por Julen Lopetegui no final do FC Porto x Marítimo de hoje.


A Taça da Liga é uma competição sem interesse?
É.

A equipa estava pouco focada neste jogo?
Se estava não devia estar. Os adeptos portistas, principalmente os milhares que se deslocaram ao estádio (31219 espectadores), mereciam que aqueles que hoje estiveram a representar o FC Porto – treinador e jogadores – estivessem focados e totalmente empenhados. Porque são profissionais, porque são pagos principescamente e, acima de tudo, porque têm sempre a obrigação de honrar a camisola do FC Porto.

Adeptos portistas descontentes (fonte: LUSA)

A Taça da Liga é uma competição destinada aos “futebolistas que jogam menos e aos que são alternativas da equipa B”?
De acordo.
Contudo, de certeza que não foi por causa dos jogadores da equipa B – Victor Garcia e André Silva – que a defesa foi um passador, que a equipa sofreu três golos (e poderiam ter sido 4 ou 5) e que o FC Porto foi novamente derrotado no Estádio do Dragão.

Onze inicial do FC Porto

Aliás, na linha do que ouvi Bernardino Barros (*) comentar na Rádio 5, eu quase me atreveria a dizer, que se hoje o FC Porto tivesse alinhado com o onze habitual da equipa B, teria jogado muito melhor e, provavelmente, não teria sido derrotado, em casa, por uma equipa “extraordinária”… do meio da tabela do campeonato português.

A Liga é a competição mais importante e, no sábado, treinador e jogadores vão estar mais focados?
Espero bem que sim e que o FC Porto saia de Alvalade com uma vitória, mas…


(*) Nos comentários que proferiu na Rádio 5, Bernardino Barros (a quem eu envio um abraço, pelo desassombro e coragem das suas declarações) fez questão de dizer que os assobios e lenços não eram para a equipa do FC Porto. Eram para Lopetegui.

P.S. O Maicon e o Marcano não são, nem nunca foram, defesas centrais de top, mas também não são tão maus como pareceram neste e em alguns dos últimos jogos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um negócio fabulástico

Capa do Record de 03-12-2015

400 milhões! Benfica fecha contrato histórico com a venda dos direitos de televisão à NOS até 2026
Capa do jornal Record de 03-12-2015

O maior negócio do futebol português: Benfica na NOS por €400 milhões

Encarnados recebem recorde de 400 milhões pelos jogos em casa

400 milhões de TV: Benfica celebra contrato milionário
Capa do jornal A Bola de 03-12-2015

“O maior negócio do futebol português”
“Histórico”
“Recorde”
“Contrato milionário”
“Um negócio sem precedentes em Portugal”
“águias passam a receber mais do que FC Porto e Sporting juntos”
“A marca Benfica é maior do que o país!”

O país ficou de boca aberta e isto foram algumas das coisas ditas e escritas acerca do excelente negócio (há que o reconhecer) feito entre o SL Benfica e a NOS.
Mas houve mais. Por exemplo, o jornalista António Tadeia (também comentador da RTP), escreveu o seguinte:

«O negócio do Benfica com a Nos, para a venda dos direitos televisivos dos jogos do campeão nacional àquela operadora, por valores que podem chegar aos 400 milhões de euros, veio abalar os panoramas audiovisual e futebolístico portugueses. (…) os 400 milhões que o Benfica pode vir a receber pelos dez anos de direitos televisivos dos seus jogos da Liga em casa representam uma grande vitória da estratégia montada pela direção de Luís Filipe Vieira na questão dos direitos de TV. O Benfica viu de facto mais longe que toda a gente, pois conseguiu valorizar os conteúdos relativamente àquilo que a Sport TV pagava. (…) É evidente que os direitos televisivos do Benfica valem muito mais do que os dos outros clubes (…)»
António Tadeia, 02-12-2015


Conforme se viu, leu e ouviu, apesar dos jogos dos encarnados (no Estádio da Luz) voltarem, já a partir da próxima época, a ser transmitidos pela Sport TV do “arqui-inimigo” Joaquim Oliveira, nem isso foi motivo para arrefecer o entusiasmo dos benfiquistas, jornalistas e comentadores acerca deste extraordinário contrato entre o SL Benfica e a NOS.

Miguel Almeida (NOS) e Luís Filipe Vieira a comemorar o acordo entre as duas Partes

E nem o facto de ser um "casamento" de 10 anos (épocas 2016/17 a 2025/26) foi visto como um problema, bem pelo contrário, como se percebe pela posição de Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, o qual, embora assumindo haver risco em fazer um contrato a dez anos, afirmou o seguinte:
“Se pensarmos um pouco como é que o mercado vai evoluir em termos da concorrência à volta de conteúdos, que é claramente uma das peças chave para conseguirmos ter alcançado o nosso valor, não tenho certezas, olhando bem o que é o mercado das operadoras de telecomunicações, tenho até algumas dúvidas que esta grande concorrência que existe hoje se possa manter em termos futuros. Portanto, havia que aproveitar o momento e foi isso que fizemos.”

Ora, se o contrato entre o SL Benfica e a NOS foi excelente, algo verdadeiramente extraordinário, só possível pela dimensão do clube e potencial da marca Benfica, que dizer do acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, pelo valor global de EUR 457.500.000?

Capa de O JOGO de 27-12-2015

Eu acho que nem há adjetivos. Fabulástico foi aquilo que me ocorreu, quando soube da notícia.

E se houve quem ficasse de boca aberta com os 400 milhões de euros do contrato SLB – NOS, parece que há quem tenha ficado sem fala e a engolir em seco, com os 457,5 milhões do acordo FCP – PT.

Ainda não conhecemos, em detalhe, os pormenores deste acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, mas do que fui lendo (recomendo este artigo no ‘Tribunal do Dragão’) e ouvindo, só vejo aspetos positivos:

Resolução, imediata, da ausência de um patrocinador para a parte frontal das camisolas da Equipa Principal para as próximas sete épocas e meia (receita garantida até ao final da época 2022/2023). E mais, os valores referidos para esta componente do acordo – 5 milhões/época – representam um aumento de 35% em relação ao valor do contrato anterior (3.7 milhões/época).

Resolução da sustentabilidade do Porto Canal, pelo menos durante 12 épocas e meia (até 30 junho de 2028).
Os valores referidos para esta componente do acordo são, também, de 5 milhões/época, mas convém lembrar que os custos de operação do Porto Canal são muito inferiores aos da BTV.

Somando as verbas correspondentes ao…
… Direito de Transmissão do Porto Canal, pelo período de 12 épocas e meia (62,5 milhões de euros)…
… e ao Estatuto de Patrocinador Principal do FC Porto, com o direito de colocar publicidade na parte frontal das camisolas da Equipa Principal de Futebol do FC Porto, pelo período de sete épocas e meia (37,5 milhões de euros)…
… sobram 357,5 milhões de euros para os Direitos de Transmissão Televisiva + Direito de Exploração Comercial de Espaços Publicitários do Estádio do Dragão, por um período de 10 anos, com inicio em 1 de Julho de 2018.

Ou seja, com este acordo, a partir de 1 de Julho de 2018 e durante 10 épocas (2018/19 até 2027/28), as administrações da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, sejam elas quais forem, terão garantidos cerca de 35,7 milhões de euros por época (em média), o que é quase o dobro do contrato atual com a PPTV;
Mais 5 milhões/época correspondentes ao patrocínio da parte frontal das camisolas.

E, já agora, mais o desafogo resultante do project finance do Estádio do Dragão terminar em 2018.

Perante este cenário, não diria cor-de-rosa, mas azul e branco, se os próximos três exercícios (2015/16, 2016/17 e 2017/18) fecharem com contas equilibradas quem, a partir de 1 de Julho de 2018, tiver de gerir (financeiramente) a FC Porto SAD, terá menos dores de cabeça.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O que é um jogador da «formação»?

Fala-se amiúde em jogadores saídos da «Formação» ou «prata da casa». Mas a definição não é tão simples ou consensual como seria de esperar.

Para uns, por essa expressão estão a referir-se a jogadores que tenham passado pelos escalões jovens (i.e. no mínimo, pelos Juniores A). Outros têm uma definição mais generosa e incluem mesmo jogadores contratados já adultos - i.e. com 18 ou mais anos - para a equipa B. Outros ainda têm outros critérios (não necessariamente consistentes).

Pessoalmente vejo a coisa num sentido lato, num contínuo temporal - afinal de contas, mesmo jogadores com 30 anos (nem todos...) continuam a aprender e melhorar - mas reconheço que temos que estabelecer uma «linha» arbitrária para simplificar discussões.

Sendo assim, pessoalmente faço uma distinção entre «Formação» e «prata da casa», com um critério mais apertado para o segundo caso. Para um jogador fazer parte deste grupo, espero que tenha feito pelo menos um par de épocas nos escalões jovens do FCP, i.e. nos Juniores A.

Para ser considerado «formação», aí já uso o critério da UEFA que é a idade-limite de 21 anos (usada para quotas nas inscrições nas competições europeias, e também na % a pagar por direitos de formação aquando de transferências, o vulgo «mecanismo de solidariedade»). Parece-me fazer sentido porque se é verdade que muitos jogadores continuam a aprender bastante por alguns anos depois dos 21 anos, também é verdade que tipicamente essa curva de aprendizagem se torna muito menos inclinada a partir daí (enquanto entre os 18 e os 21 anos - i.e. nos primeiros anos de senior - tipicamente aprendem imenso e às vezes mais do que nos juniores).

Ora sendo assim considero que jogadores como Pepe ou James Rodriguez são em parte fruto da Formação do FCP, mas já não os considero «prata da casa». 

Da mesma forma não posso considerar jogadores como Vieirinha, Cândido Costa ou Rabiola «prata da casa», já que foram contratados para a equipa B adultos, com 18 anos (ou quase), ao contrário do que muitos afirmam. Aliás, nem eles nem sequer jogadores que chegaram ao FCP no último ano de Juniores A (como o Leonardo Ruiz, que joga na equipa B); é subjectivo mas a mim não me parece que uma única época nos escalões jovens seja suficiente para se poder falar em «prata da casa».

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Se fosse eu

Por José Maria Montenegro

Todos passamos por momentos em que pensamos «se fosse eu». Se fosse eu a marcar aquele penalti, se fosse eu o treinador, se fosse eu o presidente.
E nesses momentos em que estamos a divagar no «se fosse eu» normalmente estamos a divergir da solução escolhida por quem está de facto no lugar de decisão.
Eu – não nego – penso imensas vezes na versão «se fosse eu o presidente». Tenho mais momentos de «presidente» do que de «treinador».


As organizações não são todas iguais. Uma empresa é uma coisa, uma fundação de arte é outra, um clube é outra ainda.
Se eu fosse presidente do Porto tenho a certeza que imporia um nível diferente de compromisso com o clube. Defendo há muito tempo que quem está em lugares decisivos e de representação do clube tem de conhecer bem o clube. Não tem necessariamente de sentir o clube (um treinador ou um jogador, enquanto profissionais que são, não têm de ser aficionados do Porto). Mas têm que perceber o clube, conhecer a sua mentalidade, o seu modo natural de lidar com as venturas e desventuras da época. Coisas tão simples como perceber o que preocupa os adeptos, o que pretendem, como sentem as vitórias e as derrotas, como hierarquizam as competições, os adversários e os momentos, como se identificam com os jogadores. No fundo, perceber e conhecer bem de que cepa é feito o clube. Não precisa de ser logo no primeiro minuto, mas qualquer treinador do Porto tem que perceber em pouco tempo o que é o Porto. Se não perceber é porque não serve.


O meu maior problema com o Lopetegui é justamente este. Não percebe o Porto. Não nos percebe. Não percebe os nossos momentos, os nossos adversários. Não reconhece sequer quais os jogadores que são nossos.
Começou por não perceber que não podíamos perder com o Sporting para a taça, ainda no início da época passada (e por isso se pôs em poupanças e experiências). Não percebeu que tínhamos de ganhar na Luz e que é nesses jogos que jogamos a nossa identidade, que nos impomos e que afirmamos a força que intimida os nossos adversários e que nos levou ao sucesso. Não percebeu que falhar depois de os nossos adversários falharem está completamente fora de causa, e por isso não havia poupança nem gestão naquele malogrado jogo contra o Nacional depois da derrota do Benfica em Vila do Conde. Não percebeu que nunca jogamos para empatar nem entramos em campo à confiança, e por isso levamos um balde de água gelada contra o Dínamo de Kiev em casa. Não percebeu que o que nos fez grandes na Europa foi não ter medo e quebrar todas as lógicas em estádios improváveis, mesmo que para tal nos tenhamos de aproveitar de momentos menos bons dos nossos adversários. E por isso perdeu a oportunidade histórica de ganhar em Stamford Bridge. Não percebeu que queremos, gostamos e vibramos com o Rúben Neves a capitão. E por isso anda nesta rebaldaria de capitães diferentes a cada jogo, com o nosso Rúben a passar de capitão a nem sequer subcapitão (em favor de jogadores sem qualquer carisma). Não percebeu que é por esta identidade entre adeptos e certos jogadores que nós gostamos tanto do André André, que alia qualidade à entrega à Porto (ele sabe lá o que isso é). E por isso tanto não o convoca, como o põe no banco em pseudo gestão (que só serve para nos desesperar). Não percebeu que nós queríamos mesmo muito ver o André Silva na equipa principal. Já queremos há imenso tempo. E ontem, com 3-0, queríamos mais ainda. Como preferíamos que o Sérgio Oliveira tivesse mais oportunidades que o Bueno, por exemplo. Não temos nada contra o Bueno. Temos é a favor daqueles que, com um teclado à frente, diriam as mesmas coisas que eu estou aqui a dizer. Porque percebem o clube.

Não podemos ter um treinador que não nos percebe. Que não percebe o clube que representa. Que não percebe quando não podemos mesmo falhar. Que não percebe quando nos deve corresponder.
Eu, se fosse presidente, já tinha despachado há muito tempo o Lopetegui.


PS. No Domingo, quando do banco chamaram o Bueno em lugar do André Silva, eu assobiei. Arrependo-me do impulso. Já não assobiei quando entrou (porque aí tive o discernimento de perceber que seria profundamente injusto para o Bueno, contra quem não tenho nada). Aliás, já agora, acrescento. Quero crer que o Bueno percebeu que os assobios não eram para ele. É que se não percebeu, então está como o mister. Não nos percebe. Mas eu acho que ele percebeu.

Nota: o Reflexão Portista agradece ao José Maria Montenegro a publicação deste artigo.
   

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Curtas impressões natalícias

Trabalho de casa… de Lopetegui, nas bolas paradas ofensivas (1º golo na sequência de um canto; 2º golo na sequência de um livre). Um dos aspectos em que, esta época, a equipa está claramente melhor do que na época passada (claro que ajuda ter o Miguel Layún para marcar cantos e livres laterais).

Melhor… exibição dos dragões nos últimos 10 jogos, mas nada de euforias, ainda longe de deslumbrar.

Extraordinário… golo de Madjer… perdão, do “manco” do Herrera!

Errar… é humano, se for contra o FC Porto.

FC Porto x Académica (Tribunal de O JOGO)

Recado… do presidente do FC Porto para os adeptos do FC Porto. Querem ver o André Silva em ação? Vão ver os jogos ao Estádio de Pedroso…

Excelente… o contributo que o União da Madeira (viva os jogos na Madeira!) deu a este campeonato. Primeiro ao empatar com os encarnados e, cinco dias depois, ao derrotar uns leões “atrofiados”.

O Pai Natal do Sporting

Hilariante… ouvir o treinador e o presidente do clube dos vouchers a queixarem-se das arbitragens. Será que já estarão arrependidos de terem segurado o senhor Nomeações e de, no início desta época, terem mexido os cordelinhos para evitar o sorteio dos árbitros?

Bom… Natal para os portistas (a mim sabe-me sempre melhor comer o bacalhau na liderança do campeonato).