terça-feira, 20 de setembro de 2011

Então até sexta !

Sou um tipo razoável : exijo que o FCP ande próximo da perfeição. Daí, sempre que temos um resultado negativo (às vezes basta não jogar bem) fico pior que estragado e bato a torto e direito, quase sem poupanças.

Depois arrefeço. O FCP tem uma equipa boa, mas jogar a bola e ganhar não é assim tão fácil. Pelo contrário.

E, raramente damos o devido mérito ao labor dos adversários, particularmente quando o resultado não é favorável.

O primeiro a pagar a factura é o treinador. VP não esteve bem, mas quando se acredita no valor dos jogadores tem de se reconhecer que a capacidade de resolver os problemas que o adversário coloca é sobretudo deles. Por muito que se treinem as rotinas, cada jogo traz problemas novos e os jogadores nem sempre, pelas razões mais diversas, conseguem superar.

Se houve erros no escalonamento, os jogadores raramente tiveram engenho e arte para superar os diversos obstáculos que tiveram de enfrentar. Os criativos foram cinzentos, os pensadores pouco lúcidos, os lutadores muito macios e os rompedores pouco acutilantes.
A pressão alta era difícil de funcionar porque o Feirense jogou com as linhas muito recuadas e juntas o que atrapalhava as marcações e colocava muita gente no último terço do campo defendido pelos homens da Vila da Feira. Esse congestionamento, limitava as acções por terra e pelo ar. E quando assim é, não pode haver acomodações e permitir ao adversário ganhar confiança. Tem de se lutar e os jogadores não estiveram para aí virados ou não puderam por
fadiga, física e/ou anímica.

Correu mal, mas como costumam sentenciar os treinadores : nem somos tão bons como disseram que éramos antes de Domingo, nem tão maus como nos pintaram depois do jogo de Aveiro.

O treinador carece da disponibilidade total dos jogadores. A herança é pesada, há muitos galos, muitos interesses, vedetismo e mimo a mais. As estrelas reclamam para si os holofotes. Será que um ex-treinador adjunto, com pouco carisma vai chegar para liderar as “feras” ?

VP merece o benefício da dúvida. É um bom profissional. Kléber também. Não é, nem há outro Falcão. O Kléber é um jogador diferente : no Marítimo não era tão posicional, quem ocupava essa função era Baba. Além disso, é um jogador que não estava habituado a ter de jogar sempre em alto ritmo, a atacar e a pressionar e, sobretudo, a sofrer marcações cerradas, às vezes impiedosas.
Estas equipas como a do Feirense não querem a bola : jogam com linhas cerradas, fecham os espaços, pressionam muito no seu meio campo, e sobra-lhes um ou dois "ciclistas" para levar a bola à área adversária. Tentam ganhar fazendo o outro correr riscos e todas as despesas do jogo.
Ocasionalmente, fazem-no bem e até com alguma elegância. Aconteceu no Domingo, também por nossa culpa, pois agimos mal e reagimos de forma insuficiente.

É muito importante a próxima jornada e pode marcar a época e o treinador. Esperemos que faça e que a pontuação seja positiva.

A minha equipa para o jogo com o SLB : Helton, Sapu (se estiver em boas condições físicas), Rolando, Otamendi e Álvaro (se estiver em boas condições físicas); Fernando, Moutinho e Guarin; Hulk, Kléber (se estiver em boas condições físicas) e Varela.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

E agora?


Quando deixou Walter de fora da lista para a Champions, Vítor Pereira não mediu a real extensão do sarilho em que se estava a meter.

A partir desse momento, com essa bizarra decisão, o nosso treinador passou a correr o sério risco de ser colocado em cheque - à vista de todos - no dia em que Walter começasse a facturar mais que Kléber na liga.

Assim, mesmo que inconscientemente, Vítor Pereira acrescentou uma condição-base a todas as tácticas, planos AAs e planos BBs que engendrou: que Walter nunca entrasse neles.
Trata-se de uma forma de autodefesa, no fundo.

É a luz desta evidência que o jogo de Aveiro deve ser lido.

Assim sendo, nem vale a pena entrar na análise individual a cada uma das estapafúrdicas substituições operadas na segunda-parte.
Foram invenções, puras e simples, de alguém meio-perdido naquele banco de suplentes.

Com tantos médios em campo, em simultâneo, ninguém estaria seguro do papel que lhe era destinado. Foi mesmo "tudo ao molhe" e fé num eventual ressalto.

Pior ainda: com tantas viagens, selecções, invenções, poupanças e meias-poupanças (ainda haverá alguém que pense que se pode poupar o Hulk?), já ninguém sabe ao certo qual o nosso "11"-tipo.
E isto à 5ª jornada...

Eis algumas das (muitas) perguntas, ainda sem resposta:

- Afinal quem são os "centrais" titulares?
- Quem é o lateral-direito titular? Sapunaru (o homem que, no um-para-um, vira as costas ao seu oponente) ou Fucile (o homem a quem não deixam fazer 2 jogos seguidos na sua posição original)?
- Afinal, na maior parte das vezes, é para jogar com "trinco" ou sem "trinco"?
- Se é para jogar com um, quem será ele? Fernando ou Souza? Ou é para ir trocando?
- Quem é o médio mais avançado em campo? Belluschi? Guarín ou Defour (!)?
- No tridente da frente, quanto tempo durará Kléber?
- Quando este sair, ficará Hulk como ponta-de-lança? Se sim, as coisas andarão mal...

E mais umas questões, não tão importantes:

- C.Rodriguez é um eterno semi-dispensado ou alguém para contar mesmo "a sério"? No segundo caso, convém que lhe arranjem um plano de preparação física individual. De uma vez por todas.
- Quando é que Varela voltará a fazer 2 bons jogos seguidos? Qual é exactamente o seu problema?
- E, por último, andará alguém com medo que Iturbe - outro dispensado dos jogos europeus - baralhe estas contas todas?

domingo, 18 de setembro de 2011

Pontos ao lixo!!!


Há muitas maneiras de se perder pontos. Por azar, por aselhice, por falta de qualidade, pelo árbitro. O FC Porto fê-lo de maneira diferente esta noite, deitou-os ao lixo! Começou a fazê-lo ainda antes de começar o jogo, e, mais tarde, ao longo do mesmo, num comportamento relaxado que se alastrou a partir do escalonamento inicial de Vítor Pereira, até à equipa em campo. Um empate “moralizador” que vem mesmo a calhar em vésperas de um clássico, com o bónus final de James Rodriguez ficar arredado do mesmo. Nem um amador faria melhor…

Com efeito o onze inicial do nosso treinador revelava algum despeito pelo adversário que iria ter pela frente, bem como para a competição em disputa que, para os mais distraídos se lembra ser o objectivo primordial da época. Uma atitude passiva que rapidamente se estendeu aos jogadores que alinharam, perfeitamente imbuídos no espírito do seu tutor. Não foi de admirar o enfado dos primeiros 45 minutos. A fraquíssima qualidade de jogo, de organização, concentração e predisposição mental para a competição veio ao de cima, tornando o conjunto da vila da Feira num Golias de ocasião.

Sem haver que contar da 1ª parte, resta a emoção que o 2º tempo trouxe. Agitação essa oriunda de um abrir de hostilidades tímido da equipa azul e branca, que se expôs ao ponto de ridicularização máxima num par de ocasiões por manifesta má organização. Varela rendeu um inútil Kléber ao intervalo na tentativa de recriar um carrossel junto à baliza de Paulo Lopes. O melhor que se conseguiu muita ânsia e pouco discernimento.



Duas bolas ferro ainda causaram esperança de algum bafejar fortuito do golo. Não mais do que isso. O caudal ofensivo estava inquinado por não existir uma referência na área, pelos jogadores revelarem desorientação nos caminhos que percorrer, em suma, por um plano de jogo que já estava morto antes de o ser.

Como uma tragédia nunca vem só, no desenrolar sôfrego do encontro portista, o nervosismo apoderou-se dos jogadores. James Rodriguez, já à beira do fim da partida, reagiu a quente e sem pensar a uma falta de Rabiola e retirou o tapete a si próprio do importante jogo da próxima Sexta-Feira no Dragão. Pôs-se a jeito e foi punido. Tal como Vítor Pereira, equipa técnica e demais jogadores. E assim foram 2 pontos ao lixo!

Fotos gamadas, naturalmente…

O novo porta-voz

Pelos vistos temos um novo porta-voz.

Ontem n'O Jogo sobre o Hulk:
"Ele teve até de se virar e colocar o pé ao alto no travesseiro para aliviar. Estava muito mal e quase não dormiu, tantas eram as dores", contou-nos Teodoro Fonseca, empresário do jogador. 

Hoje no Maisfutebol sobre o Walter:
O drama familiar mitigou a ascensão de Walter na hierarquia portista. Ao longo de vários meses, o avançado teve de gerir a preocupação com a frágil saúde da filha e a exigência profissional imposta pelo F.C. Porto. Como consequência, «perdeu espaço e agora tem de o reconquistar». É o próprio empresário do brasileiro, Teodoro Fonseca, quem o diz ao Maisfutebol.

Arre!

sábado, 17 de setembro de 2011

Risco máximo em Aveiro

Amanhã o FC Porto vai disputar um jogo para campeonato sem contar com os três jogadores mais influentes, em termos ofensivos, da época passada: Hulk, Falcao e Alvaro Pereira.

O desafio vai ser em campo neutro (Estádio Municipal de Aveiro) e, em vésperas da recepção ao slb, será um teste importante para a equipa, principalmente para o trio de ataque que for chamado (previsivelmente James, Kléber e Varela).

Ao deixar Hulk e Alvaro Pereira fora da lista de convocados, numa altura em que Kléber ainda está a "crescer" e Varela a atravessar um mau momento, Vítor Pereira está a "esticar a corda" e a mostrar que não tem medo de arriscar. Espero que não se arrependa.

"Mais que um clube, era uma família"

Extractos de uma entrevista recente de Józef Mlynarczyk ao jornal i:

«(...) o FC Porto era mais que um clube, era uma família. Muito unida. Nunca senti nada assim. Era um clube com jogadores tão próximos uns dos outros. Até arrepia, só de pensar. Mérito para o presidente Pinto da Costa. Nos treinos, todos se portavam bem mas bastava chegar ao balneário para começar a brincadeira. Aí, eu entendia a mística e a verdadeira amizade entre nós. E quem te diz isso sou eu, que nunca cheguei a falar muito bem português. Portanto, às vezes, nem entendia as piadas em português mas estávamos sempre a rir. E já se sabe que a alegria contagia.»

«(...) nunca senti tanto frio como nesse jogo [Taça Intercontinental] e olha que eu joguei anos e anos na Polónia, com neve e gelo. Mas nesse dia em Tóquio o tempo estava insuportavelmente frio. Cada vez que ia ao chão para agarrar uma bola, a relva molhada e gelada, juntamente com flocos de neve, entranhava-se no meu corpo, não sei muito bem como. E era cá um incómodo.»

«No FCP, não há um só momento inesquecível. Há vários. Foi muita coisa junta. Depois da Taça Internacional, ainda ganhámos a Supertaça Europeia. E ao Ajax, que tinha mais nome que nós. Esse Ajax era treinado por Cruijff e o adjunto era um tal Van Gaal. Ganhámos 1-0 em Amesterdão naquele que terá sido uma das melhores exibições do Rui Barros. Ele correu mais que todos os outros 21 jogadores em campo. Correu, correu e marcou-nos o golo da vitória.»

«(...) Aproveito para mandar um grande abraço ao Pinto da Costa. Foi ele que tornou estas memórias possíveis. E um abraço a todos os jogadores do FC Porto. E a todos os adeptos. E a todos aqueles que conheci na minha passagem por aí. A todos aqueles que me deram força quando me lesionei [facto aproveitado para se dar a passagem de testemunho para Vítor Baía]. E, é o último agradecimento, prometo, a todos aqueles que me mostraram o bem que se come e vive em Portugal. É um país magnífico. Parabéns.»


Lembro-me da serenidade que o Mly transmitia à equipa, o que contrastava com um certo nervosismo que prespassava quando o guarda-redes era o malogrado Zé Beto.

Lembro-me, também, da forma como este guarda-redes polaco fazia lançamentos longos com a mão, colocando a bola nos pés de jogadores portistas à entrada do meio-campo adversário.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Parece parvo mas não é


António Varela, jornalista do Record há 22 anos, apresenta-se como alentejano, de Estremoz, dizendo que faz tudo para que não o levem por parvo, mesmo quando parece estar a dormir.

Esta semana, há falta de melhor tema, lembrou-se de escrever o seguinte no seu blogue:
«Luz 63.822 - Dragão 36.612
Às 19.00 de 4.ª feira era de poucas centenas, mas 45 minutos depois a assistência do Benfica-Manchester United ascendia a 63.822 almas. No dia anterior, o Dragão meteu 36.612 para o FC Porto-Shakhtar.
O nome dos adversários explicará tudo? Os benfiquistas vivem uma grande esperança? Os portistas só escolhem os melhores menus entre tanta oferta?
»

A resposta é fácil de obter. Bastava que o alentejano António tivesse feito o trabalho de casa e teria constatado que nas duas últimas deslocações do Manchester United ao Porto (25 de Fevereiro de 2004 e 15 de Abril de 2009), a lotação do Estádio do Dragão esgotou!

Mas, claro, é melhor fazer de conta e escrever um artigo com um título provocador e cuja mensagem implícita é óbvia.

Numa coisa tenho de dar razão ao Varela de Estremoz: não o levem por parvo, mesmo quando parece estar a dormir...

P.S. Ao contrário do que aconteceu no recente jogo da Luz, em que ficaram de fora 6 ou 7 dos habituais titulares dos red devils, nos dois jogos efectuados no Estádio do Dragão o Manchester United alinhou com os seus melhores jogadores. Terá sido por Alex Ferguson recear/respeitar mais o FC Porto do que o slb? Ora cá está um assunto interessante para os tipos do Record meditarem... quando não estiverem a dormir!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Espero não estragar tudo !!!!

Chegado de férias, li no CM que “…Álvaro Pereira, Fernando e Guarín não deixaram o FC Porto, apesar de serem jogadores apetecidos no mercado e são agora dores de cabeças para o técnico Vítor Pereira, alvo de contestação de alguns dos jogadores insatisfeitos….”

Por acaso, esbarrei com um artigo da Bola, em que Vítor Pereira a propósito do jogo da CL, e respondendo a uma pergunta sobre James, terá declarado que : “Tem um talento muito grande e vai ser um futebolista de nível mundial, mas ainda é um menino que está a crescer. Temos muitos jogadores talentosos e quero orientá-los sem muitas amarras tácticas, para que possam desenvolver para um patamar superior. Espero é não estragar tudo aquilo que tenho em mãos.”

Ao que consta, Vítor Pereira é mais exigente e menos porreiro que AVB. Este tipo de liderança mais rigorosa parece (?) ter alguns detractores, no balneário. Esta última frase da resposta de VP tem algo de enigmático. Deveria ter sido mais preciso, evitando frases dúbias.

O FCP vai indo bem. Em alguns aspectos até melhor que na época passada. Espero que o os jogadores, especialmente os menos satisfeitos, se mantenham calmos, atentos e profissionais . Ao Vítor Pereira que continue como até aqui. No geral tem cumprido , acima das expectativas.

Os media de Lisboa, sabemos quem servem. Eu confio no treinador. Só lhe peço que seja muito prudente nas relações com a Comunicação Social e mais assertivo nas declarações que faz.

Libertar a criatividade, num desporto colectivo, tem de ser afim com essa condição . A iniciativa e o risco exigem compensações para a equipa se manter equilibrada, o que reclama uma grande entreajuda e um elevado espírito solidário entre os atletas. E tudo isso se treina, incluindo o reforço do companheirismo. E o VP sabe-o com toda a certeza.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Três

Três bolas enviadas à trave da baliza adversária (Souza, Rolando, Kléber) no FC Porto x Vitória Setúbal.

Três bolas enviadas aos postes da baliza adversária (Hulk, Hulk, James) no FC Porto x Shakhtar.

Três golos marcados em cada um dos últimos dois jogos do FC Porto (3-0 e 2-1).

Três golos marcados por Kléber em jogos oficiais (2 no campeonato e 1 na Liga dos Campeões) com a camisola do FC Porto.

Três pontos conquistados pelo FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Três penalties assinalados por Duarte Gomes, a favor do clube de que é adepto, entre os 33 e os 45 minutos do slb x Vitória de Guimarães.

Três jogos em que o slb foi beneficiado por erros de arbitragem (Gil Vicente x slb, slb x Feirense, slb x Guimarães) dos quatro até agora disputados para o campeonato.

Três pontos a mais do slb no campeonato devido a erros de arbitragem (opinião manifestada por Rui Santos no programa ‘Tempo Extra’ do passado domingo).

Acabou bem...


Claro que, no final, o que conta mesmo são as vitórias. Porém, o que teria sido deste jogo sem aquela expulsão (tão justa quanto desnecessária), ainda no primeiro tempo?

Sim, o golo mais importante (o primeiro) foi alcançado ainda com os ucranianos na sua máxima força e foi mesmo um golaço que fez esquecer o penalty falhado. Também o próprio Helton alcançaria meia-redenção com uma importante defesa, ainda na primeira metade.

Após estes acontecimentos, uns longos 45 minutos se seguiriam sem grandes oportunidades ou interesse.
Com mais um, o FCP alcançou bem cedo o que pretendia e o Shakhtar, tolhido, só arriscou subir umas duas ou três vezes.

Numa delas, Fucile salvou a pátria com um pequeno desvio que se revelou fundamental para impedir uma grande oportunidade ao adversário.

Quando ficou com menos 2 homens, o Shakhtar renunciou por completo ao ataque e o FCP ficou numa situação estranha: dividido entre tentar entrar na área adversária e correr o risco de perder a bola ou, sem qualquer oposição, trocá-la no meio-campo por minutos a fio.

Dada a total falta de inspiração de homens com Moutinho, Djalma ou Varela, acabou por se optar pela segunda hipótese. A mais segura.

Temos dois grandes jogadores, Hulk e James, e isso já não é nada mau.
Urge, porém, o regresso de um Guarín como o da época passada, pois falta ali "qualquer coisa".



O "11" de ontem e aquele banco poderão se revelar "curtos" a médio-prazo.

Fotos: Maisfutebol

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Que seria da 2ª feira sem o Dr. Eduardo Barroso!!!???


A segunda-feira é um dia particularmente penoso da semana para muita gente. Mas, de há uns tempos para cá, existe um bálsamo para esse nefasto dia: as lamúrias do conceituado cirurgião lisboeta Dr. Eduardo Barroso, distinto calimero da nossa praça ("but it's an injustice, it is!").


Quero crer que ele é muito melhor cirurgião que "comentadeiro" de casos futebolísticos. E ao dedicar-lhe estas linhas, até lhe rendo uma homenagem: nem sequer o comparo com o pseudo-intelectual da bola e palavroso edil de Sintra que o acompanha na noite supostamente futebolística da TVI24.


Longa vida e muita saúde, Dr. Barroso! O que a gente precisa para "desopilar" é ouvi-lo à segunda à noite! Eu ainda sou do tempo em que também nós, adeptos do F.C. Porto, atribuíamos exclusivamente a causa dos nossos desaires a tenebrosas conspirações e injustiças. Até que percebemos que tinhamos era de jogar à bola e ser organizados. Mas deixe-me que lhe diga, meu caro Dr. Barroso, que nunca vos vi lamuriar tanto durante a longa noite benfiquista - talvez por raparem os restos do tacho de quatro em quatro anos...

A melhor equipa brasileira


No outro dia, ouvi um comentador dizer que o FC Shakhtar Donetsk era a melhor equipa brasileira da actualidade. Esta afirmação talvez seja exagerada, mas tinha nos seus fundamentos três realidades:

i) os nove brasileiros que fazem parte do plantel do Shakhtar: Fernandinho, Jadson, Luiz Adriano, William, Eduardo (naturalizado croata), Douglas Costa, Alex Teixeira, Dentinho e Alan Patrick;

ii) a qualidade do futebol praticado pelo bi-campeão ucraniano;

iii) o desempenho desta equipa nas competições europeias, em que se destaca a vitória na última edição da Taça UEFA (2009) e a caminhada até aos quartos-de-final da Liga dos Campeões na época passada (onde tiveram o azar de ter de enfrentar os futuros vencedores da competição - FC Barcelona).

O Shakhtar Donetsk não tem o nome de outros clubes que estão na Liga dos Campeões, mas não deve ser por acaso que, actualmente, ocupa o 11º lugar do ranking da UEFA, à frente de clubes como o Villarreal, AC Milan, Marselha, Valência, etc.

Um outro aspecto a salientar é a estabilidade do plantel e, principalmente, o facto de Mircea Lucescu ser o treinador desde 2004.

Seja como for, sendo o jogo disputado no Estádio do Dragão, penso que o FC Porto parte com uma percentagem maior de favoritismo, isto apesar de Kléber estar ainda longe de assegurar um rendimento semelhante ao de Radamel Falcao e de, neste jogo, Sapunaru, Rolando e Guarín não poderem ser opções (os dois últimos irão cumprir um jogo de castigo devido às expulsões na Supertaça Europeia).

Espero que os adeptos do FC Porto compareçam em massa, mas com a paciência e disposição necessária para ajudar a equipa a chegar à vitória.





P.S.1 Atenção a Jadson, que é a estrela da equipa ucraniana e já marcou 16 golos nas competições europeias.

P.S.2 O presidente do Shakhtar, Rinat Akhmetov, tem uma fortuna avaliada (pela revista Forbes) em 16 mil milhões de dólares!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ao serviço de quem?


Em finais de Julho passado, dezenas de atletas do FC Porto (e os seus encarregados de educação) foram surpreendidas com a informação de que o clube tinha decidido extinguir o basquetebol feminino, o que abrangeu todos os escalões de formação (minis, Sub-14, Sub-16 e Sub-19).

A explicação apresentada aos treinadores e seccionistas, os quais também foram apanhados de surpresa com esta decisão, foi de que o FC Porto tinha necessidade de reduzir custos e que, além disso, o clube não tinha possibilidade de criar uma equipa sénior feminina que competisse a alto nível.

Relativamente aos custos, importa salientar o seguinte:
i) O custo anual de inscrição e o seguro das atletas era pago pelo pais (encarregados de educação);
ii) Os pais pagavam uma mensalidade de 25 euros, o que perfazia 250 euros por ano;
iii) Os exames médicos feitos pelas atletas eram pagos pelos pais;
iv) Todas as deslocações das atletas, para torneios ou jogos oficiais, em representação do FC Porto, eram asseguradas pelos pais;
v) A lavagem dos equipamentos usados nos jogos era paga pelos pais.

Apesar do que os pais pagavam, não sei se ainda assim o clube tinha prejuízo com os escalões de formação do basquetebol feminino mas, por exemplo, presumo que os encargos com instalações fossem pouco significativos, visto que quer os treinos, quer os jogos em casa eram realizados em pavilhões de escolas do Porto (exemplos: Escola EB 2/3 Nicolau Nasoni e ES/3 António Nobre), rentabilizando estas instalações em horários em que as mesmas se encontravam livres.

Escusado será dizer que a decisão do FC Porto, agravada pela forma e timing em que a mesma foi comunicada às atletas, causou uma grande tristeza e até revolta em jovens desportistas que, antes de envergarem com orgulho a camisola azul-e-branca, já eram adeptas e sócias do FC Porto. E nem sequer houve dialogo, ou foi apresentado aos pais das atletas cenários alternativos (por exemplo, um aumento da mensalidade de 25 para 30 euros), que permitissem manter os escalões de formação do basquetebol feminino.

Esta decisão é ainda mais surpreendente, por ter sido tomada pouco tempo após um aumento de quotas dos sócios do clube. Mas enfim, numa altura em que a FC Porto Futebol SAD investe dezenas de milhões de euros em contratações, batendo recordes sucessivos nos seus orçamentos anuais, espero que os tostões que o clube irá poupar com esta medida sejam bem aplicadinhos…

Uma coisa é certa, sendo o FC Porto uma instituição de utilidade pública, há muito que a frase que encimava a antiga portaria do estádio das Antas – AO SERVIÇO DA JUVENTUDE E DO DESPORTO – deixou de fazer qualquer sentido.

(Semanário Grande Porto, 26/08/2011)


P.S.1 Cerca de 50 das jovens que defendiam as cores do nosso clube em diferentes escalões – Sub-19 Juniores, Sub-16 Cadetes e Sub-14 Iniciadas – vão passar a envergar a camisola do Maia Basket Clube que, em tempo recorde, as acolheu de braços abertos. A maior parte das restantes também irão continuar a praticar a modalidade, em clubes como o GDB Leça, SC Coimbrões, Académico e outros “clubes pequenos”, mas que dão lições aos “clubes grandes” na forma como encaram a formação de jovens e a prática desportiva.

P.S.2 Ironicamente, esta decisão economicista radical ocorre um ano depois de Júlio Matos ter passado a integrar os corpos sociais do clube, sucedendo ao economista Fernando Gomes como vice-presidente para o basquetebol.

3 penalties em 12 minutos


Perante as evidências que resultam do visionamento das imagens televisivas, reconheço que houve um claro erro de arbitragem. (…) Esta decisão [que levou à marcação de uma grande penalidade a favor do slb], pelo momento do jogo em que aconteceu e pelas características da competição, teve consequências que fazem com que pese ainda mais sobre a equipa de arbitragem”.
Duarte Gomes, 27/09/2007


Estas declarações do árbitro lisboeta, confesso adepto do slb, foram feitas a propósito de um penalty inexistente, assinalado aos 90 minutos de um jogo disputado em Setembro de 2007 entre o Estrela Amadora e os encarnados e que salvou o slb de uma derrota que parecia tão inevitável como justa.

Quatro anos depois, vale a pena recordar estas declarações, para que se veja que não é a primeira vez que, em jogos do slb, Duarte Gomes confunde cabeças com braços. De facto, o penalty mentiroso assinalado na Reboleira (por pretensa mão de Wagnão, quando na realidade cortou a bola com a cabeça), foi muito parecido com o 2º e 3º penalties assinalados anteontem por Duarte Gomes neste slb x Vitória Guimarães.
2º penalty: as imagens captadas pela câmara atrás da baliza mostram que El Adoua não jogou a bola com o braço e que a bola só lhe bate no abdómen;
3º penalty: as imagens mostram, de forma inequívoca, que a bola bateu na cabeça de N'Diaye e não no braço.

Atendendo ao passado deste árbitro, penso que ninguém terá ficado verdadeiramente surpreendido com mais este show de Duarte Gomes. O homem foi escolhido para ir ao estádio da Luz cumprir uma missão e fê-lo exemplarmente. A única coisa que me surpreendeu foi a forma pouco inteligente, eu diria mesmo descuidada, como desempenhou o seu papel. De facto, assinalar três penalties em apenas 12 minutos , em que ainda por cima dois são claramente inexistentes, é algo que dá muito nas vistas, ficará por muito tempo na memória dos adeptos e não ajuda ao discurso anti-“Sistema”.


P.S.1 “O FC Porto ganhou [ao Vitória Guimarães, na 1ª jornada] com um golo muito duvidoso, na sequência de uma grande penalidade que, para mim, não existiu”, Jorge Jesus, 19/08/2011

P.S.2 “Se alguém tem de se lamentar [acerca da arbitragem de Duarte Gomes] é o Benfica. Daqui a umas horas a equipa técnica do Guimarães vai perceber isso”, Jorge Jesus, 10/09/2011


P.S.3 Adorava saber como teriam sido as capas dos jornais do regime - A Bola e o Record - se uma arbitragem deste quilate tivesse ocorrido no Estádio do Dragão e em beneficio do FC Porto.

P.S.4 A forma como foi feita a análise aos lances dos três penalties pela comunicação social lisboeta, particularmente a efectuada durante a transmissão do jogo pelo "jornalista" Miguel Prates e por outro comentador da SportTv, é repugnante, para não dizer pior.

P.S.5 Para desgosto de muitos, entre os quais A Bola e o Record, o slb foi ultrapassado pelo FC Porto em número de títulos oficiais ganhos. Mas meus amigos, olhem que beneficiar de três penalties em 12 minutos é uma raridade, e provavelmente recorde mundial, digna de registo…

domingo, 11 de setembro de 2011

Duarte Gomes: mais um Calabote


“Comecei a arbitrar com 18 anos e não tenho culpa nenhuma de nessa idade já ser um ser humano e ter as minhas opções bem definidas a nível pessoal, profissional e desportivo. Sou adepto do Benfica. Sempre fui... Nunca o neguei sempre que me foi solicitado o preenchimento de questionários relacionados com arbitragem. Mas suspendi as minhas quotas de sócio do Benfica a partir do momento em que passei a ser árbitro.”
Duarte Gomes, entrevista ao site Relvado, 11 de Julho de 2011


Ele realmente não tem culpa das borradas que faz em campo. É a mesma coisa que convidar alguém na bancada de sócios para apitar o jogo. Os culpados desta situação estão na Comissão de Arbitragem, e são as pessoas que fazem as nomeações para os jogos e o presidente dessa Comissão. Depois de vários anos e de dezenas ou centenas de jogos já seria obrigatório que a estrutura dos árbitros entendesse que este colega não tem as mínimas condições para apitar jogos do SLB ou dos seus adversários directos. É incompreensível que Duarte Gomes continue a apitar depois do que aconteceu neste jogo.

O jogo de ontem, na Luz, foi mais uma cabal demonstração do poder do SLB junto da arbitragem e da sua estrutura. Duarte Gomes marcou 3 penalties inexistentes contra o Guimarães. Um verdadeiro escândalo. Fez lembrar o jogo Benfica-CUF, de 1959, apitado pelo célebre Inocêncio Calabote.

Desta vez não teremos Vítor Pereira, o presidente da Comissão de Arbitragem, a fazer um balanço do trabalho dos árbitros, como na época passada. Tudo passará ao esquecimento, como convém.

No flash interview, logo após o jogo, o novo treinador do Vitória ainda falava em dar o "benefício da dúvida" ao árbitro. Ossos do ofício, para alguém que foi treinar este clube, aliado do SLB desde a altura em que tentaram excluir o FC Porto da Liga dos Campeões.

Tivesse este jogo acontecido no Dragão lá teríamos os vimaranenses a espumar de raiva, a comunicação social e os brilhantinas a fazer especiais sobre o escândalo, o Vitor Pereira a pedir desculpas públicas e a Maria José Morgado a clamar por investigação judicial. Como foi no Estádio da Luz está tudo bem e não se fala mais nisso.