terça-feira, 6 de março de 2012

Vieira tem razão


“Prometi que não iria falar das arbitragens. Se Pedro Proença se sente condicionado a apitar jogos do Benfica, então não apite mais nenhum. Desafio Vítor Pereira [presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol] a tirar ilações dos últimos dois jogos – Coimbra e agora com o FC Porto –, das nomeações que se fizeram. Pedro Proença faz um grande favor ao futebol português e ao Benfica se nunca mais apitar um jogo nosso. Ele, coitado, sente-se condicionado.”
Luís Filipe Vieira, 02/03/2012


Nos primeiros 15 minutos do último clássico, o árbitro Pedro Proença adotou aquilo que os comentadores costumam designar de “critério largo”, não sancionando com cartões amarelos entradas duras de Maxi Pereira sobre Djalma, de Cardozo sobre Otamendi e de Javi Garcia sobre Lucho.
Contudo, tudo mudou quando os autores de faltas idênticas envergavam uma camisola azul-e-branca e, em apenas sete minutos, três jogadores do FC Porto foram amarelados:
21': Cartão amarelo para Rolando, por puxar Cardozo;
24': Cartão amarelo para Alvaro Pereira, por falta sobre Maxi Pereira;
28': Cartão amarelo para Djalma, por derrubar Witsel à entrada da área.

Não discuto estes três cartões amarelos, mas sim a notória dualidade de critérios relativamente a lances anteriores. Mais. O primeiro cartão amarelo para jogadores encarnados haveria de ser mostrado apenas no período de descontos da 1ª parte, após mais uma falta dura de Cardozo sobre um dos defesas-centrais portista (Rolando).

Mas a análise à arbitragem de Pedro Proença não se esgota na 1ª parte, nem nos critérios adotados para a mostragem de cartões amarelos. Na 2ª parte, a coisa piou ainda mais fino, senão vejamos:

Minuto 48: Num lance dividido, Djalma desarma Gaitan com toda a limpeza (joga apenas a bola). As imagens são evidentes (até o Rui “verdade desportiva” Santos está de acordo). Contudo, Pedro Proença assinalou falta (mais uma perto da área portista) e do livre, marcado por Aimar, nasceu o 2º golo encarnado.

Minuto 75: Javi Garcia (ou terá sido Maxi Pereira?) atinge Lucho na cabeça quando este se encontra caído no relvado. O árbitro viu, chamou energicamente à atenção dos jogadores, mas o cartão vermelho para o médio encarnado ficou no bolso (é sintomático do fair-play e "verdade desportiva" que alguns iluminados dizem defender, que este lance não tenha merecido a atenção dos comentadores, não surja nos resumos, nem faça parte dos casos do jogo).

Minuto 81: Na sequência de um canto marcado por Hulk, Cardozo controla a bola com os dois braços, quase como se estivesse a embalar a redondinha. Estava de olhos fechados, dizem os benfiquistas. Ai sim? Pois o Pedro Proença estava de frente, viu perfeitamente, mas não quis assinalar o consequente penalty.

Minuto 90+4: Maxi Pereira faz mais uma falta dura, desta vez sobre James, e ainda foi pedir desforço. Pedro Proença, para evitar ter de mostrar o 2º cartão amarelo ao defesa-direito encarnado, deu o jogo por terminado.


Ao contrário do lance do 3º golo dos dragões, todas estas decisões foram da responsabilidade direta do benfiquista Pedro Proença e, em todas elas, decidiu A FAVOR DO CLUBE DE QUE É SÓCIO.
Mais. Neste jogo não há uma única decisão de arbitragem, que seja da responsabilidade do benfiquista Pedro Proença, em que o slb tenha sido prejudicado.
Por isso, sou obrigado a concordar com Luís Filipe Vieira. Não há dúvida que o benfiquista Pedro Proença se sente condicionado a apitar jogos do clube de que é sócio e, por isso, como portista, agradeço que não volte a ser nomeado para jogos entre o slb e o FC Porto.





P.S. Eu também prometi que não iria falar das arbitragens, mas não posso, com o meu silêncio, pactuar com a verborreia benfiquista, amplificada pela máquina de propaganda que está ao serviço do clube do regime quando, ainda por cima, a mesma é completamente despropositada, injustificada e desonesta.

Lyon: alvo a abater

Nos jogos que se seguem da Liga dos Campeões, há uma equipa que sigo com atenção, torcendo pelo(s)... seu(s) adversário(s).

Trata-se do Lyon. E porquê?

Muito simplesmente, porque é a equipa que nos pode «roubar» o estatuto de cabeça-de-série na edição da Liga dos Campeões da próxima época. O Milan também não está longe, mas dificilmente nos ultrapassa ainda esta época (recordo que para efeitos do ranking uma vitória vale 2 pontos).









Haverá sempre quem diga que isto dos «potes» não interessa, e há mesmo quem defenda a ideia peregrina que é melhor ficar no 2º pote (apanhando por exemplo um Barcelona em vez de um Zenit ou Shakhtar). Bem, parece-me bastante óbvio que quanto mais fracos forem os adversários, mais hipóteses temos de fazer pontos e passar (embora garantias nunca haja, claro).

Será que alguém acha sinceramente que se este ano tivéssemos tido o Real Madrid ou o Barcelona no nosso grupo em vez de Shakhtar tinhamos passado?

Mais: como as melhores equipas dos grupos costumam ficar em 1º lugar e defrontam os 2os nos 1/8 final, passando é importante ficar em primeiro. Mais uma vez, é óbvio que isso não dá garantias nenhumas (com esse estatuto já fomos por ex eliminados pelo Schalke), mas parece-me também muito óbvio que é menos difícil eliminar um Schalke do que um Barcelona.

Para acabar: no que diz respeito ao que está nas nossas mãos, antes de mais nada temos que garantir o acesso à Liga dos Campeões, convém não esquecer (de preferência ganhando o campeonato, claro, e as perspectivas disso acontecer são agora muito mais risonhas). Mas apesar de um Braga que é para levar a sério, tendo Portugal 2 lugares de acesso directo mais um de acesso à pré-eliminatória, só com uma catástrofe é que não estaremos lá na próxima época.

PS – Há mais uma ou duas equipas na Liga dos Campeões em que também torço pelos seus adversários, mas essas já não sigo com atenção porque não merecem que perca tempo com isso :-)

Adenda ao SMS do Dia

Eu já estou a imaginar o Dr. Eduardo Barroso na TVI 24, depois da falência da Sporting SAD e da entrada do Sporting Clube "de Portugal" nos Distritais de Lisboa, a exclamar plangentemente: "É evidente que o sexto golo do Pinheiro de Loures contra o meu Sporting foi obtido com a mão e em fora de jogo. Esta é a diferença! O Frielas beneficia da indulgência dos árbitros, enquanto que, ao meu Sporting, já foram sacados sete pontos!"

segunda-feira, 5 de março de 2012

SMS do Dia


Pateta e Patético atacam de novo. Como diria o Artur Jorge (a propósito de uma entrevista do Toni na televisão quando foi substituído no Benfica pelo referido A.J.), houve ali umas cenas lacrimosas, muito lisboetas.

A impunidade de Javi Garcia

Época 2009/10, SC Braga x slb
Com Meyong caído no relvado, Javi Garcia passa pelo jogador bracarense e atinge-o na cabeça.



Época 2011/12, slb x FC Porto
Com Lucho caído no relvado, Javi Garcia passa pelo jogador portista e atinge-o na cabeça.



Dois lances quase tirados a papel químico, protagonizados pelo mesmo jogador, e que não mereceram qualquer sanção disciplinar da parte dos árbitros (nem, à posteriori, análise detalhada de comentadores ou “especialistas de arbitragem”).

Mas mais do que um novo episódio violento protagonizado por Javi Garcia, o que este caso revela é a impunidade encarnada, a qual é flagrante dentro e fora dos relvados.

E ainda têm a distinta lata de se queixarem das arbitragens…

Um golo em fora de jogo?

O pessoal gosta muito de discutir os lances polémicos e já sabemos que durante dias, semanas e meses vamos ouvir falar do golo do Maicon em fora de jogo.

Para esse peditório não dou, porque como já escrevi aqui algumas vezes, é bom que antes chorar os erros dos árbitros se olhem para os erros próprios. Foi isto que o tempo nos ensinou: nós ganhamos mais porque somos melhores. Felizmente, outros, não pensam assim. Ainda bem, é sinal que continuam com a cabeça enterrada na areia. É deixá-los andar assim.

Não quero dizer com isto que não se discutam erros de arbitragem, e que estes não têm influência no resultados dos jogos, claro que o têm. Mas num campeonato isso é diluído. 

Mas devem-se discutir lances de arbitragem, pelo enquadramento do jogo e tentando despir as camisolas. Só assim a discussão é útil.

Por isso no exemplo de que a seguir vou falar esqueçam as cores das camisola, aqui só interessa discutir o enquadramento com a lei e a pedagogia que quem tem um microfone à frente deve fazer.

Para quem seguiu o jogo pela SportTV e não desligou o som, ouviu certamente o Luís Freitas Lobo elogiar a jogada de "laboratório" que deu o 2º golo do ben7ica. 

Mais palavra menos palavra disse isto: Vê-se que é uma jogada estudada, o Luisão coloca-se em posição de fora de jogo, para depois não se fazer à bola mas fazer de barreira ao jogadores do Porto e assim libertar o Cardozo.

Repetiu isto umas 2 ou 3 vezes e se virmos as imagens grande parte é verdade, o Luisão quando o livre é marcado está em posição de fora de jogo, bloqueia o Rolando e o Cardozo aparece sozinho.


Ora o que eu acho lógico é que ao defender esta visão, o LFL deveria ter concluído:
Pelo que o árbitro deveria ter anulado o golo e marcado fora de jogo ao Luisão.

É que a lei 11 diz o seguinte:
Um jogador na posição de fora-de-jogo só deve ser penalizado se, no momento em que a bola é tocada ou jogada por um colega de equipa, o jogador toma, na opinião do árbitro, parte activa do jogo:
intervindo no jogo ou
influenciando um adversário ou
tirando vantagem dessa posição

sendo que “influenciando um adversário” significa impedir um adversário de jogar ou de poder jogar a bola, obstruindo claramente a linha de visão ou os movimentos do adversário, ou fazendo gestos ou movimentos que, no entender do árbitro, engane ou distraia o adversário

Ora se é verdade que o Luisão no intervém no jogo, nem tira vantagem da posição, já quanto à terceira condição é claro que influencia o forma como o Rolando se faz à jogada, pelo que no estrito cumprimento da lei e volto a referir na lógica apresentada pelo LFL de que isto é uma jogada ensaiada e que o bloqueio é propositado, este lance deveria ter sido pura e simplesmente anulado.

Volto a referir que esta é uma discussão meramente académica das leis do jogo, em que a cor das camisola é irrelevante, e é uma análise de sofá após visionamento das imagens por n vezes. Tivesse o jogo ficado 2-2 e certamente não era por causa disto que o Porto não tinha ganho.

Mas quase que aposto que este lance não vai passar em nenhum programa, e em termos teórico - do entender as leis de jogo, acho-o muito mais interessante do que tudo o resto de que se vai falar.

domingo, 4 de março de 2012

Descubra as diferenças - II

Época 2008-2009 era Jorge Jesus o treinador do Braga:



e foi após este jogo que pronunciou a célebre frase 'só se for na PlayStation'.

O que se mostra com estes exemplos - este e o que o José Correia já aqui apresentou - é que estas situações acontecem, uns dias favorecem uns, noutros dias favorecem outros. É certo que não deviam acontecer, como não deviam acontecer os falhanços como o do Janko, as cabeçadas amorfas do Aimar, os passes do Cardozo para o Helton, ... Mas esses já sabemos que não o fazem de propósito.

O que se dispensam são as virgens ofendidas (e nisto nós também temos muitas quando nos dá jeito).

Descubra as diferenças

Na época passada, no dia 16 de Janeiro de 2011, o slb foi a Coimbra (jornada 16) e venceu por 1-0, golo marcado por Saviola, em posição irregular.


Vale a pena recordar este lance e descobrir as semelhanças e as diferenças com o golo marcado por Maicon no último slb x FC Porto.

Eu ajudo:
1) Ambos os golos foram marcados na sequência de livres (semelhança);


2) O Maicon estava com o tronco adiantado em relação ao penúltimo defesa do slb; o Saviola estava "plantado" mais de um metro à frente da barreira formada pelos jogadores da Académica (com boa vontade, podemos considerar situações semelhantes);


3) O Maicon marcou o golo com a cabeça; o Saviola desviou a trajectória da bola com o braço (diferença);

4) A posição de fora-de-jogo do Maicon só foi perceptível na repetição televisiva e com a imagem parada; a posição irregular do Saviola é óbvia, o que levou vários jogadores da Académica a protestar de imediato (diferença);



5) Jorge Jesus não viu logo que o Saviola estava em posição de fora-de-jogo (não sei se já terá visto) e, no final do jogo, as suas declarações, acerca da irregularidade destes dois lances, foram muito diferentes;


6) Não me lembro da generalidade dos jornalistas e comentadores televisivos (Luís Freitas Lobo, Luís Campos, Hugo Gilberto, Bruno Prata, João Gobern, etc.), terem ficado muito incomodados com a validação do golo de Saviola.


O vídeo do duplamente irregular golo do Saviola pode ser (re)visto aqui.

Bebedeira... de golos

Na madrugada da passada quinta-feira, uma megaoperação da PSP, GNR, SEF e ASAE controlou as principais saídas e entradas no Porto. Uma das pessoas detidas acusou uma taxa de 3,5 gramas/litro, valor que está perto do estado de coma alcoólico e, perante as perguntas efectuadas por jornalistas que acompanharam a operação policial, o homem lá conseguir balbuciar umas respostas desconexas.

Lembrei-me deste caso ao ouvir as declarações de Jorge Jesus, efectuadas após o final do slb x FC Porto.

"É impossível o auxiliar [Ricardo Santos] não ver que dois jogadores do FC Porto estavam em fora de jogo naquele lance. (...) Eu vi logo que estavam dois jogadores em fora de jogo, e ele de certeza que também viu e sabe, na sua consciência, que há fora de jogo. Não marcou porque não quis."
Jorge Jesus

Facto: Nenhum jogador do slb protestou o lance. Só na repetição televisiva, e com a imagem parada, foi possível ver que o tronco do Maicon estava adiantado relativamente à linha imaginária do fora-de-jogo. Ora, em caso de dúvida, a FIFA recomenda que o árbitro não deve assinalar.


"O 2-2 nasce de uma falta sobre o Witsel que não é assinalada, num lance em que podíamos aumentar para 3-1. O FC Porto saiu para o contragolpe em vantagem numérica e empatou."
Jorge Jesus

Facto: Witsel choca e cai sobre Maicon, não havendo qualquer infracção do jogador portista. A haver falta seria contra o slb.


Vendo o comportamento e ouvindo as declarações dos principais responsáveis do futebol benfiquista - Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Jorge Jesus - eu diria que a "bebedeira" de golos, resultante dos três "goles de Porto", é capaz de ter feito mal a algumas pessoas...

sábado, 3 de março de 2012

Rui Costa nas "catacumbas" da Luz...

O vídeo seguinte mostra o comportamento de Rui Costa no final do jogo de ontem:



Para quem não sabe, a pessoa a quem Rui Costa se dirigiu de forma ameaçadora é "apenas" um diretor da Liga, Carlos Luca, responsável pelo planeamento e segurança do jogo.

Enfim, mais um episódio (desta vez filmado) do que se passa nas "catacumbas" da Luz...

O penalty cometido por Cardozo





Sim, eu sei que o Jorge Jesus, o Luís Filipe Vieira e 99,99% dos benfiquistas não viram nada de anormal neste lance, mas eu vi.
Vi o Cardozo a controlar e a aconchegar a bola com os braços.
Vi que o Pedro Proença estava em excelente posição para ajuizar o lance.
E vi que o Pedro Proença não quis, ou não teve coragem, para, ao minuto 81 (cinco minutos após ter expulso Emerson), assinalar um penalty contra o slb e mostrar o 2º cartão amarelo ao Cardozo.
É compreensível.

Nota: O 'Reflexão Portista' agradece ao leitor Fernando Tavares o envio destas fotos.

A revolta dos predestinados


De entre todas as supremas subtilezas, aquela que mais fundo toca no adepto de futebol está no derrubar da guarda em território rival. Esta noite o FC Porto voltou a elevar esse desígnio aos púlpitos dos Deuses pela terceira vez consecutiva, mercê de uma reviravolta “in extremis”, a passos largos do cair do pano. Num jogo de domínios repartidos e de alternâncias no marcador, sobressaiu aquele miúdo Colombiano que atravessou o Atlântico a correr e o central de peito feito revogado à condição de lateral, que em nada condicionou a sua crença imensa na vitória.

Se melhor antídoto alvitrasse, Hulk, no seu jeito imprevisível, não foi de modas e incendiou um jogo já de si bem quente. Uma bomba fenomenal numa diagonal de marca própria e registada colocou o Dragão na frente, materializando o desejo azul e branco nos primórdios do encontro. Contrariamente ao que seria expectável, a vantagem não fez luz e serenidade à nossa equipa, entregando o domínio das operações ao adversário, regredindo a um princípio de jogo básico, fatal e pouco cerebral, onde as perdas de bolas constantes e faltas em zona proibida puseram em xeque as redes de Helton.

O previsível empate tornou-se numa certeza antes do intervalo, e pior cenário se montou quando Cardozo, no recomeço do 2º tempo, pôs em vantagem o conjunto sitiado lá mais ao fundo do mapa Lusitano. Era a materialização da incapaz fórmula portista em gerir o encontro. Tal acossamento resultante da desvantagem fez vislumbre nas ideias de Vítor Pereira, restaurando, finalmente, a ordem de todas as coisas. A recolocação de Maicon a central e, sobretudo, a chamada ao jogo de James Rodriguez, catapultou o FC Porto para a “remontada” final.


Houve, na 2ª parte, um antes e um depois de James. Aquele predestinado da bola recolocou o Dragão na órbita dos princípios que balizam a construção ofensiva de uma equipa. A sua magia tecida dos seus pés aliada a uma visão que encurta linhas, fê-lo tricotar a meias com Fernando o princípio da estocada final. A igualdade no marcador esbatia o odor de desonra, mas não sossegava o espírito sofredor do adepto num jogo tão intenso e desconcertante.

A expulsão justa de Emerson constituiu uma janela de oportunidade para a equipa de Vítor Pereira ir em busca do triunfo. E esta não se fez rogada. Nem sempre com o melhor acerto ou a mais cristalina clarividência, o FC Porto recostou a agremiação local à sua área residente, levando-a a perecer através do mesmo veneno que nos havia servido no primeiro tempo. Maicon, com uma cabeçada vigorosa a coroar uma exibição portentosa, fez a nação azul e branca rejubilar, com mais um arraial no palco que nos faz tragar mais e melhores recordações.

sexta-feira, 2 de março de 2012

SMS do dia

É por estas merdas que adoro futebol

Vítor, surpreende-me!


Vítor, surpreende-me!
Esquece a humilhante eliminatória com o Manchester City.
Esquece os jogos com o APOEL e a frustrante eliminação da Liga dos Campeões.
Esquece os resultados e os desastres exibicionais de Coimbra e Barcelos.
Hoje é que é.
Hoje é contra o slb, em casa deles, onde na época passada obtivemos duas vitórias inesquecíveis.
Inspira-te no nosso glorioso passado recente e motiva as tropas.
Diz-lhes quem nós somos.
Somos Porto, carago!
Vítor, surpreende-me!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Angústias nas vésperas de um Clássico


Surpreendente, ou nem por isso, levando em conta o amadorismo costumeiro do dirigismo desportivo português, marcar o jogo mais importante do campeonato para uma Sexta-Feira, intercalado com compromissos das Selecções, já me fez dar mil e uma voltas à cabeça tentado perceber como isso promove a modalidade e vai de encontro aos melhores interesses dos seus destinatários, os adeptos. O alegado chico-espertismo galináceo a meu ver não cola, pois só estão a fazer aquilo que nós também faríamos, defender os respectivos interesses. A falha está na desconexa regulamentação da Liga, que tem como legisladores os seus clubes, todos eles dados a estas manobras de vão de escada e pouco claras. Não será altura da FPF chamar a si o poder de impor as regras sem estas palhaçadas?

Com este corrupio de jogadores para cá e para lá, ficou o FC Porto refém das vontades de Pékerman e das companhias aéreas para que disponha a tempo e horas do grande jogo o seu mais virtuoso e importante atleta do momento, James Rodriguez. Não será tanto o desgaste físico de dois jogos em menos de 48 horas que afectarão um jovem jogador na flor da idade. Mas as longas viagens e o jet-lag provocarão certamente mossa na disposição e concentração do atleta na hora de encarar este desafio.


Por incrível que possa parecer, a provável nomeação do benfiquista Pedro Proença para o Benfica - FC Porto é a melhor escolha possível entre o pobre lote de disponíveis. Não obstante da sua cor clubística, é um árbitro que vem demonstrando competência suficiente nas suas actuações e não esconde a cara quando assim não acontece. Isto não invalida que não possa trocar os pés pelas mãos neste importante encontro, dando trunfos às sanguessugas da comunicação social – esses seres que nunca erram - sempre tão sedentas de picar tudo o que se mexe. Dê por onde der, o homem terá uma pressão grande sobre os ombros, e pessoalmente não gostava de estar na posição dele.

As escolhas de Vítor Pereira para este encontro não deverão fugir muito da sua linha habitual. Para além da perda do seu recém fetiche – Varela – onde deverá regressar o seu anterior fetiche – Djalma – em pouco se diferenciará a estrutura da equipa. Isto porque já dou de barato a não titularidade de James. A manutenção de Maicon no eixo da defesa parece-me ser mais fiável no momento em detrimento do ultimamente lento e apático Otamendi. E o bom jogo aéreo do central brasileiro poderá ajudar a dar frutos como deu na última jornada. Reze-se às alminhas para que aquele meio campo faça aquilo que sabe – e é capaz de muito num dia sim – sem cair em gafes que em jogos destes se dispensam. Por último, que Vítor Pereira se inspire na história e personalidade singular do nosso clube, ganhe cagança e faça um discursos assertivo, cativante e cheio de ambição aos seus jogadores, levando-os a crer e acreditar, nem que seja só desta vez, que navegam num barco com um timoneiro que lhes aponta a rumo e sabe o que quer!