quarta-feira, 25 de maio de 2011

A mulher de César era sportinguista?

No ano 62 a.C., quando perguntaram a Júlio César porque razão se tinha divorciado da sua segunda mulher, Pompeia Sula, este afirmou: "À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer séria".


Ontem, o SCP apresentou aquele que vai ser o seu treinador na próxima época (pelo menos durante uns meses...): Domingos Paciência.
Ninguém ficou surpreendido, porque era do domínio público o compromisso que existia entre o SCP e o treinador do SC Braga desde Março passado.

Penso que os dirigentes do SCP fizeram uma boa escolha e Domingos, em final de contrato com o SC Braga, tem toda a legitimidade em mudar para um clube que, teoricamente, lhe poderá oferecer melhores condições para alcançar o sucesso desportivo. Mas...

Este compromisso entre o SCP e o ex-treinador do SC Braga não foi feito no final do campeonato, mas sim numa altura em que os dois clubes travavam uma luta acesa pelo 3º lugar que, por sinal, os bracarenses haveriam de perder, na última jornada, precisamente por terem sido derrotados em casa num desafio contra o... SCP!
Ainda por cima, para assegurar o 3º lugar, ao SC Braga bastava o empate...

Em condições normais, um SC Braga x SCP é um jogo de tripla mas, desta vez, a derrota dos "guerreiros do Minho" ocorreu num contexto em que o Sporting de Lisboa vinha de uma profunda crise (uma semana antes tinha perdido em casa contra o aflito Vitória Setúbal), enquanto que o Sporting de Braga vinha de uma série de excelentes resultados em casa, quer no campeonato, quer na Liga Europa (Liverpool, Dinamo Kiev, slb).

Evidentemente, não há (nem nunca vai haver) qualquer prova de que o compromisso que já existia entre Domingos e o SCP tenha influenciado as escolhas do ainda treinador do Braga para esse jogo, mas tal como a mulher de César...

Quanto aos dirigentes do SCP, que gostam de encher a boca com frases grandiloquentes como "o Sporting é um clube diferente", o seu comportamento neste caso devia-os fazer corar de vergonha.

Prémios 2010/11 - parte II

Prémio “Vinho do Porto” – Hélton

Aos 33 anos, Hélton terá feito a melhor época ao serviço do FCP. Nos momentos importantes esteve sempre à altura, e salvou-nos muitos golos ao longo da época. Penso que ainda terá um ou dois anos pela frente ao alto nível.

Prémio “Suplente de luxo” - Beto

Certamente não será fácil para Beto, um selecionável (e para mim o melhor GR português), passar a maior parte da época no banco. No entanto demonstrou excelente profissionalismo e quando foi chamado cumpriu sempre, e como – vi esta época a Beto algumas das defesas mais difíceis que alguma vez vi num jogo de futebol. Parece-me que foi injustiçado por alguns adeptos que o culpam por erros dos colegas, já que sofreu também mais golos em média do que Hélton. Aos 29 anos ainda vai bem a tempo de roubar o lugar a Hélton mais cedo ou mais tarde, e ser titular no FCP por algumas épocas.

Prémio “Era escusado” - Kieszek

Penso que o FCP exagera no número de contratações, contratando todos os anos e em média uma dezena de jogadores quando 6 ou 7 seria suficiente. Em Agosto apontei aqui Kieszek como um exemplo disso, e infelizmente verificou-se que de facto não fazia falta nenhuma para 3º GR, ficando mesmo associado pela negativa com a eliminação da única competição que não ganhámos.

Prémio “Expectativas defraudadas” – Walter

Tendo o FCP apenas 2 pontas-de-lança no plantel, seria de esperar que Walter tivesse oportunidade de ser utilizado com alguma regularidade – ainda mais a partir do momento que Falcão esteve ausente por lesão durante várias semanas. No entanto muito raramente AVB deu oportunidades a Walter, e pelo que se viu em campo de forma compreensível. Não tendo sido um jogador barato (veio mesmo avaliado num valor mais alto do que Falcão), a desilusão torna-se maior, e caso Falcão saia a aposta no mercado torna-se imperativa pelo que se viu de Walter até agora, mesmo que este mereça o benefício da dúvida no que diz respeito à permanência no plantel. Joga também a seu favor ter apenas 21 anos.

Prémio “Fogachos de vista” – Souza

Apesar de ter forte concorrência Souza começou bem a época, com uma boa exibição e excelente golo em Genk. No entanto à medida que a época foi passando o jogador foi “desaparecendo”, sendo até regularmente preterido quando Fernando não estava disponível. No entanto e ao contrário de Walter penso que é um jogador que ainda pode vir a afirmar-se. Será o caso se Fernando sair? O tempo o dirá.

Prémio “Estagnação” – Fucile

Fucile teve uma época muito boa em 09/10, culminada com um excelente desempenho no Mundial da África do Sul. Estagnou no entanto nesta época, perdendo mesmo a titularidade para Sapunaru numa boa parte da temporada. As lesões não explicam tudo, e havendo necessidade de encaixar dinheiro este seria uma das minhas primeiras opções para vender.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Onde está a cabeça de Fernando?


“Fico feliz por estar neste grande clube, mas vamos ver. Depois de tudo o que vivemos e daquilo que conquistei aqui dentro, vários títulos, que foram oito, penso que a melhor altura para sair seria esta. Fala-se muito na Itália, mas vamos ver. (…) todos os jogadores sonham em jogar em grandes campeonatos.”

Estas declarações de Fernando, feitas imediatamente após a Final da Taça de Portugal, são reveladoras do estado de espírito do jogador, sendo claro que, para ele, se fechou um ciclo no passado domingo.

Ao ouvi-las, lembrei-me de declarações idênticas feitas no mesmo local, há um ano atrás, por Raul Meireles e Bruno Alves. Por outro lado, não pude deixar de rever mentalmente as últimas exibições que Fernando fez ao serviço do FC Porto. De facto, quer na Final da Liga Europa, quer no jogo do Jamor, o trinco brasileiro esteve vários furos abaixo do habitual, revelando uma grande desconcentração competitiva e cometendo erros crassos que, não fora as extraordinárias defesas de Helton e Beto, poderiam ter comprometido o sucesso da equipa nestas duas competições.

Aparentemente, a cabeça de Fernando já está noutro clube/campeonato (Itália?) e, assim sendo, penso que se houver uma boa proposta (12 a 15 milhões de euros), a Administração da FC Porto SAD faria bem em vender o seu passe, mesmo por um valor abaixo da cláusula de rescisão, até porque existem alternativas no plantel.
Quais?
Para além das possíveis adaptações de Guarín, Moutinho ou Castro à posição 6, existe Souza, o qual, na próxima época, já estará perfeitamente adaptado ao futebol português, ao clube, aos companheiros de equipa e às ideias de André Villas-Boas.
Não por acaso, no momento em que partiu para férias no Brasil, o ex-Vasco da Gama afirmou: “Sabemos que a Europa tem equipas de maior expressão e o Fernando quer conhecer outros ares. Ele tem essa possibilidade e, se acontecer, vou ficar feliz não só por ter a oportunidade de jogar mais, mas sobretudo por ele e pela sua família.”

Havendo, como há, boas alternativas no plantel, só falta uma proposta aceitável para que todas as partes fiquem satisfeitas: Fernando, Administrador Financeiro da SAD e… o Souza!

Prémios 2010/11 - parte I

Com a vitória na Taça de Portugal fica encerrada uma época, uma época que foi de sonho. Agora sim, é tempo de fazer balanços da época: ficam aqui os meus "prémios" pessoais em dois artigos, no que diz respeito a desempenhos individuais - tanto pela positiva como pela negativa, há para todos os gostos.

Prémio “Full House” – Pinto da Costa

Pinto da Costa arriscou uma jogada de poker ao contratar A. Villas Boas para o lugar de J. Ferreira; despedir este último não foi de todo uma jogada arriscada (e só veio de encontro à opinião majoritária dos adeptos), mas contratar A. Villas Boas sim, e muito. Saiu-lhe uma “Full House”, com mais sucesso na 1ª época do que ele próprio possa ter imaginado. E parece rejuvenescido, pronto para muito mais....

Prémio “X Factor” – André Villas Boas

Mais do que falar num MVP, penso que esta foi a época em que o treinador fez toda a diferença. Repare-se que na equipa-tipo de 10/11 entrou apenas uma única contratação, e uma contratação que se pode considerar mais ou menos ela-por-ela (Meireles por Moutinho); e para além de Meireles saiu também o esteio da defesa, B. Alves. No entanto verifique-se a diferença abismal de rendimento (factual e exibicional) da equipa entre este ano e o ano anterior... a matéria-prima foi muito melhor aproveitada, sem qualquer dúvida.

Prémio “Cisne” – Guarín

Guarín era considerado por muitos como um “patinho feio”, eu incluído (que vaticinei que nunca viria a ser mais do que um “remendo razoável”), e a meu ver com muitas razões legítimas para tal. Mea culpa - deu um salto enorme da época anterior para a actual, e terá certamente convencido os mais cépticos. Época muito boa em que demonstrou muito maior maturidade e cultura táctica, para além de ter afinado as capacidades ofensivas. É hoje um valor seguro.

Prémio “O futuro é já a seguir” – James

James foi uma das contratações mais caras do defeso (avaliado em cerca de 7M€), muito dinheiro para um puto com um CV bastante curto (muito mais curto do que Anderson tinha quando veio). A concorrência era muito forte (Hulk, Varela, “Cebola” e Ukra) mas a pouco e pouco foi agarrando oportunidades e hoje já é uma certeza, com uma maturidade muito considerável para os seus tenros 19 anos, para além de um pé esquerdo de veludo. Se Hulk sair penso que estaremos bem servidos sem precisar sequer de ir ao mercado, e estou certo que do ponto de vista financeiro ainda vamos lucrar muito dinheiro com este jogador – mas só daqui a uns 4 ou 5 anos, espero eu.

Prémio “Confirmação” – Belluschi

Como muitos suspeitavam (eu incluído), Belluschi só não rendeu mais na época anterior por estar muito sub-aproveitado por Jesualdo, cujas ideias fixas colidiam com as características de Belluschi. Esta época e com um treinador muito mais flexível e sem pejo em utilizar futebol apoiado, Belluschi demonstrou ser um excelente jogador (e de equipa).

Prémio “Dupla de luxo” – Hulk & Falcão

Este foi o ano de afirmação total destes dois jogadores, tornando-se numa dupla absolutamente temível para os adversários. Falcão beneficiou de maior apoio nas manobras ofensivas fruto do futebol mais apoiado, o que retribuiu de forma brilhante com o seu “killer instinct” e apoio aos colegas. Hulk tornou-se mais jogador de equipa e disso beneficiou não só a equipa como o próprio jogador. Dois jogadores de excepção, mas a ter que vender alguém prefiro claramente Hulk por ser de mais fácil substituição (aliás, deixar James ou Varela no banco é um autêntico luxo).

Prémio “Adaptação” - Moutinho

João Moutinho chegou, viu e venceu, adaptando-se muito rapidamente à sua nova casa e agarrando a titularidade para não mais a largar; ao fim de um ano já parece fazer parte da "mobília". É o “pêndulo” da equipa, fazendo um trabalho de sapa extremamente importante para a equipa e sacrificando-se muitas vezes de forma a que os laterais e restantes médios e avançados possam subir no terreno. Pode no entanto melhorar ainda e espero que na 2ª época apareça mais vezes na zona de finalização – esta equipa tem todo o potencial para ser uma “laranja mecânica” infernal e imprevisiva, com um papel importante para Moutinho.


Amanhã: Parte II, com os prémios "Vinho do Porto", "Suplente de luxo", "Era escusado", "Expectativas defraudadas", "Fogachos de vista" e "Estagnação".

segunda-feira, 23 de maio de 2011

FCP - Futebol Colômbia do Porto


Já aqui falei várias vezes da feliz coincidência (será mesmo coincidência?) do plantel do FC Porto integrar três dos principais jogadores colombianos da actualidade e do potencial que isso significa em termos da exploração da marca FC Porto num país com mais de 45 milhões de habitantes.

Na final da Taça de Portugal não houve Falcao (devido a lesão) e Freddy Guarín só entrou na 2ª parte, mas um miúdo de 19 anos, com cara de bebé mas um pé esquerdo fabuloso, partiu a loiça toda: três golos, uma assistência (para o golo de Varela) e ainda marcou o livre que esteve na origem do 3-2. Fantástico!

Felizmente na FC Porto SAD não andam a dormir, conforme o comprova o comunicado enviado à CMVM há cinco dias atrás.



P.S. O James também esteve com um pé no slb, não esteve?

domingo, 22 de maio de 2011

Dragão para a história


É a loucura! Loucura de jogo, loucura de época, uma loucura de títulos e perspectiva-se mais uma noite louca de festejos na Invicta! O Dragão voltou a cilindrar mais uma presa que lhe surgiu à frente, numa partida imprópria para cardíacos na sua etapa inicial. O V. Guimarães incomodou o conjunto azul e branco, mas acabou vergado e manietado pelos nossos jogadores, desejosos de escrever o seu nome na história do clube. Escreveram, a letras de ouro!

De facto, já não há memória de se assistir uma 1ª parte como a que vimos esta tarde em Oeiras. Sete golos em 45 minutos, incredulidade geral pelo que estava acontecer, alguns erros defensivos e um ataque portista arrasador, mesmo sem Radamel Falcao. Sem El Tigre mas outro colombiano surgiu. James, o miúdo, como quem não quer a coisa, fez um Hat-trick e tornou-se decisivo no encontro.


Ainda não haviam decorrido 3 minutos e já puto fazia o gosto ao pé, aproveitando um ressalto da melhor forma. O Vitória, com as linhas subidas apostava nas bolas paradas, e fazia-o por saber que tem alguém que as bate com mestria. Anderson Santana gerou confusão na nossa área, conseguindo o Guimarães facturar em duas dessas ocasiões. Varela já havia escrito o seu nome no placard dos marcadores e Rolando, mais tarde, fê-lo também.

Num jogo cheio de coisas estranhas, nada para a apimentar a festa como um tento de canto directo. Hulk fazia o 4º para as nossas cores e Nilson a pastar na forma. Do outro lado Beto mostrava como é um guarda-redes a sério, defendendo o penalty convertido por Edgar. Em sequência, o FC Porto giza mais um contra-ataque venenoso, com Hulk a servir de bandeja o 5º golo ao chavaleco James.


Pese todo caos, a diferença do marcador ao intervalo já antecipava mais um triunfo portista. Guarín rendeu o titubeante Fernando, e a equipa serenou o jogo na etapa complementar. A descrença assolou-se nas hostes vimaranenses, e Beto confirmou esses receios após mais uma defesa estrondosa perante um Edgar isolado. Uma exibição monstra do nosso redes suplente!

Faltava um para o fecho de contas do jogo, mas também do miúdo Rodriguez. Assistência perfeita de Hulk para o nosso extremo esquerdo cabecear à vontade. Dava para tudo e com uma tranquilidade inacreditável. Estranho? Nem por isso. Apenas mais um episodio – por sinal o último – daquilo que foi toda uma época deste maravilhoso conjunto formado por André Villas-Boas. Para a história! E para sempre na memória colectiva de todos os portistas!

Fotos rapinadas ao JN

A outra Final contra o VSC


em cima: Młynarczyk, Lima Pereira, Celso, Jaime Magalhães, Sousa e João Pinto
em baixo: Rui Barros, Inácio, Jaime Pacheco, Bandeirinha e André



Há 23 anos, na época 1987/88, o FC Porto de Tomislav Ivic chegou à Final da Taça de Portugal, após ter conquistado o título com um enorme avanço em relação às restantes equipas (o 2º classificado ficou a 15 pontos e cada vitória só valia 2 pontos).

O adversário no Jamor, no dia 19 de Junho de 1988, foi o Vitória Sport Clube (VSC) e, por coincidência, na meia-final (foi apenas um jogo) o FC Porto também tinha eliminado o slb (1-0).

Tal como para o jogo de hoje, à partida o FC Porto era amplamente favorito mas, jogando sem qualquer ponta-de-lança de raiz (é dessa altura a célebre frase de Ivic "Gomes é finito"), o futebol produzido pela equipa azul-e-branca esteve bastantes furos abaixo daquilo que tinha exibido ao longo da época. O cansaço (físico e mental) de um lote de jogadores que já tinham ganho Taça Intercontinental, Supertaça Europeia e Campeonato Nacional, associado à hiper-motivação dos vimaranenses, fizeram com que o desafio fosse muito mais equilibrado do que era esperado.

Os dragões acabaram por vencer por 1-0, mas o golo da vitória foi marcado numa altura em que já se perspectivava o prolongamento, ao minuto 83, por Jaime Magalhães.


Foto 1: Dragão Penta Campeão
Fotos 2: Correio Manhã

sábado, 21 de maio de 2011

Falcao de A a Z

Texto da autoria de Bruno Roseiro, publicado no Expresso online (www.expresso.pt) no dia 18 de Maio de 2011, após a Final da Liga Europa.

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Alcunha - "El Tigre", criada pelos adeptos do River Plate pela forma felina e pela agilidade com que jogava na área e marcava golos.

Benfica - o primeiro clube na pista do avançado colombiano mas as exigências dos dirigentes argentinos acabaram por abortar o interesse; a seguir apareceu o FC Porto.

Colômbia - país onde nasceu e que representa em termos de selecção, apesar de ter feito parte da carreira na Argentina; no Dragão tem dois compatriotas: Freddy Guarín e James Rodríguez.


Defesa - são os principais adversários mas também a principal influência para entrar no mundo do futebol... por influência familiar.

Euros - custou ao FC Porto 3,9 milhões de euros quando chegou ao Dragão (60% do passe); o clube adquiriu mais uma percentagem do passe por 1,5 milhões.

Fair Play - a expressão que melhor define o comportamento do jogador em campo e... um pouco mais: é também o nome da academia onde Falcao começou a jogar.

Golos - é uma espécie de segundo nome do avançado: esta época já vai nos 38 (superando os 35 da primeira temporada em Portugal).

Hulk - o parceiro de ataque e a dupla que mais mossa faz nas defesas adversárias: juntos marcaram mais de 70 golos em 2010-11, com destaque para o brasileiro no campeonato e para o colombiano na Europa.

Igreja - é católico praticante e líder de duas igrejas para jovens: a "Locos por Jesús" e a "Campeones por Cristo".

Joelho - a zona onde teve a principal (e única) grave lesão na carreira: após um problema contraído após marcar um golo ao San Lorenzo, em 2005, voltou a lesionar os ligamentos cruzados na pré-época de 2006 e falhou a competição durante alguns meses.

Klinsmann - um dos melhores avançados de sempre e que tinha o recorde de golos apontados numa edição da Liga Europa (antiga Taça UEFA). No entanto, esse registos de 15 golos foi ultrapassado pelos 17 de Falcao em 2010-11.

Liga dos Campeões - jogou a prova em 2008-09 mas acabou por ser afastado pelo Arsenal ainda antes das grandes decisões, ainda assim teve um pequeno "prémio": o golo de calcanhar ao Atletico Madrid foi considerado o melhor da prova.

Milionarios - o primeiro clube de Falcao, onde começou a dar nas vistas sempre com o sonho de chegar a uma liga europeia (ainda passaria antes pela Argentina).

Nove - o número que utilizou desde que chegou ao FC Porto: é de ponta-de-lança e nota-se que está bem atribuído...

Origem - Falcao foi baptizado como tal em homenagem à antiga estrela brasileira que actuou na AS Roma e brilhou na década de 80.


Pai - também foi jogador de futebol mas com características completamente distintas: menos rápido, menos hábil e numa posição oposta, como defesa-central.

Quatro - o número de competições distintas que já conquistou desde que chegou a Portugal: campeonato, Taça de Portugal, Supertaça e Liga Europa.

Recordes - a fantástica campanha na Europa valeu-lhe registos na história mas outro dos grandes feitos também foi alcançado nas marcas do FC Porto: passou a ser o melhor marcador de sempre do clube nas competições internacionais, superando Jardel e Fernando Gomes.

Santa Marta - foi a primeira cidade colombiana e também a primeira cidade da América do Sul (daí que tenha sido tão atacada por... piratas); hoje é um importante local portuário e o local onde nasceu Falcao.

Twitter - o colombiano é um dos maiores adeptos das redes sociais, costuma colocar fotografias da infância e das festas portistas na sua página e já chegou até a oferecer bilhetes para jogos de futebol por esse meio.


Universidade - começou a tirar o curso de jornalismo na Universidade de Palermo, em Bogotá, mas quando passou a jogador profissional teve de desistir da faculdade.

Voleibol - é um dos desportos que gosta além do futebol e já foi apanhado em jogos de voleibol feminino com a mulher. Mas havia uma explicação: na equipa do Leixões joga a mulher de James Rodríguez, que é amiga do casal.

Xangai - Falcao tem ganho uma legião de fãs por todo o mundo e até turistas chineses já pediram autógrafos ao jogador á saída do centro de estágios do Olival...

Zárate - poucos sabem mas é o apelido do avançado colombiano Radamel Falcao García Zárate.

Falcao é dragão!


«Nos últimos dias tem sido noticiado, em Espanha, o interesse de José Mourinho em reforçar o ataque do Real Madrid com Kun Agüero. O argentino é a grande figura do Atlético Madrid mas está longe de ser aquilo que os merengues precisam e as características do genro de Maradona assemelham-se em quase tudo às de Ronaldo ou Higuaín, ou seja, avançados de cariz mais móvel. O que o Real Madrid precisa mesmo é de um matador e bem perto está um de qualidade comprovada e preço acessível: Falcão. Por 30 milhões José Mourinho garantia um artilheiro de peso e com sede de vencer no ataque merengue. Com Di Maria, Özil, Ronaldo e Marcelo a servir o ponta-de-lança colombiano estavam garantidos, no mínimo, 30 golos por época.»
João Rui Rodrigues (editor-chefe do Record), 19/05/2011


A comunicação social lisboeta já nem disfarça o desejo, e até ansiedade, de ver Falcao voar para outras paragens. O texto anterior é apenas mais um exemplo e quase se assemelha a um apelo público a Mourinho, para que venha rapidamente buscar o goleador colombiano que, em boa altura, o FC Porto desviou da rota da Luz.

A foto do ano

(clicar na imagem para a ampliar)


Esta foto não precisa de legenda, nem de comentários, fala por si. É um daqueles casos em que uma imagem vale mais do que mil palavras.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

André e José, a inevitável comparação


A inevitável comparação entre Villas-Boas e Mourinho, mas também Guardiola e Falcao, são os pontos chave da crónica publicada no respeitável The Times, acerca da Final da Liga Europa.


«André Villas-Boas goes to great lengths to stress he is a normal coach, and very different from you-know-who, but there is nothing normal about his record. (…) Chelsea are one of several leading clubs taking a close interest in Villas-Boas’s remarkably rapid career development (…).

Having finished 38 points behind them in the league, Braga seemed intent on kicking Porto’s ball-players out of the game so they showed commendable patience in refusing to be dragged down to their opponents’ level. The dark art of simulation was also rarely in evidence, illustrating another point of difference between Villas-Boas and his estranged mentor, José Mourinho.

Villas-Boas, who worked as a scout at Stamford Bridge under Mourinho, was cut off by his compatriot when he opted to leave his technical staff at Inter Milan to pursue his own ambitions last season, but showed his class by dedicating this victory to his former boss as well as Sir Bobby Robson, who had the kindness and maybe even a prophetic insight to indulge a fanatical Portuguese teenager’s relentless questioning almost two decades ago. Of greater surprise was the special mention for Pep Guardiola, whose attacking methods he clearly holds in higher regard than the defensive arts he learnt under Mourinho. (…)
“Pep was always an inspiration for me because of his methodology, and the way he plays such fantastic football. His philosophy is Barça’s philosophy. He defends the spectacle of the game. The only thing I regret in this final is not being able to put on a better spectacle.”

Porto were unable to showcase the free-flowing football that has been their hallmark this season because of Braga’s tactics, but dominated possession and scored a goal worthy of any final. (…)
Falcao’s 17 Europa League goals have shattered Jürgen Klinsmann’s record for the most in a European campaign and led to Porto inserting a €30 million (about £26.4 million) buy-out clause in his contract. Given the 25-year-old’s speed and ability in the air however, there is a danger he may have been undervalued.
Porto have made no such mistake with Hulk by giving the Brazil striker a 100 million buy-out clause, although their biggest concern is keeping Villas-Boas. Chelsea, Juventus and Roma lead the interested parties, but by his own admission it will take an extraordinary offer to prize him away. “My release clause is very, very high,” he said. “It’s something that’s not normal.” Much like the man himself.»


Foto e texto extraídos do The Times.

A decadência do futebol no Benelux

O Ajax conquistou o seu 30º título holandês no domingo passado, ao receber e vencer o Twente por 3-1 na última e decisiva jornada.
O clube de Amesterdão, que já não festejava o título desde a temporada 2003/04, terminou o campeonato com mais dois pontos que o Twente (campeão da época passada) e mais quatro que o PSV Eindhoven, garantindo o acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões, enquanto o Twente vai disputar a terceira pré-eliminatória.

Dois dias depois do Ajax, foi a vez do Genk se sagrar campeão belga pela terceira vez na sua história (*), ao empatar frente ao Standard Liège por 1-1, na última jornada do play-off de apuramento do campeão.
O Genk terminou o campeonato com os mesmos pontos do Standard Liège (beneficiou do critério de desempate) e mais sete que o Anderlecht, os dois clubes com maior historial e que nas últimas cinco épocas repartiram entre si o título belga (o Genk já não era campeão desde 2001/02). Em função do ranking da Bélgica, o Genk vai disputar a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões de 2011/12.


De sublinhar o facto do Genk ter sido o primeiro adversário do FC Porto no trajecto vitorioso dos dragões na Liga Europa 2010/11. De facto, os novos campeões belgas tiveram o enorme azar de apanhar o FC Porto logo no play-off, sendo eliminados com um claro 7-2 (0-3 na Bélgica e 2-4 no Estádio do Dragão).

Quanto aos novos campeões holandeses, a sua aventura europeia desta época terminou nos oitavos-de-final da Liga Europa, aos pés do Spartak Moscovo, tendo sido derrotados nos dois jogos com os russos (0-1 e 0-3). O mesmo Spartak que, três semanas depois, seria esmagado (10-3!) por um “rolo compressor” azul-e-branco.


Nos anos 80, equipas como o Anderlecht, Ajax e PSV Eindhoven eram do top europeu e, para além de ganharem títulos, fizeram várias vezes a vida negra aos clubes portugueses. Cerca de 20 anos depois, é impressionante a evolução, nos dois sentidos, das principais equipas do futebol belga, holandês e português. O futebol holandês caiu tanto, que até o slb eliminou tranquilamente o PSV…

(*) O KRC Genk resultou da fusão do Watershei e Winterslag em 1988, e já havia sido campeão belga em 1999 e 2002.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Números de um grande clube europeu

2 Taças Intercontinentais ganhas pelo FC Porto (o único clube português que venceu esta competição internacional).

5 competições europeias – 2 Taça/Liga dos Campeões, 2 Taça UEFA/Liga Europa, 1 Supertaça Europeia – ganhas pelo FC Porto (ao contrário do slb e do SCP, que venceram competições europeias no início dos anos 60, todos estes troféus foram ganhos pelo FC Porto nos últimos 24 anos, na era da televisão a cores…).

8 vitórias do FC Porto em jogos disputados fora de casa – Genk, Sofia (CSKA), Istambul (Besiktas), Viena (Rapid), Sevilha, Moscovo (CSKA), Moscovo (Spartak), Dublin (SC Braga) – constitui um novo recorde para equipas portuguesas nas competições europeias.

14 vitórias do FC Porto nos 17 jogos disputados na Liga Europa 2010/11, constitui um novo recorde europeu de vitórias numa só época (em 2002/03, o Barcelona ganhou 13 dos 16 jogos que disputou na Liga dos Campeões; o máximo de slb e SCP é nove vitórias).

18 golos de Radamel Falcao na Liga Europa 2010/11, contando com o golo que marcou no play-off ao Genk, fazem dele o recordista de golos numa só época nas competições europeias (destronou o alemão Jürgen Klinsmann que, ao serviço do Bayern Munique, tinha marcado 15 golos numa só época).

33 anos e 213 dias fazem de André Villas-Boas o treinador mais novo a vencer uma competição europeia (destronou o italiano Gianluca Vialli, que venceu uma Taça das Taças com 33 anos e 308 dias).

44 golos do FC Porto na Liga Europa 2010/11, constitui um novo recorde português (superou em oito golos o anterior máximo que pertencia ao SCP desde a época 1963/64, quando ganhou a Taça das Taças).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nem a ânsia demoveu o sonho


Nervos! Muitos nervos fizeram um pequeno parêntesis ao habitual rolo compressor azul e branco. A retranca expectável do SC Braga contribuiu, e muito, para um jogo pastoso e demasiado concentrado. Mas, como é habitual nestes grandes momentos, lá surgiu Falcao em mais um voo picado e derrubou a muralha minhota.

O favoritismo e o temeroso ataque portista, concentrava todos os holofotes nos nossos rapazes. A brilhante caminhada até Dublin, cheia de exibições brilhantes e goleadas arrasadoras, abriam o apetite internacional para ver este Porto jogar. A ânsia traiu o jogo de posse dos comandados de Villas-Boas, a pressão total dos arcebispos fez o resto.

Num jogo muito concentrado no miolo do terreno, com uma densidade de homens acima do normal, tornava cada disputa intensa e algo confusa. Resultado prático disso, pouca bola no chão e muito menos se viu alguma jogada com cabeça tronco e membros. Um remate de Custódio e outro de Hulk foram excepções naquele emaranhado difícil de desatar.


A partida arrastava-se nesta toada até que, numa recuperação de bola, Guarín, partiu em direcção das redes de Artur, simulou, e cruzou à medida da letal cabeça de Falcao. À primeira nesga o fabuloso avançado colombiano que enverga orgulhosamente as nossas cores fez moça e decidiu o destino do encontro.

Perto do intervalo, o FC Porto ganhava vantagem e o SC Braga via-se na contingência de ter de desformatar os seus princípios de jogo. A oportunidade de espaço fazia crer mais oportunidades para as nossas hostes, porem, o stress típico das finais, retirou-nos clarividência no momento de sair a jogar e decidir o último passe correctamente. Um atrofiamento quase inexplicável, só compreensível por tudo aquilo que estava em jogo.


Domingos mexeu na equipa, mas sempre de forma cautelosa e muito respeitadora para com o Dragão. Mossoró, acabado de entrar ao intervalo, fez o nosso brioso capitão brilhar e segurar a vantagem. Um susto de Fernando que nos esmagou o estômago, mas momento único e irrepetível até ao apito final.

Os domínios da psique azul e branca foram inundadas pelo extremo desejo de erguer o troféu. Não se viu o “show” que fez este FC Porto 2010/11 tornar-se uma referência europeia, mas pelo menos foi capaz de pôr a salvo a vitória. E as finais são assim mesmo; não se jogam, ganham-se!

Fotos: uefa.com

Festa nas ruas de Dublin