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O FC Porto não ganhou porque não foi capaz, não foi competente”.
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Não podemos entrar em mais nenhum jogo com esta falta de agressividade e sem capacidade para resolver as dificuldades colocadas”.
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Demos 45 minutos de vantagem ao adversário. Na primeira parte, não existimos como equipa. Faltou-nos agressividade, do ponto de vista ofensivo e defensivo; a equipa foi lenta, denunciou muito o jogo. Depois, tivemos de ir atrás do prejuízo.”.
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Não quero justificar a má primeira parte com a equipa de arbitragem. Nem sequer queria ir por aí, porque o que define o jogo é uma primeira parte que, do nosso lado, não existiu.”
Todas estas declarações foram feitas por Vítor Pereira, no final do FC Porto x Académica.
Vítor Pereira fala em incapacidade, incompetência, inexistência como equipa e eu, que vi o jogo atentamente, não poderia estar mais de acordo com ele. Mas, quantas vezes já ouvimos este discurso?

Eu admito que jogos de menor motivação possam acontecer pontualmente ao longo de uma época, principalmente se a vantagem na classificação for de modo a proporcionar algum amolecimento aos jogadores (na época passada, para evitar que isto pudesse acontecer, André Villas-Boas ia anunciando objetivos intermédios). O problema é que esta incapacidade, incompetência e inexistência de que fala Vítor Pereira, referindo-se à equipa que ele próprio orienta, fazem parte de um “filme” que esta época já vimos N vezes e em que ele é um dos protagonistas.
De facto, Vítor Pereira mostrou lucidez na análise que fez ao FC Porto x Académica, mas ele não é comentador, nem jornalista. É o treinador principal da equipa de futebol sénior do FC Porto e dele os portistas esperam soluções, até porque tem à sua disposição o plantel mais caro de sempre do futebol português (se é o melhor, ou se é um plantel equilibrado, é outra conversa).
No seu comentário ao jogo, o meu companheiro do blogue Mário Faria, escreveu: “ou o treinador não é capaz de passar a mensagem e os processos, (…) ou então são os jogadores que não lhe ligam nenhuma, não aprendem ou acham que o que lhes pede é algo sem nexo”.
Tal como o Mário Faria, eu também não sei o que se passa mas, em qualquer das situações, eu diria que o treinador não fica bem na fotografia.

Quando Vítor Pereira passou de Nº 2 a Nº 1 e assumiu o comando técnico do FC Porto, o que herdou?
Uma equipa que tinha ganho o campeonato (sem derrotas!) e a Taça de Portugal, acumulando várias vitórias históricas e categóricas perante o principal rival, a que juntou a conquista da Liga Europa. E, para além dos resultados, tínhamos uma equipa que jogava de forma fantástica (lembram-se de haver quem a comparasse ao Barça?), que bateu recordes, que vencia contra as arbitragens e que fez os adeptos sonhar com a repetição dos sucessos a nível interno e um trajeto longo na Liga dos Campeões 2011/12.
Ora, há quem pense que o núcleo duro de jogadores que, sob o comando de André Villas-Boas, atingiram estes patamares de excelência, são os mesmos que esta época querem “tramar” o seu ex-adjunto. E, por quererem “tramar” o Vítor Pereira, ignoram o que ele diz, jogam deliberadamente de forma apática, não têm vontade de ganhar os jogos e, no limite, até vão perder o campeonato de propósito.
Para eu alinhar nesta tese rebuscada, vão ter primeiro de me explicar o que é que os jogadores ganhariam em, propositadamente, prejudicar-se a si próprios!
Também há quem sustente que os jogadores são meninos mimados e que jogam pouco porque já estão com a cabeça em transferências milionárias para o Chelsea, Manchester United, Juventus, etc.
Bem, isto parece-me um contrassenso, porque para suscitar o interesse dos grandes clubes europeus e levá-los a abrirem os cordões à bolsa, os jogadores têm de dar nas vistas pela positiva, ou não?

A minha perspetiva é outra e muito mais simples. Na análise que faço ao desempenho da equipa azul-e-branca, penso hoje o mesmo que pensava em Setembro/Outubro passado, ou seja, o FC Porto dispõe de um plantel de boa qualidade (globalmente) e com provas dadas, mas em que se destacam duas lacunas graves:
i) falta de um ponta-de-lança ao nível do restante plantel;
ii) incapacidade gritante do treinador em motivar, potenciar e tirar pleno partido dos jogadores que a Administração da SAD colocou à sua disposição.
Faltam disputar oito jornadas para terminar o campeonato e, ao contrário do slb, o FC Porto só depende de si para revalidar o título que é seu. Contudo, mesmo que a equipa consiga manter até ao fim a posição que ocupa atualmente, Pinto da Costa e Antero Henrique devem refletir profundamente em tudo o que se passou esta época. Os erros de planeamento e de
casting não se podem repetir na próxima época.
P.S. O facto de noutros artigos ter destacado diversos casos de arbitragem que ocorreram nesta jornada, não invalida que também reflita sobre os problemas internos que afetam a equipa do FC Porto. São dois aspetos distintos e ambos têm forte influência no desempenho da equipa e nos resultados dos jogos.