A crise económica e financeira global trouxe a escassez de liquidez e o crescimento desenfreado dos spreads no mercado bancário. Com a crescente dificuldade no acesso a este tipo de financiamento as empresas têm procurado formas alternativas de financiamento e, em particular, a FC Porto SAD, que tem tido sucesso nas várias emissões e colocações de títulos de dívida no mercado (desde 2003). O perfil do endividamento da sociedade tem-se alterado nos últimos anos, tendo ganho terreno este tipo de Dívida relativamente ao endividamento bancário.
Tal como previsto no Prospecto de Oferta Pública de Subscrição e de Admissão à Negociação aprovado pela CMVM, a FC Porto SAD decidiu aumentar o montante nominal máximo da emissão de obrigações "FC Porto SAD Maio 2015" de 25 milhões para 30 milhões de euros. A decisão, que poderia ser tomada até 11 de Dezembro, justifica-se com a elevada procura, sendo que até 29 de Novembro, quarto dia do período de subscrição, foi recolhido um somatório de 16.157.548 obrigações e um montante total de € 80.787.740 euros.
in fcporto.pt, 30/11/2012
Do Prospecto de Oferta Pública de Subscrição de Obrigações da FC Porto SAD consta uma listagem, elaborada pela sociedade, dos seus factores de risco específicos, dos quais saliento os seguintes:
- Ponto 6. O enquadramento macroeconómico e financeiro actual apresenta um conjunto de constrangimentos, nomeadamente a escassez de liquidez no mercado e o consequente aumento dos spreads cobrados às empresas, o que tem implicado uma crescente dificuldade no acesso ao crédito bancário. Em simultâneo, as condições atuais no mercado de dívida soberana portuguesa tem vindo a ter reflexos negativos na capacidade das empresas nacionais se financiarem no mercado de capitais. Todos estes factores poderão vir a comprometer a capacidade da FC Porto SAD de financiar a sua actividade corrente e, eventuais investimentos futuros, ou de assegurar o refinanciamento de operações que maturem em condições de remuneração por si consideradas adequadas, nomeadamente dos Empréstimos Obrigacionistas “FC Porto SAD 2009-2012” e “FC Porto SAD 2011-2014”, que se vencem em 18 de Dezembro de 2012 e 3 de Junho de 2014, respectivamente, e do presente Empréstimo Obrigacionista.
- Ponto 7. O produto líquido da presente Oferta destina-se ao financiamento da actividade corrente, permitindo à FC Porto SAD consolidar passivo num prazo mais alargado, através do refinanciamento, junto dos seus Bancos de apoio, de operações que se irão vencer, num futuro próximo. O crédito bancário como eventual alternativa ou meio complementar de financiamento, nomeadamente para consolidação de passivo e/ou refinanciamento de operações já existentes, onde se pode eventualmente vir a incluir o reembolso dos juros e capital inerentes ao presente empréstimo obrigacionista da FC Porto SAD, pode estar condicionado pelos constrangimentos atuais existentes no sistema bancário ou pelo custo associado a tal financiamento.
O Empréstimo Obrigacionista 2012-2015 foi lançado na continuidade de outros que o precederam e tem como objectivos (i) o refinanciamento do empréstimo 2009-2012 no montante global de 18m€ que se vence agora em Dezembro e precisa de ser “renovado” e (ii) a obtenção de liquidez adicional para financiar a actividade corrente. Inicialmente o montante de cash-flow a encaixar pela SAD era de 7m€ (25m€ do novo empréstimo subtraídos dos 18m€ do empréstimo a amortizar) mas devido à “elevada procura” a sociedade optou por aumentar o valor nominal pelo que o montante líquido a encaixar será de 12m€.
Este será o 5º empréstimo obrigacionista lançado pela FC Porto SAD (sendo o 4º renovado consecutivamente desde 2003). O custo do capital tem vindo a subir tendo atingido agora um novo máximo de 8,25% (em 2003 o custo do capital era de 5,35%). Em 2011 a SAD lançou outro empréstimo obrigacionista, com maturidade em 2014, e que coexistirá com este empréstimo 2012-2015.
O aumento do montante global do Empréstimo para 30m€ fará aumentar consideravelmente a Dívida Líquida da SAD – embora assente numa maturidade mais longa – colocando-a mais dependente do crédito de terceiros para o exercício da sua actividade. É a própria SAD, como acima se transcreve, que não afasta a hipótese de se ver forçada a recorrer a dívida bancária para reembolsar os juros deste empréstimo. Assim, o crescimento da Dívida deveria ser acompanhado de um crescimento sustentado dos proveitos da sociedade, nomeadamente aqueles que não resultam da alienação de passes de jogadores.
edit: acrescentado gráfico sobre os montantes da Dívida total da SAD após o empréstimo obrigacionista.






















