quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Os Empréstimos Obrigacionistas da SAD

O mercado de emissão de títulos de dívida (v.g. Obrigações) pelas empresas está bastante mais desenvolvido e enraizado nos Estados Unidos do que na Europa. Nos Estados Unidos é normal, desde longa data, as empresas emitirem títulos para financiarem o seu investimento. No entanto, tem havido um movimento gradual para a criação de títulos de dívida ao estilo americano por parte das pequenas e médias empresas europeias como forma de diversificação das suas fontes de financiamento. Dados: Knowledge for Markets

A crise económica e financeira global trouxe a escassez de liquidez e o crescimento desenfreado dos spreads no mercado bancário. Com a crescente dificuldade no acesso a este tipo de financiamento as empresas têm procurado formas alternativas de financiamento e, em particular, a FC Porto SAD, que tem tido sucesso nas várias emissões e colocações de títulos de dívida no mercado (desde 2003). O perfil do endividamento da sociedade tem-se alterado nos últimos anos, tendo ganho terreno este tipo de Dívida relativamente ao endividamento bancário.

Tal como previsto no Prospecto de Oferta Pública de Subscrição e de Admissão à Negociação aprovado pela CMVM, a FC Porto SAD decidiu aumentar o montante nominal máximo da emissão de obrigações "FC Porto SAD Maio 2015" de 25 milhões para 30 milhões de euros. A decisão, que poderia ser tomada até 11 de Dezembro, justifica-se com a elevada procura, sendo que até 29 de Novembro, quarto dia do período de subscrição, foi recolhido um somatório de 16.157.548 obrigações e um montante total de € 80.787.740 euros.
in fcporto.pt, 30/11/2012

Do Prospecto de Oferta Pública de Subscrição de Obrigações da FC Porto SAD consta uma listagem, elaborada pela sociedade, dos seus factores de risco específicos, dos quais saliento os seguintes:

  • Ponto 6. O enquadramento macroeconómico e financeiro actual apresenta um conjunto de constrangimentos, nomeadamente a escassez de liquidez no mercado e o consequente aumento dos spreads cobrados às empresas, o que tem implicado uma crescente dificuldade no acesso ao crédito bancário. Em simultâneo, as condições atuais no mercado de dívida soberana portuguesa tem vindo a ter reflexos negativos na capacidade das empresas nacionais se financiarem no mercado de capitais. Todos estes factores poderão vir a comprometer a capacidade da FC Porto SAD de financiar a sua actividade corrente e, eventuais investimentos futuros, ou de assegurar o refinanciamento de operações que maturem em condições de remuneração por si consideradas adequadas, nomeadamente dos Empréstimos Obrigacionistas “FC Porto SAD 2009-2012” e “FC Porto SAD 2011-2014”, que se vencem em 18 de Dezembro de 2012 e 3 de Junho de 2014, respectivamente, e do presente Empréstimo Obrigacionista.

  • Ponto 7. O produto líquido da presente Oferta destina-se ao financiamento da actividade corrente, permitindo à FC Porto SAD consolidar passivo num prazo mais alargado, através do refinanciamento, junto dos seus Bancos de apoio, de operações que se irão vencer, num futuro próximo. O crédito bancário como eventual alternativa ou meio complementar de financiamento, nomeadamente para consolidação de passivo e/ou refinanciamento de operações já existentes, onde se pode eventualmente vir a incluir o reembolso dos juros e capital inerentes ao presente empréstimo obrigacionista da FC Porto SAD, pode estar condicionado pelos constrangimentos atuais existentes no sistema bancário ou pelo custo associado a tal financiamento.



O Empréstimo Obrigacionista 2012-2015 foi lançado na continuidade de outros que o precederam e tem como objectivos (i) o refinanciamento do empréstimo 2009-2012 no montante global de 18m€ que se vence agora em Dezembro e precisa de ser “renovado” e (ii) a obtenção de liquidez adicional para financiar a actividade corrente. Inicialmente o montante de cash-flow a encaixar pela SAD era de 7m€ (25m€ do novo empréstimo subtraídos dos 18m€ do empréstimo a amortizar) mas devido à “elevada procura” a sociedade optou por aumentar o valor nominal pelo que o montante líquido a encaixar será de 12m€.

Este será o 5º empréstimo obrigacionista lançado pela FC Porto SAD (sendo o 4º renovado consecutivamente desde 2003). O custo do capital tem vindo a subir tendo atingido agora um novo máximo de 8,25% (em 2003 o custo do capital era de 5,35%). Em 2011 a SAD lançou outro empréstimo obrigacionista, com maturidade em 2014, e que coexistirá com este empréstimo 2012-2015.



O aumento do montante global do Empréstimo para 30m€ fará aumentar consideravelmente a Dívida Líquida da SAD – embora assente numa maturidade mais longa – colocando-a mais dependente do crédito de terceiros para o exercício da sua actividade. É a própria SAD, como acima se transcreve, que não afasta a hipótese de se ver forçada a recorrer a dívida bancária para reembolsar os juros deste empréstimo. Assim, o crescimento da Dívida deveria ser acompanhado de um crescimento sustentado dos proveitos da sociedade, nomeadamente aqueles que não resultam da alienação de passes de jogadores.


edit: acrescentado gráfico sobre os montantes da Dívida total da SAD após o empréstimo obrigacionista.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

SMS do dia

"Expulsados del Camp Nou tres seguidores del Benfica por encender bengalas"
in Mundo Deportivo

Parece que em países desenvolvidos - no estádio que acabou com uma das claques mais violentas do futebol espanhol - não há tolerância para criminosos. Ainda bem!

Azumir Veríssimo - 1935-2012



Chega do Brasil a triste notícia do falecimento do nosso antigo avançado-centro Azumir Veríssimo, por cá mais simplesmente Azumir.

Na época 1961-62 foi o melhor marcador do campeonato nacional, com 23 golos, tendo "rubricado" nas nossas vitórias em Alvalade e na Luz.

Em tempos escrevi aqui um apontamento acerca dele.

Que descanse em Paz.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Erros fatais


1. Danilo já mostrou qualidades, é bom a atacar, mas a defender é cada buraco... Logo nos instantes iniciais, o PSG aproveitou o espaço dado pelo internacional brasileiro e, após um centro da esquerda, Ibrahimovic quase que inaugurava o marcador.
Perto da meia-hora, mais uma autoestrada aberta por Danilo, obrigando Otamendi (grande joga!) a fazer falta e a ver o cartão amarelo. Da falta, cruzamento para a área e o lateral que custou quase 20 milhões fica a ver Thiago Silva saltar e a colocar a bola no ângulo da baliza de Helton. 1-0.
Após o que se viu nos últimos dois jogos, tenho cada vez mais dúvidas que o Danilo seja a melhor solução do plantel para alinhar a lateral-direito nos jogos contra adversários mais fortes.

2. Helton estava a fazer uma boa exibição, com algumas defesas de grau de dificuldade elevado, mas o peru que esteve na origem do 2-1 é difícil de engolir.

3. Tal como aconteceu na passada sexta-feira em Braga, numa altura em que o FC Porto tinha o jogo perfeitamente controlado, foi um erro individual que deitou tudo a perder.

4. Apesar da enorme machadada que foi o 2º golo do PSG (até pela forma como foi sofrido), a equipa reagiu bem e, tal como aconteceu em Braga, criou ocasiões flagrantes para voltar a empatar o jogo. Mas quando um "matador" como Jackson Martínez falha um golo feito só com o guarda-redes pela frente e, na recarga, já sem guarda-redes na baliza, um jogador da categoria do Lucho, em posição frontal, remata por cima da barra...

5. Varela é esforçado, ajuda bastante na defesa mas, mais uma vez, mostrou não ser um extremo ao nível que é exigido por uma equipa com as ambições do FC Porto.
Porque não entrou Atsu mais cedo? Talvez a resposta esteja nas exibições do jovem ganês nos últimos jogos.

6. É quase dramático (passe o exagero) olhar para o banco de suplentes do FC Porto e ver quais eram as alternativas ofensivas à disposição de Vítor Pereira. E o problema é que no resto do plantel não há melhor.
O jeitaço que daria a Vítor Pereira ter no plantel um segundo avançado como Lima ou Éder (que foi dado como contratação do FC Porto, mas acabou em Braga a custo zero...).

7. A arbitragem foi caseirona e, logo nos primeiros cinco minutos, a forma simpática como reagiu às entradas de Ibrahimovic sobre Otamendi e de van der Wiel sobre James, mostraram para que lado ia estar inclinado o relvado. Depois ainda houve dois foras-de-jogo assinalados a Jackson, quando o ponta-de-lança portista já ia isolado, e que a realização francesa não repetiu...
Só quem não viu a forma como o senhor Craig Thomson conduziu o jogo, pode estranhar que três jogadores portistas - James, Danilo e Mangala - tenham perdido a cabeça e visto cartões amarelos nos últimos minutos do desafio de Paris.

8. Apesar destas duas derrotas seguidas terem sido em Braga e Paris, com expulsões, auto-golos e "perus" pelo meio, a comunicação social lisboeta não irá perder esta oportunidade para "deitar sal" para cima da ferida.
E nós? Em vez de iniciarmos a caça as bruxas, com a queima do treinador na fogueira da contestação, parece-me que seria mais produtivo que, dentro das possibilidades financeiras da SAD, a Administração tentasse colmatar as evidentes lacunas que existem no plantel 2012/13.

Claques, violência e a desfaçatez de Eugénio Queirós

Um conhecido jornalista, adepto do Leixões, simpatizante do slb e anti portista figadal, escreveu o seguinte no seu blogue:

«Na passada 6.ª feira, em Braga, um adepto bracarense, de 39 anos, morreu na sequência de mais uma zaragata. Ao fugir da confusão, foi atropelado mortalmente. (curiosamente, o Sp. Braga chegou oficialmente a informar que o que aconteceu nada teve a ver com o jogo de futebol...). Não importa muito saber como foi. Importa sobretudo saber porque aconteceu.»

Não importa saber como foi?!
Não importa perceber por que razão uma camioneta com adeptos do FC Porto, quando se dirigia ao estádio Axa, parou (ou teve de parar) na via rápida que atravessa Braga?
Não importa investigar se a camioneta com adeptos do FC Porto foi (como alguns testemunhos sugerem) alvo de uma emboscada efetuada por membros da claque bracarense Red Boys?

Pois bem, a versão oficial da PSP de Braga é a seguinte:
"Um grupo de adeptos do Braga apedrejou o autocarro do FC Porto e o atropelamento mortal registou-se logo a seguir. Não se sabe ainda se a vítima fazia parte daquele grupo"

Mas, do texto publicado por Eugénio Queirós no seu blogue, a melhor parte é esta:

«Dos clubes que conheço, o Benfica é o único que não passa cartão às suas claques. Faz muito bem. Não precisa delas para nada. Nos outros, é o que se sabe: as claques são tratadas com carinho e respeito.»

Como? O slb não passa cartão às suas claques?!!!
É inacreditável como é que um jornalista português, supostamente sério, que acompanha há décadas o fenómeno desportivo em Portugal, pode escrever uma coisa destas.

«O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, vai ser chamado para ser ouvido como testemunha no âmbito do processo que levou hoje à detenção de 30 elementos dos 'No Name Boys'. O Ministério Público quer esclarecer como é que uma claque que não estava legal tinha direito a uma sede no estádio do clube, avançou ao Expresso fonte policial. O espaço é conhecido como "A Casinha".
(…) Trinta elementos do grupo foram detidos, incluindo os dois supostos líderes: Miguel Claro e José Pité. Os detidos estão indiciados por ofensas corporais, associação criminosa, tráfico de droga e danos e incêndio a um autocarro que transportava adeptos do FC Porto para um jogo de hóquei em patins, em Junho deste ano.»
in EXPRESSO, 16/11/2008


«Cerca de quatro dezenas de elementos da claque do Benfica No Name Boys foram acusados de vários crimes e o presidente do clube, Luís Filipe Vieira, foi alvo de uma participação à Comissão Disciplinar da Liga de clubes por apoiar aquele grupo de adeptos. A certidão foi também remetida para o Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto, entidade junto de quem a claque se deveria ter legalizado, identificando todos os seus membros. O mais conhecido grupo de apoiantes do Benfica foi alvo de uma aparatosa acção policial há cerca de meio ano, através da operação Fair Play, desencadeada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento (UECCEV) do DIAP de Lisboa com a colaboração da Polícia de Segurança Pública. (...)
A acção policial saldou-se ainda na apreensão de armas proibidas, material pirotécnico e mais de dez quilos de haxixe e 115 gramas de cocaína. O libelo sustenta que a claque era financiada através da venda de ingressos para os desafios e de substâncias estupefacientes, nomeadamente haxixe e cocaína.»
in PUBLICO, 16/05/2009


«Luís Filipe Vieira garantiu ao Ministério Público nem sequer reconhecer os No Name Boys, acusando a polícia e a segurança privada por mau controlo de armas e material incendiário nos estádios – mas a PSP, num relatório a que o CM teve acesso, arrasa o presidente do Benfica. Pode ler-se que Vieira reúne com a claque para lhes dar todo o apoio, deixando entrar as tochas nas bancadas da Luz; despede o chefe de segurança do clube por ajudar a PSP a identificar os criminosos – e almoça com o comandante da polícia para lhe pedir que "facilite" na presença policial junto dos No Name Boys. Muitos deles entretanto presos por droga, armas, roubos, incêndios e espancamentos a adeptos rivais.»
in Correio da Manhã, 18/05/2009


No futebol português parece valer tudo mas, pelo menos da parte dos jornalistas desportivos, deveria haver um mínimo de ética e deontologia profissional.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FC Porto na capa do L'Equipe

A inveja dos medíocres corrói por dentro as entranhas de uma parte significativa dos jornalistas desportivos portugueses e, normalmente, o FC Porto só consegue ser destaque na capa de A BOLA, ou do Record, por más razões.
Ao contrário do que se passa em Portugal, em que se procura denegrir e atirar lama para cima das vitórias e títulos conquistados pelo FC Porto, no estrangeiro o mérito evidenciado pelos dragões nas últimas décadas é reconhecido, de forma quase unânime, por dirigentes, treinadores, jogadores e pela comunicação social que acompanha o futebol. A começar por uma das "Bíblias" da imprensa desportiva internacional, o jornal francês L'Equipe, que hoje publicou uma página sobre os segredos do sucesso do FC Porto.


«"Os segredos do eterno Porto". É assim que o jornal desportivo L'Equipe chama à primeira página um trabalho exaustivo sobre o sucesso dos dragões, suportando-o com declarações de Pinto da Costa, do treinador Vítor Pereira e dando exemplos de vários negócios milionários.

O presidente revela que este jogo em Paris marca o seu regresso às deslocações ao estrangeiro, depois de ter sido operado ao coração, o ponto de partida para o jornalista lhe perguntar se o dirigente irá manter-se à frente do clube por mais 20 anos. "Não, certamente que não. Nem dez anos nem mesmo cinco. É o momento de o clube ganhar sem mim", responde.

Na sequência desta afirmação, Pinto da Costa conta o que irá fazer quando se retirar: "Vou acompanhar o clube nos jogos europeus, escrever e viajar. Nos últimos anos, apenas viajei com a equipa".

O artigo menciona ainda "a estrutura estável" que é o FC Porto, da numerosa rede de olheiros espalhados pelo mundo para detetar os melhores talentos e Vítor Pereira revela o espírito competitivo: "Quando alguém chega ao clube sente, desde o primeiro treino, um estado de espírito diferente e muito competitivo. Ganhar no treino é fundamental, trabalha-se como se o título nacional estivesse em jogo".»
Norberto A. Lopes e Miguel Pataco, em Paris, ao serviço do JN

De Braga a Paris


Não dá para entender a abordagem de Vítor Pereira ao jogo da Pedreira. Afinal a Taça de Portugal é ou não uma competição para vencer? Gerir o plantel é mudar 80% da equipa de uma competição para outra? A responsabilidade da derrota foi, ainda que repartida, das segundas linhas?

Ao longo dos anos habituei-me a ver as jovens promessas a entrarem na equipa titular de forma gradual, um a um, e nos jogos em casa com a contenda bem encaminhada. Com este treinador tudo mudou. Joga-se para o campeonato ou para a Liga dos Campeões com os melhores elementos do plantel e depois, para uma competição menos exigente, mudam-se de uma vez 7 ou 8 jogadores na equipa titular. Não são oportunidades destas que os “reservistas” precisam. São, aliás, presentes envenenados porque farão cair sobre eles a responsabilidade de um eventual desaire. Alterando toda a estrutura da equipa esta perde identidade e surgem muitos desequilíbrios em todos os sectores. Não há articulação entre defesa e meio campo e entre a zona intermediária e a linha avançada.


A integração de Atsu, Kelvin, Iturbe, Castro, Miguel Lopes, Kleber ou Abdoulaye na equipa principal deveria ser feita em jogos como um FC Porto x Marítimo, aos 60’ (ou 80’) quando o marcador estivesse em 2-0 (ou 3-0). Pelo menos foi assim que me habituei a ver a renovação dos sucessivos plantéis do FC Porto, a não ser em casos especiais como lesões graves e prolongadas dos habituais titulares.

Não se vê qualquer evolução de jogadores como Iturbe (fruto de um investimento financeiro considerável) e Kelvin, que são jovens muito promissores e isso é preocupante. E fomos eliminados numa fase prematura da Taça pela segunda época consecutiva.

Com uma gestão do plantel tão criteriosa espera-se, no mínimo, um empate em Paris para segurar o primeiro lugar no Grupo A. O problema está no facto de quem não jogar para ganhar numa competição como a Liga dos Campeões, normalmente perde.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Os incendiários de serviço

Os títulos e destaques de 1ª página escolhidos pelo jornal A BOLA, no dia seguinte ao último SC Braga x FC Porto, tinham dois alvos claros: o treinador do FC Porto ("Dragão brincou com o fogo e queimou-se") e a principal claque do FC Porto ("Morte antes do jogo").

Sobre as opções do treinador do FC Porto, ao nível da gestão do plantel, já me pronunciei brevemente num comentário ao jogo e falarei num outro artigo a publicar.

Quanto à morte de um adepto bracarense antes do jogo, é um assunto demasiado grave para ser tratado com ligeireza. Por isso, deve-se ter muito cuidado naquilo que se diz e escreve e não misturar situações comprovadas com especulações.

No final do jogo, quando alguns jornalistas e órgãos de comunicação social lisboetas já tinham difundido a versão de que o membro dos Red Boys tinha morrido na sequência de confrontos graves entre as claques dos dois clubes, o diretor de comunicação do clube minhoto, Marco Aurélio Carvalho, compareceu na sala de imprensa e afirmou (para quem o quis ouvir) que o incidente nada teve a ver com confrontos entre claques.

Já ouvi e li que o atropelamento do membro dos Red Boys ocorreu quando este ia a fugir de adeptos portistas mas, para além desta versão não estar confirmada, convinha que os jornalistas que a difundiram tentassem, pelo menos, perceber porque razão é que uma camioneta dos Super Dragões terá, alegadamente, parado na via rápida que atravessa Braga e alguns adeptos terão, alegadamente, saído da mesma em perseguição do adepto bracarense que faleceu após ser atropelado.

O que está comprovado é o facto de, após o final do jogo, a camioneta que transportava a comitiva oficial do FC Porto ter sido apedrejada quando se dirigia ao Porto, o que aconteceu pela segunda vez no espaço de uma semana. Mas isso, claro, não é assunto que mereça qualquer destaque do jornal A BOLA.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Era pedir muito, não?



Sim, é certo que esta mesma gigantesca "poupança" tinha tido êxito na Madeira contra o Nacional, mas convenhamos que jogar apenas com 4 titulares contra um Braga praticamente na máxima força, não é propriamente a mesma coisa.

E a ironia é que a "coisa" até podia ter resultado.
A ideia era aguentar, fazendo muito pouco ou mesmo nada, aquele golo madrugador de Mangala.
Mas o recuo foi tamanho que os amarelos iam-se avolumando de forma muito perigosa.
Pior: Fernando, calculando mal uma saída de bola, foi obrigado a cometer penalty que, por sorte, o árbitro não viu.
O tempo ia assim passando mas muito devagar...
Nos minutos decisivos, aqueles em que o Braga começava a desesperar, eis que a inexperiência de Castro deita tudo a perder.
Forçado o amarelo? Bem houve tantos desse género nesta partida...

Ainda não estava tudo perdido, já não seria a primeira vez que nos aguentávamos assim.
O que ninguém esperava era o cúmulo de se marcar na própria baliza sem qualquer oposição por perto.

Faz sentido poupar assim a ainda 4 longos dias do próximo encontro?
Bem, agora é fácil falar mas, na realidade, numa partida para o campeonato e em iguais circunstancias, nunca tal sucede...
Por outro lado, se formos a ver com algum distanciamento, o jogo de Paris nem é assim tão importante quanto isso.

Certo, certo, é que jogar com Kléber é quase uma anedota que muito caro já nos saiu e sairá no futuro.
E depois, há ainda aquela clássica rábula de se teimar em não se jogar com o guarda-redes titular na Taça.
Um dia alguém o há de explicar, bem explicadinho, para ver se entendemos.
Ainda para mais, sabendo-se da calma que Helton transmite e que seria tão importante jogando com tantas caras novas no "11".

Enfim, eis o primeiro grande revés da temporada. Vitor Pereira arriscou em demasia e, desta vez, deu-se mal.

Chegou então aquela alltura em que ficaremos a saber de que massa é realmente feito este FCP da era pós-Hulk.

SAD: resultados consolidados do 1o trimestre

Já se conhecem os resultados do 1o trimestre de 12/13 (i.e. JAS), com um resultado positivo de 12,8M€, que podem ser consultados na íntegra aqui:


Como de costume não vou aqui debitar um "rôr" de rácios «crus» ou usar termos demasiado técnicos, tentando apenas transmitir dados e conclusões que me pareceram salientes com uma linguagem que qualquer adepto possa compreender.

Pois bem: a situação continua problemática (ainda que longe de catastrófica) mas com tendência a piorar, fruto tanto de um aumento de custos como uma diminuição das receitas (excluindo vendas de jogadores). A um nível agregado isto verifica-se em 2 coisas:

1) Se não fosse a venda de Hulk e A. Pereira neste período, teríamos feito um prejuízo (em 3 meses...) de 16M€. Há um ano atrás, o prejuízo equivalente (i.e. antes de ter em conta a venda de Falcão) era de 13M€, ou seja, a situação deteriorou-se em cerca de 1M€/mês.

Já tendo em conta a sazonalidade de alguns custos e receitas (LC,...), prevejo que por este caminho vamos fazer um prejuízo de uns 25 a 35M€ nos restantes 9 meses, antes de se tomar em conta a venda de mais jogadores. O que é equivalente a dizer que para não fazer prejuízo em 12/13 (o que não é uma obrigação por si só) seria provavelmente preciso encaixar ainda uns 25 a 40M€ brutos em vendas de jogadores (dependendo de quem é vendido, já que as mais-valias variam bastante de jogador para jogador, em função do que custou, quando, e a % de passe que detemos).

Salvo erro vi há um par de meses um dirigente da SAD a dizer que não precisava de vender mais nenhum titular esta época para equilibrar as contas, mas ou não sabia do que estava a falar ou então mentiu.

2) De um ponto de vista de tesouraria (que é o que mais interessa a curto prazo), apesar das vendas de Hulk e A. Pereira chegámos a 1 de Outubro com o mesmo saldo negativo de curto prazo  que tínhamos 3 meses antes (80M€), i.e. o saldo do que temos a pagar e a receber até Setembro do próximo ano.

O novo empréstimo obrigacionista (25M€) vai tapar apenas 30% desse «buraco». 

Outra parte será certamente tapada por receitas da LC (que não estavam ainda previstas), um pouco de bilheteira e pouco mais, mas certamente  isso não vai ultrapassar uns 20M€ extra no total em relação ao que já estava contabilizado.

Sobra o quê? O «sinal» de novas vendas de jogadores, que dificilmente ultrapassará uns 20M€ (com o resto a ser pago depois de Set 2013), a que se terá que descontar o «sinal» de novas compras e comissões de intermediação; e novos empréstimos (com juros mais altos do que os que caducam entretanto).

Passo agora a alguns detalhes interessantes nas contas:

1) Os custos com pessoal aumentaram 30% (!!) no primeiro trimestre, ou 2,7M€. Nem um «pio» no R&C a explicar isto, apesar de em outras coisas com muito menos peso se terem dado ao trabalho de dar detalhes.

Ainda há um pouco de salário de Hulk e A. Pereira nesses números e porventura haverá alguns efeitos pontuais, mas por aqui parece-me desde já impossível que cheguemos ao fim da época com custos com pessoal mais baixos do que em 11/12, apesar da apregoada contenção nesta rubrica.

2) Os 50M€ brutos de Hulk e A. Pereira traduziram-se em mais-valias de apenas 28.4M€, pouco mais do que metade. Não é propriamente uma surpresa, já aqui eu tinha previsto algo do género (tendo em conta o que eles nos tinham custado e que só detínhamos 75% do passe do Palito).

3) O Zenit já pagou 20M€, vai pagar 10M€ nos próximos 12 meses, e os restantes 10M€ para além de 2013.

4) Em JAS o A. Madrid abateu 9M€ ao que nos devia, mas mesmo assim ainda nos deve 16M€.

5) Os juros pagos nos empréstimos já «vão» numa taxa média de 7,5% (que vai subir ainda mais com o novo empréstimo obrigacionista). Tendo em conta o tamanho do passivo, isso é má notícia: como já disse anteriormente, são cerca de 10M€/ano (mais do que recebemos de receitas de TV) que vão pela janela fora só para servir a dívida.

Concluindo: para já não se descortina qualquer esforço sério e significativo de contenção de custos (pessoal, FSE, ...), apesar do «buraco» estrutural e da evolução negativa que se perspectiva de algumas receitas (em particular a bilheteira), a não ser uma contenção relativa no último defeso no que diz respeito a contratações; vamos a ver nos próximos defesos se essa contenção nas contratações foi meramente pontual e excepcional (como na época em que Co Adriaanse chegou) ou se é o princípio de uma mudança gradual e sustentada no rumo da gestão desta Direcção (e vamos ver também se enveredam por um esforço de contenção em outros custos para além dos passes e salários de jogadores). 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A utopia ibérica

«A Liga espanhola está centrada no Barcelona e no Real Madrid, por isso seria inteligente encontrar uma fórmula para a criação de uma Liga de estados ibéricos», afirmou Laporta, em declarações prestadas à Antena 1.
Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona

El Barcelona podría jugar la Liga que le gustara más. Pero yo creo que en este punto no habría duda de que jugaríamos la liga de la Península Ibérica, o la LFP, y jugaríamos contra los rivales habituales”.
Josep Bartomeu, vice-presidente Barcelona

Os eleitores catalães foram às urnas no passado domingo como nunca na sua história.
Viveu-se o maior registo de participação desde a queda do regime franquista e a maioria clara dos votos foram entregues a partidos que defendem a realização de um referundum que proponha a separação da Catalunha do resto de Espanha.

Apesar da derrota do partido que estava no governo - e que liderou a campanha independentista - o conservador CIU, os partidos de esquerda que apoiam a separação do estado catalão triplicaram a sua votação e garantem essa maioria necessária. Sem saber o que esperar nos próximos meses, os adeptos do Barcelona continuam a debater sobre onde deveria jogar o clube blaugrana em caso da improvável independência se tornar numa realidade.

Actualmente manejam-se três cenários (um quarto, que o Barça jogue na Ligue 1 é meramente retórico), para essa situação que incluiria igualmente o Espanyol e em menor medida o Nastic de Tarragona e o Girona, os outros dois clubes catalães que disputam a liga profissional mas no segundo escalão.



1) Que tudo fique na mesma e os clubes catalães joguem na liga espanhola, como sucede com o AS Monaco em França ou com o Swansea e Cardiff City em Inglaterra.

2) Que se crie uma liga própria, exclusiva para clubes catalães, emulando uma competição que já existe, a Copa Catalunya, dada a rejeição de muitos espanhóis em receber os dissidentes.

3) A criação de uma Liga Ibérica.

Enquanto o segundo ponto é o mais improvável, algo que a directiva do clube já se manifestou abertamente contra, consciente da insignificante realidade do futebol catalão para formar uma liga própria que seria muito inferior, por exemplo, à da Escócia, a grande polémica está entre os pontos 1 e 3. Ambos têm defensores e detractores com influência institucional e espelham bem o mosaico complexo que vive a sociedade espanhola.

Os mais radicais independentistas querem cortar todos os laços institucionais com Espanha e por isso, na impossibilidade lógica de ter uma liga própria, apenas aceitariam jogar com os clubes do país a que pertencem actualmente se essa prova incluísse também outros povos ibéricos, ou seja, nós.

Essa é a filosofia de Laporta e do laportismo, uma facção fortíssima entre os adeptos blaugranas e uma ideia que foi muito aplaudida nos sectores mais radicais durante a campanha eleitoral. Laporta prepara-se para voltar a disputar a presidência do clube e foi deputado independentista desde que abandonou o clube, e foi o primeiro, em 2009, a defender a ideia de uma Liga que reunisse os clubes catalães, vascos, galegos, espanhóis e portugueses, numa prova a 18 clubes. Convidaria o FC Porto, SL Benfica, Sporting de Braga e Sporting CP para juntar-se a Barcelona e Espanyol e 12 clubes mais espanhóis, entre bascos, galegos, andaluzes, valencianos ou castelhanos.



Essa liga tem sido um projecto utópico discutido - como o iberismo em si - desde há vários anos por vários intelectuais e pensadores do jogo na Península Ibérica. Muitos defendem a ideia como tábua de salvação financeira para os clubes portugueses, presos numa liga sem receitas e sem rivalidade para lá do top 4. Seria um torneio que agradaria a todos, já que a imprensa espanhola acredita que os clubes portugueses não aguentariam muito tempo na elite e acabariam por diluir-se na 2º divisão, a Liga Adelante, mantendo o status quo.

No entanto, essa pseudo-liga ibérica não deixa de ser uma tremenda utopia perfeitamente irrealizável.

Nunca teria o selo da UEFA - que de o permitir abriria a porta para o fim da sua base de apoio legal, o federalismo nacional - e o exemplo das propostas do Celtic e Rangers de juntar-se à Premier - rejeitadas - já o deixa antever.

Mais realista seria o ponto 1, emulando o que já acontece com clubes do Pais de Gales (o Swansea é o caso mais evidente) ou com o próprio AS Monaco, que actuam nas ligas profissionais inglesas e francesas, respectivamente, precisamente porque não há condições para subsistirem numa liga autonómica independente. Além do mais, ninguém, nem em Madrid nem em Barcelona, está disposto a viver sem os inevitáveis Clásicos anuais, o verdadeiro termómetro emocional do futebol espanhol. As directivas de ambos os clubes conhecem o impacto financeiro que esse duelo tem nas contas dos clubes e na sua imagem a nível mundial e seriam incapazes de abdicar dessa mais valia apenas por questões políticas.

No caso dos clubes portugueses, restará a possibilidade de melhorar as condições existentes na Liga ZON Sagres, seja pela renegociação dos contratos televisivos, a aposta na formação local e o ajuste dos preços dos bilhetes para manter longe o espectro dos estádios vazios. Porque sonhar com disputar o título ibérico com Real Madrid, Barcelona, Valencia ou Atlético de Madrid é apenas um sonho de impossível realização.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rolando parte a loiça

«During the summer window Hughes first attempted to bring Ricardo Carvalho back to the Premier League, from Real Madrid, then persuade Michael Dawson to move across London from Tottenham Hotspur. Both declined the invite, and thus ensued a tortuous attempt to sign the Portugal international Rolando.
Here was a robust but technical able defender in his mid-20s who had just gone to the European Championship. He had been a first choice for Porto throughout his four seasons there, winning trophy after trophy. And Porto were willing to let him leave for a surprisingly reasonable €2millon (Dh9.4m) loan fee with a €10m option to buy. Problem solved? Not quite.

An intelligent and strong-minded individual, Rolando was not keen on joining a small club that only just avoided relegation to the Championship. He did not appreciate the pressure exerted by Porto technical director Antero Henrique to leave for QPR, nor the threats from coach Vitor Pereira that he should not expect to be a starter if he refused to leave the club. Nor did he appreciate the calls informing him that Mohamed Afzal, a Portuguese-based agent registered in the tiny African state of Guinea-Bissau, and Kia Joorabchian, Hughes's controversial representative, wanted him to meet the QPR manager to discuss a move.

Though both clubs pursued the transfer until deadline day, Rolando dug in his heels and stayed put. “I didn't go to QPR for two reasons”, Rolando explains. “First, I don't go anywhere on loan. If I leave Porto I want to leave for good because it is difficult for a player who has been a first choice for four years and is a Portugal international to come back to a club after that club has sent him away on loan. Second, with all respect to QPR I didn't consider them to be a team for my level”. “What I find hard to understand is why Porto rejected an offer of €8m from Roma at the beginning of August and then told me to move to QPR for a €2m loan fee and an option of €10m. This I find hard to explain.”

Hard to explain, easier to see the results. Paying for his strength of mind, Rolando has been exiled to Porto's reserves. Paying for his adviser's presumption, Hughes is unemployed.»


Evidentemente, esta é a versão do Rolando ou, provavelmente, do empresário do Rolando (que nas últimas semanas tem andado muito falador...).

Estranho é o facto de estas declarações surgirem num jornal inglês (The National). Se o Rolando, ou o seu empresário, têm queixas da FC Porto SAD e entenderam ser a altura para vir para a praça pública partir a loiça, acharia mais normal que o fizessem através dos canais habituais para esse fim: A BOLA, Record, ou o programa ‘Bola Branca’ (RR).
Aliás, gostava de perceber como é que esta entrevista é dada ao jornalista Duncan Castles (ex-Sunday Times). Ou seja, quem estabeleceu a ligação entre o Duncan Castles e o Rolando (ou o seu empresário)?

Falta saber qual é a versão da SAD portista e, principalmente, do Antero Henrique e do Vítor Pereira, que são diretamente visados nesta entrevista.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Resolver a questão da co-propriedade

«Se se proibirem totalmente fundos de investimento vai ser uma tragédia, vão matar o futebol português tal como o conhecemos hoje em dia, com a competitividade atual e com a capacidade para formar jogadores», garantiu Mário Figueiredo em declarações exclusivas à Agência Lusa.

Desde que escrevi aqui, na passada semana, sobre a problemática da extinção da co-propriedade, muitas têm sido as vozes que se têm igualmente levantado contra a medida. Alguns por oportunismo, outros por convicção. O que está claro é que a medida não é popular nos países afectados e não há na Europa um caso tão flagrante como o de Portugal e dos seus clubes.

As palavras do actual presidente da Liga são a mais pura verdade.
Significa isso que tem razão? Em parte, porque de certa forma, a necessidade dos clubes portugueses em recorrer de forma constante a este modelo deve-se também à sua péssima gestão financeira da última década. Se os clubes tivessem tido abordagens radicalmente diferentes das que tiveram, a situação não seria tão dramática. O drama é real, ninguém pense o contrário.

Clubes podem desaparecer, clubes podem perder o pouco que têm e mesmo os grandes minguarão, forçosamente, até encontrar forma de se levantar outra vez. Com este modelo permitiu-se que os clubes portugueses tenham ajudado da Liga Sagres a trepar ao quinto posto do ranking UEFA. Com este modelo permitiu-se vencer uma Europe League - com um semi-finalista e um finalista vencido no mesmo ano - mas também as boas performances europeias tanto em Champions League (2009, FC Porto, 2012, SL Benfica) como na Europe League (campanhas de Braga, a épica de 2011 e a semi-final do Sporting no ano passado). Ninguém duvida que as equipas que aí chegaram não o poderiam ter feito se tivessem de arcar com o 100% da ficha salarial mais o 100% dos passes dos seus jogadores. Com as dividas já acumuladas pelas principais instituições do futebol português, esse sobrepeso financeiro o que fará, não se iludam, é acabar com a competitividade desses mesmos clubes contra os rivais europeus.

Mas se Platini e Blatter conseguem aprovar a lei, que podem os clubes fazer?
O projecto está agora em discussão e diz-nos a experiência que demorará sempre um par de anos até ser aplicado. No caso da UEFA a ideia do Fair Play Financeiro, desde a sua divulgação até à sua aplicação, tardou mais de cinco anos enquanto que o 6+5 ainda está em discussão - por envolver a lei comunitária - enquanto que a utilização obrigatória de 6 jogadores de formação nacional no plantel de 25 na Europa (3 do mesmo clube) foi aplicada em três temporadas. Tempo providencial para clubes como o FC Porto adoptarem medidas urgentes a olhar para o futuro.



1) Aposta séria e inequívoca na formação.

É inevitável. O fim da co-propriedade vai impedir que o clube mergulhe em mercados estrangeiros com a mesma regularidade. Não se enganem. Muitas vezes a co-propriedade não é uma eleição nossa mas uma exigência de quem vende. Os empresários e fundos compram jogadores para sacarem lucro e quanto mais tempo detenham parte do passe, melhor. Caso este cenário acabe, o preço dos jogadores subirá porque a margem de lucro, forçosamente, será menor. Um James, a 100%, custará bem mais do que custa a 70%, não tenham dúvidas.
Para evitar esta realidade há que captar jogadores cada vez mais novos e fazê-los parte do nosso sistema de formação, como já fazem o Arsenal e o Barcelona há uma década e que também é uma das ideias por detrás do 6+5 que Platini quer aplicar.



2) Comprar nacional

O mercado português é o que é e um jogador na liga lusa vale sempre menos que um jogador das ligas sul-americanas ou europeias. É lei de mercado. Para poder deter a 100% o passe de um jogador ele tem de ser mais baixo e mais acessível. Lima, quando estava no Belenenses, poderia ter sido do FC Porto por muito menos do que se pagou por Jackson. Não quer dizer que seja melhor, quer dizer que no futuro, quando não exista tanto dinheiro disponível para jogar com os passes, será nesses jogadores que nos temos de focar.

3) Fim dos empréstimos entre clubes da mesma divisão

Uma ideia que esteve perto de se tornar real este Verão e que continua a ser fundamental para garantir que os clubes não possuem planteis de 50 jogadores para depois usá-los para manobras políticas de bastidores e garantem que esses jogadores permanecem nos clubes de origem.


4) Criar um lobby dentro da ECA.

Portugal não é o único país afectado por esta realidade. A co-propriedade envolve clubes sul-americanos mas também clubes do sul da Europa, de Espanha à Turquia, da Grécia a Itália passando por ligas como a romena, sérvia ou croata. É a realidade de uma Europa a duas velocidades.
O FC Porto, um clube com um peso institucional na Europa incomparável em relação aos outros clubes portugueses, deveria procurar dentro da ECA - European Club Association - construir pontes que exijam da FIFA e da UEFA outras medidas que, aplicadas ao mesmo tempo que o fim da co-propriedade, defendam a competitividade de clubes como o nosso. Medidas que podem ser, por exemplo:

- A aplicação definitiva do 6+5.
A UEFA tem encontrado problemas com a União Europeia porque estes entendem que não se podem restringir a cidadãos europeus a actuação em clubes dentro da UE. Mas o que podem é exigir que exista um máximo de 5 jogadores não-europeus no onze titular. Isso permitira que o mercado sul-americano e africano não seja exclusivo de uns poucos e se mantenha uma via livre para clubes como o FCP.

- Acabar com o Marketpool da Champions League e repartir os valores pelas ligas mais prejudicadas.
Actualmente há clubes de Inglaterra e Espanha que, eliminados na fase de grupos, acabam por ganhar quase tanto dinheiro com a Champions como se o FC Porto fosse campeão. Sem o Marketpool ou, pelo menos, desenhado noutros moldes, e esse dinheiro redistribuído os clubes poderiam encontrar um importante balão de oxigénio numa fase de transição. A medida não seria definitiva mas sim um mecanismo de solidariedade.

- Obrigatoriedade por parte da UEFA da venda colectiva de direitos televisivos
Esta medida não só tornaria a distribuição do dinheiro entre os clubes europeus mais equitativa como acabaria com o profundo desequilíbrio entre clubes no espectro nacional como também sucederia o mesmo no espectro europeu. A Bundesliga e a Ligue 1 são o melhor exemplo.

- Obrigatoriedade da UEFA em passar de 6 para 10 os jogadores de formação nacional no plantel europeu
Essa medida, que agora mesmo nos seria prejudicial, no futuro poderia ser uma tábua de salvação. Obrigaria os tubarões europeus a alinhar com 10 jogadores formados no seu país nos seus planteis europeus - que são, no fundo, os seus planteis anuais - e defenderia os melhores jogadores dos vários países europeus de ser alvo de constante cobiça. Se o clube apostasse nos primeiros dois pontos que mencionei e os restantes clubes europeus fossem forçados a fazer o mesmo, os jogadores sul-americanos, africanos, asiáticos ou de outros países da Europa não estariam concentrados numa dúzia de clubes forçosamente.

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Com estas medidas - ou metade delas pelo menos - teríamos um clube mais sustentável, mais financeiramente saudável, mais preparado para os desafios do futuro e igual de competitivo.

 É um processo longo, complexo e que acabaria com algumas das políticas de favores em que directivos da SAD têm sido tristemente protagonistas, com um certo compadrio com agentes, fundos e personagens externos à realidade do clube. Não existem gestões perfeitas nem clubes perfeitos mas encontrar um rumo auto-sustentável, com olhos para o depois de amanhã, seria uma jogada importante por parte da directiva e um sinal de que no Dragão há quem consiga ver para lá do imediato.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Os "penalties manetas" e as regras à portuguesa

Os adeptos do SC Braga e, principalmente, os adeptos dos clubes da 2ª circular (incluo neste lote 90% dos jornalistas desportivos portugueses), são unânimes em considerar que devia ter sido assinalada uma grande penalidade contra o FC Porto, mas será que têm razão?

Comecemos pelos factos (por aqueles que são inequivocamente comprováveis pelo vídeo e fotos do lance):

1) O avançado do SC Braga (Alan) faz um remate à queima-roupa relativamente à posição do defesa-esquerdo portista (Alex Sandro).

2) No momento do remate de Alan (ou uns milissegundos antes), Alex Sandro desvia a cara para a posição contrária ao remate e dobra o braço esquerdo, num movimento que aparenta ser de proteção do rosto/cabeça.

3) A bola sai disparada do pé direito de Alan e uma fração de segundo depois bate no cotovelo do braço esquerdo de Alex Sandro.

Perante estes factos, o que disseram os ex-árbitros que compõem o ‘Tribunal de O JOGO’?


“Alex Sandro, com o braço, no prolongamento do corpo, fora do seu plano, ganha volumetria…”, Pedro Henriques (ex-árbitro da AF Lisboa)

Não é verdade que o Alex Sandro tenha esticado o braço esquerdo, “prolongando-o do corpo” para “fora do seu plano” (presume-se que para a frente). O que aconteceu foi precisamente o contrário. Alex Sandro dobrou o braço esquerdo, aproximando (e não afastando) o antebraço do seu corpo.

“… e de forma deliberada intercepta a bola”, Pedro Henriques

“de forma deliberada”?!! No momento do remate do Alan (quando é visível, ou se pode intuir, a direção que a bola ia tomar), o senhor Pedro Henriques consegue ver algum movimento do braço do Alex Sandro no sentido de interceptar a bola?

“Alex Sandro levantou o braço da posição natural…”, José Leirós (ex-árbitro da AF Porto)

Não sabia que o senhor José Leirós era especialista em bio-motricidade… Atendendo a que o Alex Sandro ia em corrida e que, no momento do remate feito por Alan, fez um movimento de proteção do rosto (aparentemente instintivo), qual deveria ter sido a posição natural do seu braço esquerdo?

O lance é passível de várias interpretações?
Sim.

Seria escandaloso se o árbitro tivesse assinalado penalty?
Não. Em Portugal até já houve um campeão - o slb em 2004/05 - em que nos jogos mais complicados e à falta de outros argumentos, os jogadores encarnados faziam pontaria aos braços dos jogadores adversários. Tudo de acordo com as regras... à portuguesa.

A posição dos jogadores e o ângulo em que estava o árbitro permitia-lhe ver o lance na perfeição?
Não. Aliás, as imagens que melhor ilustram o lance foram as captadas pela câmara que estava atrás da baliza.

Perante um lance que é duvidoso, o árbitro fez aquilo que a FIFA recomenda para estas situações, isto é, em caso de dúvida os árbitros não devem assinalar grandes penalidades.

Quanto ao que dizem os comentadores (a começar pelo Luís Freitas Lobo) e generalidade dos jornalistas desportivos, eu compreendo perfeitamente a sua azia (já estavam a esfregar as mãos e deve-lhes ter custado muito os dois golos do FC Porto ao cair do pano).
Eu imagino mesmo os títulos que já estariam alinhavados, para a eventualidade do slb ficar isolado na frente do campeonato…

domingo, 25 de novembro de 2012

A sorte veio no fim


E ao cair do pano eis que se cumpriu mais uma profecia de Jesus. Depois de muitos remates do FC Porto terem sido interceptados pela defesa bracarense, James Rodrigues (quem havia de ser?) descai para a esquerda e remata forte, com a bola a ressaltar em Douglão, batendo na barra e acabando dentro da baliza de Beto. Depois de muitas tentativas e de algum azar (cabeceamento de Otamendi ao poste logo a abrir) durante 89 minutos, o FC Porto foi feliz e acabou bafejado pela sorte como, aliás, tinha previsto o treinador benfiquista.

O FC Porto entrou forte e com vontade de resolver a partida logo nos primeiros minutos. Os responsáveis técnicos terão por certo reparado que o Braga vem sofrendo muitos golos na etapa inicial dos seus jogos. Aos 4 minutos já Otamendi havia cabeceado ao poste para logo no lance seguinte, depois de isolado por Lucho, ter rematado ao lado. A tendência manteve-se durante os primeiros 20 minutos. Muita posse de bola e domínio do jogo mas sem que se conseguisse concretizar esse caudal ofensivo. A partir daqui e até ao intervalo o jogo ficou repartido, com hipóteses de parte a parte (lembro canto directo de Hugo Viana e remate de Mossoró para duas grandes defesas de Helton).

Na segunda parte o Braga baixou (ainda mais) as linhas passando a defender de forma compacta e apostando nas saídas rápidas para o contra-ataque. O FC Porto teve mais dificuldade em criar lances de perigo e em chegar à grande área bracarense. Era previsível que Peseiro tivesse muito pouco a arriscar devido às críticas internas que tem sofrido e por isso parece-me que o FC Porto deveria ter preparado melhor um plano b para chegar com êxito à baliza adversária. Assim, face ao acantonamento bracarense, vimos algumas tentativas de jogo directo pelos portistas e outros tantos remates de fora de área (a maior parte deles interceptados). Após as substituições do costume (Atsu por Varela aos 70’, Defour por Moutinho e Kléber depois dos 85’) Vítor Pereira acabou por ser feliz ao conseguir 3 preciosos pontos num terreno difícil mas, como o próprio já tinha afirmado, “ter sorte dá muito trabalho”.


Queixam-se os de Braga (e os de Lisboa!) de um penalty por marcar por mão de Alex Sandro após remate de Alan. Foi um remate “à queima”, com Alex Sandro a dar o corpo (portanto, de costas para a bola), pelo que me parece que esteve bem o árbitro ao não assinalar grande penalidade. Contudo, também aceitaria se a tivesse assinalado. Em termos técnicos acho que Xistra esteve mal na marcação de faltas, actuando quase sempre “a pedido” da massa adepta local. Em termos disciplinares esteve muito mal: perdoou consecutivamente o amarelo a Ismaily – que estava a marcar James – até aos 70 minutos e só aí entendeu que era demais; não mostrou o amarelo a Hugo Viana por entrada dura para, passados poucos minutos, o mostrar a Varela por uma falta normalíssima.

Já nos descontos e com o Braga a acusar fadiga mental,Salino tentou sacudir a bola e esta embateu em Jackson Martínez que a puxou para o pé esquerdo e mesmo à entrada da área atirou, em força, para o fundo das redes. Estocada final nas aspirações bracarenses com um grande golo.

Destaques positivos: Otamendi, James Rodriguez e Alex Sandro.
Destaques negativos: Danilo, que tarda em afirmar-se na lateral e a justificar o enorme investimento na aquisição do seu passe.