segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Prenda de "Reyes"

O campeão olímpico mexicano Diego Reyes é a nova contratação do FC Porto. Segundo anuncia, esta segunda-feira, o clube, o jogador integrará o plantel “azul e branco” a partir de Junho de 2013, no arranque da próxima época futebolística.
in Porto24

O FC Porto anunciou hoje a primeira contratação para a próxima temporada.
O defesa central mexicano Diego Reyes chega proveniente do América e os valores oficiais ainda não transcenderam mas falam-se entre 5 e 8 milhões de euros, dependendo das variantes do negócio.

Pessoalmente é uma contratação que me agrada.
Não só porque o que vi dele me entusiasma, é bom na marcação individual e tem uma cultura táctica bastante evoluída para os 20 anos que tem. É também porque quem me conhece sabe que há vários anos que defendo que o FC Porto tinha de encontrar rapidamente um mercado alternativo ao inflacionado mercado brasileiro e ao mercador argentino que tem perdido qualidade, como o próprio futebol local o evidencia de ano para ano. Mercados com jogadores jovens, de projecção e com um potencial de mercado evidente. O México é um dos exemplos mais claros.

Não são apenas campeões olímpicos, medalha de bronze no último Mundial sub-20 e campeão do mundo de sub-17. São um país que está a lançar aquela que será, provavelmente, a sua melhor geração. Há, sem exagerar, entre dez a vinte jogadores mexicanos que nos próximos anos estarão em clubes de elite europeus como já acontece com o Javier Hernandez, por exemplo.


Há outros países (o caso da Colombia é evidente) como o as potências orientais (Japão/Coreia do Sul), a Bélgica (na qual já pescamos o Defour e o Mangala) ou o Senegal (país do Ba) que vale a pena seguir com atenção. À medida que a situação financeira do clube se aperta é fundamental sermos rápidos em realizar negócios destas características porque são os valores de futuro, tanto no terreno como fora dele.

O facto de ser um defesa central implica, seguramente, que o clube pensa não só vender Rolando (como já queria neste último defeso) como hipoteticamente outro central do plantel actual. Mangala e Maicon têm mercado e Otamendi é internacional argentino, com "noivas" em Espanha e Itália. Será curioso ver como evoluciona o ano competitivo destes três jogadores.

Para os que gostam de seguir tendências, lembro só que este é mais um dos prodígio latino americanos que um clube da capital tentou pescar mas que à última da hora preferiu o prego ao bitoque. É esperto, o miúdo!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mais um não-assunto

É apenas mais um.

Passou-se ontem, a 25 minutos do fim, no jogo da Luz.

Bola na mão, expulsão e penalty. Golo.
E siga.

"O penalty acaba por ser o momento-chave, mas acontece."
Pois claro que são coisas que acontecem, caro treinador do Marítimo.
É de facto um não-assunto.

E de certeza, certezinha, que o slb iria marcar de qualquer das formas...
Se não fosse com esta ajuda, o "massacre" faria o resto.
"É preciso é árbitros sem vícios", diz também o inteligente.

Eu não dizia que era um não-assunto?

sábado, 15 de dezembro de 2012

A A3 tem dois sentidos?

(clicar na imagem para ampliar)


No passado dia 23 de Novembro, o semanário Grande Porto publicou um artigo cujo título era "Como o Sp. Braga beneficia da aliança com o FC Porto" (de onde extraí o quadro anterior).

Nada tenho contra esta "aliança", "parceria", ou como lhe queiram chamar, entre o FC Porto e o SC Braga, a qual é visível desde que António Salvador assumiu a presidência do clube bracarense (em 2003). Contudo, ainda não consegui perceber que benefícios é que o FC Porto tirou desta aproximação.

Radamel Falcao, 40+7?




«A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo com o Atletico de Madrid para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Radamel Falcao pelo valor de 40.000.000 €(quarenta milhões de euros).
Este acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 47.000.000 € (quarenta e sete milhões de euros).»
Comunicado da FC Porto SAD, 18 de Agosto de 2011


Desde que chegou a Madrid, Falcao ainda não parou de marcar golos, muitos golos, quer no campeonato espanhol, quer nas competições europeias.
Na época passada, os seus golos, com destaque para os dois que marcou na final, foram decisivos para o Atletico Madrid conquistar a Liga Europa (com 12 golos em 15 jogos, voltou a ser o melhor marcador desta competição).
No início desta época, voltou a maravilhar os adeptos do futebol na Supertaça Europeia, aguçando ainda mais o apetite dos "tubarões" do futebol europeu.
E, no campeonato espanhol 2012/13, já leva 16 golos marcados sendo, nesta altura, o principal perseguidor do "estratosférico" Lionel Messi.

Conforme recordei acima, o acordo entre o FC Porto e o Atletico Madrid prevê uma remuneração variável que poderá atingir sete milhões de euros. É um montante que não é desprezável.
Contudo, não é claro (bem pelo contrário) mediante que condições é que a FC Porto SAD poderá receber este valor (ou parte dele).
Isto é, esta remuneração variável está indexada a que objectivos?
Esses objectivos poderão ser individuais (número de jogos em que o Falcao alinha por época; número de golos marcados no campeonato / competições europeias; etc.) e, nesse caso, dificilmente o Falcao poderia ter um desempenho melhor do que aquele que tem tido com a camisola do Atletico.
Mas também poderão ser objectivos colectivos. Exemplos: o Atletico Madrid vencer a Liga espanhola, a Taça do Rei, a Liga Europa, a Supertaça Europeia, a Liga dos Campeões ou apurar-se para a Liga dos Campeões.

E, em termos desta componente variável do contrato entre a FC Porto SAD e o Atletico Madrid, o que acontecerá se, entretanto, o Falcao for transferido para um outro clube?

Numa futura entrevista ao Angelino Ferreira, Antero Henrique ou ao Pinto da Costa, era interessante (para os sócios e adeptos portistas) que os jornalistas colocassem estas questões, de modo a este assunto poder ser esclarecido.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Adiado...


..., em princípio, para o dia 23 de Janeiro.

Assim sendo, A BOLA já pode ir preparando a capa: "slb campeão de Inverno"

A Sucessão: Antero Henrique

Antero Henrique é visto por muitos portistas como estando na pole position dos possíveis candidatos a sucessor de Pinto da Costa, e bem possivelmente com razão, embora eu tenha algumas dúvidas.

Não deixa de ser curioso que assim seja quando não faz sequer parte da «cúpula» na SAD, não fazendo parte do Conselho de Administração (onde para além de PdC temos A. Caldeira, R. Teles e A. Ferreira, para além de um administrador não-executivo) nem sendo sequer um dos 14 vice-presidentes do clube (onde se encontra por exemplo R. Teles e A. Caldeira). Isso acontece no entanto porque é visto como o homem forte do futebol, e o futebol é a principal actividade do clube.

Transmontano de Vinhais (e alegadamente benfiquista enquanto criança segundo entrevista de um amigo de infância ao JN há uns anos, tendo depois visto a «luz»: um pormenor que a ser verdade acho curioso mas sem importância), Antero Henrique subiu a pulso no FCP a partir de um início modesto, sob a tutela de PdC. Tendo ido estudar para o Porto com 18 anos, cruzou o seu destino com o FCP no início dos anos 90 como coordenador da revista Dragões, de onde «saltou» para assessor de imprensa, ainda nos anos 90; e com a criação da SAD estruturou o departamento de relações externas. Destacou-se nos primeiros anos de SAD pela lealdade absoluta a PdC (como durante o processo do «Pito Dourado»), sendo promovido a director-geral para o futebol em 2005 (o que levantou confusão entre alguns adeptos na altura, como eu, no que diz respeito ao seu papel vs. o papel do «administrador para o futebol» que era, e é suposto no papel ser ainda, Reinaldo Teles; hoje em dia há muito menos dúvidas nessa questão).

No sistema presidencialista de PdC, Antero passou desapercebido da esmagadora maioria dos adeptos nos primeiros tempos, «dando a cara» pela primeira vez a sério num projecto por si anunciado intitulado de «611,» que muito aplaudi na altura. Como se viu mais tarde esse projecto foi um tremendo fracasso (medido pelos critérios anunciados por Antero), já que se em 2006 tínhamos 4 jogadores da casa no plantel, em 2011 em vez de termos 6 como previsto (um objectivo que nem era particularmente ambicioso), tínhamos... 1.

No entanto a imagem de competência (ainda que bastante nebulosa e vaga, devido à forma opaca como a SAD funciona e com PdC a ser quase o único a dar a cara, o que tem muitas vantagens mas também algumas desvantagens)  que ganhou junto de muitos adeptos foi pouco beliscada por esse projecto que tinha a sua marca, sendo associado com as sucessivas vitórias nacionais (e internacional, no caso da Liga Europa), claramente o mais importante para os adeptos. Ultimamente tem dado um pouco mais a «cara», o que saúdo, mas mesmo assim é difícil para o adepto comum saber até que ponto é que ele teve «dedo» em decisões importantes de gestão por contraponto a PdC e aos companheiros de administração.

Mesmo que seja mais ou menos consensual que é competente no cargo que desempenha, será ele um bom presidente? Uma pergunta que muitos adeptos se colocam é se não estaremos na presença de um possível exemplo do princípio de Peter, i.e. de que as pessoas têm tendência a serem promovidas até ao seu nível de incompetência - no caso de Antero, quer isto dizer que poderá ser um bom director no dia-a-dia mas um mau presidente. Essa é uma resposta muito difícil de responder, mas para a maioria dos adeptos será suficiente que PdC «abençoe» a sua candidatura para remover essa dúvida.

Dúvida que no entanto regressará em força caso as primeiras épocas no pós-PdC não sejam de sucesso, com comentários do género «Pois é, o mérito do sucesso era mesmo do PdC». Um desafio que se coloca tanto a Antero como a qualquer outro possível candidato, aliás, porque terão sempre muitíssimo menos margem de manobra do que PdC tinha, por razões óbvias. Existem duvidas tambem que tenha a sensibilidade e sagacidade suficientes para a gestão económica da SAD quando se perspectivam tempos de maior aperto do cinto.

Muitos consideram que não tem um perfil presidenciável, sendo um «tecnocrata». Penso que não será de excluir de todo a possibilidade de que, consciente disso, Antero junte forças com A. Caldeira e A. Ferreira (e quem sabe R. Teles) para colocar uma figura popular entre os adeptos como presidente do FCP clube que se contente em deixá-lo(s) gerir a SAD como mais ou menos bem entenderem (como possivelmente um Fernando «bibota» Gomes). É um cenário que não me agrada porque é o presidente que é eleito pelos sócios e a eles responde também pela gestão do futebol, e com essa responsabilidade devem vir poderes concretos e inquestionáveis na SAD. Prefiro Antero a presidente do clube e da SAD, do que responsável (de forma oficial ou não) apenas da SAD.

Pergunto-me também como verão os seus colegas mais seniores e com origens menos humildes, como um A. Caldeira, a perspectiva de o ter como chefe. Não sei se o aceitarão de forma tão pacífica como isso.

Finalmente, contra si Antero tem o handicap de ser desde sempre um mero homem do futebol, sem experiência significativa ao nível do clube, ao contrário de PdC e tantos outros dirigentes (como R. Teles). Será ele um candidato com a sensibilidade suficiente para ter em conta os interesses superiores do FCP quando estes colidirem com os da SAD? Esta é uma enorme dúvida (e parecem existir alguns dados avulsos que a reforçam), mas penso que de menor importância aos olhos da maioria dos sócios: não vai ser certamente por aí que não será eleito.

Para terminar, pergunto-me se Antero estaria disposto a continuar no posto actual no caso de uma candidatura que não seja de «continuidade», com os administradores a serem todos substituídos (ou quase),  e numa posição claramente subalterna perante o novo «chefe» - na teoria, e na prática. Com os dados que tenho neste momento, penso que poderia ser uma solução eventualmente interessante para o FCP... mas ainda é cedo para tirar conclusoes bem fundamentadas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Os mal amados

Com excepção de Pedroto (que foi bem mais que um treinador no FCP) todos os restantes, uns mais do que outros, foram sujeitos a contestação por parte dos adeptos, do balneário ou de ambos.
Nem Robson escapou. Uma das críticas que lhe era dirigida frequentemente era sua incapacidade de ser mais interventivo no banco e, nessa perspectiva, gerir melhor “quem substitui quem” e o timing mais adequado para produzir essas mudanças. Rui Barros passou, a partir de certa altura, a ser o sacrificado da ordem e acho que o foi numa grande parte dos jogos. Também não foi muito bem entendido que tivesse recebido os “russos” do SLB e os tenha colocado a jogar de imediato e posto no banco o Domingos. Também não foi muito bem aceite, que tivesse sido eliminado da taça com o Marítimo e, pior, que tivesse levado 3-0 e um banho de bola do SCP de Octávio, na Supertaça em Paris. Estava no aeroporto quando a comitiva do FCP chegou de Paris e fiquei revoltado com a forma como foi recebida, tendo havido confrontos entre alguns dos palermas que lá se encontravam e alguns jogadores. Recordo que Vítor Baía e João Manuel Pinto eram dos mais inconformados com aquela estúpida recepção, depois de terem sido campeões com inteiro mérito.

Artur Jorge foi sempre muito contestado, e toda essa contestação começou no balneário e tinha como principal protagonista o Fernando Gomes, que queria a continuidade do António Morais no comando da equipa. Aliás, na época que vencemos a Taça dos Campeões perdemos o campeonato para o SLB e fomos eliminados da Taça pelo SCP, nas Antas. Artur Jorge trouxe modernidade ao futebol português e alguns conceitos novos, nomeadamente a “concentração” competitiva que exigia aos seus jogadores em todos os momentos de jogo. Octávio foi mais que um treinador adjunto, porque foi capaz de ser e fazer aquilo que Artur Jorge não era capaz, ou seja, assumir o lado desagradável do comando e ser duro e intransigente relativamente à disciplina dentro e fora do campo, ao que consta. Desse tempo vem as desavenças com Fernando Gomes e os Oliveira.

Ivic ganhou tudo no FCP, menos a Taça dos Campeões. Os sócios detestavam-no ainda mais que ao actual treinador e não foi por acaso que foi embora e substituído pelo Quinito, que fez haraquiri quando disse que o FCP era Gomes mais dez: ficou refém do balneário e sem mão na rapaziada. Depois foi o que se viu: uma equipa sem rumo do pior que tivemos nestes longos anos em que PdC comandou o clube.

Quanto ao actual treinador não alinho em muitas críticas que lhe são feitas, onde entra tudo, particularmente o que é suposto faltar-lhe: carácter, competência e experiência, um murcão como, de forma sucinta, alguns adeptos o qualificam. Estou em desacordo frequentemente com o treinador porque não “faz” como acho melhor, mas estaria com qualquer outro desde que não cumprisse o que eu acho melhor. No jogo com o SC Braga (para o campeonato) benzi-me quando meteu Kléber no fecho do jogo e não é que fomos ganhar por 2-0. No segundo, também não fez o que esperava que fizesse: meter mais gente no meio campo para equilibrar o jogo naquela zona, mas o brinde quem o deu foi Danilo, como antes Fernando tinha provocado uma grande penalidade com um claro erro individual. Quem ganha os jogos são os jogadores quem os perde é sempre o treinador, e nessa não alinho porque não é justo. A responsabilidade tem de ser partilhada, nomeadamente quando há erros individuais que influenciam o resultado final, por muito que se se especule que a desgraça já vinha a caminho. Acho que alguma coisa mudou desde o primeiro jogo com o SC Braga: Vítor Pereira apareceu muito tenso na entrevista após o jogo, pelo que – tendo em conta a cara muito zangada de Lucho quando saiu – se deva ter passado algo de desagradável no banco. Espero que se ajustem, se deixem de amuos e saibam dialogar.

Uma das criticas que têm feito ao nosso treinador é a eventual desvalorização dos activos do FCP, desde que VP tomou posse como treinador principal. Afinal, assim parece não acontecer a atentar na seguinte notícia:

“O plantel do FC Porto é o 18º mais valioso do mundo num ranking com 200 equipas, de acordo com um estudo efetuado pela empresa brasileira Pluri Consultoria, especializada em marketing desportivo, que lhe atribui um valor de mercado de 180 milhões de euros (ME) e 6,9 milhões (valor médio) a cada um dos 26 futebolistas”.

Por fim, considero que o Vítor Pereira se excedeu na rotação do jogo da Taça de Portugal, reagiu tarde quando Castro foi expulso e deixou James tempo demais em campo, já que era tempo de rodar os que haveria a proteger. Dito isto, considero que há jogadores que têm de “merecer tratamento especial”. Danilo e Alex porque estiveram nos Jogos Olímpicos, Moutinho, Varela, James e Martinez por causa das horas extra nas selecções, o Fernando porque saiu de uma lesão, voltou e teve uma recaída, logo no momento em que anunciou que gostava de sair, o Lucho porque é dos que corre mais e é quase um veterano. Nesse particular, dou o benefício da dúvida ao treinador, embora considere, insisto, que decidiu a rotação num laivo de deslumbramento que não é nada aconselhável.

Depois de Vercauteren e de avaliar a forma como tem dirigido o SCP, acho que devo continuar a conceder o benefício da dúvida a VP.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Sucessão: o fim de um tabu?


A sucessão de Jorge Nuno Pinto da Costa tem sido um tema praticamente considerado tabu nos meios portistas, chegando qualquer especulação nesse sentido a revestir-se, aos olhos de alguns zelotas, de tons de sacrilégio ou blasfémia. Faz-me lembrar - salvaguardadas as devidas distâncias e proporções - o que se passava no Estado Novo quando Salazar já passara a casa dos 70 anos: nem os indefectíveis do regime se atreviam a especular sobre  a sucessão do chefe. Estava tudo na aparente crença de que ele era eterno, e quem ousasse pensar o contrário era logo considerado um perigoso subversivo (hoje em dia dir-se-ia que tinha uma "agenda").

O que no F.C. Porto tem sucedido a este respeito deve causar ao próprio Pinto da Costa um imenso gáudio, pois é próprio dos seres superiores, como ele, rirem-se - pelo menos à sucapa - dos lisonjeadores baratos. Mas não duvido que a sua sucessão o preocupe. Não é impunemente que se serve um clube como o F.C. Porto 30 anos. Isso requer, além de grandes qualidades, uma grande paixão pelo clube.

Pois agora, Pinto da Costa, aquando da ida a França para o jogo com o Paris Saint-Germain - e num muito português hábito de se falar no estrangeiro do que se não fala em casa - declarou que tenciona fazer apenas mais um mandato, ou seja, de 2013 a 2016.

Entre os portistas há, como não podia deixar de ser, grande apreensão relativamente à sucessão de uma fígura ímpar como Pinto da Costa. Há um chavão que diz que ninguém é insubstituível, e mesmo tendo em atenção que todo o chavão tem um fundo de verdade - ou não existiria - é minha opinião que um personagem como ele é mesmo insubstituível, pelo menos na versatilidade e eclectismo dos seus dotes e capacidades.

Colocados perante o inelutável facto de que, um dia, Pinto da Costa sairá mesmo, os portistas têm reacções díspares. Há os que antevêem um descalabro, depois do sucesso e estabilidade de tantos anos, há os que acham que ele já não deveria estar à frente do clube - uma corrente certamente minoritária - e há os que, não olhando a nomes, temem pelo futuro do clube e, principalmente, da SAD, ao lerem os relatórios - uma corrente ainda mais minoritária, diria eu.

Mas dado ser agora aparentemente oficial que em 2016 teremos de escolher um novo presidente, abro aqui um debate, se tal presunção me é permitida. Quem pensamos que será o sucessor de Pinto da Costa, e quem desejaríamos que ele fosse? O leque de candidatos normalmente falado é vasto: Vítor Baía, António Oliveira, Fernando Gomes (futebolista), Antero Henrique, Rui Moreira, até o Presidente do Braga, António Salvador. Pinto da Costa costuma dizer que não indicará um sucessor, pois "o F.C. Porto não é uma monarquia" (diga-se de passagem que as monarquias não funcionam desse modo, pois os monarcas não têm o poder legal de decidir quem lhes sucede, a sucessão está constitucionalmente prevista. A não ser, claro, que estivesse a pensar em "monarquias" do tipo norte-coreano ou cubano). Mas, e já dizia o poeta, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", pelo que nada poderá garantir-nos que, daqui até 2016, Pinto da Costa não mude de ideias e decida apoiar um "delfim". Afinal de contas, também disse um dia que nunca presidiria a um F.C. Porto transformado em sociedade. Pragmatismo sempre foi a sua palavra de ordem, e com isso tem-se ele - e nós - dado muito bem.

Existe um outro nome, do qual ninguém fala, e que nem sei se tem ambições dessa natureza, mas que não me surpreenderia que fosse do agrado do próprio Pinto da Costa. A seu tempo, e na sequência deste artigo, direi a quem me refiro.

Há apenas um pequeno senão nesta história toda. É que Pinto da Costa, mesmo que provavelmente não jogue poker, sempre foi um mestre de "bluff", pelo que, até poderá estar a pensar sair já no próximo ano, ou nem sequer ter decidido quando sairá.

Está aberto o debate.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O problema do Ballon D´Or

Avizinha-se a entrega de mais uma edição do prémio individual mais célebre do universo futebolístico: o Ballon D´Or.

É um prémio que, como todos os prémios, vive do seu glamour e peca por ser injusto, na medida em que a opinião individual de cada um nunca se alterará por uma tendência colectiva. Quem acha que o seu é melhor nunca mudará de ideias se vencer outro e portanto, num desporto colectivo, eleger a melhor individualidade é algo ainda mais complexo.

O que se premeia?

As regras do Ballon D´Or original eram claras: premiar o melhor jogador dentro de um ano natural tendo em conta as suas performances, as da sua equipa, a sua influência na equipa e as suas conquistas. Ou seja, o papel de um individuo como espelho de uma performance colectiva.



Dessa forma, historicamente, em anos de Europeus e Mundiais, o vencedor acabava por ser alguém ligado de forma simbólica a esses triunfos. Em 2006, Cannavaro representou o triunfo italiano, em 2002 o renascimento de Ronaldo o do Penta brasileiro. Em 1998 e 2000, Zidane foi o rosto de França e da sua geração de ouro, em 1990 Mathaus venceu porque a RF Alemanha ganhou o Mundial e em 1982 os golos de Rossi em Itália deram-lhe o troféu. E assim, ad aeternum.

Por outro lado sempre se convencionou que este era um prémio de futebol de ataque. Só um guarda-redes, o mítico Yashin, e dois defesas - o italiano Cannavaro e o alemão Sammer - venceram o troféu, os últimos dois quais como espelho da vitória das suas selecções. Os restantes, avançados, extremos e criativos. E sobretudo, jogadores de grandes potencias.

Ainda hoje custa-me entender porque Futre perdeu o Ballon D´Or em 1987 para Gullit e Deco o de 2004 para Shevchenko. Curiosamente os dois vencedores jogavam no AC Milan, um dos clubes mais premiados da história e com mais peso junto dos votantes. Votantes que estão na base da profunda mutação do Ballon D´Or do passado com o do presente.



Em 2010 a empresa France Football, que criou o prémio, encontrou-se com graves problemas financeiros e aceitou a proposta da FIFA de fundir o seu prémio com o FIFA Award, uma ideia de Blatter, quando era vice-presidente, em 1990, de criar um prémio alternativo ao atribuído pelos gauleses. Até então votavam no Ballon D´Or os 53 jornalistas europeus que representavam as federações continentais. Até 1994 só podiam votar em jogadores europeus (por isso Maradona e Pelé nunca ganharam) e a partir de 2006 passaram a poder votar em jogadores a actuar fora da Europa.

Com o novo FIFA Ballon D´Or passaram a votar os seleccionadores, capitães e jornalistas de todos os países membros da FIFA. E o prémio passou a ser um concurso de popularidade.

Sinceramente a mim tanto me faz qual o critério a aplicar, dou pouca importância ao certame. Mas no modelo antigo, o que tornou o troféu popular, Lionel Messi teria vencido dois prémios até agora. Com este modelo prepara-se - salvo imensa surpresa - para conseguir o quarto consecutivo.
O prémio passou a ser uma luta entre os jogadores mais populares, liderada por Messi com Ronaldo e agora Iniesta como perseguidores naturais. Façam o que fizerem no terreno de jogo outros jogadores, o impacto mediático destes três supera o dos restantes e muitos jornalistas, seleccionadores e capitães de países que vivem o futebol de uma forma muito diferente da nossa, preferem votar neles. Basta ver os boletins de voto das últimas edições e descobrir que estes nomes são omnipresentes.

Em 2010 os jornalistas europeus colocaram Messi no quinto lugar e deram o prémio a Sneijder. A nível mundial o holandês nem entrou no pódio. Sob os registos históricos do prémio, o holandês teria sido o ganhador salvo se Iniesta ou Casillas vencessem. Até hoje, depois de ganhar tudo o que havia para ganhar, nenhum espanhol venceu.

Dizem que Messi ganha sempre porque é o melhor. Não creio que isso esteja em discussão realmente.
Mas o prémio antes não era entregue ao melhor do mundo mas sim ao melhor num ano natural, tendo em conta o que conquistou. Ronaldinho Gaúcho foi o melhor jogador do Mundo durante três anos mas só tem um troféu. Zidane foi o melhor em igual período mas perdeu um ano para Figo e outro para Rivaldo. Platini perdeu o prémio em 1982 quando não era pior jogador do que Rossi e nos primeiros anos, ninguém duvidava que Alfredo di Stefano fosse único. Mas La Saeta tem apenas dois troféus em casa.



Pessoalmente, se eu pudesse votar, a minha eleição estaria entre Casillas, Iniesta e Falcao.
Salvo o manchego, os outros dificilmente poderão vencer o troféu porque perdem em popularidade para Messi e Ronaldo. O português, que não tem feito épocas ao nível de 2008, quando venceu, tem sido presença habitual no pódio porque é, indiscutivelmente, um dos dois jogadores mais populares do Mundo. Se Messi vencer, sine die o troféu, apenas na base de que é o melhor, ele acabará por perder o seu real valor. Basta olhar para os Óscar e pensar que Brando venceu dois - espaçados por vinte anos - e ninguém se atreve a discutir que nesse período houve poucos interpretes como ele.

No futebol, um desporto colectivo onde ser estrela individual é complicado, vive-se uma ditadura de popularidade que acabará por transformar estes pequenos guilty pleasures em algo profundamente aborrecido.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cuidado com o Lobo (e com os meninos da SPORT TV)


Rui Orlando é jornalista e responsável pela delegação do Porto da SPORT TV.
Luís Freitas Lobo é um conhecido “especialista em futebol”, projetado para a ribalta na RTP Porto onde, segundo consta, colaborou a convite de Carlos Daniel. Atualmente trabalha como comentador na SPORT TV, sendo também colaborador do semanário Expresso.

Os adeptos portistas mais atentos, que aguentam ver os jogos do FC Porto na SPORT TV sem desligarem o som, já estão habituados à forma enviesada como estes dois senhores relatam e/ou comentam os jogos que envolvem os dragões e, principalmente, como comentam lances polémicos. Daí, que não seja de estranhar a “forma isenta” como, durante o jogo FC Porto x Moreirense, analisaram dois lances (pseudo) duvidosos que ocorreram nas áreas das duas equipas.

Eu estive a rever atentamente o jogo (para além de não ter a benfica TV na grelha de canais, outra das vantagens de ser cliente da ZON é poder usar o serviço Timewarp e rever programas dos últimos 7 dias) e, para quem não teve a possibilidade de ver, reproduzo a seguir o que estes dois senhores disseram.

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Minuto 57:44
Após um centro da esquerda, Pablo Oliveira (Moreirense) remata fortíssimo contra Alex Sandro (FC Porto).

[Rui Orlando]: Remate de Paulinho… não, de Pablo Oliveira…

Nota importante: Em velocidade corrida, nem Rui Orlando, nem Luís Freitas Lobo viram nada de anormal. Mas não foram os únicos. Não há um único jogador do Moreirense que esboce qualquer protesto.

Minuto 58:22
A SPORT TV repete o lance em camara lenta.

[Rui Orlando]: Revemos aqui o remate de Pablo Oliveira. O jogador do Porto Alex Sandro colocando a bola… as mãos à frente, à frente do rosto, acaba por jogar a bola com a mão.

[Luís Freitas Lobo]: Exacto. O remate é muito perto, é forte, mas ele joga a bola com a mão. O árbitro aqui podia ter marcado penalty.

Como? Penalty?!!! Um jogador protege-se de um remate à queima-roupa e isso é penalty?

Minuto 59:04
Como se trata de um lance polémico na área do FC Porto, o realizador da SPORT TV insiste e repete o lance uma 2ª vez.

[Rui Orlando]: Era grande penalidade. Aqui percebe-se com clareza, não pode fazer aquele movimento com as mãos o jogador do FC Porto.

Fantástico! Em velocidade corrida Rui Orlando não viu nada de anormal; na primeira repetição viu que o Alex Sandro colocou as mãos à frente do rosto; e à terceira já tem a certeza que era grande penalidade. Isto é que é um artista… perdão, jornalista sério e competente.

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Minuto 72:20
Alex Sandro entra na área do Moreirense com a bola controlada, leva um pontapé de um defesa do Moreirense e, em vez de se atirar imediatamente para o relvado, tenta continuar o lance, mas não consegue, desequilibra-se e cai.

[Rui Orlando]: Alex Sandro, arranca Alex Sandro, depois desequilibra-se… fica a olhar para o árbitro…

Nota: Em velocidade corrida, o jornalista da SPORT TV não viu que o Alex Sandro levou um pontapé mas, pelo menos, viu que ele caiu. Vá lá, já não é mau…

Minuto 72:52
A SPORT TV repete o lance.

[Rui Orlando]: E aqui… Alex Sandro acaba por se desequilibrar. Tenta fugir à chegada do adversário…

É incrível como nem em câmara lenta o jornalista da SPORT TV viu o óbvio, isto é, que o Alex Sandro se desequilibrou e caiu porque levou um pontapé do defesa do Moreirense.

[Luís Freitas Lobo]: Sim, ele leva um toque primeiro, depois tenta-se reequilibrar, não consegue e cai, mas ele leva um toque primeiro.

Após uns instantes de silêncio comprometedor…

[Rui Orlando]: Se leva…

[Luís Freitas Lobo]: Sim, parece-me. A ideia que me dá no primeiro lance é que ele leva ali um toque, depois desequilibra-se e cai. Tenta prosseguir a jogada, mas não é fácil, de facto, para o árbitro analisar a jogada.

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Digam lá se estes diálogos não são deliciosos…
Vejam como as certezas acerca do lance ocorrido ao minuto 57:44, dão lugar às omissões, silêncios, dúvidas e beneficio para o árbitro quando, os mesmos dois elementos ao serviço da SPORT TV, são forçados a comentar o lance ocorrido ao minuto 72:20 na área do Moreirense.

No final do jogo, cavalgando a “onda SPORT TV”, lá veio o triste treinador do Moreirense queixar-se que ficou um penalty por assinalar a favor da sua equipa.
E, como era mais do que previsível, no dia seguinte este “facto” fez parte dos títulos, ou subtítulos, escolhidos pela A Bola, Record e Correio da Manhã.

E é assim, com origem nas transmissões da SPORT TV e nos comentários de senhores como Rui Orlando e Luís Freitas Lobo, que se faz “jornalismo desportivo sério” em Portugal.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Um fim-de-semana à Porto



I. Hóquei em Patins, FC Porto x HC Braga (10-2)
O FC Porto goleou o HC Braga por 10-2 e, aproveitando o empate (1-1) que o slb cedeu no pavilhão da Luz frente ao Paço de Arcos, aproximou-se da liderança do campeonato, ficando a apenas um ponto dos encarnados.

II. Andebol, FC Porto x slb (28-27)
Apesar de uma arbitragem com critérios sui generis e penalizadores do FC Porto, ao ponto do treinador Ljubomir Obradovic ter perdido a cabeça e explodido durante a 1ª parte (durante dois minutos o FC Porto ficou a jogar com menos 2 jogadores); apesar de (como seria de esperar...) os dragões terem ficado a jogar com menos um jogador nos momentos finais do desafio; a quatro segundos do fim fez-se justiça, quando o lateral direito João Ferraz marcou o golo da vitória, a qual catapultou o FC Porto para o comando do campeonato, ultrapassando o derrotado slb.

III. Futebol (I Liga), FC Porto x Moreirense (1-0)
Apesar do cansaço (físico? psicológico?) e da pouca inspiração evidenciada pelos jogadores do FC Porto; apesar de, aos 73', o árbitro não ter assinalado um penalty claro a favor do FC Porto, por falta e consequente derrube de Paulinho sobre Alex Sandro dentro da área do Moreirense; os três pontos e a consequente manutenção da liderança não fugiram e ficaram no Dragão.

IV. Futebol (II Liga), FC Porto B x Santa Clara (3-2)
O Santa Clara é um dos principais candidatos à subida de divisão (as equipas B não podem subir à I Liga) e vinha de cinco vitórias consecutivas; do lado do FC Porto, e sob o olhar de Pinto da Costa e Antero Henrique, alinharam de início Fabiano, Abdoulaye e Iturbe; a equipa açoriana marcou primeiro mas, ainda na 1ª parte, o FC Porto deu a volta ao resultado e foi para o intervalo a ganhar por 2-1; aos 82' o FC Porto ficou a jogar com menos um (por expulsão de David Bruno); oito minutos depois o Santa Clara chegou ao empate; apesar do golpe que foi sofrer o golo do empate em cima do minuto 90 e da desvantagem numérica, a equipa reagiu e em tempo de descontos (90+2') Tozé marcou o golo da vitória.
Para ajudar à festa, o sporting B empatou em casa (2-2) com o Desportivo Aves e o slb B perdeu (1-3) em Arouca.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pela mão do nosso salvador



Setenta e um longos minutos, muita ansiedade, perda de oportunidades flagrantes e bons apontamentos defensivos reverteram um jogo que tudo fazia supor ser daqueles em que calendário competitivo nos impele como mera formalidade ou obrigação mas que acabou por se revelar muito intenso e difícil. A menos de vinte minutos do fim Jackson Martinez vestiu a capa de bom servo outra vez, livrando a nossa equipa de males maiores que algumas cabeças menos crentes já conspiravam demoniacamente. Entre a infelicidade de concretizar e inabilidade de se conseguir gorou-se um resultado mais gordo e alguma margem de manobra para que os papagaios de serviço aventem teorias sobre certas dúvidas criadas nas duas grandes áreas. Três preciosos pontos no bolso e venha daí esse derby imperial o qual sempre anseio que termine em porrada de criar bicho.

Enfim, que não me fujam as ideias para outros rosários que a crónica aqui não chama, a bem do muito que temos dizer desta vitória que os ilustres atletas da vila de Moreira de Cónegos nos venderam cara. Um apanágio, diga-se, que parece estar a querer fazer história, embora assim não o desse cara quem viu aquele primeiro quarto de hora. Logo desde aí, bem cedo, cheirou a golo aos pés e cabeça de Jackson. O ritmo também seguia o tempo da batida, mas a bola não entrou.

No natural afrouxamento da circulação a equipa perdeu um pouco o rumo, mas não se deixe de aqui de gratificar a boa organização defensiva visitante onde Ricardo Fernandes roubou o pão à boca de Martinez num par de ocasiões ou quando Ricardo Ribeiro fez uma vistosa intervenção a um pontapé de Moutinho vindo do meio da rua. Para agrurar ainda mais as nossas preocupações Lucho ficou-se por terra depois de uma traulitada bem dada, deixando Vítor Pereira mais apreensivo do que já estava.

A troca pelo irreverente Kelvin já no início do segundo tempo não se revelaria feliz com o miúdo a não conseguir dar um estilo rápido e prático que o jogo estava a pedir. Percebendo isso o treinador juntou Kléber a Jackson na área, tentando desconstruir a muralha que vem lá da concelhia onde este Reino se deu em berço. Reflexos visíveis na velocidade incutida à partida e não tanto nas ocasiões criadas.

Em ritmo vivaço e tenso os homens orientados por Casquilha esgueiram-se um par de vezes onde a defesa azul e branca não fluiu com a lisura desejável. Otamendi ainda bem “tentou” dar brinde, mas Helton emendou a tempo. Enfim, as nossas almas já quase estavam por tudo, mas salvação se deu de onde menos se esperava. Um canto, pois claro!

Ao fim de mais de uma dúzia destes inconsequentes lances o colombiano Cha Cha Cha facturou e fez o cântaro quebrar depois de tantas vezes à fonte ir. Não sendo a mais vistosas das finalizações, para alívio ficou perfeito. Contingências de uma partida muito sofrida por todos nós e algo sofrível dos nossos jogadores. Pede-se melhor aproveitamento em momentos chave, assim como maior e melhor regularidade ao ritmo a impor. Problemas já usuais como a carência de algumas soluções de recurso que até mais ver os resultados do campeonato ainda não puseram a nu.

O Drogba da Caparica

Varela é entre os adeptos um jogador algo controverso (ainda que possivelmente haja quem o seja ainda mais). Há quem o aprecie bastante, como há quem diga que ele «devia dedicar-se à música» (como vi escrito no outro dia).

Eu aprecio-o bastante, embora não o coloque entre os mais valiosos da equipa. Antes de mais acho que é, como dizem os ingleses, um jogador «well rounded»: um jogador completo. Tacticamente muito bom (e acho que muitos adeptos não reparam nisto), boa técnica (recepção, passe, cruzamento, remate; finta já nem tanto), com maturidade, fisicamente forte q.b., e sabe jogar com os 2 pés. Nao e' necessariamente excelente em tudo isto, longe disso, mas e' bom em muitas coisas.

No entanto uma das suas qualidades (objectividade) tem o reverso da medalha que se traduz na maior crítica que lhe aponto: é demasiado conservador, arrisca pouco. Varela tem tendência a tomar quase sempre a opcao (nas movimentações, passes, ...) que tem maior probabilidade de sucesso; ora isso é óptimo por exemplo num trinco, mas não na posição em que joga, em que é necessário criar desequilíbrios o que implica assumir riscos com alguma frequência, ainda que com moderacao (um passe mais arriscado, uma finta, uma desmarcação,...). Para um jogador nessa posição de forma a fazer a diferença mais vale 'as vezes tomar 2 decisões em 3 de risco que não resultam, com a 3a a resultar em cheio. Acaba portanto por ser um jogador algo «ensosso», que raramente joga mal mas também raramente faz a diferença.

O que me leva a um ponto fundamental deste artigo, que é (na minha perspectiva) uma total estagnação de Varela nos últimos 2 anos e meio. Há 2 anos e meio eu escrevi aqui um artigo em que me perguntava se não seria preferível Varela a titular em detrimento de Hulk.

Ora o tempo demonstrou que afinal não havia fundamento para as minhas dúvidas, e penso que a razão para tal foi que Varela não evoluiu (em certa medida houve até mesmo um ligeiro retrocesso) enquanto Hulk continuou a evoluir, principalmente ao nível da maturidade. Penso que Varela corre mesmo a curto prazo o forte risco de perder a titularidade para um «rookie» como Atsu, mesmo que este não seja exactamente um prodígio nato.

Porque é que Varela não evoluiu (e tendo em conta que há 2 anos e meio tinha 25 anos, longe da idade típica de «pico» de performance), é para mim um pequeno mistério. Desleixo e falta de ambição? Trabalho insuficiente do treinador (individual e de aproveitamento colectivo)? Um misto das duas coisas? Outras? Se calhar nem eles sabem.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Como encarar a Taça da Liga?


Agora que os jogos da Taça da Liga se aproximam, coloca-se a questão do costume: como encará-la?

De soslaio, com tem sido costume (mas nem sempre)? Ou é mesmo para tentar ganhar?

Bem sei que quem lá está costuma usar o chavão de que «é tudo para ganhar», mas a prova do algodão vê-se nas escolhas do treinador (e no esforço que os jogadores colocam em campo). Como se viu em Braga para a Taça de Portugal, alias.

Para mim é claro que é mesmo para tentar ganhar, ainda que não a qualquer custo. Claro que a prioridade vai – e de muito longe - para o campeonato e LC, mas para mim a seguir a essas competições a TL merece tanta atenção como uma Taça de Portugal (TP). Não tem a mesma História/longevidade, mas dá tanto ou mais dinheiro; e um título oficial é um título oficial. Mais: em teoria será tão ou mais difícil de ganhar como uma TP, em média. Além disso, é o único «caneco» que falta na coleção. E finalmente: depois da eliminacao da TP o calendario fica mais desanuviado.

O que me leva ao seguinte:

1)      É de jogar com um misto de titulares e 2as escolhas. Não só para poupar titulares (mas sem compremeter a valia da equipa), mas também porque sou da opinião que numa equipa composta só (ou quase) de 2as escolhas os jogadores não ficam a ganhar nada.

Bem pelo contrário, a falta de rotinas e de bons jogadores «ao lado» pode levar a que evoluam pouco e que alguns jogadores fiquem mesmo «queimados» (nao nos esquecamos que a valia de uma equipa e' muito mais do que a soma das valias individuais dos jogadores). Quantas vezes já se viu comentários do género: «Estão a ver? O jogador x teve uma oportunidade mas não a aproveitou!». Como em Braga, alias.

Mais: se no passado argumentava-se que ao menos assim as 2as escolhas ganhavam ritmo, agora temos também uma equipa B (e na Honra...) onde o podem fazer.

2)      O tal misto de titulares e 2as escolhas terá que ser determinado jogo-a-jogo, em função da sobrecarga dos titulares e do(s) jogo(s) que se segue(m). Cabe ao treinador identificar quem ao certo, ele que os segue diaramente. Em princípio penso que se deve evitar ao máximo ter mais do que uns 3 ou 4 segundas escolhas na equipa inicial (o que não invalida que conforme o jogo decorra possam entrar mais 3), a não ser que passado poucos dias haja um jogo crucial para o campeonato ou LC. 

Ora olhando para o calendário das próximas semanas, parece-me que não ha' razões para não dar o litro (ou perto disso, descansando um ou outro jogador que mais necessite) nos dois primeiros jogos, até porque temos um interregno na LC. Aliás, até faz bem aos jogadores que joguem em Estoril após um interregno de 2 semanas (e após as batatas de Natal).

Já o jogo no «galinheiro» pode levar a que faça muito sentido poupar jogadores no jogo contra o Setúbal (até por causa de possíveis lesões). Mas isso reforça ainda mais o ponto de dar o litro nos dois primeiros jogos, de forma a que o 3º jogo possa ser encarado de forma relaxada (acima de tudo pelo treinador nas suas escolhas, nem tanto por quem estiver em campo).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Azares


Nas partidas mais complicadas, existe uma fase do jogo que o nosso clube fica longe de dominar da melhor maneira: é naquelas alturas em que não precisamos obrigatoriamente de marcar. 

Quando, por exemplo, o empate já nos serve, a equipa como que renuncia por completo a qualquer tentativa objectiva de facturar. 
Enquanto o adversário não marca, praticamente toda a gente se mentaliza que apenas tem que defender. No fundo, é uma mentalidade habitual mas somente em equipas mais pequenas. 
A diferença é que, devido à nossa melhor qualidade, tudo vai (ilusoriamente) resultando durante largos minutos. 
O problema é que, entretanto, vão-se avolumando sintomas que, mais cedo ou mais tarde, se irão revelar fatais. Falo nos cartões amarelos em série e no número assustador de faltas e cantos contra (só em Paris foram 13...). 

Ora, é precisamente esta avalanche de amarelos e bolas-paradas que depois originam os famosos "azares" que ultimamente temos tido: o "azar" de alguém levar um segundo amarelo; o "azar" de um dos nossos acertar na própria baliza; ou o "azar" de ser o nosso próprio guarda-redes a "ajudar" um remate fraco a encontrar o fundo das redes. 

Coisas destas tendem a acontecer com mais frequência, na proporção directa de deixarmos a bola rondar, mais vezes do que devia, a nossa área. 
Se ter "sorte" dá muito trabalho, por outro lado não deixa de ser verdade que há também quem procure o "azar". 

Os nossos jogadores só regressam à "vida" apenas e quando a necessidade premente de marcar reaparece. Aí sim, voltamos a ver nacos de futebol digno desse nome. 


E por que razão tal sucede? 

São, claro, vários os factores. Alguns serão até bons motivos: desde logo porque existe alguma segurança defensiva (Otamendi, finalmente, mais veloz e concentrado esta época) e uma grande fé (justificada) em Helton. 
E por maus motivos: meio-campo com pouca rotação e também por um certo adormecimento do trio de ataque. James só verdadeiramente aparece em jogo quando a equipa volta a ser pró-activa (ao contrário de Hulk, o colombiano tem pouca vocação - ou aptidão - para criar desequilíbrios, por si próprio, nas situações em que existe pouca ajuda dos companheiros). 

E a pergunta surge, pois, naturalmente: sabendo-se que, em termos ofensivos, Moutinho brilha pouco nos jogos fora de casa e que Lucho, que nunca foi homem de grandes correrias, junta agora uma menor clarividência no último passe; quem mais temos/teremos para, pelo menos, levarmos o barco a bom porto na nossa única meta - realista - para a presente temporada (reconquista do título doméstico)? 


A reabertura de mercado, em Janeiro, está aí mesmo à porta...


P.S.: Ao que parece, também o próprio Vítor Pereira terá agora desistido de Kléber. 

Ao colocar Abdoulaye em campo (num inovador 3-4-3) para os derradeiros minutos do tudo-ou-nada, retira qualquer dúvida que ainda existisse que, em termos objectivos, apenas temos um ponta-de-lança no plantel (Jackson). 
E que jeito, insisto, nos daria ter um Lima sentado no nosso banco.