quinta-feira, 14 de março de 2013

Lampionices


Correndo o risco (certo) de ser muito polémico, parece-me que a massa adepta portista está cada vez mais parecida com a lampiónica (mesmo que ainda hajam diferenças claras na média).

Dois aspectos em que constato isso:

1) A fanfarronice (ou o síndroma «15 a zero»)

Quando se discutem previsões para um jogo que se aproxima, cada vez mais um portista que se mostre pessimista é visto como um «mau» portista. «Shame on you», respondem-lhe alguns. Entre os optimistas, se um diz «mata» outro diz «esfola», como se o optimismo ou pessimismo do adepto anónimo em conversas de café tivesse algum impacto no rendimento da equipa no jogo em questão.

Suspeito mesmo que - para muitos desses portistas - mostrar-se apreensivo ou até mesmo reservado traz «agoiro», entrando-se no campo do paranormal...

2)  O 8 ou 80

A tendência (cada vez mais) de passar de besta a bestial e vice-versa. Aqui há umas semanas havia muita gente a colocar Vítor Pereira (e Defour, já agora) nos píncaros. Sobre VP até vi escrito que foi com o Mourinho o melhor treinador q passou pelo FCP nos ultimos 20 anos... e vi também opiniões de que tínhamos claramente equipa para sermos campeões europeus. Depois de ontem há muita gente q diz que o VP nao presta, que o Defour nao presta. Que o plantel é fraquíssimo, que vários titulares não prestam. VP e Defour são dois exemplos, mas muitos mais se encontra (outros dois que passaram de bestiais a bestas foram Fucile e Rolando, por exemplo).

Bem, na altura coloquei alguma água na fervura, e agora volto a fazer o mesmo ao contrário (depois do que vi no jogo de ontem). O que acho:

1) VP já demonstrou ter qualidade q.b. para ser treinador do FCP, o que não é para todos. Mas não demonstrou mais do q isso (i.e. «qb»), e ontem cometeu uns quantos erros, embora não tenha estado assim tão mal como ouvi dizer.

2) Defour tem valor q.b. para ser util no FCP, principalmente a médio de transição. Tem também o potencial para ser bom q.b. para o q se pede de um titular, como deu a entender numa mão cheia de jogos antes de se lesionar - ainda tem no entanto que o demonstrar ao longo de um periodo de tempo razoavel.

Quanto ao plantel, nem é tão bom como o pintaram (todos os Verões, em particular, antes de começar os jogos oficiais, é a mesma coisa...é tudo uma maravilha) nem é tão fraco como é agora pintado. É um plantel desequilibrado, com uma boa equipa titular (não há nenhum titular que não tenha valor q.b. para tal num FCP) e alguns buracos no banco, começando por PDL (mal preenchido em Janeiro, um Janko dava muito mais jeito do que Liedson para «abrir» defesas fechadinhas) e passando pelas laterais defensivas e extremos. Já para central e meio-campo penso que há soluções suficientes.

Concluindo, são duas tendências tipicamente lampiãs que vejo cada vez mais no universo portista, certamente muito mais do que há duas ou três décadas atrás. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Lição bem merecida, estamos fora (e dói)!

Uma eliminação mais do que justa, mais do que merecida. Durante 90 minutos o FC Porto foi a antitese de tudo aquilo que tinha sido no Dragão. Foi uma equipa cobarde, foi uma equipa sem critério, foi uma equipa sem ambição. Foi uma equipa vulgar. E equipas vulgares não chegam aos Quartos de Final da Champions League. Foi uma derrota merecida e cujas culpas podem ser repartidas em partes iguais por um treinador superado pela noite mais exigente da sua carreira e um grupo de jogadores que continua a revelar ter muito pouco nível para a elite.

Foi a noite em que Defour foi expulso por ser um jogador com pouco savoir faire, um jogador sem a inteligência de saber ler o jogo. O árbitro - que até perdoou um golo absolutamente limpo ao Málaga, para contrariar tudo aquilo que eu tinha adiantado ontem - desde cedo deixou claro que não teria medo de expulsar jogadores. Os amarelos foram-se acumulando, e ao intervalo parecia mais do que evidente que uma das equipas, pelo menos, acabaria o jogo com 10 ou 9. Foi o FC Porto. E foi-o porque Defour fez uma falta desnecessária e inútil. Uma falta indigna de um jogador profissional num jogo desta magnitude. Com isso deixou a equipa coxa para o resto do jogo. Tinha passado uma primeira-parte longe do jogo, dedicando-se mais a destruir que a apoiar o ataque, deixando a nu o pouco ambicioso plano de Vitor Pereira.
O treinador não soube escolher o onze - optou por Varela e Defour, inexistentes, no lugar de Izmailov e Atsu - e não soube reagir. Acobardou-se. Quando Defour foi bem expulso, preferiu colocar Maicon, um central e colocar Alex Sandro no meio-campo.
O curioso é que um golo do FC Porto obrigava o Málaga a marcar três golos. Qualquer treinador com cabeça e coração teria apostado tudo no golo da tranquilidade, o golo que forçaria o Málaga a arriscar tudo. Mas Vitor Pereira não foi esse homem. Sentiu o peso sobre os ombros e deixou-se cair de joelhos. Já tinha abdicado de Moutinho (e sem Moutinho esta equipa é vulgar) presumo que por lesão, lançando um James fora de forma. O colombiano foi eclipsado por Isco, o autor do genial primeiro golo dos espanhóis (com Helton mal colocado). Depois da expulsão colocou Maicon e só no fim se lembrou da velocidade de Atsu. Com isso deixou no banco a Liedson e Izmailov, os revulsivos ideais para estes momentos. Deixou a coragem e golo e preferiu o medo e a abordagem mais conservadora, pensando talvez aguentar até ao prolongamento com menos um homem. Quem via o jogo sabia que isso nunca iria suceder.


O Málaga não fez um grande jogo, muito menos uma grande eliminatória.
Mas foi uma equipa dos pés à cabeça. Soube trabalhar como colectivo, soube anular as mais valias dos dragões e soube jogar o seu jogo. Como era de prever, a primeira parte foi dura e disputada essencialmente no meio-campo. Muitos pensavam que o Málaga partiria para o ataque, à procura do golo, desesperadamente. Eu avisei que não. Pellegrini, ao contrário de Vitor Pereira, sabe ler os jogos e percebeu que tinha primeiro de cansar o rival e aproveitar os espaços de uma linha defensiva alta. A equipa saiu com a lição do Dragão muito bem aprendida e procurou sempre as diagonais para a velocidade de Saviola. O argentino até marcou, um golo limpo mal anulado pelo árbitro, e foi muito mais díficil de travar do que tinha sido Santa Cruz no Porto. Esse golo podia ter sido o aviso para o FC Porto mudar a atitude.
A equipa tinha entrado medrosa, trapalhona e sem ambição. Longe da área, trocando e recuperando mas sem dar a sensação de perigo. O golo de Isco, mesmo antes do intervalo, era justo pelo demérito do Porto mais do que pelo trabalho dos andaluzes. Como foi o resultado final. O Málaga marcou o segundo golo com um golpe do avançado lançado para resolver a eliminatória (olá Vitor Pereira), numa defesa com cinco jogadores que o deixaram só para cabecear sem muitos problemas (olá Vitor Pereira). E depois, quando continuava a faltar apenas um golo para acabar com a festa do Málaga, a equipa não teve critério e muitos jogadores esconderam-se. Jackson foi um deles, talvez pesando as palavras de um empresário que já o vê a jogar ao lado de Messi. Lucho, tentou liderar mas estava só, e fisicamente não aguenta este nível. Já todos sabemos isso. Todos menos Vitor Pereira.
E sem um cérebro e sem um motor, não houve bolas que chegassem a Atsu e James, perdido em campo, provou ser uma aposta falhada pelo técnico. Com menos um, a precisar de um golo, o FC Porto foi inofensivo, criando perigo apenas de bola parada. E mesmo assim, um perigo praticamente inconsequente. Duas vezes a bola entrou na baliza e gritou-se golo mas as duas vezes os lances foram bem anulados por fora de jogo. O Málaga percebeu o estilo do árbitro e deixou de apertar nas entradas, e com isso evitou cair no mesmo erro de Defour. E controlou o jogo como quis, dando-se ao luxo de lançar vários dardos venenosos que só não fizeram mais sangue porque a equipa espanhola também foi, à sua maneira, bastante imprecisa.

Esta é uma das derrotas mais dolorosas do FC Porto em provas europeias da última década.
Sobretudo porque é uma derrota merecida. O adepto aceita cair aos pés do Manchester United, Arsenal ou do Inter, equipas com um orçamento muito superior e um pedigree europeu inquestionável. O adepto aceita que o azar de uma noite como a do Schalke 04 aconteça, uma vez cada dez anos. O que o adepto dificilmente aceitará é que uma equipa com uma vantagem de 1-0, depois de uma primeira mão com uma boa exibição, se acobarde tanto num estádio do quarto classificado da liga espanhola, uma equipa cujos jogadores estão sem receber há meses, composta por promessas e veteranos e que nunca foi realmente superior em 180 minutos. É uma derrota que permite colocar as coisas em perspectiva. Houve muita gabarolice, depois do sorteio, de adeptos que diziam que o apuramento estava no papo, que o Málaga não era ninguém, que seria goleado, que jogador por jogador o FC Porto era muito superior, que Isco não merecia apertar os cordões a James, etc..., etc... Houve muita gabarolice, como em 2011, a falar de duelos directos com Barcelona, Bayern e Real Madrid, como se o FC Porto fosse uma potência europeia de facto. Não é.


O FC Porto é um grande da Europa, em primeiro lugar porque é o maior clube de Portugal. E em segundo porque - para o campeonato e país de donde vem - tem apresentado resultados a nível europeu brilhantes. Mas é uma equipa que não pode olhar olhos nos olhos com os grandes por noites como estas. Por noites onde jogadores pelos quais são pagos 17 milhões, como Danilo, continuam a deixar muitas interrogações. Por noites em que jogadores como Otamendi deixam a nu todas as suas debilidades. Por noites em que o banco de suplentes é curto e insuficiente para as exigências do guião. Por noites onde o perfil do treinador - ao contrário do que acontece no campeonato - exige alguém com carácter, algo com que a SAD se dá muito mal. É por noites como estas que muita da gabarolice que rodeia a equipa tem de ser colocada em perspectiva. Eu acho que o FC Porto tem de atacar todos os anos os Quartos de Final, devia ser o objectivo real. Sei que não somos pior equipa que o Málaga ou o Galatasaray que lá estão este ano, ou que o APOEL, CSKA Moscovo ou SL Benfica, que lá estiveram nas últimas edições. Mas para fazê-lo tem de ser com outro tipo de jogadores, outro tipo de técnicos e outro tipo de mentalidade. E foi isso que falhou na última década nos momentos decisivos, salvo em dois casos pontuais em que os astros se juntaram para criar duas gerações irrepetíveis e brilhantes, com um líder no banco e um plantel digno do nome do clube.

 Esta noite vai entrar na galeria das mais dolorosas derrotas do clube. Mas isso não faz com que seja menos merecida. Vai custar ver o sorteio de sexta e não estar lá por culpa própria. Agora resta colocar todo o enfoque no campeonato, chegar ao Verão com a cabeça fria e pensar o que queremos do nosso clube. E, acima de tudo, o que quer quem realmente manda. Para que não se repitam noites como esta!

terça-feira, 12 de março de 2013

Os 3 perigos do Málaga!

Como escrevi antes do jogo da 1º mão dos Oitavos de Final contra o Málaga, a equipa espanhola vai jogar a época amanhã. No estádio La Rosaleda há alguns meses que os salários não são pagos a tempo, que a paciência de técnicos e jogadores se vai esfumando e que muitos vão fazendo conta aos dias que faltam para chegar a Junho e procurar um novo rumo. Para esses, sobretudo para esses, o jogo com o FC Porto é o jogo mais importante do último ano. Poderá significar um cifrão a mais e um cifrão a menos em muitos contratos futuros para os jogadores e nas transferências recebidas por um clube abandonado pelo seu dono.

Com o recurso do Málaga à UEFA em águas de bacalhau (já sabemos que Platini é forte com os fracos e fraco com os fortes), todos sabem na cidade que para o ano não há Europa. E sem Europa não há dinheiro, jogadores de primeiro nível. Não há nem Isco nem Pellegrini. E não vai voltar a haver uma La Rosaleda cheia, a empurrar a equipa, como amanhã. Chegar aos Quartos não é só fazer história para o clube andaluz. É um balão de oxigénio para os adeptos e um alivio financeiro para os jogadores. Muitos não ficarão um ano em branco na cidade e procurarão novas paragens e a equipa, já de si envelhecida com as saídas de Cazorla e Monreal, ficará ainda mais dependendo de uma velha guarda que não tem muitas opções de mercado. Como dizia Sun Tzu, nunca se deve encurralar o inimigo até um ponto onde não tenha por onde fugir, porque inevitavelmente virá para cima de ti como último recurso. O FC Porto não podia adivinhar esta situação quando o sorteio colocou as duas equipas frente a frente mas agora os jogadores terão de ter a fortaleza mental de saber que jogam contra animais feridos e sem outra opção. Eliminados da Copa, sabendo que do quarto onde estão agora ao sétimo, é suficiente para cumprir o ano de punição marcado pela UEFA (que só é válido se a equipa acabar em lugares europeus na liga), a Champions é a tábua de salvação para um projecto em queda.



Mas esse não é o único problema do Málaga.
Como vimos no Dragão, não é por acaso que os andaluzes têm a melhor defesa da liga espanhola desde há vários meses. São uma equipa que concede muito poucos espaços aos rivais, sofre pouquissimos golos para a média habitual do futebol espanhol e na Europa tem demonstrado igual solidez. A hegemonia do Dragão, com a bola, traduziu-se em poucas oportunidades reais e um magro (mas fundamental) golo. É uma equipa que sabe que pode perfeitamente passar o jogo sem sofrer e que um golo iguala a eliminatória e é assim que vão jogar. Ninguém pense num Málaga lançado desesperado para o ataque, deixando espaços atrás.
Pellegrini, excelente estratega, irá procurar a velocidade de Joaquin e Isco (talvez ajudado por um futebolista mais móvel do que foi Baptista no Dragão), e a capacidade de Iturra, Toulalan ou Camacho de morderem constantemente o meio-campo dragão. Será um jogo disputado no meio-campo, uma partida de xadrez disputada longe das áreas e onde os detalhes serão fundamentais. Em bola parada o Málaga tem bons números, em Isco e Joaquin dois jogadores capazes de desequilibrar e nas últimas jornada, a equipa geriu bem o esforço físico para estar a 100% na noite de amanhã e poder compensar o imenso desajuste que se verificou nesse capitulo na primeira-mão.

O terceiro perigo não é um La Rosaleda emocionado até às entranhas, nem o fantasma dos Oitavos que tanto nos tem atormentado na última década (só por duas vezes seguimos em frente na prova). Chama-se Angel Maria Villar.
O presidente do comité de árbitros da FIFA e UEFA, presidente da Real Federação Espanhola há mais de 25 anos, delfim de Sepp Blatter para uma eventual candidatura à presidência da FIFA nas próximas eleições, é um homem influente como poucos no futebol internacional. Não é omnipotente, mas costuma deixar a sua marca. Alguém se lembra, nos últimos anos, de algum jogo da selecção espanhola ou de um clube espanhol nas provas da UEFA em que tenha existido algum erro arbitral em contra? Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid, Valência, Villareal, Sevilla, Málaga, Levante ou Athletic Bilbao têm disputado provas europeias regularmente nos últimos anos e nenhum tem razões de queixa dos árbitros. Ganham e perdem, algumas vezes saem beneficiados, mas nunca prejudicados. Isso não implica forçosamente que o árbitro do jogo esteja "comprado", mas os árbitros - e isto funciona assim - sabem perfeitamente quem manda e que na dúvida o melhor é evitar complicações com o chefe. O golo de Moutinho, esse fora de jogo de milimetros como diria o outro, levantou tanta polémica em Espanha que ninguém duvide que se uma situação similar suceder em Málaga a bandeira dificilmente ficará em baixo. O FC Porto está habituado a jogar com os tubarões europeus e a jogar contra tudo e contra todos, mas com o fantasma eventual de uma equipa espanhola só nos Quartos de Final (dependendo do que faça hoje o Barça), talvez haja alguém na sede da UEFA que não esteja pelos ajustes. Eu só aviso!


sábado, 9 de março de 2013

A complacência de Nuno Almeida

(fonte: O JOGO, blogue 'FC Porto para sempre')

Durante o FC Porto x Estoril, e perante as entradas duras, por vezes a roçar a violência, dos jogadores da SAD que já foi de José Veiga, fiquei pasmado com a atitude complacente do árbitro algarvio Nuno Almeida.
Mas, pelos vistos, não fui só eu (ver os comentários de Jorge Coroado e José Leirós ao ÚNICO cartão amarelo mostrado a jogadores da equipa canarinha, ao minuto 90'+1).
 
Felizmente para Vítor Pereira, as consequências não foram graves e "apenas" um jogador do FC Porto saiu lesionado deste encontro.
 
«Depois da vitória sobre o Estoril (2-0), o plantel do FC Porto regressou aos treinos na manhã deste sábado (...) James e Kelvin não foram além do departamento clínico: o colombiano sofreu uma contusão no pé direito durante o jogo da véspera»
in www.fcporto.pt

Dois golos e pouco mais !


Foi um jogo bastante medíocre, com um excelente resultado. Entrámos desenvoltos, com boa dinâmica e, através de bolas paradas, aos 12 minutos já estávamos na frente com dois golos sem resposta. Durante o resto da primeira parte, o Estoril empertigou-se, perdemos o comando do jogo:  o adversário ganhou as primeiras, segundas e terceiras bolas,   raramente conseguimos sair para o ataque de forma apoiada  e até no momento da "posse" maltratámos a bola, em excesso. Nem o esférico merecia, nem quem tinha ido ao Dragão à espera de melhor espectáculo.  O Estoril não criou grande perigo, mas ocupou melhores espaços e tinha sempre mais gente próximo da bola. O jogo tendeu a ficar empastelado e chato, mas o Estoril esteve bem mais lúcido que o FCP.
Foi com alívio que vi chegar o final da primeira parte com dois golos de pecúlio. É assim o futebol. Na segunda parte, depois das alterações introduzidas, ficámos um pouco melhor. O Estoril teve menos bola, fomos mais competentes no controlo do jogo e ainda conseguimos uma outra situação em que poderíamos  ter chegado ao golo. Foi uma daqueles desafios, em que as balizas não parecem ser o destino último do jogo. As equipas esgotam-se a contrariar os avanços do inimigo e não sobra criatividade e alegria para jogar de forma mais desinibida e construtiva. Tudo muito chato e sonolento, abanado por algumas boas jogadas que não disfarçaram a má qualidade do jogo e exibições constrangedoras. No topo James, que tem sido  uma desilusão. Depois Lucho em quebra acelerada,  e Defour que não podia com uma gata pelo rabo a meio do segundo tempo. Martinez não esteve muito assertivo, Ismaylov entrou complicativo e, pasme-se, Castro trouxe vontade e dinâmica e deu um pouco de vida a uma equipa em estado de  anemia. Cometeu alguns erros (um dos quais grave) mas lutou, correu e construiu. As  vedetas fizeram muito menos.
 
Otamendi esteve bem, Maicon melhorou, os laterais sofríveis, Atsu não esteve mal  e Varela  sem brilhantismo esteve uns furos acima de James que me tem desiludido, insisto, porque salvo a marcação do pontapé de canto que deu o primeiro golo,  foi um jogador a menos. Espero que o treinador tenha coragem de pôr a jogar os que estão melhores e James está longe do valor que julgo ter, mas que demora em provar. Um bom jogador não pode ser tão intermitente.
 
Valem os três pontos e estou muito expectante que FCP vamos ter em Málaga e nas duas saídas perigosas nos próximos jogos para o campeonato.
Oxalá nos surpreendam. Ficamos à espera!


sexta-feira, 8 de março de 2013

“Só a Champions interessa”


“Todos sabemos que a Champions é uma competição de alto nível e com grande visibilidade… O Scolari certamente que segue o campeonato português, mas a torcida e a Imprensa não! Ou seja, é mais fácil para um selecionador brasileiro justificar a chamada de um jogador que jogue em Portugal, depois de ele sobressair numa competição com a qualidade da Liga dos Campeões”
Ney Franco, ex-selecionador brasileiro de sub-20


Não era preciso O JOGO entrevistar o Ney Franco, para se saber que a Champions é a principal competição mundial a nível de clubes e a maior e mais importante montra para os jogadores de futebol.

Espero é que os jogadores do FC Porto, principalmente os que aspiram a ser convocados para a seleção brasileira (Danilo, Alex Sandro e Fernando), não estejam já demasiado focados no jogo de Málaga e se esqueçam que também é muito importante ganhar os jogos do campeonato português, a começar pelo de hoje à noite contra o Estoril.

quinta-feira, 7 de março de 2013

As quotizações dos associados do FC Porto

No I Encontro da Bluegosfera, no debate que se seguiu às apresentações do Painel 3 -  'As modalidades de alta competição têm futuro no FC Porto?', foi questionado o porquê da divisão das quotas dos associados do FC Porto, entre o clube e a SAD, ser de 25% - 75%.
Tendo em vista uma maior sustentabilidade das modalidades de alta competição (Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins), porque não uma divisão 50% - 50%?
Ou mesmo, porque não 100% para o clube e 0% para a SAD, se os associados do FC Porto são sócios do clube e não da SAD?
 
Na altura, houve quem discordasse da sugestão do clube passar a reter uma maior percentagem das quotas dos seus associados, dizendo, nomeadamente, que a FC Porto SAD não poderia abdicar dessa receita.
Mas, afinal, parece que pode...
 

«Relativamente ao total das quotizações dos associados do FC Porto que são transferidas para a sociedade desportiva, como contrapartida no acesso privilegiado e com descontos aos espectáculos desportivos, foi decidido, pela administração da FC Porto – Futebol, SAD e a direcção do FC Porto, alterar essa percentagem de 75% para 25%»
Relatório e Contas Consolidado 1S12, p.11
 
 
«A diminuição da rubrica “Receita de bilheteira” está relacionada, para além do facto de um menor nível de assistências nos jogos da equipa de futebol, à diminuição da percentagem de quotas transferidas do FCP Clube para a FCP SAD a partir da época de 2012/13 para 25%, quando na época de 2011/12 esta percentagem era de 75%.»
Relatório e Contas Consolidado 1S12, p.60
 
 
Foi uma boa decisão, que eu há muito defendia.
 
Agora, para que 75% da quotização dos associados seja uma receita significativa, é preciso tomar medidas para:
1º) Estancar a perda de associados com cotas em dia;
2º) Lançar uma campanha atrativa para recuperar sócios antigos (que deixaram de o ser) e angariar novos sócios.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Falar dentro de campo...

(fonte: O JOGO)

Aos 25 anos e na sua 5ª época de azul-e-branco, o médio defensivo Fernando Reges sonha com a seleção canarinha e quer sair para um campeonato mais mediático do que o português.
Pois... mas já há clubes interessados?
E esses clubes têm dinheiro, carcanhol, massa, cheta, guita, pilim que se veja?
 
Suponho que se o FC Porto renovar o seu título de campeão nacional e, principalmente, se for longe na Liga dos Campeões, será mais provável atrair a atenção de alguns "tubarões" do futebol europeu (penso que o Fernando não quererá ir para a Ucrânia ou Rússia...), dos tais campeonatos mais mediáticos.
 
Para isso, para que a EQUIPA consiga alcançar as suas metas, valorizando os jogadores e potenciando as metas individuais, talvez fosse melhor pôr o NÓS à frente do EU. Ou seja, os jogadores, a começar pelos que querem emigrar à procura do el dorado, em vez de andarem a dar entrevistas destas, deveriam estar focados nos objetivos da EQUIPA e preocupados em "falar" dentro do campo.

O “marreta faccioso” já foi o nº 2 do Governo

«A análise aos casos do Beira-Mar-Benfica deu ontem azo a uma acesa discussão entre Dias Ferreira e Rui Gomes da Silva, ao ponto de o comentador sportinguista ameaçar deixar o programa “O Dia Seguinte”, da SIC Notícias.
“Já não tenho paciência para o aturar”, disse, irritado, Dias Ferreira. Rui Gomes da Silva desafiou então o colega de painel a deixar o programa, ao que o representante dos leões admitiu aceder depois de chamar “marreta faccioso” e “malcriado” ao benfiquista.»
in Record, 05-03-2013


«Na emissão de segunda-feira, Dias Ferreira ameaçou não ir mais ao programa e chamou “marretazeco” a Rui Gomes da Silva.
“Você é um faccioso, um fanático, uma pessoa que não se pode aturar”, afirmou, exaltado, o comentador do Sporting. (…)
Ao CM, Dias Ferreira acusa Gomes da Silva de não ter "personalidade própria" e revela mesmo que, no fim do programa de segunda-feira, resolveu não falar mais com o comentador benfiquista. "Já nem liguei coisa nenhuma, não lhe dirigi a palavra. Nem tenciono dirigir", conta.»
in Correio da Manhã, 06-03-2013


Queria apenas recordar aos mais distraídos, que o “marreta faccioso” foi eleito deputado em 1987, 1991, 1998, 1999, 2002 e 2005 e, pior ainda, chegou a número 2 do XVI Governo Constitucional, chefiado por Pedro Santana Lopes, onde desempenhou as funções de Ministro dos Assuntos Parlamentares e Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro.

Pobre país este…


Act. O Rui Gomes da Silva é um caso extremo de clubite aguda, que ele mistura com uma dose assinalável de cinismo provocatório. Mas, por que razão é que os comentadores que representam o slb neste tipo de programas, não podem ser indivíduos que saibam discutir o futebol de forma civilizada (por exemplo, Júlio Machado Vaz) e, pelo contrário, têm de ser uma espécie de talibans do fundamentalismo benfiquista (exemplos: António Pedro-Vasconcelos, Sílvio Cervan, Rui Gomes da Silva e João Gobern)?
É por causa das audiências? É para agradar e cair nas boas graças da atual Direção do slb?

terça-feira, 5 de março de 2013

A Justa Indignação de um Patrioteiro

Pois bem. Confesso estar farto do patrioteirismo dos nossos comentadeiros em relação ao Real Madrid, até porque, como português, embora arraçado, a minha antipatia para com a castelhanada seja superior à improvável simpatia que poderia sentir pelo Zé de Palermo e pelo Tony Carreira do futebol.

Deste modo, e nestes termos - e como tenho o mesmo direito ao "patrioteirismo" - afirmo a minha total e completa indignação pela inacreditável expulsão do nosso compatriota Nani, a qual, provavelmente, decidiu a eliminatória.

E como não tenho tendência para teorias conspirativas, não direi que o facto de um espanhol presidir à comissão de arbitragem da UEFA tenha tido qualquer influência na arbitragem de um turco que, segundo pesquisas genealógicas, será primo de Lucílio Baptista, Inocêncio Calabote e Reinaldo Silva.

Resta-me esperar que o Barcelona ressuscite - ou que Dortmund ou Bayern se afirmem.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Os fidalgos da casa mourisca


«O final do clássico entre o Sporting e o FC Porto foi tudo menos pacífico na tribuna presidencial de Alvalade. Os ânimos exaltaram-se e foi preciso a intervenção de Godinho Lopes para evitar que os incidentes ganhassem proporções maiores.
O ponto mais crítico aconteceu já no final da partida e envolveu diretamente Pinto da Costa e Paulo de Abreu, ex-vice presidente do Sporting, assim como Reinaldo Teles, vice presidente do FC Porto. Segundo fontes dos dois clubes contactadas por O JOGO, tudo aconteceu porque Paulo de Abreu "passou praticamente todo o jogo a provocar" os dirigentes portistas, tendo como ponto de partida "as decisões do árbitro Paulo Baptista".
As provocações "foram constantes" e, já no final do encontro, Pinto da Costa convidou Paulo de Abreu a ter o mesmo tipo de comportamento na próxima visita que fizer ao Estádio do Dragão. Foi nesse preciso momento que os ânimos aqueceram ainda mais entre os já referidos intervenientes, de tal forma que Godinho Lopes, que não gostou da atitude do antigo vice, foi obrigado a agarrar Reinaldo Teles para evitar males maiores.
Já depois de tudo serenado, Godinho Lopes ainda se dirigiu ao parque de estacionamento do Estádio de Alvalade para "se despedir com um abraço" dos administradores do FC Porto.»
in O JOGO


Este comportamento é ilustrativo do nível de alguns dos "fidalgos" de Alvalade. Convidar os dirigentes do clube adversário para o camarote presidencial e depois passar o jogo a mandar bocas provocadoras a esses dirigentes, mostra bem a estirpe e o saber receber desta gente. Mas, vindo de quem vem, não é nada que me surpreenda.

O que me surpreenderia era se este Paulo de Abreu, que pelos vistos esteve quase a levar no "focinho" em pleno estádio de Alvalade, os tivesse no sitio para, na próxima época (*), acompanhar o seu clube na deslocação ao Porto e fizesse algo de parecido no camarote presidencial do Estádio do Dragão. Isso sim, era algo que eu gostava de ver...

(*) Estou a partir do pressuposto que o sporting não vai descer de divisão.

domingo, 3 de março de 2013

Mudar de "chip"


Nem todos os jogos se podem vencer usando a táctica habitual, mesmo quando esta tem vindo a resultar.

Os últimos 5 anos provam que, independentemente de faltar este ou aquele jogador, da pior ou melhor forma conjuntural (quer a nossa, quer a do adversário), o FCP está a utilizar a fórmula errada em Alvalade.

Todos estes últimos resultados negativos tiveram até histórias semelhantes: aparente domínio das nossas cores mas, sejamos honestos, muito poucas claras oportunidades de golo. Aliás, tal como sucedeu no jogo de ontem, a nossa ansiedade acaba até por oferecer boas oportunidades ao scp de vencer estes clássicos. Neste de 2013, valeu-nos Hélton para evitar males maiores.

Mas, afinal, a falta de Moutinho foi ou não decisiva? Seria fácil e tentador responder afirmativamente. Porém, na época passada, com ele em campo, as coisas, até não foram assim muito diferentes.

Por paradoxal que possa parecer, terá sido mais sentida a falta de Mangala. E porquê, se até não sofremos golos? Pela dinâmica que o francês oferece. E falo de dinâmica ofensiva.

É verdade que Maicon, mesmo em baixo de forma, ainda assim consegue anular a maioria dos lances de ataque adversário. Porém, Mangala fá-lo de forma muito mais rápida, matando logo na origem os avanços contrários. Com isto, o FCP recupera de imediato a posse de bola, asfixiando o adversário em sucessivas vagas ofensivas. Assim se explicando as nossas mais recentes estatísticas neste domínio (70%, por vezes).
Pelo contrário, Maicon vai atrás do adversário, levando demasiado tempo a recuperar e, por vezes, cedendo até cantos e lançamentos desnecessários. Com isto, o FCP desgasta-se mais, fica mais tempo sem a bola e, pior, permite ao adversário ir ganhando confiança e aproximar-se mais da nossa baliza.

Regressando ao início, afinal por que não resulta, no estádio do scp, a nossa usualmente bem sucedida abordagem?

Sim, Defour não é Moutinho. Sim, Lucho cada vez se eclipsa mais e anda completamente sem imaginação enquanto ainda tem pernas. Sim, Danilo tarda a fazer uma grande exibição. Sim, Varela deveria ser imediatamente substituído mal nos apercebemos que está num daqueles seus tristes dias. E, sim, James está a léguas do James pré-lesão. Todavia, nem tudo isto explica plenamente a razão do nosso insucesso.
Aliás, ainda há escassas semanas, todos pasmávamos com a qualidade do nosso futebol perante tantas adversidades (lesões e não só). Chegou até a parecer que ninguém fazia realmente falta. Quem ia entrando a substituir um colega não operacional, cumpria quase sempre.

Contudo, tudo muda (e muito rápido) no futebol.

E não só por cá. Basta ver que o Barcelona passou, em dois tempos, de “melhor equipa de sempre” a um adversário a que até dá para vencer enquanto se vai poupando alguns elementos para futuros compromissos.

Neste desporto, é obrigatório inovar permanentemente.

Em Alvalade, os lances em que o FCP parecia criar mais perigo, eram aqueles mais “feios” (que equipas grandes como a nossa tentam, por mero complexo, evitar): bolas lançadas para a área desde o meio-campo.
A valia técnica de Jackson no um-para-um, aliada à pouca experiência dos “centrais” leoninos, poderia ter feito mais mossa que as nossas habituais tentativas de ir trocando bolas até se chegar à linha de fundo. Ainda para mais após a entrada de Liedson. Outro jogador virtuoso a quem deveriam ter sido dados mais minutos. Afinal para que veio ele se não para resolver jogos como o de ontem?

Com estes dois predadores em campo, simultaneamente, muitas mais bolas deveriam ter chegado à grande área contrária.
Não faz sentido colocar em campo tamanho poder de fogo e depois não mudar uma virgula na forma de jogar.

Jogos como os de Alvalade cheiram tanto a empate e são sempre tão repetitivos que clamam por uma nova abordagem.

sábado, 2 de março de 2013

2 pontos perdidos com o 12º classificado

Seja por puro azar ou culpa própria, Vítor Pereira entra na fase decisiva da época a perder (nos treinos!) peças fundamentais da equipa. E a falta dessas peças - Moutinho, principalmente - fez-se sentir no confronto com o 12º classificado; Defour, por vontade própria ou por indicação do treinador, passou o jogo a acompanhar o Fernando - não é o Moutinho, nem tentou sê-lo. James, outro recém-lesionado tem vindo a ser reintroduzido na equipa, mas os resultados não são animadores. Se o Moutinho tiver um regresso semelhante, grandes dissabores nos aguardam.

A sombra do SCP, resignada à sua condição, e à semelhança das equipas que lhe estão mais próximas na tabela, apostou nessa táctica que contra o Porto, jogo sim, jogo não, lá dá frutos, e que consiste em defender com 11 atrás da linha da bola, e tentar uns chutões lá para a frente que resultem em golos. Pelo seu lado, o Porto, pela enésima vez confrontado com estas abordagens, sem Moutinho, e a jogar com 10 - o Varela é uma perfeita nulidade; lamento, mas não há outra palavra que o descreva - voltou a dominar, a manietar na maior parte do jogo o seu adversário, mas sem conseguir traduzir em golos essa superioridade.


Maicon voltou à titularidade para assinar uma boa exibição, à semelhança dos seus companheiros de defesa, não sem um ou outro calafrio; Otamendi falhou uma única vez, ao permitir que o ponta-de-lança holandês do SCP - que fala muito, gosta de umas boas cotoveladas e que sofre de problemas de equilíbrio - tivesse nos pés a melhor oportunidade de golo do jogo; Hélton disse "presente!" e minimizou a falha do defesa argentino. Numa exibição de bom nível, o guarda-redes brasileiro apostou também em fazer os adeptos arrancar cabelos - a dada altura pediu desculpa ao treinador, mas pouco depois voltou ao mesmo - ao insistir em brincar com a bola, quando apenas se lhe pede que a atire lá para a frente. Do lado do SCP - que "não fora as arbitragem, estaria a lutar pelo título" - é de salientar o "raçudo" Rinaudo, que bateu em tudo o que mexia mas escapou ao julgamento do árbitro.

É difícil afastar a sensação que o Porto não perdeu 2 pontos, frente a uma equipa que perde com "todo o cão e gato". O duo colombiano não esteve inspirado; as substituções não resultaram, os livres em frente à baliza foram todos desperdiçados, e maioria dos remates continua a acabar na bancada ou são frouxos e fáceis para os guarda-redes. É verdade que continuamos a depender de nós próprios para chegar ao fim no primeiro lugar, mas ninguém garante que nesse jogo em que vamos depositar tantas esperanças, o "nosso rival" não aposte também neste tipo de jogo, com o qual o Porto demonstra claras dificuldades, para conseguir o ponto que lhe garantirá o título. Todavia, há que continuar a lutar e o tempo dirá se estes 2 pontos nos serão, ou não, fatais.

Maicon, Mangala, Maicon

A exibição de Maicon no último FC Porto x Rio Ave não foi famosa. Para além das fortes responsabilidades que teve no golo dos vilacondenses, revelou-se preso de movimentos e com uma lentidão preocupante. A comparação com Mangala (impedido de jogar contra o Rio Ave devido a castigo) foi inevitável e nada favorável ao defesa-central brasileiro.

Contudo, a história destes dois jogadores não começa e acaba nos 90 minutos do último desafio disputado no estádio do Dragão. Vale a pena recordar o seguinte:

Em Dezembro de 2011, quando a FC Porto SAD vendeu parte do passe de Mangala, o ex-Standard Liège era o 4º defesa central do plantel, a dupla titular era formada por Rolando e Otamendi e Vítor Pereira era fortemente criticado por preferir jogar com o Maicon adaptado a defesa-direito, em vez de uma das escolhas naturais Fucile ou Sapunaru (na altura, ainda não era do domínio público que Fucile era uma das "maças podres" do balneário).

No final da época 2011/12, Mangala continuava a ser o 4º defesa central do plantel, mas a dupla titular passou a ser formada por Maicon e Otamendi. Depois de uma brilhante 2ª volta, muitos portistas e não só, comparavam a evolução do Maicon à de Pepe (já não se lembram?) e Maicon era considerado por muitos o melhor defesa central do campeonato português.

No início da época 2012/13, Maicon continuou em grande e, inclusivamente, durante a pré-temporada especializou-se a marcar golos de livre. A dupla titular continuou a ser formada por Maicon e Otamendi. Com o afastamento de Rolando, Mangala passou de 4º para 3º defesa-central do plantel mas, tal como Maicon um ano antes, aproveitou uma "invenção" do treinador Vítor Pereira para crescer futebolisticamente, quando foi adaptado a defesa-esquerdo para suprir a ausência do lesionado Alex Sandro.

Quando Maicon se lesionou com alguma gravidade, para além dos lamentos e críticas ao miserável relvado do Dragão, cheguei a ler/ouvir portistas sugerirem que Rolando deveria ser reintegrado, porque Mangala não dava garantias (era a fase em que o Mangala era apontado a dedo por alguns - ex. Luís Freitas Lobo - como um jogador bruto/excessivamente viril).

Perante a evolução registada e comprovada nos últimos 4-5 meses, hoje em dia já são poucos os portistas que duvidam da categoria/capacidade do Mangala. Inclusivamente, a comunicação social tem feito eco do "apetite" de alguns dos "tubarões" europeus por este super-atleta francês e até já se fala em valores (20 milhões de euros).

Sim, Mangala é um jogador extraordinário e, obviamente, eu preferia que ele não se tivesse lesionado e hoje à noite pudesse jogar o lado de Otamendi, formando aquela que é, atualmente, a melhor dupla de defesas-centrais do futebol português.
Provavelmente, iremos sentir a falta da sua velocidade, intensidade de jogo e presença física nas duas áreas. Mas Maicon, o seu substituto no jogo de hoje, não é um mau defesa central e já deu provas do que é capaz. Obviamente, não está ao mesmo nível de há um ano atrás, mas eu acredito que vai estar bem melhor do que contra o Rio Ave. E veremos se, depois do jogo de hoje, não reconquista um lugar que já foi seu.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O golpe do baú da BTV ao futebol televisado

O golpe no baú!
O SL Benfica conseguiu os direitos de transmissão exclusiva da Premier League para as próxima temporadas e vai ter o direito de exibir no seu canal de televisão todos os jogos que se possam ver em território português da competição nacional mais vista do planeta.

Como é possível que um clube de futebol consiga um contrato deste nível pelo qual empresas em todo o Mundo pagam fortunas, a começar pela própria Sky no Reino Unido (seguido do Canal Plus em França e Espanha)? Simples, com a ajuda dos amigos da Portugal Telecom, essa empresa que apesar de já não ser detida pelo governo, ou seja, por todos os portugueses, continua a comportar-se no mercado como se tal fosse certo (porque tem as costas muito bem cobertas)!

O negócio é simples de entender. Um esquema muito bem montado que permite à empresa de telecomunicações e ao clube eliminarem de um só golpe dois rivais dos últimos anos: ZON e Joaquim Oliveira.

A PT nunca esteve de boas relações com Joaquim Oliveira o seu império Controlinveste e durante os últimos anos ambas as empresas travaram uma luta surda nos corredores do poder. O império mediático montado por Oliveira foi-se desfazendo à medida que começavam a aparecer novos jogadores, nomeadamente o dinheiro que vinha de Angola, e que ajudou a safar a PT de muitos problemas quando a crise apertou. Esse dinheiro, coordenado pela família do actual presidente angolano e coordenado pela filha, serviu para adquirir títulos de imprensa e entrar no accionariado da PT.

Por outro lado, a plataforma detida pela Portugal Telecom leva vários anos de luta contra a ZON, depois de que ambas as empresas se tivessem separado, pouco amigavelmente, e seguido o seu caminho de forma distante. A BenficaTV optou por aparecer apenas na Meo, ligando-se intimamente à PT na sua influência de poder, no que foi um primeiro golpe para a Zon. Mas não o último.
A primeira ameaça ao poder da SportTv e da Zon chegou com a ideia de Pais do Amaral em criar um canal alternativo de desporto em Portugal na plataforma Meo. Pais do Amaral tinha adquirido os direitos para os próximos três anos da liga espanhola e sondou o Benfica para vender-lhe os seus 15 jogos em casa mas no final não conseguiu juntar dinheiro e meios para avançar e a SportTv apareceu à última da hora com dinheiro exigido pela Mediapro (empresa que gere os direitos do futebol em Espanha) e manteve esse trunfo na manga. Tinham abortado o plano inicial da PT mas não poderiam fazê-lo com o alternativo.



A PT entrou em força na própria SporTv, adquirindo 25% da empresa (os outros 25% são da ZON e 50% pertencem à empresa detida por Joaquim Oliveira). Foi uma forma de ganhar sem perder. Não só garantia para si parte importante dos lucros da empresa como apaziguava Oliveira em relação à jogada que preparavam. Membros influentes ligados à PT serviram de intermediários na negociação entre a direcção da Premier League e a BenficaTV, garantindo aos ingleses que não só serviam de fiadores como davam a cara pela gestão dos direitos da competição face às dúvidas iniciais dos ingleses em ter a sua competição num canal de um só clube.

O que conseguem com isto?
Em primeiro lugar tiram uma das máximas jóias da SportTV.
Para LF Vieira (que agora conta com a ajuda e os contactos importantes de José Eduardo Moniz no meio audiovisual) é um golpe que sabe particularmente bem depois da guerra aberta com Oliveira nos últimos anos, com choradinhos à mistura, que estavam por detrás da criação da BTV, do seu posicionamento na Meo e na compra dos direitos da liga brasileira, por exemplo.
Em segundo lugar dão um golpe muito sério à ZON, obrigando a todos os que queiram seguir a competição a mudar-se para a Meo, independentemente do clube que apoiem. É o primeiro passo para acabar progressivamente com o rival directo nas plataformas audiovisuais. Para isso contam com o apoio do Estado - que até à bem pouco tempo ainda detinha uma golden-share na companhia e que mantém uma influência tremenda - e do dinheiro angolano que lhes permite este golpe tão ousado sem temer perdas financeiros nos primeiros dois anos.

Por fim abrem a porta a transformar a BenficaTV no canal que Pais do Amaral quis criar, um concorrente desportivo real à SportTV. A Premier League é apenas o 1º passo. Seguem-se os jogos em casa do Benfica, a eventual compra dos direitos da Taça da Liga/Taça de Portugal, alguma que outra competição nacional europeia e talvez um ataque mais directo às provas da UEFA, nomeadamente nos jogos que actualmente dão em sinal aberto por um dos 4 canais generalistas que começam a perceber que não têm pernas nem fundos para suportar os preços exigidos pela UEFA. Se a isso juntarem outros desportos, o plano da PT e dos dirigentes do Benfica é ter um canal multi-desportivo de projecção para os próximos dois anos. Precisamente quando acaba o contrato da liga espanhola e da Champions League, à qual planeiam optar com uma oferta muito mais alta que a que possa fazer a SportTV. Nada é deixado ao acaso.

Essa realidade permite ao Benfica não só aumentar o número de subscritores ao seu canal como também o aumento das receitas em publicidade. E é também o primeiro e inevitável passo antes de passar o canal ao serviço fechado, garantindo então um lucro muito superior em subscrições exclusivas da plataforma Meo.



Com essa jogada não só esperam ir esvaziando de conteúdo e assinantes a SportTV - com quem têm mantido uma forte rivalidade e que actualmente não tem potencial financeiro para competir, e que depende cada vez mais do dinheiro angolano que também está na PT - como criar uma receita paralela e sem precedentes num clube de futebol.

A operação terá custado cerca de 15 milhões de euros e para isso o clube pediu um novo empréstimo obrigacionista no valor de 80 milhões, metade para pagar um empréstimo que vence agora e o resto para investir em força no novo canal. A PT funcionará como fiador, garantindo que o projecto tem pernas para andar porque é do seu especial interesse que a Meo crie uma plataforma desportiva alternativa sólida à da Zon. Porque se muitos portistas e sportinguistas podem passar para a Meo para verem os jogos da Premier, com o passar do tempo o objectivo é esvaziar a SportTv de assinantes à medida que a sua oferta vá diminuindo. O aumento da transmissão de jogos via streaming online pode permitir aos adeptos de muitos clubes simplesmente cancelar o contrato com a SportTv se a oferta baixar significativamente e só com isso a PT e o Benfica conseguem uma vitória importante. Aumentar os assinantes do canal é só a segunda parte do plano. Um plano com um alvo bem definido e que roça o limite do legal e do ético. Uma competição nacional exclusiva de um clube obriga sempre os adeptos de outros clubes a dar audiência ao mesmo. Se esse canal se tornar (como é óbvio) canal fechado por subscrição, obriga-os a dar dinheiro a esse clube para ver os jogos de uma liga independente.

E o Estado português, que até há bem pouco tempo manteve uma golden share na PT - mas cuja a influência permanece e permanecerá na companhia - pactua de forma silenciosa com este claro assalto aos direitos dos consumidores, da mesma forma que a RTP também adiantou dinheiro para que Paulo Futre vestisse a camisola vermelha durante uma temporada. É assim Portugal e é assim que se gere o futuro e a salvação financeira de um clube eternamente protegido contra um empresário que se tornou personan non grata na capital quando começou a dizer que não às exigências que vinham de governantes, empresários e dirigentes desportivos sediados no sitio do costume.