quinta-feira, 10 de maio de 2012

As verdades e coerência de Rui Santos

«o árbitro tem o poder de condenar à morte e, mesmo perante a evidência do erro ou inclusive o reconhecimento do erro (como foi o caso de Duarte Gomes no recente FC Porto-Marítimo, quando não assinalou um penálti cometido sobre Belluschi), o condenado não se livra nem da sentença nem do efeito dessa mesma sentença.
(...)
A arbitragem volta a estar na ordem do dia também em Portugal, depois dos erros cometidos por Rui Costa e Bruno Paixão, respetivamente, nos jogos Feirense-Benfica e Gil Vicente-FC Porto.
Desta vez, os prejudicados foram o Feirense e o FC Porto - e os erros acabam por ser marcantes porque a disputa pelo primeiro lugar está(va) cerrada e a amplificação do efeito desses erros acaba por ser uma consequência de um espetáculo tão mediatizado como é o futebol.
O Benfica, no começo da época passada, foi muito prejudicado. Protestou contra as nomeações. Protestou contra o trabalho dos árbitros. O nomeador Vítor Pereira, que até aí se havia manifestado muito ativo e pronto a dar explicações sobre o desempenho dos seus nomeados -- de 5 em 5 jornadas -- recuou e tornou-se mais ‘defensivo’. Quando começou a corrida para a sucessão de Madail, na FPF, com a Arbitragem e a Disciplina a saírem da Liga, vimos o Benfica (e também o Sporting, embora com posição diferente manifestada pela SAD) a defender a recondução de Vítor Pereira.
As arbitragens do fim de semana terão alguma coisa a ver com o processo eleitoral? O Benfica sentir-se-á agora compensado pela opção estratégica que realizou? Estará o FC Porto a provar o fel que o alimentou noutras épocas, quando o poder estava concentrado nas Associações Distritais e, entre estas, nas que afirmavam o seu domínio?»
Rui Santos
in relvado.sapo.pt, 30 de Janeiro de 2012, às 20:00


«O Benfica jogou muito e jogou pouco e as arbitragens provocaram-lhe dano (na segunda metade da Liga). O Sporting teve altos e baixos e as arbitragens provocaram-lhe dano (principalmente no arranque da Liga). O FC Porto nunca jogou muito bem ao longo da época e as arbitragens não lhe provocaram dano. Estes são os factos.»
Rui Santos
in record.pt, 10 maio de 2012 | 09:01


Eu sei que a memória é curta, principalmente quando dá jeito, mas é com esta coerência e (fraca) memória dos factos, que alguns "artistas", que vivem à sombra das cumplicidades e mordomias do centralismo, promovem a "verdade desportiva" e (re)escrevem a história do futebol português.

O Poeta morreu



Na aldeia em que vivo da freguesia de Paranhos no Porto, ainda mantemos alguns hábitos de convívio que se foram perdendo: pela desertificação de algumas zonas da cidade, pela terrível concorrência da TV, das redes sociais e porque caiu em desuso. Mantemos um pequeno núcleo que costuma juntar-se para discutir os temas que mais nos tocam, o que fazemos mensalmente, numa tertúlia para discutir temas políticos, culturais, económicos e sociais e, todas as semanas, para tratar, analisar e comentar o desporto, em geral. A ideia era boa, mas desfez-se porque o Zé da Frutaria (portista de sempre) acertou um murro no Silva, benfiquista regressado das Américas, por este ter dito, de forma indignada, que as escutas provaram bem como o FCP chegou e consegue ser campeão. Depois disso, nada mais foi como dantes: o pessoal do SLB desertou, criou um núcleo próprio e os portistas não lhe ficaram atrás.

Consumado o distanciamento, procurámos – os mais “tolerantes” – encontrar pontes de entendimento através da tertúlia. Tem sido complicado, e a vida comunitária, até aí multitribal, rica de criatividade, de má língua brejeira, de acontecimentos improváveis e por vezes admiráveis, perdeu parte da sua ingenuidade e autenticidade. Não está ferida de morte, mas sofre de doença grave. Como uma desgraça nunca vem só, a Svetlana (continua boa como o milho) anunciou, no dia em que comemorámos a vitória no campeonato, que iria regressar em definitivo ao Brasil. Estava cheia da troika e de quem a pariu, confessou tristemente. Nesse ponto, portistas e benfiquistas estavam de acordo: uma perda irreparável. Nada mais seria como dantes.


Do grupo, sobressaía o “Poeta” pela sua calma e distanciamento. Estava junto de nós, mas nunca estava perto. Vivia num mundo à parte, sempre alheado e apressado. Residia numa casa da zona, que partilhava com outros supostos intelectuais, perfilhando um estilo de vida vagamente marginal. Os vizinhos não gostavam deles e achavam que eram toxicodependentes perigosos. Nunca notei nada, a não ser a simplicidade extravagante na forma como vestiam. Diferentes eram, sem sombra de dúvida. Era portista, porque sendo do Porto, considerava que não poderia ser de outro clube. Mantinha uma simpatia pelo Salgueiros, mas amava o FCP, desde o tempo da resistência. Não ia ao Dragão, salvo na inauguração que não perdeu, nem assistia a todos os jogos pela TV. A ligação ao clube era, essencialmente, cultural e platónica: não ficava exaltado quando perdia, nem esfusiante quando ganhava. Não pagava quotas, nem exigia vitórias. Vivia serenamente a condição de portista, que em nenhuma circunstância negava. A bandeira do FCP, bastante desgastada pelo rigor do tempo, mantinha um milagroso equilíbrio, presa na janela coberta de caruncho. Era cuidadosamente enrolada, quando a chuva e o vento eram mais intensos.

Fisicamente, tinha muitos semelhanças com Monsieur Hulot, numa versão mais magra, sem chapéu, pois não dispensava exibir o seu rabo de cavalo. Vestia quase sempre a sua gabardine, bem puída pelo tempo, umas calças que deixavam ver as meias, acinzentadas de preferência, e de baixo do braço fazia-se acompanhar dos rascunhos dos poemas que tem em carteira. Fumava cachimbo: supostamente usava tabaco.

No último encontro do nosso núcleo portista, realizado antes do FCP com o Marítimo, falou-se menos do FCP e demais de VP e do perfil do próximo treinador. As coisas, a certa altura, azedaram e o Poeta falou. Fizemos silêncio porque o homem raramente botava faladura. Leu um poema. O título: amor não correspondido. Era chato e comprido. O silêncio tornou-se mais intenso: não sabíamos que dizer. O Poeta, melancolicamente, retomou a palavra, perguntando: “Porquê tanto azedume? Porque é que o futebol, tem de ser tão chato?”. Levantou-se e saiu. As perguntas não esperaram pelas respostas e não reconhecemos qualquer conexão com o poema que ouvimos, pacientemente. Mais tarde, à noite no café, pedimos, por uma questão de simpatia, para nos dar uma cópia dos seus escritos, ainda que fossem rascunhos. Respondeu-nos: “Fica para quando tiver publicado o livro de poemas, que está pronto para sair”. Pouco depois, retirou-se apressadamente, como de costume.

O Poeta morreu no 1 de Maio, quando atravessava a rua em passo de corrida, para comemorar o dia do trabalhador. Era anarca militante. Provavelmente, absorto num qualquer poema que lhe enchia o pensamento, não deu conta do carro que o atropelou, sem culpa, nem piedade. Ao funeral estiveram os que habitavam o mesmo espaço de uma casa muito degradada, mais alguns de nós e dos outros. Houve discurso: não lhe foram poupadas virtudes e o elogio da excelência da sua poesia. Ficamos mais pobres, mas não pela poesia perdida ou pelo livro que nunca leremos. Insisto: tinha uma paixão pelo FCP, sem ser um entusiasta pelo futebol. Acompanhava o ciclismo que adorava, embora nunca tivesse andado de bicicleta. Reconhecido pela sua extravagância, era diferente, enigmático e humano. Creio que era um homem bom: acho que não estou influenciado pelo facto de ter morrido. Paz à sua alma.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Novamente Falcao!


Dois fantásticos golos de Radamel Falcao, aos 7 e aos 34 minutos, abriram caminho à vitória (3-0) do Atlético de Madrid na final da Liga Europa.

Para além de ser o quinto jogador a marcar por dois clubes diferentes na final da Taça UEFA/Liga Europa, com estes dois golos Falcao foi, novamente, o melhor marcador desta competição. Em quinze jogos, o ex-avançado dos dragões marcou doze golos.


Mais. Pela primeira vez o mesmo jogador foi o melhor marcador em duas edições consecutivas. Na temporada passada, Falcao apontou 17 tentos ao serviço do FC Porto, estabelecendo a melhor marca de sempre numa edição da Taça UEFA/Liga Europa - bateu o recorde de Jurgen Klinsmann, que fez 15 tentos pelo Bayern Munique, em 1995/96.

Que saudades!

A Bola de Vítor Santos


(Semanário Grande Porto, 04/05/2012)

A Bola sempre foi um jornal benfiquista. Contudo, A Bola dirigida por Vítor Santos era, em termos de ética jornalística, um jornal bem diferente desta A Bola do século XXI, de Vítor Serpa e José Manuel Delgado.

Nota: Clicar na imagem para a ampliar

Rival de Vieira?


«Luís Filipe Vieira escolheu como mandatário da sua candidatura a novo mandato à frente do Benfica o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara. O autarca justificou a sua decisão com o trabalho desenvolvido pelo presidente demissionário.»
17/06/2009



«Benfica e Sporting estão a ponderar apoiar em conjunto a candidatura de Fernando Seara à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. O SOL sabe que Luís Filipe Vieira e Luís Duque estiveram ontem reunidos com o presidente da Câmara Municipal de Sintra para acertar agulhas tendo em vista o acto eleitoral de 10 de Dezembro.
Próximo do presidente dos ‘encarnados’ e do administrador da SAD leonina - seu vereador em Sintra e homem forte para o futebol em Alvalade -, Seara juntou à mesa os dois ‘grandes’ de Lisboa, cada vez mais concertados no apoio ao autarca. Segundo apurou o SOL, a ‘troika’ tem mantido contactos regulares nos últimos meses para alinhavar ideias e a estratégia a seguir.»
SOL, 01/09/2011



«Inimigos de Vieira jantam com Oliveira
Joaquim Oliveira promoveu um jantar que reuniu Pinto da Costa, Fernando Seara e mulher, Judite de Sousa, e o ministro Miguel Relvas, numa mesa do restaurante Gambrinus, em Lisboa, a 3 de março, um dia depois de o Benfica ter perdido (2-3) com o FC Porto no Estádio da Luz.»
Correio da Manhã, 09/05/2012


Esta "noticia bombástica" do Correio da Manhã, prevista e pré-anunciada pelo próprio Fernando Seara na passada segunda-feira à noite (após as criticas duras que, durante o programa 'Prolongamento' da TVI24, fez à entrevista asquerosa de João Gabriel à A Bola), é mais um exemplo de como se faz "jornalismo sério" na ex-capital do Império.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Em defesa de um campeonato a 12

Um dos temas do momento é o alargamento da 1ª liga.

Pessoalmente não só sou contra o alargamento, como acho mesmo que se devia reduzir para 12 clubes - aumentando com isso as receitas, o interesse dos espectadores e a qualidade do espectáculo.

Como?

Defendo um esquema com 2 fases: uma primeira de todos contra todos, e uma 2ª com 2 grupos (um com o top 6 da 1ª fase para decidir o título e lugares europeus; e outro com os 6 piores, para decidir os 2 que descem).

Neste esquema teríamos um total de 32 jornadas, contra 30 hoje. De forma a que a 1ª fase tivesse interesse para os grandes e que simultaneamente muito ficasse em aberto para a 2ª fase, metade dos pontos conquistados na 1ª fase transitavam para a 2ª.

Partindo do princípio que o número de jogos na TV continuaria em cerca de 4 por jornada (e não vejo porque isso deva mudar), as receitas por clube aumentariam já que a quantia agregada seria a dividir por 12 em vez de 16; aliás, as receitas absolutas em agregado de TV (e bilheteira) iriam mesmo aumentar, já que o número de jogos envolvendo um grande passaria para o dobro do que temos hoje (por ex 12 clássicos em vez de 6).

Quanto ao interesse do público e qualidade do espectáculo, penso que é óbvio que neste esquema seria muito maior do que no esquema que num campeonato a 18 ou 20 (com uma proliferação de jogos do tipo Olhanense – Leiria ou Estoril – Rio Ave)...

No entanto não sou ingénuo e reconheço perfeitamente que a maioria dos clubes que votam sejam egoísticamente contra este esquema (nomeadamente todos os que estão na 2ª liga mais os candidatos a descer da 1ª), já que embora o volume total de receitas para os clubes aumentasse, haveria 4 clubes (i.e. 16 – 12) que ficariam a perder em relação ao esquema actual; os candidatos crónicos aos 6 lugares cimeiros seriam os grandes ganhadores, ceteris paribus.

Reconhecendo este problema «político», proponho (para os apaziguar) que à falta de negociações colectivas os 6 melhores classificados ao menos contribuissem uma % das suas receitas de TV para a Liga, a dividir pelos restantes clubes da 1ª e 2ª Liga.

Os detalhes da fórmula de cálculo seriam de forma a que basicamente a maior parte das receitas adicionais de TV (em relação a hoje) fosse para esses restantes clubes, que não ficariam com menos receitas do que hoje; e mesmo assim os 6 «grandes» ficariam na mesma a ganhar em relação a hoje, nomeadamente nas receitas adicionais de bilheteira, no mínimo (para além de jogos mais interessantes e exigentes que os preparassem melhor para a Europa). Para além disso os clubes «pequenos» devem reconhecer que uma proliferação de jogos entre si contribui para uma morte lenta do campeonato, já que é o que acontece quando temos estádios vazios e uma saturação de jogos sem interesse.

De assinalar também que, como os pontos da 1ª fase contariam «apenas» em metade para a classificação final, no período tipicamente mais «quente» e «pesado» das competições europeias (Outubro a Dezembro) os grandes poderiam dar um pouco mais de prioridade à Europa do que hoje.

Finalmente, há a questão de que com esse esquema haver menos jogadores na totalidade na 1ª liga, e portanto menos oportunidades para os jovens portugueses (ou melhor, alguns que estão hoje na 1ª liga jogariam no futuro na 2ª). É de facto uma consideração, mas penso que poderia ser mitigada ou mesmo totalmente eliminada se a FPF tivesse «tomates» para impor que no mínimo metade dos plantéis deveria ser composto por jogadores formados em Portugal.

Como portista não tenho receio de tal medida, porque estou certo que temos todas as condições para sermos tão competitivos como hoje com uma dúzia de portugueses no plantel (que não necessariamente metade dos titulares; aliás, sou veementemente contra quotas nas equipas titulares) – como aliás foi o caso no FCP até muito recentemente. Uma dúzia de estrangeiros (já nem incluindo os que chegam com 18 anos ou menos, que contam como formados em Portugal ao fim de 3 anos) é mais do que suficiente para assegurar uma equipa titular forte e fazer algumas contratações especulativas.

Concluindo, penso que estas 3 medidas (redução para 12 clubes; maior equilíbrio na distribuição de receitas de TV; e maior quota de jogadores nacionais) só poderiam andar para a frente sendo aprovadas em «pacote» conjunto, de forma a que se agrade tanto a gregos como a troianos, com um balanço geral positivo para todos – e quem mais ficaria a ganhar seria o amante desinteressado do futebol português.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um homem só ou bem acompanhado?


Gostei da festa: muita cantoria, muita berraria, a encenação estava linda, os jogadores vinham coloridos e nas bancadas sentia-se a satisfação pela vitória e pela bonança conquistada, depois de uma época tempestuosa.

O jogo foi disputado, com a nossa equipa quase sempre bem na defesa (a Alex ainda falta ganhar experiência e ritmo europeu), mas irregular na definição das melhores soluções atacantes (principalmente na 1º parte), com Moutinho menos influente, tal como Fernando, muito pressionados para que a saída para o ataque não fluísse de forma rápida e precisa, obrigando a demasiada lateralização, e quando chegava à frente, Lucho e o trio atacante não foram capazes de ultrapassar a defesa e criar sério perigo, salvo em alguns lances esbanjados ingloriamente, por mérito do SCP, por alguma incapacidade recorrente do FCP em ultrapassar equipas que sabem fechar e, também, porque faltou em bastantes momentos do jogo, mais rapidez na circulação de bola, talento e se evidenciou alguma displicência, a condizer com o ambiente de festividade.

O SCP jogou de forma muito semelhante ao que fez a AAC, em termos táticos. Não quis o comando do jogo, deu a iniciativa ao FCP e tentou sair no contra golpe, sempre que perdíamos a bola, algumas vezes com perigo. Aliás, a reposição das bolas pelos guarda redes demonstrou bem a filosofia de jogo das duas equipas: Helton entregava a bola a um defesa e daí passava toda a fase de construção, em progressão e passando de preferência por todos os sectores na procura de espaços e situações favoráveis para criar situações de golo, enquanto Rui Patrício rematava longo, quase sempre para a ala direita do seu ataque, para onde se desmarcava Wolfswinkel para disputar a bola de cabeça. Ganhar num contra um, uma falta ou até a reposição de bola fora, constituíram, com as perdas de bola que foram conquistando, a forma mais segura e rápida de atingir o alvo. Uma equipa organizada, por esta via, facilmente se mantém equilibrada.

A segunda parte foi um pouco melhor: Moutinho esteve mais influente e Hulk tratou de dinamitar um SCP em quebra física clara, logo após o fabuloso remate de Polga à trave. Marcámos e ganhámos. Estas duas equipas, o FCP que nada tinha a perder e o SCP que tinha tudo a ganhar, poderiam proporcionar um jogo mais aberto e mais bonito. As estratégias demasiado resultadistas têm esse efeito perverso: prejudicam a qualidade dos jogos. O Chelsea, uma equipa do top europeu, conseguiu chegar à final da CL e vencer a taça da Inglaterra sem jogar bem ou perto disso.

Do jogo retomo que na equipa Janko: infeliz, pouco alinhado com os colegas e estes com ele, não sendo um talento, pode constituir-se um jogador útil se não houver um nível de exigência disparatado, pois se já não é o novo patinho feio, anda lá perto.



O campeonato está no papo. A SAD conseguiu o melhor ambiente para (re)formar o plantel para a próxima época com tempo e se, possível, com menos incertezas. Vamos ter jogadores no Europeu e nos Jogos Olímpicos, muito provavelmente, o que obrigará a alguns cuidados suplementares: como retomarão a actividade ou quando estarão disponíveis para competir pelo FCP, e como cobrir essas desvantagens.

O treinador, contando certamente com o apoio da SAD, deu um sinal muito forte: não pactuar com a indisciplina, fosse de que maneira se manifestasse. Sem abusar, esse caminho deverá continuar, desde que o castigo seja proporcional ao pecado e não sirva de método único para repor a disciplina.

Dos trabalhos que direcção tem pela frente, o que se apresenta de maior risco tem a ver com o que vai ser decidido sobre a manutenção de VP como treinador. Sabe-se que os adeptos estão divididos, lê-se que, na direcção, PdC é o último reduto para garantir a sua continuidade e acredita-se que o balneário estará igualmente dividido. VP pareceu-me um homem só na comemoração de um êxito eminentemente colectivo, embora feliz quando agradecia os aplausos dos adeptos. Da leitura dos jornais, ficou a ideia que há jogadores que claramente defendem e esperam a sua continuidade. Só ou bem acompanhado?

domingo, 6 de maio de 2012

Uma capa para guardar


O melhor do jogo e do campeonato?!
Alguém em A Bola vai ser despedido.

Já agora, enquanto o passe do Hulk não for vendido pela FC Porto SAD, dava imenso jeito que ele não pudesse jogar no campeonato português.
Não se arranja um motivo qualquer para o suspender? Sei lá, por exemplo, o nome Hulk não assusta as criancinhas do jardim de infância da Ericeira?
De facto, a falta que faz o dr. Ricardo Costa...

A festa do bicampeão




Fotos: Maisfutebol

sexta-feira, 4 de maio de 2012

SLB A versus SLB B...


Ontem, numa "entrevista" à Benfica TV, António Carraça, diretor geral do futebol encarnado, afirmou o seguinte:

"O objectivo prioritário nesta altura seria lutar pelo título. Como isso não é possível, definimos internamente dois objetivos claros e concretos: primeiro, garantir matematicamente e de uma vez por todas o segundo lugar, que nos dá acesso direto à Liga dos Campeões do próximo ano.
Segundo, ajudar a que um dos nossos jogadores, o Cardozo, possa sagrar-se o melhor marcador do campeonato.
"

Hoje, A Bola, cujas capas e linha editorial se confundem com as do jornal oficial do slb, encheu a quase totalidade da sua 1ª página com este tema importantíssimo...

Quanto ao treinador do pré-anunciado bombo da festa, perdão, da UD Leiria, em declarações à TVI afirmou:

"Fiz uma convocatória de boca, não era difícil, só podemos utilizar 14 jogadores. Já preparei os jogadores, sobretudo os juniores, que nunca jogaram um jogo de primeira divisão. Penso que vão todos. O Shaffer teve agora um problema na virilha, mas não deve ser impeditivo, e o Djaniny também se magoou no tornozelo. Temos de esperar."

Se amanhã houver jogo entre o slb A e esta espécie de slb B "reforçado" (leia-se, completado) com meia dúzia de juniores, estou convencido que o slb A irá obter uma goleada das antigas (10-0 ou mais), ficar com o melhor ataque do campeonato e, seguramente, o Cardozo irá assegurar o 1º lugar na lista dos melhores marcadores.

À falta de melhor, os objetivos anunciados pelo Carraça (e pela A Bola) serão alcançados de forma "gloriosa" e a nação benfiquista exultará com tamanho êxito!

Act. Apesar das ameaças do Bartolomeu, sempre estive convencido que a UD Leiria não iria desistir do campeonato. E porquê? Porque se o fizesse, os grandes prejudicados seriam o SCP (adeus terceiro lugar), o slb (adeus receita do jogo) e, principalmente, o Cardozo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Vítor Pereira e a gestão de “ativos”

A gestão de“ativos” é parte essencial do modelo de negócio da FC Porto SAD, num ciclo de valorização que, simplificadamente, pode ser descrito da seguinte maneira:
1) Formação e/ou Prospeção (preferencialmente de jogadores Sub-23);
2) Experiência e Avaliação (através de empréstimos e/ou utilização controlada);
3) Progressão e titularidade na equipa principal;
4) Apresentação do “produto” (mostrando-o na montra das competições europeias e/ou através de internacionalizações pelas respetivas selecções);
5) Ganhos desportivos (consubstanciado na conquista de títulos);
6) Venda (gerando as mais-valias necessárias ao equilíbrio das contas).

Mourinho, Jesualdo e André Villas-Boas, além de conquistarem títulos ao serviço do FC Porto (desde que a SAD foi constituída só Octávio Machado e Vitor Fernandez não o fizeram), promoveram e/ou potenciaram diversos jogadores, cuja venda proporcionou à SAD um encaixe muito significativo (dezenas de milhões de euros), algo que é fundamental para a sustentação deste modelo de negócio e para realimentar o ciclo através de novas contratações.

E Vítor Pereira?

Comecemos por analisar o plantel atual do FC Porto, o qual inclui dez caras novas: Rafael Bracalli, Danilo, Mangala, Alex Sandro, Steven Defour, Lucho, Djalma, Iturbe, Kléber e Janko.
De todas estas contratações, apenas Lucho (um regresso de um jogador maduro, que já conhecia os cantos à casa) se impôs naquela que poderíamos considerar a equipa base de Vítor Pereira.

Por outro lado, ouvindo/lendo declarações recentes dos respetivos empresários, tudo indica que Rolando e Álvaro Pereira estão no mercado, mas algum deles vale hoje o mesmo que valia no final da época 2010/11?
E o mesmo se pode perguntar dos jogadores emprestados (despachados…) em Janeiro, com particular destaque para os ex-titulares Fucile, Guarín ou Belluschi. Aliás, com a exceção de Maicon (que ainda não deu ao FC Porto o suficiente em termos desportivos para a SAD o querer vender no final desta época), há algum “ativo” da SAD portista que hoje tenha uma cotação de mercado superior à que tinha há um ano atrás?

Independentemente da “nota artística” do futebol praticado pelos dragões (algo que durante esta época não foi famoso), a capacidade para promover e valorizar jogadores é um dos aspetos principais que Pinto da Costa e Antero Henriques terão de levar em conta, quando decidirem (se é que já não o fizeram) se Vítor Pereira é para continuar.

Recordo que, só nesta época, a FC Porto SAD investiu cerca de 50 milhões de euros em jogadores Sub-21.
Será que Vítor Pereira é o treinador certo para, nos próximos anos, potenciar jogadores como James, Iturbe, Kelvin, Atsu, Kléber, Alex Sandro, Danilo ou Mangala?

Depois da saída de Falcao, a confirmar-se também a venda de Hulk, haverá uma nova injeção nas contas, mas é preciso que outros “diamantes em bruto” sejam devidamente polidos e, já na próxima época, comecem a brilhar intensamente dentro das quatro linhas.

Para memória futura...



Levo três anos no Benfica e uma das coisas que sinto é que para ganharmos um campeonato aqui temos de jogar não apenas contra a equipa adversária. Temos de fazer sempre muito mais, porque fazer o suficiente não chega

Podemos trabalhar bem, podemos fazer as melhores opções, mas há coisas que não se controlam, pelo menos no Benfica, o que é um bom sinal. Sinal da seriedade do clube

A única coisa que quero do FC Porto é ganhar-lhes. Quem alcança o topo não pode ambicionar a descer.


Para além de tudo o resto, eu não me vou esquecer das declarações que Jorge Jesus fez nesta entrevista ao jornal semi-oficial do slb.
E espero que Pinto da Costa também não se esqueça, para o caso de algum dia acordar com a triste ideia de contratar este senhor.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Eu não quero acreditar, mas...

A equipa incompreensivelmente está cansada e não se consegue compreender. Nas fases cruciais, Jesus não fez a leitura mais certa e a equipa acabou por falhar nos momentos decisivos.
Rui Rangel, sócio do slb, em declarações à Antena 1


O FC Porto acaba por ser um justo campeão, foi mais regular. O Benfica teve uma primeira volta de grande qualidade, mas falhou nos momentos cruciais do campeonato
Álvaro Magalhães, ex-jogador e ex-treinador adjunto do slb


Sinceramente não gosto dele [Jorge Jesus] e não sei porquê. Por aquilo que tenho acompanhado na equipa do Benfica não gosto dele. É natural [que defenda a saída de Jorge Jesus]: se ele não cumpre e não ganha o que a massa associativa exige ... que arranjem outro
Mário Coluna, ex-capitão do slb, em declarações à TSF


[Jorge Jesus] já deve ter clube e, portanto, estará apenas à espera do momento para sair. (...) o ciclo no Benfica acabou (...) Estes homens não pensam como a maioria dos adeptos. Quando entram num clube, estão prontos para sair e ele já deve ter a vida resolvida. Hoje até me disseram que ia para o Valência. Também me disseram que ia para o FC Porto, o que não estranha, pois dá-se muito bem com Pinto da Costa.
Manuel Sérgio, amigo de Jorge Jesus e colaborador do clube da Luz, em declarações ao site zerozero


A cama está feita e, mesmo tendo de lhe pagar uma indemnização significativa, dificilmente Luís Filipe Vieira irá aguentar Jorge Jesus mais um ano.
Como portista, este assunto não me preocupa, a não ser que...
Eu não quero acreditar, mas confesso que não ficaria totalmente surpreendido com o cenário de um Jorge Jesus despedido do slb a... assinar pelo FC Porto uns dias depois!

Seria muito interessante ver como reagiria a massa adepta portista a um cenário destes...

Sr. Guardiola, o Porto precisa de um treinador...

«Acho que o clube acertou. É uma pessoa com capacidade, os jogadores conhecem-no, conhecem o perfil dele. Eu dava voz às ideias conjuntas dele e minhas.»

Estas palavras foram proferidas a 27 de abril, mas podiam ter sido proferidas a 21 de Junho último - em ambas as ocasiões, um "número 2" é promovido a treinador principal e não havendo surpresas, o resultado será desastroso.


Presidente, embora me conte entre os "defensores" do Vítor Pereira - leia-se "adepto que sabe que o treinador, mesmo que seja o Vítor Pereira, não é o principal responsável pelos desaires desta época" - acho que o senhor anda há um ano a dever-nos um treinador a sério. Esta é a sua oportunidade!



«Carta a Sandro Rosell»

Caro Senhor,

Antes de mais, devo dizer-lhe que estou muito feliz com a louca decisão que tomou: é a prova provada de que só as vitórias do FCP têm eco no país vizinho (e provavelmente no resto da Europa e no Mundo); sorte nossa, os erros crassos têm perna curta, e nem da fronteira passam. Caso contrário, o senhor não subiria a parada relativamente à decisão precipitada do sr. Pinto da Costa, ao oferecer ao seu até aqui treinador-adjunto, a liderança da equipa técnica.

Porque é louca a sua decisão? É simples: se promover a treinador principal o adjunto de uma equipa recheada de vencedores da Liga Europa, craques colombianos já consagrados em França, e titularíssimos da selecção do Uruguai, já é só por si uma má decisão, fazê-lo numa equipa recheada de campeões da Europa, do Mundo e ao quais se junta o Messi, é completamente insano. Por alguma razão, em alguns exércitos (ou até em todos), quando um soldado é promovido a oficial, é também transferido de pelotão (ou coisa do género) para evitar que os companheiros não respeitem a nova patente. Por muito boas que sejam as capacidades do Tito Vilanova na gestão de Recursos Humanos - e não se engane, este é ponto fulcral - os jogadores nunca o verão como mais do que o "adjunto do Guardiola". E em menos de nada, poderá ter um motim entre mãos.

Naturalmente há também que ter em conta a real capacidade do indivíduo para ser treinador principal - um grande adjunto não faz necessariamente um grande treinador, e o facto de ter estado até aqui numa "segunda linha" não só pode ter mantido na obscuridade as suas qualidades (ou a falta delas) mas também os seus defeitos. É óbvio que a questão não é "uma vez treinador-adjunto, para sempre treinador-adjunto" mas esta não é a forma mais segura para chegar a treinador principal.

A juntar a isto, há também que considerar outros efeitos secundários da sua decisão: ao não optar por um treinador com currículo, ou pelo menos com alguma notoriedade, que impacto causará isso nos jogadores? Quantos não optarão também por sair, mudar de ares? A época ainda não começou e já se entrou em poupanças? Está preparado para se contentar apenas com a vitória no campeonato? Quem acha que ficará mal na fotografia se, por exemplo, o Barcelona não passar da fase de grupos da Liga dos Campeões? Acha isso impossível? Pense melhor.

É quase certo que também o senhor se precipitou - embora, como em tudo na vida (mas especialmente no Futebol) «só os tolos têm certezas» - e que os resultados dessa precipitação serão penosos, e bem piores que os resultantes da escolha do Vítor Pereira para treinador do FCP. Eu sei que o campeonato espanhol não tem ponta de competitividade, e que o título só é disputado pelo seu Barcelona e pelo Real Madrid, mas ainda assim isso não torna a sua decisão menos arriscada, se bem que uma coisa é ter o melhor treinador do Mundo no banco do nosso maior rival, e outra é ter o José Mourinho. De qualquer forma, desejo-lhe felicidades mas não muitas. Se daqui a um ano ainda estiver satisfeito com a decisão que tomou, isso poderá significar que afinal Pinto da Costa não errou; o adjunto que promoveu é que não esteve à altura do desafio - seguir-se-á o Rui Quinta?

Com os melhores cumprimentos,
Filipe Sousa.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Em Memória de Francisco Nóbrega (1942-2012)

Em tempos publiquei aqui um artigo sobre o nosso jogador Francisco Nóbrega, que recentemente nos deixou.

Em sua memória, aqui fica a reprodução do mesmo. Paz à sua alma.




"Cabeça caída, queixo quase colado ao peito, com um passo melancólico, esta era, de certo modo, a imagem de marca de Francisco Lages Pereira Nóbrega, que viu a luz do dia em Vila Real em 14 de Abril de 1942. De tal modo essa imagem se lhe colou que alguns adeptos de humor mais espontâneo diziam que ele perdera “cinco coroas” (antiga moeda de 2$50) no relvado das Antas.

Mas isto era nas pausas do jogo. Com ele a decorrer, o Nóbrega era um fogoso extremo-esquerdo, senhor de um drible mais que competente e um dos melhores jogadores a centrar uma bola que já vi actuar no F.C. Porto. E a isso aliava um poderoso pé esquerdo, que o viu facturar um número apreciável de golos durante a sua longa carreira no F.C. Porto, que decorreu de inícios da década de 60 a meados da década seguinte. Pelo meio, o Nóbrega foi quatro vezes internacional “A” por Portugal, entre 1964 e 1967.

Mas, de facto, pareceu sempre faltar-lhe alguma chama, dava a ideia de ser um jogador pouco motivado. O grande jornalista Vítor Santos frequentemente, ao escrever sobre ele, dizia que o Nóbrega patenteava “sempre os mesmos defeitos e as mesmas qualidades”.

A certo ponto dos anos sessenta irrompeu no clube um jogador da mesma posição que chegou a tirar-lhe o lugar, o angolano Serafim dos Anjos Mesquita Pedro, popularizado pela alcunha de “Malagueta”. Mas o Malagueta, coitado, que já não está entre nós e teve um fim triste, gostava muito das noitadas, e paulatinamente o “Xico” Nóbrega recuperou o lugar. Fez, por essa altura, parte da equipa que no Jamor venceu a Taça de Portugal de 1968, contra o Vitória de Setúbal (2-1), tendo apontado um dos golos, salvo erro o da vitória.

Ainda por cá estava, “sempre com os mesmos defeitos e as mesmas qualidades”, na época em que o Pavão morreu, em 1973, e participou nessa partida, também contra o Vitória de Setúbal.

Percorrendo as minhas memórias do Nóbrega, recordo-me da sua fulcral intervenção na jogada que deu o único golo da partida num jogo contra o Benfica nas Antas em Dezembro de 1968: antecipando-se a um defesa adversário dentro da grande-área, o Nóbrega rematou com violência à meia-volta, o guarda-redes do Benfica, José Henrique, apenas conseguiu rechaçar a bola, e o Custódio Pinto, ali mesmo à mão de semear, empurrou-a para a baliza. Nessa época disputámos o título renhidamente com o Benfica, e já dela falei no artigo sobre o “Bacalhau”. Voltarei a ela aqui, um dia, com mais pormenor. Hoje a tinta da minha pena virtual é derramada em homenagem ao “Xico” Nóbrega."