domingo, 25 de novembro de 2012

FC Porto lidera UEFA Team Coefficients 2012-13



[1] This table shows the calculation of the UEFA team coefficients, which are determined by the number of points added to 20% of the country coefficient.

[2] The basis for the UEFA coefficients is the performance of teams in the European Cups during a five year period. During that period each team gets two points for a win and one point for a draw. In addition one bonus point is allocated for reaching the quarter final, the semi final and the final. Qualification for the group-stage of the Champions League is awarded with 4 bonus points. Qualification for the first knock-out round of the Champions League yields 5 bonus points.

[3] The UEFA team ranking is computed by the sum of 5 coefficients in the last 5 years.

[4] The used acronyms for are: CL=Champions League, EL=Europa League


Fonte: kassiesa.home.xs4all.nl/bert/uefa/data/method4/tcoef2013.html

sábado, 24 de novembro de 2012

Guilherme, Hélio, cunhas e (des)lealdades

«Luís Guilherme, que perdeu a presidência do Conselho de Arbitragem por um voto, no dia em que o delegado da A. F. Viana teve um desarranjo intestinal e não pôde votar, demitiu-se do Centro de Treinos de Árbitros de Lisboa depois de ter visto o CA da FPF [presidido por Vítor Pereira] vetar o nome de Hélio Santos, antigo árbitro de 1.ª categoria, indicado por Guilherme para colaborar, graciosamente, com o Centro de Treinos. O próprio Luís Guilherme fez questão de afirmar que Hélio Santos é padrinho de um filho seu.»
Eugénio Queirós, 23 novembro de 2012 | 19:15
in record.pt


Este texto, publicado ontem por Eugénio Queirós no seu blogue, é muito interessante e remete para alguns dos tentáculos que o slb teve (tem?) no chamado SISTEMA.

Recuemos uns anos...

Luís Guilherme deixou a arbitragem e assumiu funções na APAF em 1998 e, em 2002, foi convidado (segundo se disse na altura por indicação do slb) a presidir à Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), onde esteve quatro anos.

No mesmo período, 2002 a 2006, um ex-responsável pelo futebol dos encarnados, Cunha Leal, exerceu (e de que maneira!) o cargo de director executivo da LPFP.

«As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto»
Rui Santos, 16/05/2008
in record.pt

Hoje pode parecer estranho, mas na altura vivia-se na Liga o período de ouro da aliança entre o Boavista dos Loureiros (pai e filho) e o slb de Luís Filipe Vieira, uma santa aliança forjada contra Pinto da Costa e contra o FC Porto (em que uma das primeiras vitimas foi José Guilherme Aguiar).

“Fui convidado por Valentim Loureiro, mas provavelmente por indicação do Benfica”
Cunha Leal, 2 junho de 2002

Hélio Santos, outro dos protagonistas desta história, é um ex-árbitro filiado na Associação de Futebol de Lisboa, que teve como seu árbitro assistente um tal de... Luís Guilherme!

Ao longo da sua carreira, as tendências benfiquistas do árbitro Hélio Santos foram sempre notórias, mas o jogo que o projectou para a história do futebol português foi um célebre Estoril-Benfica, da época 2004/05, disputado no estádio do... Algarve (!).

«se [Cunha Leal] cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada»
Rui Santos, 21/05/2008
in record.pt

A nomeação de Hélio Santos já dava algumas “garantias” mas, não fosse o diabo tecê-las, o seu compadre (Luís Guilherme) também nomeou para o mesmo jogo Devesa Neto, um ex-árbitro assistente que foi apanhado a jantar com José Veiga (ex-diretor desportivo do slb) no restaurante Sapo e que, conforme se ouviu nas escutas entre João Rodrigues (ex-dirigente do slb e ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol) e Pinto de Sousa, tinha o condão de acalmar os dirigentes benfiquistas...

O jogo, da 30ª jornada, realizou-se no dia 24 de Abril de 2005 e, tal como a data sugere, fez lembrar os tempos da outra senhora.
Seria exaustivo (e difícil) referir todas as "roubalheiras", perdão, os casos de arbitragem que ocorreram durante os 90 minutos, por coincidência quase todos em prejuízo do Estoril, mas os mais significativos foram os seguintes:
Aos 24 minutos, numa altura em que o Estoril vencia por 1-0, deu-se a expulsão do estorilista Rui Duarte, naquela que foi a expulsão mais rápida dessa época;
Aos 37 minutos, ficou por assinalar um penalty clarissimo contra o slb, bem como, a expulsão do defesa central encarnado Ricardo Rocha;
Aos 75 minutos, uma falta do médio encarnado Petit foi transformada em falta contra o Estoril, e deu origem ao golo do empate;
Finalmente, aos 79 minutos, nova expulsão de um jogador do Estoril (vermelho direto para João Paulo, por palavras), abrindo caminho ao 2º golo do slb, que haveria de ser marcado por Mantorras dois minutos depois.
O jogo terminou com sete cartões amarelos e dois vermelhos para jogadores do Estoril, um cartão amarelo para jogadores do slb e, claro, com a vitória dos encarnados (1-2), como tinha de ser.

Missão cumprida, após o jogo soube-se que o árbitro o tinha apitado com botas emprestadas pelo slb. Tudo normal, aliás o próprio Hélio Santos confessou que, no final, lavou as botas e as devolveu. Só faltou engraxá-las...

Mas, aquilo que para a História do futebol português ficou conhecido como Estorilgate, teve ainda outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril, que foram denunciadas pelos próprios treinadores dos canarinhos (Litos, treinador principal e Carlos Xavier, treinador-adjunto).

Enfim, tudo claro e limpinho, como os benfiquistas gostam...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A força da Bundesliga


A uma jornada do final da fase de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, seis das sete equipas alemãs que estão a disputar as competições europeias 2012-13 já atingiram os seus objetivos e a sétima está em vias disso. Nenhum outro país europeu pode dizer o mesmo.

Liga dos Campeões, três equipas alemãs

Bayern Munique (1º)
3V, 1E, 1D, 10 pontos, 1º classificado do Grupo F (já apurado para os oitavos-de-final)

Schalke 04 (2º)
3V, 2E, 0D, 11 pontos, 1º classificado do Grupo B (já apurado para os oitavos-de-final)

Borussia Dortmund (4º, atual campeão alemão)
3V, 2E, 0D, 11 pontos, 1º classificado do Grupo D (já apurado para os oitavos-de-final)


Liga Europa, quatro equipas alemãs

Bayer Leverkusen (5º)
3V, 1E, 1D, 10 pontos, 2º classificado do Grupo K (já apurado para os 1/16 final)

Hannover (7º)
3V, 2E, 0D, 11 pontos, 1º classificado do Grupo L (já apurado para os 1/16 final)

Borussia Moenchengladbach (11º)
2V, 2E, 1D, 8 pontos, 2º classificado do Grupo C (já apurado para os 1/16 final)

Estugarda (12º)
2V, 2E, 1D, 8 pontos, 2º classificado do Grupo E


Estes números são ilustrativos da força do futebol alemão. E José Mourinho já o sentiu na pele. O seu Real Madrid, um dos grandes favoritos a vencer a Liga dos Campeões 2012-13, perdeu em Dortmund e duas semanas depois, a jogar em casa, esteve a poucos minutos de ser novamente derrotado pelo atual 4º classificado da Bundesliga.

Em contraste com a Alemanha...
«Portugal perdeu quatro equipas na fase de grupos das competições europeias. Pior do que isso, perdeu-as à quinta jornada, prova suficiente de falta de competitividade. (...)
O futebol português é ver jogar Académica e Marítimo e reconhecer o cenário de todas as jornadas da Liga. Aquelas equipas que elogiamos como «bem montadas», mas que no fundo não passam de grupos de profissionais cautelosos, seguros apenas das suas deficiências, que de vez em quando tentam ir lá à frente. Mas sem se desmontarem, nunca.
Em Portugal jogamos o futebol do «bom taticamente», que no fundo é uma forma elegante de escrever medo. Falta de dinheiro é a desculpa da moda. Mas falta de dinheiro há em todo o lado e mesmo quando os dirigentes faziam parecer que havia dinheiro, o jogo era o mesmo.
O futebol português, sempre que há seis equipas na UEFA, mostra à Europa o que realmente é. Sem surpresa. Desta vez foi apenas um pouco mais evidente. E mais cedo.»
Luís Sobral, Maisfutebol


Nota: Entre parêntesis está a classificação atual destas sete equipas alemãs na Bundesliga, após terem sido disputadas 12 jornadas.

O novo relvado vem de França...




«Foi tratado com o carinho de sempre, mas o relvado de Benfica do Ribatejo foi compreensivelmente rejeitado pelo Estádio do Dragão. O novo vem de França e será colocado nos próximos dias. Substituição em curso.»
in Facebook oficial do FC Porto, 22-11-2012


Segundo pôde ser lido na comunicação social, as obras iniciaram-se ontem (quinta-feira) e estarão concluídas no domingo. Assim, após os dois próximos jogos em Braga (um para o campeonato e outro para a Taça de Portugal) e uma deslocação a Paris para o 6º e último jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões, aquando da recepção ao Moreirense, no dia 9 de Dezembro, espero que se comprove o acerto desta decisão e que o Estádio do Dragão volte a evidenciar um dos melhores relvados de Portugal.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Matteo, o oitavo de passagem


Em Junho de 2003, Roman Abramovich comprou o Chelsea FC por £140 milhões e, desde aí, já se despediu dos seguintes treinadores:

Claudio Ranieri (Setembro 2000 a Maio 2004) [1]
José Mourinho (Junho 2004 a Setembro 2007)
Avram Grant (Setembro 2007 a Maio 2008)
Luiz Felipe Scolari (Julho 2008 a Fevereiro 2009)
Guus Hiddink (Fevereiro 2009 a Maio 2009) [2]
Carlo Ancelotti (Junho 2009 a Maio 2011)
André Villas-Boas (Junho 2011 a Março 2012)
Roberto Di Matteo (Março 2012 a Novembro 2012)


[1] Ranieri foi contratado por Ken Bates, o anterior dono do Chelsea FC.

[2] Dos oito treinadores que saíram do Chelsea FC na era Abramovich, Hiddink foi o único que não teve direito a indemnização.

[3] A ânsia de Abramovich em mudar de treinador já rendeu à FC Porto SAD 21 milhões de euros (6 milhões de euros aquando da contratação de Mourinho e 15 milhões pela cláusula de rescisão de André Villas-Boas).

[4] Com a contratação de Rafa Benítez, Abramovich já vai no seu 9º treinador, desde que comprou o Chelsea FC em Junho de 2003. Em contraste, Arsène Wenger é o treinador do vizinho Arsenal desde 1996 e Alex Ferguson, o treinador de maior sucesso do futebol inglês, lidera o Manchester United desde 1986!

Vitória suave dá pleno no Dragão



O FC Porto recebeu ontem no Dragão o Dínamo de Zagreb, último classificado do Grupo A da Liga dos Campeões, que até aqui contava por derrotas os jogos realizados, sem ter marcado qualquer golo. Esperava-se, por isso, um jogo fácil. Mas o Dínamo entrou melhor no jogo. Com uma equipa montada de trás para a frente, 11 jogadores a defender atrás da linha da bola e com saídas rápidas para o contra-ataque, apostando sobretudo num futebol vertical e na velocidade de Sammir e Beqiraj. Numa dessas jogadas rápidas, Sammir rasgou a defesa portista pela direita e atirou com estrondo ao poste mais distante da baliza de Helton. O FC Porto acordou e procurou ser mais perigoso no ataque. Aos 20 minutos, depois de Jackson atrapalhar a defesa contrária, Moutinho desmarca Lucho que, da marca de penalty, atira para o canto superior da baliza croata fazendo o primeiro do jogo. O capitão está em boa forma e com muita confiança.

Mesmo na frente do marcador, o jogo do FC Porto continuou muito lento e previsível, de pé para pé, com pouco rasgo e alguns passes errados. O Dínamo acreditou que era possível chegar ao golo e, em cima do intervalo, depois de um canto a bola sobra para Beqiraj que, já em esforço, empurra para a baliza surgindo Varela para tirar o golo aos croatas, mesmo em cima da linha. Intervalo. Assistiu-se a um FC Porto lento, pouco pressionante e com algumas desconcentrações na defesa (aquele passe de Otamendi a isolar um adversário…).

Vítor Pereira corrigiu alguns posicionamentos ao intervalo e na segunda parte a equipa do FC Porto mudou para melhor. Moutinho e Lucho avançaram no terreno de jogo, a par de Varela e James, que passaram a pressionar o Dínamo à saída da sua grande área, encurtando espaços e obrigando os croatas a jogarem com o guarda-redes e aliviar a bola pelo ar. Entraram de uma vez os regressados Fernando e Alex Sandro para os lugares de Defour e Abdoulaye (passando Mangala para Central). Estávamos donos do jogo, o segundo golo seria uma questão de tempo. Depois de um puxão a Jackson surgiu um livre directo a alguns metros da entrada da área do Dínamo que João Moutinho quis bater. Toque de colher por cima da barreira e bola no fundo das redes. Golaço! A cinco minutos do fim, tempo ainda para uma bela jogada entre James e Moutinho, com este a assistir de calcanhar Varela para o terceiro golo. Missão cumprida: pleno de vitórias no Dragão na fase de grupos e a liderança do Grupo A, agora com 13 pontos. Mas ainda não acabou: faltará carimbar em Paris o primeiro lugar diante do PSG.

PS- Este relvado do Dragão é uma desgraça. Ainda bem que será substituído. Mas com o concerto dos Muse já agendado para Junho de 2013 terá, depois, de ser plantado um novo. 3 relvados em apenas 12 meses?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

SMS do Dia

Há um ano perdia em Coimbra, vivia um momento diferente.. «Faz parte da vida, é preciso crescer e isso acontece fundamentalmente nas dificuldades. O contexto é diferente este ano, o trabalho é o mesmo, as cabeças estão limpas, focadas e quando assim é...»                         

Vitor Pereira à SportTv no final do FC Porto 3-0 Dinamo Zagreb
O treinador que bateu a marca dos pontos conquistados por Mourinho na fase de grupos em 2003/04 e está a três do recorde de António Oliveira em 1996!

Lembram-se do Rui Pedro?


Rui Pedro Couto Ramalho, mais conhecido por Rui Pedro, nasceu em Lever, a 2 de Julho de 1988 (tem 24 anos).

Iniciou-se com oito anos no Leverense e transferiu-se para o FC Porto dois anos mais tarde, tendo-se estreado na equipa A infantil dos dragõezinhos com dois golos, num jogo contra o Leixões.

Fez toda a sua formação no FC Porto, clube pelo qual foi internacional português nos sub-16, sub-17, sub-18, sub-19 e sub-21 (num total de 49 internacionalizações e 14 golos).

Joga habitualmente na posição de número 10 (médio atacante), mas também pode jogar a avançado centro, ou ser colocado numa das alas.

No início da época 2007/08, foi chamado dos Juniores à equipa principal do FC Porto.
Na segunda metade da época 2007/08 jogou no Estrela da Amadora, por empréstimo do FC Porto.
Na época 2008/09 foi emprestado ao Portimonense.
Na época 2009/10 foi emprestado ao Gil Vicente.
Na época 2010/11 foi emprestado ao Leixões, ao serviço do qual marcou 12 golos.
Na época 2011/12 desvinculou-se do FC Porto e foi contratado pelo Cluj da Roménia, onde atuam vários jogadores portugueses.

Ontem, segundo o próprio, fez o melhor jogo da sua vida. De facto, em apenas 26 minutos (aos 7, 15 e 33), Rui Pedro marcou três golos ao SC Braga e, depois de Cristiano Ronaldo, tornou-se o segundo futebolista português a conseguir um hat trick na Liga dos Campeões, naquele que foi apenas o seu segundo jogo nesta prova.

Fontes: Wikipedia, ojogo.pt
Foto: Maisfutebol

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estrangular o futebol dos pequenos

A FIFA revelou nesta sexta-feira que o comité do organismo para o futebol, liderado por Michel Platini, presidente da UEFA, solicitou “a criação de regulamentos que proíbam a propriedade por parte de terceiros” dos passes dos jogadores.

Esta notícia vinha publicada na edição online do PÚBLICO de Sábado. E não surpreende ninguém.

Michel Platini é uma figura que divide opiniões como dirigente (menos como futebolista). É, sobretudo, um excelente político com máscara de figura desportiva. Cresceu ao lado de Sepp Blatter, nesse antro de mafiosos que é a FIFA. Foi o seu homem forte na luta contra Johansson, um dos amigos mais íntimos de Pinto da Costa e da maioria dos homens do G14, e venceu. A partir de então a sua atitude com os clubes que entravam nesse grupo foi fria, distante e tensa em muitos casos. Salvo casos pontuais, como o Barcelona, que se afastaram do modelo original para aproximar-se da sua gestão presidencial, os clubes do G14 tiveram dificuldades com a UEFA nos últimos oito anos. O FC Porto, um dos que mais. Tivemos de sofrer as ameaças do francês, sem nenhum critério legal, e seguramente que Platini não se esquece do que teve de suar para vencer os azuis e brancos na polémica final de Basileia.


A gestão de Platini de devolver o futebol aos adeptos tem tido aspectos positivos.
Na sua luta contra os grandes, apostou num novo formato de Champions League que abre mais a porta à fase final a clubes campeões nacionais dos seus modestos países, ao livrarem-se de disputar o play-off final com os quartos ingleses, espanhóis  alemães e terceiros das ligas portuguesas, italianas ou francesas. Com gestos como esse (e o Euro 2008 e 2012, e as finais europeias que começam a chegar ao leste do continente), assegurou os votos para a reeleição e vendeu a ideia de ser um presidente dos mais fracos. Mas  como negociador nato que é, nunca se afastou em demasia dos países grandes. Não é por acaso que Londres recebe duas finais da Champions em três anos. Que Munique, Madrid, Paris e Moscovo tenham sido eleitas antes. Que os milhões da Champions sejam cada vez mais para cada vez menos e que o dinheiro investido na Europe League - a liga dos pobres - seja cada vez mais insignificante.

Platini quer chegar à FIFA e quer chegar com o apoio dos grandes. Precisa de sentir-se respaldado pela ECA, pela elite do futebol europeu e não apenas pelos clubes de países pequenos e sem expressão mundial. Por isso a nova medida vem apenas confirmar a sua deriva política. Acabar com a co-propriedade, algo que já existe nas ligas inglesa e francesa, é uma estocada de morte na ambição de muitos desses clubes. Os portugueses, por exemplo.

Com a situação actual de mercado, é cada vez mais difícil aos clubes como o FC Porto competirem com os milhões dos históricos do continente e com as novas fortunas do leste. A co-propriedade tornou-se numa ferramenta possível para comprar jogadores incomportáveis a preço total e também para aliviar o passivo quando a necessidade de cash flow se tornava iminente e aparecia um fundo qualquer para comprar uma pequena parte do passe de um jogador promissor. Sem esse mecanismo, não se enganem, não existia futebol profissional em Portugal. E em muitos países do Mediterrâneo. Em Itália a co-propriedade entre clubes é habitual desde os anos 90. Em Espanha, a esmagadora maioria dos clubes não detém o 100% do passe dos seus melhores atletas. Falar da Grécia, Chipre, Turquia, países eslavos e centro-europeus é apenas repetir a mesma história. A co-propriedade permite-lhes manter o pulso sem asfixiar-se (ainda mais) financeiramente. Sem ela, a Superliga europeia torna-se inevitável.

A missão de Platini nos últimos anos como presidente da UEFA é abrir caminho para essa realidade.
Abolir a co-propriedade significa dar aos clubes ingleses, alemães, russos, ucranianos e à elite espanhola, francesa e italiana, o domínio exclusivo e absoluto do futebol europeu. Deixa de haver margem de manobra para qualquer desafio externo. O FC Porto, como tantos outros, desapareceria entre o passivo acumulado e a venda dos seus activos para não acabar. Sem jogadores top não há performances top, não há ameaça, não há vitórias ao PSG, não há gestas como 2004. Não há nada.



Pessoalmente sou contra o modelo da co-propriedade. Absolutamente contra a entrada de fundos e empresários, muitas vezes para lavar dinheiro, no futebol gerido por um clube independente.
Mas também sou contra os salários praticados de forma infame pelos donos da pasta árabes e russos. Também sou contra a Lei Bosman, tal como está actualmente, e sou contra o modelo de distribuição de lucro das provas europeias desenhado pela UEFA.
Ou se é contra tudo ou a favor de tudo. Por um lado, se tudo isto fosse revisto, o futebol voltaria a ser mais igualitário  mais justo, mais divertido. Mas aos grandes isso não lhes interessa nada. O caminho é o oposto, aumentar ainda mais os desafios aos pequenos, roubando-lhes os melhores jogadores sem limite (mesmo que seja para preencher o banco), pagando-lhes fortunas impensáveis, ficando com números impensáveis de pagamentos por parte da UEFA e do império televisivo que vive à sua sombra. Acabar com a co-propriedade é só facilitar que os James, Jackson, Moutinho, Alex Sandro, Fernando, Danilo sejam suplentes do PSG ou do Shaktar em vez de serem jogadores do FC Porto.

É mais um golpe baixo e sujo, mais uma jogada muito bem pensada por parte da elite europeia. A tornar-se real - e ninguém duvida que Platini tem o poder necessário para lográ-lo - poderia ser também o fim do FC Porto como um potentado europeu. E talvez o fim do profissionalismo, tal como o conhecemos, do futebol do sul da Europa. Estejam atentos!

domingo, 18 de novembro de 2012

Em defesa de André Villas-Boas

Ponto prévio: Considero André Villas-Boas um grande treinador, não esqueço a fantástica época em que comandou a equipa técnica do FC Porto e faço parte dos portistas que aplaudiram a entrega do Dragão de Ouro de Treinador do ano em 25 de Outubro de 2011.

Contudo, sei que a maior parte dos adeptos portugueses não partilham deste sentimento. E as razões são várias.
Os sportinguistas não perdoam a forma como, após ter sido anunciado em Alvalade (pela comunicação social), André recuou e preferiu esperar que lhe fossem abertas as portas do seu clube de sempre.
Os benfiquistas não se esquecem das humilhantes derrotas (e foram três!) que, em poucos meses, o FC Porto de André Villas-Boas lhes impôs na época 2010/11.
E há muitos portistas (talvez a maioria) que não aceitaram a forma como o André trocou a sua "cadeira de sonho" pelos milhões de Roman Arkadyevich Abramovich.

Este misto de azia e ressentimento de grande parte do Portugal futebolístico, faz com que as derrotas das equipas treinadas por AVB sejam destacadas como derrotas pessoais, quase da mesma forma como são efusivamente festejadas as vitórias de um outro treinador português, um tal de special one, que também teve um enorme sucesso na cidade Invicta, mas que em devido tempo soube romper os laços afectivos com o FC Porto.

Vem isto a propósito da forma como vi comentada, em jornais portugueses, e não só, a derrota pesada que o Tottenham averbou ontem na deslocação ao Emirates Stadium. É verdade que os Spurs perderam por 5-2 com o seu grande rival de Londres, mas só quem não viu o jogo, ou por má fé, pode culpar o ex-treinador do FC Porto.
Eu vi um Tottenham que entrou no jogo de uma forma personalizada, a controlar completamente os Gunners e que antes de completar os primeiros 10 minutos já tinha marcado um golo por Gallas, que foi anulado e bem (o defesa francês estava em fora-de-jogo). Uns minutos depois do golo anulado marcou outro golo, por Adebayor, e pode dizer-se que era inteiramente justa a vantagem no marcador. E mais uns minutos após estar a ganhar por 1-0, os Spurs podiam perfeitamente ter chegado ao 2-0, num remate cruzado de Lennon que passou a rasar o poste e com o guarda-redes do Arsenal completamente batido.
Até o Adebayor se ter feito expulsar, aos 18 minutos, só dava Tottenham e as estatísticas do jogo eram claras: quatro tentativas de golo para o Tottenham e 0 (zero!) para a equipa da casa.

"O Tottenham começou bem, estávamos um pouco nervosos e eles marcaram cedo (...) mas depois houve o ponto de viragem com a expulsão de Adebayor. Mudou o jogo"
Arsène Wenger, treinador do Arsenal


AVB não tem a frieza, nem sabe gerir a sua carreira de treinador da forma inteligente e quase cientifica como José Mourinho tem sabido gerir a sua e, nesta segunda experiência na Premier League, não me parece que tenha criado as condições necessárias para ter sucesso no Tottenham (olhando para a concorrência e para o plantel que tem à sua disposição, melhor que o 4º ou 5º lugar será quase impossível).
Mas, para mim, continua a ser o "cenourinha", continua a ser o portuense da Foz, sócio do FC Porto desde criança, continua a ser dos nossos e, por isso (e por aquilo que já referi atrás), desejo-lhe o maior sucesso nas equipas que tem treinado no pós-FC Porto (excepto, obviamente, em jogos contra o FC Porto).

sábado, 17 de novembro de 2012

Deram boa conta do recado


A FIFA inventa datas para as federações poderem fazer "negociatas", perdão, jogos particulares.
As selecções sacam os jogadores aos clubes, "espremem-nos" nestes jogos particulares e, não raras vezes, devolvem-nos aos clubes num estado lastimável (e é uma sorte quando não voltam lesionados).
E depois, quando não é possível os jogadores recuperarem a tempo, têm de ser os treinadores dos clubes a gerir o plantel, isto é, a abdicar dos seus melhores jogadores.

Foi neste contexto, que Vítor Pereira se viu compelido a deixar ficar no banco de suplentes Moutinho, Varela, James e Jackson Martinez.
Descontando estes quatro, a que se juntam lesões noutros três (Maicon, Alex Sandro e Fernando) e alguma alternância numas posições (por exemplo, na baliza), o onze inicial do FC Porto tinha apenas dois jogadores - Otamendi e Lucho - que fazem parte daquele que tem sido o onze base do FC Porto neste início de época.

Apesar deste handicap, os dragões que foram chamados à liça deram boa conta do recado, com especial destaque para Fabiano (Helton que se cuide), Otamendi (o patrão de uma defesa pouco órfã de Maicon), Mangala (um defesa-esquerdo adaptado que até marca golos), Lucho (além de marcar um golaço voltou a aguentar os 90 minutos) e, principalmente, Atsu (duas assistências e um perfume futebolístico que deixa água na boca).

Fechado (por agora) o capítulo das taças, vêm aí dois jogos importantes e para competições a sério. Nesse sentido, espero que a lesão do Mangala não seja grave e o polivalente defesa francês recupere a tempo do jogo da Liga dos Campeões da próxima quarta-feira, até porque o Danilo a jogar na posição de defesa-esquerdo é como um peixe fora de água (não percebi por que razão o Danilo não entrou para lateral-direito, passando o Miguel Lopes para o outro lado).

E também espero que o golo marcado ao cair do pano anime o Kléber porque, se quer continuar no plantel do FC Porto, quando voltar a ter oportunidades de jogar tem de render muito mais.

A dupla James e Jackson


James e Jackson. Esta dupla de internacionais colombianos tem andado nas bocas do Mundo e, entre jogos do FC Porto e da Selecção da Colômbia, pode-se também dizer que tem andado numa roda viva, com jogos, deslocações e muitos minutos nas pernas.

É indiscutível o peso que esta dupla tem tido no FC Porto 2012/13 e, se olharmos para a sua utilização (ver quadros seguintes), verificamos que qualquer um deles tem sido quase insubstituível.



E porquê?
Bem, por boas e más razões.
Comecemos pelas boas. À sua conta, já levam 18 golos marcados (7 de James Rodriguez e 11 de Jackson Martinez) esta época em jogos oficiais do FC Porto (e nenhum foi contra "adversários menores" em provas secundárias, como a Taça de Portugal ou a Taça da Liga).
Mas, por outro lado, se Vítor Pereira quiser gerir a sobrecarga competitiva destes dois jogadores ou se, por lesão ou castigo, tiver de recorrer a outros jogadores, que alternativas existem no plantel portista para James ou Jackson?

Imagens: ojogo.pt, zerozero.pt

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Happy Birthday mr. Dragão!

Num dia como hoje há nove largos anos, nascia para o mundo do futebol o Estádio do Dragão.

É, clubismos à parte, um dos estádios mais bonitos da Europa.
Frigorífico no Inverno, com correntes de ar bem portuenses, rodeado pela cintura rodoviária de um lado e a saudosa Fernão de Magalhães do outro, a casa do Dragão está prestes a cumprir uma década que acabará forçosamente por ser associada a alguns dos grandes momentos da história do clube.

Quando se anunciou o final do velhinho estádio, como aconteceu seguramente com todos os portistas, apertou-se-me algo no peito. Pensei, a principio, como aconteceu com a Luz e com Alvalade, que o nome se ia manter. Não que o estádio alguma vez tivesse sido das Antas (o nome oficial era Estádio do Futebol Clube do Porto) mas era um título que ecoava glória e nos prendia ao granito escuro da cidade. Depois ouvi o presidente anunciar, numa entrevista na RTP, que o nome do recinto seria o de uma personalidade marcante da história do clube. Pensei, de imediato, em José Maria Pedroto.

O pintocostismo, nos seus gloriosos 30 anos, tem uma divida com o Zé do Boné que nunca pagou - nem acredito que alguma vez consiga pagar tudo aquilo que o mestre nos deu e não pode viver para saborear - e dar o nome à maior personalidade individual da história do clube seria honroso e digno. Mas se nem uma estátua mandamos construir em tantos anos, seria um estádio inteiro uma utopia? Foi.
O nome Dragão primeiro foi estranho, raro, demasiado metafórico. Mas depois entranhou, e de que maneira. Hoje considero que foi uma das melhores ideias da gestão de Pinto da Costa como presidente. É um nome de força, um nome de alma, um nome que evoca tudo aquilo que nos separa da era pré-Pedroto, pré-Pinto da Costa, a era dos andrades com medo de ir a sul disputar o título com o regime.


No próximo ano a Luz irá receber a final da Champions. Alvalade já recebeu uma final da Taça UEFA.
As relações da direcção com o G14 talvez nos tenham impedido de receber uma merecida prova europeia em casa por parte da UEFA de Platini, mas nem sequer precisamos disso para estar na história. Um tal de Lionel Messi deu aqui os primeiros toques numa bola como profissional, numa equipa pouco de gala que o Barcelona enviou para a inauguração. Estive lá, paguei 70 euros (nunca paguei tanto por um bilhete), tenho o meu nome escrito para sempre no estádio e apesar de, por motivos alheios à minha vontade de portista, não lá ir há algum tempo, quando fecho os olhos sinto-me em casa e o cheiro da relva e a voz dos adeptos ressoa na minha cabeça.

Para muitos o seu grande momento do Dragão será o recente 5-0 ao Benfica. Percebo-os bem, mas não estive lá. O meu lugar anual de dez anos das Antas só durou três no Dragão antes de acabar por sair da Invicta para não voltar (ainda) de forma a recuperar o velho costume de estacionar o carro na Velazques, tomar um café, descer a Alameda e sentar-me no meu assento. Para mim a vitória ao Manchester United, em Março do ano seguinte, o da consagração definitiva, será esse momento mágico. Aí caiu uma lenda aos nossos pés e nasceram duas: a do FC Porto de Mourinho e a do Dragão.

O estádio onde a magia transforma-se em sentimento e futebol!

O Bento cala a desgraça ......


“Não me meto no trabalho dos dirigentes e, por isso, não admito ingerências no meu trabalho nem dos meus próprios dirigentes, quanto mais de um presidente que não trabalha comigo”

“Houve jogadores com a mesma importância [de João Moutinho] que jogaram, um 90 minutos [James Rodríguez], outro 80 [Jackson Martínez], um pouco mais longe, com uma diferença horária maior”

“Ou alguém tem algo contra a FPF e terá de resolver esse problema ou gostará mais da federação colombiana”.

(declarações de Paulo Bento)

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Durante o Europeu, Paulo Bento apareceu frequentemente tenso e pouco receptivo às críticas. É frontal e admiro essa qualidade. Falta-me saber se é uma espécie de Octávio ou se é inteligente e não cede a seguir caminhos fáceis, sabendo que os alvos ou são frágeis (Bosingwa, como muito bem explicou Jaime Pacheco) ou representam figuras com poder, mas cuja “oposição ou ataque” merece créditos garantidos a quem os pratica, como Scolari tão sabiamente explorou.

PdC fez o que lhe competia. Talvez, repito talvez, não devesse ser tão minucioso nos detalhes e ser mais certeiro no tiro, paras que não nos ficássemos pela possibilidade do contraditório e permitir que se passasse a discutir o acessório e não o mais importante: o objectivo desportivo e a calendarização deste jogo, a escolha do adversário, a convocatória e as opções de Paulo Bento, a degradante exibição de Portugal e o caminho desta selecção, sem norte e sem bússola, nos últimos jogos que efectuou.

Várias vezes Paulo Bento utilizou a frase “… vocês sabem do que estou a falar …” defendendo-se para iludir falar no problema principal e Humberto Coelho seguiu o mesmo caminho: como costume falou sem dizer nada.

Espero que o FCP saiba responder, porque a questão principal não é saber se PdC gosta ou não da FPF, mas se a FPF gosta desta selecção e se a está a "usar" e promover da melhor forma.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SMS do dia

A todos os amigos portistas que gostariam de ver Vitor Pereira ser rendido do seu cargo - apesar da significativa melhoria de resultados e exibições - há um novo nome disponível no mercado com mais do que credenciais para a cadeira de sonho. Fica à vossa - e da SAD - consideração:

"Jesualdo Ferreira já não é o treinador do Panathinaikos. O português foi demitido por causa dos maus resultados.
A equipa grega, que também foi castigada com a redução de dois pontos no início da época, só venceu três dos dez jogos realizados no campeonato e está já a 15 pontos do líder Olympiakos, treinado por Leonardo Jardim.

No fim-de-semana, o Panathinaikos empatou (0-0) no estádio do Kerkyra.

Na Liga Europa, a carreira do clube também não tem sido famosa: ainda não venceu e soma apenas dois pontos em quatro jogos, ocupando o último lugar do Grupo J. "
in Publico