terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O problema do Ballon D´Or

Avizinha-se a entrega de mais uma edição do prémio individual mais célebre do universo futebolístico: o Ballon D´Or.

É um prémio que, como todos os prémios, vive do seu glamour e peca por ser injusto, na medida em que a opinião individual de cada um nunca se alterará por uma tendência colectiva. Quem acha que o seu é melhor nunca mudará de ideias se vencer outro e portanto, num desporto colectivo, eleger a melhor individualidade é algo ainda mais complexo.

O que se premeia?

As regras do Ballon D´Or original eram claras: premiar o melhor jogador dentro de um ano natural tendo em conta as suas performances, as da sua equipa, a sua influência na equipa e as suas conquistas. Ou seja, o papel de um individuo como espelho de uma performance colectiva.



Dessa forma, historicamente, em anos de Europeus e Mundiais, o vencedor acabava por ser alguém ligado de forma simbólica a esses triunfos. Em 2006, Cannavaro representou o triunfo italiano, em 2002 o renascimento de Ronaldo o do Penta brasileiro. Em 1998 e 2000, Zidane foi o rosto de França e da sua geração de ouro, em 1990 Mathaus venceu porque a RF Alemanha ganhou o Mundial e em 1982 os golos de Rossi em Itália deram-lhe o troféu. E assim, ad aeternum.

Por outro lado sempre se convencionou que este era um prémio de futebol de ataque. Só um guarda-redes, o mítico Yashin, e dois defesas - o italiano Cannavaro e o alemão Sammer - venceram o troféu, os últimos dois quais como espelho da vitória das suas selecções. Os restantes, avançados, extremos e criativos. E sobretudo, jogadores de grandes potencias.

Ainda hoje custa-me entender porque Futre perdeu o Ballon D´Or em 1987 para Gullit e Deco o de 2004 para Shevchenko. Curiosamente os dois vencedores jogavam no AC Milan, um dos clubes mais premiados da história e com mais peso junto dos votantes. Votantes que estão na base da profunda mutação do Ballon D´Or do passado com o do presente.



Em 2010 a empresa France Football, que criou o prémio, encontrou-se com graves problemas financeiros e aceitou a proposta da FIFA de fundir o seu prémio com o FIFA Award, uma ideia de Blatter, quando era vice-presidente, em 1990, de criar um prémio alternativo ao atribuído pelos gauleses. Até então votavam no Ballon D´Or os 53 jornalistas europeus que representavam as federações continentais. Até 1994 só podiam votar em jogadores europeus (por isso Maradona e Pelé nunca ganharam) e a partir de 2006 passaram a poder votar em jogadores a actuar fora da Europa.

Com o novo FIFA Ballon D´Or passaram a votar os seleccionadores, capitães e jornalistas de todos os países membros da FIFA. E o prémio passou a ser um concurso de popularidade.

Sinceramente a mim tanto me faz qual o critério a aplicar, dou pouca importância ao certame. Mas no modelo antigo, o que tornou o troféu popular, Lionel Messi teria vencido dois prémios até agora. Com este modelo prepara-se - salvo imensa surpresa - para conseguir o quarto consecutivo.
O prémio passou a ser uma luta entre os jogadores mais populares, liderada por Messi com Ronaldo e agora Iniesta como perseguidores naturais. Façam o que fizerem no terreno de jogo outros jogadores, o impacto mediático destes três supera o dos restantes e muitos jornalistas, seleccionadores e capitães de países que vivem o futebol de uma forma muito diferente da nossa, preferem votar neles. Basta ver os boletins de voto das últimas edições e descobrir que estes nomes são omnipresentes.

Em 2010 os jornalistas europeus colocaram Messi no quinto lugar e deram o prémio a Sneijder. A nível mundial o holandês nem entrou no pódio. Sob os registos históricos do prémio, o holandês teria sido o ganhador salvo se Iniesta ou Casillas vencessem. Até hoje, depois de ganhar tudo o que havia para ganhar, nenhum espanhol venceu.

Dizem que Messi ganha sempre porque é o melhor. Não creio que isso esteja em discussão realmente.
Mas o prémio antes não era entregue ao melhor do mundo mas sim ao melhor num ano natural, tendo em conta o que conquistou. Ronaldinho Gaúcho foi o melhor jogador do Mundo durante três anos mas só tem um troféu. Zidane foi o melhor em igual período mas perdeu um ano para Figo e outro para Rivaldo. Platini perdeu o prémio em 1982 quando não era pior jogador do que Rossi e nos primeiros anos, ninguém duvidava que Alfredo di Stefano fosse único. Mas La Saeta tem apenas dois troféus em casa.



Pessoalmente, se eu pudesse votar, a minha eleição estaria entre Casillas, Iniesta e Falcao.
Salvo o manchego, os outros dificilmente poderão vencer o troféu porque perdem em popularidade para Messi e Ronaldo. O português, que não tem feito épocas ao nível de 2008, quando venceu, tem sido presença habitual no pódio porque é, indiscutivelmente, um dos dois jogadores mais populares do Mundo. Se Messi vencer, sine die o troféu, apenas na base de que é o melhor, ele acabará por perder o seu real valor. Basta olhar para os Óscar e pensar que Brando venceu dois - espaçados por vinte anos - e ninguém se atreve a discutir que nesse período houve poucos interpretes como ele.

No futebol, um desporto colectivo onde ser estrela individual é complicado, vive-se uma ditadura de popularidade que acabará por transformar estes pequenos guilty pleasures em algo profundamente aborrecido.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cuidado com o Lobo (e com os meninos da SPORT TV)


Rui Orlando é jornalista e responsável pela delegação do Porto da SPORT TV.
Luís Freitas Lobo é um conhecido “especialista em futebol”, projetado para a ribalta na RTP Porto onde, segundo consta, colaborou a convite de Carlos Daniel. Atualmente trabalha como comentador na SPORT TV, sendo também colaborador do semanário Expresso.

Os adeptos portistas mais atentos, que aguentam ver os jogos do FC Porto na SPORT TV sem desligarem o som, já estão habituados à forma enviesada como estes dois senhores relatam e/ou comentam os jogos que envolvem os dragões e, principalmente, como comentam lances polémicos. Daí, que não seja de estranhar a “forma isenta” como, durante o jogo FC Porto x Moreirense, analisaram dois lances (pseudo) duvidosos que ocorreram nas áreas das duas equipas.

Eu estive a rever atentamente o jogo (para além de não ter a benfica TV na grelha de canais, outra das vantagens de ser cliente da ZON é poder usar o serviço Timewarp e rever programas dos últimos 7 dias) e, para quem não teve a possibilidade de ver, reproduzo a seguir o que estes dois senhores disseram.

----------

Minuto 57:44
Após um centro da esquerda, Pablo Oliveira (Moreirense) remata fortíssimo contra Alex Sandro (FC Porto).

[Rui Orlando]: Remate de Paulinho… não, de Pablo Oliveira…

Nota importante: Em velocidade corrida, nem Rui Orlando, nem Luís Freitas Lobo viram nada de anormal. Mas não foram os únicos. Não há um único jogador do Moreirense que esboce qualquer protesto.

Minuto 58:22
A SPORT TV repete o lance em camara lenta.

[Rui Orlando]: Revemos aqui o remate de Pablo Oliveira. O jogador do Porto Alex Sandro colocando a bola… as mãos à frente, à frente do rosto, acaba por jogar a bola com a mão.

[Luís Freitas Lobo]: Exacto. O remate é muito perto, é forte, mas ele joga a bola com a mão. O árbitro aqui podia ter marcado penalty.

Como? Penalty?!!! Um jogador protege-se de um remate à queima-roupa e isso é penalty?

Minuto 59:04
Como se trata de um lance polémico na área do FC Porto, o realizador da SPORT TV insiste e repete o lance uma 2ª vez.

[Rui Orlando]: Era grande penalidade. Aqui percebe-se com clareza, não pode fazer aquele movimento com as mãos o jogador do FC Porto.

Fantástico! Em velocidade corrida Rui Orlando não viu nada de anormal; na primeira repetição viu que o Alex Sandro colocou as mãos à frente do rosto; e à terceira já tem a certeza que era grande penalidade. Isto é que é um artista… perdão, jornalista sério e competente.

----------

Minuto 72:20
Alex Sandro entra na área do Moreirense com a bola controlada, leva um pontapé de um defesa do Moreirense e, em vez de se atirar imediatamente para o relvado, tenta continuar o lance, mas não consegue, desequilibra-se e cai.

[Rui Orlando]: Alex Sandro, arranca Alex Sandro, depois desequilibra-se… fica a olhar para o árbitro…

Nota: Em velocidade corrida, o jornalista da SPORT TV não viu que o Alex Sandro levou um pontapé mas, pelo menos, viu que ele caiu. Vá lá, já não é mau…

Minuto 72:52
A SPORT TV repete o lance.

[Rui Orlando]: E aqui… Alex Sandro acaba por se desequilibrar. Tenta fugir à chegada do adversário…

É incrível como nem em câmara lenta o jornalista da SPORT TV viu o óbvio, isto é, que o Alex Sandro se desequilibrou e caiu porque levou um pontapé do defesa do Moreirense.

[Luís Freitas Lobo]: Sim, ele leva um toque primeiro, depois tenta-se reequilibrar, não consegue e cai, mas ele leva um toque primeiro.

Após uns instantes de silêncio comprometedor…

[Rui Orlando]: Se leva…

[Luís Freitas Lobo]: Sim, parece-me. A ideia que me dá no primeiro lance é que ele leva ali um toque, depois desequilibra-se e cai. Tenta prosseguir a jogada, mas não é fácil, de facto, para o árbitro analisar a jogada.

----------

Digam lá se estes diálogos não são deliciosos…
Vejam como as certezas acerca do lance ocorrido ao minuto 57:44, dão lugar às omissões, silêncios, dúvidas e beneficio para o árbitro quando, os mesmos dois elementos ao serviço da SPORT TV, são forçados a comentar o lance ocorrido ao minuto 72:20 na área do Moreirense.

No final do jogo, cavalgando a “onda SPORT TV”, lá veio o triste treinador do Moreirense queixar-se que ficou um penalty por assinalar a favor da sua equipa.
E, como era mais do que previsível, no dia seguinte este “facto” fez parte dos títulos, ou subtítulos, escolhidos pela A Bola, Record e Correio da Manhã.

E é assim, com origem nas transmissões da SPORT TV e nos comentários de senhores como Rui Orlando e Luís Freitas Lobo, que se faz “jornalismo desportivo sério” em Portugal.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Um fim-de-semana à Porto



I. Hóquei em Patins, FC Porto x HC Braga (10-2)
O FC Porto goleou o HC Braga por 10-2 e, aproveitando o empate (1-1) que o slb cedeu no pavilhão da Luz frente ao Paço de Arcos, aproximou-se da liderança do campeonato, ficando a apenas um ponto dos encarnados.

II. Andebol, FC Porto x slb (28-27)
Apesar de uma arbitragem com critérios sui generis e penalizadores do FC Porto, ao ponto do treinador Ljubomir Obradovic ter perdido a cabeça e explodido durante a 1ª parte (durante dois minutos o FC Porto ficou a jogar com menos 2 jogadores); apesar de (como seria de esperar...) os dragões terem ficado a jogar com menos um jogador nos momentos finais do desafio; a quatro segundos do fim fez-se justiça, quando o lateral direito João Ferraz marcou o golo da vitória, a qual catapultou o FC Porto para o comando do campeonato, ultrapassando o derrotado slb.

III. Futebol (I Liga), FC Porto x Moreirense (1-0)
Apesar do cansaço (físico? psicológico?) e da pouca inspiração evidenciada pelos jogadores do FC Porto; apesar de, aos 73', o árbitro não ter assinalado um penalty claro a favor do FC Porto, por falta e consequente derrube de Paulinho sobre Alex Sandro dentro da área do Moreirense; os três pontos e a consequente manutenção da liderança não fugiram e ficaram no Dragão.

IV. Futebol (II Liga), FC Porto B x Santa Clara (3-2)
O Santa Clara é um dos principais candidatos à subida de divisão (as equipas B não podem subir à I Liga) e vinha de cinco vitórias consecutivas; do lado do FC Porto, e sob o olhar de Pinto da Costa e Antero Henrique, alinharam de início Fabiano, Abdoulaye e Iturbe; a equipa açoriana marcou primeiro mas, ainda na 1ª parte, o FC Porto deu a volta ao resultado e foi para o intervalo a ganhar por 2-1; aos 82' o FC Porto ficou a jogar com menos um (por expulsão de David Bruno); oito minutos depois o Santa Clara chegou ao empate; apesar do golpe que foi sofrer o golo do empate em cima do minuto 90 e da desvantagem numérica, a equipa reagiu e em tempo de descontos (90+2') Tozé marcou o golo da vitória.
Para ajudar à festa, o sporting B empatou em casa (2-2) com o Desportivo Aves e o slb B perdeu (1-3) em Arouca.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pela mão do nosso salvador



Setenta e um longos minutos, muita ansiedade, perda de oportunidades flagrantes e bons apontamentos defensivos reverteram um jogo que tudo fazia supor ser daqueles em que calendário competitivo nos impele como mera formalidade ou obrigação mas que acabou por se revelar muito intenso e difícil. A menos de vinte minutos do fim Jackson Martinez vestiu a capa de bom servo outra vez, livrando a nossa equipa de males maiores que algumas cabeças menos crentes já conspiravam demoniacamente. Entre a infelicidade de concretizar e inabilidade de se conseguir gorou-se um resultado mais gordo e alguma margem de manobra para que os papagaios de serviço aventem teorias sobre certas dúvidas criadas nas duas grandes áreas. Três preciosos pontos no bolso e venha daí esse derby imperial o qual sempre anseio que termine em porrada de criar bicho.

Enfim, que não me fujam as ideias para outros rosários que a crónica aqui não chama, a bem do muito que temos dizer desta vitória que os ilustres atletas da vila de Moreira de Cónegos nos venderam cara. Um apanágio, diga-se, que parece estar a querer fazer história, embora assim não o desse cara quem viu aquele primeiro quarto de hora. Logo desde aí, bem cedo, cheirou a golo aos pés e cabeça de Jackson. O ritmo também seguia o tempo da batida, mas a bola não entrou.

No natural afrouxamento da circulação a equipa perdeu um pouco o rumo, mas não se deixe de aqui de gratificar a boa organização defensiva visitante onde Ricardo Fernandes roubou o pão à boca de Martinez num par de ocasiões ou quando Ricardo Ribeiro fez uma vistosa intervenção a um pontapé de Moutinho vindo do meio da rua. Para agrurar ainda mais as nossas preocupações Lucho ficou-se por terra depois de uma traulitada bem dada, deixando Vítor Pereira mais apreensivo do que já estava.

A troca pelo irreverente Kelvin já no início do segundo tempo não se revelaria feliz com o miúdo a não conseguir dar um estilo rápido e prático que o jogo estava a pedir. Percebendo isso o treinador juntou Kléber a Jackson na área, tentando desconstruir a muralha que vem lá da concelhia onde este Reino se deu em berço. Reflexos visíveis na velocidade incutida à partida e não tanto nas ocasiões criadas.

Em ritmo vivaço e tenso os homens orientados por Casquilha esgueiram-se um par de vezes onde a defesa azul e branca não fluiu com a lisura desejável. Otamendi ainda bem “tentou” dar brinde, mas Helton emendou a tempo. Enfim, as nossas almas já quase estavam por tudo, mas salvação se deu de onde menos se esperava. Um canto, pois claro!

Ao fim de mais de uma dúzia destes inconsequentes lances o colombiano Cha Cha Cha facturou e fez o cântaro quebrar depois de tantas vezes à fonte ir. Não sendo a mais vistosas das finalizações, para alívio ficou perfeito. Contingências de uma partida muito sofrida por todos nós e algo sofrível dos nossos jogadores. Pede-se melhor aproveitamento em momentos chave, assim como maior e melhor regularidade ao ritmo a impor. Problemas já usuais como a carência de algumas soluções de recurso que até mais ver os resultados do campeonato ainda não puseram a nu.

O Drogba da Caparica

Varela é entre os adeptos um jogador algo controverso (ainda que possivelmente haja quem o seja ainda mais). Há quem o aprecie bastante, como há quem diga que ele «devia dedicar-se à música» (como vi escrito no outro dia).

Eu aprecio-o bastante, embora não o coloque entre os mais valiosos da equipa. Antes de mais acho que é, como dizem os ingleses, um jogador «well rounded»: um jogador completo. Tacticamente muito bom (e acho que muitos adeptos não reparam nisto), boa técnica (recepção, passe, cruzamento, remate; finta já nem tanto), com maturidade, fisicamente forte q.b., e sabe jogar com os 2 pés. Nao e' necessariamente excelente em tudo isto, longe disso, mas e' bom em muitas coisas.

No entanto uma das suas qualidades (objectividade) tem o reverso da medalha que se traduz na maior crítica que lhe aponto: é demasiado conservador, arrisca pouco. Varela tem tendência a tomar quase sempre a opcao (nas movimentações, passes, ...) que tem maior probabilidade de sucesso; ora isso é óptimo por exemplo num trinco, mas não na posição em que joga, em que é necessário criar desequilíbrios o que implica assumir riscos com alguma frequência, ainda que com moderacao (um passe mais arriscado, uma finta, uma desmarcação,...). Para um jogador nessa posição de forma a fazer a diferença mais vale 'as vezes tomar 2 decisões em 3 de risco que não resultam, com a 3a a resultar em cheio. Acaba portanto por ser um jogador algo «ensosso», que raramente joga mal mas também raramente faz a diferença.

O que me leva a um ponto fundamental deste artigo, que é (na minha perspectiva) uma total estagnação de Varela nos últimos 2 anos e meio. Há 2 anos e meio eu escrevi aqui um artigo em que me perguntava se não seria preferível Varela a titular em detrimento de Hulk.

Ora o tempo demonstrou que afinal não havia fundamento para as minhas dúvidas, e penso que a razão para tal foi que Varela não evoluiu (em certa medida houve até mesmo um ligeiro retrocesso) enquanto Hulk continuou a evoluir, principalmente ao nível da maturidade. Penso que Varela corre mesmo a curto prazo o forte risco de perder a titularidade para um «rookie» como Atsu, mesmo que este não seja exactamente um prodígio nato.

Porque é que Varela não evoluiu (e tendo em conta que há 2 anos e meio tinha 25 anos, longe da idade típica de «pico» de performance), é para mim um pequeno mistério. Desleixo e falta de ambição? Trabalho insuficiente do treinador (individual e de aproveitamento colectivo)? Um misto das duas coisas? Outras? Se calhar nem eles sabem.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Como encarar a Taça da Liga?


Agora que os jogos da Taça da Liga se aproximam, coloca-se a questão do costume: como encará-la?

De soslaio, com tem sido costume (mas nem sempre)? Ou é mesmo para tentar ganhar?

Bem sei que quem lá está costuma usar o chavão de que «é tudo para ganhar», mas a prova do algodão vê-se nas escolhas do treinador (e no esforço que os jogadores colocam em campo). Como se viu em Braga para a Taça de Portugal, alias.

Para mim é claro que é mesmo para tentar ganhar, ainda que não a qualquer custo. Claro que a prioridade vai – e de muito longe - para o campeonato e LC, mas para mim a seguir a essas competições a TL merece tanta atenção como uma Taça de Portugal (TP). Não tem a mesma História/longevidade, mas dá tanto ou mais dinheiro; e um título oficial é um título oficial. Mais: em teoria será tão ou mais difícil de ganhar como uma TP, em média. Além disso, é o único «caneco» que falta na coleção. E finalmente: depois da eliminacao da TP o calendario fica mais desanuviado.

O que me leva ao seguinte:

1)      É de jogar com um misto de titulares e 2as escolhas. Não só para poupar titulares (mas sem compremeter a valia da equipa), mas também porque sou da opinião que numa equipa composta só (ou quase) de 2as escolhas os jogadores não ficam a ganhar nada.

Bem pelo contrário, a falta de rotinas e de bons jogadores «ao lado» pode levar a que evoluam pouco e que alguns jogadores fiquem mesmo «queimados» (nao nos esquecamos que a valia de uma equipa e' muito mais do que a soma das valias individuais dos jogadores). Quantas vezes já se viu comentários do género: «Estão a ver? O jogador x teve uma oportunidade mas não a aproveitou!». Como em Braga, alias.

Mais: se no passado argumentava-se que ao menos assim as 2as escolhas ganhavam ritmo, agora temos também uma equipa B (e na Honra...) onde o podem fazer.

2)      O tal misto de titulares e 2as escolhas terá que ser determinado jogo-a-jogo, em função da sobrecarga dos titulares e do(s) jogo(s) que se segue(m). Cabe ao treinador identificar quem ao certo, ele que os segue diaramente. Em princípio penso que se deve evitar ao máximo ter mais do que uns 3 ou 4 segundas escolhas na equipa inicial (o que não invalida que conforme o jogo decorra possam entrar mais 3), a não ser que passado poucos dias haja um jogo crucial para o campeonato ou LC. 

Ora olhando para o calendário das próximas semanas, parece-me que não ha' razões para não dar o litro (ou perto disso, descansando um ou outro jogador que mais necessite) nos dois primeiros jogos, até porque temos um interregno na LC. Aliás, até faz bem aos jogadores que joguem em Estoril após um interregno de 2 semanas (e após as batatas de Natal).

Já o jogo no «galinheiro» pode levar a que faça muito sentido poupar jogadores no jogo contra o Setúbal (até por causa de possíveis lesões). Mas isso reforça ainda mais o ponto de dar o litro nos dois primeiros jogos, de forma a que o 3º jogo possa ser encarado de forma relaxada (acima de tudo pelo treinador nas suas escolhas, nem tanto por quem estiver em campo).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Azares


Nas partidas mais complicadas, existe uma fase do jogo que o nosso clube fica longe de dominar da melhor maneira: é naquelas alturas em que não precisamos obrigatoriamente de marcar. 

Quando, por exemplo, o empate já nos serve, a equipa como que renuncia por completo a qualquer tentativa objectiva de facturar. 
Enquanto o adversário não marca, praticamente toda a gente se mentaliza que apenas tem que defender. No fundo, é uma mentalidade habitual mas somente em equipas mais pequenas. 
A diferença é que, devido à nossa melhor qualidade, tudo vai (ilusoriamente) resultando durante largos minutos. 
O problema é que, entretanto, vão-se avolumando sintomas que, mais cedo ou mais tarde, se irão revelar fatais. Falo nos cartões amarelos em série e no número assustador de faltas e cantos contra (só em Paris foram 13...). 

Ora, é precisamente esta avalanche de amarelos e bolas-paradas que depois originam os famosos "azares" que ultimamente temos tido: o "azar" de alguém levar um segundo amarelo; o "azar" de um dos nossos acertar na própria baliza; ou o "azar" de ser o nosso próprio guarda-redes a "ajudar" um remate fraco a encontrar o fundo das redes. 

Coisas destas tendem a acontecer com mais frequência, na proporção directa de deixarmos a bola rondar, mais vezes do que devia, a nossa área. 
Se ter "sorte" dá muito trabalho, por outro lado não deixa de ser verdade que há também quem procure o "azar". 

Os nossos jogadores só regressam à "vida" apenas e quando a necessidade premente de marcar reaparece. Aí sim, voltamos a ver nacos de futebol digno desse nome. 


E por que razão tal sucede? 

São, claro, vários os factores. Alguns serão até bons motivos: desde logo porque existe alguma segurança defensiva (Otamendi, finalmente, mais veloz e concentrado esta época) e uma grande fé (justificada) em Helton. 
E por maus motivos: meio-campo com pouca rotação e também por um certo adormecimento do trio de ataque. James só verdadeiramente aparece em jogo quando a equipa volta a ser pró-activa (ao contrário de Hulk, o colombiano tem pouca vocação - ou aptidão - para criar desequilíbrios, por si próprio, nas situações em que existe pouca ajuda dos companheiros). 

E a pergunta surge, pois, naturalmente: sabendo-se que, em termos ofensivos, Moutinho brilha pouco nos jogos fora de casa e que Lucho, que nunca foi homem de grandes correrias, junta agora uma menor clarividência no último passe; quem mais temos/teremos para, pelo menos, levarmos o barco a bom porto na nossa única meta - realista - para a presente temporada (reconquista do título doméstico)? 


A reabertura de mercado, em Janeiro, está aí mesmo à porta...


P.S.: Ao que parece, também o próprio Vítor Pereira terá agora desistido de Kléber. 

Ao colocar Abdoulaye em campo (num inovador 3-4-3) para os derradeiros minutos do tudo-ou-nada, retira qualquer dúvida que ainda existisse que, em termos objectivos, apenas temos um ponta-de-lança no plantel (Jackson). 
E que jeito, insisto, nos daria ter um Lima sentado no nosso banco.

Os Empréstimos Obrigacionistas da SAD

O mercado de emissão de títulos de dívida (v.g. Obrigações) pelas empresas está bastante mais desenvolvido e enraizado nos Estados Unidos do que na Europa. Nos Estados Unidos é normal, desde longa data, as empresas emitirem títulos para financiarem o seu investimento. No entanto, tem havido um movimento gradual para a criação de títulos de dívida ao estilo americano por parte das pequenas e médias empresas europeias como forma de diversificação das suas fontes de financiamento. Dados: Knowledge for Markets

A crise económica e financeira global trouxe a escassez de liquidez e o crescimento desenfreado dos spreads no mercado bancário. Com a crescente dificuldade no acesso a este tipo de financiamento as empresas têm procurado formas alternativas de financiamento e, em particular, a FC Porto SAD, que tem tido sucesso nas várias emissões e colocações de títulos de dívida no mercado (desde 2003). O perfil do endividamento da sociedade tem-se alterado nos últimos anos, tendo ganho terreno este tipo de Dívida relativamente ao endividamento bancário.

Tal como previsto no Prospecto de Oferta Pública de Subscrição e de Admissão à Negociação aprovado pela CMVM, a FC Porto SAD decidiu aumentar o montante nominal máximo da emissão de obrigações "FC Porto SAD Maio 2015" de 25 milhões para 30 milhões de euros. A decisão, que poderia ser tomada até 11 de Dezembro, justifica-se com a elevada procura, sendo que até 29 de Novembro, quarto dia do período de subscrição, foi recolhido um somatório de 16.157.548 obrigações e um montante total de € 80.787.740 euros.
in fcporto.pt, 30/11/2012

Do Prospecto de Oferta Pública de Subscrição de Obrigações da FC Porto SAD consta uma listagem, elaborada pela sociedade, dos seus factores de risco específicos, dos quais saliento os seguintes:

  • Ponto 6. O enquadramento macroeconómico e financeiro actual apresenta um conjunto de constrangimentos, nomeadamente a escassez de liquidez no mercado e o consequente aumento dos spreads cobrados às empresas, o que tem implicado uma crescente dificuldade no acesso ao crédito bancário. Em simultâneo, as condições atuais no mercado de dívida soberana portuguesa tem vindo a ter reflexos negativos na capacidade das empresas nacionais se financiarem no mercado de capitais. Todos estes factores poderão vir a comprometer a capacidade da FC Porto SAD de financiar a sua actividade corrente e, eventuais investimentos futuros, ou de assegurar o refinanciamento de operações que maturem em condições de remuneração por si consideradas adequadas, nomeadamente dos Empréstimos Obrigacionistas “FC Porto SAD 2009-2012” e “FC Porto SAD 2011-2014”, que se vencem em 18 de Dezembro de 2012 e 3 de Junho de 2014, respectivamente, e do presente Empréstimo Obrigacionista.

  • Ponto 7. O produto líquido da presente Oferta destina-se ao financiamento da actividade corrente, permitindo à FC Porto SAD consolidar passivo num prazo mais alargado, através do refinanciamento, junto dos seus Bancos de apoio, de operações que se irão vencer, num futuro próximo. O crédito bancário como eventual alternativa ou meio complementar de financiamento, nomeadamente para consolidação de passivo e/ou refinanciamento de operações já existentes, onde se pode eventualmente vir a incluir o reembolso dos juros e capital inerentes ao presente empréstimo obrigacionista da FC Porto SAD, pode estar condicionado pelos constrangimentos atuais existentes no sistema bancário ou pelo custo associado a tal financiamento.



O Empréstimo Obrigacionista 2012-2015 foi lançado na continuidade de outros que o precederam e tem como objectivos (i) o refinanciamento do empréstimo 2009-2012 no montante global de 18m€ que se vence agora em Dezembro e precisa de ser “renovado” e (ii) a obtenção de liquidez adicional para financiar a actividade corrente. Inicialmente o montante de cash-flow a encaixar pela SAD era de 7m€ (25m€ do novo empréstimo subtraídos dos 18m€ do empréstimo a amortizar) mas devido à “elevada procura” a sociedade optou por aumentar o valor nominal pelo que o montante líquido a encaixar será de 12m€.

Este será o 5º empréstimo obrigacionista lançado pela FC Porto SAD (sendo o 4º renovado consecutivamente desde 2003). O custo do capital tem vindo a subir tendo atingido agora um novo máximo de 8,25% (em 2003 o custo do capital era de 5,35%). Em 2011 a SAD lançou outro empréstimo obrigacionista, com maturidade em 2014, e que coexistirá com este empréstimo 2012-2015.



O aumento do montante global do Empréstimo para 30m€ fará aumentar consideravelmente a Dívida Líquida da SAD – embora assente numa maturidade mais longa – colocando-a mais dependente do crédito de terceiros para o exercício da sua actividade. É a própria SAD, como acima se transcreve, que não afasta a hipótese de se ver forçada a recorrer a dívida bancária para reembolsar os juros deste empréstimo. Assim, o crescimento da Dívida deveria ser acompanhado de um crescimento sustentado dos proveitos da sociedade, nomeadamente aqueles que não resultam da alienação de passes de jogadores.


edit: acrescentado gráfico sobre os montantes da Dívida total da SAD após o empréstimo obrigacionista.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

SMS do dia

"Expulsados del Camp Nou tres seguidores del Benfica por encender bengalas"
in Mundo Deportivo

Parece que em países desenvolvidos - no estádio que acabou com uma das claques mais violentas do futebol espanhol - não há tolerância para criminosos. Ainda bem!

Azumir Veríssimo - 1935-2012



Chega do Brasil a triste notícia do falecimento do nosso antigo avançado-centro Azumir Veríssimo, por cá mais simplesmente Azumir.

Na época 1961-62 foi o melhor marcador do campeonato nacional, com 23 golos, tendo "rubricado" nas nossas vitórias em Alvalade e na Luz.

Em tempos escrevi aqui um apontamento acerca dele.

Que descanse em Paz.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Erros fatais


1. Danilo já mostrou qualidades, é bom a atacar, mas a defender é cada buraco... Logo nos instantes iniciais, o PSG aproveitou o espaço dado pelo internacional brasileiro e, após um centro da esquerda, Ibrahimovic quase que inaugurava o marcador.
Perto da meia-hora, mais uma autoestrada aberta por Danilo, obrigando Otamendi (grande joga!) a fazer falta e a ver o cartão amarelo. Da falta, cruzamento para a área e o lateral que custou quase 20 milhões fica a ver Thiago Silva saltar e a colocar a bola no ângulo da baliza de Helton. 1-0.
Após o que se viu nos últimos dois jogos, tenho cada vez mais dúvidas que o Danilo seja a melhor solução do plantel para alinhar a lateral-direito nos jogos contra adversários mais fortes.

2. Helton estava a fazer uma boa exibição, com algumas defesas de grau de dificuldade elevado, mas o peru que esteve na origem do 2-1 é difícil de engolir.

3. Tal como aconteceu na passada sexta-feira em Braga, numa altura em que o FC Porto tinha o jogo perfeitamente controlado, foi um erro individual que deitou tudo a perder.

4. Apesar da enorme machadada que foi o 2º golo do PSG (até pela forma como foi sofrido), a equipa reagiu bem e, tal como aconteceu em Braga, criou ocasiões flagrantes para voltar a empatar o jogo. Mas quando um "matador" como Jackson Martínez falha um golo feito só com o guarda-redes pela frente e, na recarga, já sem guarda-redes na baliza, um jogador da categoria do Lucho, em posição frontal, remata por cima da barra...

5. Varela é esforçado, ajuda bastante na defesa mas, mais uma vez, mostrou não ser um extremo ao nível que é exigido por uma equipa com as ambições do FC Porto.
Porque não entrou Atsu mais cedo? Talvez a resposta esteja nas exibições do jovem ganês nos últimos jogos.

6. É quase dramático (passe o exagero) olhar para o banco de suplentes do FC Porto e ver quais eram as alternativas ofensivas à disposição de Vítor Pereira. E o problema é que no resto do plantel não há melhor.
O jeitaço que daria a Vítor Pereira ter no plantel um segundo avançado como Lima ou Éder (que foi dado como contratação do FC Porto, mas acabou em Braga a custo zero...).

7. A arbitragem foi caseirona e, logo nos primeiros cinco minutos, a forma simpática como reagiu às entradas de Ibrahimovic sobre Otamendi e de van der Wiel sobre James, mostraram para que lado ia estar inclinado o relvado. Depois ainda houve dois foras-de-jogo assinalados a Jackson, quando o ponta-de-lança portista já ia isolado, e que a realização francesa não repetiu...
Só quem não viu a forma como o senhor Craig Thomson conduziu o jogo, pode estranhar que três jogadores portistas - James, Danilo e Mangala - tenham perdido a cabeça e visto cartões amarelos nos últimos minutos do desafio de Paris.

8. Apesar destas duas derrotas seguidas terem sido em Braga e Paris, com expulsões, auto-golos e "perus" pelo meio, a comunicação social lisboeta não irá perder esta oportunidade para "deitar sal" para cima da ferida.
E nós? Em vez de iniciarmos a caça as bruxas, com a queima do treinador na fogueira da contestação, parece-me que seria mais produtivo que, dentro das possibilidades financeiras da SAD, a Administração tentasse colmatar as evidentes lacunas que existem no plantel 2012/13.

Claques, violência e a desfaçatez de Eugénio Queirós

Um conhecido jornalista, adepto do Leixões, simpatizante do slb e anti portista figadal, escreveu o seguinte no seu blogue:

«Na passada 6.ª feira, em Braga, um adepto bracarense, de 39 anos, morreu na sequência de mais uma zaragata. Ao fugir da confusão, foi atropelado mortalmente. (curiosamente, o Sp. Braga chegou oficialmente a informar que o que aconteceu nada teve a ver com o jogo de futebol...). Não importa muito saber como foi. Importa sobretudo saber porque aconteceu.»

Não importa saber como foi?!
Não importa perceber por que razão uma camioneta com adeptos do FC Porto, quando se dirigia ao estádio Axa, parou (ou teve de parar) na via rápida que atravessa Braga?
Não importa investigar se a camioneta com adeptos do FC Porto foi (como alguns testemunhos sugerem) alvo de uma emboscada efetuada por membros da claque bracarense Red Boys?

Pois bem, a versão oficial da PSP de Braga é a seguinte:
"Um grupo de adeptos do Braga apedrejou o autocarro do FC Porto e o atropelamento mortal registou-se logo a seguir. Não se sabe ainda se a vítima fazia parte daquele grupo"

Mas, do texto publicado por Eugénio Queirós no seu blogue, a melhor parte é esta:

«Dos clubes que conheço, o Benfica é o único que não passa cartão às suas claques. Faz muito bem. Não precisa delas para nada. Nos outros, é o que se sabe: as claques são tratadas com carinho e respeito.»

Como? O slb não passa cartão às suas claques?!!!
É inacreditável como é que um jornalista português, supostamente sério, que acompanha há décadas o fenómeno desportivo em Portugal, pode escrever uma coisa destas.

«O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, vai ser chamado para ser ouvido como testemunha no âmbito do processo que levou hoje à detenção de 30 elementos dos 'No Name Boys'. O Ministério Público quer esclarecer como é que uma claque que não estava legal tinha direito a uma sede no estádio do clube, avançou ao Expresso fonte policial. O espaço é conhecido como "A Casinha".
(…) Trinta elementos do grupo foram detidos, incluindo os dois supostos líderes: Miguel Claro e José Pité. Os detidos estão indiciados por ofensas corporais, associação criminosa, tráfico de droga e danos e incêndio a um autocarro que transportava adeptos do FC Porto para um jogo de hóquei em patins, em Junho deste ano.»
in EXPRESSO, 16/11/2008


«Cerca de quatro dezenas de elementos da claque do Benfica No Name Boys foram acusados de vários crimes e o presidente do clube, Luís Filipe Vieira, foi alvo de uma participação à Comissão Disciplinar da Liga de clubes por apoiar aquele grupo de adeptos. A certidão foi também remetida para o Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto, entidade junto de quem a claque se deveria ter legalizado, identificando todos os seus membros. O mais conhecido grupo de apoiantes do Benfica foi alvo de uma aparatosa acção policial há cerca de meio ano, através da operação Fair Play, desencadeada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento (UECCEV) do DIAP de Lisboa com a colaboração da Polícia de Segurança Pública. (...)
A acção policial saldou-se ainda na apreensão de armas proibidas, material pirotécnico e mais de dez quilos de haxixe e 115 gramas de cocaína. O libelo sustenta que a claque era financiada através da venda de ingressos para os desafios e de substâncias estupefacientes, nomeadamente haxixe e cocaína.»
in PUBLICO, 16/05/2009


«Luís Filipe Vieira garantiu ao Ministério Público nem sequer reconhecer os No Name Boys, acusando a polícia e a segurança privada por mau controlo de armas e material incendiário nos estádios – mas a PSP, num relatório a que o CM teve acesso, arrasa o presidente do Benfica. Pode ler-se que Vieira reúne com a claque para lhes dar todo o apoio, deixando entrar as tochas nas bancadas da Luz; despede o chefe de segurança do clube por ajudar a PSP a identificar os criminosos – e almoça com o comandante da polícia para lhe pedir que "facilite" na presença policial junto dos No Name Boys. Muitos deles entretanto presos por droga, armas, roubos, incêndios e espancamentos a adeptos rivais.»
in Correio da Manhã, 18/05/2009


No futebol português parece valer tudo mas, pelo menos da parte dos jornalistas desportivos, deveria haver um mínimo de ética e deontologia profissional.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FC Porto na capa do L'Equipe

A inveja dos medíocres corrói por dentro as entranhas de uma parte significativa dos jornalistas desportivos portugueses e, normalmente, o FC Porto só consegue ser destaque na capa de A BOLA, ou do Record, por más razões.
Ao contrário do que se passa em Portugal, em que se procura denegrir e atirar lama para cima das vitórias e títulos conquistados pelo FC Porto, no estrangeiro o mérito evidenciado pelos dragões nas últimas décadas é reconhecido, de forma quase unânime, por dirigentes, treinadores, jogadores e pela comunicação social que acompanha o futebol. A começar por uma das "Bíblias" da imprensa desportiva internacional, o jornal francês L'Equipe, que hoje publicou uma página sobre os segredos do sucesso do FC Porto.


«"Os segredos do eterno Porto". É assim que o jornal desportivo L'Equipe chama à primeira página um trabalho exaustivo sobre o sucesso dos dragões, suportando-o com declarações de Pinto da Costa, do treinador Vítor Pereira e dando exemplos de vários negócios milionários.

O presidente revela que este jogo em Paris marca o seu regresso às deslocações ao estrangeiro, depois de ter sido operado ao coração, o ponto de partida para o jornalista lhe perguntar se o dirigente irá manter-se à frente do clube por mais 20 anos. "Não, certamente que não. Nem dez anos nem mesmo cinco. É o momento de o clube ganhar sem mim", responde.

Na sequência desta afirmação, Pinto da Costa conta o que irá fazer quando se retirar: "Vou acompanhar o clube nos jogos europeus, escrever e viajar. Nos últimos anos, apenas viajei com a equipa".

O artigo menciona ainda "a estrutura estável" que é o FC Porto, da numerosa rede de olheiros espalhados pelo mundo para detetar os melhores talentos e Vítor Pereira revela o espírito competitivo: "Quando alguém chega ao clube sente, desde o primeiro treino, um estado de espírito diferente e muito competitivo. Ganhar no treino é fundamental, trabalha-se como se o título nacional estivesse em jogo".»
Norberto A. Lopes e Miguel Pataco, em Paris, ao serviço do JN

De Braga a Paris


Não dá para entender a abordagem de Vítor Pereira ao jogo da Pedreira. Afinal a Taça de Portugal é ou não uma competição para vencer? Gerir o plantel é mudar 80% da equipa de uma competição para outra? A responsabilidade da derrota foi, ainda que repartida, das segundas linhas?

Ao longo dos anos habituei-me a ver as jovens promessas a entrarem na equipa titular de forma gradual, um a um, e nos jogos em casa com a contenda bem encaminhada. Com este treinador tudo mudou. Joga-se para o campeonato ou para a Liga dos Campeões com os melhores elementos do plantel e depois, para uma competição menos exigente, mudam-se de uma vez 7 ou 8 jogadores na equipa titular. Não são oportunidades destas que os “reservistas” precisam. São, aliás, presentes envenenados porque farão cair sobre eles a responsabilidade de um eventual desaire. Alterando toda a estrutura da equipa esta perde identidade e surgem muitos desequilíbrios em todos os sectores. Não há articulação entre defesa e meio campo e entre a zona intermediária e a linha avançada.


A integração de Atsu, Kelvin, Iturbe, Castro, Miguel Lopes, Kleber ou Abdoulaye na equipa principal deveria ser feita em jogos como um FC Porto x Marítimo, aos 60’ (ou 80’) quando o marcador estivesse em 2-0 (ou 3-0). Pelo menos foi assim que me habituei a ver a renovação dos sucessivos plantéis do FC Porto, a não ser em casos especiais como lesões graves e prolongadas dos habituais titulares.

Não se vê qualquer evolução de jogadores como Iturbe (fruto de um investimento financeiro considerável) e Kelvin, que são jovens muito promissores e isso é preocupante. E fomos eliminados numa fase prematura da Taça pela segunda época consecutiva.

Com uma gestão do plantel tão criteriosa espera-se, no mínimo, um empate em Paris para segurar o primeiro lugar no Grupo A. O problema está no facto de quem não jogar para ganhar numa competição como a Liga dos Campeões, normalmente perde.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Os incendiários de serviço

Os títulos e destaques de 1ª página escolhidos pelo jornal A BOLA, no dia seguinte ao último SC Braga x FC Porto, tinham dois alvos claros: o treinador do FC Porto ("Dragão brincou com o fogo e queimou-se") e a principal claque do FC Porto ("Morte antes do jogo").

Sobre as opções do treinador do FC Porto, ao nível da gestão do plantel, já me pronunciei brevemente num comentário ao jogo e falarei num outro artigo a publicar.

Quanto à morte de um adepto bracarense antes do jogo, é um assunto demasiado grave para ser tratado com ligeireza. Por isso, deve-se ter muito cuidado naquilo que se diz e escreve e não misturar situações comprovadas com especulações.

No final do jogo, quando alguns jornalistas e órgãos de comunicação social lisboetas já tinham difundido a versão de que o membro dos Red Boys tinha morrido na sequência de confrontos graves entre as claques dos dois clubes, o diretor de comunicação do clube minhoto, Marco Aurélio Carvalho, compareceu na sala de imprensa e afirmou (para quem o quis ouvir) que o incidente nada teve a ver com confrontos entre claques.

Já ouvi e li que o atropelamento do membro dos Red Boys ocorreu quando este ia a fugir de adeptos portistas mas, para além desta versão não estar confirmada, convinha que os jornalistas que a difundiram tentassem, pelo menos, perceber porque razão é que uma camioneta dos Super Dragões terá, alegadamente, parado na via rápida que atravessa Braga e alguns adeptos terão, alegadamente, saído da mesma em perseguição do adepto bracarense que faleceu após ser atropelado.

O que está comprovado é o facto de, após o final do jogo, a camioneta que transportava a comitiva oficial do FC Porto ter sido apedrejada quando se dirigia ao Porto, o que aconteceu pela segunda vez no espaço de uma semana. Mas isso, claro, não é assunto que mereça qualquer destaque do jornal A BOLA.