quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alguns números do Gabão x Portugal

6 horas - tempo que demora a viagem de avião entre Lisboa e Libreville.

13.724 quilómetros - distância percorrida (ida e e volta) pela comitiva portuguesa.

28 graus - temperatura à hora do único treino que a selecção portuguesa fez no Estádio L’Amitié, em Libreville.

95 por cento - humidade à hora do único treino que a selecção portuguesa fez no Gabão.

0 convocados do slb para este jogo.

2 convocados do FC Porto (Moutinho e Varela)

7 convocados do SC Braga (Beto, Custódio, Hugo Viana, Ruben Micael, Ruben Amorim, Hélder Barbosa e Éder)

45 horas - tempo que medeia entre o fim do Gabão x Portugal (14 de Novembro, 21h30) e o início do jogo seguinte do SC Braga para a 4.ª eliminatória da Taça de Portugal (16 de Novembro, 18h45).

800 mil euros - cachet recebido pela FPF

0 euros - cachet recebido pelos clubes que cederam jogadores à Seleção.


Viva a FIFA!
Viva a FPF, sempre tão empenhada na defesa dos clubes e da integridade física dos jogadores portugueses.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um cobarde perigoso que anda pelos relvados

O artigo seguinte é da autoria de Carlos Muñiz e foi publicado no site madrid-barcelona.com

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David Navarro, un tipo peligroso

La agresión con el codo de David Navarro a Cristiano Ronaldo no supone una novedad en su historial, que está plagado de situaciones escabrosas por un exceso de celo en el empleo de la agresividad.

David Navarro ha desarrollado su carrera en el Valencia y en el Mallorca. Luego probó la aventura suiza en el Neuchatel, no salió bien y optó por volver a España para enrolarse en el Levante.

Tanto en el Valencia como en el Mallorca logró adquirir una bien ganada fama de hombre duro, de uno de los futbolistas más duros del fútbol español. Se le recuerda especialmente un episodio en la temporada 2006/07 al final de un encuentro de Champions League que enfrentó al Valencia con el Inter en el Luis Casanova. Una vez terminado el partido los jugadores de ambos equipos se enzarzaron en una agria discusión, él salió del banquillo y agredió al argentino del Inter Burdisso, ocasionándole una fractura del tabique nasal. La UEFA decisió aplicarle una severa sanción de siete meses. La imagen de David Navarro corriendo por delante de los jugadores del Inter, que le perseguían después de haber agredido a Burdisso, dio la vuelta al mundo.



En 2009, en un partido que diusputó frente al Barcelona, le pisó a Messi acercándose a él por detrás en los primeros compases del partido.

El pasado año agredió a Javi Martínez y Llorente, en la visita del Valencia a Bilbao con dos codazos que provocaron una brecha en la cabeza de Llorente y una hemorragia nasal en Javi Martínez. Al final fingió ser él el agredido y salió del campo en camilla.

¿Se atreverá el Comité de Competición a actuar de oficio en la entrada de Burdisso?

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Como é possível que a Real Federación Española de Fútbol (RFEF) permita que este "cavalheiro" (há quem lhe chame criminoso) continue a praticar futebol?

E os dirigentes da UEFA, perante a quase total passividade e inoperância da RFEF, não têm um pingo de pudor, quando assistem a estas coisas e a seguir enchem a boca a apregoar fair-play?


Nota: As fotos, os destaques a negrito e a introdução de links no texto são da minha responsabilidade.

A ética dos moralistas da 2ª circular



Não foi por acaso que, durante a semana, a comunicação social tudo fez para que o Sporting chegasse a este jogo como um coitadinho. E ainda houve uma viagem à Rua Alexandre Herculano [localização da sede da FPF] que ajudou também a que o árbitro tomasse a decisão que tomou. Não sei quem foi, sei que houve essa viagem e o que se passou neste jogo, nas quatro linhas, ficou claro: há um golo limpo à frente do árbitro e não percebo por que o invalidou.
António Salvador, presidente do SC Braga

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Imaginem que o FC Porto estava em 13º lugar no campeonato, com apenas uma vitória em oito jogos.

Imaginem que, em termos económico-financeiros, o FC Porto estava com a corda na garganta e era absolutamente fundamental o apuramento para a Liga dos Campeões da época seguinte.

Imaginem que o presidente do FC Porto, desesperado e numa altura em que a equipa já ia no terceiro treinador da época, solicitava uma reunião com o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (CA FPF).

Neste cenário, imaginem que o presidente do CA da FPF aceitava receber Pinto da Costa numa reunião privada.

Imaginem que essa reunião se realizava no mesmo dia das nomeações dos árbitros para a jornada seguinte e dois dias antes do próximo jogo do FC Porto.

Imaginem que o tal próximo jogo do FC Porto era precisamente contra o seu principal adversário na luta pelo último lugar da classificação (3º) que dá acesso à participação na Liga dos Campeões.

Imaginem que para esse jogo era nomeado um árbitro filiado na mesma Associação de Futebol do FC Porto.

Imaginem que aos 77 minutos desse jogo, a equipa adversária do FC Porto marcava um golo limpíssimo e o árbitro, para espanto de (quase) toda a gente, anulava esse golo por causa de uma pretensa falta.

Imaginem que devido a essa decisão do árbitro, o FC Porto vencia o jogo por 1-0, interrompia a pior série negativa da sua história (8 jogos seguidos sem ganhar) e recuperava 3 pontos ao seu adversário na luta pelo acesso à Liga dos milhões.

Conseguem imaginar isto tudo? Pois…

No futebol português, há situações em que a realidade ultrapassa a ficção dos apitos (dourados e de outras cores). E nem são precisas escutas, porque é tudo feito às claras.
É a chamada ética e "verdade desportiva" dos moralistas da 2ª circular.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SMS do Dia, contra a Amnésia

Que é feito do caso Paulo Pereira Cristóvão?

Salvaram-se os 3 pontos...

... o golaço de Moutinho (o melhor desde que está no FC Porto),
... a concentração e acerto da linha defensiva azul-e-branca (colocou N vezes o frágil ataque da Briosa em fora-de-jogo),
... e mais um bom jogo de Otamendi (na ausência de Maicon está a assumir-se como o patrão da defesa).

O resto não foi famoso e, levando em conta a fragilidade do adversário, diria que até foi um pouco desanimador.
O golo sofrido foi o primeiro desta época no Dragão (para o campeonato);
os dois golos marcados foram pouco mais de metade da média (3,75) dos quatro jogos anteriores em casa para o campeonato;
e não se pode dizer que a equipa tenha criado imensas oportunidades e muito menos que o guarda-redes da Académica tenha feito uma exibição estrondosa.

Em termos individuais, Jackson Martinez, que vinha de uma extensa série de jogos seguidos a marcar no campeonato (com alguns golos espetaculares pelo meio), esteve desastrado na finalização (lembro-me de três tentativas e nenhuma sequer enquadrada com a baliza) e ficou em branco.

Helton, que tem estado em grande (para mim foi o melhor no jogo de Kiev), teve algumas intervenções impróprias para cardíacos (um dia aquelas fintas vão dar para o torto) e podia ter feito muito melhor no golo da Académica.

Danilo, um jogador que parece poder vir a ser um dos melhores laterais do Mundo, voltou a ficar aquém das expectativas (pelo menos das minhas) e continua sem fazer uma exibição plena com a camisola do FC Porto, quer a defender, quer a atacar, quer a centrar (!), que seja minimamente justificadora dos cerca de 20 milhões de euros que a SAD investiu nele.

Mangala é uma adaptação a defesa-esquerdo (não confundir com lateral-esquerdo) e, por isso, não se lhe pode exigir muito em termos ofensivos. Mas, pelo menos, convém que jogue simples e não invente (por exemplo, querer fintar no meio-campo adversário).

Varela foi simplesmente inexistente. Não me lembro de uma única acção positiva durante o tempo que permaneceu em campo.

Atsu entrou para substituir o "Drogba da Caparica", correu, mexeu-se, procurou a bola, mas mostrou pouca efetividade como "abre latas" da defesa adversária. Já deu indicações de que poderá vir a ser um grande jogador, mas ainda está muito verdinho para poder ser titular de uma equipa com as responsabilidades do FC Porto.

Depois das últimas exibições terem sido bastante positivas, que explicações para esta exibição com pouca chama?
Os dragões estavam cansados?
E o que dizer então da Académica, que teve menos 48 horas de descanso e veio jogar ao Estádio do Dragão tendo N jogadores lesionados e dois castigados?

O campeonato é uma prova de regularidade e, jogando melhor ou pior, o que interessa é ganhar. No final far-se-ão as contas e, nesta altura, o FC Porto continua líder, com o melhor ataque e a melhor defesa. Além disso, eu sou do tempo do grande José Maria Pedroto e lembro-me de o ouvir dizer que quem quer ver ópera vai ao Teatro...

P.S. No final do jogo, Vítor Pereira voltou a queixar-se do relvado, dizendo que o terreno estava pesado. De facto, o relvado continua em mau estado mas, se estava pesado, por que razão foi regado ao intervalo?

domingo, 11 de novembro de 2012

SMS do Dia

Eu gosto muito do Pedro Emanuel, gostei dele como jogador e gosto dele como treinador. Mas aqueles que o pedem como novo treinador do FC Porto hoje tiveram um exemplo real de como a única equipa no terreno de jogo com processos assimilados, com um carrossel ofensivo bem afinado e com vontade de ganhar foi a que vestia de azul e branco. A do tal Vitor Pereira.

Quando um treinador aponta a grandes coisas, aponta desde o principio. O Leiria de Mourinho não enganava ninguém, enquanto que esta Académica é uma versão igual a tantas outras, organizada atrás mas sem ambição à frente. Não me deixa com muita água na boca para a cadeira de sonho, confesso!

PS: Gosto de ver, cada vez mais, quando a equipa se posiciona num 4-4-2 no terreno de jogo. Um plano B é sempre importante e dá mostra de maturidade táctica por parte do treinador e de implicação por parte dos jogadores.

sábado, 10 de novembro de 2012

Anderson, sempre um filho pródigo

Há poucos jogadores que tenham passado tão pouco tempo no Porto e despertem tanta simpatia nos adeptos como o brasileiro Anderson. Chegou ao clube como uma das primeiras apostas sérias nas jovens estrelas emergentes sul-americanas e sob o fantasma da contratação "falhada" de Diego e dos problemas que deixou para trás Carlos Alberto. Mas triunfou no campo e gerou um dos maiores encaixes da história da SAD.

Numa recente entrevista ao jornal O Jogo, o brasileiro confessou que em Portugal só jogaria no FC Porto, depois de vários rumores dando conta do interesse do Benfica em resgatá-lo em Manchester. No United nunca se afirmou, depois de um bom arranque, sendo parte importante da equipa que venceu a Champions League em 2008, entre lesões e problemas com Ferguson, pode-se dizer que tem passado ao lado da grande carreira que muitos prognosticavam. Mas continua a ser um jogador espantoso, com um critério técnico superior e uma visão de jogo tremenda que faria falta a qualquer equipa do FC Porto. Neste plantel seria uma aquisição importante, especialmente tendo em consideração que Lucho não está para aguentar 90 minutos uma época completa.


É praticamente impossível que Anderson volte ao FC Porto nas próximas temporadas, segundo o próprio, até porque continua a ter cartel lá fora, em clubes com maiores condições financeiras para pagar o salário que recebe em Inglaterra. Mas depois de ter desfrutado do seu génio menos do que se previa - consequência também da entrada animal de Katsouranis num célebre Porto-Benfica em 2006 - não acredito que os adeptos portistas encarassem com maus olhos o seu regresso, mesmo num modelo de empréstimo.

Um dos primeiros jogadores do FC Porto a sair do clube por valores superiores a 30 milhões de euros (com Ricardo Carvalho, Pepe, Falcao e Hulk completa o quinteto dos nossos negócios mais rentáveis), o brasileiro que só tem 24 anos é o perfil de jogador que falta a este plantel para dar um salto qualitativo importante, numa zona onde temos um claro deficit de opções.

Sonhar é mais do que fácil, é grátis, e a dura realidade é que ao FC Porto caberá descobrir novos Andersons para o futuro, mas para um jogador que sempre que tem uma lesão se desloca a Vila Nova de Gaia para realizar os seus tratamentos de recuperação, está claro que o Porto será sempre um porto de abrigo agradável para ambas as partes.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O 32ª treinador mundial

O crescimento do FC Porto com Vitor Pereira ao leme não é só uma questão de percepção. É um dado real.
Estatisticamente falando, o técnico azul já é considerado como o 32º melhor treinador mundial. Num desporto ainda bastante tradicionalista, ao contrário dos desportos mais populares nos Estados Unidos, a estatística ainda é olhada com suspeita/desprezo pelos adeptos, analistas e muitos dirigentes. Mas parece-me a mim que é cada vez mais a melhor forma de apalpar a realidade, sem falsas questões pelo meio. A subida de Vitor Pereira nesse ranking diz muito do que o espinhense tem logrado.

O ranking, como conto aqui, chama-se Football Coach World Ranking e é organizado pela Institute of Football Coaching Statistics, uma organização holandesa que se dedica a trabalhar com agências de apostas, clubes, federações e sites especializados e que fornece dados estatísticos actualizados sobre o trabalho desenvolvido por treinadores de 40 países. O ranking tem as suas regras e os jogos, naturalmente, não valem o mesmo, o que dá ainda mais destaque a quem está na parte alta da tabela classificativa. A lista é liderada por outro ex-treinador do FC Porto, José Mourinho, se bem que este só chegou ao primeiro lugar em Outubro, depois de seis meses em que Pep Guardiola não somou qualquer ponto.


O caso de Vitor Pereira é significativo e ameaça tornar-se num dos case studies da organização que gere o site. A 5 de Dezembro do ano passado estava na posição 159 na tabela, perdido entre maus resultados domésticos, uma eliminação precoce na Champions League e muitas dúvidas sobre o seu futuro. Em Maio, quando conquistou o título nacional, VP tinha trepado ao 55º posto, mesmo assim uma posição bastante modesta para quem se acabava de sagrar vencedor de uma das seis ligas mais cotadas do ranking. Meio ano depois, está às portas do top 30 e se contabilizamos apenas os treinadores das ligas europeias (o ranking é mundial), Pereira seria o 21º. À sua frente estariam nomes como Lucescu, Garde, Pellegrini, Stevens, Allegri, Mazzari, Klopp, Wenger, Mancini ou Emery em muitos dos casos apenas e só porque, como sucede com a Bota de Ouro, os pontos somados variam de liga para liga, conforme a sua importância e todos estes trabalham em competições melhor valoradas que a Liga Sagres.

Vitor Pereira pode ser um treinador questionado pela sua falta de capacidade de comunicar, pela sua falta de aura como "manager" e até por algumas questões futebolísticas, do sistema aos jogadores que utiliza. Mas como o meu colega José Correia mencionou há uns dias, parece-me evidente que a pouco e pouco começa a tomar controlo do balneário e a dar forma à equipa com base na sua filosofia de jogo. Os jogos na Champions League, repletos de autoridade, eficácia e maturidade, são um bom exemplo de como transformar estes dados estatísticos em sensações.

Se repetir o título de liga, como seria natural, e realizasse uma Champions League à altura das expectativas do clube (apuramento para os Quartos de Final, na minha óptica), agora que o apuramento para a próxima fase está matematicamente assegurado, não duvido que Vitor Pereira chegará a Junho como um dos 10 técnicos mais valorizados do mundo. Deve-o à estrutura do FC Porto - que apostou nele, manteve-o quando era difícil - mas também o deve a si mesmo, depois de ter sobrevivido à perda de metade da equipa que venceu a Europe League em 2011 (Fucile, Alvaro, Sapunaru, Hulk, Falcao, Bellushi, Guarin) e ter forjado um projecto cada vez mais sólido.

PS: A título de mera curiosidade, o ranking inclui ainda os últimos treinadores que passaram pelo FCP. Já sabemos que Mourinho vai à frente (e assim continuará durante largos meses), enquanto AVB está actualmente na posição 58º (chegou a ser o 4º em Maio de 2011). Jesualdo quase que fecha o top 100 (está no lugar 98), Adriaanse encontra-se no 515º posto e claro, o mestre da táctica, Jorge Jesus, aparece perdido no 48º lugar sendo que o melhor que logrou no ranking foi um sétimo posto. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O campeonato do sporting

23 de julho de 2011. Em entrevista ao Record, Carlos Barbosa, ex-Vice-presidente do sporting para a Comunicação e Marketing, fez um conjunto de afirmações quase "proféticas".

15 meses e uns dias depois, com o SCP a atravessar uma série de 8 jogos seguidos sem ganhar, fora da Taça de Portugal (eliminado pelo Moreirense), em último lugar na fase de grupos da Liga Europa, em 13º lugar no campeonato (a 13 pontos do líder FC Porto e a apenas 1 ponto da linha de água), vale a pena recordar algumas dessas afirmações extraordinárias:

"Se os estatutos forem aprovados, conforme espero, por larga maioria, não vamos ter 100 mil sócios. Vamos ter muito mais. Há sócios que querem dar mais dinheiro ao Sporting."

"o que eu vejo neste novo Sporting, sendo uma pessoa que percebe pouco de futebol, é uma equipa excecional, com Luís Duque, Carlos Freitas e Domingos Paciência."

"De repente, os sócios vêem competência no clube, competência no futebol, competência no presidente, confiança por parte da banca"

"Temos uma equipa que está a ser construída para que possa competir com qualquer clube. Não é o FC Porto que nos preocupa. Preocupa-nos é, se formos à Champions, o Barcelona e o Real Madrid, para também podermos competir. Porque, daqui a um ano, um ano e tal, o FC Porto já não fará parte do nosso campeonato. O campeonato do Sporting daqui a um ano ou dois será o Barcelona, o Ajax, o Real Madrid. Isso para nós é que vai ser importante"

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O mérito de Vítor Pereira

«(...) o FCP foi sempre uma equipa muito solidária. (...) respondemos sempre com uma coesão que esta equipa ainda não tinha mostrado, como hoje. (...) neste jogo o todo foi superior à soma das partes»
Mário Faria

Estou inteiramente de acordo com esta apreciação do Mário.


O FC Porto deslocou-se a Kiev com algumas fragilidades, decorrentes das lesões de três jogadores, todos eles peças importantes do sistema defensivo dos dragões - Alex Sandro, Maicon e Fernando.
Apesar disso, e do onze inicial ter seis jogadores que não faziam parte do onze tipo da época passada, a equipa portista apresentou-se personalizada e impôs sempre o seu jogo, umas vezes recorrendo à classe dos seus jogadores e outras ao esforço e coesão do grupo.

Num desafio que era absolutamente decisivo para a equipa da casa, a quem apenas a vitória interessava, é revelador do controlo do jogo exercido pelo FC Porto, que o Dinamo Kiev apenas tenha tido uma (!) oportunidade de golo.

Estas coisas não acontecem por acaso. Estas coisas só são possíveis quando existem bons interpretes e as equipas estão bem trabalhadas. Ou seja, ontem foi bem visível o mérito do treinador.

O FC Porto tem no seu plantel, que qualitativamente não é muito extenso (conforme se viu pelo banco de suplentes de ontem) jogadores como Helton (o MVP do jogo de Kiev), Moutinho, Lucho, James, Jackson, ... mas, ao fim de 14 jogos oficiais invicto e já com dois dos objectivos da época alcançados (conquista da Supertaça e apuramento para os oitavos da Liga dos Campeões garantido), penso que está mais do que na altura do mal-amado Vítor Pereira ver o seu mérito reconhecido.

E chega de fazer comparações com o fantástico FC Porto de André Villas-Boas da inesquecível época 2010/11 porque, entre outras coisas, Vítor Pereira não tem à sua disposição Guarín, Belluschi, Álvaro Pereira e, principalmente, a dupla  Falcao e Hulk.

Imagem: ojogo.pt

Um empate com sabor a vitória!


Foi um jogo intenso: o Dinamo entrou agressivo, procurou ganhar os duelos pela maior envergadura física, explorando o jogo directo na expectativa de chegar mais depressa e ganhar as segundas bolas. Criou algum frisson, não criou perigo. O FCP, paulatinamente, foi-se recompondo e passou a controlar o jogo, tirando a bola ao adversário e circulando-a a propósito. Jogou-se, prioritariamente, longe das balizas, mas o FCP sempre com mais e melhor posse. Havia que dominar a fera e fizemo-lo muito bem. Um lance de golo e para o nosso lado: assistência de James, cabeça de Martinez (muito apertado) e uma excelente defesa do guardião adversário. Uma primeira parte muito séria. Um porto, à antiga, que me agradou

Na segunda parte, entrámos muito bem. Criámos várias jogadas de perigo e uma excelente oportunidade de golo que Varela falhou por pouco. Continuámos a controlar e impor o ritmo ao jogo que mais nos interessava. Perdemos alguns lances por má definição do último passe. E foi alguma falta de lucidez nesses momentos que retiro como menos positivo da nossa parte. Aos 66 minutos, Danilo atrasou-se no movimento para colocar em fora de jogo o adversário mais adiantado, e o Dinamo criou a sua melhor oportunidade. A partir daí, o jogo ficou mais divido e partido. Houve ameaças dos dois lados, mas o FCP foi sempre uma equipa muito solidária. Não comungo da convicção que o Dinamo é uma equipa menor: considero que fez um jogo intenso, agressivo, lutou até à exaustão e obrigou-nos a dar o litro . Não era jogo que apelava para a nota artística, mas, apesar disso, fomos de longe muito melhores tecnicamente e respondemos sempre com uma coesão que esta equipa ainda não tinha mostrado, como hoje. Provámos que sabemos sofrer e lutar. Gostei muito deste FCP e sinto-me muito orgulhoso com a exibição de hoje

Não realço nenhum jogador individualmente, porque neste jogo o todo foi superior à soma das partes. Se na época passada da presença na CL ficou alguma frustração, na presente época já garantimos a presença nos oitavos. Excelente!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As lesões de Fernando


Fernando é o melhor médio-defensivo do futebol português e tem, desde que sucedeu a Paulo Assunção na posição 6, um papel relevante no modelo de jogo do FC Porto, principalmente em desafios contra adversários mais fortes (como é o caso do jogo de hoje em Kiev).

Contudo, tem sido um jogador muito afetado por lesões musculares, particularmente desde a época 2010/11.
Isso mesmo pode ser comprovado pela utilização de Fernando no campeonato, nas últimas quatro épocas:
2008/09: 25 J, 2192 minutos (81% de utilização)
2009/10: 25 J, 2199 minutos (81%)
2010/11: 21 J, 1637 minutos (61%)
2011/12: 22 J, 1784 minutos (66%)

Esta época as lesões chegaram cedo. A primeira foi logo em finais de Agosto e implicou uma ausência de cerca de um mês; a segunda lesão, contraída no último jogo frente ao Marítimo, vai obrigar este médio brasileiro a uma nova paragem de várias semanas. E ainda estamos no início de Novembro.

Não é normal um jogador ter tantas lesões.
Existirá algum aspecto da constituição física de Fernando que esteja na origem destas sucessivas lesões musculares (não-traumáticas)?
Para além do treino global, não haverá possibilidade de ser efectuado um treino especifico, orientado para as características musculares do Fernando, e que contribua para diminuir a propensão deste jogador em ter este tipo de lesões?

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

No Porto já não resta muita coisa

"O Porto sempre teve uma qualidade, que pode estar a perder. Sempre foi uma cidade muito orgulhosa dos seus pergaminhos - os nobres estavam proibidos de ter casa dentro de muros, a Inquisição nunca conseguiu montar cá um tribunal - e infelizmente está a perder-se um bocado. Tirando o Futebol Clube do Porto, já não resta muita coisa."
Alberto Amaral, ex-reitor da Universidade do Porto, em entrevista ao JN (04-11-2012)

Invictos


Ao fim de dois meses de competição, já são muito poucas as equipas dos cinco principais campeonatos europeus - Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França - que continuam invictas.

Este fim-de-semana, Atlético Madrid (0-2 em Valência), PSG (1-2 em casa contra o St. Étienne) e Juventus (1-3 em casa contra o Inter) sofreram a primeira derrota nos respetivos campeonatos.

Sobram invictas, nestes cinco campeonatos... e na Liga ZON Sagres, apenas quatro equipas:

FC Barcelona (1º)
10J, 9V, 1E, 0D, 32-12

Manchester City (3º)
10J, 6V, 4E, 0D, 18-9

FC Porto (1º)
8J, 6V, 2E, 0D, 22-5

slb (2º)
8J, 6V, 2E, 0D, 22-6

Mas, se ao campeonato juntarmos os jogos disputados na Liga dos Campeões, então só duas destas equipas continuam invictas: Barça e dragões.

Estamos em boa companhia.

domingo, 4 de novembro de 2012

O regresso de Rolando?

O FC Porto partiu hoje para a Ucrânia, onde na terça-feira irá defrontar o Dínamo Kiev, no 4º jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões.


Sem os lesionados Alex Sandro, Maicon e Fernando, o destaque na lista dos 19 convocados são as chamadas de Rolando, Iturbe e do defesa esquerdo colombiano Quiño.

Atendendo a que, de acordo com as previsões, Fernando e Maicon irão ter pela frente uma paragem de várias semanas, Vítor Pereira vai ter de arranjar alternativas, não só para este jogo mas, provavelmente, até à paragem do campeonato em Dezembro.


Tendo apenas quatro médios disponíveis - Defour, Moutinho, Lucho e Castro -, uma das possibilidades será puxar Danilo para o meio-campo (no início ou durante os jogos), entrando Miguel Lopes para defesa-direito.

Contudo, a principal questão está relacionada com a utilização, ou não, de Rolando. A confirmar-se que Maicon só voltará a competir em Janeiro, penso que faria todo o sentido voltar a apostar em Rolando para jogar do lado direito da dupla de centrais, ao lado de Otamendi (que continuaria a jogar do lado esquerdo). Para além de ser uma dupla que já fez dezenas de jogos e do superior traquejo de Rolando relativamente à outra opção (Abdoulaye), seria uma oportunidade de ouro para Rolando se (re)valorizar, tendo em vista a sua desejada transferência na reabertura do mercado.

Assim, não podendo contar com Alex Sandro, Maicon e Fernando (e Hulk...), o meu onze para Kiev seria o seguinte:
Helton
Danilo, Rolando, Otamendi, Mangala
Defour, Moutinho, Lucho
James, Jackson Martínez e Varela

Imagens: ojogo.pt