segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A cor das camisolas e a "gestão do jogo"

7 de Agosto, slb x FC Porto (Supertaça)
53': Aimar deveria ter visto o segundo cartão amarelo por jogo perigoso sobre Belluschi?

Paulo Paraty: "O árbitro fez e bem a gestão do jogo. Aimar tinha acabado de ver um cartão amarelo, por isso aceito a decisão do árbitro; teve e tinha de aguardar algumas faltas."


15 de Agosto, slb x Académica
50': Addy é bem expulso depois de ver o segundo cartão amarelo no espaço de um minuto?

Paulo Paraty: "Sim. Addy tinha acabado de ver cartão amarelo e comete uma falta que, pela sua imprudência, justifica a acção disciplinar. Muito bem o assistente ao chamar a atenção do árbitro."


Que coerência! Que isenção!
De facto, já não é preciso ir ao circo para nos rirmos a bom rir...

A ética da Liga


"A Liga Zon parte com um problema ético grave. (...) Eticamente esta liga parte errada, porque o patrocinador da Liga é o mesmo de um dos concorrentes. Não acho correcto, mas a Liga acha. As empresas patrocinam o clube para que ganhem, para aparecerem. Acha correcto que o patrocinador da Liga seja o patrocinador de um dos concorrentes? Quando eu fui presidente da Liga a Revigrés ia patrocinar a Liga e não aceitámos porque já era patrocinador do Porto."
Pinto da Costa, revista Única, Expresso de 14/08/2010


Em Setembro do ano passado, o facto do principal patrocinador da Liga (Sagres) estar associado a um clube, já tinha sido questionado por Henrique Pais (director da Porto Comercial) e por Pedro Afra (director-geral do Sporting).

E antes disso nós já tínhamos chamado à atenção para este assunto. Primeiro, há mais de dois anos atrás, num texto intitulado 'À mulher de César'.
Depois, em 4 de Janeiro de 2009 voltamos ao tema, quando a Central de Cervejas se tornou num dos principais parceiros comerciais do slb, questionando se estávamos perante a Liga Sagres ou Liga SLB?

Mas, que tipo de benefícios desportivos (dentro do campo) é que o slb pode ter?
Bem, num mundo perfeito não haveria qualquer problema, mas se a Central de Cervejas pudesse escolher, que clube seria campeão?

Para que não fiquem dúvidas, nem haja qualquer tipo de suspeições, não deveria ser permitido que uma marca associada a um clube fosse a mesma que patrocina uma das competições que esse clube disputa, principalmente se estivermos a falar na mais importante - o campeonato nacional.

P.S. Esta época e nas próximas três parece que o campeonato se vai chamar Liga ZON Sagres...

domingo, 15 de agosto de 2010

"Guarín foi determinante"


Para André Villas-Boas, técnico do FC Porto, a chave do sucesso da sua equipa esteve na alteração operada na segunda parte com a entrada em campo de Guarín, uma pedra determinante no aumento do fluxo das oportunidades de golo.

"Claro que pretendi surpreender um pouco a Naval ao colocar o Guarín a jogar entre linhas, pois tinha dois médios paralelos e colocando-o lá, como referência de jogo, poderia criar problemas. Foi isso que aconteceu. O Guarín foi determinante para desequilibrar o bloco da Naval. Houve ali alguma indefinição nos momentos de marcação ao Guarín, o que acabou por libertá-lo. Portanto, conseguimos a partir de então ter amplitude de jogo com os laterais, criando um conjunto de oportunidades que acabou por nos levar ao golo."
in O Jogo, 15/08/2010


Freddy Alejandro Guarín Vásquez, 24 anos, vai para a sua terceira época no FC Porto, mas nunca conseguiu cair no goto de grande parte dos adeptos portistas, que sempre olharam para ele como uma espécie de “patinho feio”. Eu não partilho dessa opinião e já por várias vezes chamei à atenção para as qualidades deste internacional colombiano, o qual, jogando num meio campo com quatro elementos e na posição onde mais rende (não é a extremo direito ou a médio-defensivo), tem provado ser um elemento muito útil. Aliás, nos últimos 10-11 jogos da época passada foi mesmo a “revelação” da equipa, marcando diversos golos e sendo o médio de melhor rendimento.
Daí que não tenha ficado surpreendido quando, para aumentar a pressão sobre a Naval, AVB tenha retirado um avançado (Varela) e colocado um médio possante com as características de Guarín. No papel poderia parecer uma substituição defensiva pouco lógica (o jogo estava empatado), mas a mudança operada trouxe outra dinâmica de jogo e uma pressão quase asfixiante sobre a equipa da Figueira da Foz.

O futebol de Guarín não tem a mesma beleza estética do que sai dos pés de Rúben Micael ou Belluschi mas, como alguém disse (penso que foi Pedroto), numa equipa também são precisos “carregadores de piano” para que os artistas tenham bola e possam brilhar.

P.S. Através do site oficial do FC Porto, soubemos que Guarín esteve ausente do treino de hoje, devido a ter sofrido uma entorse traumática no tornozelo esquerdo. Consequências da entrada violenta (mais uma!) que sofreu no jogo de ontem e que nem sequer mereceu que o árbitro Paulo Baptista marcasse falta.

Foto: Reuters, extraída de elespectador.com

sábado, 14 de agosto de 2010

Acto I - Superado

Nota prévia: Estando eu com fé para esta época e como estava farto do conceito de futebol de Jesualdo Ferreira, admito desde já que caso ainda fosse JF o treinador (vade retro) a análise que se segue era certamente diferente.

Como é evidente não podemos dar 45 minutos de avanço.

Como é evidente, e tal como aconteceu a semana passada, temos de partir para cima desde o 1º minuto. O espírito tem de ser sempre esse.

Não o fizemos, tivemos algumas desconcentrações como o atraso de cabeça do Alvaro para o Helton, que não podem obviamente acontecer mas deu para realçar uma impressão (pelo menos para mim), seja por ostentar a braçadeira ou não, o Helton parece muito mais concentrado no jogo. E quando tal acontece só nos resta esperar que finalmente demonstre todo o potencial que sempre pareceu ter, mas que nem sempre expressou em campo.


Fazendo um parêntesis no jogo, interessante o facto de agora ninguém se insurgir com o facto de o capitão ser o guarda-redes, onde estão todos aqueles que concordavam com o Co Adriaanse quando este tirou a braçadeira ao Baía?

Voltando ao jogo, não foram 45 minutos iniciais decentes mas deu para ver que há ali trabalho nos lances de bola parada, desde os lançamentos de bola longos, passando pelo o facto de haver rotatividade na marcação de livres, e acabando na existência notória de lances estudados. Para os dias em que as coisas não correm tão bem é sempre importante que haja desbloqueadores de jogos e estou em crer que este ano vamos ter mais descanso graças a isto.

Mas além do trabalho nas bolas paradas, também temos, à 1º jornada, uma equipa que não sabe jogar só num sistema, que conseguiu mexer na estrutura e ter resultados com isso.

Foto gamada no Record

E a qualidade dos jogadores tem de fazer a diferença, como fez. E se ontem foi o Varela, hoje foi o Hulk e amanhã será o Falcao, e um dia deste o Walter ou o James.

Fazendo mais um  parêntesis, como é que chegamos à 1ª jornada só com um ponta de lança inscrito? A culpa é do e-mail, dos pombos correios, dos carteiros, das máquinas de escrever, dos telexes ou dos cheques?

É verdade que o golo foi de grande penalidade, mas o importante é que não caiu do céu, foi fruto da pressão e o resultado da melhoria de jogo na 2ª parte - e o Guarin quando não joga a trinco até parece menos tosco. Vá lá perceber-se como é que alguém viu nele um trinco.

Correu bem, as coisas estão no bom caminho mas o jogo tem muita coisa para a equipa reflectir, prá semana quero massacre e goleada!


Para fechar, já não me lembrava de ouvir uma conferência de imprensa do treinador do Porto e ter prazer em ouvi-la. Ouvir falar de futebol sem ter medo de explicar opções e de falar sobre elas, é toda uma diferença.

Em defesa de uma contratação pouco consensual

Emídio Rafael foi uma das (muitas) contratações de Verão (e prevê-se que venha ainda mais um par), e será porventura a que menos satisfaz os adeptos.

Pois muito bem, permito-me remar contra a corrente e discordar, defendendo a decisão da SAD e de André Villas Boas. Penso que é uma contratação que faz sentido pela combinação dos seguintes factores:

1) estamos muito bem servidos a titular para defesa esquerdo. Caso não haja lesão grave, viesse quem viesse iria fazer muitos poucos jogos; e não se pode formar um plantel antecipando lesões graves (caso contrário tínhamos que gastar 50 milhões por ano em contratações para todas as posições), para isso existe o mercado de inverno se for mesmo preciso.

2) é um jogador barato, que é o que se pede tendo em conta o ponto anterior. Gastemos o dinheiro onde dá mesmo jeito.

3) o jogador é muito bem conhecido do treinador. Não se trata de um jogador que o treinador nunca treinou, como foi o caso de por exemplo um Ezequias (já para não falar de um Benitez). Dou sempre muito mais benefício da dúvida a uma contratação quando o jogador foi anteriormente treinado pelo nosso treinador.

4) aos 24 anos é um jogador relativamente maduro. Caso Álvaro se lesione isto dá jeito, comparando com a alternativa de um puto muito "verdinho" (como era o caso do Addy ou seria o caso de um ex-junior).

5) demonstrou ao menos merecer a titularidade num clube médio, dando indicações q.b. de ter um mínimo de qualidade para o plantel do FCP (ainda que essa qualidade eventualmente não chegue para jogar regularmente). Isto ao contrário de um Benitez ou Sonkaya, para falar de outros laterais, que andavam a "aquecer o banco" dos seus clubes médios quando foram por nós contratados.

6) não há dúvidas sobre a sua adaptação ao futebol português (ao contrário de laterais contratados no estrangeiro)

7) não temos para esta posição nenhuma "prata da casa" emprestada que seja promissora (ao contrário de outras posições).

O que gostava mesmo era que o Addy tivesse demonstrado ter um mínimo de qualidade já hoje para ser uma alternativa razoável para a posição quando o Álvaro não está disponível, mas infelizmente parece não ter sido o caso (por alguma razão não foi sequer chamado por JF quando o Álvaro não esteve disponível na época passada, e o treinador actual decidiu dispensá-lo; do muito pouco que pudemos ver do Addy, sinceramente não me admira).

E como não é o caso, que vá então rodar para outro sítio onde possa ganhar um mínimo de maturidade para eventualmente regressar daqui a uns 2 anitos (i.e. aos 22 ou 23 anos) se mostrar merecê-lo, até porque muito provavelmente entretanto o Álvaro já foi vendido. Como custou também muito pouco, a pressão para tirar dele rendimento não é alta (é certamente muito mais baixa do que para um James, que tem a mesma idade mas custou muitos milhões).

Nos "entretantos" a aposta no Emídio Rafael parece-me fazer todo o sentido pela conjugação de todas as razões apontadas (já isoladas poderiam não ser suficientes), mesmo que esteja longe de ser um jogador cujo futebol entusiasme.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Reacção super soft

«Este moço, o Bruno, tem paixão pelo erro. Pelo disparate. Pela falcatrua. Afilhado do poder, tem podido de mais. A torto e a direito. Sem olhar às mais elementares regras de bom senso. Das regras do jogo, já nem me atrevo a falar. (...)
Lembram-se de um jogo em que o FC Porto tenha sido tão descaradamente prejudicado como no tristemente célebre prélio de Campo Maior? Eu não. Há vinte anos que não sou capaz de recordar um outro Bruno com tanta paixão encomendada.
Este moço, o Bruno, tem as costas quentes. A sua atracção pelo erro, alguém a guia. E é a guiar árbitros destes que a famosa verdade desportiva se adultera. Em termos puramente futebolísticos, este Bruno tem uma paixão adúltera. Mal conduzida. (...)
Errar é humano. Mas também é excepção. A regra da negra história de Paixão em Campo Maior era intimidar o Jardel, enervar o FC Porto, assustar os dragões, e garantir a vitória do Campomaiorense. (...)
Perante tudo isto a reacção portista tem sido super 'soft' para meu gosto. Não ser capaz de mandar, não é a mesma coisa que não ser capaz de mudar. Quando assistimos a arbitragens encomendadas, como a do moço Bruno em Campo Maior, todos os dragões que se prezam são "obrigados" a reagir. Do Presidente ao roupeiro, dos associados anónimos à equipa técnica não é possível aceitar isto com um encolher de ombros, nem é bonito ouvir só palavras bonitas, a pretexto de uma suposta nova educação nas relações entre os agentes do futebol.
Exibições como a do moço Paixão em Campo Maior não se podem atribuir a incompetência, falta de preparação ou deficiente conhecimento das regras. É preciso ir mais fundo e perceber quais são os fundos em jogo.»
Manuel Serrão, O Jogo, 27/02/2000


Perante arbitragens como a do João “pode ser” Ferreira na última Supertaça, eu tenho uma opinião semelhante à que o Manuel Serrão expressou há 10 anos atrás, a propósito de um célebre Campomaiorense x FC Porto. Isto é, “do Presidente ao roupeiro, dos associados anónimos à equipa técnica não é possível aceitar isto com um encolher de ombros”, e o facto de, apesar da arbitragem do Major Ferreira, o FC Porto ter ganho, não é motivo para nos calarmos, pelo contrário, reforça ainda mais a legitimidade que temos para protestar.
Ficando caladinhos, daqui a umas semanas teremos o Vítor Pereira a nomeá-lo para um jogo do FC Porto ou, pior ainda, do... slb!

P.S.1 Com a ajuda preciosa de Bruno Paixão (mas não só), o FC Porto haveria de perder o campeonato 1999-2000.

P.S.2 Com este artigo, encerro a minha contribuição para o peditório "quando é que alguém da estrutura do FC Porto vai reagir à arbitragem do João Ferreira?".

Foto: Manhãs da 3 no Estádio do Dragão

Espectáculo vs. Resultados

Vou cometer uma heresia...
Este ano não quero saber dos resultados do FC Porto!


Não estou com isto a dizer que não vou seguir a equipa e ver os jogos, bem pelo contrário.
Ao longo dos anos, apesar de gostar de bom futebol, tenho vindo a achar que o FC Porto deve pôr o resultado à frente do espectáculo, mas hoje acho que eu (e os restantes portistas) merecemos uma folga depois de 4 anos de futebol a apostar no resultado.

Este ano, não quero saber se somos campeões, se conquistamos mais algum troféu, se vamos longe na segunda divisão das competições europeias. Também não estou a desresponsabilizar os jogadores, a equipa técnica ou os dirigentes. Eles terão os seus objectivos, e para mim vai continuar a existir o único e mínimo objectivo de apuramento para a Liga dos Campeões!

O jogo do passado sábado abriu-me o apetite para um prazer que eu há muito pensava estar reservado para as outras equipas: o espectáculo que é o futebol. Quero todos os jogos assim, com garra, vontade, bom espectáculo, e sobretudo aquela atitude dominadora e vencedora.

Que gozo caros (des)portistas, que gozo de jogo!

Se perdermos, paciência, ao menos vimos bom futebol e "tiramos a barriga de misérias". Há sempre o ano seguinte para me preocupar outra vez com os resultados!
Com este futebol, ficava com a "barriga cheia de espectáculo", pronto para mais uns aninhos de futebol de transições rápidas...

Mais do que o fim-de-semana ou as férias que ainda não chegaram, sinto-me um homem novo, mais leve, mais contente! Vi futebol... Que saudades!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O tenebroso lóbi do Porto



Será que ao testemunharem a favor de Queiroz, também Alex Ferguson, Luís Figo, Agostinho Oliveira, Henrique Jones (médico da Selecção), António Simões (ex-jogador e dirigente do slb) e, principalmente, Luís Filipe Vieira, fazem parte deste tenebroso lóbi do Porto?

Olhando para este tipo de "jornalismo", compreende-se melhor como é que a Benfica TV tem comentadores como o Pragal Colaço ou o José Carlos Soares...

Nota: imagem extraída do CM online (clique para ampliar)

Pinto da Costa e o balneário que cheirava a bagaço

"Para eles [FC Porto], é tudo um jogo. Do princípio ao fim. Por isso é que ganham quase sempre tudo. Pelos jogadores, pela estrutura, pelo futebol, pelo presidente. Mas quem é que não gostaria de ter um presidente como o Pinto da Costa? Por favooor. Dizem mal dele mas, no fundo, até desejavam um líder igual ou parecido na forma de cativar tudo e todos através do discurso, da acção, do método."


Extracto de uma entrevista de Tomislav Ivkovic (guarda-redes do Sporting na transição do final dos anos 80 para o início dos anos 90 do século passado) e que é parte de uma entrevista publicada ontem pelo jornal i.

Estas afirmações não são propriamente originais, mas proferidas em discurso directo por um jogador de um clube rival assumem outra dimensão. Contudo, para título da entrevista, o jornalista - Rui Miguel Tovar - preferiu salientar outra frase: "Nas Antas o balneário cheirava sempre a bagaço".
Ora bem, há que satisfazer a clientela...

A natureza do "escorpião"

Perante o festival de (in)competência demonstrado com a arbitragem da Supertaça, nos últimos dias foram recordadas situações da época passada envolvendo João Ferreira, como foi o célebre caso do túnel da Luz ou as "orelhas sensíveis" no Funchal, que abriram caminho à vitória do slb num jogo que estava a ser difícil.

Mas há muitos mais jogos que poderiam engrossar a lista de João Ferreira. Por exemplo, o FC Porto x Sporting da época 2008/09, com uma arbitragem habilidosa qb e com alguns aspectos muito semelhantes aos do último sábado, ou um célebre Moreirense x Benfica, da época 2002/03, e que levou no final Manuel Machado a dizer "coisas como as que aconteceram nesta partida, só se resolvem com pau de marmeleiro".

Para que o texto não se torne demasiado extenso, vou apenas recordar as incidências de um Sporting x FC Porto disputado em Março de 2005, recorrendo a extractos de uma crónica do Miguel Sousa Tavares.

«Ontem, ao minuto 35 do jogo de Alvalade, o Sr. João Ferreira decidiu abrir o caminho do título ao Benfica, juntando-se a uma vasta campanha nacional em curso que tem como objectivo levar o Benfica ao título, nem que seja por decreto-lei.

Quando digo que decidiu, quero dizer exactamente que a anedótica expulsão de McCarthy — a mais inacreditável expulsão que eu vi em quarenta anos a ver futebol — não foi um deslize de momento, uma precipitação do árbitro. Não: ele teve vários dias para meditar na importância do jogo que estava a dirigir. Ele sabia que jogavam dois candidatos ao título e que a derrota de um deles — o Sporting — significaria que esse estava fora da corrida, e a derrota do outro — o FC Porto — significaria que ambos ficavam, com toda a probabilidade, afastados do título. E sabia, como qualquer árbitro sabe, que, num derby, reduzir uma equipa a 10 jogadores, ainda para mais a visitante, e quando ainda falta mais de uma hora para jogar, equivale praticamente a sentenciar o vencedor. Por isso, uma decisão tão determinante no desfecho quanto essa, tem de assentar num facto absolutamente incontestável por todas as partes. Ora, por mais jogos que arbitre, nunca mais o sr. João Ferreira terá oportunidade e necessidade de expulsar um jogador por ele acertar com o braço na anca de um adversário, quando este está sentado em cima dele e deliberadamente o impede de se levantar. Sobretudo quando, minutos antes, o mesmo sr. João Ferreira fez que não viu uma entrada para aleijar do Beto sobre o Quaresma, que não tinha sido, aliás, a primeira.

E, como se dez contra onze não fosse já suficiente, o mesmo sr. João Ferreira, culminando uma arbitragem escandalosamente caseira em tudo, desde o critério disciplinar à avaliação das faltas, ainda tratou de expulsar também o Seitaridis, «esquecendo-se» que, não tendo ele cortado com a mão uma bola que fosse a caminho da baliza, a sanção correspondente era o cartão amarelo e não o vermelho.

Podia ser até, que o Sporting viesse a ganhar o jogo com toda a naturalidade e justiça. Mas ele não deixou que as coisas acontecessem com naturalidade e justiça.
De uma assentada, o sr. João Ferreira conseguiu atingir duplamente o FC Porto: tomando decisões que se revelaram determinantes na derrota e privando a equipa de contar com McCarthy para os jogos seguintes.»
Miguel Sousa Tavares
in A Bola, 22/03/2005


Tal como na parábola em que o escorpião cravou o seu ferrão no sapo, morrendo ambos afogados, o major Ferreira é o que é e, quando tem um apito na boca, está na sua natureza beneficiar o slb e/ou prejudicar o FC Porto. Os jogadores sabem disso. Os dirigentes dos clubes sabem disso. E quem o nomeia para os jogos também sabe isso perfeitamente.
É por isso que a arbitragem miserável do último sábado não surpreende ninguém e, se o deixarem (tem a palavra o senhor Vítor Pereira), este árbitro da AF Setúbal irá continuar impunemente a fazer das suas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Reforço" a caminho do... Brescia

Parece que Tomas Costa foi dispensado, sendo emprestado ao Brescia. A bem dizer isto não irá deixar muitos portistas surpreendidos.

Isto só vem no entanto reforçar a minha surpresa há uns meses atrás aquando da compra dos restantes 25% do passe do T. Costa (ver aqui). Não só porque não me parecesse um jogador com grande futuro, mas ainda mais pelos valores envolvidos (segundo o Relatório e Contas da SAD não andou longe de 4,8M€ pelos 25%, o que era equivalente a dizer que achavam que ele valia - nesse momento - mais do que uns 15M€). Por mim (e já conhecendo nós o jogador e sabendo-se do aperto financeiro) não tinha investido 1 milhão que seja nos 25%, quanto mais 4 ou mais (segundo o R&C).

Terminava eu por perguntar: "Será por isso que Pinto da Costa se referiu a ele em Dezembro como a "contratação de Inverno"? Avaliado nesse valor, pudera...". Pois bem, não só T. Costa não foi reforço nenhum para a 2a volta (o que não surpreendeu nada a maioria dos portistas), como também não o será para a presente época, e muito dificilmente o será algum dia (tal como O. Sá, aliás; desta vez o PdC foi extremamente infeliz com os seus "mind games", convenhamos, ainda por cima quando terminámos o campeonato na 3a posição).

A compra desses 25% na época passada fica portanto muitíssimo mal explicada. A única explicação minimamente plausível e compreensível que encontro é que seria uma cláusula automática no contrato inicial (o que me levaria a pensar, se fosse o caso: porque a aceitaram ao princípio, e que jogadores mais sob contrato terão cláusulas do género?).

Bem, de qualquer forma desejo tudo de bom ao Tommy (enquanto esteve no FCP tanto quanto sei foi um profissional exemplar) com os desejos de que faça uma época espectacular no Brescia de forma a que eles (ou outro clube qualquer) o compre por... muitos milhões.

Uma boa dor de cabeça

Na época passada o meu extremo preferido era Varela, e o que vi (todos vimos...) neste último sábado só veio reforçar essa opinião.

Isto porque Varela me parece ser um jogador bastante completo: é bastante maduro (tendo uma noção muito boa de quando deve tentar a iniciativa individual, quando deve passar a bola, e quando deve fazer um compasso de espera), tem bastante técnica, sabe rematar bem e tacticamente é muito competente (colaborando nas manobras defensivas com inteligência). Finalmente, é também um jogador veloz e joga muito bem com os dois pés (melhor do que os restantes extremos).


Olhando para as opções à disposição do treinador para as alas ofensivas jogando em 4-3-3, verifico que será aqui que o treinador terá mais dores de cabeça em escolher pelas boas razões (i.e. a qualidade e quantidade ao seu dispor). Para além de Varela tem ainda muita qualidade em C. Rodriguez e Hulk, mais um jogador que promete (Ukra) e outro que, a julgar pelos muitos milhões que custou, deve ser mesmo bom jogador (pessoalmente desconhecia-o até há 1 mês) - James.


Excluindo James destas contas (para já tenho muitos poucos dados), a minha preferência para acompanhar Falcão lá na frente (estando todos os jogadores em boa forma física) vai para Cristian Rodriguez do lado esquerdo e Varela do lado direito.


Penso que Hulk é um bom jogador; mas - acima de tudo - é muito menos maduro do que qualquer um destes dois, apesar de ter a mesma idade ou quase (24 anos, tantos como "Cebola" e contra 25 de Varela). Além disso não demonstra tanta competência táctica, e para acabar acho que tem também menos técnica do que eles.


Tem no entanto as vantagens do pontapé-canhão e da maior explosividade física (principalmente quando tem espaço e está em boa forma), mas no cômputo geral penso que as vantagens são menos importantes do que as desvantagens, até porque a maioria dos nossos adversários joga muito "fechada". É um bom jogador para eventualmente saltar do banco ou para substituir um dos outros dois caso não estejam disponíveis ou em forma - ou até mesmo eventualmente para jogar em 4-4-2 ao lado de Falcão - mas ou dá um "salto" qualitativo (e aos 24 anos e após 2 épocas a jogar num FCP já era altura...) ou então corre um um sério risco de ser relevado para 2o plano neste FCP.


Quanto a C. Rodriguez, tem para além da maturidade (há quem diga "inteligência"), técnica e competência táctica, um bom jogo de cabeça - tudo vantagens sobre Hulk (e a última também sobre Varela). Fica apenas a perder, perante tanto Varela como Hulk, na velocidade (dava jeito que perdesse alguns quilitos...) e em alguma maior acutilância no 1 para 1.



Ukra parece-me uma boa opção para o banco e gostava de ver-lhe serem dadas oportunidades para continuar a evoluir, mas para já parece-me inferior a estes 3 jogadores até prova em contrário. O problema principal dele é que a concorrência é de peso, muito mais do que defeitos pessoais.


Falta apenas falar de James. Como disse, para já conheço-o muitíssimo mal (embora o que tenha visto não tenha dado a impressão de estar na presença de um predestinado ou um génio: o que significa apenas que para já não vejo razões óbvias para que considere que merece tirar a titularidade a um dos outros jogadores de que falei. Para já...). Mas por alguma razão terá custado mais de 5 milhões por 75% do passe (o que chega para entrar no top10 das contratações mais caras de sempre), logo terá certamente alguma qualidade; se suficiente para jogar regularmente, é o que falta ver porque a concorrência é muito forte.


Pessoalmente é a contratação que à partida menos compreendo (bem, para além de Pawel. e eventualmente de Moutinho se Meireles não for vendido) devido à qualidade e quantidade de que já dispunhamos para a posição. Não fariam os muitos milhões mais falta em outras posições que estão menos bem servidas e/ou em ajudar a segurar alguns titulares mais tempo no FCP (alô Fucile?), tendo em conta que temos uma situação financeira bastante apertada?


Aliás, até mesmo financeiramente não me esqueço de que Hulk e Cebola também custaram bastantes milhões e deviam ser para valorizar ou ao menos retirar forte rendimento em campo (para além de estarmos a cortar drasticamente as oportunidades de Ukra poder evoluir e afirmar-se, ele que já hoje é um jogador com qualidade q.b. para estar no FCP, o que não é para todos).


Dizia eu que faltava falar apenas de James? Não, falta também falar de Mariano, que em princípio estará disponível para a 2a metade da época. Bem... quer-me parecer que com as opções de que hoje dispomos (e do treinador que temos), dificilmente algum dia ele voltará a jogar outra vez pelo FCP (pelo menos de forma minimamente regular).

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma TV para deficientes... visuais

O desempenho do novo representante do slb - o vice-presidente Rui Gomes da Silva - no programa 'Dia Seguinte' de ontem, para além de ter motivado uma troca azeda de palavras com Dias Ferreira (depois do Cervan era de supor que não seria possível descer mais baixo, mas afinal...) serviu, acima de tudo, para desacreditar ainda mais o clube do milhafre.

Mas vindo desta Direcção do clube do regime, especialista em usar a propaganda para embrutecer as massas, já pouco ou nada me surpreende.
Veja-se, por exemplo, o vídeo seguinte (não esquecer de ligar as colunas):



P.S. Para ser justo, devo dizer que tenho amigos benfiquistas que têm noção do ridículo e sentem vergonha pelo tipo de programas da Benfica TV, bem como, pelo facciosismo doentio e cegueira bruta dos comentadores que por lá desfilam.

Um Porto renascido

Por Justino Lourenço


Estou a escrever este texto, ainda com os golos do nosso F.C. Porto em mente, depois da vitória contra o seu rival.

Foi uma semana atribulada, depois duma participação desastrosa no torneio de Paris, onde o F.C. Porto parecia ter alma, mas que no meio de tantos testes e substituições parecia estar pouco preparado. Do lado da imprensa tudo se escreveu: o treinador não tinha experiência, não conseguia definir o plantel e o Benfica estava mais forte. No final da semana, ainda soubemos que o Mourinho parecia também não confiar no futuro de Villas-Boas. Esta última pedrada fez-me ficar com a sensação de que iria funcionar ao contrário, como um estímulo à vitória e não o contrário. O Mourinho, que já conhece bem os cantos da casa, que cedo percebeu que já tinha passado (com Pedroto) os tempos onde passar a Ponte D. Luís era o começo de mais uma derrota, que teve de dar um murro na mesa, contra tudo e contra todos, e jurar que seria Campeão, devia desconfiar que este tipo de ataques acorda o Dragão.

O F.C. Porto joga agora (na minha opinião) duma forma diferente. Deixou de ser um Porto que esperava que eles viessem em cima, para depois, pela socapa, tentar um ataque rápido. E que quando corria atrás da despesa, por estar a perder ou por estar a jogar contra o autocarro das equipas pequenas, sentia algumas dificuldades. Quem viu o Porto do Villas-Boas, viu um Porto que não tem medo de assumir o jogo, que faz circulação de bola, sempre à procura do jogador melhor posicionada e sempre com a preocupação de fazer chegar a bola lá à frente (como se viu na bela jogada do segundo golo).

Se gostei do jogo, gostei porque o nosso F.C. Porto ganhou, mas não gostei das entradas maldosas nem do derrube descabido a Sapunaru. Não gostei de ver jogadores no chão e não aparecer nenhum colega a dar uma ajuda, penso que os treinadores também devem ter um papel importante neste ponto. Mas gostei do cumprimento do Sapunaru e do Hulk ao árbitro, valeu muito… para quem o entendeu.

Definitivamente, o novato treinador do F.C. Porto, que no primeiro teste a sério jogou logo com um rival, conseguiu esboçar uma estratégia que não deixou o adversário jogar. Não li o jogo com a suposta falta de forma, nem muito menos de rotina do Benfica (que apenas perdeu o Di Maria), vi o jogo como um Benfica oprimido que mal pode respirar. E que quando tinha a bola a jogava duma forma inconsequente, simplesmente porque o F.C.Porto estava asfixiante. Foi interessante ver que o desespero foi de tal ordem, que as substituições do Benfica ainda mais emperraram a máquina já emperrada pelo F.C.Porto. Mas, penso que mesmo os benfiquistas concordam comigo, quando digo que a baliza do clube está definitivamente mal entregue e penso que essa insegurança transparece na defesa, se calhar o Quim era uma mais valia (pelos vistos) invisível.

Gostei de ver o Sapunaru, depois da travessia do deserto, parece que temos jogador, que corre, que aguentou bem as que levou nas pernas e que ainda teve fôlego para tentar um remate traiçoeiro. Gostei do Belluschi, que traz alguma magia ao futebol e que é importante nos lances de bola parada. O Moutinho parece encher o campo, corre, passa e ainda tenta ir lá à frente é um jogador que às vezes parece à margem do jogo, mas que de repente faz a diferença. Deixei para o fim o Varela, para mim o herói da noite, dribla, corre mas sempre com os olhos na baliza, não se perdendo em ziguezagues disparatados. Já o ano passado me tinha convencido, mas este ano será o seu ano, é um jogador fantástico. Por último, espero melhores dias para o Hulk, continua a querer fazer tudo, mas a falhar muito, penso que ele ainda poderá aumentar o seu rendimento e vir a ser um grande jogador.

Um troféu perdido afinal foi para as bandas do Dragão, continuando com muito trabalho e humildade penso que teremos um Porto à Porto.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Justino Lourenço a elaboração deste artigo.

Foto: Record

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Até o Rui Santos!


No programa 'Tempo Extra' de ontem, na apreciação que fez à arbitragem de João Ferreira, Rui Santos atribuiu-lhe um 7 (na escala de 0 a 20), considerando-a desastrosa em termos disciplinares.

Na opinião do ex-jornalista de A Bola e conhecido comentador da SIC, deveriam ter sido expulsos cinco (!) jogadores do SLB: Cardozo, César Peixoto, Aimar (por duplo amarelo), David Luiz e Carlos Martins.

Quando jornalistas/comentadores como Rui Santos ou João Querido Manha, cuja antipatia pelo FC Porto é por demais conhecida, dizem o que disseram, está praticamente tudo dito acerca do que foi esta escandalosa arbitragem do João "pode ser" Ferreira. Falta apenas pronunciar-se alguém da estrutura azul-e-branca, o que espero aconteça nos próximos dias.