Perante o festival de (in)competência demonstrado com a arbitragem da Supertaça, nos últimos dias foram recordadas situações da época passada envolvendo João Ferreira, como foi o célebre caso do túnel da Luz ou as
"orelhas sensíveis" no Funchal, que abriram caminho à vitória do slb num jogo que estava a ser difícil.
Mas há muitos mais jogos que poderiam engrossar a lista de João Ferreira. Por exemplo, o FC Porto x Sporting da época 2008/09, com
uma arbitragem habilidosa qb e com alguns aspectos muito semelhantes aos do último sábado, ou um
célebre Moreirense x Benfica, da época 2002/03, e que levou no final Manuel Machado a dizer "
coisas como as que aconteceram nesta partida, só se resolvem com pau de marmeleiro".
Para que o texto não se torne demasiado extenso, vou apenas recordar as incidências de um Sporting x FC Porto disputado em Março de 2005, recorrendo a extractos de uma crónica do Miguel Sousa Tavares.
«Ontem, ao minuto 35 do jogo de Alvalade, o Sr. João Ferreira decidiu abrir o caminho do título ao Benfica, juntando-se a uma vasta campanha nacional em curso que tem como objectivo
levar o Benfica ao título, nem que seja por decreto-lei.

Quando digo que decidiu, quero dizer exactamente que a anedótica expulsão de McCarthy —
a mais inacreditável expulsão que eu vi em quarenta anos a ver futebol — não foi um deslize de momento, uma precipitação do árbitro. Não: ele teve vários dias para meditar na importância do jogo que estava a dirigir. Ele sabia que jogavam dois candidatos ao título e que a derrota de um deles — o Sporting — significaria que esse estava fora da corrida, e a derrota do outro — o FC Porto — significaria que ambos ficavam, com toda a probabilidade, afastados do título. E sabia, como qualquer árbitro sabe, que, num
derby, reduzir uma equipa a 10 jogadores, ainda para mais a visitante, e quando ainda falta mais de uma hora para jogar, equivale praticamente a sentenciar o vencedor. Por isso, uma decisão tão determinante no desfecho quanto essa, tem de assentar num facto absolutamente incontestável por todas as partes. Ora, por mais jogos que arbitre, nunca mais o sr. João Ferreira terá oportunidade e necessidade de expulsar um jogador por ele acertar com o braço na anca de um adversário, quando este está sentado em cima dele e deliberadamente o impede de se levantar. Sobretudo quando, minutos antes, o mesmo sr. João Ferreira fez que não viu uma entrada para aleijar do Beto sobre o Quaresma, que não tinha sido, aliás, a primeira.

E, como se dez contra onze não fosse já suficiente, o mesmo sr. João Ferreira, culminando uma arbitragem escandalosamente caseira em tudo, desde o critério disciplinar à avaliação das faltas, ainda tratou de expulsar também o Seitaridis, «esquecendo-se» que, não tendo ele cortado com a mão uma bola que fosse a caminho da baliza, a sanção correspondente era o cartão amarelo e não o vermelho.
Podia ser até, que o Sporting viesse a ganhar o jogo com toda a naturalidade e justiça. Mas ele não deixou que as coisas acontecessem com naturalidade e justiça.
De uma assentada, o sr. João Ferreira conseguiu atingir duplamente o FC Porto: tomando decisões que se revelaram determinantes na derrota e privando a equipa de contar com McCarthy para os jogos seguintes.»
Miguel Sousa Tavares
in
A Bola, 22/03/2005
Tal como na parábola em que o
escorpião cravou o seu ferrão no sapo, morrendo ambos afogados, o major Ferreira é o que é e, quando tem um apito na boca, está na sua natureza beneficiar o slb e/ou prejudicar o FC Porto. Os jogadores sabem disso. Os dirigentes dos clubes sabem disso. E quem o nomeia para os jogos também sabe isso perfeitamente.
É por isso que a arbitragem miserável do último sábado não surpreende ninguém e, se o deixarem (tem a palavra o senhor Vítor Pereira), este árbitro da AF Setúbal irá continuar impunemente a fazer das suas.