quarta-feira, 22 de julho de 2009

Marionetas


Em 2 de Setembro de 2008, Pelé chegou ao FC Porto englobado no negócio Quaresma, avaliado em 6 milhões de euros e como a grande aposta da SAD para substituir Paulo Assunção.

As coisas não correram bem ao jovem internacional português e, perante a total ausência de rendimento desportivo, em 26 de Janeiro de 2009 foi emprestado ao Portsmouth, tendo na altura afirmado ao site dos pompeys:
"É uma transferência de sonho. Vejo sempre os jogos do campeonato inglês, sei que a atmosfera é fantástica, por isso acho que é muito bom estar aqui. (...) Podem esperar muito trabalho e dedicação e, espero que também alguns golos".

De acordo com o comunicado enviado pelo FC Porto à CMVM, o contrato permitia ao Portsmouth a opção de compra definitiva dos direitos desportivos do jogador, pelo valor global de 6,5 milhões de euros.
Na realidade, durante os cinco meses que esteve em Inglaterra Pelé não fez um único jogo e, obviamente, a questão da compra do passe nem sequer se colocou.

Em 7 de Maio de 2009, Pelé revelava a sua vontade de voltar ao FC Porto: "O FC Porto é a minha equipa, tenho mais quatro anos de contrato para cumprir e conto ajudar o clube".
Contudo, rapidamente deve ter perdido as ilusões, porque Jesualdo Ferreira deu uma entrevista ao PUBLICO, publicada em 05/06/2009, e não podia ser mais claro:
«[O Pelé] não tem o traço, nem de carácter nem de estrutura táctica, para ser o “seis” que o FC Porto precisa. Isto sem colocar em dúvida minimamente as qualidades grandes que o Pelé tem. Poderá não ser o “seis” que o FC Porto deseja, mas poderá sê-lo noutro clube qualquer ou noutro país

Quatro dias depois, em 9 de Junho, o presidente do Génova (Enrico Preziosi) afirmou:
"Não consegui Quaresma - não queremos um jogador que não quer estar connosco -, mas com Jorge Mendes consegui um médio, Pelé".
De facto, no dia seguinte Pelé foi a Itália fazer os habituais exames médicos e afirmou ao site do Génova:
"Conheci o presidente Preziosi, que já me tinha expressado a sua admiração. Se a transferência se concretizar, irei com entusiasmo para um clube que, segundo sei, é vivido com muita paixão. (...) E, este ano, terei a possibilidade de jogar na Europa".

Não houve comunicado para a CMVM, mas a comunicação social anunciou que os genoveses ficavam com a opção de compra por 5 milhões de euros.

Quando toda a gente pensava que o caso Pelé estava arrumado - ia voltar ao campeonato onde já tinha sido feliz com a camisola do Inter -, mais uma reviravolta e, em 20 de Julho, Pelé é apresentado em Espanha como jogador do Valladolid.

Segundo O JOGO de 21/07/2009, o jogador chegou a acordo com o Génova para cancelar o contrato (o jornal não explicou porquê), ficando o clube espanhol com opção de compra no final da época.
Desta vez, nem comunicado para a CMVM, nem os valores da transferência foram anunciados embora, segundo O JOGO, «exista a forte possibilidade de serem semelhantes aos alinhavados anteriormente com o clube italiano: cinco milhões de euros para ficar com o jogador no final da época».

Quanto ao Pelé, afirmou: "Vou dar o melhor. Quero crescer como jogador e também quero fazer crescer o Valladolid".

Resumindo, em menos sete meses (de Janeiro a Julho de 2009), Pelé vestiu as camisolas de quatro clubes de diferentes campeonatos. Se não é recorde mundial deve andar lá perto.

A novela em que se transformou a carreira profissional deste jogador, pertencente aos quadros da FCP SAD, merece alguma reflexão.
Em primeiro lugar, quero dizer que não duvido que o Vitor Hugo Gomes Passos (Pelé) precise de um bom acompanhamento para evitar alguns desvios nefastos para um jogador profissional. Contudo, custa-me a crer que este jovem futebolista, que há dois anos atrás demonstrou tanta maturidade ao serviço do Inter de Milão, seja assim tão inconsciente e instável.

Não haverá aqui outros interesses? Não estará o jogador a servir de marioneta nas mãos dos empresários e clubes envolvidos?

Foto: La gran marioneta, Pablo Ciliberti

terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma pergunta a ... - VI


De tanto coçar, ainda não ganharam ferida?

Porque saiu Carlos Resende?


No dia 30 de Junho de 2009, a Direcção do FC Porto emitiu um comunicado no site oficial do clube, com o seguinte teor:
«No momento em que a colaboração entre o FC Porto e o treinador Carlos Resende é concluída, palavra de agradecimento pelos títulos conquistados e que enriqueceram o palmarés da modalidade. Esta descontinuidade poderá não significar um adeus definitivo»

18 dias depois, Pinto da Costa apresentou no Dragão Caixa o novo treinador do FC Porto: o sérvio Ljubomir Obradovic.

Antes ainda da apresentação do novo treinador, o FC Porto já tinha assegurado a contratação dos internacionais portugueses Dario Andrade (ex-ABC) e Nuno Grilo (ex-São Bernardo), para as posições de ponta-esquerda e lateral-esquerdo respectivamente, aos quais juntou ontem a contratação do lateral-direito Pedro Spínola (ex-Belenenses).

Esta aposta em jogadores lusos vem na linha da época passada, cujo plantel era constituído apenas por portugueses.
Ora, se como tudo indica, a estratégia para o Andebol é apostar na continuidade, uma dúvida subsiste: porque saiu Carlos Resende, após o excelente trabalho que fez na época passada?
Ter formado um grupo coeso, disciplinado e altamente competitivo, que conduziu à conquista do campeonato nacional e à final da Taça de Portugal, não é suficiente?

Carlos Resende remeteu-se ao silêncio mas, como sócio do FC Porto, gostava de saber se foi ele que quis sair, ou se alguém da Secção lhe apontou a porta de saída.

A montra


Em Abril passado, após a eliminação nos quartos-de-final perante o Manchester United, O JOGO fez as contas e chegou à conclusão que o FC Porto tinha arrecadado cerca de 18 milhões de euros na Liga dos Campeões, divididos nas seguintes parcelas:
- 5,4 milhões de prémio de participação;
- 2,4 milhões correspondentes ao desempenho desportivo na fase de grupos (4 vitórias - Fenerbahçe (2), Dínamo de Kiev e Arsenal);
- 2,2 milhões pelo acesso aos oitavos-de-final;
- 2,5 milhões pelo acesso aos quartos-de-final;
- 2 milhões do market pool televisivo (o valor exacto é 1,992 milhões);
- 3,5 milhões de receitas de bilheteira (total aproximado para os cinco jogos realizados no Dragão, sem contar com os dragon seats).

Este valor – 18 milhões de euros – representa mais seis milhões em relação ao previsto no orçamento da FCP SAD para 2008/09 e é o segundo mais alto de sempre, atrás apenas das receitas garantidas em 2003/04, época em que os dragões conquistaram a Liga dos Campeões.

Confrontado com estes números, o Dr. Fernando Gomes foi ainda mais longe referindo que o FC Porto tinha ganho "muito mais que os 18 milhões de que se tem falado nos últimos dias". Segundo o administrador da FCP SAD responsável pela área financeira, os proveitos eram "difíceis de quantificar", acrescentando que "não é fácil avaliar com exactidão a valorização que sofreram os nossos jogadores depois de estarem expostos naquela que é a maior montra do futebol europeu e Mundial, mais ainda quando foram capazes de demonstrar todas as competências técnicas que são reconhecidas nacional e internacionalmente".

Três meses depois, já se consegue ter uma ideia aproximada do impacto que as exibições na Liga dos Campeões tiveram na valorização dos jogadores do FC Porto. Os números envolvidos nas transferências do Lucho, Lisandro e, principalmente, do Cissokho são elucidativos, tendo ainda sido referido o interesse de diversos clubes em Bruno Alves, Raul Meireles e Fernando (o mercado continua aberto até 31 de Agosto).
Mas se a Liga dos Campeões serve para valorizar alguns "activos" também é impiedosa, funcionando em sentido contrário quando as equipas/jogadores desiludem e chumbam neste autêntico teste do algodão. Foi o caso do Sporting, que teve desempenhos desastrosos perante o Barcelona e Bayern Munique. Apesar da necessidade premente que a Sporting SAD tem em vender, o mercado parece ignorar os seus principais jogadores e não há quem se chegue à frente para contratar os supostamente apetecidos Miguel Veloso, Moutinho ou Liedson.

Questionado no JOGO de ontem se seria possível avaliar que efeitos teria tido a eventual ausência do FC Porto na última edição da Liga dos Campeões, Fernando Gomes respondeu:
"É quase impossível fazer uma avaliação dos custos que teria tido essa ausência, porque estamos a falar de efeitos directos e indirectos. Em termos de efeitos directos, entre receitas de bilheteiras, direitos e prémios de performance, estaremos a falar de qualquer coisa como 15 a 18 milhões de euros. Depois teríamos os efeitos indirectos que se reflectem na valorização dos jogadores. Se pensarmos que o Cissokho, por exemplo, nunca teria jogado em Madrid e em Manchester, se considerássemos que o Lisandro e o Lucho também não teriam essas montras ao seu dispor, estamos a falar de um efeito que podia facilmente atingir as dezenas de milhões de euros."

Percebe-se, pois, a ânsia do SLB em afastar o FC Porto da Liga dos Campeões e o desespero que os invadiu após a derrota estrondosa que tiveram no TAS.

Foto: Loja da Gucci na 5ª avenida, a rua comercial mais cara do mundo

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Uma pergunta a ... - V

Ou melhor duas:

- O projecto Visão 611 não 'obrigava' à entrada anual de 3 jogadores oriundos da formação no plantel principal?

- Por que motivo o Baía não teve uma festa de homenagem?

A "Superliga Europeia": o Regresso da Febre do Ouro


Pela voz de um conhecido promotor castelhano de espectáculos de circo, F. Perez, a peregrina ideia da “Superliga Europeia” voltou à “actualidade noticiosa”. Uma coisa me deixa logo de pé atrás quando se fala desta competição: é que, curiosamente, tanto o Sr. Perez como todos aqueles que antes ou agora defendem esta ideia, nunca o fazem alegando benefícios de ordem desportiva. É de facto bizarro a ideia de uma competição desportiva ser apenas defendida com base em argumentos de ordem financeira. Decerto isto significa que, desportivamente, pouco há a dizer em abono de uma prova desta natureza. E, de facto, uma coisa é vermos algumas vezes por época pela televisão as principais equipas europeias a defrontarem-se, ou recebê-las no nosso estádio, outra bem diferente seria isso passar a ser um acontecimento semanal. Estou em crer que, passada a novidade, o sucesso da prova não seria assim tão retumbante. O que torna a Liga dos Campeões especialmente apetecível é também o facto de se “fazer rogar”, de não ser uma rotina semanal. Para isso existe o “rame-rame” semanal dos campeonatos nacionais.


O conceito da “Superliga Europeia” fora enterrado com o alargamento da Liga dos Campeões, garantindo às ligas mais fortes quatro presenças na competição. Ninguém tem voltado ao assunto nos últimos anos, tendo a ideia apenas regressado à superfície, como referido no início, pela boca do mencionado empresário de espectáculos circenses. Mas não me parece que tenha, neste momento, pés para andar, ainda para mais vinda de quem vem, um personagem olhado de esguelha pela maioria dos outros principais clubes da Europa.

A mais grave consequência previsível da criação desta competição seria a morte das ligas nacionais, pelo menos tal como agora existem. O futebol não pode sobreviver sem a solidez da sua "pirâmide". Se a base ruir, o topo cairá também.

Nós portistas gostamos de atacar Benfica e Sporting e de vê-los pelas ruas da amargura, mas, no fundo, sentiríamos a falta deles se deixássemos de jogar contra eles regularmente. Precisamos deles um pouco como o Mouzinho precisava do Gungunhana em Chaimite, é verdade, mas também é dessas rivalidades que se alimenta o futebol. Basta ver, por exemplo, que, na Premier League, os grandes derbies de Liverpool, Manchester e Londres têm regularmente maiores assistências que a maioria dos jogos em casa das equipas inglesas na Liga dos Campeões, e, mesmo por cá, temos melhores assistências contra o Benfica e o Sporting que em muitos jogos da LC. Uma coisa é o gozo que dá ganhar a esses clubes, outra, bem diferente, seria ganhar a Man. U., Real Madrid ou Milan: saboroso, sem dúvida, mas sem aquele gozo interior que transborda à 2ª feira de manhã para o colega de trabalho que tem o azar de ser benfiquista ou sportinguista. E mesmo sob o ponto de vista estritamente financeiro, se tal competição nos permitiria alcançar maiores receitas, também, provavelmente, ela serviria para cavar ainda mais o fosso que nos separa dos clubes mais ricos da Europa, pois nada faz crer que a distribuição das receitas provenientes dos direitos televisivos viesse a ser feita de modo diferente do actual, isto é, privilegiando os clubes de países mais populosos e com, consequentemente, maiores mercados televisivos.

Na minha opinião, aqueles que, por essa Europa fora, possam achar que o futuro do futebol está numa superliga, podem perceber muito de cifrões e de marketing, mas não percebem nada das paixões e dos valores desportivos de quem gosta mesmo de futebol. Acho que, ao deixarem-se fascinar pelos milhões que uma superliga poderia dar a ganhar aos seus clubes, estão essencialmente a olhar para o curto prazo e para o seu umbigo, esquecendo o futuro do futebol em geral.

domingo, 19 de julho de 2009

SMS do dia: LXX

Na transferência de Cissokho para o Lyon, e de acordo com a informação enviada à CMVM, «A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD garantiu ainda 20% da mais valia que o Olympique de Lyon vier a obter como resultado duma eventual transferência do jogador.»

Ora, ao contrário do que a generalidade (toda?) a comunicação social referiu, 20% da mais valia não é a mesma coisa que 20% do valor de uma futura transferência do Cissokho. Ou seja, a FCP SAD só receberá alguma coisa, se o Lyon vender o Cissokho (evidentemente) e por mais de 15 milhões.

Exemplo: Se o Lyon vender o Cissokho por 20 milhões, o FC Porto receberá 1 milhão (=20% de 5 milhões) e não 4 milhões (20% do valor da transferência).

Gommendy desilude em Zolder


Ao contrário das expectativas, o início da temporada 2009 da Superleague Formula não está a correr bem ao carro do FC Porto, novamente pilotado pelo francês Tristan Gommendy.

Na prova deste fim-de-semana, que decorreu no circuito de Zolder, na Bélgica, Gommendy partiu do 5º lugar da grelha para a primeira corrida, mas terminou em 12º (num total de 18), sendo o último dos pilotos classificados na corrida.

Relativamente à segunda corrida, a que assisti na TVI24, pude constatar que a performance do binómio piloto/carro foi muito fraca. Partindo do 7º lugar da grelha, o carro do FC Porto nunca mostrou um andamento ao nível dos da frente, quer na parte inicial da corrida, ainda com a pista molhada e pneus de chuva, quer após a passagem pelas boxes, quando todos os pilotos em prova mudaram para pneus slick. Para ajudar à festa, a própria equipa deu um tiro no pé, não aproveitando a oportunidade para mudar imediatamente de pneus logo após o safety car entrar em pista.
Gommendy não ultrapassou um único carro mas, beneficiando de muitas desistências, terminou a segunda corrida em 7º, sendo o antepenúltimo dos pilotos classificados.

A próxima prova vai ser daqui a 12 dias, em Donington Park. Até lá, muita coisa tem de melhorar para que o carro do FC Porto possa disputar os primeiros lugares.

O Campeão já fumega


Estranho sentimento este, apesar da vitória robusta e segura do FC Porto, paira no ar um sentimento de orfandade, de vazio. Nada que tenha directamente a ver com a exibição Portista em si, mas pela ausência de três Reis Magos que compuseram o filão azul e branco nos últimos anos, Lucho, Lisandro e Pedro Emanuel. É no retorno ao estádio, no principiar de cada época, que verdadeiramente processamos a cíclicas perdas das nossas estrelas, pese a do nosso ex-Capitão derivar de uma razão diferente.

Precisamente, na merecida e justa homenagem ao nosso bravo Pedrão, esteve o ponto alto da apresentação do plantel da noite passada. Diante de um público que não lhe regateou aplausos, com todo o grupo de trabalho em 1ª fila a assimilar a gratidão que recaí em quem se dedica à causa do Dragão, fez-se o tributo nosso Grande Campeão, de forma particularmente emotiva.



Aos novos que chegam, aprendam com Pedro Emanuel se puderem. Porque homens como ele, não estão de passagem, são dos ficam…

No que ao encontro com o AS Mónaco diz respeito, Jesualdo Ferreira, face as contingências das lesões que assolam o plantel e ainda sem Falcão e Valeri, dispôs no novo relvado do Dragão o 11 possível, que voltou a dar boa conta de si, à semelhança do que havia feito com o Leixões. A exibição não foi tão exuberante como na passada Quarta em Aveiro, Cissokho já rumou a Lyon, mas equipa voltou a mostrar boas práticas de outros tempos.

Raul Meireles, talvez por herdar a histórica camisola 3 de Pedro Emanuel, mas também pela partida de Lucho, vem chamando a si a responsabilidade de indicar o caminho correcto aos seus companheiros. E faz com acerto. Belluschi, ainda em fase de reconhecimento dos terrenos que pisa, tenta seguir as pisadas do Português, salpicando com classe o seu jogo.



Sem grandes espalhafatos e chinfrins tão típicos da 2ª Circular, Jesualdo vai moldando a sua equipa em conformidade com as suas ideias. As peças vão encaixando harmoniosamente, mesmo faltando ainda lançar algumas pedras de potencial valor. O caminho está traçado, com o mesmo objectivo de sempre, rumo à vitória!

Fotos: Jornal de Notícias

sábado, 18 de julho de 2009

Uma questão de prestigio e dinheiro


“Benfica garante melhor marcador da Argentina”, garantia o Record em Janeiro de 2005. Uns meses depois, no arranque para a época 2005/06, Lisandro Lopez assinava pelo FC Porto, onde jogou quatro anos, conquistou um tetracampeonato e foi agora vendido ao Lyon por 24 milhões de euros (com a possibilidade de chegar a 28 milhões).

Há um ano atrás, o Benfica tudo fez para manter nas suas fileiras aquele que tinha sido o melhor jogador encarnado da época 2007/08 – o internacional uruguaio Cristian Rodriguez. Contudo, não tendo exercido a opção de compra do passe em devido tempo, não teve capacidade financeira para disputar o leilão com o FC Porto e “Cebola” foi para o Dragão, onde substituiria Quaresma (vendido ao Inter de Milão por 18,6 milhões mais o passe de Pelé).

“Na Roménia com o novo defesa-esquerdo do Benfica”, titulava A BOLA com grandes parangonas em 16 de Maio passado. Afinal, três semanas depois o FC Porto chegava a acordo com o Cluj e garantia a contratação de Alvaro Pereira (uma alternativa para o caso de se confirmar a transferência milionária de Cissokho), com o internacional uruguaio a afirmar ter assinado pelos azuis-e-brancos em apenas 4 minutos. Que crueldade!...

O último exemplo dos jogadores que estiveram com um pé e meio na Luz, cuja contratação foi dada como certa, ou quase, pela comunicação social e que acabam por vestir a camisola azul-e-branca é Falcao.

Este conjunto de contratações falhadas, além de servirem para ridicularizar a “imprensa vermelha”, provocam um enorme desconforto nos dirigentes benfiquistas, ao ponto de o site do clube publicar comunicados justificadores de não-contratações (!) e de o director desportivo – Rui Costa – ter necessidade de afirmar que o Benfica “não está à procura, nem nunca procurou contratar jogadores para não irem para o FC Porto ou porque o FC Porto está interessado”.

Mas mais importante do que achincalhar o rival, ou ganhar o campeonato das contratações que são disputadas entre os dois clubes, interessa analisar estes casos com frieza e de forma racional. Se o fizermos, é muito fácil perceber porque razão, quando têm hipóteses de escolher, os jogadores preferem o FC Porto em detrimento do SLB.

Em primeiro lugar é uma questão do prestigio que os dois clubes têm no Mundo. Por mais voltas que se dê, por mais manipulações jornalísticas que se façam, nas últimas duas décadas não há comparação possível entre o desempenho e conquistas internacionais de “águias” e “dragões. Aliás, é preciso recuar à década de 60 para se encontrar um “grande Benfica”, o que significa que só os pais, ou avós, dos actuais jogadores terão visto a actuar a equipa onde pontificava Eusébio. O mito de que há jogadores estrangeiros que sonham jogar no Benfica, não passa disso mesmo: um mito.

Depois há as perspectivas de valorização do próprio jogador. Conforme Jorge Maia escreveu em ‘O Jogo’, “temos de convir que é apenas normal que um jogador prefira jogar no tetracampeão português quando a alternativa é o terceiro classificado, que prefira ter a oportunidade de disputar a Liga dos Campeões em vez da Liga Europa e que opte pela oportunidade de actuar num dos clubes europeus que mais valorizam os seus activos em vez de jogar num clube valorizado especialmente pelo seu passado”.

Last but not the least, o carcanhol. Um dos slogans propagandeados pela actual direcção benfiquista é o pseudo equilíbrio financeiro e que o SLB não precisa de vender jogadores. Isto até pode ser verdade, mas só enquanto houver Bancos que emprestem dinheiro para tapar os buracos de exploração (vamos ver até quando). Contudo, o que estes casos demonstraram não é a apregoada saúde financeira, mas sim uma enorme debilidade económica na hora de discutir salários, valores de passes e formas de pagamento. Ora, como há muito deixou de haver jogadores a jogarem por amor à camisola...

Em resumo, prestigio, perspectivas de valorização e, principalmente, capacidade financeira, são estes aspectos que aos olhos dos jogadores e respectivos clubes marcam a diferença actual entre o FC Porto e o SLB. O resto é folclore.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Razia de lesões

«Jesualdo Ferreira vai ter de improvisar para o jogo de apresentação aos sócios e adeptos do F.C. Porto. O técnico dos azuis e brancos não tem nenhum dos três laterais direitos disponíveis e Tomás Costa será adaptado ao lugar na partida contra o Mónaco.
(...)
Jorge Fucile, Miguel Lopes, Sapunaru, Farías, Orlando Sá e Rodriguez continuam afastados dos trabalhos do restante plantel. Os dois primeiros ainda subiram ao relvado na parte final do apronto mas limitaram-se a correr em ritmo lento. Todos eles, ao que tudo indica, estão fora de combate para o duelo com o Mónaco.»
in Maisfutebol, 17/07/2009


Ainda agora começou a época (treinos) e já há seis lesionados. É certo que dois deles - Miguel Lopes e Orlando Sá - ainda estão a recuperar de lesões/operações da época passada, mas também é verdade que nos restantes quatro já lá estão dois clientes habituais do departamento médico: Sapunaru e Fucile.

Os 15M do Lyon valem menos que os do Milan

"Não há a mínima abertura para rever as condições do negócio. É inaceitável pensar-se que vamos admitir um empréstimo quando o próprio médico do Milan disse que o problema nos dentes não era impeditivo do jogador continuar a jogar. Ou querem o Cissokho e o negócio faz-se por 15 milhões ou não querem o jogador e não há problema nenhum porque não fui que o quis vender. Não há outra solução. Se o Milan vier com a proposta que foi acordada no início, podemos pensar vendê-lo. Menos um euro do que isso, então o Cissokho não sai do F.C. Porto."
Pinto da Costa, 24/06/2009


"Responsáveis da direcção do Lyon vão fazer uma nova proposta hoje. Ligaram ontem a perguntar se podiam reunir-se connosco para concretizar a intenção. Não têm acordo com o jogador e se oferecerem 15 milhões o Cissokho não sai"
Pinto da Costa, 17/07/2009


Pelos vistos, o Pinto da Costa está disposto a esticar a corda para sacar mais uns milhões ao Lyon. Espero que consiga, mas também não me importo se os franceses desistirem e o Cissokho continuar de dragão ao peito.
Quem não deve estar a achar muita graça é o jogador e o seu empresário.
Esta novela promete...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fiquei com apetite de ver mais!


O FCP estreou-se ontem de forma pública. Foi um bom treino, com uma primeira parte muito entretida e com alguns jogadores a mostrar um bom nível neste arranque da temporada.

Afinal, o FCP apresentou-se segundo o modelo tradicional de JF e a equipa movimentou-se muito bem.

Belluschi foi uma boa surpresa: mostrou-se bom de bola, com boa movimentação e muito bem a explorar os espaços abertos junto da área do Leixões.

Tivemos bons momentos em que a bola circulou muito bem e a que só faltou o passe mais certeiro e de ruptura, o um contra um (ou dois) mais eficaz, ou uma maior espontaneidade no momento do remate.

Hulk, muito activo, foi um perigo permanente, Varela esteve muito em jogo mas nem sempre foi suficientemente acutilante no momento do remate ou no duelo que travou com Laranjeiro. Prometeu e parece ser reforço.
Destaco ainda, Fernando, a um nível já muito elevado, a jogar mais à frente do que é costume colaborando de forma decisiva no encolhimento do Leixões, e o empenhamento de Mariano que fez parte do trio que jogou os 90 minutos.

Gostei de Maicon e Cissokho que esteve muito activo: acho que vamos sentir a sua falta se sair. Nuno André Coelho esteve irregular e perdeu alguns passes em zona proibida. Como defesa direito limitou-se a cumprir, sem grandes rasgos. A rever.

Na segunda parte estivemos mais intermitentes, mais cansados e o jogo não fluiu tão bem, nomeadamente porque o meio campo esteve menos assertivo, um pouco também por mérito do Leixões que subiu um pouco no terreno e foi capaz de cortar melhor as linhas de passe.

Apesar disso, tivemos mais oportunidades de golo que na primeira parte, porque o jogo foi mais partido e o Leixões não foi capaz de jogar com igual intensidade em todo o campo e abriu mais a sua linha defensiva.

O novo reforço, Álvaro Pereira, pareceu-me bom a atacar. Falta ver um jogo em que desempenhe a tempo inteiro o lugar de defesa esquerdo.

Uma última palavra para a exibição do árbitro que esteve mal e frequentemente mal auxiliado, e para Raul Meireles que teve uma entrada perigosa e protestou de forma excessiva a marcação da grande penalidade, que constituiu um dos erros grosseiros cometidos pelo árbitro que teve uma actuação ao estilo Robin dos Bosques.

O sistema e o modelo de jogo continuam à boa maneira de JF. Como diria o grande Octávio mais importante que a táctica é a dinâmica da equipa. E, ontem, quer o sistema quer a dinâmica não pareceram incompatíveis, ora quando circulámos mais a bola, ora quando contra-atacámos ou jogamos mais no controlo do jogo.

Boa estreia e boas perspectivas. Gostei!

O Adepto Bairrista e o Adepto da "Marca"


1. Quando, na Final da Taça de Portugal da última época, as equipas subiram ao relvado, cerca de 10.000 espectadores equipavam de amarelo, a cor do Paços de Ferreira, o nosso adversário naquela partida. De onde vinha tanta gente? De Monção? De Miranda do Douro? De Vila Real de Santo António? A questão parece descabida e a resposta é evidente: mas, claro que vinham de Paços de Ferreira!

E qual a razão pela qual esses adeptos do Paços viriam todos da sua terra? Bolas, mais uma pergunta estúpida! Será assim tão estúpida? Experimente-se então perguntar agora de onde vinham os cerca de 25.000 portistas presentes no Jamor. Sem dúvida que a maioria viria do Grande Porto mas, com a Final nos arredores de Lisboa, decerto muito portista da capital ali estaria presente.

2. Há uns 10 anos fiquei meio estupefacto quando, seguindo pela televisão um jogo do FC Porto em Faro, reparei num cartaz que dizia “Dragões de Olhão”. Foi aí que comecei a reparar no crescente fenómeno dos portistas da “província”, para roubar um termo tão caro ao vocabulário lisboeta. O F.C.P. parecia estar também a ser acometido por um fenómeno que há muito existia em Benfica e Sporting. Todos nós conhecemos (de “ginjeira”, diria eu) os famigerados benfiquistas do Norte, particularmente do Minho e dos desertos futebolísticos do planalto transmontano, aliás a espécie mais aferroada de vermelhuscos. A incidência do lagartus nortensis vulgaris (Linnaeus) é muito menor, estando a espécie claramente em vias de extinção, provavelmente sendo até já uma espécie protegida (não está ainda determinado o impacto do CO2 de origem humana na rápida diminuição desta espécie zoológica).

3. A origem dos fenómenos citados em 2. está nos períodos de êxito, mais ou menos alargados, de cada um dos clubes. O portuense médio, adepto do F.C. Porto, tê-lo-ia também sido mesmo que o seu clube não tivesse atingido o fulgor dos últimos 25 a 30 anos. O mesmo se diga do bom lisboeta adepto do Benfica ou do Sporting em relação aos períodos dourados daqueles emblemas. Mas o êxito dos três clubes fez transbordar a respectiva massa adepta para fora do seu habitat natural. De hoje em dia já há, pelos vistos, mais portistas que belenenses em Lisboa. E o número de benfiquistas assumidos terá de novo aumentado na Invicta com o naufrágio do Boavista, embarcação onde muitos deles se tinham refugiado e da qual eram bem capazes de constituir a maioria da tripulação (possível explicação para o escasso amor clubista recentemente revelado por aquelas bandas).

4. Temos assim, e para nos centrarmos agora no F.C. Porto, duas espécies relevantes e distintas de adeptos: o adepto bairrista e o adepto a que poderia chamar-se “da marca” (nestes últimos não incluo, obviamente, os lisboetas com raízes no Porto ou no Norte, eles também adeptos bairristas em sentido lato). Este fenómeno vem tornar obsoletas, pelo menos no campo futebolístico, as proclamações contra os “mouros” e os gritos de “nós só queremos Lisboa a arder”, pois do outro lado da porta de Martim Moniz pode estar um “mouro” de cachecol azul-branco ao pescoço. Mas se o alargamento da base de adeptos só pode ser bem-vindo (e já haverá mais portistas que sportinguistas no país inteiro) já os assomos de alguns desses adeptos da marca se tornam, aos olhos dos portistas de sempre e de todas as estações, por vezes incomodativos. É que isto de ouvir “lições de portismo”, ou até de moral, de correligionários recém-convertidos não cai mesmo nada bem. É que muita dessa gente, como diria um amigo meu, se tivesse nascido vinte anos mais cedo, seria possivelmente adepta do Benfica ou do Sporting, e o portista bairrista acha que não tem de aturar esses “entusiasmos”. Essa é, contudo a atitude típica de todos os recém-convertidos: regra geral, a sua militância é mais radical. Mas o “núcleo duro” do F.C. Porto, aquele de onde o clube nasceu, onde sempre foi buscar os seus dirigentes, só pode ser o dos adeptos bairristas. Sem estes, o clube não existiria; com os outros, tornou-se apenas maior. Tornou-se também melhor?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Falcão voa para o Dragão




"Está feito. Depois de quase duas semanas de avanços e recuos, Falcao está garantido como reforço do FC Porto e deve viajar durante o dia de hoje para Portugal, apresentando-se nos trabalhos de pré-temporada que decorrem no Olival sob a orientação de Jesualdo Ferreira já amanhã.

O acordo foi alcançado ontem à noite na Argentina, madrugada em Portugal, e a determinação do avançado de jogar no FC Porto foi decisiva para a conclusão de um negócio que se complicou inesperadamente."


Depois dos diversos "wishful thinkings" dos pasquins lisboetas, cá está, para variar, o mais recente reforço para o ataque do FC Porto, aquele que será um provável substituto de Lisandro Lopez. Trata-se do ex-ponta-de-lança do River Plate, Radamel Falcão, caracterizado assim há 2 anos atrás por Luís Freitas Lobo, o especialista em prospecção de craques cá do burgo: “goleador colombiano já crescido na cantera galina. É um pouco parecido com Angel, outro avançado centro colombiano que também passou pelo River, na forma de jogar. Gosta de recuar fugindo às marcações, procurar tabelas com companheiros e procurar depois espaços livres de desmarcação na área, rematando sempre que possível. Não é muito forte fisicamente (1.75m e 78kg) mas nunca pára de lutar durante os 90 minutos.”
O FC Porto comprou 60% do passe do jogador por 3,9 milhões de euros que assinou contrato válido para as próximas 4 épocas, conforme comunicado da SAD à CMVM.