segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"o que eu queria..."

Luís Filipe Vieira (LFV) - Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
Valentim Loureiro (VL) - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... pode vir o João. Agora o que eu queria... Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty!...


Este extracto de uma conversa telefónica entre Luís Filipe Vieira e Valentim Loureiro, ocorrida em Março de 2004, a propósito da escolha do árbitro para apitar o jogo SLB x Belenenses das meias-finais da Taça de Portugal de 2003/04, faz parte das escutas do Apito Dourado e é bem conhecido de todas as pessoas que estão atentas ao fenómeno desportivo. Estranhamente, não mereceu a mínima investigação por parte dos agentes da Justiça, nem que fosse para perceber o que o Vieira queria dizer quando afirmou que já estava a tratar do assunto por outro lado... Os alvos eram outros e, talvez por isso, o presidente do clube do regime nunca esteve sob escuta. Mas mesmo sem investigações, o que fica claro é a preferência do presidente do SLB por árbitros como João Ferreira e Paulo Paraty. Como eu o compreendo...

Ao fim de vinte e sete épocas, o engenheiro Paraty terminou a sua carreira na arbitragem no final da época 2007/08 (para grande tristeza dos benfiquistas), devido ao limite de idade. Pouco tempo depois, demonstrou vontade em suceder a António Sérgio à frente da direcção da APAF, mas acabou por não ir a votos, deixando o caminho livre para o regresso de Luís Guilherme.


Entretanto, foi aparecendo esporadicamente na televisão, normalmente a convite do benfiquista mais famoso de Paredes, para comentar situações de arbitragem e também manteve uma colaboração com o jornal Record, numa rubrica designada Consultório Técnico.

Esta semana, o jornal O JOGO (detido pela Controlinveste) apresentou o seu novo painel de ex-árbitros que, semana após semana, comenta os casos de arbitragem dos principais jogos. O painel foi reformulado, tendo saído Rosa Santos e António Rola e entrado Pedro Henriques e... Paulo Paraty. Mais um sinal do bom relacionamento entre Joaquim Oliveira e Luís Filipe Vieira?

Como seria de esperar, logo na sua primeira intervenção Paulo Paraty mostrou ao que vinha, senão vejamos:

15': Cardozo agride Sapunaru com uma cotovelada na área do FC Porto? Justificava-se sanção disciplinar?

Cardozo atinge, com o cotovelo, Sapunaru. Difícil para o árbitro é ter acesso ao lance com a clarividência da repetição da televisão e perceber a intenção do atleta, que procura a posição. Aceito a decisão.

41': César Peixoto comete falta sobre Varela merecedora de cartão vermelho?

Parece-me que há falta grosseira de César Peixoto. Creio que, para além da primeira falta, depois ainda calcou o Varela, e não houve qualquer sanção disciplinar. Mesmo o cartão amarelo, dado o que aconteceu, seria insuficiente.

53': Aimar deveria ter visto o segundo cartão amarelo por jogo perigoso sobre Belluschi?

O árbitro fez e bem a gestão do jogo. Aimar tinha acabado de ver um cartão amarelo. Por isso aceito a decisão do árbitro; teve e tinha de aguardar algumas faltas.

57': Falta de David Luiz sobre Sapunaru justificava a exibição do cartão vermelho e não do amarelo?

Está nos limites. De facto, é mais uma falta de David Luiz, uma situação extrema. Se fosse a primeira vez, era aceitável o cartão amarelo, mas talvez se justificasse o cartão vermelho.

78': Entrada de Carlos Martins sobre Belluschi foi faltosa e merecedora de sanção disciplinar?

Entendo que seria motivo para marcar falta; terá escapado ao árbitro. Quanto à gravidade, não me parece um lance maldoso. Deveria ter sido marcada apenas a falta.

Apreciação global: Árbitro demonstrou domínio, controlo e capacidade de liderança suficiente para que o jogo chegasse ao fim com equipas completas. Para quem gosta de arbitragens à inglesa, João Ferreira esteve bem.


Os destaques a negrito são da minha responsabilidade e dispensam mais comentários.

O Paulo Paraty tem mais jeito e dá menos nas vistas que o António Rola, mas não deixa de ser interessante apreciar a sua "ginástica" argumentativa ("parece", "creio", "era difícil para o árbitro", "talvez se justificasse", etc.) para tentar justificar o injustificável.

Fotos do jogo: Blogue 'Mais Portista'

domingo, 8 de agosto de 2010

Atitude

Para quem assobiou, gritou e protestou no Dragão em demasiados jogos da época passada percebe facilmente a simples diferença que este FC Porto apresentou esta noite em Aveiro. Embora com Sapunaru e Maicon a substituir Fucile e Bruno Alves, o onze apresentado por André Villas-Boas apenas tinha uma novidade e verdadeiro reforço: João Moutinho. Os restantes já eram caras conhecidas e regulares na época passada. Bastou a equipa mudar de atitude (tínhamos obtido um cheirinho no último jogo contra o SLB) para dominar o jogo e levar a 17ª Supertaça com inteira justiça. O FC Porto jogou com «técnica e intensidade» e foi assim uma equipa difícil «de segurar».

Jogar desde o primeiro minuto, não ficando na expectativa ou dando 45 minutos de avanço tem destas coisas. Aos 3 minutos de jogo, após perigosa jogada de Moutinho que Varela não conseguiu concretizar, Rolando abriu o marcador respondendo de cabeça a um canto bem marcado. Não há cá bolas bombeadas para segundo poste: tenso e para a pequena área onde o senhor 8 milhões anda aos papéis.

E a seguir não se voltou costas ao ataque. Procuramos dominar, pressionar, atacar e a colocar o Benfica em sentido. O jogo não foi táctica, não foi 4-3-3 ou 4-4-2, não foram processos assimilados ou por assimilar. Não foi ciência ou estudo, foi atitude à Futebol Clube do Porto: entrar, dominar e jogar para ganhar. Marcamos primeiro e isso deu tranquilidade e confiança à equipa.

Na segunda parte, os portistas geriram a vantagem, desmantelando facilmente qualquer tentativa de pressão benfiquista. E aos 67 minutos Falcão decidiu descansar a sobressaltada comunicação social. Bela abertura de Álvaro Pereira e Varela - um dos melhores em campo - com uma excelente jogada assiste Falcão que marca num estupendo remate. Estava selada o primeiro título de Villas-Boas, o 50º de Pinto da Costa e a 17ª Supertaça Cândido Oliveira do F. C. Porto.

Para quem assistiu ao jogo não supreendeu tanto o resultado, mas sim o facto do SLb ter acabado o jogo com onze jogadores. Ao contrário do que se esperava, a Jabulani não é a grande novidade desta época. A grande inovação para a época 2010/2011 é a possibilidade de um árbitro poder provocar um jogador para advertir com amarelo se este reagir à provocação. Belo!
A carreira de João Ferreira está em nítida ascensão, competindo a grande nível para ultrapassar Bruno Paixão no topo da incompetência e subserviência.

E justiça seja feita aos pessismistas, porque este FC Porto não se viu nem se pressentiu na pré-época. Já percebemos, estava escondido para os jogos a sério. Ainda bem! Resta continuar o trabalho, já que precisamos de melhorar em muitos aspectos e precisamos de alternativas: contamos com James (o Rrrrrraaaamés), Souza, Castro, Ukra e, caso Fucile deixe o clube, um reforço para o lado direito.

sábado, 7 de agosto de 2010

Continua a pouca vergonha


Não vou falar das incidências do jogo, nem dos aspectos positivos (que foram muitos) e negativos (que também os houve). Outro dos autores do blogue irá publicar um texto sobre este SLB x FC Porto.
Digo apenas que assistimos a mais uma arbitragem escandalosa, na linha de muitas que vimos na época 2009/10. A impunidade de que os jogadores encarnados beneficiaram, fez lembrar a arbitragem de Olegário Benquerença no SLB x Nacional da época passada.
Cardozo (15'), César Peixoto (39'), Carlos Martins (n vezes) e David Luiz (57') só não foram expulsos porque o senhor João "pode ser" Ferreira não quis. Uma autêntica vergonha!

O FC Porto ganhou, mas esta arbitragem não pode passar em claro. É imperativo que, desde já, alguém da estrutura do FC Porto chame os bois pelos nomes, porque depois será tarde demais.

Férias longas e preparação curta


“Salta à vista um Benfica com hábitos de treino e de jogo assimilados ao mais alto nível. O Sporting passa pela mesma transformação que nós, com a mudança de hábitos.”
André Villas-Boas, 30/07/2010


Ao contrário do SLB, que fez uma digressão de final de época, o plantel do FC Porto entrou de férias no dia seguinte à final da Taça de Portugal, disputada em 16 de Maio.

Inicialmente, estava previsto os jogadores terem 39 dias de férias, visto o arranque da época 2010/11 estar agendado para o dia 25 de Junho. Contudo, sem se perceber porquê, o início dos trabalhos foi adiado e passou para o dia 2 de Julho, cerca de uma semana após os encarnados e duas após os “leões”. Terá sido por indicação do novo treinador?

Os 46 (!) dias de férias não me preocupariam por aí além, se o treinador fosse o mesmo e o plantel não registasse mais do que duas ou três entradas e saídas mas, como se sabe, a situação não é essa. É o próprio AVB quem afirma que o FC Porto está a passar por um processo de transformação, com mudança de hábitos.
Habitualmente, estes "pormenores" não eram descuidados pela máquina portista, mas também não é costume vermos jogos anunciados (Marselha) a serem anulados porque, supostamente, iriam ser substituídos por uma digressão a Angola que... não se realizou!

Com tudo isto, se descontarmos os jogos contra o Tourizense e os amadores alemães, constatamos que um FC Porto em transformação apenas disputou quatro jogos: Trabzonspor, Ajax, Sampdoria e PSG/Bordéus (*).

Ora, atendendo ao facto do treinador ter mudado e de, para já, o plantel ter nove jogadores novos – Kieszek, Sereno, Emídio Rafael, Souza, Moutinho, Castro, Ukra, James, Walter –, não teria sido prudente começar a época mais cedo e programar mais três ou quatro jogos de preparação?

Hoje termina a silly season (pré-temporada) e começam os jogos a sério. O AVB diz que estamos prontos e eu quero acreditar que sim. Por isso, independentemente do que se passou para trás, se logo à noite o FC Porto vencer a Supertaça, ninguém se lembrará dos 46 dias de férias e dos escassos jogos de preparação. Quem ganha tem sempre razão e o resto é conversa. Contudo, se o resultado for desfavorável, espero que ninguém recorra ao argumento de que houve pouco tempo para preparar um onze capaz...

(*) Os jogos contra o PSG e o Bordéus foram disputados num intervalo de tempo inferior a 24 horas, obrigando a uma gestão de esforço impeditiva de, por exemplo, fazer correcções entre os dois jogos. Na prática, os dois jogos foram geridos como se fosse um único de 180 minutos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Genk, aqui vamos nós

Calhou o Racing Genk ao FCP no play off para a Liga Europa. É uma equipa bastante acessível, como seria sempre o caso (fruto do nosso estatuto como cabeças-de-série).

O Genk é um clube belga, e mais especificamente flamengo, da província do Limburgo (por curiosidade, do outro lado da fronteira com a Holanda, a menos de 100km, fica o nosso conhecido PSV). É um clube relativamente recente, tendo sido fundado apenas em 1988 (mas surgindo da fusão de dois clubes fundados cerca de 60 anos antes, o Winterslag - onde chegou a jogar o famoso Luc Nilis - e o Thor Genk).

O clube terminou a época transacta, de certa forma, em 7o lugar na Liga belga (ou Jupiler Pro League, sendo Jupiler uma marca de cerveja belga - uma coisa em comum com a nossa liga...). Digo "de certa forma" porque o formato é bastante complicado: na fase regular de 28 jogos ficou em 11o lugar, mas depois houve uma série de playoffs que apurou o Genk in extremis para um lugar de acesso na Liga Europa, jogando contra os clubes que ficaram entre a 7a e 14a posições na fase regular, sendo o melhor desses clubes nessa 2a fase.

Há um ano foram eliminados do acesso à liga Europa pelo Turku da Finlândia. A equipa, ao contrário de outras equipas belgas, é constituída maioritariamente por jogadores belgas.

Joga no estádio Fenix (rebaptizado como "Cristal Arena", sendo Cristal mais outra cerveja belga...) com uma capacidade de 25mil lugares - a 5a mais alta da Bélgica - e costuma ter uma das 3 assistências mais altas do futebol belga (cerca de 20mil espectadores em média, dos quais 18mil com lugar anual - claramente superior à de um Braga). Isto apesar da cidade contar com menos de 70mil habitantes (no entanto têm também bastantes adeptos na capital da província, Hasselt, uma cidade com 70mil habitantes a menos de 20km).

Curiosamente são conhecidos por "Genkies" ou de forma mais divertida os Estrumpfes ("De Smurfen"). Esperemos que estes estrumpfes não se agigantem - à partida o FCP tem todas as condições para passar este obstáculo sem sobressaltos, desde que se encare os jogos de forma profissional e sem sobrancerias.

PS - quando digo no título "aqui vamos nós" é para ser literalmente, já que ficando Genk a uma hora de minha casa tenho todas as intenções de lá ir apoiar o nosso FCP - se bem que arranjar bilhete provavelmente não vai ser nada fácil, tendo em conta a forma como enchem o estádio com os seus próprios adeptos e os 18mil lugares anuais.

Laboratório experimental em Paris


Conferência de imprensa de André Villas-Boas, no dia 30 de Julho de 2010, na véspera do primeiro jogo do Torneio de Paris:

[pergunta]: A uma semana da Supertaça, o FC Porto terá dois jogos em apenas dois dias. Vai apresentar equipas diferentes? O que espera deste torneio?

[AVB]: Vou fugir ao que tem sido escrito por vocês, que têm encarado este torneio como o ensaio do onze para a Supertaça, mas isso não é verdade. Haverá uma lógica de distribuição de minutos (...). O enquadramento é esse: fazer o que temos feito até aqui, acrescentar minutos a todos. (...) Sair daqui um onze para a Supertaça não irá acontecer, não tem cabimento.


No final da pré-temporada e a apenas 6-7 dias do primeiro jogo oficial, fez sentido ir a Paris, disputar dois desafios, com o único objectivo de distribuir minutos pelos jogadores?
Na minha modesta opinião de "treinador de bancada", pelo menos um dos dois jogos deveria ter servido para testar o onze que André Villas-Boas pretende apresentar na Supertaça. Aliás, se o tivesse feito, isso não impediria o treinador do FC Porto de, no outro jogo, fazer experiências e dar minutos aos restantes jogadores.

Mas, para além de acrescentar minutos a todos os jogadores, o Torneio de Paris serviu, acima de tudo, para identificar potenciais problemas e, nesse sentido, foi muito útil.

Não deve ser por acaso que a iminente transferência de Fucile há uma semana atrás, afinal ainda não se tenha concretizado. É que as exibições de Miguel Lopes e de Sapunaru não foram de modo a que treinador e dirigentes durmam tranquilos com a possível saída do lateral uruguaio. A SAD deve estar mais intransigente nas negociações.

Também no caso da dupla de centrais devem ter soado umas campainhas de alerta. Por aquilo que se viu, falta no plantel um central de categoria indiscutível para fazer dupla com Rolando ou Maicon, até porque Sereno mostrou estar ainda longe de poder ser uma alternativa credível.

Quanto ao meio-campo e ataque é preciso definir e encaixar as peças no puzzle. Fernando ou Souza? Belluschi ou Rúben Micael? Rodriguez, James ou Varela?
Partindo do pressuposto que Raul Meireles irá mesmo sair, do meio-campo para a frente só parece haver três “indiscutíveis”: Moutinho, Hulk e Falcao.

E o modelo de jogo? Nem o 4-4-2 de recurso usado no final da época passada, nem um 4-1-3-2 semelhante ao usado pelo SLB de Jorge Jesus foram testados. Aparentemente, o tão criticado 4-3-3 de Jesualdo Ferreira é como a Toyota, veio para ficar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Sherlock Holmes isto cheira a Esturro...


Anteontem dei aqui conta e fiz uns comentários a umas considerações de José Mourinho acerca da contratação de André Vilas Boas pelo F.C. Porto em entrevista ao Record. Entretanto fui alertado para o facto de na véspera, creio, também Rui Faria ter sido entrevistado pelo mesmo jornal. Referindo-se ao método de treino usado por ele e Mourinho, a certo ponto diz o Faria:

“A nossa filosofia de trabalho e os métodos de treino estão definidos. A sua operacionalização é um processo natural, apesar de complexo e de difícil execução da parte de outros que tentem imitar ou copiar. Ou seja, quem cria sabe a melhor forma de operacionalizar.”

Bem, eu não sou dado a teorias conspirativas, mas por outro lado também acho que raras vezes há coincidências. Num dia um fala de imitações dos seus métodos de treino, e no dia seguinte o outro refere-se a um ex-colega dos dois em termos deselegantes.


O meu amigo Dr. Watson, que consultei, não atingiu onde eu queria chegar, mas remeteu-me para o seu mestre, o incomparável Sherlock Holmes, assim uma espécie de Special One dos detectives (o Watson é o Faria). Sibilinamente Mr. Holmes disse-me: "I smell a rat", o que pode traduzir-se livremente em português como "Cheira-me a esturro".

Estejamos atentos a possíveis futuros episódios.

O último dos moicanos?

Com a saída de B. Alves, ficamos perante uma situação inédita na (longa) história do FCP: pela primeira vez vamos ter uma equipa titular sem um único jogador formado em casa (a não ser que haja uma enorme surpresa com uma titularidade improvável de Castro ou Ukra, tapados como estão pela concorrência de peso).

No ano em que fomos campeões europeus (e já bem dentro da "era Bosman") tínhamos 3 na equipa titular (4, se considerar o critério da FPF ou da UEFA de "formação" como sendo pelo menos 3 épocas completas até aos 21 anos: Deco a acrescentar a Baía, J. Costa e R. Carvalho). Se recuarmos 10 anos tínhamos também 4.

Curiosamente (ao contrário do que muitos possam pensar) se recuarmos a 86/87 (quando nos sagrámos campeões europeus) tínhamos "apenas" 3 (J. "Broas" Pinto, J. Magalhães e F. "bibota" Gomes): havia muitos portugueses, mas quase todos chegados já adultos ao FCP (mesmo jogadores que ficaram para sempre associados ao clube tendo cá passado muitos anos, como Frasco, Sousa ou André), ou então não eram titulares (como Zé Beto).

O marco histórico agora atingido deixa-me um pouco triste, mas será quiçá sinais dos tempos (tanto por razões externas - leia-se acórdão Bosman - como por razões internas). Isto não é uma crítica, apenas uma constatação de um facto e do sentimento que me provoca.

Mas um pequeno pormenor com que me deparei há uma semana deixa-me desapontado e será um pouco sintomático dos tempos em que vivemos: no "viveiro" de putos que é o campo da Constituição (recuperado de forma excelente pela SAD, diga-se de passagem) há em grande destaque a fotografia individual (em jeito de placa comemorativa) de vários jogadores do FCP, mas... em cinco, apenas um deles foi formado no FCP (B. Alves, sendo os outros Fucile, R. Micael, R. Meireles e Varela). Aliás, dois desses jogadores até estão no FCP há um ano ou menos (Rúben e Varela), sendo pois difícil considerá-los como "referências" a homenagear.

Penso que se de facto se quer inspirar os putos que lá treinam a tentar vir a ser alguém no FCP, seria muito mais adequado destacar jogadores formados na casa (como B. Alves, sim, mas também Baía, Domingos, J. Pinto, F. Gomes, etc...).

É que, e brincando um pouco com a situação, para alguns putos até pode passar uma mensagem implícita e subliminar do tipo: "rapaziada, se querem singrar aqui no FCP têm mais chances se vierem a ser... contratados de fora do clube, do que formados nestas instalações".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um Longo Domingo de Pré-Época

Por Filipe Sousa


Sem querer parecer o eterno optimista, que contra factos continua inutilmente a esgrimir argumentos, eu digo “vamos ter calma”. Esta pré-época, à semelhança de muitas outras nos últimos anos, a equipa do Porto não “aquece nem arrefece”. Lembro-me perfeitamente da última, em que o jogo também não entusiasmava, e até se questionou o valor do Falcao.

Antes de mais, é preciso ter em consideração que estamos, mais uma vez, a deixar-nos pressionar pelos resultados do Clube do Regime - se eles tivessem resultados semelhantes aos nossos, haveria da nossa parte tanta preocupação? É legítimo perguntar porque não temos resultados semelhantes aos deles, salvo as devidas diferenças e circunstâncias. É verdade que há um ano atrás, na estreia do Jorge Jesus, o Clube do Regime já distribuía goleadas a torto e a direito, nesta altura. É desejável igualar tais façanhas? Sim, mas isso não é garantia de nada. Essa equipa das goleadas, fez uma campanha mediana nas competições europeias, e só garantiu o campeonato na última jornada. E que me lembre, o Porto nunca fez grandes brilharetes nas pré-épocas em que conquistou os seus títulos mais relevantes.

No que respeita ao Torneio de Paris, duas derrotas são lamentáveis. Porém, e sem querer recorrer ao típico lugar-comum “mais vale perder agora do que mais tarde”, ou “os amigáveis não contam para nada”, há que considerar que jogamos duas vezes em dois dias, e os dois golos sofridos no 2º jogo foram em tudo semelhantes ao sofrido no 1º jogo. Parece-me que com dois jogos tão próximos, era extremamente difícil corrigir uma situação grave, e mais ainda quando os intervenientes (do lado do Porto) em ambos os jogos não eram os mesmos.

Precisamente aqui, reside também uma das causas para as duas derrotas: a qualidade dos jogadores. Qual Real Madrid de Queiroz, o Porto de Villas-Boas parece muito rico em soluções no meio e na frente, mas bastante limitado atrás, e aqui os principais rostos dessa limitação são Sereno e Rafael. Quanto ao primeiro, não tenho dúvidas de que é mais uma daquelas pseudo-golpadas do Pinto da Costa (e nada mais que isso), neste caso a tentar tirar desforço do Guimarães, por causa do folhetim Apito Final/Liga dos Campeões de há dois anos atrás. O segundo, pode ser uma aposta do treinador, mas no futebol não há certezas. O jogador pode ter dado indicações que tinha potencial para algo mais que a Académica, e agora pode não estar a corresponder às expectativas. Pelo menos, não custou 8,5 milhões...

Para compor o ramalhete, há ainda a questão do Bruno Alves, que “não joga, nem deixa jogar” – este, entre outros, um folhetim pouco habitual para os lados das Antas, mas infelizmente, cada vez mais recorrente. Tudo complicações para um treinador a quem, como referi antes, sempre temi mais a interacção com a SAD, do que propriamente a inexperiência - e quem é que o censura por ter aceite o desafio apesar desse senão? Confesso que fui daqueles que acreditei que os últimos desaires, potenciariam um “cerrar de dentes” (e fileiras), um abanão no marasmo dos últimos anos, que as vitórias esbateram mas não eliminaram. Mas até aqui tudo não passou de um ligeiro tremor, com a aposta arrojada no novo treinador.

Quanto ao próximo jogo, o primeiro a sério, por muito que queiramos afastar a sombra de uma derrota, há que considerar que, goste-se ou não, os outros são os campeões, logo são à partida superiores, partem em vantagem. Só perderam um fiteiro, que por acaso nunca sobressaía em jogos grandes, e o resto da equipa mantém-se. Nós temos um treinador novo, que tem tudo contra ele, e que acho merecedor de um bom período de tolerância. Além disso, acabamos de despachar o anterior, que para além de raras vezes conseguir resultados satisfatórios com equipas do nosso nível – a última hecatombe contra o SCP ainda está atravessada, mais que as goleadas do Arsenal – ainda acumulou algumas das mais vergonhosas derrotas da nossa história. Apesar das vitórias, a exibições pobres e resultados medianos, estamos nós habituados há 5 anos. Este ano, porém, ainda só estamos na pré-época e os alarmes já soam… A culpa é sempre do treinador? Ou será que este desassossego, implicado quase de forma inconsciente a Villas-Boas, não terá outra fonte?

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.


Foto: Record

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O zénite da carreira do Bruno?

«A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo de princípio com o Football Club Zenit St. Petersburg (Zenit) para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Bruno Alves pelo valor de 22.000.000 € (vinte e dois milhões de euros).»
in Comunicado da FC Porto SAD


Não sei se o Zenit irá ser o zénite da carreira do Bruno, mas quem deve estar radiante é o senhor Washington Alves.
Relativamente ao FC Porto, espero que já esteja apalavrado um defesa central de valia indiscutível, para entrar na equipa e render de imediato. Não podemos dar-nos ao luxo de esperar um ou dois anos.

P.S. É provável que o Bruno Alves vá ter saudades do clima e da comida portuguesa, mas pelo menos a camisola também é azul-e-branca...

Já cá faltava este...


"Costumo dizer que no futebol já nada me surpreende. (...). Muitos podem perguntar porque é que escolheram alguém que nunca foi treinador na vida, a não ser nestes dois ou três meses na Académica."

Entre outras palavras, com as quais aparentemente procura salvaguardar-se de uma possível carreira de sucesso de André Vilas Boas no F.C. Porto, foi assim que José Mourinho, respondeu à pergunta do Record sobre a sua opinião acerca da contratação daquele seu antigo adjunto para treinador do F.C. Porto. O azedume é presença regular nas declarações deste nosso antigo treinador (a não ser quando se faz veladamente ao lugar de sucessor de Sir Alex Ferguson), mas para falar assim, das duas uma: ou não está de boas relações com Vilas Boas (o que não é nada connosco e não devia perturbar o raciocínio de um homem frio), ou pretendeu mandar uma alfinetada de mau gosto ao clube que lhe deu renome mundial. Seja como for, podia ao menos reconhecer a coragem de Vilas Boas em treinar um clube de Palermo, mesmo tratando-se da sua cidade natal.

Optimistas "Porque Sim" e Pessimistas Inveterados

Alguém um dia disse que um pessimista não passa de um optimista bem informado. Nestas coisas do futebol, onde o indivíduo mais sensato e racional é capaz de se transformar num vesgo incorrigível, as coisas não são tanto assim.

Terminaram os jogos de pré-época do Futebol Clube do Porto e, francamente, vejo por aí uma onda de pessimismo que não pode estar fundada em qualquer avaliação racional do que até agora se passou. Eu nunca dei grande importância aos jogos de preparação e não era agora que ia começar a dá-la.

Claro que umas exibições bem conseguidas, com resultados a condizer, animam os adeptos e fazem-nos sonhar com grandes feitos na época que se avizinha. Mas quantas vezes a dura realidade da competição a sério não vem desmentir esses fogachos de pré-época. Nem tudo o que luz é ouro. Recordo, por exemplo, alguns espectaculares jogos de pré-época que o F.C. Porto fez em 2005/06 sob o comando de Co Adriaanse. Pois bem, todos nos recordamos que, assim que os jogos começaram a ser a doer, as coisas estiveram longe de ser brilhantes e só na segunda metade da época a equipa encarreirou. Por outro lado, também não é inédito uma equipa fazer umas pálidas exibições na pré-época e depois, paulatinamente, nas competições oficiais, ir levando a água ao seu moinho com segurança. Vem-me à memória, neste último caso, a pré-época de 1989/90, com Artur Jorge, subsequente à mãe de todas as limpezas de balneário, e em que os resultados foram confrangedores. O pessimismo grassava entre as hostes e a imprensa lisboeta, no seu papel de gato-pingado, fazia-nos o funeral. Todos sabemos o que a seguir se passou: essa equipa do F.C. Porto suplantou com mestria o Benfica de Eriksson Mark II.

Nesta pré-época as coisas não têm sido brilhantes. Tirando o jogo com a Sampdoria, tudo tem sido pouco eficaz e por vezes mesmo algo comprometedor. Às naturais reacções pessimistas tem sucedido aquilo a que poderia chamar-se de optimismo reactivo. Há indivíduos que acham que o portismo de cada um se mede pelo entusiasmo que demonstra, mesmo em alturas em que não há motivos aparentes para tal. Vai daí, quando vêem alguns seus correligionários a vaticinarem os piores dissabores, logo se empertigam e fazem profissão de fé na equipa e no técnico, enquanto vão mimoseando os pessimistas de "negativistas", "oposicionistas" (?) e até de "submarinos" (porventura uma subtil referência às famosas naves adquiridas pelo Estado Português). Estes são os optimistas "porque sim". Estão optimistas porque, no entender deles, é assim que um portista deve sempre comportar-se. Mas alguns deles vão dizendo que perder por poucos na Supertaça não será motivo de desalento. São os optimistas com seguro de vida.

Por sua vez, os pessimistas inveterados acham que de meia-dúzia de jogos com técnico novo (não falo dos jogadores novos, porque desses temos muitos todos os anos) pode concluir-se que o que aí vem não promete nada de bom. Ei-los a analisar minuciosamente as "transições" (pensei que estas tinham transitado para a Andaluzia), a "pressão alta" e o posicionamento defensivo nas bolas paradas. E a decretar a inutilidade ou pouca qualidade do reforço A ou B. Para estes, a Supertaça será coisa para levar quatro no lombo, e o Vilas Boas nem chegará ao Natal. Consideram que os optimistas são uns imberbes ingénuos que nada sabem da vida. Eles, os pessimistas - que passaram por jejuns e longas travessias do deserto, e ainda têm os sapatos cheios de areia - é que sabem como as coisas são, e nem se importam que essa gente travessa e irreflectida os apelide de "pipoqueiros".

Por minha parte - que também jejuei e atravessei o deserto, tendo visto muito camelo à minha volta - devo dizer que estou na expectativa, mas expectativa positiva. Uma equipa constrói-se com paciência e trabalho, e quando há mudança de treinador a pré-época assume um papel importante no mútuo conhecimento entre este e os jogadores e na experimentação táctica. Os resultados e as exibições são nesta fase ainda mais secundários do que de costume.

Ah, é claro que gostava de ganhar a Supertaça! Afinal é um velho hábito nosso, e o Benfica, convém não esquecer, é o adversário que mais vezes derrotámos nessa prova. Todos a Aveiro!

Na imagem: o Profeta Jeremias, do fresco de Michelangelo Buonarroti no tecto da Capela Sistina.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Uma derrota saborosa

As duas derrotas (e exibições) em Paris não foram agradáveis, mas não são dramáticas. Os jogos a sério começam daqui a 5 dias e a partir daí é que se vai ver quem tem unhas (esta fez-me lembrar o Jorge Gonçalves...).

E às vezes até há derrotas que sabem a vitórias. Foi o caso de um Manchester United x FC Porto, da já extinta Taça das Taças, disputado na época 1977/78.




Grande Seninho! (a forma como o Murça faz o segundo auto-golo é incrível)

domingo, 1 de agosto de 2010

E depois da pré-época?


A primeira parte foi quase sempre jogada com baixa intensidade, mas com grande empenhamento.

Os jogadores do FCP lutaram, suaram, embora não fossem muito criativos na fase de construção. Beluschi mostrou que é bom de bola e as jogadas mais interessantes (e o golo) saíram de iniciativas suas. Além mais do mais, esteve mais activo do que é habitual.

Varela ainda está à procura da melhor condição física, mas o que fez – não foi muito – fê-lo com qualidade.

Tivemos três ocasiões de golo e demos grandes facilidades no jogo aéreo na nossa zona defensiva.

Walter está com quilos a mais, muito provavelmente, precisa de tempo para se integrar nos processos, como diria JF. Lutou bem, procurou desmarcar-se e aparecer na zona de fogo. Não desmereceu, e foi feliz no golo que marcou. A rever.

A 2ª parte foi pior, por culpa do Bordéus que pressionou mais, encurtou os espaços e obrigou o FCP a jogar demasiado no seu meio campo, pouco capaz de se estender ou de concretizar transições rápidas. Um jogo confuso, muito batalhado e pouco coordenado. O FCP tentou pressionar alto e o homem de bola para ganhar vantagens , mas raramente conseguiu. A circulação de bola foi uma miragem e aos empurrões.

Dois ou três ensejos para fazer funcionar o marcador: uma queda de Ukra dentro da área após excelente passe de Sousa, uma jogada vistosa com o último passe a não sair por "culpa" de Castro, e um James muito lento a perder uma boa hipótese de rematar ao golo, depois de uma excelente jogada que Beluschi inventou.

Os golos do Bordeus foram obtidos de bola parada, o primeiro dos quais precedido de falta grosseira de um adversário. Uma francesisse do árbitro, que repetiu mais algumas vezes.

Castro muito raçudo, Beluschi no melhor do Porto, Ukra habilidoso mas frágil, Varela só lhe falta condição física, tal como Álvaro, Maicon regular, Sapu razoável, Walter e Sousa ficam sujeitos a novas observações. Beto podia fazer melhor no segundo golo?! Sereno, Rafa e James muito fraquinhos. Fucille foi uma surpresa ter entrado em jogo, mas não teve tempo para mostrar serviço.

Destes dois jogos a única conclusão (sólida) que tirei é que o Fernando tem lugar cativo na equipa e teve, ontem, a melhor prestação de quantos jogaram em Paris. Está pronto para o SLB. De resto mais dúvidas que certezas, nomeadamente o que valemos em termos colectivos.

Houve empenho, lutou-se mas quase sempre de forma desgarrada. Tudo muito aos tropeções. Nem dá para estimar o estado real da equipa, em termos técnicos, tácticos e físicos. Uma grande interrogação este nosso FCP.

Que a bola não sirva de desculpa

"Foi um jogo com ritmo lento, muito calor e num relvado sem muita água. Isso dificultou a nossa circulação.
O relvado estava pesado e isso prejudicou-nos, pois não conseguimos meter a velocidade que desejávamos. Ainda assim, criámos várias situações de golo, mas não conseguimos finalizar da melhor forma também porque a bola era diferente
"


Não gostei nada destas declarações do André Villas-Boas, no final do jogo de ontem.
Calor? Relvado? Bola? Mas que raio de desculpas são estas?
Mais do que ao treinador do FC Porto, fica mal ao sócio 11428, e que sabe qual é a cultura do clube, usar este tipo de argumentos para explicar/justificar derrotas.
Daqui a uns minutos começa o jogo com o Bordéus e espero que possamos ver um FC Porto diferente do de ontem.