sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Liga Europa: é mesmo para levar a sério?


Ao não comprar um ponta-de-lança que pudesse ser utilizado na nossa defesa do título da Liga Europa, a SAD passa a ideia de um interesse muito relativo nesta competição.

Tudo leva a crer que ainda não será desta que iremos fazer um grande resultado em terras britânicas. Ainda para mais, contra um Manchester City surpreendentemente muito forte esta época.

Mais uma vez, e tal como tem acontecido um pouco por toda esta temporada, esta eliminatória poderia ter sido melhor preparada.
E talvez fosse precisamente nesta competição que devêssemos apostar mais forte, no pouco que já resta deste malfadado 2011-12.

É certo que a questão do campeonato, apesar de muito bem encaminhado para terras do Sul, poderá, eventualmente, ainda levar uma pequena reviravolta. Muito dependerá da progressão dos "vermelhos" na Liga dos Campeões.
Caso estes avancem para fases mais adiantadas da prova (e o Zenit não é um adversário por aí além), a questão do desgaste poderá fazê-los vacilar num ou outro jogo caseiro em que tal não seja esperado.

Mas, regressando à Liga Europa, a questão que teremos que nos colocar é a seguinte: mesmo sem Janko no ataque, o resto da equipa estará minimamente à altura de tão difícil tarefa?
Bem, pelo menos a defesa poderia ser ainda fortalecida.
Apesar de ainda ser cedo para avaliarmos com exactidão Mangala, seria de apostar neste em detrimento do demasiadamente lento Otamendi.
A facilidade como - até contra um Gil Vicente! - o argentino se vê envolvido em lances polémicos, desaconselha a sua utilização em jogos de tamanha importância. Por outro lado, a sua paupérrima exibição em São Petersburgo ainda está bem viva na nossa memória.
A boa notícia é que Danilo, o tal que (ainda para mais com a ausência de Hulk) deveria ter sido obrigatoriamente titular em Barcelos (como é que Vítor Pereira queria provocar desequilíbrios com aquele "11" que apresentou de início?), parece agora de pedra-e-cal.
Pena que já venha tarde.
Sendo um jogador adquirido ainda durante o Verão de 2011, é inacreditável que não tenha sido possível utilizá-lo, a titular, pelo menos desde o jogo de Alvalade.

Já no "miolo", temos agora o regressado Lucho.
E são mais que muitos os elogios que continuam a cair em catadupa.
A primeira parte contra o Setúbal justifica-o. A segunda já não. Entre estas duas realidades distintas, veremos em qual se encontra o actual Lucho. Algures a meio caminho entre as duas, muito provavelmente.

Aliás, vistas com algum distanciamento, as compras de Janeiro do FCP até podem parecer positivas. O mal, que poucos agora falam, foi o seu timing: deveriam ter sido concretizadas em inícios de Janeiro. Foi durante este mês que as coisas poderão ter ficado definitivamente decididas, sem retorno.

Na verdade, a nossa zona intermediária estava tão mal, que pouco seria preciso para que "aquilo" melhorasse um pouco.
A questão será saber se essa melhoria, com Lucho, será suficiente para nos colocar num patamar mais próximo daquilo que é exigido a uma equipa de topo.
Moutinho e Defour continuam por lá e estão longe de serem melhores que Belluschi e Guarín.
Aliás, na segunda metade da época passada, o colombiano atingiu (com sorte ou sem ela) níveis de produtividade tais, que nem mesmo o melhor Lucho alguma vez terá alcançado.
Por alguma razão, tinha clubes de dimensão de uma Juve e de um Inter nele interessados.

O problema deste trio Fernando-Moutinho-Lucho (e a prevista muita utilização de Defour, também) será pois o excesso de futebol "para-trás-e-para-o-lado" muito comum a 3 destes 4. E os também tão habituais remates "só-para-dizer-que-se-chutou", pouco ou nenhum valor acrescentado continuarão a trazer.

"Já estou um bocado cheio disto tudo", desabafava o jovem Iturbe, após ser mais uma vez afastado ao arrepio de qualquer lógica.
É tradição do nosso clube fazer os novos penar por uns tempos.
Claro que uma derrotazinha, por terras do Minho, é suficiente para mandar teorias destas às malvas em duas penadas.
Sobra sempre o argumento-idade para Vítor Pereira: Lucho já era da casa e Janko já tem uma idadezinha que lhe permite "adaptar-se" completamente ao fim de apenas 4 treinos.
Claro que a realidade é outra: pura e simplesmente o nosso técnico ainda não vê no jovem paraguaio/argentino as qualidades que os jornais alarvemente debitavam aquando da sua compra.

Ok mister, mas, pelo sim pelo não, deixe-nos chegar a essas suas conclusões por nós próprios.
Dê-nos um bocadinho mais de Iturbe, por favor.

Apenas Hulk e mais um pouquinho de James não deverá ser receita suficiente para estes "citizens" tão duros de roer.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Sistema decidiu...


“Vocês [jornalistas] é que têm de escrever. Digam, mas digam à boca cheia. (…) A expulsão e o penálti marcam o jogo, pois dificultam a nossa tarefa. Estávamos muito bem no momento da expulsão.”
Pedro Caixinha, treinador do Nacional

“Nunca falei de arbitragens, mas neste jogo, infelizmente, o árbitro teve grande influência (…). Jogar onze contra onze já é difícil, com um a menos ainda é mais, e contra o árbitro, mais ainda!”
Diego Barcellos, jogador do Nacional

“Foi evidente que tirei a bola e o lance foi limpo. Não era falta e a jogada foi clara. O árbitro prejudicou-nos de forma grave.”
Rondon, jogador do Nacional


A exageradíssima expulsão de Rondon ao minuto 55 (num lance que nem sequer é falta) e o penalty a favor dos calimeros ao minuto 73, deixaram jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos do Nacional à beira de um ataque de nervos. Desnecessário, digo eu. Quem viu os dois jogos, percebeu que o destino desta meia-final da Taça de Portugal estava traçado desde o seu início.
O Sistema queria o SCP na final da Taça e, em Maio, lá teremos no helénico estádio do Jamor uma final entre um clube da capital e a Académica.

Vai ser bonito pá, ver novamente capas negras no Jamor. Mas não haja ilusões, tal como em 1969, a taça será erguida pelo capitão do clube da capital.

Aliás, por aquilo que se tem visto no campeonato, esta vai ser uma daquelas épocas de campeonato para um e taça para outro dos clubes da capital. E assim é que está bem. Portugueses mais felizes, são portugueses menos piegas e mais produtivos. E até se esquecem da troika…

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Túnel, pressão e vídeo

Esta noticia (clicar para a ampliar), que foi publicada no semanário Grande Porto (GP) de sexta-feira passada, não me surpreende mas suscita-me várias interrogações.

1º) Já passaram vários dias e não li, nem ouvi, mais nenhum órgão de comunicação social (incluindo o Porto Canal!) falar e muito menos destacar este assunto. Porquê?

2º) A altercação do treinador e do diretor do futebol profissional do slb com a equipa de arbitragem, no intervalo do Feirense x slb, mereceu alguma referência no relatório do árbitro?

3º) De acordo com as imagens das câmaras de vigilância, a que o semanário GP teve acesso, esta situação foi presenciada pelos delegados da Liga. Foi aberto algum inquérito?

4º) Quando é que estas imagens vão surgir no Youtube? O “tripulha” do Uganda não estará interessado?...

5º) A suposta reclamação/pressão sobre a equipa de arbitragem a meio de um jogo não pode ser interpretada como coação? Se assim for, não estamos perante um ilícito previsto nos regulamentos, com consequências disciplinares para os autores e para o respetivo clube?

6º) Com a honrosa exceção do semanário Grande Porto, ninguém falou (fala) neste episódio. Que quase toda a gente se cale, eu percebo perfeitamente, mas porque razão é que a FC Porto SAD mantém um ensurdecedor silêncio sobre este caso? O departamento de comunicação anda distraído?

Os 6 pontos que não voltam mais

Sempre que há uma decisão de um qualquer tribunal sobre o caso apito dourado, invariavelmente a favor de quem recorreu - pelos vistos vai em 6-0, como aconteceu a semana passada, é comum lermos e ouvirmos expressões como:

e agora dêem-nos os 6 pontos de volta.


E não haja dúvidas que estas expressões deveriam ser absolutamente verdadeiras. A nossa luta deveria ser essa, lutar por aquilo que nos tiraram.

Infelizmente não é este o caso, porque simplesmente o FC Porto não recorreu.

Parece que o pessoal já não se lembra, mas em relação aos 6 pontos gamados ao FC Porto não houve recurso, as cúpulas da SAD aceitaram o castigo.

Podem dizer-me que não recorreu o FC Porto, que recorreu PdC e que este ganhando os seus recursos, moralmente o FC Porto também ganha. Mas continua a não me chegar, 1º porque PdC não é o FCP e 2º porque esta é daquelas coisas em que as vitórias morais não me chegam.

Pela parte que me toca continuou a sentir-me atraiçoado. Estas vitórias de PdC em tribunal só me reforçam a tristeza por ver um * associado ao nome do FC Porto nas classificações de 2007/2008.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Danny partiu a pata



Danny está naturalmente desolado com a grave lesão contraída no joelho direito, que deverá implicar paragem estimada de oito meses. No entanto, o internacional português garante que vai voltar e dar tudo para ser melhor que antes do infortúnio.

“É a mesma situação de há três anos. É triste, claro, mas a vida no futebol é assim. Ainda vou a Portugal para ter uma segunda opinião, pois é importante encontrar a melhor solução e determinar o número certo de meses que vou perder. Vou dar tudo para recuperar, pois quero voltar e ser ainda melhor que antes”, disse o jogador, citado pelo site oficial do Zenit São Petersburgo.

Abola

Novamente o apito encarnado

Decorria o minuto 58 do último slb x Maritimo, numa altura em que os encarnados venciam apenas pela margem mínima, quando Pouga saltou com Javi García e tocou ao de leve com o braço direito na cara do médio benfiquista. Contudo, o homem do apito (Artur Soares Dias) viu neste lance uma terrível agressão ao pobre e corretíssimo jogador benfiquista e vai daí zás, vermelho direto!

“Uma decisão incorreta. Pouga apenas quis evitar que o adversário jogasse a bola; de modo algum quis agredi-lo. Justificava-se cartão amarelo e não o vermelho.”
Jorge Coroado

“Ao saltar, Pouga não dá nenhuma cotovelada nem agride Javi García, apenas coloca o braço de forma imprudente na cara do jogador benfiquista. Era lance apenas para cartão amarelo.”
Pedro Henriques

“Parece-me que o árbitro fez uma interpretação excessiva do lance, uma vez que Pouga usa o braço direito imprudentemente, e não o cotovelo.”
Paulo Paraty

Unanimidade do ‘Tribunal de o JOGO’! E quando até o Paraty, o preferido de Luís Filipe Vieira, acha que o árbitro não tinha motivo para ter colocado o adversário do slb a jogar com menos um, está quase tudo dito.

Falta apenas dizer que é um filme já várias vezes visto esta época, isto é, sempre que os jogos estão um bocadinho mais complicados de resolver, lá aparece o apito encarnado a dar o inevitável empurrão ao “rolo compressor”…

Em resumo, o árbitro fez o trabalho dele bem feito, quem o nomeou ficou, seguramente, satisfeito com o desempenho do homem do apito e Luís Filipe Vieira voltou a não dar por mal empregue o apoio inequívoco a Fernando Gomes nas eleições para a FPF (segundo consta com a condição do ex-administrador da SAD portista manter Vítor Pereira como presidente dos árbitros).


P.S.1 "Não vou falar sobre o sr. Artur. Ando cansado disso e é quase sempre o mesmo interveniente. Toda a gente viu as imagens. Com a expulsão o jogo acabou".
Pedro Martins, treinador do Marítimo

P.S.2 «Vítor Pereira não consegue potenciar os jogadores que estiveram na base de uma época de enorme sucesso e no momento em que o FC Porto é prejudicado por erros de arbitragem lança o anátema sobre o Benfica, dizendo que – ao colo da arbitragem – já pode encomendar as faixas de campeão. A realidade é esta: o Benfica tem a melhor equipa e não tem sido prejudicado pela arbitragem, como decorre da velada “promessa eleitoral” do outro... Vítor Pereira. Faz toda a diferença. (…) o treinador do FC Porto diz que o Benfica “já pode encomendar as faixas” porque “está a ser levado ao colo” pelo sector da arbitragem. O Benfica tem (…) o melhor futebol que se pratica na Liga. É pouco? Não é seguramente. Mas poderia ser pouco se a arbitragem não estivesse mansa para os lados da Luz. Uns dizem: é goooooooooolo! Outros dizem: é coooooooooolo! É golo ao colo.»
Rui Santos, Record, 02/02/2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um desabafo

Desde já digo que a culpa é minha, assumi o que não devia ter assumido, fui em cima da hora e voltei para casa para ver na TV do lar doce lar, pela primeira vez, um jogo no Dragão.

O que assumi:
Que à semelhança dos anos anteriores quem tem lugar anual não precisava de comprar bilhete para os jogos da taça da liga.

Sei agora que não era verdade, sei agora que no dia 18 também foi assim - mas nessa altura estava fora do Porto e nem reparei nisso. Provavelmente isto veio escarrapachado nos jornais, mas como também há muito deixei de os ler na forma tradicional, passou-me.

E como normalmente sempre que há lá jogos, dirigi-me ao Dragão para chegar em cima da horinha, sentar e ver o jogo começar. Desta vez bem agasalhado, que a tarde / noite estava fria.

Quando estou a chegar, vejo umas filas enormes nas bilheteiras e pensei: O Lucho já está a dar lucro, o pessoal  ficou empolgado.


Puro engano, que percebo quando na entrada / revista me dizem: hoje é preciso comprar bilhete.

- O quê? Por alma de quem?

Re-olho para as bilheteiras, ainda me dirigi para lá por uns minutos, mas tornou-se evidente: lá para o intervalo, com sorte, devia conseguir comprar o bilhete. PQP! Bem! Siga para casa ver o jogo na TV - que gelar para ver um jogo ainda vá que não vá, agora para estar numa fila, não obrigado!

Longe vão os tempos em que se passavam horas nas filas para comprar bilhete, longe vão os tempos em que se ia para o estádio 1 (ou 2) hora(s) antes, a gente habitua-se a alguns comodismos e depois estranha quando não os tem. São os tempos modernos - para o bem e para o mal.

Como já escrevi, a culpa de ter voltado para casa é minha, mas mesmo assim neste processo acho que há coisas para as quais o clube deveria (e podia) estar melhor preparado de forma a melhorar a relação com os seus associados - somos algo mais que meros clientes.

Ora vejamos:

O clube tem o meu email e o meu n.º de telemóvel - quando é necessário renovar o lugar anual envia-me para lá muitas mensagens. Ora numa situação destas poderiam perfeitamente enviar um mail a alertar que ao contrário de anos anteriores, este ano, a 1ª fase da taça da liga não estava incluída no lugar anual.
Não custava nada, era uma forma de alertar os mais distraídos e todos ganhavam. É este tipo de coisas que acho que um gabinete de apoio ao associado se deveria preocupar em fazer.

Depois há a questão do bilhete e do preço: € 1,00. No valor do lugar anual representa 0,33%
É ridículo obrigar a comprar bilhete por um valor destes. Do lado do clube tenho sérias dúvidas que os valores cobrados dêem para muito mais do que os custos administrativos. Do lado dos sócios perder tempo (seja 10, 15 ou 30 minutos) para ir comprar um bilhete de € 1,00 pode desde logo desmotivar a ida ao jogo. E isto - facilitar a ida dos sócios aos jogos - também deveria ser uma preocupação do clube.
Pela minha parte prefiro que me cobrem mais € 5,00 no lugar anual que andar a perder tempo a comprar bilhetes destes de € 1,00. É essa a beleza do lugar anual: não me preocupar com bilhetes.

Na taça de Portugal, em que à partida não se sabe quantos jogos vão ser realizados, e em que a receita é repartida, ok, faz sentido a compra do bilhete. Na taça da liga não percebo o porquê deste ano terem mudado as regras. Não quero crer que seja por causa do aumento do IVA, nem para compensar terem perdido o patrocínio.

Depois há a questão do site e da venda online, não seria tão bom que naqueles minutos em que olhei para a bilheteira pudesse ter ido a www.fcporto.pt (e até fui na vã esperança), ter pago o bilhete, ter recebido um SMS ou email (sendo que só era necessário para mostrar aos assistentes de recinto desportivo, uma vez que o cartão de sócio é que daria a entrada no torniquete) e ter ido ver o jogo em vez de voltar para casa? E não estamos a falar de nenhuma situação rocket science.

Ou seja, mesmo tendo de pagar bilhete, poder-se-iam arranjar formas expeditas de o fazer. Para que serve a conta corrente? Não poderia e deveria servir para isto? Um gajo nem consegue utilizar o saldo para pagar quotas no site.

Por causa de € 1,00 vi pela primeira vez, em casa, um jogo do Porto no Dragão. PQP! Não é a mesma coisa!

E pronto, desabafo efectuado! Está na hora de ir tratar da compra do bilhete para o City.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ar fresco no Dragão


Tal como o esperado, o FC Porto dando seguimento aos triunfos frente ao Paços de Ferreira e Estoril, bateu o V. Setúbal com dois golos assinados por reforços oriundos do mercado de inverno. Mais do que o encontro propriamente dito e o que ele encerra, os holofotes recaíram por inteiro nas estreias de Lucho e Janko. E que estreias! Resolveram a partida, arrumaram o apuramento à fase seguinte da Taça da liga e injectaram algum ânimo às hostes azuis e brancas.

Com a titularidade de Danilo, “El Comandante” e do avançado austríaco, servidas como aperitivo, o público do Dragão redobrou as expectativas sobre este jogo. E de facto, com um inicio prometedor, onde a batuta do regressado Luís Óscar Gonzalez se fez erguer lá no alto, o conjunto de Vítor Pereira gizou alguns momentos de bom futebol, construindo uma mão cheia de jogadas com um cunho marcadamente colectivo – o que me agrada de sobremaneira – onde não é despiciendo o “tricotado” trabalhado em dupla entre o médio argentino e João Moutinho.

Os reencontros têm destas coisas. Momentos marcantes e cheios de simbolismo que carregamos para a vida toda. Lucho fez questão de tornar o seu recâmbio de França inesquecível. Um golo brutal, à entrada da área e de primeira, levou a bola ao ângulo num arco perfeito. Foi a simbiose perfeita entre o jogador e adeptos, selando igualmente o melhor período da equipa portista em todo o encontro.

Pena foi que o ritmo entretido dessa fase inicial não tenha tido sequência. Nada que espante perante um apuramento resolvido. Ainda assim realce para as boas incursões de Danilo no ataque da nossa equipa, mostrando ser possuidor de um manancial superior para posição em relação a Maicon. Fernando sairia em inferioridade física ainda antes do intervalo, num problema que se espera de rápida solução, dada orfandade que a ausência do jogador traz ao vértice mais recuado do nosso meio campo.


Se a Lucho coube o protagonismo da primeira parte, Mark Janko foi destaque nos restantes 45 minutos. Constata-se que o avançado vindo do Twente não dispõe da mobilidade e destreza capaz de vir atrás e ajudar na construção colectiva da equipa. O seu raio de acção é reduzido assim como a sua técnica. Contudo é perceptível que Janko garante um “input” importante no posicionamento zonal de área, revelando uma maior e melhor leitura onde bola cai, assim como um poder no jogo aéreo considerável.

Depois de algumas tentativas e uma infelicidade, o avançado austríaco estreou-se a marcar com as cores do dragão, finalizando uma jogada soberba onde Moutinho, Lucho e James desenharam um bailado que deixou os homens do Sado de cabeça à roda. Um momento único, que por si só vale o bilhete do jogo. Era o culminar feliz de uma noite retemperadora do espírito portista.

Renovadas que estavam as esperanças e alargadas que ficam as soluções do treinador, é tempo de mãos à obra porque aproximam-se momentos decisivos, onde as desculpas não serão afago das ambições dos adeptos portistas.

As ervas daninhas


«Além de Lucho, o FC Porto decidiu-se finalmente a tentar resolver o problema do ponta de lança com a aquisição de Marc Janko. O austríaco não tem um nome que crie ilusão fácil, mas o currículo de golos que o acompanha promete pelo menos alguma eficácia. Que é já (quase) tudo o que os portistas pedem de um avançado depois do vazio deixado por Falcao.
Mas não se ficaram por aqui as mexidas. Ao deixar sair jogadores como Fucile, Guarín e Belluschi por empréstimos que só podem gerar mais valias significativas no verão, libertou-se não só de carga salarial importante numa época complicada de tesouraria como reduziu os focos de tensão no balneário, limpando-o de alguns dos jogadores com piores relações com o treinador Vítor Pereira.
Ou seja, perante as incertezas e a contestação, Pinto da Costa reforçou a aposta em Vítor Pereira neste mercado de inverno. Deu-lhe ainda mais e melhores condições: corrigiu as falhas da SAD com a vinda de Janko, limpou-lhe ervas daninhas, trouxe-lhe um aliado para o balneário... Agora, está tudo nas mãos do técnico. Sem mais desculpas. É a altura de mostrar definitivamente que tem unhas para esta guitarra. Caso contrário, Pinto da Costa terá de dar razão aos muitos adeptos que acham que a grande ação necessária para salvar a época continua por fazer.»
Rui Frias
DN, 01/02/2012


Não sei se Fucile, Guarín e Belluschi eram "ervas daninhas" e/ou se tinham más relações com o treinador Vítor Pereira, mas sei que estes três jogadores e também Walter (outro dos que recebeu ordem de marcha) raramente eram utilizados e, por isso, não podem ser responsabilizados pelas más exibições. Por exemplo, Fucile, Guarín e Walter nem sequer estiveram em Barcelos e quanto a Belluschi a sua exibição neste jogo até foi das melhores da equipa azul-e-branca.

Não sei se a saída de Walter e a entrada de Janko "corrigiu as falhas da SAD", mas sei que o ponta-de-lança austríaco agora contratado não pode jogar na única competição de relevo em que o FC Porto depende apenas de si, visto já ter participado na presente edição da Liga Europa, com a camisola do Twente.

Não sei se a partir deste conjunto de entradas e saídas os problemas do plantel ficaram resolvidos e treinador deixou de ter desculpas, mas sei que o Vítor Pereira nunca se queixou do milionário lote de jogadores que a "estrutura" pôs à sua disposição.

Não sei se o que afeta a equipa de futebol do FC Porto é um problema de "ervas daninhas", "unhas" ou "guitarras", mas sei que se o FC Porto não ganhar o campeonato o treinador será imolado no altar como o único bode expiatório.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pátria que me pariu

Nasci entre os Aliados e a Trindade mas o único berço que me lembro estava perdido nas filas superiores da velha bancada poente da única igreja das Antas que alguma vez me preocupou. Numa vida que me levou a caminhar por aí, como diria o poeta, sempre encontrei no FC Porto a pátria que me pariu por cima de bilhetes de identidade republicanos, heranças genéticas e lembranças ancestrais de mil e uma gerações desse povo que deu o nome a Portugal.



Como bom português vivo preso à saudade. Das velhas tardes em que de menino passei a homem de azul ao peito. Nascido mas não criado na Invicta paguei o preço de pertencer a uma família que seguia a figura parental pelas escolas desse Minho fora onde era colocado. Quando o destino me devolveu a casa reencontrei-me com uma pátria que visitava de tempos a tempos mas que era ainda como um primo distante. Graças a um tio, um desses sócios da velha guarda que conhecem, ao contrário de mim, as agruras de quando éramos “andrades” complexados, aprendi a saber de cor cada placard publicitário que cercava o tapete verde onde passei a maioria dos sonhos da minha adolescência. Nas Antas aprendi que o futebol é mais do que algo de vida ou morte. Como o vinho do Douro, o por-do-sol em Miramar ou a imagem da ponte D. Luiz, o FC Porto sintetizava toda a minha pátria. Nunca vibrei com a melhor selecção portuguesa como com a pior equipa azul e branca que conheci e agora que há mais de meia década vivo a mais de 700 kms quando me perguntam se sou português lá sou forçado a pontualizar: do Porto.

O FCP ensinou-me a sentir e conhecer uma pátria que me pariu mas que me demorou a amamentar. Nas Antas aprendi a beber as histórias contadas entusiasmante por um velhote sempre carinhoso com quem lhe prestava atenção e entre bifana e rebuçados apaixonei-me pela elegância de Baía, Aloísio e Drulovic, pela dureza portuense de Jorge Costa, Paulinho Santos e André e sonhei em ser o parceiro de ataque de Kostadinov, Domingos, Artur ou Jardel. De azul e branco passei a homem e em vez de limitar-me a cantar o hino emocionado aprendi a senti-lo mais para lá de onde adormece a razão. E como qualquer relação filial senti que mais do que amar a pátria que me pariu estava na hora de a entender também.



Não me perguntem as horas perdidas a reler o velho relicário da biblioteca ás portas dos Poveiros, os filmes sacados a amigos privilegiados com vhs quando isso ainda era utopia e a puxar pela memória de um pai salgueirista e pedrotista que passou como muitos horas nas filas para entrar na arquibancada daquela tarde frente ao Braga onde todos nós nos fizemos homens sem o saber. Descobri, mais do que as razões de ser “nobre e leal”, a minha pátria era, sobretudo, o espelho da resistência transformada em poder, uma realidade que lembrava a aura revolucionária de Castro e Guevara na serra de Santa Maria agora transformada em poder. Não vivi mais do que três anos de misérias e nunca poderei, honestamente, ombrear com quem sofreu de verdade com ser portista numa sociedade acurraladora e estupidamente centrista. Mas não precisei de pensar muito para descobrir que o FCP da minha mitologia infantil se tinha transformado no senhor absoluto de uma nova era que trazia novos desafios, dúvidas e esperanças. Mais do que celebrar com as nossas vitórias aprendi a desfrutar de encontrar um caminho de esperança nas nossas derrotas. Deixei de acompanhar semanalmente os nossos soldados mas em espírito senti-me mais presente do que nunca nessa metamorfose que pode transformar o clube que tantos adoram em odiar numa instituição nuclear no futuro de uma cidade que é mais minha mãe e meu pai que o país que a ocupa e destroça.

Reflectir sobre o FCP mais do que um passatempo engraçado é uma obrigação para quem sente essa divida eterna com uma instituição que me deu alguns daqueles momentos que no flashback que dizem que todos teremos me passaram pela memória. A 700 kms de distância ouvi por um passarinho que perdemos contra o Gil Vicente, que o mundo se vem abaixo e a mourama de Almansor vem por aí na ilusão de cercar o dragão ferido. É nestes momentos, no silêncio antes da tempestade, que mais prazer me dá sentar-me, pensar no que temos pela frente, nesses cancros que sempre haverá por curar, lembrar-me dos meus amigos que sofrem aí na pele as injustiças de um país australopiteco. É aí que mais desfruta em sentir-me portista. Sentir-me filho de quem me pariu. Dessa memória azul que não admite verdades absolutas, hermetismos e medos mas que sabe o que é sentir, nas entranhas, como o granito cinzento da velha cidade ressoa a cada grito de “Porto” saído do buraco da alma de todos nós!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Alta tensão

«Otamendi, Álvaro Pereira e Cristian Rodríguez não se contiveram no final do jogo, quando se dirigiam para o autocarro e responderam às provocações dos adeptos que os esperaram. Os jogadores mal entraram, voltaram a sair de punho no ar para tirar satisfações. A confusão gerou-se entre os adeptos com a paciência no limite e valeram as grades e a pronta intervenção dos seguranças e da polícia presentes no local para evitar agressões. Os jogadores acabaram por ser encaminhados para o autocarro para encerrar ali a confusão, enquanto os adeptos exaltados só começaram a acalmar com a chegada de Helton. A poeira ainda andava no ar quando o brasileiro, que vinha uns metros mais atrás, chegou e se dirigiu aos adeptos tentando serenar os ânimos e chamá-los à razão. O guarda-redes foi pedindo desculpa pela reacção dos seus companheiros e foi dizendo que não podiam ter reagido daquela maneira e que não era altura para cenas daquelas.
A comitiva chegou ao Dragão às 22h30 e foi recebida com bocas por cerca de meia centena de adeptos, acabando por sair, pouco depois, nas próprias vitórias.»
in ojogo.pt


A tensão entre os adeptos e os jogadores, que esta época já se repetiu várias vezes, é um sinal claro de que as coisas não estão bem.
E não fosse a excelente relação que, nesta altura, existe entre os responsáveis da SAD e a principal claque do clube, e estou convencido que as coisas já teriam descambado para cenas muito piores.

Riscos (pouco) calculados

Terá sido Pinto da Costa - não consigo confirmá-lo - que há uns anos terá proferido a famosa frase "no Porto, qualquer treinador se arrisca a ser campeão" - uma adaptação de um original de Mário Wilson. Se os factos o parecem comprovar - vide casos de Fernando Santos ou Co Adriaanse, treinadores sem grande currículo mas que triunfaram no Porto, e que para já não voltaram a repetir tais feitos noutros clubes - tal não valida automaticamente, e para lá de qualquer dúvida, a tal "máxima" que na minha opinião, não corresponde exactamente à realidade. A frase que reflectiria verdadeiramente a realidade seria algo como "no Porto, qualquer treinador se arrisca a ser campeão, desde que a direcção do Clube (ou SAD) seja minimamente competente em vários domínios, de entre os quais não se inclui necessariamente a escolha do treinador". Aplicada à actual situação do Porto, quer isto dizer que: 1) o Vítor Pereira (VP) - lamento-o e contra mim falo - talvez não reúna todas as capacidades para ser treinador do, e campeão pelo Porto; 2) o principal responsável pelo provável fracasso transversal a todas as competições que marcará esta época, não é o treinador.



É inegável que VP não é o mais competente dos treinadores que já passou pelo banco do Porto. Mas parece-me também legítimo afirmar, que se tivesse as mesmas condições de que beneficiaram outros treinadores que o antecederam, provavelmente, o risco de ser campeão seria muitíssimo maior. VP foi escolhido para treinador não tanto pela sua inequívoca capacidade, tal como os treinadores atrás referidos, mas porque a SAD acreditou que aquilo que poderia oferecer (ou impôr?) ao VP, em conjunto com a capacidade mínima que lhe reconheceu, seria suficiente para atingir os objectivos do Clube. Daí que "qualquer treinador serve".

Ora, cumprida a primeira parte da época, ficou demonstrado que até à derrota com a Académica - que marcou um ponto de viragem - por qualquer razão ainda (ou jamais) descortinada, os jogadores não estavam interessados em cumprir o seu dever, mas apenas em "torpedear" o trabalho do treinador. Teria sido diferente se o André Villas-Boas ainda estivesse por cá? Provavelmente, mas disso o VP não tem culpa, nem me parece razoável responsabilizá-lo pelos maus resultados até esse momento.Após o jogo com a Académica, a partir daí sim, VP teve oportunidade de se mostrar. O saldo não é positivo: o Porto já foi afastado de duas competições, e nas outras três que ainda restam o cenário é no mínimo cinzento. A saída da Taça de Portugal deveu-se às razões que já(?) se conhecem; na Liga dos Campeões, embora grande parte dos jogos se tenham jogado antes do tal ponto de viragem, a verdade é que havia todas as condições para garantir o apuramento para a fase seguinte no jogo em casa com o Zenit (e aí, parece-me que o VP falhou, ao dar 45 minutos de avanço ao adversário, quando deveria ter atacado com tudo aquilo a que pudesse deitar mão). Na liga doméstica, para já o saldo não é totalmente negativo mas as perspectivas não são animadoras tendo em conta que na luta com o adversário directo, já perdemos 2 pontos onde na época passada conquistamos 3, e ainda há um jogo para disputar em Lisboa. Resta a inócua Taça da Liga e a Liga Europa, onde temos a responsabilidade e a obrigação de defender o título, mas um sorteio infeliz pode precipitar a saída da prova.

O que falta então ao VP? Que condições são essas é que a SAD proporcionou a outros, e não a ele? Antes de mais, a SAD pouco ou nada fez para atenuar e/ou evitar a instabilidade que culminou com o afastamento da Taça de Portugal e Liga dos Campeões - como ficou notório no tempo de Jesualdo: um treinador do Porto, é um "homem sozinho". E não há grande margem para dúvidas - porque o treinador antes e depois é o mesmo, mas os resultados foram a partir daí foram diferentes - que algo se passou e que ultrapassou o treinador. Para além disso, há outro conjunto problemas que promete ser motivo de discussão até ao final da época e talvez além. Um desses problemas, pode ser descrito da seguinte forma: o nosso mais directo concorrente na luta pelo título, possui no seu plantel 3 (num total de 4) pontas-de-lança com capacidade para serem titulares, e com diferentes características - altos e "posicionais", baixos e móveis ... o Porto tem um só, e o seu lugar é habitualmente ocupado por um extremo. É perfeitamente claro, que tendo à sua disposição um plantel estável e equilibrado, VP correria um maior risco de dar razão a Pinto da Costa. E se não o fizer, é o menos responsável por tal desfecho. Dadas as dezenas e dezenas de anos de experiência conjunta dos administradores da SAD, é imperdoável (já que reclamam para si as responsabilidades de olheiro E "manager") não terem percebido que um plantel com apenas "ponta-de-lança e meio", não se coadunava com as necessidades de uma equipa que tem de ser candidata ao título; que tem um historial a respeitar, e uma importante fonte de receita, nas provas europeias.



Chegados a Janeiro e com o mercado de transferências próximo do fecho, a SAD - com ou sem o aval do treinador - deu início a uma "limpeza" do plantel (ou de balneário?) - à semelhança do que já fizera em 2005, uma época com várias semelhanças com a actual, e provavelmente com os mesmos resultados - mas continua sem tentar sequer colmatar a saída do Falcao. Aqui há ainda que questionar o nebuloso envolvimento do Porto com o banco BMG. Uma das primeiras iniciativas anunciadas em resultado desta parceria, foi a construção do eternamente adiado museu. Porém, sinal do museu não há, mas entretanto o Porto já contratou o médio Danilo por 18 milhões pagos a pronto(!), mas fez-se enxovalhar por não ter pagado a tempo e horas, valores muito inferiores por Defour e Mangala. Entretanto, já se fala de Ganso - outro médio brasileiro - mas ponta-de-lança não há.

Dada a saída imprevista do André Villas-Boas, esta seria sempre uma época atípica. Porém, quem tinha o dever e capacidade para, dentro do possível, tentar que tudo decorresse dentro da normalidade, não tem feito tudo aquilo que pode. A fase decisiva da época aproxima-se, as expectativas não são as melhores, mas ninguém acima do treinador parece preocupado. Mas deveria estar? Afinal, em caso de fracasso a culpa já está atribuída. E os prémios de gestão, com ou sem troféus conquistados, também.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Projecto Roquette...


«Uma auditoria externa à gestão financeira do Sporting dos últimos 12 anos confirmou a situação de “falência técnica” do Grupo Sporting, que apresenta capitais próprios negativos de 183 milhões de euros e um passivo que ultrapassará os 300 milhões, se bem que este último número não foi oficialmente confirmado pelo sumário do relatório dos revisores de contas ontem revelado pelo clube. A situação é grave, mas não é nova, e poderá servir para desbravar caminho para uma proposta que leve à abertura da maioria do capital da SAD (Sociedade Anónima Desportiva) leonina a investidores privados.
A grande novidade desta auditoria não será tanto a situação de “falência técnica”, que já fora confirmada ao PÚBLICO em Maio de 2009, pelo então presidente Filipe Soares Franco, mas o valor preocupante dos capitais próprios negativos (diferença entre activo e passivo) do grupo leonino. Só como ponto de comparação, segundo o presente relatório, em 1999, este valor era de 11,7 milhões de euros positivos. Algo que os oficiais de contas explicam com evidências de “uma estrutura financeira desequilibrada usualmente denominada como falência técnica em termos consolidados”.
O relatório, que analisou a evolução da situação patrimonial do grupo Sporting entre 1 de Agosto de 1998 e 26 de Março de 2011, demonstra um acréscimo de 217 milhões de euros das dívidas de financiamento (a uma média de cerca de 20 milhões por ano). Por outro lado, o endividamento bancário cresceu “com valores mais expressivos, sobretudo, a partir de 2001” (ano em que arrancaram as obras no novo Estádio José Alvalade e do Complexo Alvalade XXI), e atingiu um valor máximo de 277 milhões de euros em 2006. Este montante “foi praticamente retomado em 2011”, após a emissão de 55 milhões de obrigações cenvertíveis em acções (VMOC), que se vencem em 2016. “Nesta data, o Grupo Sporting terá de equacionar a sua posição de controlo sobre a SAD”, lembram os auditores, advertindo que o património imobiliário se encontra “hipotecado, servindo de garantia aos empréstimos contratados”.»
in publico.pt


A auditoria revelou um deficit crónico de tesouraria acumulado de 214 milhões de euros em 11 anos, ou seja, quase 20 milhões de euros por ano!

E o que dizem os especialistas da nossa praça?

Nicolau Santos, sub-diretor do Expresso, comentador para assuntos económicos da Antena 1 e membro do Conselho Leonino, considera que a construção do novo estádio e da Academia de Alcochete são as principais razões que levaram a esta derrapagem nas finanças de Alvalade.

João Duque, professor catedrático, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão e também conselheiro leonino afirma que os problemas resolvem-se atacando a questão económica e financeira do clube e que é simples: como se promovem mais receitas? Contornando as despesas e diminuindo o passivo.

Fantástico! Com "especialistas" destes e (des)governados por viscondes e calimeros, os sportinguistas podem estar descansados, que o futuro será radiante...
Não haverá um russo ou um árabe interessado?

Foto: Capa de A Bola de 02/02/2012

O parecer do professor...



Pinto da Costa volta a ganhar no Apito Final

O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL) considerou "inexistente" a continuação da reunião do Conselho de Justiça (CJ) da Federação em que foi decidido não dar procedência aos recursos do presidente do FC Porto, do Boavista e do árbitro Jacinto Paixão no caso "Apito Final". A sentença, divulgada pela agência Lusa, dá razão a Pinto da Costa e a Jacinto Paixão na sua contestação à continuidade e às posteriores decisões da reunião do CJ, que prosseguiu à revelia do seu presidente, a 4 de Julho de 2008.

Foi com base nessas decisões, agora consideradas inexistentes, que a Federação Portuguesa de Futebol decidiu, a 28 de Julho de 2008 e com base num parecer do jurista Freitas do Amaral, penalizar o FC Porto em seis pontos e despromover de divisão o Boavista, assim como suspender por dois anos Pinto da Costa, ratificando as decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga de Clubes.

A acta da reunião do CJ considerou improcedentes os recursos contra a decisão da CD interpostos por Pinto da Costa, pelo Boavista e pelos árbitros dos jogos do Estrela da Amadora e Vitória de Setúbal com os portistas na época 2007/08, Jacinto Paixão e Augusto Duarte, respectivamente. O tribunal declara "a eficácia das decisões" do então presidente do Conselho de Justiça, Gonçalves Pereira, "e a legalidade da decisão de encerramento da reunião".

Num segundo ponto, considera "inexistente a pretensa decisão de 'continuação' da mesma reunião", proferida pelos vogais do CJ, os conselheiros Francisco Mendes da Silva, Álvaro Baptista, Eduardo Santos Pereira, João Abreu e José Salema dos Reis. Considera, assim, "inexistentes as deliberações por estes tomadas depois do encerramento da reunião", que se referem à não procedência dos recursos, considerando ainda "sem efeito a pretensa acta da continuação daquela reunião".

Em termos práticos, esta decisão - a segunda favorável ao presidente do FC Porto no âmbito dos recursos motivados pelo processo "Apito Final" - considera que Gonçalves Pereira, então presidente do CJ, tinha competência para terminar a referida reunião - como fez - sem analisar os recursos referidos. Na prática, segundo a Lusa, se esta sentença transitasse já em julgado, o actual CJ da FPF teria de apreciar de novo os recursos de Pinto da Costa, do Boavista e dos árbitros visados.

OJOGO, 31/01/2011


Freitas do Amaral, professor de Direito Administrativo e político vira-casaca, redigiu em 2008 um parecer, encomendado pela FPF, sobre os factos ocorridos na tal reunião do Conselho de Justiça. Esse parecer deu origem à publicação de um livro sobre esta temática!

Na altura, Freitas do Amaral considerou o comportamento do presidente do órgão ofensivo para “o princípio do Estado de Direito Democrático e o princípio constitucional da imparcialidade no exercício de funções públicas” e que as decisões tomadas posteriormente à saída de Gonçalves Pereira são “conformes à lei administrativa e processual”.

A SAD do FC Porto reagiu e considerou o parecer do professor “excessivamente parcial” e, nalguns pontos, “tendencioso”.

Mais uma vez, um Tribunal a sério confirma anulação de decisões “douradas”. Neste caso foi o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Roubos em Barcelos e na Feira, Silêncio no Dragão

Já se esperava uma actuação tendenciosa e prejudicial ao FC Porto pelo árbitro designado para esta partida em Barcelos. A derrota não se explica só por aí mas a análise à prestação da equipa e do treinador já foi publicada aqui no Reflexão Portista.

Parece-me importante, neste momento, realçar o seguinte:

Este árbitro tem prejudicado o FC Porto de forma contínua (ou sistemática, se preferirem) e objectiva nos últimos 12 anos, desde o célebre jogo de Campo Maior. Os episódios mais flagrantes dos últimos quatro anos podem ser encontrados facilmente na etiqueta “Bruno Paixão” deste blog.

Desde praticamente 2004, ano em que inventaram o apito encarnado num hotel lisboeta, que o clube – a SAD – se tem remetido ao silêncio sempre que ocorrem arbitragens lesivas aos seus interesses e aos dos seus associados.

Neste jogo em concreto há a registar (i) que o livre para o primeiro golo do Gil nasce de uma falta inexistente, (ii) que Defour é atingido com violência no nariz dentro da grande área gilista e que não foi marcado penalty contra os da casa, (iii) que o centro para a área portista onde Otamendi dá mão na bola (e aqui foi marcado penalty!) é feito por um jogador em claro fora-de-jogo, e (iv) que o avançado Kléber é travado pelo guarda-redes do Gil dentro da área, o que seria mais um penalty e que não foi marcado. São nada mais nada menos que quatro lances críticos com influência directa no resultado.

Fernando Gomes e Vítor Pereira conseguiram o apoio do SLB para a sua eleição para a FPF em detrimento do apoio desse clube ao benfiquista Fernando Seara.

Nesta jornada (17ª), mais uma vez, o SLB foi beneficiado por erros de arbitragem com influência directa no resultado do jogo (golo inexplicavelmente anulado ao Feirense).


O facto de a equipa do FC Porto ter feito um jogo pobre jamais poderá ser uma desculpa para aceitar uma arbitragem escandalosamente prejudicial.

Ao Presidente do FC Porto impunha-se que dissesse “Basta!” e assegurasse aos sócios que Bruno Paixão jamais apitaria um jogo do FC Porto. Se voltasse a ser nomeado a equipa não se apresentaria em campo. Ponto final. Porque urge tomar uma posição de força depois de 12 anos de erros sempre para o(s) mesmo(s) lado(s). Não me dou por satisfeito – longe disso – com os pífios comunicados do Labaredas no site oficial do clube. Espero sentado.