
Ao não comprar um ponta-de-lança que pudesse ser utilizado na nossa defesa do título da Liga Europa, a SAD passa a ideia de um interesse muito relativo nesta competição.
Tudo leva a crer que ainda não será desta que iremos fazer um grande resultado em terras britânicas. Ainda para mais, contra um Manchester City surpreendentemente muito forte esta época.
Mais uma vez, e tal como tem acontecido um pouco por toda esta temporada, esta eliminatória poderia ter sido melhor preparada.
E talvez fosse precisamente nesta competição que devêssemos apostar mais forte, no pouco que já resta deste malfadado 2011-12.
É certo que a questão do campeonato, apesar de muito bem encaminhado para terras do Sul, poderá, eventualmente, ainda levar uma pequena reviravolta. Muito dependerá da progressão dos "vermelhos" na Liga dos Campeões.
Caso estes avancem para fases mais adiantadas da prova (e o Zenit não é um adversário por aí além), a questão do desgaste poderá fazê-los vacilar num ou outro jogo caseiro em que tal não seja esperado.
Mas, regressando à Liga Europa, a questão que teremos que nos colocar é a seguinte: mesmo sem Janko no ataque, o resto da equipa estará minimamente à altura de tão difícil tarefa?
Bem, pelo menos a defesa poderia ser ainda fortalecida.
Apesar de ainda ser cedo para avaliarmos com exactidão Mangala, seria de apostar neste em detrimento do demasiadamente lento Otamendi.
A facilidade como - até contra um Gil Vicente! - o argentino se vê envolvido em lances polémicos, desaconselha a sua utilização em jogos de tamanha importância. Por outro lado, a sua paupérrima exibição em São Petersburgo ainda está bem viva na nossa memória.
A boa notícia é que Danilo, o tal que (ainda para mais com a ausência de Hulk) deveria ter sido obrigatoriamente titular em Barcelos (como é que Vítor Pereira queria provocar desequilíbrios com aquele "11" que apresentou de início?), parece agora de pedra-e-cal.
Pena que já venha tarde.
Sendo um jogador adquirido ainda durante o Verão de 2011, é inacreditável que não tenha sido possível utilizá-lo, a titular, pelo menos desde o jogo de Alvalade.
Já no "miolo", temos agora o regressado Lucho.
E são mais que muitos os elogios que continuam a cair em catadupa.
A primeira parte contra o Setúbal justifica-o. A segunda já não. Entre estas duas realidades distintas, veremos em qual se encontra o actual Lucho. Algures a meio caminho entre as duas, muito provavelmente.
Aliás, vistas com algum distanciamento, as compras de Janeiro do FCP até podem parecer positivas. O mal, que poucos agora falam, foi o seu timing: deveriam ter sido concretizadas em inícios de Janeiro. Foi durante este mês que as coisas poderão ter ficado definitivamente decididas, sem retorno.
Na verdade, a nossa zona intermediária estava tão mal, que pouco seria preciso para que "aquilo" melhorasse um pouco.
A questão será saber se essa melhoria, com Lucho, será suficiente para nos colocar num patamar mais próximo daquilo que é exigido a uma equipa de topo.
Moutinho e Defour continuam por lá e estão longe de serem melhores que Belluschi e Guarín.
Aliás, na segunda metade da época passada, o colombiano atingiu (com sorte ou sem ela) níveis de produtividade tais, que nem mesmo o melhor Lucho alguma vez terá alcançado.
Por alguma razão, tinha clubes de dimensão de uma Juve e de um Inter nele interessados.
O problema deste trio Fernando-Moutinho-Lucho (e a prevista muita utilização de Defour, também) será pois o excesso de futebol "para-trás-e-para-o-lado" muito comum a 3 destes 4. E os também tão habituais remates "só-para-dizer-que-se-chutou", pouco ou nenhum valor acrescentado continuarão a trazer.
"Já estou um bocado cheio disto tudo", desabafava o jovem Iturbe, após ser mais uma vez afastado ao arrepio de qualquer lógica.
É tradição do nosso clube fazer os novos penar por uns tempos.
Claro que uma derrotazinha, por terras do Minho, é suficiente para mandar teorias destas às malvas em duas penadas.
Sobra sempre o argumento-idade para Vítor Pereira: Lucho já era da casa e Janko já tem uma idadezinha que lhe permite "adaptar-se" completamente ao fim de apenas 4 treinos.
Claro que a realidade é outra: pura e simplesmente o nosso técnico ainda não vê no jovem paraguaio/argentino as qualidades que os jornais alarvemente debitavam aquando da sua compra.
Ok mister, mas, pelo sim pelo não, deixe-nos chegar a essas suas conclusões por nós próprios.
Dê-nos um bocadinho mais de Iturbe, por favor.
Apenas Hulk e mais um pouquinho de James não deverá ser receita suficiente para estes "citizens" tão duros de roer.











